Cassiane Josefina de Freitas Café com quebra torto: um estudo léxico-cultural da Serra do Cipó/MG Belo Horizonte Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Letras 2012 Cassiane Josefina de Freitas Café com quebra torto: um estudo léxico-cultural da Serra do Cipó/MG Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção de título de Mestre em Linguística Teórica e Descritiva. Área de concentração: Linguística Teórica e Descritiva. Linha de Pesquisa: Estudos da Variação e Mudança Linguística. Orientadora: Profª Drª Maria Cândida Trindade Costa de Seabra. Belo Horizonte Faculdade de Letras da UFMG 2012 Belo Horizonte, junho de 2012. Dissertação aprovada em ..... /..... / 2012 pela Banca Examinadora constituída pelos Professores Doutores: ____________________________________________________________ Profª. Drª. Maria Cândida Trindade Costa de Seabra – UFMG Orientadora _____________________________________________________ Profª. Drª. Ana Paula Antunes Rocha – UFOP _______________________________________________________________ Profª. Drª. Maria Antonieta Amarante de Mendonça Cohen – UFMG À minha mãe, Maria da Cruz, pelo constante incentivo, apoio e carinho. À minha irmã Naide, pelo companheirismo e disposição em ajudar. Ao meu pai, Vicente (in memorian), minha grande inspiração, que me apoiou sempre, à sua maneira, com suas poucas e sábias palavras de homem do interior e que pôde acompanhar parte desta trajetória. Agradecimentos A Deus, pela força capaz de me fazer seguir em frente, mesmo passando por momentos difíceis. À Professora Maria Cândida Trindade Costa de Seabra, pela orientação, amizade e dedicação na realização da pesquisa e por ser a grande responsável pelo meu interesse em estudos lexicais. Aos entrevistados, pessoas extremamente sábias, com quem aprendi lições de vida que levarei sempre comigo. À Belinha e à Elen, amizades conquistadas durante a pesquisa e que foram fundamentais para o seu bom desenvolvimento. À Maria Stela, da Fazenda do Cipó, por deixar suas portas sempre abertas para a consulta de documentação. Aos meus colegas de curso, companheiros nessa jornada, que partilharam das mesmas dificuldades, inseguranças e alegrias, principalmente a Emanoela, amiga desde o primeiro período do curso de graduação, sempre disposta a ajudar. Ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos, que permitiu que este trabalho fosse realizado, por acreditar na proposta da pesquisa. Finalmente, à minha família, que sempre esteve ao meu lado, sempre compreensiva e disposta a ajudar. À minha mãe, que me acompanhou em toda a pesquisa de campo e mostrou-se fundamental para sua realização. À minha irmã, que me acompanhou de perto e se mostrou sempre dedicada e disposta. E ao meu pai, que, infelizmente, não pôde me fazer companhia até o final desta jornada, mas de quem sempre me recordarei - do olhar atento e das longas risadas ao escutar aos meus relatos após cada entrevista realizada com alguma de suas tias ou amigos de longa data. A ele dedico este trabalho, que, assim como foi minha vida ao seu lado, é repleto de amor e carinho. "Uma vida sem memória não seria uma vida, assim como uma inteligência sem possibilidade de exprimir-se não seria uma inteligência. Nossa memória é nossa coerência, nossa razão, nossa ação, nosso sentimento. Sem ela, não somos nada. Luis Buñuel FOTO 1 – Café com quebra torto Fonte: Acervo pessoal Resumo O objetivo do presente trabalho é apresentar o estudo do vocabulário rural da região da Serra do Cipó, localizada na região Metropolitana de Minas Gerais. A área pesquisada abrange parte de dois municípios mineiros: Jaboticatubas e Santana do Riacho, que se caracterizam por seu caráter predominantemente rural. A escolha dessa região se deu por diversos fatores, relacionados à cultura rural local e às peculiaridades percebidas na fala dos moradores. O estudo propõe tornar mais evidente a relação entre língua e sociedade. Os principais teóricos que serviram como base para a apresentação desta relação são Saussure (1989), Labov (1972), Hymes (1964), Coseriu (1977) e Duranti (2000). Tendo como embasamento teórico os estudos labovianos, foram realizadas 12 entrevistas orais que, seguindo metodologia previamente definida, foram transcritas. Das transcrições foram selecionadas lexias que melhor representassem a realidade da população local. Após seleção de dados iniciou-se a fase de análises. Foi elaborada uma ficha lexicográfica para cada lexia selecionada, contendo informações relativas à sua definição e etimologia. Também foi elaborado um glossário com o intuito de sistematizar a consulta a tais vocábulos. Palavras Chave: Léxico, Cultura, Sociedade, Serra do Cipó Abstract The objective of this work is to present the study of the rural vocabulary of the Serra do Cipó, located in the metropolitan region of Minas Gerais. The area being searched covers part of two municipalities of Minas: Jaboticatubas and Santana do Riacho, characterised by its predominantly rural character. The choice of this region was by several factors, related to local rural culture and the perceived peculiarities in speech of residents. The study proposes to make more clear the relationship between language and society. The main theoreticians who have served as the basis for the presentation of this relationship are Saussure (1989), Labov (1972), Hymes (1964), Coseriu (1977) and Duranti (2000). Having as theoretical foundation, Labov’s studies were carried out 12 oral interviews, following established methodology were transcribed. The transcripts were selected that better depict reality expressions of local population. After selecting the data analysis phase. A lexicographical sheet was drawn up for each selected term, containing information relating to its definition and etymology. It was also prepared a glossary in order to systematize the query to such words. Keywords: lexicon, culture, society, Serra do Cipó. ABREVIATURAS ADJ – Advetivo singular ADV – Advérbio Cf. – Confira INF. – Informante Loc. Adv. – Locução Adverbial Loc. Pron. – Locução Pronominal NCf – Nome composto feminino NCm – Nome composto masculino n/e – Não encontrado Nf – Nome feminino Nm – Nome masculino p. – página PESQ. – Pesquisadora PREP – Preposição Pron – Pronome Ssing – Substantivo singular TERC. – Terceiro V – Verbo LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Classificação morfológica dos dados analisados ........................................... 240 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 – Lexias mais recorrentes ............................................................................... 246 QUADRO 2– Lexias comuns – Serra do Cipó, Águas Vermelhas e Passos ........................ 251 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 – Número de lexias encontradas em cada dicionário ...................................... 239 GRÁFICO 2 – Distribuição percentual das lexias diconarizadas e não-dicionarizadas ........ 241 GRÁFICO 3 – Percentual de lexias dicionarizadas por classe gramatical ........................... 241 GRÁFICO 4 – Percentual de lexias não-diconarizadas por classe gramatical ...................... 242 GRÁFICO 5 – Origem das lexias ....................................................................................... 242 GRÁFICO 6 – Percentual de brasileirismos entre as lexias dicionarizadas ......................... 244 GRÁFICO 7 – Gênero das Lexias ...................................................................................... 245 GRÁFICO 8 – Mudança e Manuntençao Linguística .......................................................... 249 GRÁFICO 9 – Lexias comuns............................................................................................ 251 LISTA DE FOTOS FOTO 1 – Café com quebra torto ........................................................................................... 7 FOTO 2 – Juquinha da Serra ................................................................................................ 14 FOTO 3 – Casa Serra do Cipó/MG ...................................................................................... 18 FOTO 4 – Fabricação Rapadura ........................................................................................... 34 FOTO 5 – Casa de adobe na Serra do Cipó/MG ................................................................... 47 FOTO 6 – Vista Pedra do Elefante – Serra do Cipó/MG ....................................................... 58 FOTO 7 – Antiga senzala – Fazenda Cipó .......................................................................... 255 FOTO 8 – Fonte Serra do Cipó/MG ................................................................................... 295 LISTA DE MAPAS MAPA 1 – Localização município de Águas Vermelhas ...................................................... 32 MAPA 2 – Localização município de Passos........................................................................ 32 MAPA 3 – Localização município de Santana do Riacho .............................................. 33 e 42 MAPA 4 – Localização município de Jaboticatubas ...................................................... 33 e 43 MAPA 5 – Regiões Culturais do Brasil ................................................................................ 36 MAPA 6 – Parque Nacional da Serra do Cipó ...................................................................... 45 MAPA 7 – Circuito Estrada Real ......................................................................................... 46 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 15 CAPÍTULO I - LÍNGUA, SOCIEDADE E CULTURA ............................................................... 19 1.1. A Linguagem e o Homem.................................................................................. .................19 1.1.1. Antropologia Linguística ........................................................................................ 20 1.1.2. Cultura ................................................................................................................... 22 1.2. Lingua e Sociedade ....................................................................................................... 23 1.2.1. Variação e Mudança ................................................................................................ 25 1.2.2. Estudos Dialetológicos ............................................................................................ 26 1.2.2.1. Atlas Linguísticos Regionais ............................................................................. 27 1.2.2.2. Projeto "Atlas Linguístico do Brasil".................................................................... 28 1.2.3. Estudos Lexicais...................................................................................................... .... 29 1.2.3.1. Disciplinas Tradicionais: a lexicografia e a lexicologia ...................................... 30 1.2.3.2. Léxicos Rural e Urbano. .................................................................................... 31 1.2.3.2.1. Descrição de Léxicos Regionais ................................................................... 32 CAPITULO II - ASPECTOS HISTÓRICOS DA REGIÃO DA SERRA DO CIPÓ ......................... 35 2.1. A ocupação da Serra do Cipó ........................................................................................ 35 2.1.1. Região Cultural ....................................................................................................... 35 2.1.2. Esboço do povoamento das regiões mineradoras de Minas Gerais .......................... 37 2.1.3. Serra do Cipó .......................................................................................................... 39 2.1.3.1. Santana do Riacho ............................................................................................. 42 2.1.3.2. Jaboticatubas ..................................................................................................... 43 2.1.3.3. Parque Nacinal da Serra do Cipó........................................................................ 44 CAPÍTULO III - PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ....................................................... 48 3.1. Objetivos ....................................................................................................................... 48 3.2. Métodos e Procedimentos .............................................................................................. 49 3.2.1. Pesquisa de Campo e Coleta de Dados .................................................................... 49 3.2.2. Seleção de Informantes ........................................................................................... 50 3.2.3. Transcrições ........................................................................................................... 51 3.2.4. Fichas Lexicograficas ............................................................................................. 53 3.2.4.1. Obras Lexicográficas Consultadas .................................................................... 54 3.3. Macro e Microestrutura do Glossário............................................................................. 56 3.3.1. A Macroestrutura ..................................................................................................... 57 3.3.2. A Microestrutura ..................................................................................................... 57 CAPÍTULO IV - APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS .................................................... 59 4.1. Fichas lexicográficas ..................................................................................................... 59 4.2. Análise quantitativa ..................................................................................................... 238 4.2.1. Quanto ao número de lexias presentes em cada dicionário ..................................... 239 4.2.2. Quanto à classificação gramatical .......................................................................... 240 4.2.3. Quanto às lexias dicionarizadas e não dicionarizadas ............................................. 240 4.2.3.1. Dicionarização segundo classificação gramatical ............................................. 241 4.2.4. Quanto a origem ................................................................................................... 242 4.2.5. Quanto à forma e ao gênero das lexias .................................................................. 245 4.2.6. Quanto ao número de ocorrências das lexias ......................................................... 245 4.3. Variação, manutenção e mudança dos lexemas ao longo do tempo .............................. 247 4.3.1. Quanto aos arcaísmos ............................................................................................ 249 4.3.2. Quadro comparativo entre as regiões Norte, Sul/Sudeste e Metropolitana de Minas Gerais ................................................................................................................................ 250 CAPÍTULO V - GLOSSÁRIO ............................................................................................... 256 5.1. Quadro geral de classificação ...................................................................................... 256 5.2. Glossário ..................................................................................................................... 258 CAPÍTULO VI - CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 296 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 298 FOTO 2 – Juquinha da Serra Fonte: Acervo Pessoal 15 INTRODUÇÃO Os estudos lexicológicos têm tido, desde a década de 90, cada vez mais espaço entre os estudos linguísticos. Dentre as linhas que constituem essa área, a que evidencia a interação entre língua, sociedade e cultura é uma das que tem chamado mais a atenção dos pesquisadores. Os aspectos socioculturais se caracterizam como elementos básicos no estudo de uma língua, além de serem, em muitos casos, fatores que determinam sua variação. Tendo em vista o estudo do léxico, esses aspectos são ainda mais evidentes, já que é através das palavras que grande parte das ideias, valores, conhecimento, tradição e experiências de uma determinada comunidade são expressos. O indivíduo, por meio de sua fala, interage com as outras pessoas de seu grupo e, assim, laços sociais do grupo são fortalecidos. Segundo Aragão (2005) a palavra é o fenômeno ideológico por excelência. Há uma ligação de unicidade entre linguagem e pensamento, desse modo, o discurso é sempre determinado pelas características sociohistóricas de sua produção. O léxico, que está inserido nesta sociedade, reflete sua “ideologia dominante” assim como suas lutas e tendências. A variabilidade lexical é eminente e pode advir de diversos fatores, sejam eles socioculturais, históricos, geográficos, etc. A variação é inerente ao sistema linguístico, há, portanto, necessidade de sistematizá-la e correlacionar formas variantes. Para que isso possa ser feito, faz-se necessário o detalhamento das análises lexicais nas diversas regiões, para que com isso se possa tentar determinar as influências e o funcionamento da língua. A proposta desta dissertação é a realização de um estudo linguístico com destaque para o vocabulário rural da região da Serra do Cipó – MG. É fundamental delimitar que por vocabulário rural, entende-se, neste trabalho, a variedade do português brasileiro falada em áreas rurais brasileiras, pelo “caipira” (AMARAL, 1976). A escolha dessa região se deu por diversos fatores relacionados à cultura rural local, às peculiaridades percebidas na fala dos moradores e à familiaridade da pesquisadora com a região, tendo em vista que seus avós e pais habitaram e habitam no local, proporcionado, assim, constante e profunda convivência com os moradores locais. Consistiram na base empírica do presente estudo doze entrevistas orais, realizadas em áreas rurais da região da Serra do Cipó, cujas transcrições se encontram em CD-Rom, 16 anexo a este volume. Tais entrevistas, que figuram como parte fundamental da pesquisa, foram transcritas, digitalizadas e as linhas enumeradas para localização e consulta. A seguir será apresentada a estrutura desta pesquisa. No capítulo I, intitulado Língua, Sociedade e Cultura, são tratadas as relações entre linguagem e sociedade, já que tal relação assume múltiplas faces capazes de retratar a realidade sociocultural dos indivíduos. Os principais teóricos que servem como base para a apresentação desta relação entre linguagem e indivíduo são Saussure (1989), Labov (1972), Hymes (1964), Coseriu (1977) e Duranti (2000). Neste capítulo, são tratados ainda os aspectos que relacionam entre léxico, cultura e sociedade, com esclarecimentos acerca da teoria da variação e mudança linguística, abordando questões dos estudos dialetológicos e sociolinguísticos. Para o tratamento desta relação são utilizadas como apoio as teorias de Biderman (1984), Isquerdo (2001), Coseriu (1991), Brandão (1991) e Cardoso (2010). No capítulo II, denominado Aspectos Históricos da Região da Serra do Cipó, é apresentado um esboço do povoamento das regiões mineradoras de Minas Gerais. Destaca- -se o item que aborda a delimitação da região denominada de Serra do Cipó, que ocupa parte dos municípios mineiros de Jaboticatubas e Santana do Riacho. No capítulo III, Procedimentos Metodológicos, são apresentados a região estudada, os objetivos da presente pesquisa, além da metodologia utilizada. Explicita-se também como se deu a pesquisa de campo para o levantamento dos dados, com detalhamento dos critérios adotados para a transcrição das entrevistas e descrição do modelo de ficha lexicográfica utilizada para a análise de dados. No capítulo IV, Apresentação e Análise de Dados, há a apresentação dos dados coletados nas doze entrevistas orais realizadas com moradores da Serra do Cipó – MG. Os dados foram apresentados na forma de fichas lexicográficas contendo as seguintes informações: a) lexia; b) número de ocorrências; c) abonação; d) registro em dicionários; e) registro em glossários. Tais informações são capazes de oferecer subsídio para a análise linguística realizada. Estão presentes, ainda neste capítulo, uma análise quantitativa dos dados, demonstrada por meio de gráficos, assim como análise linguística que aborda questões de variação, manutenção e retenção ocorridas. Ainda é realizada uma comparação entre os dados estudados neste trabalho e os dados das pesquisas desenvolvidas por Souza (2008), que analisa o léxico rural do município de Águas Vermelhas – Norte de Minas Gerais – e por Ribeiro (2010), com pesquisa sobre o léxico rural de Passos – região Sul/Sudeste do Estado. 17 No capítulo V, é apresentado o Glossário, elaborado a partir das lexias selecionadas e analisadas nas fichas lexicográficas. As lexias são apresentadas, inicialmente, segundo critério onomasiológico e, em seguida, pelo critério semasiológico. Finalmente, são retomados, no capítulo VI, Considerações Finais, os principais aspectos discutidos nos capítulos anteriores, assim como os resultados obtidos por meio das análises realizadas. 18 FOTO 3 – Casa Serra do Cipó/MG Fonte: Acervo Pessoal 19 CAPÍTULO 1 – SOCIEDADE, LÍNGUA E CULTURA 1.1. A LINGUAGEM E O HOMEM A linguagem não se resume à nomeação de objetos ou à designação de algum fato. Ela é responsável por designar a realidade do indivíduo. Nas palavras de Coseriu (1982, p. 30) “a linguagem é fundamental para a definição do homem”. Saussure já chamava a atenção para o fato de que a linguagem constitui o fator mais importante que qualquer outro na vida dos indivíduos e das sociedades. Ela é concebida com múltiplas faces, capazes de refletir, de maneira expressiva, a realidade sociocultural desse indivíduo, já que, ao se comunicar, esse homem realiza trocas de saberes, de ideias, de conceitos, de sentimentos e costumes; a linguagem é, pois, decorrente de práticas sociais. A linguagem é multiforme e variada, pois os jogos de linguagem são tão diversos e numerosos quanto são os usos linguísticos; falar é uma forma de ação, de comportamento, de atividade de nossas formas de vida e não de representação lógica. 1 A língua, por sua vez, caracteriza-se como parte fundamental da linguagem, é um “produto social”; em suma, um instrumento da linguagem. Não é simplesmente um meio de comunicação, mas sim um indicador da visão de mundo do falante. Ela estrutura a realidade de forma que essa possa ser compreendida e representada. Ao definir a língua, Saussure aponta que ela é a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, que, por si só, não pode nem criá-la nem modificá-la; ela não existe senão em virtude duma espécie de contrato estabelecido entre os membros da comunidade. 2 Para Labov (1972), ao se tentar definir o que é língua, deve-se considerar o contexto social. Isso implica atribuir à língua uma função comunicativa, ou seja, ela não deve ser analisada fora do contexto social de dada comunidade de fala. De acordo com esse teórico, o objeto da linguística deve ser o instrumento de comunicação utilizado pela comunidade de fala, considerando-se que pressões sociais estão continuamente operando sobre a língua (SEVERO, 2008). Partilhando dessa mesma opinião, citamos o antropólogo linguista Duranti (2000). Segundo esse estudioso, para que seja possível a compreensão do papel da língua na vida 1 ARAÚJO, 2007, p. 21. 2 SAUSSURE, 1989, p. 17. 20 das pessoas, é necessário ir além do estudo de sua gramática e entrar no mundo da ação social, pois é lá que as palavras são relacionadas às atividades culturais e sociais. 1.1.1. Antropologia Linguística Conceitua-se o termo Antropologia como uma ciência cujo objetivo é a realização de reflexões sobre o homem, centro de suas preocupações, com vistas a questionar sua totalidade, como ser biológico pensante e participante da sociedade, assim como sua origem, seu corpo, seu comportamento, suas etnias, religiões, desenvolvimento etc; ou seja, a Antropologia tem caráter biológico, filosófico e sociocultural. A atividade antropológica surgiu da curiosidade do homem acerca de si mesmo; sendo assim, é impossível de se determinar a origem da Antropologia, já que a existência humana sempre foi pauta de autorreflexão do homem como também sua relação com a sociedade. A Antropologia Linguística pode ser determinada como uma ‘subárea’ da Antropologia, que se empenha em estudar o papel das línguas, assim como a atividade linguística dos indivíduos nas sociedades, ou seja, o comportamento linguístico dos falantes em meio à sua realidade. Tais estudos são viabilizados através da análise e documentação dos usos linguísticos. Essa ciência concebe a linguagem como um instrumento social e a fala como uma prática cultural. De acordo com Duranti (2000, p. 23) [...] a antropologia linguística deve ser entendida como uma parte do amplo campo da antropologia, não porque seja um tipo de linguística que se pratique nas áreas da antropologia, mas porque examina a linguagem através do prisma dos interesses antropológicos, entre os quais estão: a transmissão e reprodução da cultura, a relação entre os sistemas culturais e outras formas de organização social, e o papel das condições materiais de existência na compreensão que os indivíduos têm do mundo. 3 Os falantes, na visão dos antropólogos linguistas, fazem parte de organizações sociais complexas e singulares das quais eles participam ativamente compartilhando expectativas, crenças e valores morais. Duranti (2000, p. 22) afirma, ainda, que, [...] o que diferencia os antropólogos linguísticos de outros estudantes da língua não é somente o interesse pelo uso da linguagem [...] mas sua visão da linguagem 3 Hay que entender la antropología lingüística como una parte del amplio campo de la antropología, no porque sea un tipo de lingüística que se practique en los departamentos de antropología, sino porque examina el lenguaje a través del prisma de los intereses antropológicos, ente los cuales están: la transmisión reproducción de la cultura, la relación entre los sistemas culturales y otras formas de organización social, y el papel de las condiciones materiales de existencia en la comprensión que los individuos tienen del mundo. 21 como um conjunto de estratégias simbólicas que formam parte do tecido social e da representação individual de mundos possíveis ou reais. 4 Nos Estados Unidos, no princípio do século XX, acreditava-se que a Antropologia era como uma disciplina holística que tinha como objetivo estudar as características físicas, linguísticas, culturais e arqueológicas das sociedades. O pesquisador que melhor representou a teoria antropológica na prática da visão holística foi Franz Boas. Franz Boas (1858-1952) afirmava que não era possível compreender, de maneira efetiva, a cultura de um povo sem ter contato com sua língua. O estudo da língua, segundo Boas, serviria como um meio de interpretar a conexão existente entre cultura e linguagem. Essa teoria da relação entre língua, linguagem e cultura, tornou-se a tese básica da antropologia cultural americana do início do século XX. Boas influenciou muitos pesquisadores, dentre eles Edward Sapir (1844-1939). Sapir teve fundamental participação no desenvolvimento da escola linguística norte-americana e é, provavelmente, o mais famoso pesquisador da história da Antropologia Linguística. Ele se interessou pelos problemas filosóficos envolvendo a linguagem e explorou seus inúmeros sentidos. Acreditava que a língua era fundamental para o desenvolvimento da cultura e refutava a ideia da superioridade de uma língua em detrimento de outra. Sapir (1980) firmava, ainda, que a percepção de mundo de determinado indivíduo está diretamente relacionada e controlada, de certo modo, pelo uso de sua linguagem. Discípulo de Sapir, Benjamin Lee Worf (1897-1941) dedicou-se, sobretudo, ao estudo de línguas indígenas americanas. Worf investigou a relação entre linguagem e pensamento e como a linguagem pode modelar até mesmo os pensamentos. Segundo Duranti (2000, p. 91) “a contribuição mais famosa de Whorf à teoria linguística foi ter esclarecido a relação entre linguagem e cosmovisão.” 5 Ele acreditava que a estrutura de qualquer língua continha uma teoria da ‘estrutura do universo’, a qual chamava de ‘metafísica’. Ainda que o termo Antropologia Linguística date, aproximadamente, de 1870, ele só ganhou força em 1964, quando Dell Hymes editou uma primeira coletânea que incluía artigos de autores como Mauss, Melet, Lévi-Strauss, Blomfield, etc. 4 Lo que distnegue a los antropólogos linguísticos de otros Estudiantes de la lengua no ES solo el interes por el uso del lenguaje [...], sino su visíon del lenguaje com un conjunto de estratégias simbólicas que Forman parten del tejido social y de la representación individual de mundos posibles o reales. 5 La contribuición más famosa de Whorf a la teoria linguística ES Haber arrojado luz sobre la relación entre lenguaje y cosmovisión. 22 Em suas pesquisas, Dell Hymes (1964), ao tratar de competência e desempenho, opõe-se ao conceito chomskyniano de que uma se trata do conhecimento das estruturas e regras da língua e o outro do uso real da língua. Hymes postula que deve-se considerar o fato de que uma criança normal adquire o conhecimento das orações, não somente por meio de gramática, mas também por meio de sua inserção em um contexto. Ela adquire a competência sobre quando falar, quando não, de que falar e com quem, de onde e de que maneira. Em suma, uma criança pode chegar a dominar um repertório de atos de fala, tomar parte em eventos comunicativos e avaliar a conduta comunicativa dos outros. Além disso, essa competência se integra com suas atitudes, valores e motivações em relação às propriedades e uso da língua e com sua competência e atitudes para entender a interrelação da língua com outro código de conduta comunicativa. Embora a fala como atividade social seja uma ideia compartilhada por todos os antropólogos linguistas, Dell Hymes foi o primeiro a inserir o critério social ao conceito de competência, ou seja, para ele o conhecimento das estruturas e regras de uma língua, em termos comunicativos, não é suficiente para afirmar que determinado indivíduo seja competente. Desse modo, faz-se necessário refletir sobre cultura. 1.1.2. Cultura Segundo Marconi e Presotto (1989, p. 194) “as sociedades são formadas de seres humanos que adotam uma forma de viver normativa, isto é, tornam-se portadores de culturas, em geral adaptadas à ambiência local.” A noção totalizadora de cultura é criticada por Duranti (2000), que acredita que tal definição não demonstra claramente as complexidades socio-históricas, escondendo toda a riqueza das sociedades. Duranti (op. cit.), ao tratar do tema, expõe seis teorias da cultura em que a linguagem desempenha um papel particularmente decisivo. A primeira teoria traz o conceito da cultura como algo distinto da natureza. Nesse tópico o autor afirma que cultura é aprendida, adquirida, por meio da comunicação linguística. Quer dizer que a cultura do indivíduo não é uma característica inata, mas sim obtida durante sua vida. Se a cultura é aprendida, pode-se afirmar que grande parte dela refere-se ao conhecimento do mundo. Conhecer uma cultura é como conhecer uma linguagem, já que ambas são realidades mentais, essa é a definição básica de cultura como conhecimento. 23 Cultura como comunicação refere-se à cultura como um sistema de signos capaz de interligar e correlacionar indivíduos, grupos e situações. Cultura como sistema de mediação, como o nome já propõe, é como uma ponte que realiza as interações. Tais mediadores, de acordo com Duranti (2000, p. 68) [...] estão sempre =entre=. Estão entre as pessoas e seus alimentos (ex. um garfo), entre as pessoas e o tempo (ex. um guarda chuva), entre as pessoas e um objeto físico (ex. um machado), entre as pessoas entre si (gestos, enunciados) e entre as pessoas e seus próprios pensamentos (fala privada, representação mental).6 A cultura tem o papel de sistema mediador entre o homem e o seu entorno. Cultura como um sistema de práticas refere-se à cultura não como algo puramente interno do ser humano (como nas representações mentais), nem como uma característica exclusivamente externa (como símbolos, costumes, rituais etc). São nas práticas rotineiras onde estão incluídas as condições materiais e as experiências de como a cultura é concebida. Por fim, é apresentada a ideia de cultura como um sistema de participação. Essa é a ideia que envolve práticas sociais: a comunicação verbal é de natureza social, coletiva e participativa, ou seja, a língua é um fato social. 1.2. LÍNGUA E SOCIEDADE A língua é um fato social que revela a forma com que cada comunidade percebe o mundo. Segundo Brandão (1991, p. 18) é através da língua que o homem consegue expressar suas ideias, de sua geração e de sua época, por isso ela está em constante transformação. Podemos dizer que cada falante é, ao mesmo tempo, usuário e agente modificador de sua língua e nela imprime as marcas por situações inéditas com que se depara. Sendo assim, é possível afirmar que é projetada na língua a cultura de um povo, cultura essa compreendida em seu sentido mais amplo. A língua serve, pois, como uma ponte que une sociedade e cultura, criando assim uma relação de interdependência. A língua não é só um bem cultural e histórico herdado das gerações anteriores, ela é, também, mutável porque é social, sendo sujeita a ação do tempo. 6 [...] están siempre =entre=. Están entre las personas y sus alimentos (i.e. um tenedor), entre las personas y el tiempo (i.e. um paraguas), entre las personas y el objeto fisco (i.e. um hacha), entre las personas entre sí (gestos, enuciados) y entre las personas y SUS próprios pesamientos íntimos (habla privada, representación mental). 24 Com o objetivo de verificar as relações entre questões linguísticas e fatos socioculturais em sua realidade, surge a sociolinguística. De acordo com Mollica (2004, p. 9) [...] a Sociolinguística é uma ciência que se faz presente num espaço interdisciplinar, na fronteira entre língua e sociedade, focalizando, principalmente, os empregos linguísticos concretos, em especial os de caráter heterogêneo. O grande responsável pela ampliação dos estudos relativos à heterogeneidade da língua relacionada a fatos sociais foi Willian Labov. De acordo com Tarallo (2007, p. 7), Labov foi “[...] quem, mais veementemente, voltou a insistir na relação entre língua e sociedade e na possibilidade, virtual e real, de se sistematizar a variação existente e própria da língua falada”. Labov propôs um modelo teórico metodológico que, levando em conta a relação existente entre língua e sociedade, era capaz de sistematizar a ‘variação natural’ da língua falada. Esse linguista conseguiu provar que a mudança é observável na sincronia pela avaliação da heterogeneidade linguística dos grupos sociais. Com Labov, a Sociolinguística passa a ser reconhecida como a área da linguística que estuda a língua inserida em seu contexto social, levando em conta os fatores externos, que poderão caracterizar a diversidade e a heterogeneidade linguística. Uma grande contribuição aos estudos da sociolinguística contemporânea foi dada por Lesley Milroy (1980), com o conceito de rede social. A autora, ao estudar a variação vocálica no inglês falado em comunidades de Belfast, percebeu que, em termos de status social em grupos relativamente homogêneos, o emprego das variantes só podia ser explicado através da observação das redes de relacionamentos existentes entre os membros do grupo. Assim, apoiando-se no estudo de Bott (1957), Milroy demonstrou que as redes densas e multipléxicas ali encontradas funcionavam como mecanismo de reforço dos valores linguísticos e culturais partilhados pelos membros da comunidade de fala. As redes sociais têm o papel de representar os graus de contato entre os indivíduos que se relacionam informalmente, mediante duas propriedades – densidade e multiplicidade – o que resulta por um lado em redes sociais densas e múltiplas ou, por outro, redes sociais frouxas e com pouca multiplexidade. As redes sociais mais densas e múltiplas são constituídas de laços fortes (redes em que todos conhecem todos e nas quais os indivíduos compartilham mais de um tipo de relação). Em contraposição, existem as redes mais frouxas e com pouca multiplexidade, estas que constituem os laços fracos. Elas operam como canais de transmissão de inovação e de 25 influência de uma rede densa sobre a outra, interligando os grupos coesos à sociedade ampla e estratificada. A densidade e a multiplicidade das redes sociais funcionam como indicadores das pressões de normas e valores sobre os indivíduos: quanto mais densa e múltipla for uma rede social, maior a estabilidade linguística nesse grupo; quanto mais frouxa, mais sujeita a variações. 1.2.1. Variação e Mudança As línguas sofrem lentas e graduais mudanças, que relacionam-se diretamente com a interação do falante em seu contexto social e sua adequação à sua realidade social, histórica, cultural e política. Coseriu já assinalava que a variação e a mudança são fatos inerentes à própria língua. Esse caráter dinâmico faz parte de sua essência. Afirma, também, esse linguista que, a língua muda sem cessar, mas a mudança não a destrói e não afeta em seu “ser língua”, que se mantém sempre intacto. Sem dúvida, isso não significa que o ser sistema seria independente da mudança, pelo contrário, porque a mudança na língua não é “alteração” ou “deterioração”, como se diz com terminologia naturalista, mas reconstrução, renovação do sistema, e assegura sua continuidade e seu funcionamento. 7 O processo de variação das línguas pode ocorrer sob a influência de diversos fatores, sejam eles relacionados a questões de espaço físico-geográfico, aos diferentes extratos sociais, à idade dos integrantes das comunidades, ao gênero do informante observado, ou, até mesmo, ao período pesquisado. Pode, também, ocorrer em todos os níveis, sejam eles morfológico, fonológico, pragmático, semântico, sintático; entretanto, é no nível lexical que as mudanças são percebidas mais rapidamente. O léxico, assim como as sociedades, renova-se constante e permanentemente. Segundo Ferraz (2006): Podemos dizer que as grandes manifestações sociais (crise política, crise econômica, revolução social ou cultural etc.) ensejam o movimento do léxico em direção à renovação. E à medida que ocorrem mudanças sociais, a língua se adapta a essas mudanças e produz novas unidades lexicais. 8 O léxico é, pois, o nível da língua que é mais suscetível a fatores extralinguísticos. Isso se dá pelo fato do léxico “se reportar, em grande parte de seu conjunto, a um mundo referencial, físico, cultural, social e psicológico em que se situa o homem” (FERRAZ, 2006, p. 220). 7 COSERIU apud OLIVEIRA, 1999, p. 19. 8 FERRAZ In. SEABRA , 2006, p. 219. 26 Ao longo dos anos, vários estudos científicos têm se dedicado a essa área, dentre eles, apontamos a Dialetologia e a Lexicologia. 1.2.2. Estudos Dialetológicos A variedade linguística e as particularidades assumidas por cada língua são, visivelmente, determinadas pelo espaço geográfico. O estudo da língua nesse espaço é o objeto da Dialetologia. Dialetologia e Sociolinguística são comumente consideradas, até certo ponto, sinônimas, entretanto, segundo Cardoso (2010, p. 26), “[...] dialetologia e sociolinguística, ao se ocuparem da diversidade de usos da língua, atribuem um caráter particular e individualizante ao tratamento de seu objeto de estudo.” O que as distingue, na verdade, é a forma de abordagem e o tratamento que dão aos fatos linguísticos. A Dialetologia, assim como a Sociolinguística, considera os fatores sociais como sendo extremamente relevantes na análise e descrição dos dados. No entanto, tem como ponto de apoio de seu trabalho a localização espacial dos fatos coletados. Falantes de uma única língua, mas que residem em regiões distintas, apresentam características linguísticas variadas, assim como os que residem em uma mesma região podem apresentar essa mesma distinção se considerados fatores, por exemplo, como os estratos sociais e as diversas circunstâncias da comunicação. No Brasil, o interesse pelos estudos dialetológicos tem seu início a partir de 1920, ano em que é editado O dialeto caipira, de Amadeu Amaral. Nesse trabalho o autor tenta realizar análises sobre características morfológicas, fonológicas, sintáticas e lexicais do que ele chama de “um aspecto da dialetação portuguesa em São Paulo”.9 Ainda que esse estudo tenha sido realizado de forma incipiente, mas com grande preocupação com o rigor científico em que seria desenvolvido, é reconhecido como de fundamental importância para a introdução dessas pesquisas no país. Posteriormente, Antenor Nascentes, com a publicação de O Linguajar Carioca,em 1922, Pereira da Costa, com O vocabulário pernambucano, em 1937, e Gladstone Chaves de Melo, com a publicação A língua no Brasil, em 1934, dão destaque, sobretudo, ao léxico, em seus trabalhos dialetológicos, contribuindo de maneira significativa com essa área de estudo. 9 BRANDÃO, 1991, p. 33. 27 1.2.2.1. Atlas linguísticos regionais Seguindo o exemplo dos trabalhos pioneiros, iniciou-se no Brasil, na década de 60 a elaboração de Atlas linguísticos regionais. Com o intuito de colaborar para a elaboração de um atlas linguístico de âmbito nacional, Antenor Nascentes já aconselhava em seu livro Bases para elaboração do Atlas linguístico do Brasil que se realizasse, inicialmente, atlas regionais (CARDOSO 2010, p. 160). Desde então, destacam-se no cenário nacional inúmeros atlas regionais, alguns já concluídos e outros em andamento. Dentre os concluídos, listamos: i) Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB), publicado entre 1960 e 1963; ii) Atlas Linguístico de Sergipe (ALS), publicado em 1987; iii) Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais (EALMG), cujo volume I foi publicado em 1977 e os demais volumes estão em preparação; iv) Atlas Linguístico da Paraíba (ALPB), os volumes I e II foram editados em 1984 e o III volume está em fase se elaboração; v) Atlas Linguístico do Paraná (ALPR), publicado em 1994; vi) Atlas Linguístico da Região Sul do País (ALERS), foram publicados dois volumes em 2002; vii) Atlas Linguístico Sonoro do Pará (ALIPA), publicado em 2004; viii) Atlas Linguístico de Sergipe II (ALS-II), publicado em 2005; ix) Atlas Linguístico de Mato Grosso do Sul (ALMS), publicado em 2008; x) Atlas Linguístico da Amazônia, publicado em 2004 como tese de doutorado; xi) Atlas Linguístico do Litoral Potiguar, publicado em 2007 como tese de doutorado; xii) Microatlas Fonético do Estado do Rio de janeiro, publicado em 2008 com tese de doutorado. Em elaboração, destacamos: i) Atlas Linguístico do Ceará; ii) Atlas Linguístico de São Paulo; iii) Atlas Geossociolinguístico do Pará; iv) Atlas Linguístico do Mato Grosso; v) Atlas Linguístico do Maranhão; vi) Atlas Linguístico do Espírito Santo; vii) Atlas Linguístico do Rio Grande do Norte. 28 1.2.2.2. Projeto Atlas Linguístico do Brasil O projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALIB), de caráter nacional, tem como meta a elaboração de um atlas geral que demonstre a realidade da língua portuguesa. Segundo Suzana Cardoso (2010), coordenadora do Projeto, o desejo da elaboração de um atlas de caráter nacional ganhou corpo em 1952, a partir da iniciativa de um grupo de pesquisadores da UFBA, pioneira na atitude de empreender a concretização dessa proposta. Essa ideia foi recuperada e aprovada em 1996, durante a realização do Seminário Caminhos e perspectivas para a geografia linguística no Brasil, realizado em Salvador – BA. Seminário este que teve a participação de inúmeros pesquisadores da língua, originários das mais distintas regiões do país. Nessa ocasião, houve a proposta de uma ampla formulação do projeto além da discussão e determinação metodológica para seu desenvolvimento. Ainda segundo Cardoso (2010): A implantação e o desenvolvimento do Projeto ALIB se constituem, assim, em substancial contribuição para o entendimento da língua e de suas variantes, eliminando visões destorcidas que privilegiam uma variante tida como culta e estigmatizam as demais variantes, causando, desse modo, ao ensino – aprendizagem da língua, consideráveis prejuízos. 10 A metodologia estipulada para o desenvolvimento do atlas tem com destaques “a estrutura organizacional do projeto, a rede de pontos, o perfil dos informantes, os questionários linguísticos, a realização de inquéritos linguísticos experimentais, a formação de inquiridores e as reuniões nacionais” (CARDOSO, 2010, p. 171). A rede de pontos estabelecida pelo projeto ALIB inclui cidades de grande e médio porte do país, incluindo todas as capitais, com exceção de Brasília (DF) e Palmas. Os questionários direcionados são estruturados de três diferentes maneiras que, de acordo com Cardoso, têm como objetivo verificar os aspectos fonético-fonológico, semântico-lexical e morfossintático. Em cumprimento ao cronograma estipulado em abril de 2010, o projeto ALIB já conta com 80% da sua rede de pontos já documentada. 1.2.3. Estudos Lexicais O léxico de determinada língua representa, comumente, de maneira clara, o ambiente, tanto físico como social, dos falantes. Segundo Sapir (1961, p. 45) “o léxico completo de uma língua pode se considerar, na verdade, como o complexo inventário de todas as ideias, 10 CARDOSO, 2010, p. 169. 29 interesses e ocupações que açambarcam a atenção da comunidade”. Assim sendo, podemos dizer que as palavras não só nomeiam, mas também traduzem e registram o conhecimento de mundo dos indivíduos de uma dada comunidade, uma vez que, ao nomear os seres e os objetos, o homem também realiza uma classificação dos mesmos. De acordo com Biderman (2001, p. 13): “[...] a nomeação da realidade pode ser considerada como a etapa primeira no percurso científico do espírito humano de conhecimento do universo.” O léxico se constitui, portanto, como um patrimônio histórico, social e cultural das sociedades. Se considerarmos a dimensão social da língua, podemos ver no léxico o patrimônio social da comunidade por excelência, juntamente com outros símbolos da herança cultural. Dentro desse ângulo de visão, esse tesouro léxico é transmitido de geração para geração como signos operacionais, por meio dos quais os indivíduos de cada geração podem pensar e exprimir seus sentimentos e ideias. 11 Apresenta-se como ‘testemunha de uma sociedade’, já que é o resultado de todas as experiências vividas e acumuladas pelas sociedades e culturas através dos tempos. Como os membros dessas sociedades vão se ‘recriando’, mudando ao logo dos tempos, o léxico também assimila essa condição de ser variável e é esse constante movimento de recriação que expande o inventário vocabular de uma língua. Que o léxico assim reflita em alto grau a complexidade da cultura é praticamente um fato de evidência imediata, pois o léxico, ou seja, o assunto de uma língua, destina-se em qualquer época a funcionar como um conjunto de símbolos, referentes ao quadro cultural do grupo. Se por complexidade de uma língua se entende a série de interesses implícitos em seu léxico, não é preciso dizer que há uma correlação constante entre a complexidade linguística e a cultural. 12 Contemporaneamente, várias são as teorias adotadas para o estudo do léxico. De acordo com Krieger (2006, p. 159), dependendo da teoria utilizada, o conceito de léxico pode variar, isso porque quando se trata do estudo das palavras, sendo este o foco da pesquisa, tem-se nas mãos um objeto múltiplo de estudo, ou seja, um tema que não apresenta, segundo a autora, uma “homogeneidade investigativa”. As várias possibilidades de abordagens relacionadas, seja à feição multifacetada da palavra, seja a seu papel na articulação do discurso, seja ainda à interligação com o mundo exterior, justificam a diversidade de campos gramaticais, linguísticos e discursivos que a ele se voltam ou com ele se interconectam. 13 11 BIDERMAN,1981, p. 132. 12 SAPIR, 1961, p. 51. 13 KRIEGER, In. SEABRA, 2006, p. 160. 30 Como o léxico reflete a cultura de um povo, através de sua análise é possível verificar os conceitos e eventos da vida dos falantes. Para Oliveira (1991, p. 41) “língua e cultura configuram-se como um bloco indissociável que, no caso da língua materna, passa a ser adquirido, paulatinamente.” E é esse léxico adquirido que identifica os elementos que circundam determinada comunidade e possibilita o convívio social. 1.2.3.1. Disciplinas tradicionais: a lexicologia e a lexicografia No vasto universo dos estudos lexicais, a lexicologia e a lexicografia enfocam seu objeto de estudo – a palavra – de maneiras distintas, porém, com finalidades comuns: descrever o léxico. A lexicologia tem como objetivo básico estudar a palavra, categorizá-la e analisar sua estrutura dentro do universo lexical. Ora, cada palavra da língua faz parte de uma vastíssima estrutura que se encontra inserida numa cadeia paradigmática, articulada em combinatórias sintagmáticas, o que nos leva a inúmeras significações linguísticas. A Lexicografia, por sua vez, é uma atividade antiga que pode ser definida como a ciência que se dedica à prática dicionarística. O início da Lexicografia se deu, efetivamente, nos séculos XVI e XVII com a elaboração dos primeiros dicionários monolíngues e bilíngues (latim e uma língua moderna). 14 Antes disso, o que havia eram obras que se resumiam a listas de palavras explicativas que cooperavam para a interpretação de textos da antiguidade clássica e da bíblia. As obras lexicográficas podem ter diversos modos de organização e também registrar diferentes tipos de lexias, tudo depende de seu objetivo. Podem ser descritivas (quando se contempla o registro das lexias tal como elas são utilizadas em determinadas comunidades de fala) ou prescritivas (cujo objetivo é determinar a maneira como que as palavras e expressões devem ser empregadas). Além disso, elas também podem ser monolíngues, bilíngues ou multilíngues. Essas obras podem se restringir em registrar temas específicos ou se limitarem a determinadas regiões. Os dicionários, glossários e vocabulários são produtos dos estudos lexicográficos. De acordo com Barbosa (1995), o dicionário objetiva reunir o maior número possível dos lexemas de uma língua e defini-los; o vocabulário, por sua vez procura representar o conjunto de lexemas de um determinado tipo de discurso, seja ele político, geográfico ou religioso, como é o caso dos vocabulários técnico-científicos e especializados. Já o 14 BIDERMAN, 2001, p. 17. 31 glossário, tem o intuito de esclarecer o contexto lexical de um único texto ou obra manifestado. É comum ser encontrado no final de livros. 1.2.3.2. Léxicos rural e urbano Nos últimos anos, novas teorias vêm sendo desenvolvidas para a determinação dos conceitos de espaço rural e espaço urbano. Tais discussões ocorrem sob a justificativa de que, em algumas situações, torna-se difícil definir o que é campo e o que é cidade. Isso se dá, segundo alguns estudiosos, pelo fato de que, gradativamente, os espaços antes definidos como rurais adotam práticas tidas como urbanas, relativas, por exemplo, à infraestrutura, às relações de trabalho, aos meios de comunicação etc. É comum ouvirmos dizer que as distâncias entre rural e urbano são reduzidas a cada dia. Segundo Carneiro (1998) apud Souza (2009), há o surgimento de novas identidades rurais frente à divulgação de valores urbanos através da vulgarização do acesso a meios de comunicação e transporte e a consequente redução das distâncias entre estes antigos extremos. Segundo a normativa brasileira, fundamentada no Decreto Lei nº 311 de 1938, a determinação de área urbana e de área rural pode ser vista da seguinte maneira: [...] urbana é a área e a população que estiver localizada dentro de um perímetro urbano da sede de um município (cidade) ou de um distrito (vila) e rural é a área real e a população que estiver localizada fora desse espaço físico delimitado.15 Várias são as teorias contrárias a essa divisão. Algumas se mostram favoráveis à ideia do desaparecimento das sociedades rurais, justificado pela tendência à “homogeneidade nas formas econômicas e sociais de organização e da produção”. Outros teorizam que “o rural não se perde frente às transformações profundas por que se passa a modernidade, ao contrário, reafirma sua importância e particularidade”. (BISPO e MENDES, 2010, p. 2) Tendo em vista a multiplicidade de discussões e teorias acerca do tema, neste trabalho, considera-se como área rural as regiões, pertencentes ao perímetro pesquisado, que apresentam um número de habitantes mais reduzido, residentes em localidades mais isoladas. Assim como Veiga (2004), consideramos que o fator densidade demográfica seja importante para tal caracterização: densidade demográfica[...] é o indicador que melhor expressa a “pressão antrópica” e reflete as modificações do meio natural ou o grau de artificialização dos ecossistemas que resultam de atividades humanas, sendo o que de fato indicaria o grau de urbanização dos territórios. 16 Além disso, esses espaços são caracterizados por um estilo de vida tipicamente rural, preservando costumes relacionados à agricultura, pecuária, religiosidade etc. Bispo e 15 BISPO e MENDES, 2010, p. 2. 16 VEIGA, 2004, apud BISPO e MENDES, 2010, p. 5. 32 Mendes (2010), ao citarem Carneiro (1997), afirmam que não há como negar que atualmente existe uma maior aproximação entre os dois ambientes culturais. No entanto, essa integração não leva necessariamente a uma mudança generalizada da identidade local dos habitantes rurais, ou seja, os espaços não irão se homogeneizar, já que são mantidas suas características específicas. 1.2.3.2.1. Descrição de léxicos regionais Este tópico será dedicado à apresentação de trabalhos, também de cunho dialetal, que se baseiam na análise de dados orais recolhidos em regiões geográficas previamente definidas, mas que, no entanto, dispõem de uma metodologia distinta da adotada na elaboração dos atlas linguísticos anteriormente citados. São eles Caminho do boi, caminho do homem: o léxico de Águas Vermelhas – Norte de Minas, de Vander Lúcio de Souza e O vocabulário rural de Passos/MG: um estudo linguístico nos Sertões do Jacuhy, de Gisele Aparecida Ribeiro, dissertações de mestrado, defendidas em 2008 e 2010, respectivamente, no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Faculdade de Letras da UFMG, sob orientação da Professora Dra. Maria Cândida Trindade Costa de Seabra. Tais dissertações apoiam-se nos ensinamentos da Antropologia Linguística e não fazem a adoção de questionários. Além disso, realizam-se gravações em áreas rurais, enquanto que o Projeto ALIB seleciona sua rede de pontos, ou seja, suas localidades, tendo em vista densidade demográfica, registrando assim a fala de pessoas pertencentes a centros urbanos. Mapa 1 Mapa 2 Localização do município de Águas Vermelhas17 Localização do município de Passos18 Tanto o trabalho de Souza (2008) quanto o de Ribeiro (2010) tiveram como base o referencial teórico da Sociolinguística (Labov e Milroy), da Antropologia Linguística (Duranti e Hymes), da Lexicologia (Biderman, Barbosa), ensinamentos da Dialetologia 17 Wikipédia. Acesso em: 28 out. 2011. 18 Wikipédia. Acesso em: 28 out. 2011. 33 (Cardoso, Ferreira, Isquerdo) e também basearam-se no conceito de regiões culturais (Diégues Jr.). Em ambos os trabalhos, foram elaboradas fichas lexicográficas para fins de sistematização dos dados coletados, além de confecção de glossários tendo como lema as lexias recolhidas nas gravações orais. Nossa proposta, nesta pesquisa, é dar continuidade a este Projeto que vem sendo desenvolvido neste Programa de Pós-graduação da Faculdade de Letras da UFMG. Estudaremos o léxico de mais uma área rural do interior de Minas: a região da Serra do Cipó, municípios de Santana do Riacho e Jaboticatubas. Mapa 3 Mapa 4 Localização do município de Santana do Riacho19 Localização do município de Jaboticatubas20 No próximo capítulo, para embasar nosso estudo léxico-cultural, daremos enfoque aos aspectos históricos dessa região. 19 Wikipédia. Acesso em: 31 out. 2011. 20 Wikipédia. Acesso em: 31 out. 2011. 34 FOTO 4: Fabricação de Rapadura Fonte: Acervo Pessoal 35 CAPÍTULO 2 – ASPECTOS HISTÓRICOS DA REGIÃO DA SERRA DO CIPÓ 2.1. A OCUPAÇÃO DA SERRA DO CIPÓ 2.1.1. Região Cultural Pode-se afirmar que o Brasil, por se tratar de um país de grandes dimensões, tem como característica acentuada a diversidade, seja ela social, cultural ou linguística. Entretanto, mesmo em meio a essa diversidade podem ser notados elementos comuns que são responsáveis pelo “sentimento” de unidade nacional. Com vistas a descrever e caracterizar essa pluralidade cultural do país, Manuel Diégues Júnior (1912-1991), em sua obra intitulada Regiões Culturais do Brasil esclarece pontos relativos a essa formação cultural e social. Segundo Diégues Júnior (1960), tendo em vista o amplo território nacional assim como sua diversidade geográfica, torna-se necessária a definição de regiões culturais para que sejam possíveis realizações de determinados estudos, sobretudo os de âmbito cultural. Ainda segundo o autor, a realização de estudos regionais são fundamentais para a [...] compreensão e entendimento dos fenômenos brasileiros, da diversificação de técnicas a serem utilizadas, da diferença de situações que decorrem, em grande parte, de estilos de vida peculiares mantidos nas diversas regiões e, às vezes mesmo, em subáreas ou subregiões.21 A caracterização das regiões culturais do país, realizada por Diégues Jr. (op. cit.), parte do processo de ocupação humana e da relação do colonizador com o ambiente físico. Ambiente este que gera relações geralmente diversificadas, considerando-se as peculiaridades do seu meio. Esse teórico afirma que: Em parte um dos pontos de partida para essa conceituação – a de regiões culturais caracterizadas pelo processos de ocupação humana – encontrou o seu melhor apoio em ideias de Mukerjee [...]. O sociólogo hindu ao referir-se à importância do estudo regional, salientou que êste faz ressaltar a existência de uma conformidade entre as fases e tipos de evolução econômica e política e as de desenvolvimento social. O que nos pareceu serem justamente êstes elementos o conteúdo ou os fundamentos da região cultural. 22 Tendo em vista tais características – a ocupação humana e sua relação com o meio e sua economia – Diégues Jr. dividiu e caracterizou o país em dez regiões culturais: a do Nordeste Agrário, a do Mediterrâneo Pastoril, a da Amazônia, a da Mineração, a do Centro 21 DIÉGUES JR, 1960, p. 6. 22 DIÉGUES JR. 1960, p. 15. 36 Oeste, a Pastoril do Extremo Sul, a de Colonização Estrangeira, a do Café, a do Cacau e a do Sal, conforme podemos verificar no mapa, apresentado a seguir. Mapa 5 – Regiões culturais do Brasil (Diégues Jr., 1960) Nossa área de estudo, a Serra do Cipó se concentra na região acima denominada Mineração. Com o processo de desbravamento realizado pelos bandeirantes foram-se abrindo novos caminhos e tornando mais “largos” caminhos anteriores utilizados pelos povos indígenas. Com isso a ocupação territorial se intensificou e houve o povoamento do interior do país. Os centros mineradores tornaram-se núcleos de povoamento. Nesses núcleos realizavam-se de maneira mais intensa as relações étnicas e culturais e a origem da base econômica das minas de ouro e diamantes. A mineração foi, pois, o fator que possibilitou a ocupação na região central do país, “com ela, em particular dos fins do século XVII e começos do XVIII, cresceram o afluxo 37 de imigrantes para a região das minas; não apenas gente do Nordeste, em especial escravos negros, como também portugueses e outros.”23 Com o aumento das explorações nas minas, nasciam os primeiros arraiais e neles “focos” de cultura iam se desenvolvendo. Há que se destacar, nesse ambiente, os “cruzamentos étnicos”, fundamentais para a caracterização do povo mineiro. Tais cruzamentos, como denomina Diégues Jr., ocorriam entre paulistas, portugueses, mamelucos, indígenas, africanos e judeus. De acordo com esse autor, essa “massa” isolada pela montanha carrega um espírito conservador ligado às tradições sociais e ao sentimento religioso que se conservam até a atualidade. Em seu estudo, Diégues Jr. não se esquece de tratar da língua, constituída, como ele mesmo afirma, de uma “vasta variedade”. Para o autor a língua portuguesa também se adaptou ao ambiente, tomando feições próprias nas diversas regiões, porém essa diversidade, continua o autor, foi importante para a manutenção do sentimento de totalidade e de união nacional. Foi essa diversidade cultural [...] e através do estudo das regiões onde surgem aspectos peculiares, – que tornou – possível evidenciarmos que a unidade brasileira é um produto dessa mesma diversidade, onde as condições físicas de ambiente deram o cenário para que o homem atuasse de acordo com os elementos proporcionados, por esse meio, para que ele pudesse fixar-se. 24 2.1.2. Esboço do povoamento das regiões mineradoras de Minas Gerais Ao longo dos séculos sempre houve o questionamento de qual desses dois grupos teria primeiro adentrado ao território mineiro: o vaqueiro – “homem de chapéo de couro e de laço à garupa”– ou o bandeirante – “o gigante de botas, com o almocafre ao ombro e o carumbé ao colo” (VASCONCELOS, 1944, p. 9). Segundo Vasconcelos (1944), não há dúvida de que mesmo antes das bandeiras, já havia caminhos abertos por baianos e pernambucanos para passagem do gado para o sertão. Antes, com efeito, que o almocafre de Fernão Dias, de Miguel Garcia de Almeida, de Bartolomeu Bueno de Siqueira, de Salvador Fernandes Furtado, de Antônio Dias de Oliveira e do padre Fialho, rangesse promissor nos cascalhos da Itacambira, do Itatiaia, do Riberião do Carmo, do Sabará e do Itacolomí; quando os “caçudos” do sul mal começavam a sortir de matolotagem os seus surrões e aprestar as monções para madrugarem à tona do Tieté e do Paraíba, rumo ao sertão do ouro e dos seixos verdes – já os baianos e pernambucanos, cedendo ao passo tardo, mas seguro, dos seus rebanhos, “gemendo pelas chapadas, aos latidos da ventania e aos açoites do aguaceiro”, sulcavam de trilhos e de 23 DIÉGUES JR. 1960, p. 243. 24 DIÉGUES JR. 1960, p. 504. 38 corredores todo o vale imenso do rio Verde, do rio Pardo, do São Francisco e do Jequitinhonha, em busca dos altiplanos verdejantes do rio das Velhas e do Paraopeba.” 25 Contudo, foram as bandeiras responsáveis pelo povoamento mais efetivo das regiões mineradoras. No final do século XVI organizavam-se no interior da colônia as primeiras expedições, comandadas pelos bandeirantes, entretanto, a ocupação e o surgimento de redes “urbanas” no interior do Brasil só ocorreu no início do século XVIII com a descoberta de ouro no denominado Sertão dos Cataguases. Antes dessa fase, a ocupação se dava somente nas regiões costeiras do país e o sertão era povoado majoritariamente por grupos indígenas e raros povoados de colonização ligados, principalmente, à produção agropecuária. A Coroa tentava controlar a ocupação do interior, procurando concentrá-la no litoral tendo em vista o risco de invasão estrangeira em terras brasileiras. Em fins do século XVI havia no interior da colônia um centro de organização situado próximo à Serra do Mar servindo como ponto de partida das primeiras bandeiras, que tinham como justificativa a captura de indígenas como mão de obra escrava. No final do século, o foco dessas entradas mudou e a principal desculpa para a entrada no sertão era a busca por minerais preciosos, ainda que a busca por escravos fosse elevada. Somente no século XVIII o foco das bandeiras deixou de ser a captura de indígenas e passou a ser, efetivamente, a procura do ouro. Segundo Fonseca (2011, p. 24), “as primeiras grandes jazidas de ouro de Minas Gerais não foram encontradas por bandeirantes oficialmente designados pelo rei”, mas sim por inúmeras expedições de pequeno porte e informais oriundas, em sua grande maioria, da vila de Taubaté. De acordo com essa mesma autora (FONSECA, 2011, p. 25), a região montanhosa e de difícil acesso, descoberta pelos paulistas e repleta de depósitos auríferos, não demorou a tomar o nome de “Minas Gerais”, nome que significava minas “contínuas” ou “justapostas”, território que rapidamente se constituiu em capitania e fez com que o centro econômico logo se deslocasse do Nordeste açucareiro para o sertão. A ocupação das Minas era impulsionada pelo desejo de riqueza alimentado pela crença em lendas indígenas que falavam sobre tesouros escondidos no interior do país. Os primeiros arraiais surgiram com a abertura de caminhos pelos bandeirantes que utilizavam as margens como pouso e ponto de cultivo de roças. Esses caminhos foram 25 VASCONCELLOS, 1944, p.10-11. 39 ficando cada vez mais movimentados e as pessoas começaram a estabelecer-se `as suas margens criando povoados. Foi a partir de 1693, aproximadamente, que os “descobertos” multiplicaram-se pelos afluentes da bacia do rio Doce – os mais espetaculares tendo sido os do vale do ribeirão de Nossa Senhora do Carmo e, não longe dali, da serra do Ouro Preto – verdadeiros Eldorados que atraíram um enorme fluxo de aventureiros [...] Entre muitos outros arraiais, surgiram ali dois povoados que, em 1711, transformaram- se nas duas primeiras vilas mineiras: Vila Rica (atual Ouro Preto) e Vila de Nossa Senhora do Carmo (atual Mariana). 26 Com as explorações, foi verificado que eram nas laterais da Serra do Espinhaço onde se concentravam as maiores poções de ouro. Segundo Fonseca, Foi principalmente em torno deste eixo que outros depósitos auríferos importantes foram descobertos durante os primeiros anos do século XVIII. Ao sul, destaquemos as minas situadas nas campinas próximas ao rio das Mortes, afluente do rio Grande. Nos sertões áridos do norte (vale do Jequitinhonha), os bandeirantes descobriram, por volta de 1703, as minas do “Serro Frio”, onde, posteriormente, foram encontrados diamantes. Na mesma época, espalhou-se a notícia do descobrimento das “minas do Sabará”, no vale do rio das Velhas (bacia do São Francisco). 27 2.1.3. Serra do Cipó Períodos marcantes da história do Brasil tiveram como cenário a Serra do Cipó. A região serviu como via de acesso aos Bandeirantes que partiam de São Paulo em busca de ouro e pedras preciosas. Era através dos caminhos da Serra do Espinhaço que os aventureiros buscavam acesso à Vila do Serro Frio (hoje município do Serro) até atingir o Arraial do Tejuco, atualmente denominado Diamantina. A colonização da região ocorreu a partir de 1700, usando as várzeas dos rios para formar pastos. A região foi grande produtora de charque, que ficou conhecido também como carne-do-sertão. Inicialmente conhecida como Serra da Vacaria, teve no século XVIII seu nome mudado para Serra da Lapa. Com o estabelecimento da Fazenda Cipó, aparece, pela primeira vez, o nome, que é inspirado nas curvas do rio. A Fazenda Cipó foi construída próxima a uma via secundária da Estrada Real, conhecida como Caminho do Sertão, que, apesar de não ser a rota oficial, era também extremamente movimentada. Por ela passaram importantes personagens da nossa história, dentre eles Saint-Hilaire, em 1817, e Langsdorff, em 1825, como pode ser comprovado nos relatos a seguir: 26 FONSECA, 2011, p. 65. 27 FONSECA, 2011, p. 66. 40 1) Trecho de Os diários de Langsdorff – Caderno nº16 – folhas 1 a 28 5 a 24 de janeiro de 1825. De manhã cedo, ainda não era possível atravessar o rio Paraúna; por isso precisamos fazer um grande desvio, para cruzar o rio bem mais acima. Passamos por uma cabana pobre, onde mora um negro livre. Só fomos alcançar o rio ¾ légua acima. No ponto em que o atravessamos, ele é largo e raso, de forma que os animais puderam atravessar sem molhar as caixas. Um quarto de légua adiante do rio, tomamos novamente o caminho bom e em linha reta que vem da fazenda do Mato Grosso. Seguindo por ele, chegamos, mais ou menos às 12h, ao rio Cipó, um rio grande e profundo, e o atravessamos pela ponte, próxima à fazenda do Cipó (Guarda Mor José dos Santos). Trata-se de uma fazenda nova, muito bonita e grande, onde logo se percebem muita organização e bem estar. Embora tenhamos sido recebidos com delicadeza e hospitalidade e convidados a montar lá nosso acampamento, vários motivos obrigaram-nos a prosseguir mais 2 léguas em direção à fazenda do Lixo, na divisa entre as Comarcas de Sabará e de Serro Frio. 28 2) Trecho de Viagem pelo distrito dos diamantes e litoral do Brasil ( Saint-Hilaire) – capítulo IV – Viagem de Tijuco ao Morro de Gaspar Soares pela Serra da Lapa. Guiado por Barreto atravessei durante algum tempo ora matas muito pobres, ora pastagens artificiais, e enfim comecei a subir a Serra da Lapa. Não poderei dizer quais são os limites desse trecho da cadeia ocidental; mas, na direção de Gaspar Soares, não tenho dúvida que não termine senão depois de várias léguas, descendo sensivelmente em demanda da fazenda de Ocubas. De qualquer modo, a Serra da Lapa, um dos trecos mais elevados da cadeia, é um importante divisor de águas. Nenhum rio considerável aí nasce, é verdade, mas é aí que têm nascentes vários regatos, alguns dos quais correndo para oeste, como o Cipó, lançam-se direta ou indiretamente no S. Francisco, e, outros na vertente leste, tal o Ocubas, levam suas águas ao Rio Doce. De tempos em tempos experimentava na Serra da Lapa uma chuva fria que, mau grado estivéssemos no mês de novembro, era acompanhada de um vento muito frio. Tendo dado notícias de geadas anuais nos arredores de Congonhas, basta-me agora dizer que nas montanhas da Lapa a geada se faz constantemente sentir durante o mês de junho. 29 Segundo Christiano Ottoni (2005, p. 25), em 1731, em decorrência da presença de diamantes, já havia na região da Serra do Cipó três grandes caminhos que partiam do Pico do Itabirito (Ouro Preto), acompanhando a Serra do Espinhaço. O primeiro, denominado “Caminho dos Currais”, que seguia pela margem esquerda do Rio das Velhas; o segundo “Caminho de Dentro pelas Macaúbas”, que passava pela margem direita do Rio das Velhas, na região de Santa Luzia até o Riacho Fundo (Santana do Riacho) e seguia rumo à Gouveia, próximo ao Tejuco (Diamantina); e um terceiro caminho, o “Caminho do Mato Dentro”, também denominado Caminho do Distrito Diamantino, que passava por Santa Bárbara e Cocais, margeando a vertente leste do Espinhaço. 28 SILVA, Org., 1997, p. 325. 29 SAINT-HILAIRE, 1974, p. 50. 41 A Fazenda do Cipó servia como parada dos bandeirantes que iam de Sabará para o Serro Frio e também era um “grande estabelecimento agrícola”, como descreve Leônidas Marques: Este estabelecimento agrícola ficava mesmo à beira do ribeirão, que tem o mesmo nome, quase no sopé da Serra do Espinhaço. // Foi fundada, nos fins do século 18, em terrenos adquiridos por Felício de Morais e seu irmão, João de Morais. // Cultivavam aí a mamona, quase que exclusivamente, razão por que a fazenda não prosperou, nem tão pouco adquiriu maior valor. // Mais tarde, já nos princípios do século 19, o Guarda-Mor José dos Santos Ferreira, tendo se casado com uma filha de Joaquim da Costa Viana, proprietário da Fazenda da Serra, comprou ao Morais os terrenos do Cipó e ali edificou, então, uma grande fazenda, no mesmo local, em que existiu a morada do mesmo. // Em 1829, existia a fazenda do Cipó, porquanto, por cima da porta do oratório, existente a um canto da varanda da frente, esta data se acha escrita, a tinta, perfeitamente legível. // O estilo, em que foi construída a casa de morada, demonstra perfeitamente que a sua construção se fez na última metade do século 18. O novo proprietário aproveitou a casa do seu antecessor e, apenas, melhorou-a. // Por morte do Guarda-Mor, a fazenda passou a pertencer aos seus filhos, Bernardo, Francisco, mais conhecido por Tico, Pe. José dos Santos, João Batista dos Santos Viana e Felicíssimo dos Santos Ferreira. // Estes homens, amantes do trabalho e ótimos administradores, fizeram de sua fazenda o maior centro de produção destes meios. Possuíam cem escravos de eito e numerosas escravas, animais e máquinas agrárias em abundância, embora rudimentares, como eram todas daqueles tempos. Cultivavam cereais, cana de açúcar, algodão e até mesmo o trigo. // Possuíam moinhos, engenhos de açúcar e atafonas. Exportavam de tudo e só importavam o sal e tecidos finos, pois, a roupa grosseira de trabalho era feita com pano de algodão, tecido pelas escravas, nos teares da fazenda, nos quais se empregava o algodão que ali era produzido. // A exportação se fazia nas tropas, que iam, às vezes, até perto do Rio. 30 Como se pode observar nesse relato, a movimentação da fazenda era intensa, necessitando assim de um número de escravos significativo. Esses chegaram a essa região no início do século XIX e trouxeram consigo o “mundo cultural africano”. As terras cultivadas por eles em um local próximo à sede da Fazenda Cipó foram recebidas como doação após a abolição da escravidão. Ainda hoje vivem lá os descendentes desses escravos. O local, bastante tradicional em se tratando da conservação de costumes, é conhecido como comunidade do Açude. A Sesmaria Cipó (posteriormente denominada Roça Santa Ana das Jaboticatubas e, depois, Fazenda Santa Cruz do Cipó) era muito extensa, ocupando as atuais localidades conhecidas como Jatobá, Vargem Grande, Curral Queimado, Espada, Usina, Vau da Lagoa, Palácio, Chapéu de Sol, Bandeirinhas, João Congo, Lapinha, Cardoso, Xiru, Açude, Campinho e Cardeal Mota/Serra do Cipó. Tais localidades pertencem hoje a dois municípios distintos: Santana do Riacho e Jaboticatubas, ambos situados no interior do estado de Minas Gerais. 30 AFONSO, 1957. p. 18-19. 42 2.1.3.1 . Santana do Riacho Localizado a 110 quilômetros da capital mineira, na Microrregião de Sete Lagoas e na Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte, o município de Santana do Riacho possui área total de 676,760 Km². Mapa 3– Localização do município de Santana do Riacho31 O primeiro registro de ocupação no período colonial nessa região data de 22 de maio de 1744, por concessão de sesmaria ao Sargento Mor Antônio Ferreira Aguiar Sá, que deu o nome de Fazenda do Riacho Fundo ao local onde hoje se situa o município de Santana do Riacho, outrora pertencente à Comarca do Serro Frio. Tal sesmaria era limítrofe à Vila de Sabará, ao rio de Pedras e à Serra da Lapa. O arraial, que passou a ser chamado de Distrito do Riacho Fundo em 1759, surgiu nos arredores da capela dedicada à Nossa Senhora de Santana. Após inúmeros impasses políticos, em 1911, o distrito passa a fazer parte do município de Santa Luzia, entretanto, com a criação do município de Jaboticatubas em 1938, Riacho Fundo é anexado ao recém-criado município. A emancipação do distrito se deu em 1962, já com o atual nome de Santana do Riacho. De acordo com descrição do Plano de Inventário do município, elaborado em 2006, no que tange à formação cultural em Santana do Riacho, são várias as formas de apropriação de seus habitantes. Destacam-se a culinária, a produção de cachaça, o artesanato e as festas populares, como o candombe, a cavalhada e a festa dos Reis Magos. As principais atividades econômicas do município, segundo fonte do Instituto Brasileiro de 31 Fonte: (Wikipédia, 31/10/2011). 43 Geografia e Estatística (IBGE), estão relacionadas à agropecuária, com o cultivo, principalmente, do abacaxi, da mandioca, da laranja e da cana de açúcar; e, também, à pecuária, com a criação predominante de bovinos, suínos e galináceos. Há que se destacar, ainda, as atividades turísticas, bastante importantes no município, devido principalmente aos atrativos naturais presentes na região. 2.1.3.2 . Jaboticatubas Localizado a 63 quilômetros da capital mineira, na Microrregião de Sete Lagoas e na Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte, o município de Jaboticatubas tem a área total de 1114,16 Km². Mapa 4 – Localização do município de Jaboticatubas32 O município foi criado onde, anteriormente, eram as terras pertencentes ao ermitão Félix da Costa, que as havia adquirido com o intuito de construir o Recolhimento de Macaúbas, convento para mulheres ainda existente no local, por meio de sesmaria solicitada em 1716 e confirmada por D. João V por Resolução de 28 de julho de 1728. Segundo Afonso (1957), as terras que foram concedidas a Félix da Costa denominavam-se Serra da Montanha. Posteriormente à fundação do convento, as recolhidas requereram ao Governador da Capitania outra sesmaria, à margem do Rio das Velhas, na região pela qual passava a movimentada estrada para o Serro. A sesmaria foi concedida por D. Lourenço de Almeida, em 1725. Após a morte de Félix da Costa, ainda foram concedidas ao 32 (Wikipédia, 31/10/2011). 44 Recolhimento de Macaúbas mais duas sesmarias: uma em 1760 e outra em 1790, esta última confirmada pela Rainha de Portugal D. Maria I. Assim, com a concessão destas quatro sesmarias, passavam a pertencer a Macaúbas toda a bacia do ribeirão de Jaboticatubas, do córrego do Amaro, da Fazenda de Baixo e parte da bacia do ribeirão Cipó e dos córregos Pontal e Minhocas. 33 É consenso que dois elementos concorreram para o povoamento do interior do Brasil: o ouro e o boi. Para o povoamento de Jaboticatubas, influiu o segundo. Devido à grande movimentação pecuária e a extensão de terras, foram organizados três estabelecimentos pastoris; um deles, localizado à margem da estrada do Serro, ganhou o nome de Retiro das Jaboticatubas, localidade que posteriormente foi denominada de Fazenda das Castanheiras, local onde hoje se encontra a sede do município. Em 1841, o então povoado torna-se curato, e, em 1858 transforma-se em paróquia, denominada Nossa Senhora da Conceição de Jaboticatubas. Em 1938, é elevado à categoria de município, já como o atual nome de Jaboticatubas. 2.1.1.3. Parque Nacional da Serra do Cipó Destacamos, também, nessa região em estudo, o Parque Nacional da Serra do Cipó, uma extensão que ocupa parte significativa dos territórios dos municípios de Santana do Riacho e Jaboticatubas. Além de Langsdorff e Saint-Hilaire, outras personalidades importantes do século XIX, como Peter Lund, Eugene Warming, I.B. Spix, C.F.P. Von Martius e Álvaro Silveira, destacaram em seus relatos as belezas e riquezas naturais da Serra do Cipó. Na década de 1950, um movimento encabeçado pelos próprios moradores reivindicava a criação de uma Unidade de Conservação na região. Entretanto, somente em 1975 inicia-se, de fato, o processo de criação da referida Unidade: cria-se, então, o Parque Estadual da Serra do Cipó, com 27.600 hectares. Em 1981, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) designa uma comissão responsável por analisar a possibilidade de transformar o até então parque estadual em nacional. O Decreto nº 90.223, referente a criação do Parque Nacional da Serra do Cipó foi publicado no Diário Oficial da União em 25 de setembro de 1984. 33 AFONSO, 1957, p. 5. 45 O parque abrange, além de Santana do Riacho e Jaboticatubas, os municípios de Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro, possuindo, atualmente, uma área de 33.800 hectares. Mapa 6 – Parque Nacional da Serra do Cipó34 Grandes belezas naturais estão no Parque Nacional da Serra do Cipó, que possui um relevo acidentado e altitudes que variam entre 700 e 1700 metros. Dentre elas, pode-se citar a cachoeira da Farofa, que possui uma queda de mais de 70 metros e o canyon das Bandeirinhas. Destaca-se em meio à riqueza vegetal a Vellozia pereseana, popularmente conhecida como canela de ema, uma espécie de planta própria da Serra do Cipó. Esse parque, como também, os municípios de Santana do Riacho e Jaboticatubas, integra hoje o circuito “Estrada Real”, programa criado em outubro de 1999 pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). 35 Em abril de 2003, o Governo do Estado de Minas Gerais transformou a iniciativa em programa estruturante que foi implantado em 177 municípios, 162 pertencentes ao Estado de Minas Gerais, 8 ao Estado do Rio de Janeiro e 7 ao Estado de São Paulo. Atualmente a Estrada Real é o mais amplo projeto turístico em desenvolvimento no país. Ela abrange 1400 quilômetros de rodovias e envolve 177 municípios através de três caminhos: o Caminho Velho, que liga Ouro Preto (MG) à Paraty (RJ), que foi a primeira via oficializada; o Caminho Novo, que liga a cidade de Ouro Preto (MG) à cidade do Rio de Janeiro (RJ), aberto no século XVII; e o Caminho dos Diamantes, que liga Ouro Preto (MG) à Diamantina (MG), criado em 1729 por ocasião da descoberta de diamantes na região do Serro Frio. 36 34 Fonte: (www.serradocipo.com 31/10/2011). 35 O Instituto Estrada Real (IER) é descrito como “uma sociedade civil sem fins lucrativos que tem por objetivo organizar, fomentar e gerenciar o produto turístico Estrada Real.” 36 Instituto Estrada Real. 46 Ainda de acordo com dados do Instituto Estrada Real, dentre os recursos naturais, a exuberância das águas torna esse circuito singular, sendo que a parte mais significativa das atrações envolve rios, cachoeiras e lagos, destacadamente das regiões de Santa Bárbara, Diamantina, Carrancas e Serra do Cipó. Mapa 7 Circuito Estrada Real (Instituto Estrada Real, 31/10/2011). No próximo capítulo, enfocaremos os procedimentos metodológicos utilizados para a realização do nosso estudo. 47 FOTO 5 – Casa de adobe na Serra do Cipó/MG Fonte: Acervo Pessoal 48 CAPÍTULO 3 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Sendo o léxico o subsistema da língua que mais se reporta a um “mundo referencial, físico, cultural, social e psicológico em que atua o homem” (FERRAZ, 2006, p. 220), representando assim, de maneira clara, o ambiente tanto físico como social dos falantes; e, ainda, considerando a importância da correlação existente entre léxico, cultura e sociedade, surge o interesse em realizar um estudo lexical da Serra do Cipó/MG. Acreditamos que a realização de uma pesquisa em uma região que se destaca por estar nos “caminhos” do ouro e do gado, desde os primórdios do Estado mineiro, pode contribuir, sobremaneira, para com um estudo linguístico cultural. Acreditamos, ainda, que nossa familiaridade com a região pesquisada e com seus moradores contribuiu para a realização deste estudo, uma vez que nos integramos nas suas “redes sociais” (MILROY, 1987). Cabe salientar que não existem registros de realização de estudos de cunho lexical focados nessa região. Com isso esperamos poder contribuir com os estudos dialetológicos e lexicais sobre comunidades presentes em território mineiro. 3.1 OBJETIVOS Os objetivos norteadores da nossa pesquisa foram:  realizar um estudo, sob o suporte teórico fundamentado na Sociolinguística, na Antropologia Cultural e na Lexicologia, portanto, de caráter lexical, histórico e cultural da região da Serra do Cipó/MG, focalizado na rede semântica do mundo rural;  descrever o léxico coletado em entrevistas;  procurar vestígios de vocabulário setecentista e oitocentista que pudessem configurar como casos de retenção linguística;  levantar e analisar aspectos socioculturais da região pesquisada para posterior auxílio à análise de corpus;  contribuir, através do material coletado, com um banco de dados para posteriores pesquisas linguísticas;  relacionar os dados coletados à história e à cultura local; 49  comparar os resultados da pesquisa com os dados apresentados por Souza (2008) e Ribeiro (2010), em suas dissertações de mestrado intituladas, respectivamente: Caminho do boi, caminho do homem: o léxico de Águas Vermelhas – Norte de Minas e O vocabulário rural de Passos/MG: o estudo linguístico nos Sertões do Jacuhy , e posteriormente verificar se há itens lexicais comuns;  elaborar um glossário com o vocabulário coletado no município em questão. 3.2 MÉTODOS E PROCEDIMENTOS No capítulo I foram apresentadas as bases teóricas do trabalho e no Capítulo II os aspectos históricos e sociais da região pesquisada. Tais informações se mostram necessárias para o bom desenvolvimento da pesquisa do léxico regional. Cumprimos as seguintes etapas:  pesquisa de campo para a realização de entrevistas orais, como objetivo de coletar itens lexicais;  transcrição das entrevistas selecionando as lexias peculiares do meio rural;  preenchimento e análise de fichas lexicográficas;  análise dos dados;  elaboração de glossário. 3.2.1. Pesquisa de campo e coleta de dados Primeiramente houve o deslocamento para a região pesquisada e, seguindo metodologia proposta por Labov (1972), realizamos 12 entrevistas orais, gravadas em ambientes familiares ao informante, ora em sua casa ou em seu local de trabalho (como foi o caso da realização de uma entrevista em um engenho de cana de açúcar). O tempo das gravações variou de 30 minutos a 1 hora e 15 minutos e foram realizadas por meio de conversa informal, sem a adoção de perguntas previamente elaboradas. Após as entrevistas, os dados foram transcritos, seguindo modelo previamente definido. Em seguida, realizou-se a seleção de lexias que pareciam retratar os costumes e a cultura local. Tal seleção só foi possível porque temos em conta a teoria laboviana que determina que: O nível de consciência que o falante tem sobre determinada variável está associado à classificação dos elementos variantes da língua face à avaliação social a que estão sujeitos. Tal classificação engloba os seguintes tipos: (i) os indicadores, que operam num nível inconsciente, dizem respeito aos elementos linguísticos sobre os quais haveria pouca força de avaliação, podendo haver 50 diferenciação social de uso destes elementos correlacionado à idade, à região o ao grupo social, mas não quanto a motivações estilísticas; (ii) os marcadores, que também permanecem abaixo do nível de consciência, correlacionam-se às estratificações sociais e estilísticas e podem ser diagnosticados em testes subjetivos; (iii) os estereótipos, que são formas socialmente marcadas e reconhecidas pelos falantes. Alguns estereótipos podem ser estigmatizados socialmente, o que pode conduzir à mudança linguística rápida e à extensão da forma estigmatizada. Outros estereótipos podem ter um prestígio que varia de grupos para grupos, podendo ser positivo para alguns e negativo para outros. (LABOV, 1979; 2001) Selecionadas as lexias, realizamos a consulta em dicionários representativos dos séculos XVIII, XIX e XX, dicionários etimológicos e em glossários presentes em pesquisas similares recentemente realizadas. 3.2.2. Seleção de Informantes A seleção dos informantes foi realizada tendo como parâmetro as normas propostas pelo Projeto Pelas Trilhas de Minas: as bandeiras e a língua nas Gerais, 37 utilizadas em vários trabalhos desenvolvidos na UFMG, dentre eles os de Seabra (2004), Souza (2008), Menezes (2009) e Ribeiro (2010). Tais normas para seleção são as seguintes: a) ter idade igual ou superior a setenta anos; b) ser preferencialmente da zona rural; c) ter nascido ou ter vivido a maior parte da vida no município em estudo; d) ter baixa ou nenhuma escolaridade. Acredita-se que a escolha desse perfil para seleção dos informantes possa revelar um léxico próximo do vernacular e, ainda, acusar possíveis retenções lexicais. Realizadas as 12 gravações, foram verificados os seguintes dados acerca dos informantes:  Quanto à idade: 70-75 anos: 5 pessoas (41,7%); 76-80 anos: 3 pessoas (25%); 81-85 anos: 1 pessoa (8,3%); 86-90 anos: 2 pessoas (16,7%) e de 95 a 100 anos: 1 pessoa (8,3%).  Quanto ao gênero: masculino: 4 (33,4%) e feminino: 8 (66,6%).  Quanto ao grau de escolaridade: nenhuma: 10 (83,3%) e da 1ª a 4ª série: 2 (16,7%).Quanto à ocupação profissional: lavrador: 8 (66,6%) e do lar 4 37 Projeto da FALE/UFMG, com o apoio da Fapemig, sob coordenação da Profª Drª Maria Antonieta Amarante de Mendonça Cohen (2003-2006). 51 (33,4%).Quanto ao município em que reside: Jaboticatubas: 6 (50%) e Santana do Riacho: 6 (50%). 3.2.3. Transcrições As transcrições seguem o modelo adotado por Amaral (2001), Seabra (2004), Souza (2008), Menezes (2009) e Ribeiro (2010), que, por sua vez, seguiram a proposta utilizada pela equipe do Projeto Filologia Bandeirante 38 e, depois, adaptada pela equipe do Projeto Pelas Trilhas de Minas: as bandeiras e a língua nas Gerais. O modelo não se refere a uma transcrição fonética, trata-se de uma transcrição ortográfica, com adaptações. São orientações gerais:a) a transcrição não pode ser sobrecarregada de símbolos; b) deve ser adequada aos fins; c) deve permitir a compreensão do significado do texto; d) deve respeitar o vocábulo mórfico como unidade gráfica; 39 e) deve tentar facilitar ao leitor a criação de uma ‘imagem’ do texto elaborado no plano da oralidade. 40 1- Nem tudo será registrado: a) o alçamento das postônicas não será registrado. ex.: diferente= diferente torrado= torradu (A ideia é: o que é categórico, não-marcado no dialeto, não precisa ser registrado) 2- Será obrigatoriamente registrado: a) alteamento/abaixamento das pretônicas. pirdi=perdi reberão= ribeirão // premero= primeiro b) a redução dos ditongos [ow];[ey]; [ay], serão grafados ortograficamente como pronunciados. dotô= doutor; falô= falou; primero=primeiro; reberão=ribeirão c) ausência do -r no final dos nomes: doutor = dotô - ausência do –r final em verbos: falá=falar; comê= comer - ausência do –r- no meio de vocábulos: pá= prá; madugada=madrugada d) ausência do –m final, desnasalização: homem=home; garagem=garage 38 COHEN, et alli, 1997. 39 FERREIRA NETTO; RODRIGUES, 2000, p. 172. 40 FERREIRA NETTO; RODRIGUES, 2000, p. 172. 52 e) nasalização de segmentos normalmente não-nasalados deverão ser marcadas com o til: assim termos ĩlusão e ĩzame . (Clicar em inserir símbolos, latim estendido e lá há todas essas possibilidades do ~ com vogais como e, i e u -Times New Roman). f) prótese: as próteses serão marcadas ortograficamente, como pronunciadas: Izé =Zé; ieu = eu; alembrá=lembrar g) supresssão de consoantes, vogais ou sílabas finais, serão marcadas com '. mai' ~ mais; ago' ~ agora h) paragoge: mali = mal i) iotização, grafando com i: fia = filha; jueio = joelho j) aglutinação, com apóstrofo: dex'eu = deixa eu; pr'eu ~ para eu k) pronomes ele, ela, eles, elas e eu serão grafados como realizados: Eis = eles; ê = ele; ea = ela; eas = elas l) casos de uma, alguma, nenhuma, etc, marcar com til: ũa ~ uma; algũa ~ alguma m) variação fonética do s – será grafada como efetivamente realizada. Ex.: mermo ~ mesmo; memo 3) Indicações de:  Pausa: reticências ...  inaudível ou hipótese do que foi ouvido, parênteses simples: ( )  comentários: (( ))  sobreposição de fala: { }  discurso direto: " "  ênfase: maiúscula  truncamento: /  alongamentos : repetir o segmento  começar com minúsculas  pontuação: apenas interrogação ?  interjeição: com h 3.2.4. Fichas lexicográficas 53 Foram elaboradas 335 fichas lexicográficas, organizadas em ordem alfabética, contendo análise dos dados coletados nas entrevistas orais e transcritos seguindo metodologia adequada. Ressaltamos que foi elaborada uma ficha para cada lexia selecionada, conforme modelo a seguir: Nº da ficha – lexia41 (classificação morfológica)____________________Nº de ocorrências abonação _________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: 2. Morais: 3. Laudelino Freire: 4. Aurélio: 5. Cunha: 6. Amadeu Amaral: _________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1.Souza (2008): 2.Ribeiro (2010): a) Do lado esquerdo, em primeira posição, apresentamos o número da ficha, seguido do vocábulo selecionado para análise. Esse vocábulo aparecerá na forma encontrada nas entrevistas, salvo os verbos que, por causa da diversidade de formas, optamos por colocá-los na forma infinitiva; e, entre colchetes, sua classificação morfológica, segundo o contexto em que se encontra inserido no corpus. b) Do lado direito, em primeira posição, apresentamos o número de vezes que a lexia aparece nas entrevistas. c) Logo abaixo, no item “abonação”, apresenta-se, em itálico, um trecho da fala do entrevistado contendo uma mostra do corpus da lexia em estudo. No final desse item, são identificados o número da entrevista e a linha em que o vocábulo aparece nesse corpus. d) No item “registro em dicionários”, destaca-se como o vocabulário é descrito em cada obra. Quando isso não ocorre, ou seja, o dicionário não registra o termo, indicamos “n/e”. 41 Lexema e lexia são termos recorrentes na Lexicografia. O lexema seria uma palavra, ou parte dela, que carrega um significado próprio, já a lexia refere-se “ao uso que se faz de um lexema, como no caso das palavras flexionadas: casa e casas, cantar e contou.” (Ribeiro, 2010, p. 38). 54 e) No item “registro em glossários”, verifica-se o registro das lexias nos glossários presentes nas obras Caminho do boi, caminho do homem: o léxico de Águas Vermelhas – Norte de Minas, de Vander Lucio de Souza e O vocabulário rural de Passos/MG: um estudo linguístico nos Sertões do Jacuhy, de Gisele Aparecida Ribeiro. Quando não há o registro da lexia no glossário, indicamos “n/e”. f) Algumas vezes, a entrada do verbete adotada pelos dicionários e glossários consultados não corresponde à nossa lexia. Há variações quanto ao gênero, número, ortografia. Nesse caso, optou-se por considerar a forma dicionarizada, pois essas variações não prejudicavam nossa análise. A análise das fichas nos permite verificar se a lexia em questão é dicionarizada ou não, por um ou mais autores, ou por nenhum deles; se é comum em regiões distintas do Estado, ou não ocorre; se o vocabulário é considerado arcaico, se é um brasileirismo etc. A ficha lexicográfica constitui-se, ainda, como uma ferramenta eficiente na quantificação e comparação dos nossos dados. 3.2.4.1. Obras lexicográficas consultadas As obras lexicográficas utilizadas neste trabalho foram selecionadas tendo em vista a afirmação de Matoré (1968) de que “o vocabulário é a expressão de uma sociedade.” Adotamos para consulta: i) O Vocabulário Portuguez e Latino (1712-1721), de Rafael Bluteau: obra que inaugurou o movimento de dicionarização, contribuindo de maneira central na consolidação da noção do português como língua nacional. Verdelho (2009) aponta a obra de Bluteau como a “mais monumental da lexicografia portuguesa.” A obra de Bluteau pode ser [...] categorizada como um dicionário enciclopédico que reflete a época em que o autor viveu, época cujo imaginário está ligado a reis, monarcas, rainhas, princesas, batalhas, cavalheiros e igreja. Neste sentido, transmite com fidelidade a mentalidade de seu tempo. A análise daobra possui, assim, um interesse sociolinguístico. 42 ii) Em 1789 é publicada a primeira edição do Dicionário da Língua Portuguesa, de Antônio de Morais Silva, uma obra monolíngue, que, apesar de ser uma continuidade da obra de Bluteau, traz inúmeros vocábulos inéditos. Segundo 42 MURAKAWA, 1997, p. 497. 55 Biderman (2003, p. 56) “podemos considerar Morais (SILVA, 1813) como um dicionário de língua, registrando o vocábulo mais usual da língua escrita e oral do seu tempo.” iii) O Grande e novíssimo dicionário da língua portuguesa foi publicado no Rio de Janeiro de 1939 a 1944, sob a organização de Laudelino Freire. Trata-se de uma obra de referência do século XX por apresentar grande riqueza vocabular, além da inclusão de locuções e expressões, termos técnicos e neologismos. iv) Considerado como um “dicionário padrão da língua portuguesa” o Aurélio Sec. XXI: o dicionário da língua portuguesa apresenta um diversificado repertório lexical. É uma obra que dispõe de um grande número de abonações de variadas obras, exemplos a partir de linguagem falada e escrita, indicação da variabilidade linguística no território nacional, concisão e clareza em suas definições. Entretanto, é um dicionário que ainda possui algumas limitações. v) O Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa foi escolhido com o objetivo principal de esclarecer a etimologia dos vocábulos e a datação aproximada de sua entrada na língua portuguesa, já que, parte desses vocábulos não estava registrada nos dicionários mais antigos. Identificar as formas variantes que os vocábulos adquiriram no decorrer do tempo e verificar se algumas delas coincidiam com as encontradas no nosso corpus, era outra finalidade da seleção deste dicionário. vi) O dicionário de Amadeu Amaral, presente na obra Dialeto Caipira, é importantíssimo para que sejam feitas comparações entre os itens lexicais característicos do meio rural, selecionados em nossas entrevistas e os itens contidos em sua obra que, conforme descrição do próprio autor, tem a pretensão de “caracterizar o dialeto ‘caipira’, ou se acham melhor, esse aspecto de dialetação portuguesa em S. Paulo.” Amaral, pioneiro no estudo do léxico rural, já apontava que os estudos regionais da língua portuguesa [...]permitiriam, um dia, o exame comparativo das várias modalidades locais e regionais, ainda que só das mais salientes, e por ele a discriminação dos fenômenos comuns a todas as regiões do país, dos pertencentes a determinadas regiões, e dos privativos de uma ou outra fração territorial. Só então se saberia com segurança quais os caracteres gerais do dialeto brasileiro, ou dos dialetos brasileiros, quantos e quais os subdialetos, o grau de vitalidade, as ramificações, o domínio geográfico de cada um. 43 43 AMARAL, 1976, p. 3. 56 Tendo em conta a visionária afirmação de Amaral, a consulta aos glossários presentes nas obras Caminho do boi, caminho do homem: o léxico de Águas Vermelhas – Norte de Minas, de Vander Lucio de Souza e O vocabulário rural de Passos/MG: um estudo linguístico nos Sertões do Jacuhy, de Gisele Aparecida Ribeiro são de fundamental importância para o desenvolvimento da pesquisa, já que, conforme citado no tópico 1.2.3.2.1, os itens lexicais presentes em ambos os glossários foram selecionados e analisados seguindo a mesma metodologia por nós utilizada. A partir de consultas a essas obras, podemos verificar semelhanças e diferenças lexicais em três zonas distintas do território mineiro. 3.3 MACRO E MICROESTRUTURA DO GLOSSÁRIO Para a elaboração do glossário, foram adotados como base alguns pressupostos de autores representativos da lexicologia e da lexicografia, dentre eles destacam-se Haensch (1982) e Barbosa (1995), que trazem uma definição consistente relativa ao termo glossário. O glossário, de acordo com Haensch (1982), é toda obra lexicográfica que registra e explica vocábulos usados por autores de uma obra literária. Para ele, não apenas o texto literário, mas inúmeros textos podem salientar palavras de significados difíceis; quando tais palavras aparecerem em ordem alfabética no final de um texto, chama-se de glossário. Já para Barbosa (1995, p. 19-21), o glossário pretende ser representativo da situação lexical de um único texto manifestado, podendo ser classificado em lato sensu e stricto sensu. Ambos resultam do levantamento das palavras – ocorrências – e das acepções em um único texto. Este trabalho teve como objetivo a confecção de um glossário onde fosse catalogado um número expressivo de lexias encontradas no corpus. Tais lexias foram organizadas de acordo com dois métodos: o onomasiológico e o semasiológico – o primeiro trata do conceito ao nome e o segundo do nome ao conceito. A escolha dos dois métodos se justifica pelo fato da “Onomasiologia e a Semasiologia, ao mesmo tempo que se opõem, complementam-se constituindo uma boa metodologia para o estudo da forma como se estrutura o Léxico.” (Seabra, 2004, p. 34) 3.3.1. A Macroestrutura 57 Após a realização das 12 entrevistas orais obtidas através de pesquisa de campo e das transcrições de tais entrevistas, houve a seleção de lexias que melhor caracterizassem o ambiente rural da região pesquisada. Selecionadas as lexias que compõem o glossário, as entradas foram organizadas em ordem alfabética, mantendo a forma registrada nas transcrições para melhor consulta e identificação, com exceção dos verbos que foram alterados para sua forma infinitiva. Seguindo o método onomasiológico, as lexias foram agrupadas em redes semânticas afins. 3.3.2. A Microestrutura Para a elaboração da microestrutura do glossário presente neste trabalho, foi utilizado o seguinte modelo: Forma do Verbete Lexia – (dicionarizada)• Estrutura Morfológica • Origem • Definição • Abonação. As informações Lexia, Registro em Dicionários, Estrutura Morfológica, Origem e Abonação são consultadas nas fichas lexicográficas. A Definição, por sua vez, constará somente no glossário. Segue exemplo de verbete: BRUACA • (A) •Nf[Ssing] • Cast. • Saco de couro cru para transporte de objetos e mercadorias sobre bestas. • “Aqueas bruaca né... bruaca de côro... aí inchia a bruaca... punha saco dent’ da bruaca um pegava e falava... ‘traz gente’” (Ent. 09, linhas 05 e 06) O próximo capítulo trata da descrição e análise dos dados catalogados em fichas lexicográficas. 58 FOTO 6 – Vista Pedra do Elefante – Serra do Cipó/MG Fonte: Acervo Pessoal 59 CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS 4.1. FICHAS LEXICOGRÁFICAS Este capítulo tem como objetivo descrever e analisar os dados retirados do corpus. Esses se encontram par consulta em CD-Rom anexo. Nele constam as transcrições relativas às 12 entrevistas orais realizadas para nosso estudo, na comunidade rural da Serra do Cipó, localizada na região Metropolitana de Minas Gerais, seguindo metodologia apresentada no capítulo III do trabalho. As 335 lexias selecionadas estão aqui apresentadas em fichas para fins de sistematização, organizadas em ordem alfabética e transcritas conforme as regras citadas nesse capítulo. Passemos à apresentação e análise das lexias. 1 ABISAR[V]_________________________________________________________01 ocorrência Tabaiava lá naquela época né...então e ele foi abisado que tava com...mas ê num ligava pra coisa né pra pressão arta né (Ent.07,linha 180) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Avisar Fazer Aviso 2. Morais: Avisár v.at. Dar, fazer aviso; noticiar; amoestar. 3. Laudelino Freire: Avisar v. r. v. B. lat. advisare. Dar aviso a, anunciar ou fazer saber a (tr. dir.; bitr., com prep. de): “Elza, pronta, mandou a criada avisá-lo” (C. Neto). 4. Aurélio: Avisar [Do fr. aviser] V.t.d. 1. Dar aviso a; fazer saber; anunciar a. 5. Cunha: Avisar vb. ‘informar, prevenir’  avy- XIV  Do fr. aviser, deriv. do lat. vīsum, ‘ver, olhar’  avisADO  XV, havisado XV etc.  avisAMENTO XIV  aviso  aui- 1572  Deverbal de avisar DESavisADO XV  DESavisAMENTO  -vy- XV. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registros em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e Nota: abisar~avisar : degeneração 2. ABUSANTE Nm[ADJsing]____________________________________________01 ocorrência Cê faz ôta cumpá (C...) faz ôta dessa fica abusano cê é muito abusante (Ent. 10, linha 227) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 60 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registros em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 3. ABUSCAR [V]______________________________________________________01 ocorrência Uai ô durmi na casa de (R...)...(R...L...)...(L...) do Morro fui buscá maco maco fui buscá dispesa é maco maco...ganhei fui abuscá...busquei...ô truxe um sacão assim ó tudo cheio (Ent.04,linha 152) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Buscar Fazer para achar 2. Morais: Buscár v. at. Fazer diligencia por achar alguma coisa. (ital. Buscare) 3. Laudelino Freire: Buscar v.r.v. Tratar de adquirir, achar ou obter (tr. dir.; com prep. em, entre) 4. Aurélio: Buscar [De or. incerta] V.t.d 2. Tratar de trazer ou levar. 5. Cunha: Buscar vb ‘procurar’ XVIII. De origem duvidosa  busca XIII. Deverbal de buscar  buscaDOR XIV  Rebuscar XVI. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registros em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e Nota: abuscá~buscá : Prótese 4. ACUIER [V]_______________________________________________________01 ocorrência Passado uma semana nós vortô ota vez aí o arroz que tinha ... que tava sem cortá levantô e nózi ... nós consiguiu acuiê (Ent.07,linha 28) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registros em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e Nota: acuier~colher: Prótese 5. ADOBE Nm[Ssing]_________________________________________________03 ocorrências Fui embora pra casa de mamãe lá ê fez dois cômodo no Papagai num terreno que ê comprô...aí fez menina um trenzim assim de adobe...adobe...primêro foi adobe...isso aqui essas parede é de tijolo e lá não nós rebocô ficô os dois quartim depois fez a cuzinha (Ent.06,linha 139) 61 ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Adobe, adobe. Especie de ladrilho grosso, não cozido ao fogo, mas seco ao sol. 2. Morais: Adòbe s.m. tijolo de barro quadrado crujas casas são de adobes. 3. Laudelino Freire: Adobe s.m. Ár. At-tob. Tijolo grande, não queimado; tijolo cru. 4. Aurélio: Adobe¹ (ô). [Do ar. At-tūb, ‘tijolo cru’, ‘ladrilho’.] S.m. 1. Pequeno bloco semelhante ao tijolo, preparado com argila crua, secada ao sol, e que também é feito misturado com palha, pra se tornar mais resistente; tijolo cru. 5. Cunha: Adobe¹ sm ‘tijolo de argila misturado com palha e cozido ao sol’  1562, adoue XV  Do ár. At-tūb 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registros em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Adobo• (A) •Nm [Ssing] •Ár.•Tijolo de argila misturado com palha e cozido ao sol.• Adobo cê sabe que que é né?[...] Pra fazê parede, adobo que chama.[...]As casa, a maió parte era feita de pau-a- pique e adobo. (Ent. 5, linhas 33, 40, 43) 6. ALEMBRAR [V]___________________________________________________24 ocorrências Tirava pôco mas tirava...e era azedo...nó...cês alembra muito da cumá (D...)? (Ent.01, linha 39) Meu jesus foi preso e foi morto deus me cunfessa todos meu pecado isquicido e alembrado...os presente e os passado (Ent.02, linha 20) Dona (A...) perto dea morrê ea inda tava lúça...falano aí ea falô cumigo ô sá (A...) cê alembra do burrusquê? (Ent. 03, linha 56) Eu alembro que uma vez ieu tava passano aí passô um tar de...comé que chama o home...que morava lá nas Areia (Ent.03, linha 28) Minha históra dois livro é pôco tem que tê é tempo e eu alembrá né (Ent. 04, linha 01) A hora que ê calô eu alembrei que tava com uma caxa de fósfo tava iscuro né tirei o fósfo lumiei assim ó (Ent.04, linha 92) Cê alembra (D...) quano passô uns três ano sem chuvê? (Ent. 05, linha 30) Ocê é bem mais nova que ieu né...mais ocê alembra que ieu já tinha casado (Ent. 05, linha 32) Seu vô mais seus ti tudo alembra ê já até me emprestô dinhêro (Ent. 05, linha 52) Com padre (A...) cê num alembra dele não né? padre (A...) que fez meu casamento ê cabô de terminá o casamento e disse ‘aqui dois pombim tudo novo alá em agora num tem negóço de confusão de largá uns os ôto não trabaiá memo de soli a soli em nôte e dia sem pará prantá arroz fejão mi’ (Ent.06, linha 128) Dessa vez o (T...) andô na berada...andô na taba da berada depois sarô...sarô uai...ê teve um caso com a (M... R...) cê alembra num alembra? (Ent. 06, linha 164) Mais pobre agora os rico comprava bacião eu alembro que anté dona (A...) quano eu fui pra lá ea falava ‘ô (M...) essa bacia é no tempo que nós num tinha chuvero nós tomava bãim era nessa bacia’. (Ent. 06, linha 318) Lovado seja deus nunca vi ô nêga ô sai daqui vô lá na Parmêra quarqué hora num vejo nada mais alembro da mamãe... era assim na vorta do dia ea ia buscá água chegava lá ea via (Ent. 06, linha 369) Ele era fei menina em vida ô num alembro dele não mais diz que ê era fei demais muito fiuzim né agachadim diz que puxano a camisa pra tampá as pirninha de coque lá oiano pra mamãe. (Ent. 06, linha 375) 62 Num sei...até ainda alembro do (M...)....o (M...). era pequeno...ê sempre tava que ê fazia a quinta voze...alto mesmo cantava alto por cima dos ôto...que boiadêra cê num conheceu não? (Ent. 07, linha 127) Eu pelejo pra lembrá mais minha cabeça negóço probrema na cabeça eu num alembro. (Ent. 07, linha 160) Ocê alembra do seu (F...) que trabaiava na Sesarina? (Ent. 09, linha 70) Mas isso passô muito tempo passô ano eu nem alembrei de (V...). (Ent. 09, linha 216) Passado com o home lá...e ieu num alembrei mia fia vim simbora...d’cunjuro. (Ent. 09, linha 225) Aí ê disse ‘mais ocê num alembrô/num sabe que foi lá que (V...) morreu não? lugá assim fica sombrado’. (Ent. 09, linha 232) Eu alembro até do cume qu’eas fazia eas fazia um arroz um môi de batatinha pimetado mermo. (Ent.09, linha 373) Agora que o (A...) alembrô novo e ainda alembrô foi pitá de noite lá botô fogo no mi lá nó mia fia foi uma zuêra (Ent. 09, linha 396) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Alembrar. “Vid. Lembrar.” 2. Morais: Alembrado, alembrança. “&c. v. lembrado, lembrança, lembrar.” 3. Laudelino Freire: Alembrar. V.r.v. O mesmo que lembrar: “Mais estancas cantara esta sirena em louvor do ilustríssimo Albuquerque, mas alembrou-lhe u‘a ira que o condena, posto que a fama sua o mundo cerque” (Camões). “Alembra-me que outrora... conheci um corício em anos já maduros, dono duma chãzinha ali desamparada”(Castilho). 4. Aurélio: Alembrar. “[De a-4 + lembrar.] V.t.d. / V.t. d. e i. / V. p. Ant. Pop. 1. Lembrar: “encanecidos” Pescadores de outrora alembram com saudade / As pescarias” (Vicente de Carvalho, Versos da Mocidade, p.124)” ; “Algumas vezes eu me alembro duma / tarde na roça” (Gilberto Mendonça Teles, Saciologia Goiana, p. 34).” 5. Cunha: Lembrar. vb. ‘trazer à memória, fazer recordar, notar, advertir’ | XV, membrar XIII, nembrar XIII etc. | Do lat. memorare. 6. Amadeu Amaral: Alembrar: “lembrar, v. || Esta prótese vem de muito longe na história da língua, e ainda é pop. Alembrava-vos eu lá? (Gil V., “Auto da Índia”)” ________________________________________________________________________________ Registros em Glossários 1. Souza: Alembrar (A) v. Trazer lembranças à memória. Recordar-se. Variante de lembrar (lembrar > alembrar – caso de prótese). "Eu alembro... um mucado eu alembro...” (Entr.7, linha 9) 2. Ribeiro: Alembrar (A)•[V]•Lat.•Recordar, vir à lembrança.• Cê num alembra dela não. Ele era muito chique. (Ent. 10, linha 332) Nota: alembrar~lembrar: Prótese 7. ALEVANTAR [V]___________________________________________________01 ocorrência Com deus me deito com deus me alevanto...com a graça divina e o sinhô isprito santo (Ent.01, linha 333) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Alevantar com os mais Vid levantar 63 Levantar coisa caída. Levantar do chão. 2. Morais: Alevantár. “v. levantar. Cast.2. 161. a náo carregava de poupa, e alevantava de proa. Neutramente. Cujas migalhas me criarão, e os benefícios alevantarão do poo em que nasci. Ined. 3.9.” 3. Laudelino Freire: Alevantar. “v.r.v. De a + levantar. Levantar, erguer (tr. Dir.; bitr., com prep. a, em; pr. ; com prep. de): “O menor incêncio bastaria para alevantar as chamas” (Herculano). “Alevantem uma oração fervorosa ao senhor” (Id.). “O olhar celeste alevantando aos ramos do salgueiro” (Machado de Assiz)” 4. Aurélio: Alevantar. “[De a-4 + levantar] V.t.d. / V.p. 1. levantar-se: “E um pássaro, com as asas espalmadas, / o vôo alevantou” (Múcio Teixeira, Brasas e Cinzas, p. 84); “Este Povo ressurge e novas forças, / Muito embora contrárias, se alevantam.” (Teixeira de Pascoais, D. Carlos, p.18); “Quando o dia se alevanta, / Virgem Santa! / fica assim de sabiá.” (Heckel Tavares e Luís Peixoto, na canção Casa de Caboclo.)” 5. Cunha: Levantar. “vb. ‘alçar, erguer’ XIII. Do lat. *levantare (de levare ‘erguer’) || Alevantado XIV || Alevantamento XIII || Alevantar XIII || levantadiço XIV || levantamento XIV || levantante XIV || levante¹ sm. ‘oriente’ XIII. De levantar, usado originariamente como adj. Na expr. Sol levante, que se opõe a sol poente || levante² sm. ‘rebelião’ XVI || levantino XVI. Do it. Levantino. Cp. LEVAR, LEVE.” 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Souza: Alevantar (A) v. Colocar-se de pé. Variante de levantar (levantar > alevantar – caso de prótese). "... quebrei o resguardo... mas eu alevantei inflada de camisa...” (Entr.3, linha 105) 2. Ribeiro: n/e Nota: alevantar~levantar: Prótese 8. ALEVAR[V]_______________________________________________________01 ocorrência Ê pegô a cabeça dele assim e impurrô ê pra baxo e ê falô “nossa sinhora d’aparicida ondé que cês vão alevá ieu” aí ê saiu avuano memo e virô lá po lado do Cardoso e ê viu que é o disco voadô memo (Ent.06,linha 139) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Levar tomar de hũ lugar para por em outro. Levar alguma cousa. 2. Morais: Levár , v.at. Conduzir, ou fazer carregar, ou fazer transportar de um lugar para outro. 3. Laudelino Freire: Levar v.r.v. Lat. levare Fazer passar de um para outro lugar; transportar (tr. dir.; bitr., com prep. a, com, de, para) 4. Aurélio: Levar [Do lat. levare] S.m.1. Fazer levar de um lugar para outro; transportar. 5. Cunha: Levar vb ‘transportar, retirar, afastar, induzir, tirar, roubar’ XIII. Do lat. lěvāre  ENlevAR XIV  Enlevo 1881. Deverbal de enlevar. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registros em Glossários 64 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e Nota: alevar~levar: Prótese 9. ANDAR IGUAL GALINHA TONTA Fras[V+Conj+Ssing+Adj]_____________01 ocorrência Aí nôto dia eu andava o terrero todo iguali galinha tonta mais depois que eu armucei que eu peguei o distino. (Ent.06,linha 270) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire:n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e _______________________________________________________________________________ Registros em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 10. ANDAR NA TÁBA DA BERADA Fras[V+(Prep+art)+Ssing+Adj]___________01 ocorrência Dessa vez o (T...) andô na berada...andô na taba da berada depois sarô...sarô uai...ê teve um caso com a (M...R...) cê alembra num alembra? (Ent.06,linha 163) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________Registros em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 11. ANDU Nm[Ssing]__________________________________________________03 ocorrências Cumia é fubá suado né...cumia andu...cumia andu...cumia fejão miúdo chei de bicho...cumia fubá suado sem gurdura...ô cumia...fazê o quê né?(Ent.04, linha 77) Ah armoço andu podre chei de bicho grudura de boi farinha de mãidoca arrozi daquele arroz vermei cê pudia sentá na testa dum qu’ê caía de costa (Ent.07, linha 250) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Andu. “s.m. Bras. Um legume vulgar, que nasce em um arbusto, tem flores amarellas, e de cada flor sai uma vagem.” 3. Laudelino Freire: Andu s.m. Planta da família das leguminosas – papilionáceas, cujas sementes são comestíveis (Cajanus indidicus, Spreng) || 2. Fruto ou semente dessa planta. 65 4. Aurélio: Andu. “S. m. Bras. 1. Fruto do anduzeiro; guando, guandu, feijão-guando.” 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza Andu (A) s. Espécie de um legume ou vagem, de cor esverdeada, arredondada, similar a uma ervilha. "Nós plantava tudo né... nós plantava as mesma coisa de hoje... era manaíba...feijão... milho... é cacatua... andu...” (Entr.5, linha 102) 2. Ribeiro: n/e Nota: Castro: Andu. (banto) (ºBR) s.m. fruto do anduzeiro (Cajanus Indicus Lin), leguminosa, espécie de lentilha. Var. ervilha-d(e)-angola, ervilha-do-congo, guandu.C.f. macundê. Kik./Kimb/Umb. Wandu, guandu. 12. ANDUZERO Nm[Ssing]_____________________________________________01 ocorrência Nó...de tudo contuá que cê pensá...é fejão...é mio...mandiocal...anduzero...canavial bananal é...é...batatinha...batatinha nós plantava demais. (Ent.07,linha 66) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Anduzèiro s.m. O arbusto, que dá andús. 3. Laudelino Freire: Anduzeiro s.m. De andu+z+eiro. Arbusto da família das leguminosas que produz o andu. 4. Aurélio: Anduzeiro [De andu¹+-zeiro] S.m. Bras. Bot. Planta arbustiva da família das leguminosas, subfamília papilionácea (Cajanus indicus), de flores amarelas, e sementes (uma espécie de feijão) comestíveis; guandeiro. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registros em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e Nota: Castro: Anduze(i)ro. (FB) (ºBR) s.m. Ver andu +Port. –zeiro. Var. guanduze(i)ro. 13. ANIMAL Nm[Ssing]_______________________________________________07 ocorrências Incantuei o burro o burro num deu ponto d’eu laçá ele ê passô eu fui e peguei montei no animal que eu tava e freví atrás dele no mei do mato. (Ent.10,linha 175) Chegô ali na passage do (B...) tinha um poção menina mais um poção bunito cê jugava um animal lá ê tampava ele...aí eu juguei a égua lá dentro lá tampô a égua eu peguei e lavei a cara. (Ent.10,linha 218) É...aí falava que quem envia da Lapinha pra Serra chegava nesse lugá num passava se fosse a cavalo...animal num passava. (Ent.04,linha 269) Uai animal num passava de jeito nenhum vortava pa trás foi o T que me contô aí...que tinha essa sombração lá. (Ent.04,linha 270) 66 Uai ela era um lençol branco...representava um lençol branco porque diz que era o lençol lá que num dexava os cavalo passá porque aquilo muvia lá de tal forma que animal num passava...falei “mais meu deus comé que vai fazê?”. (Ent.04,linha 285) Aí vim vim vim passei pa Lapinha aí quano eu cheguei aqui ó ah papai já tava com os animal tudo arriado e chingano porque eu num aparicia. (Ent.04,linha 320) Nem sei acho que ê nem veve mais andá duvidano até o lugá que ê morava cabô porque ê num tinha famía...alí tinha tudo tinha pasto punha animal no pasto. (Ent.04,linha 258) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Animal Qualquer besta 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Animal s.m. Lat animal 4. Cavalgadura 4. Aurélio: Animal [Do lat. animale] S.m. 9. Animal cavalar, principalmente o macho. [Aum.: animalaço e animalão; dim.: animalzinho, animalejo, animálculo.] 5. Cunha: Animal sm. XIV, animallia XIII, -alha XIV, -alia XIV, alimária XIV, alymaria XVetc. | Do lat. anĭmal; as vars. animalla, -lha, -lia provêm do pl. lat. animália; as vars. alimária, alymaria etc. derivam daquelas por dissimilação (n/l l/n) e rotacismo (l/n l/r): n/l l/n l/r. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registros em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 14. ANTÃO [ADV] ____________________________________________________18 ocorrências É...antão quano ti (R...)....(R...) de (J...)....e cumá (D...)....o pruvi que eu fazia era dela. (Ent. 01, linha 271) Santo Antônio fazia o casamento São Vicente ia criá os menino...aí antão ês dois tivero uma discussão né...o São Vicente falô “Antônio ocê faz o casamento e os fio é eu que crio”. (Ent. 03, linha 10) A fiadera era a roda aí antão cê ia com o gudão pra roda mais se eu fô contá a históra é muito compricado sabe aí tem que levá pra roda e a roda tem o fuso. (Ent. 04, linha 11) Porque do lado de cima e do lado de baxo era furmiguêro puro antão o quê que conteceu antão ê prendeu ê só armuçava e jantava era lá de nove hora em diante ninguém passava lá mais porque ele ia pra lá e as furmiga tava freveno lementá porque ê lementa só com formiga. (Ent. 04, linha 305) Tinha um desses pau antigo trançado aqueas cabeça de pau assim trançado prum canto assim usava muito e usa até hoje antão tinha uma cabeça de pau uma distança como daqui naquele pau lá ó. (Ent. 04, linha 369) A madêra ficava perfeita toda antão ês tirava as madêra e fazia a tal cerca de tisôra...já viu falá?. (Ent. 04, linha 422) Antão União cê cunhece? (Ent. 06, linha 182) Antão padrim num bibia e ( )mamãe no papai papai toda vida bibia era doido apavorado né a pobe da mamãe era caçula nova casô nova a coitada. (Ent. 06, linha 382) Antão eu lembro assim dessas passagem mais eu num lembro... a (L...) é que...é mais era uma farra um gritava pro ôto. (Ent. 07, linha 117) Chorano ai eu andei um pedaço com ê assim ó e falei “antão já que o sinhô num vai vortá antão vai pra onde deus determinô” aí ê foi me largô assim infiô a mão no borso e tirô a nota de mil e me deu a nota de mil era o dinhêro que ê tinha tomado na minha mão. (Ent. 07, linha 257) 67 Trazia tudo nos cavalo punha lá trazia o...tinha o jeito de cuzinhá né a fornáia...fornáia não era um trem pindurado assim ó que ês cuzinhava antão...ô nem sei qualé esse povo que trançava assim né (Ent. 07, linha 282). Era difíci as pessoa num aceitava as coisa tinha aquea confiança antão se fez o mal era demais né antão o probrema do papai foi esse que ê morreu novo por causa dessas coisa que aconteceu. (Ent. 07, linhas 329 e 330) Antão vinha e trazia aquela turma toda do Açude tem uma dona lá no Açude que lembra disso até hoje lembra principalmente aquela a (V...) a (V...) irmã do (Z... A...) a (V...) era das mais nova né. (Ent. 07, linha 351) Ti (R...) contava históra menina cada históra bunita eu sabia contá agora num sei contá mais antão eu sei que era até nós drumi nós drumia quano nós acordava ê tava assim “entrei por uma perna de pato saí por uma de pinto quem num iscutô essa me conta cinco. (Ent. 07, linha 377) Quano chegô lá foi na casa da (L...) sabê se o (V...) ea disse ieu que ia priguntá ocê que ê num chegô aqui ainda...disse não...antão se num chegô antão tá morto. (Ent. 09, linha 264) Antão mia fia era uma brigaiada que só cê vê que trem...ê ia separá...ê era juiz de paz memo...ê ia separá o trem virava por riba pricisava do cunhado dele entrá de dentro tamém pa judá separá né. (Ent. 09, linha 328) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Antão. adv. Lat. intunc. Pop. O mesmo que então. 4. Aurélio: Antão. Adv.. 1.Ant. Pop. Então: ―já voltava para o Zeca Estevo, num passo ondulado e mole, quando este quis saber o nome da doença: ―— Antão, meu patrão velho, o que é que eu tenho?‖ (Valdomiro Silveira, Os Caboclos, p. 71.) 5. Cunha: Então. adv. nesse ou naquele tempo, momento ou ocasião/entõ XIII, enton XIII etc./Do lat. in tunc. 6. Amadeu Amaral: Antão. então, ad.: -‖Antão ela reparou bem em mim, não disse mais nada, e saiu adiante‖. (V. S.) |Filhos forão, parece, ou companheiros, E nella antão os incolas primeiros. (Camões, ―Lus.‖). ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Antão•(A)• [Adv]• (n/e) • O mesmo que então.• Aí, antão eu acho que o meu pai/ a minha mãe é que tava certa e meu pai tava errado. Porque meu acho que eu ia ficá feinho. (Ent. 2, linha 13) 15. ANTÉ [PREP] ___________________________________________________ 04 ocorrências Ê mais o (C...) meu irmão nêga era a mema coisa de irmão as cunversa dês anté paricia né (E...)? (Ent.06, linha 85) Anté o (C...) cê via (F...) conversano cê pensava que era o (C...) que conversa arto e fino e o (C...) gostava muito de i lá em casa mais por conta do (F...) e queria namorá a (D...). (Ent.06, linha 88) Ti (M...) trabaiô anté no dia dea morrê é anté no dia dea morrê capinano a semente de mi dela ali ó deitô pra discansá diz que pôs a mãozinha assim ó aí ea fechô o oi deus levô ela isso é que gente boa né mia fia? num sofreu uai. (Ent.06, linha 217) Os rico comprava bacião eu alembro que anté dona (A...) quano eu fui pra lá ea falava “ô (M...) essa bacia é no tempo que nós num tinha chuvero nós tomava bãim era nessa bacia. (Ent.06, linha 318) ______________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 68 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Inté. prep. Ant. e pleb. O mesmo que até. 4. Aurélio: Inté. Prep. Ant. Pop. 1.Até: Inté veludos e crinolinas, sutaches e aljofres eram encontradiços nas vendas.‖ (Nélson de Faria, Cabeça Torta, p .8). 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: Inté até, prep e adv. ______________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1. Souza: Inté (A) Prep. Limite em um espaço de tempo. Variante de até (até > inté – caso de alçamento com nasalização). Cf. anté. "... ( ) qu’eu tou aí com Deus... inté hoje... ainda vejo muita coisa...”(Entr.8, linha 284). 2. Ribeiro: Inté • (A) • [Prep] • Limite em um espaço de tempo. Variante de até (até > inté – caso de alçamento com nasalização). • Ah! Cidade é uma baruieira danada, né? Às veiz a gente ta durmino, acorda inté assustada, né? (Ent. 12, linha 206) 16. APERTO Nm[Ssing]_______________________________________________ 01 ocorrência “Mais vô falá com cê uma coisa já passei muito aperto de dificurdade essa casião num era igual hoje em dia quano os trem cabava tinha que buscá trem lá em Vespasiano.” (Ent. 05, linha 148) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Apérto. s.m. Pobreza. Falta do necessário. Res anguste. Horat. Rei familiaris angustia. Estar em grande aperto. Cogi in angustian. Terent. 2. Morais: Apèrto. s.m. Pobreza, falta do necessário. 3. Laudelino Freire: Apêrto. s.m. 9. Desgraça, dificuldades, embaraço grave. //10. Penúria, pobreza, indigência. 4. Aurélio: Aperto. (ê) [Dev. de apertar.] Substantivo masculino. 5. Situação difícil, aflitiva, embaraçosa, perigosa, etc.; apertada, apertadela, apertado, apertão, apertura, apuro. 5. Cunha: Aperto. Do lat. appectorare. Século XV. 6: Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Aperto• (A)• Nm [Ssing]• (n/e) • Pobreza, dificuldade, falta do necessário.• E criava aquê tanto de fio e aquea pobreza, aquele aperto. Oh, criô todo mundo. Todo mundo cresceu, cumeu, bebeu, prendeu trabaia. Tá tudo veio, graças a Deus. (Ent. 1, linha 584) 17. APIAR [V]_______________________________________________________ 04 ocorrências Aí eu peguei e parei o burro apiei dele e virei pa ele e falei “monta”...ê disse “não num vô montá não”... “mais ocê num é pião?” (Ent. 02, linha 135) Tinha que apiá ali na rodiviara e trevessá de banda e caminhá uma distança com o daqui a...como daqui lá na casa do (B...) pa podê chegá na casa dela. (Ent. 09, linha 141) 69 Lá de baxo eu vi um home lá na estada falei assim se aquele home dá sinal...se ele entrá ieu apeio. (Ent. 09, linha 161) Eu vô apiá lá no arto da casa do (Z...) lá. (Ent. 09, linha 161) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Apear. Tirar a alguém o cavallo. 2. Morais: Apeár. v. at. Fazer pór a pé. 3. Laudelino Freire: Apear. v.r.v. De a + pé + ar. Fazer descer de cavalo, carro, trem, etc.; desmontar. 4. Aurélio: Apear. v.t.d. 3. Descer de montaria ou viatura. 5. Cunha: Apear. Do lat. pes pedis. XVI. 6. Amadeu Amaral: Apeá(R). v. i. - voc. port., que no dial. apresenta a particularidade de envolver, correntemente, a ideia de ―hospedar-se‖: ―Quando chegô? Adonde apeô? - Apeei na casa do Chico, perto de onde tenho meus que-fazê‖. ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Apiar• (A)• [V]• (n/e) • Descer de animal ou de veículo. 18. ARADO Nm[Ssing] _______________________________________________ 08 ocorrências Sirviço num mata home mesmo não se não num tinha em um osso meu mais...a minha vida se eu fô contá ea pro cês dois dia num chega...e pra gente prepará roça...num tinha arado. (Ent. 05, linha 414) A primera roça que eu prantei aqui foi ali do ôto lado foi lavrado na enchada tinha que lavrá na enxada que num tinha arado...adubo...adubo foi de um certo tempo pra cá num tinha adubo que o povo estudo aí veio o adubo. (Ent. 05, linha 436) Gastava cinco dia pra í e vortá...tinha que buscá arado...é bico de arado inxada de arado rudía cabo de arado é ruero de arado tudo tinha que buscá lá fora. (Ent. 05, linhas 150 e 151) Lá na Pindaíba ele...ê arano a terra com arado tomô uma pedra. (Ent. 07, linha 192) Tava lá no campo pelejano aí já num dava dano conta de mexê com arado mais ai (G...) tava mexeno ê tava só oiano os tabaiadô. (Ent. 07, linha 194) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Arado Derivase do Grego Aroein que quer dizer Arar. He um instrumento, que serve de romper a terra, e de desarraigar a má erva, e dispor o terreno para receber as ferramneteiras. Lavra com dois Boys no que se differença da charrua, que lavra com seis, ou oito. Consta de dois páos, hum pegado no fim do outro, & no primeyro vay a sega no meyo que corta a terra por cima, no mesmo vão duas Aivecas, & no fim deste páo vai o ferro do arado, que tem bico, & rompe a terra por baixo.Os nomes dos páos, de que He composto, são Temão, Ouca, Chavilhão, Rabiça, Relhas, Meixilho, Teiró, Tempera Rabello, soles &c. 2. Morais: Arado s.m. Instrumento de abrir os regos na terra, para se semeyar; consta de peças cujos nomes são sega, aivecas, temão, ouça, tempera, Rabello, solles, dental do arado. 3. Laudelino Freire: Arado s.m. lat. aratrum. Maquina agrícola usada para lavras a terra. //3. lavoura, vida agrícola. 4. Aurélio: 70 Arado [Do lat. aratru, com dissimilação.] S.m. 1.Instrumento para lavrar a terra. 5. Cunha: Arado . Do latim aratio onis|| sm. ‘instrumento agrícola para lavrar a terra’ XVII. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Arado• (A)• Nm [Ssing]• Lat.• Máquina agrícola usada para lavrar a terra.• E a roça de arado. Marrava o arado atráis dos boi. Cê num sabe que que é arado. Cê ainda num viu não. (Ent. 4, linha 151) 19. AREAR DENTE Fras[V+Ssing]_____________________________________ 02 ocorrências Ea ariava né...ariava dente com fumo cê sabe né? é...a eu prendi fumá foi com esse danado desse fumo ea ariava dente e jugava fora aquê bagaço. (Ent. 11, linhas 225 e 226) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Arear v.r.v. De areia+ar 3. Polir, esfregando com areia ou outro pó (tr. dir.): “Numa janela um sujeito, de óculos azues, areava os dentes” (Aluísio Azevedo). 4. Aurélio: Arear¹ [De areia+ar²] v.t.d. 4.Escovar (os dentes) 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 20. ARMESCA Nf [Ssing] _____________________________________________ 02 ocorrências Pra baxo assim tinha um pé de armesca grande assim. (Ent. 09, linha 308) (Tinha) um pé de armesca...e por baxo assim mia fia tinha um/o camim era limpim por conta daquele ingem. (Ent. 09, linha 308) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Almácega V. Almagega: o primeiro é que se diz. 3. Laudelino Freire: Almécega Verdadeira s.f. Árvore grande da família das burseráceas, de que se extrai ótima resina; almecegueira, árvore do incenso, breu branco (Protium ecicariba, March). 4. Aurélio: Almécega [Do ar. al-maçTaka, pelo ar. vulg. al-meçka] s.f. 1. Resina de aroeira ou de lentisco amarelado, que se usa em mistura de tintas e com condimento: mástique. 2. Bras. Espécie de goma [Var. almácega. C.f. almecega do v. almecegar] 5. Cunha: Almécega sf. ‘resina de aroeira ou de lentisco  XIV. almástica XIII  Do ar. al-mástaká, deriv. Do gr. Mastíchē  almecegEIRA XIX. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ 71 Registro em Glossários 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 21. ARRANCHAR~RANCHAR [V]_____________________________________05 ocorrências Mangangá miudinho tinha um grande né...ês arrancharo tudo lá dentro mais era cada um que gimia parece que tava cantano. (Ent.04, linha 383) Tropa né ranchava lá aí nós tava nós duas cá em cima assim falei assim “(G...) óia papai lá” aí ea disse “cham’ele” aí eu fiz assim. (Ent.08, linha 256) Cada lugá quês arranchava ês fazia uma garage grande assim pra ês chegá chegá e ranchá. (Ent.08, linha 277) Ês passava nesses lugá e ranchava né e pagava ali dava um trôco né dali ia embora. (Ent.08, linha 286) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Arranchar Derivase do Fracéz, Arranger. Val. o mesmo, que distribuir, ou dividir em ranchos. Ex. ordine collocare, com accusativo. Nestas barracas cada qual se Arrancha de hum esteio para outro. Vasconc. Notícias do Brasil, pag. 121. E como estivessem estes Gentios Arranchados junto ao lugar, em que eu dormia. Godinho, viagem da India, 50. 2. Morais: Arranchar v. at. Arranchar alguém; dar-lhe rancho, pousada, albergá-lo: dar-lhe sítio para vivenda, e lavouras. §. Distribuir em ranchos. 3. Laudelino Freire: Arranchar v.r.v. 5. Estabelecer pouso provisoriamente (pr.; intr.; pr. ou tr. ind., com prep. em): “arranchar-me para madornar um pedaço. Vamos arranchar. Arrancharam-se em um campo vizinho. Os ciganos arrancharam na clareira.” 4. Aurélio: Arranchar [De ar¹+rancho+-ar²] 6. Hospedar-se ou estabelecer-se provisoriamente. 5. Cunha: Arranchar RANCHO Rancho s m  Ar.ranchAR vb ‘reunir em ranchos’ ‘dar pousada’ 1813. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1. Souza: Arranchar (A) v. Estabelecer, morar. “...hoje eu tou arranchado aqui...com tou até hoje...” (Entr. 5. linha 58) 2. Ribeiro: n/e 22. ARREAR [V]_____________________________________________________05 ocorrências Rapô e foi lá chegô lá pegô a égua monto arriô a égua puxô o burro. (Ent. 02, linha 104) Arriei a égua papai tinha saído...montei e saí de galope pra Tabuquinha. (Ent. 02, linha 202) Papai já tava com os animal tudo arriado e chingano porque eu num aparicia. (Ent. 02, linha 320) Teve uma vez que eu peguei um burro aqui arriei ele...montei no lugá que eu montei ieu fiquei. (Ent. 05, linha 13) Papai levantano ela levantava e sacudia a cama pos menino levantá pa pegá cavalo pos pasto afora chegava com o cavalo punha lá arriava. (Ent. 06, linha 391) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: 72 Arrear. “Ornar. Adereçar. Enfeitar. Vid. Nos seus lugares. Arrease a noite, das esperanças, que pesa. Vieira, Oração fúnebre de D. Mar. De Attaide, 143.” 2. Morais: Arreiar. “v. at., arraiar, ornar, ataviar as bestas.” 3. Laudelino Freire: Arrear. “v. r. v. De arreio + ar. Colocar os arreios em (tr. dir.): “Felipe chamou à meia-noite oseu lacaio, e mandou arrear os cavalos” (Camilo) // 2. Pôr enfeites em, adornar (tr. dir.; pr.;bitr. ou pr., com prep. de, com): “Arreavam os aposentos”. (Goulart de Andrade).” 4. Aurélio: Arrear. “[Do lat. vulg. *arredare, 'prover', < gót. *reths, 'conselho'; 'provisão'.] V. t. d. 1. Pôr arreios em; aparelhar. 2. Pôr arreios ou enfeites em; enfeitar, adornar, ataviar. 3.Mobiliar, mobilhar. V. p. 4. Enfeitar-se, adornar-se, ataviar-se. [Conjug.: v. frear. Fut. do pret.: arrearia, etc. Cf. arriar, v. e arriaria, s. f.]” 5. Cunha: Arrear. “vb. ‘pôr arreios em, aparelhar, adornar’  arrayar XVI / Do lat. vulg. *arredare ‘prover’, deriv. do gót. *reths ‘conselho, previsão, provisão’  arreamento XX  arreio sm. ‘conjunto de peças necessárias ao trabalho de carga do equídeo’ ‘adorno’  -yo 1572  arrieiro  arreeiro XVII  desarrear 1881.” 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1. Souza: Arrear (A) v. Colocar os arreios em. “...montou numa bestona bonita diacho/arreou bem arreado...e chegou lá na beira do rio...” (Entr.4, linha 476) 2. Ribeiro: n/e 23. ARRÊI Nm [Ssing]_________________________________________________16 ocorrências O trem zuô travêz eu fui e garrei memo na cabeça do arrei...com essa mão eu garrei na cabeça do arrei aí a tontura foi passano. (Entr. 02, linha 58) Eu lacei ele aí eu lacei ê peguei e tirei o arrei da égua. (Entr. 02, linha 78) Eu tava montado numa égua tirei o arrei da égua e peguei e...e...botei o arrei nele marrei ê numa espirradêra grossa assim pus o arrei nele. (Entr. 02, linhas 78 e 79) Aí eu falei pra ela e falei assim a isso é tombo o burro rebentô o arrei eu bati a testa lá e quebrei a cabeça. (Ent. 02, linha 100) Pega essa égua aqui vai lá no arto do Lobo o burro tá queto lá sem o arrei...ocê coloca o arrei na égua e o cabresto cê põe no burro. (Ent. 02, linha 102) Cheguei juguei o arrei no burro ali e montei...muntei risquei nesse burro passei ali subi saí na cabiçêra da Palma subi em São Vicente de São Vicente sái na no Carnero lá em cima saí no Tuti. (Ent. 02, linha 107) Essa égua me enfia o pé lá e dá três cambãiota comigo eu num saí do arrei não ea deu três cambãiota cumigo. (Ent. 02, linha 205) O burro rancô...pulô que rancô ieu com arrei e tudo e saiu pra essa fazenda afora aí com eu correno atrás dele. (Ent. 05, linha 14) Tinha que sigurá pra num caí né mais graças a deus nunca caí...só desse burro que rancô dali uma vez ó...que rancô com o arrei todo é que eu cái mais já mansei muito burro pra esse morro afora aí. (Ent. 05, linha 87) Deus judô qua a barriguêra rubentô o burro sai pelado pa lá eu saí po ôto lado moiado aí tinha uma correntezazinha o arrei lá ia rodano aí eu curri lá passei a mão no arrei saí segurano juguei tudo pra fora tornei jugá o trem tudo moiado pra cima. (Ent. 05, linhas 95 e 96) O burro ali ali naquele pé de manga ali onde o tal me jugô no chão né com arrei e tudo aí minha dona viu e disse “é desse jeito cê num trata...cê num cria famía não”. (Ent. 05, Linha 99) Ê jugava arrei no cavalo pros mais pequeno andá e carguero rôpa de cama trem de cumê né. (Ent. 73 05. Linha 256) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Arreio Arrèio, ou Arryeio. Adereços ordinários do Cavallo. V.G. Arriata, Cabeçadas, Sustinentes, Frontal, Cirgola, Redeas, Panno da Silha, Rabicho etc. 2. Morais: Arrèio, s.m. Peça de adornar, enfeitar, adereçar a pessoa, casas, &c. Resende, Chron. f.70. ν. espadas, punháes, cadeas, pontas, e arreos de ouro (das pessoas). B. 4.3.9. ibdc. 14. “ElRei tinha vestida huma camisa de linho tinta de azul, e por cim ahuma algerevia de lâ, e na cabeça hũa grande e não mui delgada touca sem outro arreo.” § Hoje dizemos arreyos, das peças que adereção as bestas de serviço, carga, carruages; e de dos coches, seges, &c. 3. Laudelino Freire: Arreio ARREIOS, s.m.pl. Conjunto das peças com que se sela o cavalo para montaria; arreamento. 4. Aurélio: Arreio [Dev. De arriar] S.m. 2. Conjunto de peças necessárias ao trabalho de carga do eqüídeo. 5. Cunha: ArreioARREAR Arrear  arreio s m ‘conjunto de peças necessárias ao trabalho de carga do eqüídeo ‘adorno’  -yo 1572. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1. Souza: 2. Ribeiro: n/e 24. ARRENDAR~RENDAR [V]________________________________________04 ocorrências O (A...R...) mudô pra qui sabe...aí me animô a arrendá o terreno. (Ent.05, linha 41) No ano que nós arrendô o terreno...que num tava dano nada o povo dismureceu prantá né. (Ent.05, linha 42) Arrendô pa prantá rama de mãindoca...né...nós prantô menina mais...foi um tempo bão aí é que eu sarvei graças a deus. (Ent.05, linha 43) Rendei um terreno na mão do (I...) aí do Cipó ficô comigo quarenta ano esse terreno rendado eu cuía tudo de lá mais dava mantimento demais. (Ent.05, linha 128) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Arrendar Dar à renda. Locare (loco avi, attum) ou Locitare com accusat. da cousa e dat. da pessoa. Arrendoulhe humas terras. Locitavit ipsi agros Terēt. 2. Morais: Arrendar v. at. Dar, ou tomar de renda alguma herdade. §. Arrendar em massa; i. é, a totalidade das coisas, que rendem. §. Arrendar em ramos; i. é, porção das rendas. §. Arrendar o milho, na Agric. Arrancar os filhos, para dar melor massaroca: arrendar o bacello; cavá-lo alguns dias depois de posto. Alarte, pag. 17. §. não lhe arrendo o ganho, a medra, . não lho invejo, ou não o quero. 3. Laudelino Freire: Arrendar v.r.v. De a+renda+ar. Dar em arrendamento (tr. dir.; bitr., com prep. a): “respondeu ao cura que arrendasse a fazendinha” (Filinto Elísio). “a vê-los arrendar os casais em cada renovação do aluguel auferirem muitas vezes o rendimento produzido pelas benfeitorias do locatório” (Rebêlo da Silva). “Arrendou a casa a um desconhecido”  2. Tomar em arrendamento (tr. dir.; bitr., com prep. de): “Para estabelecer o laboratório, arrendou uma grande casa. Arrendou de uma empresa de terrenos um pequeno sítio.” 4. Aurélio: 74 Arrendar¹ [De ar¹+renda¹+-ar²] v.t.d. T.d. e.i. 1. Dar em arrendamento. 5. Cunha: Ar.rend.amento, -ar¹, atárioRENDER Render  Ar.rendAR¹ 1813  Ar.rendAT.ÁRIO 1773  rendA¹. S f. ‘resultado financeiro de aplicação de capitais ou economias, ou de locação ou arrendamento de bens patrimoniais XIII. Talvez do prov. renda ( devera – caso de apócope). "... “Ô meu filho foi ele... ele representa que nem um cachorro... ele representa que nem um porco... representa que nem um jegue”... “Ô pois eu topei um jegue”... e lá num tinha jegue... pois foi ele... foi ele devera...” (Entr.12, linha 275) 2. Ribeiro: n/e 156. EITO Nm[Ssing]__________________________________________________03 ocorrências Pois é...num existia arame não e cerca de tisôra...a cerca de tisôra é o seguinte...aí ês bate as furquía aqui...e ôta aqui e põe o varão agora o ( ) vai na tisôra que era as vara mais fina assim e incruzava com a ôta assim e ia assim com ôto lá e lá...aí vem com ôto pau e põe aí em cima...e num gasta nada e lá dentro é a mesma coisa e fecha a redó...e prantava o eito. (Ent.04, linha 427) Eu lembro que nóis ia trabaía no eito e ela ia cantano aqueas coisa da ti (Z...) mais num sei nem contá ocê o que que é porque minha cabeça é muito ruim pirdi tudo passô tudo as coisa ea cantava...agora num sei se ea lembra né eu sei que nóisi trabaiano no eito e ea trabaiano e cantano...cantano...era um história cantada. (Ent.07, linhas 384 e 386) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Èito s.m. Série de Coisas. v. g. de espigas no campo. 3. Laudelino Freire: Eito s.m. Lat. ictus. 3. Roça onde trabalhavam escravos. 4. Aurélio: Eito [Do lat. ictu.] S. m. 2. Bras. Limpeza de uma plantação por turmas que usam enxadas. 3. Bras. Roça onde trabalhavam escravos: "Em alguns engenhos do Nordeste a cachaça era fornecida aos negros do eito logo com a primeira refeição do dia" (Mário Souto Maior, Dicionário Folclórico da Cachaça, p. 16). 5. Cunha: Eito¹ sm. ‘limpeza de uma plantação por turmas que usam enxadas’ XIII. Do lat. ictūs-us ‘golpe’. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 157. ENCARAR [V]___________________________________________________02 ocorrências Não ê num gostava de moça menina não nunca gostô...(C...) era isquisito o distino dele era ficá sortêro memo....é num encarava ninguém não. (Ent.06, linha 76) Nós era apaxonada com ele todo mundo era lá no Cardoso ele era sapeca ê invocava com as menina e num firmava com nenhuma né mais eu nunca encarei ê não do (E...) eu gostava. (Ent.06, linha 80) ________________________________________________________________________________Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: Encarar CARA Cara ENcarAR XVI. 144 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 158. ENCARDIR [V]___________________________________________________01 ocorrência Aí foi um teatro muito bunito assim...cabô o teatro nós viemo embora...passemo lá no casamento eu fiz eas passá lá porque nós teva lá sozinha eas desceu lá pra fazê companhia quano nós cheguemo lá e cabô o cumê nós tava encardino no doce e o home vai tirá lá o recortado. (Ent.03, linha 13) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: Em.card.ido, -ir CARDO Cardo sm. ENcardIR 1873. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 159. ENCARNAR [V]__________________________________________________01 ocorrência Chega no Capão Redondo e vô pegá uma égua esse home tinha uma vaca preta...uma vaca preta igual aquela chifruda e essa vaca encarna atrás de mim e eu era muito esperto subi no pé de cagaitêra. (Ent.02, linha 197) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Encarnar [Do lat. incarnare.] 10. P. ext. Bras. Pop. Perseguir, ou desfrutar de (alguém); importuná- lo como que encarnando [ v. encarnar (7) ] nele. 5. Cunha: En.carn.ação, -ado, -ador, -ar, -eirado, -eirar CARNE Carne ENcarnAR 1881. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 160. ENCRENCAR [V]_________________________________________________01 ocorrência Risquei o burro vei do (G...C...) cá na casa do (Z...)...chegô na casa do (Z...) esse burro andava iguár tamanduá andava ne dois pé só quano ê chegava no (Z...) ê levantava as mão pro arto assim 145 ó e saía caminhano e ia lá pro lado da casa do (O...) lá na Palma lá embaxo...aí ê pegô e encrencô comigo. (Ent.02, linha 151) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Encrencar v.r.v. Tornar difícil ou complicada (uma situação) 4. Aurélio: Encrencar [De or. obscura.] 2. V. t. d. Bras. Gír. Pôr em dificuldade; embaraçar, complicar: Com tão mau conselho, terminou encrencando o amigo. 5. Cunha: Encrencar vb. ‘tornar difícil, embaraçar, complicar’ XX. De etimologia obscura. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 161. ENCRUZIAR [V]_________________________________________________01 ocorrência Cheguei lá em cima eu tava no mei da estrada quano ê largô ieu oiei pros lado era grota aí quê que eu fiz encruziei o braço em cima do burro o burro ficô quitim. (Ent.02, linha 261) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Encruzar as pernas, assentandose no estrado a modo de molher. 2. Morais: Encruzar v. at. Cruzar, atravessar uma peça sobre a outra; como as que compõem cruz. 3. Laudelino Freire: Encruzilhar v.r.v. O mesmo que encruzar. 4. Aurélio: Encruzilhar [De en-2 + cruz + -ilhar.] V. t. d. 1. Encruzar (1 e 2). 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 162. ENFEZADO [Adj]_________________________________________________01 ocorrência Ê quebrô meu nariz eu fui e fiquei enfezado de mais da conta quebrei a cara dele. (Ent.02, linha 171) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Enfezar (Termo do vulgo) Enfadar muyto. Encher de cólera. Movere alicui bilem. Cic. Alicui stomachum movere. Plin. 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Enfezado adj. 2. Aborrecido, irritado. 4. Aurélio: 146 Enfezar [Part. de enfezar.] Adj. 3. Fig. Aborrecido, amolado, irritado. 5. Cunha: Enfezar vb. ‘irritar-se’ 1813. De etimologia desconhecida  enfeADO XVII. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 163. ENGEM Nm[Ssing]_______________________________________________19 ocorrências O vovô ê disse “ó (C...) cê num vai tabaiá amanhã não que é dia de São Bernabeu...não dia de São Lorenço” aí papai virô e falô assim “eu pego ele e marro na ponta do lenço” ((risos)) “eu pego ele e marro na ponta do lenço” e pegô e rapô e foi embora pro engem. (Ent.02, linha 186) Eu cheguei era de madugada era duas hora da madugada e peguei lá e enfiei a junta de boi no engem o boi de dentro quis falá com papai. (Ent.02, linha 187) Quano manheceu papai disse “ó vai lá na casa do (A...) e eu vô cortá o pau ali pa fazê ôto engem que nós tá com cento e oitenta quilo que cana no engem”. (Ent.02, linhas 194 e 195) A mãe do (C...) é ali papai morô lá uns tempo quano papai morô lá já num foncionava mais mais antes lá tinha engem de fazê rapadura muê cana fazê cachaça. (Ent.04, linha 232) Tinha a roda tacho tava tudo lá...de noite engem muía ratava tacho pra...tudo isso...tava foncionano. (Ent.04, linha 234) Meu cumpade (C...Q...) cês tudo deve tê visto falá nele ele vei aqui...ê tinha fazenda lá na Serra de ta/tinha muito tacho tudo sentado engem muito bão tudo era só muê cana a vontade e ê tinha muita cana. (Ent.04, linha 331) Aí quano é um belo dia ê chega aqui se eu quiria muê uma cana que eu tinha com ê la a meia que ê tinha bastante cana a meia com ele que ê me dava os engem tudo com uma tropa a lenha me dava a cana cortada era só eu puchá a cana e muê. (Ent.04, linha 335) Fui lá rumei a lenha troxe os carguero puxei truxe tudo pro engem falei agora...marquei o dia de i pra lá pra ele í cortá a cana no domigo eu vi ê na venda...“no dumingo que vem eu vô pra lá e segunda fêra se pode cortá a cana...vô domingo cedo pra lá”. (Ent.04, linha 342) Uai nós tinha engem inda tem até resto de caco de...nesse pé de manga ali comé que tá com trem aí isso ainda é do tempo que eu tava mueno cana aí ó mui mũita cana mũita cana memo fazia rapadura e tempo bão criava a meninada tudo pequena. (Ent.04, linha 407) Ninguém aqui num tinha engem não...depois argúem andô fazeno um engém de pau aí essas coisa assim...aí...aí...o (J...C...) meu ti tamém fazia...no engem de pau...rapadura. (Ent.07, linhas 94 e 95) Ê tinha um engem ali do ôto lado eu até inda lembro quano papai...levantava de madugada pra...pra cumeçá muê a cana né...aí na hora que ia cumê o quebra torto aí o (J...C...) de lá falava “ô (F...) ((risos)) tá na hora do quebra torto vem cá tem quentão tem num sei o quê uma purção de coisa aqui”. (Ent.07, linha 97) Meu pai morava ali onde que tem aqui casa de (C...)...do lad’ de cá da casa da (C...)...meu pai morava ali...do lado de cima naquele bananal tinha o currá e pa baxo assim tinha o engem. (Ent.09, linha 23) Ê tinha um engem mas era um cepo de engem num é engem de ferro não aquele de gritá engem de pau...engem de pau é treis moenda em pé né? assim ó tem duas aqui e ôtra aqui. (Ent.11, linha 182) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Engenho. Engenho de açúcar. 2. Morais: Engenho. Máquina. 3. Laudelino Freire: 147 Engenho. s.m. Lat. ingenium. 10. Estabelecimento agrícola, destinado à cultura da cana e fabricação do açúcar. 4. Aurélio: Engenho. [Do lat. ingeniu.] Substantivo masculino. 7. Bras. Moenda (1) de cana-de-açúcar. 8. Bras. Estabelecimento agrícola destinado à cultura da cana e à fabricação do açúcar. 5. Cunha: Engenho. Sm. ‘maquina’ ‘oficina’/XIV, engeo XIII, engeyo XIII, engeno XIV/Do lat. ingenium. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 164. ENGENHOCA Nf[Ssing]___________________________________________01 ocorrência Ês enconstô tudo debaxo duma engenhoca né...que cumpade (H...) tinha na porta da cuzinha. (Ent.04, linha 169) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Engenhoca s.f. de engenho. 3. Pequeno engenho, destinado especialmente à fabricação de açúcar, rapaduras e aguardente. 4. Aurélio: Engenhoca [De engenho + -oca.] S. f. 3. Bras. N.E. Pequeno engenho que, destinado sobretudo à fabricação de aguardente, também serve para a de açúcar e rapadura. 5. Cunha: Engenho sm. EngenhOCA XIX. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 165. ENQUENTE [ADJ]________________________________________________01 ocorrência Nós num encontrava não ê num vinha aqui não nós encontrô...a primera vez que nós encontrô foi na casa do veí (L...) vô dele depois a mãe dele já tava enquente pra mim...pra arrumá uma moça pra ele pra ê sussegá pra ele num i embora pra Belo Horizonte. (Ent.06, linha 102) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 148 166. ENTENDER [V]__________________________________________________01 ocorrência Esse burro andava iguár tamanduá andava ne dois pé só quano ê chegava no (Z...) ê levantava as mão pro arto assim ó e saía caminhano e ia lá pro lado da casa do O lá na Palma lá embaxo...aí ê pegô e encrencô comigo nesse trem eu envinha pra lá pra São José de Almeida né ê foi e entendeu de caminhá comigo entendeu de caminhá comigo e saiu caiminhano com os dois pé. (Ent.02, linhas 152 e 153) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 167. ENTREGA DE PÉ DE MILHO Fras.[Ssing+prep+Ssing+prep+Ssing]_______01 ocorrência Quano foi no dia da capina a mais foi penado demais quano foi do dia da capina teve quarenta trabaiadô...quarenta home pra capiná roça aí nós cabô a capina menina tinha o tinha o...a entrega de pé de mio que eu fiz lá em casa teve doce. (Ent.03, linha 119) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 168. ENVIR [V]______________________________________________________18 ocorrências Eu envinha lá do Cardoso eu fui lá fiquei conversano com o (A...B...) chamano ê pra vim trabaiá e vim trabaiá junto com a turma de segunda fera. (Ent.02, linha 31) A barriguêra rebentô e eu envinha desceno sozim aí...parece inté uma brincadêra ieu envinha desceno sozim peguei a barriguêra e envinha desceno sozim com um pelego vermei na mão pra carçá a cabeça menina...esse burro me panhô pro pé e eu subí otro tanto pra riba. (Ent.02, linhas 84 e 85) Aí foi envim embora o (G...) foi e virô assim “ó torna panhá o burro nós consome ê” aí fui e peguei e falei “cê qué uma égua nele? cê me deu três burro novo por ele mais cê qué só uma égua só nele aí eu dô”. (Ent.02, linha 124) Ê pegô e encrencô comigo nesse trem eu envinha pra lá pra São José de Almeida né ê foi e entendeu de caminhá comigo. (Ent.02, linha 152) Depois eu inda fui caçá tatu...fui caçá tatu tava com uma ispingarda vinte e oito na cacunda vô caçá tatu aqui nos ( ) aí quano tô caçano tatu lá vô lá vô lá vô aí o cachorro chegô ali no arto 149 deu uma batida deu uma batida até bunita falei ô vai saí aqui aí quano eu oiei envia uma luz igual aquela lá aí ea enfeitô pro meu lado assim. (Ent.02, linha 276) Subi no artá né aí nha (R...) priguntô “uai (M...A...) quede sá (A...)? é ea que envem na frente mais (S...) pra coroá cadê ea?”. (Ent.03, linha 39) O povo sabia divertí num tinha esse garra garra o povo sabia dançá a noite interinha menina...tinha o...tinha o....o....curiango da mata envem esse aí desde pequinininha assim ó esse aí eu dancei. (Ent.03, linha 186) Eu gostava do curiango...curiango da mata envem vem matá meu bem curiango da mata envem mais só cê veno aqui era gostoso demais a gente pruveitô hoje ó tem essas bobajada. (Ent.08, linha 188) Falava que quem envinha da Lapinha pra Serra chegava nesse lugá num passava se fosse a cavalo...animal num passava...num tava passano e da Serra que viesse de lá tamém pa Lapinha que chegasse lá a sombração tava lá. (Ent.04, linha 268) Não envinha embora num tinha asfalto não. (Ent.06, linha 251) Eu envinha trazeno ela no laço e ele me deu uma viravorta assim ó que ô bati lá mais depois eu levantei sozinha...levantei e num teve nada não. (Ent.07, linha 15) Ô peguei ela no currali e envinha trazeno ele pra ‘qui ela foi e deu esse gorpe ne mim lá eu fui e tirei a força. (Ent.07, linha 20) A mais era assim ê pensava nó essa menina é depravada...quano ê envinha eu gritava assim “ó (V...) evem o minagerá cumá (V...) o minagerá evem lá a cumpá (Z...F...)”. (Ent.08, linha 19) Mamãe falava assim “ó o danado do garrote envem”...vai chegano e quebrano a cerca e passano pra dentro menina a vez mamãe marrava o bizerro na corda pro lado de dentro né o boi jugava a ceica no chão. (Ent.08, linha 26) Tinha ôns que vinha pra cá mais vinha pro cima num passava por aqui embaxo não ái quano eu envinha no ôns lá em baxo dava um sinal de pará lá em cima. (Ent.09, linha 158) Nós envem quano pensa que não um lençóli ispichadim la no mei do camim...ispichado pa ninguém passá memo...ráh mia fia nós viemo. (Ent.09, linha 311) O pai dele saíu foi lá pás venda quano foi de noite envinha com um quejo falô assim levanta pro cê cumê um pedacim do quejo mardita hora. (Ent.09, linha 486) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Envir• (n/d)• [V]• O mesmo que vir. • E daí quando nóis todo mundo ( ) nóis envinha embora, os cachorrinho da C.... envinha um grandão (Ent. 1, linhas 124 e 125) 169. FARINHA D’AMENDOIM NCf[Ssing+prep+SSing]_____________________01 ocorrência No tempo que nós tava na escola era pobreza demais num tinha merenda nessa epra não num tinha nada nós levava batata assada ôta hora farinha d’minduim...e as muié rica as fia dos rico levava quejo com marmelada. (Ent.03, linha 17) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 150 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 170. FEBRE CALATINA NCf[Ssing+SSing]______________________________02 ocorrências Porque ea vei primero né aí ês truxero ele aí um dia ê num quis embora mais e ê tinha aquea febre calatina ficava barrigudo todo inchado se ê num fica aí ê tinha murrido. (Ent.04, linha 92) Eu tinha uma menina que ea tinha tido a febre calatina e tinha um resto do reiméido...ea já tava boa e tinha um resto dum reiméido. (Ent.04, linha 93) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Escarlatína s.f Febre Escarlatina; que faz grandes manchas vermelhas, ou pintas pelo corpo. 3. Laudelino Freire: Escarlatina s.f . 2. Doença febril e contagiosa, caracterizada por manchas vermelhas e irregulares, difundidas pelo corpo. 4. Aurélio: Escarlatina [Do fr. scarlatine, latinização do fr. ant. escarlate (v. escarlate).] S. f. Med. 1. Doença infecciosa aguda, de origem estreptocócica, que incide preferentemente em criança, e que se caracteriza por febre, fenômenos inflamatórios no nariz, boca e faringe, sob a forma de exantema de pequenos pontos vermelhos, e por manifestações toxêmicas, etc. 5. Cunha: Escarlata sf. escarlatINA 1813. Do fr. scarlatine 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 171. FEJÃO MIÚDO NCm[Ssing+Adj]__________________________________02 ocorrências Cumia é fubá suado né...cumia andu...cumia andu...cumia fejão miúdo chei de bicho...cumia fubá suado sem gurdura...ô cumia...fazê o quê né? (Ent.10, linha 77) Minha mãe esse dia num foi não to panhano panhano tô panhano panhano intirtida sem jeito de cumê aquê fejão miúdo chei de bicho. (Ent.10, linha 121) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Feijão Miúdo s.m. O mesmo que fava de cavalo. Fava de Cavalo s.f. Planta da família das leguminosas, forrageira, medicinal e boa para adubação verde (Vicia faba var. minor, L.).  Sinôn.: Fava cavaleira, fava cavalina, fava da Holanda, feijão de cavalo, feijão de porco, feijão forrageiro, feijão miúdo. 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e 151 ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 172. FEJÃO MULATIM NCm[Ssing+Adj]________________________________01 ocorrência Menina mais o fejão era era fejão mulatim da bage rocha fejão tava assim de fejão...é menina mais só o fejão deu pa nós pagá as conta tudo. (Ent.03, linha 122) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Feijão Mulatinho s.m. Variedade de feijão. 4. Aurélio: Feijão Mulatinho S. m. Bot. Variedade de feijoeiro de semente clara. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 173. FÉRA Nf[Ssing]__________________________________________________02 ocorrências Meus menino tava tudo lá pa fora (I...) mesmo tava aqui de féra que ê tabaiava com taxi né tava aqui de féra. (Ent.09, linhas 89 e 90) Quano foi de tarde...chegô na casa do (Z...) chegô o fi dele que tava aí tamém de féra tamém chegô o (G...)...o (M...) e tinha mais ôto tamém com o (I...) juntô mais um tamém. (Ent.09, linha 119) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Ferias Férias, que se concedem todos os annos no mesmo tempo. Ferie slative Macrob lib.1. Saturnal. Cap.16. 2. Morais: Féria Férias: os tempos de vacações, em que não há estudos, nem exercício de alguns tribunaes 3. Laudelino Freire: Féria Férias, s.f. pl. Dias feriados em que há cessação de trabalho por prescrição religiosa ou civil.  2. Descanso, repouso, interrupção de trabalho manual ou intelectual. 4. Aurélio: Férias [Do lat. ferias.] S. f. pl. Certo número de dias consecutivos destinados ao descanso de funcionários, empregados, estudantes, etc., após um período anual ou semestral de trabalho ou atividades. 5. Cunha: Féria(s) s.f. (pl.) ‘período destinado ao descanso do trabalhador ou do estudante’ XVII. Do lat. féria. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 152 174. FIADA~AFIADA Nf [Ssing]________________________________________05 ocorrências Aí nem um pedacim assim da marmelada nem do quejo num dava pra nós e eu era afiada da mãe delas....quano foi um dia ieu falei assim ó hoje nós vão levá um mucado de farinha de minduim. (Ent.03, linha 19) Uma menina que era minha fiada mais daí se nóis num toma ea pioi que matava ea... aquí nessa baranda aqui (D...) foi cuidá dela nó ês fartô até subi nas baranda pioi na menina aí a nossa fiada né. (Ent.04, linhas 87 e 88) Coitado era muito pobrezim num cuidava dos menino dê os menino passava fome dum dava rôpa dirêcho então ê ficô aí e a ôtra é minha fiada. (Ent.04, linha 91) Eu ficava lá debaxo das cama assim...tanto que deu ieu pa cê fiada dele quano eu chegava lá ê num me achava me procurava embaxo das cama me caçá lá mas era padrim bão que eu tiva. (Ent.09, linha 424) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Afilhada, & afilhado no sacramento do Bautismo. Lustralis filia. Lustralis filius lustrali adoptione, ou Baptismi agnatione filia, filiusue. 2. Morais: Afilháda s.f. de Afilhado Afilhádo s.m. que tem parentesco espiritual com o padrinho. 3. Laudelino Freire: Afilhado s.m de a+filho+ado. O que recebe o batismo ou confirmação em relação ao padrinho ou madrinha. 4. Aurélio: Afilhada [Fem. de afilhado.] S.m.1. A mulher em relação a seu padrinho e/ou a sua madrinha. 5. Cunha: Filho-a do lat. fīlĭus fīlĭa  AfilhADO 1813. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 175. FIADERA Nf [Ssing]_____________________________________________03 ocorrências O algodão pra gente panhá ele tem que panhá ele da roça e trazê pra casa né e depois tem que discaroçá ele que eu tinha o discaroçadô tamém aí e todos usava o discaroçadô...discaroçava o gudão né aí depois bateno batia no suai assim ó usava uma espéci de bodoque era assim um arco sabe com um cordão que batia o gudão...até ê ficá bunitão depois de discaroçado aí agora ia pá roda depois dele discaroçado então aí ia pá fiadera tirava pá fiá ôto ia fiá e ia. (Ent.04, linha 07) A fiadera era a roda aí antão cê ia com o gudão pra roda mais se eu fô contá a históra é muito compricado. (Ent.04, linha 11) A roda tem o fuso cê tem que colocá a linha ali e agora foncioná a roda então agora a fiadera vem e vem sortano o gudão assim e fiano a linha e a roda ia puxano ia enrolano a linha toda lá...sabe...a roda mesmo. (Ent.04, linha 13) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: 153 Fi.and.eira FÍO Fio fiAND.EIRA XVI 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 176. FIAR [V]________________________________________________________05 ocorrências Batia no suai assim ó usava uma espéci de bodoque era assim um arco sabe com um cordão que batia o gudão...até ê ficá bunitão depois de discaroçado aí agora ia pá roda depois dele discaroçado então aí ia pá fiadera tirava pá fiá ôto ia fiá e ia. (Ent.04, linha 07) Fazia o fuso a roda embaxo aí tinha que fazê uma vara desse tamãim assim ó do tamãim que queira o menó ô maió e pa i fiano o gudão né ali cê cumeçava a linha ali e trucia ê ia penerano lá ( ) cê puxano a linha cá e ê rodano lá...no fuso isso é fiano na mão...isso é fiano na mão agora na roda é diferente. (Ent.04, linhas 21e 22) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Fiar linho. Reduzilo a linhas, estendendo-o, & torcendo o fuso. Huma das occupaçoens, próprias da molher. 2. Morais: Fiár v.at. Reduzir a fio, puxando, estendendo, e torcendo as fibras: v.g. fiar linho, lã, algodão. 3. Laudelino Freire: Fiar v.r.v. Lat. filare. Reduzir a fios (as febras ou filamentos das matérias têxteis) (tr. dir.) : “Ela, ao fogão, fiava lã purpúrea entre as servas” (Odorico Mendes) 4. Aurélio: Fiar¹ [Do lat. filare.] V. t. d. Reduzir a fio (substâncias filamentosas): "tirara um fuso da cintura, e .... começara a fiar as pastas de algodão que estavam dentro de uma cabaça" (José de Alencar, O Sertanejo, p. 102); fiar algodão. 5. Cunha: Fi.and.eira, -eiro, fiapo, fiar¹ FÍO Fio fiar¹ XVI. Do lat. filāre. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 177. FIRRUJAR [V]__________________________________________________01 ocorrências A quano eu fui pra lá ea falava “ô (M...) essa bacia é no tempo que nós num tinha chuvero nós tomava bãim era nessa bacia” e a dela era boa menina de cobe num firrujava né...boa memo ela deve tá lá até hoje. (Ent.06, linha 320) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Enferrujar Causar ferrujem. 2. Morais: Enferrujár v.at. Fazer criar ferrugem: v.g. os áciodos enferrujão o ferro. 3. Laudelino Freire: Enferrujar v.r.v. De em+ferrugem+ar. Criar ferrugem; encher-se de ferrugem (intr.; pr.): “O aço 154 enferrujou”. 4. Aurélio: Enferrujar [De en-² + ferrugem + -ar².] V. t. d. 1. Fazer criar ferrugem; oxidar: A umidade enferruja certos metais. 5. Cunha: Em.ferruj.ado, -ar FERRO Ferro ENferrUJ.AR 1883 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 178. FISGAR [V]______________________________________________________01 ocorrência Deu uma batida até bunita falei ô vai saí aqui aí quano eu oiei envia uma luz igual aquela lá aí ea enfeitô pro meu lado assim ea fisgô ne mim ondé que ea tava e evem. (Ent.02, linha 277) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Fisgár v.at. Fig. Ver coisa que se esconda. 3. Laudelino Freire: Fisgar v.tr.dir. 4. Apanhar rapidamente; perceber no ar (tr.dir.): “Fisgar notícias, fisgar intenções.” 4. Aurélio: Fisgar [Do lat. vulg. *fixicare < lat. fixus, part. pass. de figere, 'cravar'.] V. t. d. 3. Tocar, alcançar, atingir, rapidamente: "A unha do tatu, fisgando-lhe a munheca, entrara-lhe rápida na palma da mão" (Herberto Sales, Histórias Ordinárias, p. 170). 5. Cunha: Fisgar vb. ‘prender, apanhar com rapidez’ XVI. Do lat. *fixicare, de fixus, part. de figěre, ‘cravar’. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 179. FOICE Nf[Ssing]_________________________________________________21 ocorrências Menino duente daquele jeito daquele tamãim ficô em pé perto de mim assim e preguntô “e eu seu (J...) o que cô vô fazê?” ah nêga tinha um coquêro grande assim na porta do rancho eu falei “ah nêgo cê vai derrobá esse coquero pra mim”...ê disse “cadê a foice?” e eu levei uma fuicinha pra cortá cana. (Ent.04, linhas 106 e 107) Né aí ê foi falei “tá ali nego”...ê saiu caladim assim passô a mão na foice e foi pra lá pra perto do coquêro. (Ent.04, linha 108) Ê pegô e deu uma foiçada no pé do coquêro levantô a foice deu ôtra foiçada em ante de enterá a tercêra eu falei “o nêgo vem cá cê num vai fazê nada não cê vai ficá vigiano é (D...) aqui ó”. (Ent.04, linha 109) Passô a mão na fuicinha pra cortá o coquêro o sirviço dele era esse né cortá...mais esse era um menino bão que eu tive aqui e hoje graças a deus o menino hoje tá bem...bem hoje viu que ele merece mesmo viu. (Ent.04, linha 115) Eu tinha uma fuicinha...eu comprei uma fuicinha nova molei...vazadinha...tava vazadinha moladinhazinha e com um cabo desse tamãim assim ó aí (D...) falô leva essa foice que eu tava tão aflito que tava com a mão abanano trôsse a fuicinha. (Ent.04, linha 158) 155 Aí falei então se é de guizo tá faci uai ô já tinha retirado ês com a foice assim ô tava com a foicinha toquei ês assim ês enconstô tudo debaxo duma engenhoca. (Ent.04, linha 168) Quano eu dei pro lado dês ês correu tudo pro lado da casa e batia o guizo que daqui iscutava os menino que tava tudo aqui iscutô... foi drimmmm e eu atrás...passava a foice nês assim passava no vento. (Ent.04, linha 172) Fui berano a parede berano a parede berano a parede assim e midi a foice na cabeça dele assim aí TÁ ah menina mais bateu numa péda. (Ent.04, linha 184) Nessa hora é que o cumpá (C...) chegô aí ea falô “cumpade aí um trem aí ó”...ieu la ia matano o cumpá (C...) uai ((risos)) lá ia sentano a foice na cabeça dele uai. (Ent.04, linha 193) Se ê num fala menina...tinha cumido a foice nele mais ia batê pra matá. (Ent.04, linha 197) Fui entrá dent’ de casa oiei falei a iscangaiei a foice aquea foice moladinhazinha vazadinhazinha ô tinha comprado na ( ) tava até...essas fuicinha pequena de cortá cana. (Ent.04, linha 205) A foice tava no/ num enconstô em nada dessa vida tava moladinha do jeito...do memo jeito que ea tava...ô tem essa fuicinha até hoje num bateu em nada. (Ent.04, linha 206) Ê passô a mão na cartuchera do irmão dele eu passei a mão na foice foi os dois bobo pa lá. (Ent.09, linha 99) Uai a coiêta cê cortava o arrozi na foice marrava o feche ... o feche de arrozi... aí cê faz o terrero GRANDI GRANDI mesmo aí cê faz o pião. (Ent.04, linha 31) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Fouce. Instrumento de ferro, de folha delgada, & quase circular, com dentes miúdos, & ponta no cabo. Serve de segar os paens, cortar erva, feno, &c. 2. Morais: Fòuce. s.f. Instrumento curvo de ferro com córte, ou com córte de serra; a primeira se diz fouce roçadoura, tem alvado que se embebe em seu cabo; a segunda é de segar pães, tem espiga que se enxere no cabo. 3. Laudelino Freire: Foice. s.f. Lat. falx; flacem. Instrumento curvo para cortar erva nos prados, pastagens, cereais, etc. 4. Aurélio: Foice. [Var. de fouce < lat. falce.] Substantivo feminino. 1.Instrumento curvo para ceifar. 5. Cunha: Foice. Sm. ‘instrumento curvo para ceifar’/fouce XIII, ffoiçe XIV/Do lat. falx –cis. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Foice• (A)• Nf [Ssing]• Lat.• Instrumento curvo usado para ceifar.• Naquela época usava/ as pessoa/ os homi ia roçá pasto, usava foice. Ia capiná, usava inxada. Ia torá mato, usava serrote. Serra, né? (Ent. 10, linha 354) 180. FONCIONAR [V]________________________________________________05 ocorrências A fiadera era a roda aí antão cê ia com o gudão pra roda mais se eu fô contá a históra é muito compricado sabe aí tem que levá pra roda e a roda tem o fuso cê tem que colocá a linha ali e agora foncioná a roda. (Ent.04, linha 13) Papai morô lá uns tempo quano papai morô lá já num foncionava mais mais antes lá tinha engem de fazê rapadura muê cana fazê cachaça. (Ent.04, linha 231) Nessa época já tava tudo acabado as roda d’água aquea roda de muê cana já tava tudo aterrada por baxo...tinha a roda tacho tava tudo lá...de noite engem muía ratava tacho pra...tudo isso...tava foncionano. (Ent.04, linha 234) PESQ.: uai então tava desativado e quando era de noite o engenho e tudo funcionava?INF.: foncionava...foncionano tudo. (Ent.04, linha 236) 156 ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Funcionar, ou Funccionar v.intr. Lat. functio; functionem+ar. Estar em exercício; exercer as funções de algum cargo ou emprego: “Havia duas horas que funcionava o conselho secreto na casa indicada” (Rebêlo da Silva). 4. Aurélio: Funcionar [De função + -ar², seg. o padrão erudito; fr. fonctionner.] V. int. 1. Mover-se bem e com regularidade; realizar os seus movimentos; trabalhar: "libertou da gaveta da cômoda o relógio dourado, que botou para funcionar." (Edilberto Coutinho, Onda Boiadeira, p. 93). 5. Cunha: Funcion-al, -alidade, -alismo, -amento, -ar, -ário FUNÇÃO Função funcionAR  funccion- 1858  Do fr. fonctionnaire. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 181. FORNÁIA Nf[Ssing]______________________________________________16 ocorrências Já começa assim deus pai me cunfessa...é o nome da oração né...e...no ela rezá pra deitá...tava ino deitá falava “agora nós vai deitá os menino tudo já deito já drumiu nóis vai drumi tamém” ea já tinha rezado a oração dela...e sentada na boca da fornáia num cepozim assim lá no cantim. (Ent.01, linha 311) O aterro do fugão dela era grande...os menino deitava ( )de brinquedo na boca da fornaia é num gostava com medo de pegá fogo na rôpa. (Ent.01, linha 312) O menino saía da boca da fornaia menina mais com uma raiva saía da boca da fornaia porque tinha uns boi...no pasto que nós passava tinha um boi um garrote danado. (Ent.03, linha 141) Deu a noite e tali...aí os menino deu sono (D...) arrumô as cama pra ês lá perto de nós la na cuzinha mesmo que era só treis mesmo...aí tamo lá contano caso na boca da fornáia. (Ent.04, linha 346) Sentô na boca da fornáia contano históra...e os menino tava durmino...já era mais ô meno umas nove dez hora. (Ent.04, linha 350) Oiava debaxo da fornáia aquês trem véi tudo que tinha aqueas bagacera véia dento da fornáia de cuzinhá garapa. (Ent.04, linha 363) Tinha o jeito de cuzinhá né a fornáia...fornáia não era um trem pindurado assim ó que ês cuzinhava. (Ent.07, linha 281) Eu e cumá (D...) discia o murrim pra lá chegava lá ê mandava botá fogo na fornaia nós botava fogo ê botava panelão lá pa í...judá ê carregá garapa do cocho. (Ent.08, linha 103) Seu avô fazia muita cachaça divera...rapadura mia fia é só muê a cana põe no tacho...bota fogo na fornaia...dexa quano ea dá aquea iscuma grossa assim cê panha. (Ent.09, linha 174) (T...C...) tinha uma casa e tinha a fornáia lembo da fornáia dele a fornáia dele...boca dele era pa dento do córgo assim. (Ent.09, linha 365 e 366) Ê guardava o dinhêro era no aterro da fornáia sabe? ê fez um negóço igual forno pa botá o forno pro baxo e iscondia dinhêro lá dento punha o dinhêro lá tinha lambique tinha tudo cuntuá era home forte escondeu dinhêro morreu quano os menino foi oiá cê viu foi cinza...foi embora tudo virô cinza. (Ent.11, linha 274) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Fornax, acis. Fem. Cic. Caminus, i. Mac. Virgil. 157 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Fornalha [Do lat. fornacula.] S. f. 1. Forno grande. 5. Cunha: Forn-ada, -alha FORNO Forno fornALHA XIV. Do lat. fornācula. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 182. FRAGELO Nm[Ssing]_____________________________________________01 ocorrência Eu quano era mais novo tava casado de pôcos mês tava ( ) assim aí eu peguei e...falei com (M...) ó eu vô pegá um burro lá embaxo na Laje...a (M...) disse “ó lá vai caçá fragelo”...falei “não”. (Ent.02, linha 72) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Flagello Açoute, no sentido figurado. Vid. Açoute. 2. Morais: Flagéllo s.m. Açoute; usa-se no fig. 3. Laudelino Freire: Flagelo, ou Flagello s.m. Lat. flagellum. 3. Castigo, tortura. 4. Aurélio: Flagelo¹ [Do lat. flagellu.] S. m. 1. Desgraça, adversidade. 5. Cunha: Flagelo sm. ‘(fig) calamidade, castigo, tortura’  flagello XIV.  Do lat. flagellum –i. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 183. FRESCÃO [Adj]__________________________________________________01 ocorrência Tempestada menina e lá era bêra de linha de trem de ferro menina é serra e quano dá um istrondo cê pensa que tá abalano tudo cê pensa que tá passano um furacão no terreno aí a parede caiu...caiu dois pé de coquêro aquê cuquirinho e um pé de laranja menina tudo nôto dia amanheceu de banda e o (T...) frescão lá em Belorizonte. (Ent.06, linha 340) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Fresco Não cansado. Que teve tempo para descansar 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Fresco adj. Ant. Al. frisc. 6. Folgado, poupado, que ainda se não fatigou, que não está cansado. 4. Aurélio: Fresco¹ (ê). [Do germ. frisk.] Adj. 9. Que ainda não se cansou; em boa disposição. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e 158 ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 184. FREVER [V]____________________________________________________09 ocorrências Burro num deu ponto d’eu laçá ele ê passô eu fui e peguei montei no animal que eu tava e freví atrás dele no mei do mato. (Ent.02, linha 75) Gritei “o (C...B...)” a ti (R...) era surda aí o cachorro freveu lati aí ti (R...) veio...“o quê nego?” rastano a manguara ainda... “o quê nego que que foi?” (Ent.02, linha 211) Quano foi de nôte...nós freveu na festa tava um trem doido ((risos))mais o trem tava bão demais. (Ent.04, linha 259) Tirei o fósfo lumiei assim ó tava aquê cuê de bicho pro chão fora...formiga tava assim ó cabiçuda...freveno pro chão fora assim. (Ent.04, linha 294) Guardava a cumida dela diariamente...ea num é nada meu não ela é/é parente lá da famía do meu marido lá na Serra né...mas ea chegava na Serra as muié da Serra mandava os menino frevê nea de pedrada. (Ent.09, linha 68) Seu avô fazia muita cachaça divera...rapadura mia fia é só muê a cana põe no tacho...bota fogo na fornaia...dexa quano ea dá aquea iscuma grossa assim cê panha e iscuma tudo e depois cê dexa...ali ea vai freveno...vai freveno quano ea vai subino. (Ent.09, linha 175) Depois tinha os concorrente do difunto lá um falava “ah o cara era bão” o ôto “ah ê num valia nada” aí frevia brigá. (Ent.09, linha 338) Aí cê tem que jueiá ... era ... num era dois pessoa não era umas dez pessoa ao redó do ... aí ia sacudino ... sacudino o arroz o arroz ia desceno ... ( ) a paia pum lado e muntuava quano cê muntuava ê ... a ( ) de arroz ficava da artura dess’ teiado ó ai deixava as muié frevê. (Ent.11, linha 50) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Ferver estar em grande agitação, trabalho ou ação. 3. Laudelino Freire: Ferver v.r.v. Lat. fervere. 12. Concorrer em grande número; amontoar-se, aglomerar-se (intr.): “tocam a arma, feve a gente, as lanças e arcos tomam, tubas soam” (Camões). 4. Aurélio: Ferver: [Do lat. fervere.] V. int.7. Excitar-se, inflamar-se, exaltar-se, espumar, fervilhar: No comício, a multidão fervia. 10. Animar-se, estimular-se, excitar-se: A discussão fervia. 5. Cunha: Ferver vb. ‘agitar-se, excitar-se, exaltar-se’ XIII. Do lat. fervēre. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 185. FUBÁ SUADO NCm[Ssing+Adj]____________________________________03 ocorrências Teve uma casião que eu passei dois mês cumeno...angú com café fubá suado farinha...trabaiano de picá lenha pá podê fazê carvão pá podê pagá a diva. (Ent.05, linha 49) É fubá suado né...cumia andu...cumia andu...cumia fejão miúdo chei de bicho...cumia fubá suado sem gurdura...ô cumia...fazê o quê né? (Ent.10, linha 77) ________________________________________________________________________________ 159 Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Fubá: [Do quimb. fuba, com hiperbibasmo.] S. m.1. Bras. Farinha de milho ou de arroz. [Há o fubá grosso e o fino, a que chamam mimoso. No N.E. do Brasil pronuncia-se também (com rigor etimológico) fuba (parox.), pronúncia esta que parece ser a única nas antigas províncias ultramarinas portuguesas.] 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: Fubá s. m. - farinha de arroz ou de milho cru, com que se fazem várias papas, bolos e outras confecções culinárias. | É t. afric. (B.-R.). ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Fubá: • (A) • Nm [Ssing] • Afr. • Farinha de milho usada para fazer mingau ou angu. • Aí mandô pô aquê angu de fubá de munho nas costa. Eu tenho o sinale até hoje, quemado, a mancha. ... Angu de fubá de munho nas costa. (Ent. 2, linhas 74 e 77) 186. FUGARERO Nm[Ssing]____________________________________________01 ocorrência Faz fuganzim arto quem qué fazê faz um giralzim a cumá (F...) fazia num giralzim agora ela leva fugarero né ea comprô um trenzim ea leva...agora banho num paga nada não mais no cumeço buscava água no reberão. (Ent.06, linha 287) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Fogareiro instrumento de cozinha, para brazas, com que se guiza, ou se requenta o comer. 2. Morais: Fogareiro s.m. Vaso de barro, cobre ou ferro em que se accende lume em brazas. 3. Laudelino Freire: Fogareiro s.m. do lat. *focarium. Utensílio portátil de barro ou ferro, com fornalha, para cozinhar ou para aquecer. 4. Aurélio: Fogareiro [Do ant. fogar, 'casa', 'fogo', 'lar' (lat. tard. [ petra] focaris), + -eiro.] S. m. 1. Pequeno fogão portátil, de barro ou de ferro, para cozinhar ou para aquecer. 5. Cunha: Fogo sm. fogAR.EIRO XVI. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 187. FUMO Nm[Ssing]________________________________________________02 ocorrências O povo lá num bebia só minha vó que gostava só ela mas o resto num bibia não ea dexô herança pramim ((risos))...ea bibia e ariava né...ariava dente com fumo cê sabe né? (Ent.11, linha 225) Eu prendi fumá foi com esse danado desse fumo ea ariava o dente e jugava fora aquê bagaço...ô pegava ê dexava /punha lá dexava secá e fazia cigarro pitava pitava aprendi. (Ent.11, linha 226) ________________________________________________________________________________ 160 Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Fumo s.m. Lat. fumus. 7. Tabaco preparado para se fumar. 4. Aurélio: Fumo¹ [Do lat. fumu.] S. m. 1. Tabaco para fumar; tabaco. [Sin., bras., nesta acepç.: petum, petume, petema, petima, pitura.] 5. Cunha: Fumo sm. ‘tabaco’ XIII. Do lat. fūmŭs –i. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 188. FURQUIA Nf[Ssing]_______________________________________________01 ocorrência Num existia arame não e cerca de tisôra...a cerca de tisôra é o seguinte...aí ês bate as furquia aqui...e ôta aqui e põe o varão. (Ent.04, linha 424) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Forquilha. He hum páo de três pontas, que serve de tirar a palha mais miúda do trigo, despois de tirada a grossa, lançando na Eira a palha no ar. 2. Morais: Forquilha. s.f. Páo com três pontas de apartar herva miúda na eira, e lançá-la ao vento, para a separa do trigo. 3. Laudelino Freire: Forquilha. s.f. Lat. furcilla. Forcado com três hastes agudas, com que se remexe a palha e o mato nos estabelecimentos agrícolas; garfo. 4. Aurélio: Forquilha.[Do esp. horquilla.] Substantivo feminino. 1.Pequeno forcado de três pontas. 2.Vara bifurcada na qual descansa o braço do andor; descanso. 3.Pau ou tronco bifurcado; forqueta. 5. Cunha: Forquilha. 1813‖, Esp. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Furquia • (A) • Nf [Ssing] • Esp. • Pequeno pedaço de madeira de três pontas. • É, estaleiro. Acho que era num barranco. E punha umas furquia, sei lá. (Ent. 1, linha 643) 161 189. FUSO Nm[Ssing]_________________________________________________06 ocorrências Era a roda aí antão cê ia com o gudão pra roda mais se eu fô contá a históra é muito compricado sabe aí tem que levá pra roda e a roda tem o fuso cê tem que colocá a linha ali e agora foncioná a roda então agora a fiadera vem e vem sortano o gudão assim e fiano. (Ent.04, linha 12) Fuso eu tenho um fuso aí que eu fiz pôco tempo pra mim mesmo fazê uma linha fazê um cordão que eu num tinha mais minhas linha cabô tudo. (Ent.04, linha 16) Até de caco de cuia ês fazia o fuso a roda embaxo aí tinha que fazê uma vara desse tamãim assim ó do tamãim que queira ô menó ô maió e pá i fiano o gudão né ali cê cumeçava a linha ali e trucia ê ia penerano. (Ent.04, linha 20) Cê puxano a linha cá e ê rodano lá...no fuso isso é fiano na mão...isso é fiano na mão agora na roda é diferente. (Ent.04, linha 22) Tinha um fuso lá na roda agora depois da linha tá cheia mesmo pudia sinhora parava a roda...parava a roda e agora aí enrolá aquela roda toda e fazê aquês nuvelo es falava uma libra...uma libra um nuvelo desse tamãim assim. (Ent.04, linha 31) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Fuso de torcer linhas. “He hum fuso mais grosso em cima, que em baixo, & em cima tem huma rodinha, & na ponta do fuso, que vay por cima da rodinha, tem hum ganchosinho de ferro, ou arame, onde se prendem as linhas, para naõ escaparem, & se torcerem.” 2. Morais: Fuso. “sm. Peça de páo roliça grossa na base, que vem afinando-se, e adelgaçando-se para cima. Alguns tem uma ponta de ferro com corte espiral até a ponta, e outros cabecinha nella. Deste instrumento usão as mulheres para torcer o fio, que fião, e enrolá-lo nelle até fazer certa grossura. O fuso de torcer linha, é mais grosso em cima onde tem uma roda, e sobre ella um ganchinho, onde se prende a linha.” 3. Laudelino Freire: Fuso. ‘s.m. Lat. fusus. Peça de pau roliça que vai adelgaçando para uma das extremidades a ponto de acabar quase em bico, e que serve para fiar e enrolar o fio até formar a maçaroca.” 4. Aurélio: Fuso. “[Do lat. fusu.] S. m. 1. Instrumento roliço sobre o qual se forma, ao fiar, a maçaroca: “Ela dando alguns passos, ... com a sua roca, e fiando, com os dedos tão trêmulos, que o fuso lhe caía na relva.” (Eça de Queirós, Últimas páginas, p.376). [Aum.: fuseira.]” 5. Cunha: Fuso. “sm. ‘instrumento roliço sobre que se forma a maçaroca ao fiar’, séc. XV. Do lat. fusus, -i.” 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: Fuso (A) s. Instrumento de madeira, roliço, onde se torce o fio até o mesmo atingir a grossura desejada. “... mamãe punha uma linha... enfiou no fuso / que eu (pus pé num fuso)... eu quero mandar fazer um fuso assim pra mim...” (Entr.6, linha 316) 2. Ribeiro: n/e 190. GALOPADA Nf[Ssing]____________________________________________03 ocorrências Quano ele de lá viu nóisi ê largô lá a sacola de trem largô tudo e juntô de galopada foi po lado do Jatobá foi rudiô lá por detrás foi isperá o ôns lá no camim do Cardoso. (Ent.09, linha 124) Ieu num alembrei mia fia vim simbora...d’cunjuro até...de galopada até pra cima...de galopada saí no campo vim correno quano eu cheguei cá mais em cima mia fia...deu embaxo dum pau santo lá um inchadão dele pindurado lá no pau santo aí que o medo cabô de trepá. (Ent.09, linha 126) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 162 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Galopado p.p. de galopar. Andado de galope. 3. Laudelino Freire: Galopada s.f. 2. Percurso efetuado a galope sem interrupção. 4. Aurélio: Galopada [De galopar + -ada¹.] S. f. 1. Corrida a galope: "guapos e emplumados cavaleiros em grande galopada de altivo e marcial arranque" (Ramalho Ortigão, Arte Portuguesa, II, p. 175). 5. Cunha: Galope sm. galopADA 1844. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 191. GAMELA Nf[Ssing]______________________________________________05 ocorrências No torcê a massa aquela água vai...o purví vai assentano ô numa gamela ô no tacho que parô ea o pruví vai assentano...no fundo. (Ent.01, linha 156) Ô menina todo mundo tinha a bacia o rico...o mais que pudia tê cobe pra comprá ela nóis era gamela e a gamela era de tomá bãim quano chegava vizita tinha até veigonha de pô pro povo lavá pé. (Ent.06, linha 309) Mamãe comprô uma cumprida é pa enchê d’água na epra num tinha banhêra né incarriava todo mundo os menino na gamela ea era como daqui lá ó ês fizero mesmo de propósito. (Ent.06, linha 313) Cumpá (E...) que comprô essas gamela falô “o cumpade (P...) leva lá pros seus menino tomá...lavá pé e tomá bãim” aí quano era de noite mamãe ichia ea de água morna todo mundo encarriava. (Ent.06, linha 314) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Gamella. “Vaso de pao concavo, ou tronco vasado, comprido em que comem os porcos. // gamella também he outro vaso de pao cavado em redondo, largo, & pouco fundo, em que as molheres costumaõ trazer maõs de carneiro.” 2. Morais: Gamella. “s.f. Vaso de páo como alguidar, ou côncavo por igual em redondo para banhos, ou lavar o corpo; para dar de beber as bestas, &c.” 3. Laudelino Freire: Gamella. “s.f. Lat. camella. Vasilha em forma de tigela muito grande ou alguidar, ordinariamente de madeira, em que se dá a comer aos porcos e outros animais, e serve também para banhos, lavagens e outros fins.” 4. Aurélio: Gamela². gamela² [Do lat. vulg. *gamella, cláss. camella, 'certo vaso de madeira'.] S.f. 1. Vasilha de madeira ou de barro, com a forma de alguidar ou de escudela grande, us. para lavagem (4) e/ou para dar comida aos animais domésticos. 5. Cunha: Gamela. “sf. ‗espécie de alguidar feito de madeira” XIII. Do lat. camella, dimin. de caměra “vaso para beber” 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: Gamela (A) s. Utensílio, geralmente de madeira ou barro, em forma de tigela, usado para lavar 163 alimentos ou mesmo para servi-los. "( ) lá na parambeira / o machado tenho / pra cortar madeira / pra fazer gamela pra vender na feira / pra comprar sapato pra dançar rancheira...” (Entr.6, linha 136) 2. Ribeiro: Gamela • (A) • Nf [Ssing] • Lat. • Utensílio, geralmente de madeira ou barro, em forma de tigela, usado para lavar alimentos ou mesmo para servi-los. • PESQ.: Cortava a árvore? INF. 2: Fazia uma gamela lá. (Ent. 1, linha 419) 192. GANHAR DIA~GANHAR UM DIA Fras[V+Ssing]/ [V+art+Ssing]________04 ocorrências Arrumô a roça quas todo prantô... ah mia fia mais quano nós foi...foi ganhá dia...era pa muié ...eu...era dois dia pra ganhá um dia dum home...dois dia pa ganhá um dia dum home...que um home ganhava dois mirreis e a muié ganhava um. (Ent. 03, linhas 113 e 114) Tinha uma (M...C...) que morava com nós tamém aí nós foi ganhá dia era home prum lado nós por ôto aí quano foi no dia da capina menina nóis prantemo. (Ent. 03, linha 116) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 193. GARAPA Nf[Ssing]_______________________________________________05 ocorrências Oiava debaxo da fornáia aquês trem véi tudo que tinha aqueas bagacera véia dento da fornáia de cuzinhá garapa aquês trem véi tudo. (Ent. 04, linha 362) Nós botava fogo ê botava panelão lá pa í...judá ê carregá garapa do cocho eu e cumá (D...) nós carregava iscuma botava a garapa pra fervê aí ê falava “bota o fogo mais num aperta muito não se fervê gumita”. (Ent. 08, linha 104) Aí nos prendeu...ah é o azidume da garapa é que sobe no capelo e vira aquea aguinha branquinha...é pinga. (Ent. 04, linha 107) Ea fica branquinhazinha ‘inda mais se pô no soli quente assim dexa ea secá fica crarinhazinha aquilo dá uma garapa mia fia mas só veno. (Ent. 09, linha 191) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Garapa. s.f. Bebida feita de calda, ou melaço com água, e limão no Brasil. 3. Laudelino Freire: Garapa. s.f. Bebida refrigerante que se extrai da cana de açúcar. 138 4. Aurélio: Garapa. [Der. regress. do esp. garapiña < esp. garapiñar, ‗solidificar um líquido, de modo a formar grumos‘.] S.f. Bras. 1.Bebida refrigerante, de mel ou de açúcar com água, a que algumas vezes se adicionam gotas de limão; jacuba. 5. Cunha: Garapa. sf. “Bebida formada pela mistura de mel ou açúcar com água” “o caldo de cana” XVI. De origem controversa. Em 1638, em carta escrita da Bahia, lê-se: “Vinho de assucar[aguardente de 164 cana-de-açúcar] a q cá chamão garapa[...]”. 6. Amadeu Amaral: Garapa, Guarapa. s. f. - caldo de cana de açúcar. | É t. também corrente no Norte do Br., com ligeiras variantes. Parece que a ideia central é a de bebida melosa. Em Angola, seg. Capelo e Ivens, citados por B. - R., designa uma espécie de cerveja de milho e outras gramíneas. O fato de ser o t. conhecido há séculos no Br., e também na África, parece indicar que é de importação lusitana. Talvez originado do fr. grappe, ou do it. grappa. Garcia, seguindo a B. Caetano, dá-lhe étimo tupi- guarani. ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Garapa • (A) • Nf [Ssing] • Cont. • Bebida proveniente da cana-de-açúcar. • Chegava de madrugada ( ) ficava pono o cavalo no ingenho, um punha a cana e o oto tocava o cavalo. Chegava manhecia o dia aquela caxa grande cheia de garapa. Punha nas caxa e ia apurá‖ (Ent. 5, linha 320) 194. GARRAR [V]____________________________________________________05 ocorrências INF. 02: Rapei e vim bora...cheguei aqui eu priguntei quem é que morava aqui.INF. 01:: Garrô foi chutá a porta. (Ent. 02, linha 268) Santo Antôni fazia os casamento quano a muié garrava a ganhá os menino e num queria mais os menino porque o trem era difícil né...levava de dava São Vicente pra criá...Santo Antônio fazia o casamento São Vicente ia criá os menino. (Ent. 03, linha 08) Nós sentô na boca da fornaia contano históra...e os menino tava durmino...já era mais ô meno umas nove dez hora...garrô a gemedêra lá fora...mais gimia e todo jeito tava de fazê medo memo...cê sabe aquele gimido terno que pessoa quano tá muito ruim dá. (Ent. 04, linha 350) Quano eu entrava dent’ de casa que iscuricia lá fora garrava gemê de novo. (Ent. 04, linha 355) Quano eu chegava lá ê num me achava me procurava embaxo das cama me caçá lá mas era padrim bão que eu tiva mia fia né depois garrô ê quiria me tomá mia fia mas ô sô boba. (Ent. 09, linha 425) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: Agarrar. De um célt. *garra, XVI. 6. Amadeu Amaral: Garrá(R), agarrar. v. t. - principiar;- tomar (uma direção, um caminho); entrar, enveredar: ―... garrei o mato porque num gosto munto de guerreá...‖ (C. P.) - ―I nóis ia rezano, e Sinhá, no meio da reza, garrava chingá nóis...‖ (C. P.) ―I tudo in roda daquêle garrava gritá...‖ (C. P.) - ―Garrei magrecê de fome, mais a minha pió agonia era a sodade‖. (C. P.) - ―Se o negro garrá cum choradêra, botem pauzinho no uvido pra não uvi, u tampem a boca dêle...‖ (C. P.) - ―Num garrecum molação cumigo!‖ (C. P.). ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Garrar • (n/A) • [V] • Celt. • Principiar, começar, iniciar alguma coisa. • Garrá diante da inxada, hein? (Ent. 15, linha 786) 165 195. GARROTE Nm[Ssing]____________________________________________06 ocorrências Tinha uns boi...no pasto que nós passava tinha um boi um garrote danado que pôs eu em riba do pau uma vez mais (R...) (Ent. 03, linha 142) Tô veno um trem iscuro era um garrote do...acho que é do (A...B...) eh mia fia eu num pudia vortá pra entrá no (P...B...) ai num achava nem a portêra nem o cochete da casa do ti (T...)...iscuro mia fia aí deus ajudô que o boi foi desceno pra baxo e zuni cheguei. (Ent. 06, linha 363) O nhô (C...) tinha um garrote quano ê precebia que as vaca la do...pra cima de casa vaca que tava no viço lá né o boi fazia assim vuvutibufu...vuvutibufu mamãe falava assim “ó o danado do garrote envem”...vai chegano e quebrano a cerca e passano pra dentro. (Ent. 08, linhas 24 e 25) Quano o cumpá (Z...F...) chegava lá ea falava assim “ah o garrote de nhô (C...) evem...(V...) o garrote de nhô (C...) evem”. (Ent. 08, linha 29) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Garrote. s.m. De garrão. Diz-se do bezerro que completou um ano de idade. 4. Aurélio: Garrote .[Do fr. garrot (< provenç. garrot), poss.] Substantivo masculino. 1.Bezerro de dois a quatro anos de idade. [Fem. (bras.): garrota (q. v.).] 5. Cunha: Garrote². sm. “novilho” XX. Do fr. garrot. 6. Amadeu Amaral: Garrote. s. m. - bezerro novo. ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Garrote • (A) • Nm [Ssing] • Fr. • Bezerro de dois a quatro anos de idade. • E ê era assim gambilero. Gambilero é gente que comprava garrote, boi, porco, breganhava, vindia, comprava. (Ent. 8, linha 5) 196. GARRUCHA Nf[Ssing]____________________________________________03 ocorrências A lua tava inguali um dia tô ovino lá um tum tum passei a mão na garrucha aí eu abri a porta num buraco assim eu entupia um buraco assim com um trem branco que ficava pareceno um barro aí eu oiei assim falei “é um home que tá ali eu num posso atirá não”. (Ent. 02, linha 10) O home dela...ê era mei bravo né...quano ea via que a sala tava chei de gente ê chegava tonto...espaiava nós tudo...nós tudo tinha que corrê com a garrucha no mei de nós nós ia ficá queto? (Ent. 11, linha 105) Bebo com garrucha na mão num é? aí eu falei ó num vô vortá mais não e num vortei mais ‘té hoje...tive no Cipó uns tempo lá na...naquele trem mais a gente ia na escola tonto...cê num aprende é bosta. (Ent. 11, linha 114) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Garrucha s.f. Pistola grande: “andava armado de faca e garrucha” (Afrânio Peixoto). 4. Aurélio: Garrucha [Do esp. garrucha.] S. f. 1. Bras. Pistola de carregar pela boca. [Sin., pop., nesta acepç.: combléia, perereca (bras.) e cu-de-boi (bras., BA).] 5. Cunha: 166 Garrucha sf. ‘pistola de carregar pela boca’ XX. Do cast. garrucha. 6. Amadeu Amaral: Garrucha, s. f. espécie de pistola de cano longo: "Cheguei lá, inzaminei a casa, botei a garrucha in baxo do travessero... (C. P.). | É t. usual em todo o Br. Existem na língua garrucha e garruncha, com outras e várias significações. ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 197. GASTAR [V]____________________________________________________10 ocorrências Eu ói lá na hora que...custuma na hora que ê tá bão o ôto cá tá melado tamém...aí ê fala assim...fala ó num gasta tirá o coco não. (Ent. 01, linha 55) Eu sô de mil novecentos e trinta e treis...num gasta nem oiá documento ((risos)) tem a minha cirtidão de casamento tem a data que eu nasci e tudo mas num pricisa. (Ent. 01, linha 189) Se panhasse o dinhêro desse sirviço tudo que eu já fiz num gastava nem posentá ((risos)) tava rica...tava rica que nem precisava nem posentá. (Ent. 01, linha 250) É só a gente tê fé e a cabeça...a ideia boa pra podê aprendê...né...de primero...até hoje eu sei uma oração...de...confissão...rezô ela tá confessado...num gasta ir no padre pra confessá não. (Ent. 01, linha 298) É só pesá uma cuberta que sabia quantos quilo que gasta pra fazê uma cuberta. (Ent. 04 linha 298) Vai na tisôra que era as vara mais fina assim e incruzava com a ôta assim e ia assim com ôto lá e lá...aí vem com ôto pau e põe aí em cima...e num gasta nada e lá dentro é a mesma coisa e fecha a redó...e prantava o eito. (Ent. 04, linha 425) Uai gastava pinga aí pra bebê pra tê menino essas coisa pá tê corage pa tê menino fazia chá com arruda e tudo mais aí fui lá aí pus um vido no borso em vez de levá uma vazia maió lembrei foi do vido. (Ent. 05, linha 121) Partiu o beiço dea aqui embaxo ( ) ea saiu com o beiço tudo chei de sangue o beiço dea pindurô pra cá virô aquea broca gastava quatro ponto pra pregá mamãe mueu caivão botô gudão quemado caivão no beiço da cumá (V...) (Ent. 08, linha 43) Batê ne mim nunca incostô a mão ne mim pa batê...não...num gastava né? tem uns que gasta coro mesmo num é?(Ent. 11, linha 94) Pelejô mais num cheguei no lugá não falei dexa do jeito que tá...iscreveno meu nome e oiano quorqué letra aí cunheceno os número de quorqué carro aí né já tá bão demais...num é? é ruim quano se num vê nada pro cê assiná tem que marcá o dedo mas tem muitos dicumento que gasta tempo dedo tamém né? (Ent. 11, linha 135) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Gastar 11. Servir-se de; usar, empregar (tr. dir.; bitr., com prep. em): “Conhecemo-nos há muito para que hajamos de gastar mútuos disfarces” (Herculano) 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: Gastar vb. Dop lat. vastāre, com influência do germ. wôstjan ou wostan. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 167 198. GENEBRA Nf[Ssing]______________________________________________01 ocorrência Chegô na porta do (C...B...)...menina...mais esse burro virô genebra cumigo na porta daquele (C...B...) ali. (Ent. 02, linha 160) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 199. GIMIDURA [Adj]_________________________________________________01 ocorrência Com de fé aí cumeçava a gemê de novo aí tornava sái com a luzi num tinha gimidura num tinha nada ea la ia quano eu ia assim pra fora ea ia junto comigo. (Ent. 04, linha 360) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 200. GOLO~GULIM~GOLIM Nm[Ssing]________________________________06 ocorrências Eu era garotim gostava de í la chumbá uns gulim né...dançava um batuquezim...dançava um batuquezim até dez onze hora da noite né....aí eu fui e peguei dancei um batuque e bibi uns golim com (C...X...) lá né e vim bora de lá da casa do (C...X...) pra casa de quatro pé. (Ent. 02, linha 233 e 234) Teve um que eu fui...bibi uns gulim né é...nessa casião eu tava até sortêro ô fui num córgo que tinha aqui embaxo aqui ó...nessa bêra do (J...L...) aqui embaxo tinha um córgo lá e um posso aí tinha umas moça. (Ent. 05, linha 90) Meu pai prantava cana de fora a fora ali...meloso tava dessa artura assim ó...ieu que ia pa lá judá ê capiná...capiná o meloso...era assim mia fia cê frentava lá...ê bibia um gulim né...animava né...pobe de eu num bibia nada. (Ent. 09, linha 18) Chegava lá largava o carguero lá papai...enquanto papai ia descarregá o cavalo e bebê um golo mais (T...C...) né...eu chuchava lá pa casa do ...da dona dele. (Ent. 09, linha 370) Fui pra lá menina...eu bibia um golo na epra enchi...comprei os trem de cume e inchí o...eu fui mais o (E...)...enchí o saco marrei pela boca. (Ent. 10, linha 134) Cê lembra (B...) daquês treis quarto?...treis quarto comprei um treis quarto assim de cachaça...bibi um golo lá e vim embora ((risos)) com o saco na cabeça e o menino atrás no trio. (Ent. 10, linha 138) 168 ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Golo. s.m. Pop. O mesmo que gole. 4. Aurélio: Golo .[De gole.] S.m. 1. Pop. V. gole: ―— Quincas Borba está muito impaciente? perguntou Rubião bebendo o último golo de café‖ (Machado de Assis, Quincas Borba, p. 3). [Pl.: golos. Cf. golo (ô) e pl. golos (ô).] 5. Cunha: Gole. 1813. De origem controversa. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Golo • (n/A) • Nm [Ssing] • Cont. • Um trago de uma bebida ou remédio qualquer. • Intão, Nossa Sinhora da Parecida. Cê custava a tomá um golo de urina. Era um santo remédio. (Ent. 1, linha 468) 201. GRAVATÁ Nm[Ssing]_____________________________________________01 ocorrência Um senguê do lado de cima era um senguê gravatá só e cipó num tinha pra onde corrê (Ent.04, linha 281) _______________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Gravatá V. Caravatá, ou Caraúatá 3. Laudelino Freire: Gravatá s.m. Nome por que são conhecidas numerosas plantas da família das bromeliáceas, dos gêneros AEchmea, Ananas, Nidularium, Bromélia, Dyckia, Hohenbergia, Nidularium, itcairna, Quesnelia, Vriesia, algumas das quais também chamadas caraguatá, caruá, caruatá, crauá. 4. Aurélio: Gravatá [De or. Tupi.] s.m. Bras. Bot V. caraguatá 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: CARAGUATÁ, CRAUATÁ, GRAVATÁ, s. m. - bromeliácea vulgar. ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 202. GROTA Nf[Ssing]________________________________________________06 ocorrências Pelejô com aquea chiata feia dê assim pra cima de mim aí eu num fui aí ê rancô foi embora foi embora mais acho que ê levô ieu porque quano eu cheguei lá em cima eu tava no mei da estrada quano ê largô ieu oiei pros lado era grota aí quê que eu fiz encruziei o braço em cima do burro. (Ent. 02, linha 264) Eu lá ia lá buscá lenha e tinha um pé de coquêro cá pa baxo assim né...e lá em cima tinha um pé de coquêro e uma grota ‘ssim...tinha uma varginha tinha um lugá pertado d’subí assim. (Ent. 09, linha 42) 169 Ô tô oiano ele e veio te cá em baxo na berada do pé desse/dessa grota aqui desse buêro aí ó do lado de cá berano aqui do lado de lá mais berano a grota...vei chegô lá...chegô lá mia fia quano ê chegô cá ê baxô. (Ent. 09, linhas 83 e 84) Terreno até no (T...F...) até naquele arto virano de cá da Vage Grande pra lá num tem um morro arto ali daquele pique arto lá da Varge d’Ema até naquea grotão de lá vino da (R...) pra cá aquê grotão aquê mei tudo aquê varjão era dela. (Ent. 09, linha 422) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Grota s.f. Abertura feita pelas águas na ribanceira,ou margem de um rio, e pela qual elas saem, alagando os campos marginais.  2. Terreno em plano inclinado, na intersecção de duas montanhas; vale profundo. 4. Aurélio: Grota [Do it. grotta (v. gruta).] S. f. 2. Bras. Vale¹ (1) profundo. 3. Depressão de terreno úmida e sombria: "Durante a seca as boiadas refugiavam-se nas serras, e escondiam-se pelas lapas e grotas, onde passavam os rigores da estação ardente, que abrasa a rechã." (José de Alencar, O Sertanejo, p. 197.) 5. Cunha: Gro.a, -ão, -escoGRUTA Gruta sf. ‘caverna natural ou artificial, lapa, antro’ XVI. Do napolitano antigo grutta (it. gròtta) e, este, do lat. vulg. crupta (cláss. crypta), do gr. krýpte ‘cripta’. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 203. GRUDURA Nf[Ssing]_____________________________________________05 ocorrências Torra com sal e um puquim de burrai vermei né?...quente...burrai quente mesmo com uma meia cuié de ferro assim...dess’ cuié da gente fazê cumida...do burrai quente pro pilão num chupá a grudura...enquanto isso tá cabano a rema do coco. (Ent. 01, linha 69) A grudura fica iguali o ói de...fica/é o chêro dela sempre é diferente do ói de soja mais num tem rema ninhuma. (Ent. 01, linha 71) Vai isquentano a mão de pilão de vez em quano...a hora que ea soa toca lá depressa...soca soca soca...vorta lá torna isquentá nem a mão de pilão chupa a grudura e nem o pilão tamém...conserva só quente né. (Ent. 01, linha 79) Com essa fartura e o povo ainda passava fome...passava tinha gente que cũzinhava fazia cumida com grudura de boi...é de boi o tempo ruim era bão não cumia assim cumia nas campanha. (Ent. 11, linha 247) O armoço andu podre chei de bicho grudura de boi farinha de mãidoca arrozi daquele arroz vermei cê pudia sentá na testa dum qu’ê caía de costa. (Ent. 11, linha 251) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Gordura s.f. A exundia, bahas, o toucinho, e a corpulência, que causa a muita cellular no corpo do animal. 3. Laudelino Freire: Gordura s.f. 2. Substância untuosa, de pouca consistência, fácil de derreter, que se encontra em diferentes partes do corpo humano e dos animais e principalmente debaixo da pele; sebo, tecido 170 adiposo, unto, banha. 4. Aurélio: Gordura [De gordo + -ura.] S. f. 1. Quím. Designação genérica dos triacilglicerídeos ger. sólidos, que fornecem, por hidrólise, glicerina e ácidos graxos de cadeia saturada longa (p. ex., os ácidos mirístico, palmítico e esteárico) e encontrados nos tecidos adiposos dos animais (banha) ou extraídos de certos vegetais (p. ex., gordura de coco); triacilglicerídeo. 5. Cunha: Gordo adj. gordURA XIV 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 204. GUDÃO Nm[Ssing]_______________________________________________10 ocorrências Pra gente panhá ele tem que panhá ele da roça e trazê pra casa né e depois tem que discaroçá ele que eu tinha o discaroçadô tamém aí e todos usava o discaroçadô...discaroçava o gudão né aí depois bateno batia no suai. (Ent. 04, linha 04) Usava uma espéci de bodoque era assim um arco sabe com um cordão que batia o gudão...até ê ficá bunitão depois de discaroçado aí agora ia pá roda depois dele discaroçado então aí ia pá fiadera tirava pá fiá ôto ia fiá e ia. (Ent. 04, linha 06) A fiadera era a roda aí antão cê ia com o gudão pra roda mais se eu fô contá a históra é muito compricado sabe. (Ent. 04, linha 11) A fiadera vem e vem sortano o gudão assim e fiano a linha e a roda ia puxano ia enrolano a linha toda lá...sabe...a roda mesmo. (Ent. 04, linha 13) É uma tábua quarqué sabe o povo fazia até de caco de cuia na época até de caco de cuia ês fazia o fuso a roda embaxo aí tinha que fazê uma vara desse tamãim assim ó do tamãim que queira ô menó ô maió e pá i fiano o gudão. (Ent. 04, linha 21) Ia puxano aquê gudão aqui coisava ele pono ê na grussura cirtinha sabe? (Ent. 04, linha 25) Punha da grussura que queria...e a roda ia puxano...tudo que o cê tivesse boa aqui na mão cê sortava e ia ispixano o gudão e toda a linha que já tava pronta a roda ia enrolano ela lá no...ia enrolano ea sabe. (Ent. 04, linha 28) Eu vistí muita carça de gudão camisa...nessa época fazia né. (Ent. 04, linha 54) Cuberta de gudão branquinha né e a fronha bordada de crivo quano cumpá (Z...F...) foi deitá que foi lumiá com a lamparina assim pra deitá ((risos)) a fronha era bosta pura da maritaca. (Ent. 08, linha 06) O beiço dea pindurô pra cá virô aquea broca gastava quatro ponto pra pregá mamãe mueu caivão botô gudão quemado caivão no beiço da cumá (V...) (Ent. 08, linha 44) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Algodam Especie de carepa, ou lanugem, muito fina, branda, & branca, como neve, que depois de caída a flor da planta, que a produz, fahe de hũ fruto semelhante à Avelãa barbada, o qual se abre em tres, ou quatro partes, & expõem à vista hum frocosinho, que com o calor se incha, & se faz do tamanho de huma noz, & o que do ditto fruto se separa, he o Algodão, chamado com nome grego Xilon do verbo Xyem, que val o mesmo, que Rapar porq delle fica o Algodão separado, como se o raparão. Fiase o Algodão, & com elle se fazem roupas, & serve para varias cousas. 2. Morais: Algodão s.m. Fruto do algodoeiro; é um casulo oval, mas mais agudo, verde, que em seco descobre uma matéria de fibras tenuissimas, que se fia, para tecido, e é mui alva; a qual tem uns caroços negros a que está pegada. 3. Laudelino Freire: Algodão s.m. Ár. Alkutun. Fibra vegetal muito alva e fina que, em um casulo, rodeia as sementes 171 do algodoeiro. 2. Fio feito com essa fibra 3. Tecido fabricado com esse fio. 4. Aurélio: Algodão¹ [Do ár. al-qu+n ou al-qu+un.] S. m. 1. Bot. Conjunto de compridos pêlos alvos e entrelaçados, macios, que revestem a superfície das sementes do algodoeiro. Aparecem em outras malváceas e em plantas de variadas famílias, onde podem receber nomes especiais, como paina, por exemplo. 5. Cunha: Algodão. sm. ‘conjunto de fios alvos, macios e compridos, que envolvem as sementes do algodoeiro’ algodõ XIII, -dom XIII –dam XV etc. / Do ár. Hisp. al-qutun (cláss. qutn) 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 205. GUELA Nf[Ssing]_________________________________________________01 ocorrência INF.: Uai nós ficamo cunheceno macarrão ...ocê lembra do guela de pato? PESQ.: um viradim grande todo riscadim. INF.: é um bitelão memo assim ó ele era um caiau memo cê fazia ele quais que treis bago inchía a panela. (Ent. 09, linha 44) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Goela. s.f. Cast. goliella. Entrada dos canais que poem em comunicação a bôca com o estômago e os pulmões. 4. Aurélio: Goela .[Do lat. *gulella, dim. de gula, ‘garganta’, ‘goela’.] Substantivo feminino. 1.V. garganta (1). 5. Cunha: Goela. sf. ‗garganta‘/guela XVII/Do lat. *guella, dimin. de gula ‗esôfago‘. 140 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Guela • (A) • Nf [Ssing] • Lat. • O mesmo que garganta. • É. A (jojo) que ês fala. Intão toca ê lá e ê já tem o lugázinho dele de chegá lá no canto. Põe a soga. Aí põe a canga, aí abutoa a brocha aqui, na guela dele aqui. (Ent. 4, linha 211) 206. GUMITAR [V]___________________________________________________02 ocorrências Nós carregava iscuma botava a garapa pra fervê aí ê falava “bota o fogo mais num aperta muito não se fervê gumita” aí nós falava assim “uai padim (Z...) esse trem gumita tamém?”((risos)) quê que é cumeu? ê falava “não é que tá azedo” (Ent. 08, linha 105) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Vomitar lançar pela boca o comer, ou os humores que estão no estomago. 2. Morais: Vomitar v. at. Lançar o que está no estomago com esforço, pela boca. 3. Laudelino Freire: 172 Gomitar v.r.v. Pop. O mesmo que vomitar. 4. Aurélio: Vomitar [Do lat. vomitare.] V. t. d. 6. Expelir com ímpeto; jorrar, verter: O ferimento profundo vomitava sangue. 5. Cunha: Vomitar vb ‘expelir pela boca (substâncias que já estavam no estômago)’ XVII. Do lat. vomĭtare, interativo de vomere. 6. Amadeu Amaral: Gumita(R), vomitar, v. t. | É forma pop. também em Port. (J. J. Nunes, p. LXXX). Cp. "goraz", de vorace(m), "golpelha", de vulpecula, "gastar" de vastare; aqui mesmo, em S. P., guapô, "vapor". ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 207. HISPITALI [V]__________________________________________________02 ocorrências A minha dona ta duente ta fazeno tratamento nessa casião num tinha nem hispitali pra interná né tratava dent’ de casa memo fazia consurta no dotori e vinha embora pra casa. (Ent. 05, linha 78) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Hospital Lugar público onde se curão doentes pobres. 2. Morais: Hospital s.m. Casa onde se curão doentes pobres. 3. Laudelino Freire: Hospital s.m. Edifício ou estabelecimento onde se recebem e se tratam os doentes pobres em enfermarias próprias, e os que o não são em quartos ou enfermarias reservadas, onde pagam certa quota. 4. Aurélio: Hospital [Do lat. tard. hospitale, 'hospedaria'.] S. m. 1. Estabelecimento onde se tratam doentes, pessoas acidentadas, etc., internados ou não; nosocômio. 5. Cunha: Hóspede s2g. hospital |XIII, espital, XIII, spital XIII, espirital XIV etc. | Do lat. hospitalis (domus) 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 208. HORMÔNIO DA CABEÇA NCm[Ssing+Prep+Ssing]___________________01 ocorrência Uai minha fia é por causa de burro ê istorô o hormônio da cabeça dele aí cresceu um tumore que tirô pelo nariz mais num podia tirá não. (Ent. 02, linha 180) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ 173 Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 209. ICARRIADO [ADJ]________________________________________________01 ocorrência De tudo contuá que cê pensá...é fejão...é mio...mandiocal...anduzêro...canavial bananal é...é...batatinha...batatinha nós plantava demais...melancia MENINA...lá onde nós tá falano...ocê/ocê contava eas assim ó...icarraiado. (Ent. 11, linha 78) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Encarrilhado adj. P.p. de encarrilhar. 4. Aurélio: Encarrilhado [Part. de encarrilhar.] Adj. Bras. N. N.E. 1. Seguido, ininterrupto: Choveu três dias encarrilhados. 5. Cunha: En.carrilh.ado, -ar CARRO Carro ENcarrILH.AR XVIII. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 210. IDEIA Nf[Ssing]__________________________________________________03 ocorrências “Quem subé fazê a conta é...eu sô de mil novecentos e trinta e treis faz a conta que cê fica sabeno...a é rapidim falava “ah cê tá com a ideia boa pa fazê conta”. (Ent. 01, linha 193) É só a gente tê fé e a cabeça...a ideia boa pra podê aprendê...né...de primero...até hoje eu sei uma oração...de...confissão. (Ent. 01, linha 297) O vento batia na boca do vido e fazia assim u u u e eu com a ideia quente lembrano pensano que era o home que tava gritano né peguei corrê ah quano eu corri aí que ê grito derêto. (Ent. 05, linha 129) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Ideia s.f. Lat. idea. 9. Mente, imaginação. 4. Aurélio: Ideia [Do gr. idéa < v. gr. ideîn, infinitivo aoristo de horân, 'ver'; lat. idea.] S. f. 14. Bras. Pop. V. cabeça (1): Levou uma pancada na ideia e caiu duro. 5. Cunha: Ideia sf. Idea 1572 | Do lat. idea, deriv. do gr. idea. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 174 211. ILUDIDO [ADJ]__________________________________________________03 ocorrências Falei com a mamãe “ô mãe tô com uma vontade de matá o papai mais de que tudo” ea foi e falô “(P...) dexa de bobage...dexa de bobage” num fica iludido com isso não morre esse trem. (Ent. 02, linha 244) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 212. IM ANTE [Loc.Adv]______________________________________________03 ocorrências Ê pegô e deu uma foiçada no pé do coquêro levantô a foice deu ôtra foiçada im ante de enterá a tercêra eu falei “o nêgo vem cá cê num vai fazê nada não cê vai ficá vigiano é (D...) aqui ó”. (Ent.04, linha 109) Eu tava mexeno com tratamento falei “ah eu vô no jubileu agora í mais dia levá ô barraca ô lugá um quarto lá mais tem que í bem im ante porque se í perto muito num acha barracão não. (Ent.06, linha 281) Quano mamãe bibia quano ea bibia pinga...ago’ é crente né já tem uns quarenta ano que ea num bebe cachaça...ea foi fazê zuêra naquela igreja evangélica né aquê trem todo lá tonta né aí ea foi atravessá um negoço assim um povo pôs um cipózão na estrada assi im ante dea chegá perto assim ea falava ô piso nesse cobra. (Ent.10, linha 52) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: In antes. em antes, loc., usada as vezes pela forma simples ―antes‖: ―Estive lá ainda em antes que ele chegasse‖. ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: Em antes (n/d) loc.adv. Antes, anteriormente. "... mas em ante dessa barragem aí esse rio dava enchente de fazer medo viu?” (Entr.4, linha 231) 2. Ribeiro: Em antes• (n/A)• [loc adv]• Antes, anteriormente.• Eu vô fazê só mais uma verdura e o arroiz. É iguale ieu. Se eu fô fazê, tem o arroiz pronto, se o L. num fô sai trabuçano em antes do armoço, ieu isquento aquele ali que eu fiço onti. (Ent. 13, linha 10) 213. IMBIGADA Nf[Ssing]______________________________________________01 ocorrência O home vai tirá lá o recortado lá pra dançá pegô riscô o dedo na viola e deu a imbigada na (L...) 175 caiu teso virado pa trás. (Ent. 03, linha 14) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Umbigada [De umbigo + -ada¹.] S. f. 3. Bras. Nas danças de roda trazidas pelos escravos bantos, pancada que o dançarino solista dá, com o umbigo, na pessoa ou nas pessoas que vão substituí-lo. 5. Cunha: Umbigo sm. umbigADA XX. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 214. IMBIGO Nm[Ssing]_______________________________________________03 ocorrências O menina mais num tem muitos ano que ea morreu...(T...) cortô o imbigo do (L...) que ti (M...G...) quebrô o braço e num pode vim assim mesmo ea brigô de ciúme que os premero é pirigoso. (Ent. 06, linha 146) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Umbigo. “Embigo. Vid no seu lugar. O primeiro parece mais próprio pela analogia, que tem com umbilicus, que em latim significa o mesmo. Porém o uso he por embigo.” 2. Morais: Umbigo. “V. Embigo, como se diz ordinariamente.” 3. Laudelino Freire: Umbigo. “s.m. Cicatriz no meio do ventre, originada pelo corte do cordão umbilical.” 4. Aurélio: Umbigo. “[Do lat. umbilicu, pela f. *umbiigo.] Substantivo Masculino 1. Anat. Cicatriz no meio do ventre, originada pelo corte do cordão umbilical. 2. Bot. Formação mais ou menos desenvolvida que se nota no centro e na base de certos frutos, como, p. ex., a laranja-da-baía.‖ 5. Cunha: Umbigo. sm. ‘cicatriz no meio do ventre, originada pelo corte do cordão umbilical’ / XVI, embiigo XIII, ynbiigo XIV, embijgo XIV etc. / Do lat. umbilicus –i. 6. Amadeu Amaral: Imbigo. “s.m. //”Embigo é forma popular ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: Imbigo (n/A) s. Cicatriz produzida pelo corte do cordão umbilical. Variante antiga de umbigo (Umbigo > imbigo – caso de assimilação). “...quando eles cortava imbigo a gente fazia era azeite... ( ) pra passar no imbigo... e era assim... aí com três dia... quatro... o imbigo caía..” (Entr.9, linha 123) 2. Ribeiro: Imbigo • (n/A) • Nm [Ssing] • Lat. • Cicatriz produzida pelo corte do cordão umbilical. Variante antiga de umbigo (Umbigo > imbigo – caso de assimilação). • Aí fazia tamém um de pô no imbigo/redondinho/vai as tirinha por riba/sabe como a mãe fazia aquilo/fazia pos quarto iscondida. Enfiava de baixo da cama. Óia o tanto que nóis era bobo. (Ent. 1, linha 575) 176 215. IMBIRA Nf[Ssing]_________________________________________________01 ocorrência Um dia passô ês dois conversano aí ês falô assim é “Cipó já foi cipó mais hoje ela é imbira...virô imbira” (Ent. 03, linha 132) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Embira s.f. Planta, cuja casca tem uma fibra branda, e rija, da qual já se teceu bom breu, e póde suprir canamo. Dá-se no Brasil, e serve lá de atar: há várias espécies, a uma das quaes lhe camão guachima, e desta se teceu em Hollanda para amostra, por diligencias de um nosso Official da Marinha, tão bom Official, como Fidalgo, e patriota. H. Naut. 3. Laudelino Freire: Imbira s.f. Bot. O mesmo que ibira. Ibira s.f. Arbusto anonáceo, também chamado coajerucú (Xylopia frutescens, Aubil.).  2. Fibra da casca dêsse vegetal. 4. Aurélio: Embira [Do tupi.] S. f. Bras. 3. Qualquer casca ou cipó usado para amarrar. 5. Cunha: Embira sf. ‘fibra vegetal usada como corda’ 1574, envira 1587, jmvira 1618, etc. 6. Amadeu Amaral: Imbira s. f. fibra vegetal que se emprega como corda. ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 216. IMBORBUIAR [V]________________________________________________01 ocorrência Nessa noite num drumí nada pr’ela...o trem imborbuiô tudo...é. (Ent. 09, linha 134) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Borbulhar Borbulhar sahir a borbotoens. Diz-se da agoa fervendo, ou a crespidão, quando nace agoa com fúria para cima. 2. Morais: Borbulhar v.n. Rebentar, sair em borbulhas algum líquido, agitar-se fazendo-as. 3. Laudelino Freire: Borbulhar v.r.v. De borbulha+ar. Sair em borbulhas, em bolhas ou em gotas frequentes (intr.; tr. ind., com prep de, em por): “as águas borbulhavam, como se fervessem” (C.Neto) 4. Aurélio: Borbulhar [Do esp. borbollar.] V. t. c. 1. Sair em borbulhas, bolhas, ou gotas freqüentes: "gotas de suor borbulhavam na raiz de seus belos cabelos negros." (José de Alencar, Senhora, p. 232). 5. Cunha: Borbulhar vb. ‘sair em, ou formar borbulhas, bolhas ou gotas frequentes’ XVIII. Talvez do cast. borbollar, de uma reduplicada *bobollar, deriv. do lat. bŭllāre ‘ferver, formar bolhas’ ‘ cobrir-se de bolhas’, de bulla, ‘bolha’ 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 177 217. ICANJICADA [ADJ]_______________________________________________01 ocorrência Mamãe tava tomano o reméido dela a mamãe intuxicô tudo né ficô toda incanjicada assim ó coçano sangue saía que só cê veno. (Ent. 09, linha 134) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 218. ĨGUALI [ADJ]____________________________________________________01 ocorrência Ê sabia do modo nosso de abri porta né...num tinha chave não aí tô durmino a lua tava ĩguali um dia tô ovino lá um tum tum passei a mão na garrucha. (Ent.02, linha 09) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Igual Iguál (Termo relativo). O que he do mesmo tamanho, que outro, o que tem a mesma quantidade, ou qualidade. 2. Morais: Igual adj. Que tem a mesma grandeza contínua, ou numérica, que outro. 3. Laudelino Freire: Igual Tem a mesma quantidade, qualidade, valor, forma ou dimensão que outro.  2. Que é da mesma condição, da mesma categoria. 4. Aurélio: Igual [Do lat. aequale.] Adj. 2 g.1. Que tem a mesma aparência, estrutura ou proporção; idêntico, análogo: Esta casa é igual àquela. 5. Cunha: Igual adj. ‘idêntico, que tem as mesmas características, uniforme, inalterável’  XIII, ygual XIII etc.  Do lat. aequālis. 6. Amadeu Amaral:n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 219. INCERRAÇÃO DE CAPINA NCmf [Ssing+prep+Ssing]__________________01 ocorrência INF.:...Eu sabia até as música de boiadêra mais agora num lembro boba num lembro a musica dê não comé que era que ês cantava não.TERC.: nó gente se lembrasse né...é interessante. INF.: é...comé que era...depois tinha incerração de capina...tinha doce. (Ent. 07, linha 135) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 178 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 220. INFEITAR [V]___________________________________________________03 ocorrências Peguei esse burro menina tinha uma moça lá na fazenda do home a moça foi e trepô na régua do curral e esse burro infeitô bunito. (Ent. 02, linha 128) Infeitô bunito cortei esse burro na taca quano chegô perto da moça eu fui e levei a mão pra pegá no braço da moça o pai dela gritô “num faz isso c’ela não que ocê me mata ela”. (Ent. 02, linha 130) O cachorro chegô ali no arto deu uma batida deu uma batida até bunita falei ô vai saí aqui aí quano eu oiei envia uma luz igual aquela lá aí ea infeitô pro meu lado assim ea fisgô ne mim. (Ent.02, linha 277) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Enfeitar v.r.v. Lat. infectare. 8. Tomar confiança; atrever-se (pr.) 4. Aurélio: Enfeitar [Do port. (ant.) afeitar (q. v.).] V. p. 10. Bras. Esquecer-se de sua posição inferior; tomar confiança; atrever-se: "Andava-se enfeitando para uma roxinha, noiva dum vaqueiro." (Coelho Neto, Treva, p. 74.) 5. Cunha: Enfeitar vb. ‘ornar, embelezar’ XVII. Do a. port. Afeitar (séc. XIII), com troca de prefixo. 6. Amadeu Amaral:n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 221. INHAMBU Nm[Ssing]______________________________________________01 ocorrência Tinha muito passarim codorna perdiz tinha muita aqui num tô veno mais...os passarim que existia inhambu num tem mais...codorna nós chegava como daqui ali eas chegava até ali ó piano um tanto de codorna aí ó era perdiz num tem nada mais. (Ent.04, linha 394) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Inhambú s.m. O mesmo que inambú Inambú s.f. Do tupi. Nome de várias espécies de aves perdíceas. 4. Aurélio: Inhambu [Do tupi.] S. m. Bras. Zool.1. Designação comum às aves tinamiformes tinamídeas, gêneros Tinamus e Crypturellus, características da região neotrópica, e desprovidas completa ou quase completamente de cauda: "Piava inhambu por tudo quanto é lado" (Carmo Bernardes, Jurubatuba, p. 45). 179 5. Cunha: Inambu sm. ‘ave da fam. Dos tinamídeos’  nambu 1587, jnhambu 1618, nãbu 1624 etc.  Do tupi ina’mu. 6. Amadeu Amaral:n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 222. INJUNTAR [V]____________________________________________________01 ocorrência Agora cabava de saí a água...a massa ficava ‘té quente...bem ispaiadinha no saco...que se ela injuntá assim no mei do saco ea num ‘perta não ea fica mole. (Ent.01, linha 249) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Juntar humas cousas com outras. 2. Morais: Juntar v.at. V. Ajuntar. Cam. Son. 44.aquelle saber grande, que juntou esprito, e corpo em liga generosa. 3. Laudelino Freire: Juntar v.r.v. De junto+ar. O mesmo que ajuntar: “A aliança juntava o sangue das duas casas inimigas” (Rebêlo da Silva) 4. Aurélio: Juntar [F. aferética de ajuntar, ou de junto + -ar².] V. t. d. 1. Ajuntar (q. v.) 5. Cunha: Junto juntAR XIII 6. Amadeu Amaral:n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 223. INRESTAR [V]____________________________________________________01 ocorrência Quano nós inrestava pra í num lugá e tinha que levá e ela já tava cansada mia fia que penô muito com marido e penô com a famía pra cabá de criá nóisi. (Ent.06, linha 12) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral:n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 224. INTɹ [Prep] ____________________________________________________02 ocorrências Cê põe quato ... quato feche de arrozi em pé pa cima e vai tazeno os ôto aqui assim ó ... ó... ó... vai 180 desceno vai rudiano ruidiano rudiano ele vai desceno inté ê ficá dessa artura. (Ent.11, linha 35) PESQ.: E era muita gente que tinha?muita gente naquele tempo que tinha o bichinho? INF.: Inté hoje por aqui tem...tem...tem por aqui mesmo tem uns treis ou quatro que tem ele no vidro aí. (Ent.11, linha 159) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Inté. “prep. Ant. e pleb. O mesmo que até.” 4. Aurélio: Inté. “Prep. Ant. Pop. 1 .Até: ‘Inté veludos e crinolinas, sutaches e aljofres eram encontradiços nas vendas.’(Nélson de Faria, Cabeça Torta, p .8).‖ 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: Inté. “até, prep. e adv.” ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: Inté (A) Prep. Limite em um espaço de tempo. Variante de até (até > inté – caso de alçamento com nasalização). Cf. anté. "... ( ) qu’eu tou aí com Deus... inté hoje... ainda vejo muita coisa...” (Entr.8, linha 284). 2. Ribeiro: Inté • (A) • [Prep] • Limite em um espaço de tempo. Variante de até (até > inté – caso de alçamento com nasalização). • Ah! Cidade é uma baruieira danada, né? Às veiz a gente ta durmino, acorda inté assustada, né? (Ent. 12, linha 206) 225. INTɲ [Adv]_____________________________________________________06 ocorrências Parece inté uma brincadêra ieu envinha desceno sozim peguei a barriguêra e envinha desceno sozim com um pelego vermei na mão pra carçá a cabeça. (Ent.02, linha 84) Já deu inté o indereço pra menina mais a (N...) acho que tem assim ah num sei ea num tem nimação pra levá a gente na casa de gente...meus amigo. (Ent.06, linha 188) Lá mamãe morô até casá morô dindim (E...) morô lá inté fazê o casamento de mamãe. (Ent.06, linha 380) Tinha dinhêro dê mesmo comprô inté essa máquina que ô tenho aí te hoje tenho ea té hoje aí. (Ent.07, linha 266) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Inté. “prep. Ant. e pleb. O mesmo que até.” 4. Aurélio: Inté. “Prep. Ant. Pop. 1 .Até: ‘Inté veludos e crinolinas, sutaches e aljofres eram encontradiços nas vendas.’(Nélson de Faria, Cabeça Torta, p .8).‖ 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: Inté. “até, prep. e adv.” 226. INTRAMIAR~INTRIMIAR [V]____________________________________03 ocorrências Dêxa um poquim só da água...que no ele inchugá pá podê aquela aguinha intrameia...dêxa só um 181 poquim. (Ent.01, linha 263) A água intrameia né a gente já num vê ela mais na hora que o pruví azeda...é o purvi mió que tem. (Ent.01, linha 268) Nós aprendeu a dançá baile ali com as negada do Açude nó eu dançava que nem uma condenada iscundido meu irmão prometeu de atirá nas mias perna e eu intrimiava no mei do povo e frivia no baile. (Ent.06, linha 29) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Entremear Estar no meyo de duas cousas. Ser entremedio. 2. Morais: Entremeiar v.n. Estar de permeyo. 3. Laudelino Freire: Entremear v.r.v. De entremeio+ar. Pór de permeio (tr.dir): “e ei-lo que pelos termos vis que êle entremeia destrue tudo” (Filinto Elísio) 4. Aurélio: Entremear [De entr(e)- + meio ¹ + -ar².] V. t. d. e i. 2. Meter de permeio; misturar, entressachar; intermeter, intermediar: entremear trigo com cevada; "uma certa maneira de exprimir as ideias, entremeando calemburgos com palavrões sonoros" (Inglês de Sousa, O Missionário, p. 80). 5. Cunha: Entre.mear, -meio MÉDIO Médio ENTREmeAR XVII. Forma divergente popular de intermediar. 6. Amadeu Amaral:n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 227. INTUXICAR (/ʃ/) [V]______________________________________________01 ocorrência Mamãe tava tomano o reméido dela a mamãe intuxicô tudo né ficô toda incanjicada assim ó coçano sangue saía que só cê veno. (Ent.09, linha 136) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Intoxicar (e der). Grafia errônea de entoxicar (e der). Entoxicar v.tr.dir. de em+tóxico+ ar. O mesmo que envenenar. 4. Aurélio: Intoxicar (cs). [De in-¹ + tóxico + -ar2.] V. t. d. 1. Envenenar, toxicar. 5. Cunha: In.toxic.ação, -ar TÓXICO Tóxico INtoxicAR 1874. Do fr. intoxiquer, deriv. do lat. med. intoxicāre. 6. Amadeu Amaral:n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 228. INXADA DE ARADO NCf[Ssing+prep+Ssing]_________________________01 ocorrência Em carroça de burro gastava cinco dia pra í...dois dia e mei pra lá dois dia e mei pra cá gastava 182 cinco dia pra í e vortá...tinha que buscá arado...é bico de arado inxada de arado rudía cabo de arado é ruero de arado tudo tinha que buscá lá fora. (Ent.05, linha 150) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral:n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 229. INXADÃO Nm [Ssing]_____________________________________________02 ocorrências Foi caçá tatu andô por esses arto fora desceu la trás no capão de lá caçano tatu com gaiola e inxadão lamparina chucho tudo tava com ês chegô lá menina cachorro...cachorro pegô o tatu. (Ent. 09, linha 199) Cheguei cá mais em cima mia fia...deu embaxo dum pau santo lá um inxadão dele pindurado lá no pau santo aí que o medo cabô de trepá mais eu tava no arto do campo.(Ent. 09, linha 227) ________________________________________________________________________________Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Enxadão s.m. V. Alvião. Alvião s.m. Especie de enchada, que tem uma ponta na parte na parte opposta ao dente, ou pá. 3. Laudelino Freire: Enxadão s.m. O mesmo que alvião. 4. Aurélio: Enxadão [De enxada + -ão¹.] S. m.1. Instrumento encabado, de ferro, com uma extremidade larga terminada em gume e a outra estreita como o bico da picareta, usado na agricultura ou no desaterro; alvião, marraco. 5. Cunha: Enxada sf. enxadÃO  exadões pl. XIV. 6. Amadeu Amaral:n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 230. INXEMPRO Nm[Ssing]____________________________________________01 ocorrência Era assim agora quano fosse no ôto ano por inxempro que cê fosse prantá ali...aquea cerca...sê pudia prantá naquele lugá uns dois ô treis ano...mais aí se ocê prantava ali uns dois treis ano cê num ia prantá aquí mais cê roçava um ôtro pedaço. (Ent.04, linha 430) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Exemplo s.m. Lat. exemplum. 5. Cousa semelhante ou análoga àquilo de que se está tratando ou falando. 4. Aurélio: 183 Exemplo¹ (z). [Do lat. exemplu.] S. m. Por exemplo . 1. Expressão que antecede a menção de um ou mais casos individuais e ilustrativos de uma ideia ou conceito geral. [Abrev.: p. ex.] 5. Cunha: Exemplo sm. ‘modelo’  XIV, exempro XIII, eixeplo XIV, eyxemplo XIV etc.  Do lat. exěmplum. 6. Amadeu Amaral: Inzempro, exemplo, s. m. | "E porque he cousa muy proveitosa seguir o enxempro desta honrada senhora..." ("Castelo Perigoso". séc XIV). ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Inxemprar • (n/A) • [V] • (n/e) • Aprender com os próprios erros. • Aí pegô, ê num ixemprava não. (Ent. 2, linha 225) 231. ISCAMUÇAR [V]________________________________________________02 ocorrências A menina tinha tava com menos de dois ano...cobra iscamuçô menina...iscamuçô que eu andei/me trôxe até ali ó...mais um cobruço cobra preta. (Ent.10, linhas 05 e 06) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 232. ISCANGAIAR [V]________________________________________________01 ocorrência Ea foi abriu a porta aí fui entrá dent’ de casa oiei falei “ah” iscangaiei a foice aquea foice moladinhazinha vazadinhazinha ô tinha comprado. (Ent.04, linha 206) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Escangalhar v.r.v. Corr. De escanganhar. Desconjuntar, desmanchar (tr.dir.; pr.): “Escangalho as cadeiras e não arranjo nada” (C. Neto) 4. Aurélio: Escangalhar [De es- + cangalho1 + -ar2.] V. t. d.2. Estragar, arruinar, destruir: escangalhar um brinquedo; escangalhar a saúde. 5. Cunha: Escangalhar CANGA¹ Canga EScangALH.AR vg. ‘desconjuntar, arrebentar’ 1813. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 184 233. ISCUMA Nf[Ssing]_______________________________________________07 ocorrências A gurdura já cumeça subí...aquea iscuma crarinha...do jeito que tá a iscuma fica a gurdura...é crarinha mermo...ah pa fazê fritura nem tem melori que a gurdura que/faz aqui. (Ent.01, linha 42) Discia eu e cumá (D...) discia o murrim pra lá chegava lá ê mandava botá fogo na fornaia nós botava fogo ê botava panelão lá pa í...judá ê carregá garapa do cocho eu e cumá (D...) nós carregava iscuma botava a garapa pra fervê aí ê falava “bota o fogo mais num aperta muito não se fervê gumita”. (Ent.08, linha 104) Seu avô fazia muita cachaça divera...rapadura mia fia é só muê a cana põe no tacho...bota fogo na fornaia...dexa quano ea dá aquea iscuma grossa assim cê panha e iscuma tudo e depois cê dexa...ali ea vai freveno...vai freveno quano ea vai subino. (Ent.09, linha 174) Se dexá a iscuma ea num dá rapadura que presta...aí quano ea /depois que vai dano iscuma cê vai panhano...até ficá limpinhazinha depois ea vai subino subino e depois ea pega a pitá pitano pitano assim ó quano ea pega pitá ocê pega uma vazia d’água e pinga lá dento cê mexeu lá a puxa tá dura assim ó cê pó tirá fora. (Ent.09, linha 177) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Escuma Escúma. Effervecencia, ou fervura da agoa violentamente agitada como a escuma do mar na tormenta, ou superfluidade excrementícia, & ventosa, que se separa da sua matéria, & sobe à superfície pella força do calor, como escuma da penella, que começa a ferver. Fingem os Poetas, que naccera Venus da escuma do mar. Spuma, & Fem. Virgil. 2. Morais: Escuma s.f. (do Bretão scum) As bolhas, que se fazem na superfície d’agua anassada, principalmente, em que se desfez sabão, e assim em outros líquidos. “já na água erguendo vão...Com as argênteas caudas branca escuma” Lus. II. 20. 3. Laudelino Freire: Escuma s.f. Provn. Escume. Agrupamento de pequenas bôlhas cheias de ar ou de um gás que se forma num líquido quando êste é agitado, quando se ferve ou fermenta; espuma. 4. Aurélio: Escuma [Do germ. skûms.] S. f. 1. V. espuma: "Da branca escuma os mares se mostravam / cobertos" (Luís de Camões, Os Lusíadas, I, 19). 5. Cunha: Escuma sf. ‘espuma’ XIV. Do lat. med. schuma, deriv. do frâncico *skūm 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 234. ISCUMAR [V]___________________________________________________02 ocorrências Lá no engém lá tinha uma bica d’água assim...cumpá (A...) chegava lá com o dedo no ovido sacudino assim nos uvido assim ((risos)) e rapadura na grade lá já...nóis iscumava tacho com a lanterna...quano tava ventano iscumava co’a lanterna...inquanto tava de soli...quano num tava ventano...nós escumava com lamparina. (Ent.09, linha 35) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Escumar Tirar escuma. Spuma eximere. Escumar a panella. 2. Morais: Escumar v.at. Limpar da escuma: v.g. escumar a calda, a panella. 3. Laudelino Freire: 185 Escumar v.r.v. De escuma+ar. 3. Tirar escuma a (tr. dir) “Escumar a panela”. 4. Aurélio: Escumar [De escuma + -ar¹.] V. t. d. 1. V. espumar: "Mastigam os cavalos escumando / Os áureos freios, com feroz semblante" (Luís de Camões, Os Lusíadas, VI, 61); "os cavalos nitriam e escumavam de impaciência." (Álvares de Azevedo, Obras Completas, II, p. 138). 5. Cunha: Escumar escumAR XVI. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 235. ISCURRUPIÃO Nm[Ssing]________________________________________03 ocorrências Ô num sei nem ispricá que o bicho que pulô ne mim...ô tava aqui ó lá no terrero ê pulô ne mim...um bicho assim ó num sei que bicho que era não...é isperto demais...tem uns bicho isperto demais...né rato não num sei que bicho parece iscurrupião. (Ent.10, linha 106) Parece iscurrupião...ê é dês tamãim assim ó...parece iscurrupião ê parece carangonço. (Ent.10, linha 108) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Escorpião Vid. tom.3 do Vocabul. O Adagio Portuguez diz: Quem do escorpião está picado, a sonbra o espanta: Porque qualquer petição/ (Seja qual for a razão)/ Traz a peçonha no cabo/ Como traz o escorpião. Obras Metric. de D. Franc. Man. Viol. de Thal. fol 209. Vid. lacrao. Tom. 5 do Vocabul. 2. Morais: Escorpião s.m. Lacráo. 3. Laudelino Freire: Escorpião s.m. Lat. scorpio; scorpionem. Zool. Aracnídeo da família dos pedipalpos, que tem uma cauda trerminada por dardo, na basa do qual existem dois orifícios por onde se escapa um líquido venenoso; lacrau. 4. Aurélio: Escorpião [Do lat. scorpione.] S. m. 1. Zool. Designação comum aos animais artrópodes, escorpionídeos, providos de 12 segmentos abdominais, dos quais os cinco posteriores formam com o telso uma cauda terminada em aguilhão, através do qual é inoculada a peçonha. [Sin.: carangonço, lacrau, rabo-torto.] 5. Cunha: Escorpião sm. ‘lacraia’  escorpyom XIV  Do lat. scorpĭō – ōnis, deriv. do gr. skorpíos. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 236. ISMURRAR [V]__________________________________________________01 ocorrência Fazia era assim sozinha e deus ismurrava com essas coisa é...quan’ eu morava com o pai né...sortera...fazia farinha de mãidoca...mãidoca buscada na cabeça bem longe ieu mesmo rancava...levava pa casa. (Ent.01, linha 84) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 186 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: Esmurrar MURRO Murro sm. ESmurrAR XVIII. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 237. ISPARRELA Nm[Ssing]____________________________________________01 ocorrência A pessoa quano cai nalgum isparrela eas tá ino é por gosto né (D...)? cê entendo o que que é o bão e o que que é o ruim né. (Ent.06, linha 123) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Esparella Vit. Tomo 3 do Vocabulario: Anda armandolhe Esparrela/ Cuma filha bonitinha/ Que eu fico que caia nela. Obras Metric. de D. Franc. Man. Viol. de Thal. pag.237. 2. Morais: Esparrélla s.f. Cair na esparrela, no fig. No engano, logração. 3. Laudelino Freire: Esparrela s.f. 3. Engano, logro, cilada: “Não entrarás em tua casa sem cair numa esparrela!” 4. Aurélio: Esparrela [De or. obscura.] S. f. Cair em esparrela 1. Deixar-se lograr; deixar-se pegar; cair no logro; cair no anzol; cair na ratoeira; ir na onda. 5. Cunha: Esparrela sf. ‘logro, engano’ XVII. De etimologia obscura. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 238. ISPINHELA CAÍDA Fras[Ssing+Adj]_________________________________01 ocorrência Pai do fi do isprito santo amem...jesus é nascido Jesus nascido é fí da virge Maria sem pecado é Jesus Nazaré cura (E...) de ispinhela caída vento virado bila derramada ar preso vento igalzado assim mesmo Jesus me cura em nome do pai filho isprito santo amém....jesus de nasaré há de provê tudo e dá miora. (Ent.09, linha 491) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Espinhela Espinhéla. He huma cartilagem, ou uma espécie de osso brando, & flexível que esta no fim do peito, pegada ao osso Stenon, a qual cartilagem chamão os médicos Cartilago enfi formis, ou mucronata, ou Xifois, do grego Xiphos, que val o mesmo que Espada, como também porque serve para escudo, e defensa da boca do estomago; alguns lhe chamão Propugnatulam Stomachi, outros por outras razões lhe chamão, Malum granatum, & malum punicum. Cahe a Espinhela, ou para melhor dizer relaxase, ou torcese, por causas, extrinsecas, como, quedas, forças, pesos, ou por causas intriseca, como tosses violentas, copia de humores, alimentos e bebidas muito humidas, & 187 frias, & relaxandose ofende as partes sobre que está caída, ou dobrada. 2. Morais: Espinhela s.f. Cartilagem, que remata interiormente o Sternon. §Cair a espinhela; relaxar-se a tal cartilagem. 3. Laudelino Freire: Espinhela caída s..f. Expressão inexata com que o vulgo ignorante define a dor no esterno, causada por doença ou fadiga: “O doente de espinhela caída acusava um peso muito forte e perene no peito e a impossibilidade de levantar as mãos juntas à mesma altura.” (V. de Taunay). 4. Aurélio: Espinhela [De espinha + -ela.] S. f. Espinhela caída. Bras. Pop. 1. Designação comum a numerosas doenças atribuídas pelo povo à queda da espinhela. 5. Cunha: Espinha sf. espinhELA  espinhella XIV. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 239. ISPRITO Nm[Ssing]_______________________________________________05 ocorrência Com deus me deito com deus me alevanto...com a graça divina e o sinhô isprito santo. (Ent.01, linha 333) Assim mesmo jesus me cura...isso aí...com {deus pai deus filho deus isprito santo amém}(Ent.01, linha 378) Isso...quem pricisa tem falá é assim...com deus pai deus filho deus isprito santo amém. (Ent.01, linha 443) Pai do fi do isprito santo amem...jesus é nascido Jesus nascido é fí da virge Maria sem pecado é Jesus Nazaré cura E de ispinhela caída vento virado bila derramada ar preso vento igalzado assim mesmo Jesus me cura em nome do pai filho isprito santo amém....jesus de nasaré há de provê tudo e dá miora. (Ent.09, linha 490) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Espirito Espìrito. Substancia vivente, incorpórea & immaterial. Dizse de Deos, dos Anjos e dos Demonios. 2. Morais: Esprito por Espirito. 3. Laudelino Freire: Esprito s.m. Pop. O mesmo que espírito. 4. Aurélio: Esprito [Var. sincopada de espírito.] S. m. 1. Ant. Pop. Espírito. 5. Cunha: Espírito sm. ‘parte imaterial do ser humano, alma’  XIII, spi- XIII, esperito XIII etc.  Do lat. spīrĭtus – ūs. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 240. ISPRIVITADINHAZINHA [ADJ]____________________________________01 ocorrência 188 Falava as palavra isprivitadinhazinha...dava pra aprendê uai. (Ent.01, linha 327) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 241. ISTALERO Nm[Ssing]_____________________________________________01 ocorrência Mais a gente compra bambu faz um istalero assim ( )faz fuganzim arto quem qué fazê faz um jirauzim a cumá (F...) fazia num jirauzim agora ela leva fugarero. (Ent.06, linha 286) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Estaleiro [F. metatética de asteleiro < astela, lat. *astella, por *astula, por assula, 'lasca'.] S. m. 2. Bras. N.E. Leito de paus sobre altas forquilhas, que é uma espécie de jirau onde se põe a secar milho, carne, etc. 5. Cunha: Estalar estalEIRO XIII 6. Amadeu Amaral: Estalêro, s. ra. - armação de madeira para plantas que trepam, como abóboras; espécie de jirau. ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 242. JAPONA Nf[Ssing]________________________________________________02 ocorrências Foi o quê que ê fez tirô a japona ê tava com dois japona né... tiro uma japona dê e deu pra ea bistí pôs ea no carro levô ea no Conceição do Serro e tôrxe ea ...sortô no mesmo lugá. (Ent. 09, linha 62) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Japona s.f. Ital. gippone. Pop. Espécie de jaquetão ou camisola. 4. Aurélio: Japona¹ [Subst. de japona, fem. ant. de japão (o moderno é japoa -- q. v.).] S. f. 1. Mar. Abrigo de frio, curto, espécie de jaquetão em geral de pano azul-ferrete, us. por oficiais e praças por cima do uniforme: "Moços e marinheiros, .... encolhidos e trêmulos de frio, nas suas já alagadas japonas d'oleado, .... cantavam pressagamente" (Virgílio Várzea, Nas Ondas, p. 16). 2. Casaco esportivo, de lã grossa, inspirado no modelo da japona (1), e adotado na indumentária masculina e feminina. 5. Cunha: 189 Japona sf. ‘espécie de jaquetão’ XIX. Do top. Japão. 6. Amadeu Amaral: Japona, s. f. - espécie de capa de baeta. ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 243. JARACUÇU CABEÇA DE PATO NCf[Ssing+Ssing+prep+Ssing]__________01 ocorrência Inventei de fiá essa mão aqui ó...a mão esquerda essa é a mão esquerda...enfiei a mão assim ó quano eu enfiei a mão assim ó saiu aquê bicho/aquea BICHONA com aquê cabeção assim ó ((risos))cóba jaracuçu cabeça de pato.(Ent. 10, linha 31) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Jararacuçu s.m. Cobra venenosa, comprida e verde-negra (Lachesis alternatus). 4. Aurélio: Jararacuçu [De jararaca + -uçu.] S. f. e m. Bras. Zool. 1. Reptil ofídio, crotalídeo (Bothrops jararacussu), comum nas regiões baixas e alagadiças desde o litoral S. e L. até a região C.O. do Brasil, de dorso amarelo-escuro com largas manchas laterais levemente unidas ou confluentes; comprimento: até 2,20m. 5. Cunha: Jararaca jararacUÇU c 1584. 6. Amadeu Amaral: Jararacuçu, s. f. - jararaca grande. ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 244. JIRAU Nm[Ssing]________________________________________________02 ocorrências A gente compra bambu faz um istalêro assim ( )faz fuganzim arto quem qué fazê faz um jiralzim a cumá (F...) fazia num jiralzim agora ela leva fugarero. (Ent. 06, linha 286) Eu chuchava lá pa casa do ...da dona dele chegava lá tinha aquela purção de cama de jirau assim ó ‘quea purção cada cama tinha um balaím d’buneca dibaxo. (Ent. 06, linha 286) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Jirau s.m. 3. Palanque, dentro de casa, entre o pavimento e o teto, para arrumação de objetos vários. 4. Aurélio: Jirau [Do tupi.] S. m. Bras. 1. Estrado de varas sobre forquilhas cravadas no chão, us. para guardar panelas, pratos, legumes, etc.: "Em frente, ou no chão, ou sobre um jirau de madeira, vasos, paneiros, pedaços de panelas, restos de potes, cheios de flores." (José Veríssimo, Cenas da Vida Amazônica, pp. 342-343.) 5. Cunha: Jirau sm. ‘espécie de estrado’ 1587, iurao c 1596, juraó 1627 etc.  Do tupi iu’ra. 6. Amadeu Amaral: 190 Jirau, s. m. - estrado de varas ou tábuas, colocado sobre esteios, ou na parte superior de uma parede, para nele se depositarem objetos quaisquer, ou para se fazer algum serviço, como de serra, que demande altura para o competente manejo. ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 245. JUNTA DE BOI NCf[Ssing+Prep+Ssing]_______________________________01 ocorrência Enfiei a junta de boi no engem o boi de dentro quis falá com papai (Ent.10, linha 187) Cortô arrozi nós ispaiô arrozi no terrero com seis junta de boi (Ent. 07, linha 02) Cê foi rudiano rudiano rudiano até cê vê a cuntidade de cabê quato ... cinco junta de boi (Ent.07, linhas 36 e 37) E caminhava/botava umas cinco junta de boi e ê memo ia rodano e ocê sentado só fazeno a vorta (Ent. 07, linha 38) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e Junta de boys Dous boys juntos ao carro, ao arado, &c. Boum jugum, i.Neut. Cic ou Boum juntura, λ Femin. Columel 2. Morais: Junta Uma junta de bois; um par, um jogo 3. Laudelino Freire: Junta de bois s.f. Reunião de dois bois ajoujados para trabalharem 4. Aurélio: Junta de bois Parelha de bois ajoujados para trabalharem: “os carros tirados por juntas de bois avançavam na estradas trazendo festivos matutos” (Melo Morais Filho, Festas e Tradições Populares do Brasil, p.151) 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 246. JUNTA DO OSSO NCf[Ssing+(prep+art)+Ssing]________________________02 ocorrências {Quê que cê arrumo no calcanhá}...é...machucado? a junta do osso ta criscida. (Ent. 01, linha 288) Por isso que tem que benzê na frente...daqui assim ó e o cê ispichá a junta do osso aqui...ta grosso é...deus abençoa que cê vai miorá. (Ent. 01, linha 448) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Junta O lugar, em que se juntão, & se unem os ossos do corpo. 2. Morais: Junta Articulação dos ossos 3. Laudelino Freire: Junta s.f. Fem. De junto. Articulação; o complexo das superfícies e ligamentos por que dois ou mais ossos se articulam entre si. 4. Aurélio: Junta [F. subst. do adj. junto (q. v.).] S. f. 1. Articulação, juntura: "retorcia-se, .... rilhando os dentes; .... as suas juntas estalavam como em deslocamento." (Coelho Neto, Obra Seleta, I, p. 789). 191 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 247. JUNTA ISCUNJUNTADA NCf[Ssing+Adj]____________________________03 ocorrências Jesus é nascido [...]Jesus nascido é [...] fí da Virge Maria [...] sem pecado é [...]me cura essa ringidura [...]Jesus Nazaré [...] ê me benze [...]de carne quebrada [...] veia rota [...]nervo assombrado [...] junta iscunjuntada [...]osso ringido [...] assim mesmo Jesus me cura. (Ent. 01, linhas 371, 404 e 435) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 248. JUNTAR DE GALOPADA Fras[V+prep+Adv]_________________________01 ocorrência Esse tempo (D...) tava dano escola...no Cipó e passava é por cima lá...o (G...) tava na escola da (D...)...aí quano ele de lá viu nóisi ê largô lá a sacola de trem largô tudo e juntô de galopada foi po lado do Jatobá foi rudiô lá por detrás foi isperá o ôns lá no camim do Cardoso. (Ent. 09, linha 124) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 249. LABUTAR [V]____________________________________________________01 ocorrência Minha mãe já tinha falecido...já tinha... ah já tinha bem tempo já essa epra né...e eu/labutava mesmo num tinha tempo pa nada não. (Ent. 01, linha 115) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Labutar. “Lidar. Trabalhar daqui, dali. No seu commento da canção 15. de Camoens, Estanc.7, diz Man. de Faria, que catar por buscar, & labuatr por lidar, são palavras de Lisboa, & juntamente 192 estranha muito, que em hua Corte, tam presumida de fallar bem, se usem palavras tam impróprias, & grosseiras. Mas hoje saõ pouco usadas as ditas palavras. Vid. Lidar. (E com as mesmas ansias; com que estava labutando. Vasconc. Vida do Padre Joaõ de Almeida, pág.130.)” 2. Morais: Labutar. “v. n. Lidar, trabalhar, lutar.” 3. Laudelino Freire: Labutar. “v. r. v. Lat. laborare. Trabalhar penosamente e com perseverance (intr.; tr. ind., com prep. em, por): “Vivemos labutando”. “Labutamos na cratera de um inferno” (Rui).” 4. Aurélio: Labutar. “[De labor, poss.] V. int. 1. Trabalhar duramente e com perseverança; lidar, laborar. 2. Esforçar-se, empenhar-se. / V. t. d. 3. Levar, suportar, viver.” 5. Cunha: Labutar. “v. labor” “labutar / lavutar XVI / O termo, que parece de criação vernácula, talvez se tenha originado do cruzamento de lab(or) com (l)utar, dada a sua acepção ‘trabalhar penosamente e com perseverança’.” 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 250. LAJIADO Nm[Ssing]______________________________________________03 ocorrências Viu um baruião lá tinha uma barrancêra medonha e um cipó assim ó depois papai foi lá ĩzaminô o lugá lá tinha uns cipó assim e foi correno chegô lá infiô o sapato assim ó e caiu de cabeça pa baxo po lajiado abaxo...caiu den’ do poço lá meu fí...morreu. (Ent. 09, linha 207) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Lageado , part. pass. de Lagear. 3. Laudelino Freire: Lajeado s.m. 2. Regato cujo leito é de rocha. 4. Aurélio: Lajeado [Part. de lajear.] S.m. 2. Pavimento lajeado; lajedo, lajeiro, lajeamento. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 251. LAMBICAR [V]__________________________________________________02 ocorrências Dindim (M...) tava mexeno com armoço falava assim “vai judá (Z...) lambicá lá embaxo”...discia eu e cumá (D...). (Ent. 08, linha 100) Aí dindim (M...) chegava lá na berada do barranco via padim (Z...) lá lambicano “o (Z...) cadê as menina?” “uai muito tempo (M...) eas subiu pra lá”. (Ent. 08, linha 112) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Alambicar v.at. Distillar por alambique. 193 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Alambicar [De alambique + -ar².] V. t. d. 1. Destilar no alambique. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 252. LAMBIQUE Nm[Ssing]____________________________________________02 ocorrências Ê tinha até uns lambiquim assim é...aqui pas bêra do cóigo né mas só pá pruveitá as cana mas quano era mais gente pra fazê ê dava pa ôtra gente. (Ent. 07, linha 41) Punha o dinhêro lá tinha lambique tinha tudo cuntuá era home forte escondeu dinhêro morreu quano os menino foi oiá cê viu foi cinza...foi embora tudo virô cinza. (Ent. 11, linha 175) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Alambique s.m. Vaso, que consta de recipiente, onde se põe o que há de distillar-se, e de cabeça, ou capitel, onde se ajunta o vapor, que condensado em líquido sahe polos canos, ou gargalos. 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Alambique [Do gr. ámbyx, 'vaso de beira levantada', pelo ár. al-anbCq, 'vaso de cobre, ou de vidro, em que se destilam ervas, flores e licores'.] S. m. 1. Aparelho de destilação, constituído por uma caldeira na qual se depositam os materiais por destilar, e onde se desprendem e acumulam os vapores que, por meio de uma tubulação especial, chegam ao condensador, e aí tornam, pelo resfriamento, ao estado líquido; destilador. 5. Cunha: Alambique sm. ‘aparelho para destilação’ XVI. Do Gr. ámbix –ikos. pelo ar. al – ‘ambīq. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 253. LAMPARINA Nf[Ssing]___________________________________________04 ocorrências Dexô lá tudo era cuberta de gudão branquinha né e a fronha bordada de crivo quano cumpá (Z...F...) foi deitá que foi lumiá com a lamparina assim pra deitá ((risos)) a fronha era bosta pura da maritaca. (Ent. 08, linha 07) Quano num tava ventano...nós escumava com lamparina...lumiava com lamparina né...porque ninguém aqui tinha luzi. (Ent. 09, linha 36) Foi caçá tatu andô por esses arto fora desceu la trás no capão de lá caçano tatu com gaiola e inxadão lamparina chucho tudo tava com ês. (Ent. 09, linha 199) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Lamparina. s.f. De lâmpada. Aparelho composto principalmente de um reservatório onde se contém azeite ou outro líquido apropriado, e munido de torcida que se acende para alumiar. 194 4. Aurélio: Lamparina .[Do esp. lamparilla.] S.f. 1.Pequena lâmpada. 2.Pequeno recipiente com um líquido iluminante (óleo, querosene, etc.) no qual se mergulha um pequeno disco de madeira, de cortiça ou de metal traspassado por um pavio que, aceso, fornece luz atenuada; luminária: ―no pequenino oratório florido, a lamparina de azeite coava a sua luz longínqua para um crucifixo doloroso‖ (Enéias Ferraz, Adolescência Tropical, p. 15). [Cf. candeia1 (1).] 5. Cunha: Lamparina. 1858. Do cast. lamparilla. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Lamparina • (A) • Nf [Ssing] • Cast. • Pequeno recipiente com um líquido iluminante (óleo, querosene, etc.) no qual se mergulha um pequeno disco de madeira, de cortiça ou de metal traspassado por um pavio que, aceso, fornece luz atenuada; luminária. • O que eu sei contá é no começo da vida da gente na roça, era muita dificuldade. Lá num tinha nada, num tinha luz num tinha nada. E era tudo cum lamparina de querosene. (Ent. 5, linha 6) 254. LANÇADERA Nf[Ssing]___________________________________________07 ocorrências O tiá é assim tinha um tanto de gente de um lado um tanto do ôto e os violêro agora ficava assim um mucado de lá um mucado de cá agora tinha as lançadera do lado da...da roda ficava de cá as lançadera eas tinha que cê iscuída porque eas tinha que fazê na hora que tocava a dona Chiquinha do arrozá passa pra lá passa pra cá. (Ent. 03, linhas 165 e 166) O tiá era a mesma coisa menina bão pa dançá o tia todo mundo era o/tiá dançava a mesma coisa desse...tinha as lançadera tinha...é uai as lançadera. (Ent. 03, linha 169) Era bunito demais o povo sabia brincá sabia brincá e nós ficava menina ah eu gostava da dona chiquina e do tiá...eu gostava de sê lançadera. (Ent. 03, linha 176) Eu num errava um ponto a hora que ia as lançadera né...e na hora..que vinha passava por baxo das lançadera né pra...pra cá a ôta ia pra lá...depois do tiá ia tê o batuque aí saía o recortado. (Ent. 03, linha 177) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Lançadeira Instrumento, com que o tecelão vay lançando no tear os fios transversaes da sua obra. Radious ii. Masc. Virgil. (Com sua lançadeira trabalha o tempo na teia da vida. Lenitivo da dor, 158) 2. Morais: Lançadeira s.f. Instrumento de tecelão, em que vai eleyado o fio, com que se tece o panno, passando-a por entre os fios do ordume. 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Lançadeira [De lançar + -deira.] S. f. 1. Peça de tear, que contém um cilindro ou canela por onde passa o fio da tecelagem. 5. Cunha: Lança lançAD.EIRA XVI. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 195 255. LARANJA CREME NCf[Ssing+Ssing]________________________________01 ocorrência Ês misturava é com airco misturava...botava airco botava laranja creme...ficava gostosa proquê era doce botava um adocicado nela é por isso que ea subia ea tinha doce cachaça num pode num pó vê doce. (Ent. 11, linha 211) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 256. LAVRAR [V]____________________________________________________04 ocorrências Lavrá...lavrado que preparava a terra e tinha mais o fazendêro prantava a roça mais era roçado...roçava o mato num tinha arame pra fechá a roça tamém não. (Ent. 04, linha 416) A primera roça que eu prantei aqui foi ali do ôto lado foi lavrado na enchada tinha que lavrá na enxada que num tinha arado...adubo...adubo foi de um certo tempo pra cá num tinha adubo que o povo estudo aí veio o adubo. (Ent. 04, linha 435) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Lavrar. Lavrar madeira. Vid. aprainar. 2. Morais: Lavrár. v. at. Fazer qualquer obra de mãos, v.g. obra de marceneiro. 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Lavrar. v.t.d. 3. Lapidar. 5. Cunha: Lavrar. Do lat. laborare. XIII. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: Lavrar • (A) • [V] • Lat. • Aprainar, tornar a superfície plana. • Aí ês riscava assim/vamo supô que a /ês lavrava o pau que é redondo, né? (Ent. 1, linha 672) 257. LEMENTAR [V]__________________________________________________01 ocorrência A unha dê é des’ tamãim uai...cavaca e ê vai com a língua assim e ea fica grossa memo quano ê vê que a formiga ô o cupim já juntô ea vorta pra dentro e vorta limpa pa trás né ê lementa assim a boca dele é redonda assim. (Ent. 04, linha 306) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: 196 Lementação s.f. antiq. Alimento. Nobiliar. 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 258. LIBRA Nm[Ssing]_________________________________________________02 ocorrências Tinha um fuso lá na roda agora depois da linha tá cheia mesmo pudia sinhora parava a roda...parava a roda e agora aí enrolá aquela roda toda e fazê aquês nuvelo es falava uma libra...uma libra um nuvelo desse tamãim assim. (Ent. 04, linha 32) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Libra [Do lat. libra.] S. f. 1. Unidade de medida de massa, igual a 0,45359237kg, utilizada no sistema inglês de pesos e medidas; libra-massa[símb.: lb ]. 5. Cunha: Libra sf. ‘peso, moeda’  XIII, livra XIII etc.  Do lat. libra 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 259. LOBO GUARÁ NCm[Ssing+Ssing]__________________________________02 ocorrências Larguei tudo tinha medo...tinha medo tava sozim diz que lobo guará assim se ocê mexê com ele ê ataca mesmo. (Ent. 05, linha 159) PESQ.: e bicho? diz que aqui tinha muito lobo. INF.: ah cabô tudo...ieu atirei num aqui ê tava atrás da cachorra...menina todo dia ê vinha cumpanhano a cachorra né...o guará. (Ent. 09, linha 455) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Guará² [Do tupi gwa'rá.] S. m. Zool. 1. Mamífero carnívoro, canídeo (Chrysocyon brachyurus), das regiões abertas do N. da Argentina, do Paraguai e do Brasil, especialmente nos cerrados, de coloração pardo-avermelhada, mais escura no dorso, pés e focinho pretos, com mancha branca na garganta. Mede 1,45m de comprimento e 45cm de cauda; alimenta-se de pequenos mamíferos, aves e frutas. Extremamente arisco, tem hábitos noturnos. É um dos maiores e mais belos canídeos. 5. Cunha: Guará³ sm. ‘mamífero carníviro da fam. dos canídeos (Chrysocyon brachyurus)’ | 1817, aguará 1618, avara c 1777 | Do tupi aüa’ra. V. JAGUARAGUAÇU. 6. Amadeu Amaral: n/e 197 ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 260. LORO Nm[Ssing]__________________________________________________01 ocorrência “Topázio caminha dois passo pra frente” ê caiminhô mais dois passo pra frente eu pequei no lóro e levantei... com essa mão daqui sigura levantei uma dor...levantei de novo o trem zuô travêz eu fui e garrei memo na cabeça do arrei. (Ent. 02, linha 51) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Loro Correia em que se prende o estribo à sella. Lorum, i. Neut. Del Rey D. João de boa memória se escreve, que antes que fosse a memorável batalha de Aljubarrota, foy em romaria a Abrantes encomendar o bom sucesso da sua jornada a S. João Bautista cuja igreja he huma das quatro Freguesias da dita Vila, & ainda hoje mostrão os moradores a pedra a porta da mesma Igreja donde se pos o cavallo, & contão, que quebrandose-lhe hum loro do estribo, julgado do seus a mao prognostico, disse: calaivos, que quando que me não aguardão, os loros, menos me aguradarão os Castelhanos. (As cilhas moderadamente apertadas os loros em seu ponto. Cavallar de Rego, 116.) 2. Morais: Lóro s.m. Correya dobrada, que sostèm o estribo, e o prende à sella da besta. 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Loro [Do lat. loru.] S. m. 1. Correia dupla afivelada à sela ou selim para sustentar o estribo: "passou revista .... nos arreios do baio e da rosilha, depois nos cascos; e .... foi .... aqui apertando um loro, ali afrouxando uma cilha" (José de Alencar, Til, p. 43). 5. Cunha: Loro sm. ‘correia dupla que sustenta o estribo’ XIV. Do lat. lōrum –i ‘correia’. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 261. LUBISOME~LOBISOME Nm[Ssing]________________________________06 ocorrências O menina ô andava nesse mato aqui iguali lobisome...mema coisa de lobisome andano de noite. (Ent. 02, linhas 285 e 286) Lobisome eu já vi com os meus dois ôio. (Ent. 09, linha 244) Era lubisome boba aí depois...agora que cabô essas históra de lubisome mais antigamente andava lubisome e...mula sem cabeça...minha mãe viu mula sem cabeça. (Ent. 09, linhas 270 e 271) Numa famía que tinha sete muié num tinha um home no meio a que interava sete era mula sem cabeça e tamém lubisome tamém era a mesma coisa o que interava sete ((risos)) eas num intende nada disso não né ((risos)) home tamém se interasse sete sem tê uma muié no meio era lubisome cê sabe que tigamente andava isso mas hoje em dia é raro. (Ent. 09, linhas 302 e 304) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Lobisomem Vid. Lubisomen. Lubisomem ou Lobishomem. Na opinião popular he espírito maligno q’ anda de noite pelas ruas, & pelos campos. Mas na realidade não he outra cousa, que algum homem doudo melancólico, ou furioso, que anda correndo de noite huivando, & maltratando aos que topa. Os médicos chamão 198 esta doença com o nome Grego Lycantropia. De maneira que lobshomem val tanto como homem lobo, ou homem furioso como lobo. 2. Morais: Lobishomem. V. Lupishomem Lupishomem s.m. ou lubishomem, O homem de quem o vulto crê, que se transforma em lobo, ou outro animal, e anda vagando de noite até que alguém o fera, e assim tome a sua primeira forma, quebrando-lhe fadário. 3. Laudelino Freire: Lobishomem s.m. Homem que, segundo a crendice popular, se transforma em lobo ou outro animal. 4. Aurélio: Lobisomem [Alter. do lat. lupus homo, 'homem lobo'.] S. m. Folcl. 1. Homem que, segundo a crendice vulgar, se transforma em lobo e vagueia nas noites de sexta-feira pelas estradas, assustando as pessoas, até encontrar quem, ferindo-o, o desencante. 5. Cunha: Lobo¹ sm. lobisOMEM | lobishomem XVI | De um lat *lupis hominem ‘homem-lobo’. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 262. LUMIAR [V]_____________________________________________________03 ocorrências Tava iscuro né tirei o fósfo lumiei assim ó tava aquê cuê de bicho pro chão fora. (Ent. 04, linha 294) (Ent. 04, linha 294) Quano cumpá (Z...F...) foi deitá que foi lumiá com a lamparina assim pra deitá ((risos)) a fronha era bosta pura da maritaca. (Ent. 08, linha 07) Nóis iscumava tacho com a lanterna...quano tava ventano iscumava co’a lanterna...inquanto tava de soli...quano num tava ventano...nós escumava com lamparina...lumiava com lamparina né...porque ninguém aqui tinha luzi. (Ent. 09, linha 36) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Lumiar. “v. at. V. Allumiar. Arraes, 3. 10. “O sol lumia.” E 3.3. “lumiar o entendimento”.” 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Alumiar [Do lat. iluminare.] V. t. d. 1. Dar luz ou claridade suficiente a; iluminar, (desus.) aluminar 5. Cunha: Iluminar alumiar | -mear XIII | do Lat. *allūminātĭo. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: Lumiar (n/A) v. Tornar claro algum lugar. Variante antiga de alumiar (alumiar > lumiar – caso de aférese). Cf. alumiar. "... era bem pequenininho e tinha as cancelinha assim ao redor... e botava as candeia pra lumiar.” (Entr.6, linha 13) 2. Ribeiro: n/e 263. MACO-MACO NCm[Ssing+Ssing]__________________________________02 ocorrências 199 PESQ.: chuveu? e quê que aconteceu I? INFO.: uai ô durmi na casa de (R...)...(R...L...)...(L...) do Morro fui buscá maco maco fui buscá dispesa é maco maco...ganhei fui abuscá...busquei...ô truxe um sacão assim ó tudo cheio. (Ent. 10, linhas 151 e 152) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 264. MÃE DE PRIMERO LEITE NCm[Ssing+Ssing]________________________01 ocorrência Tia e mãe de primero leite né...quano eu nasci ela que me deu primêro leite. (Ent. 01, linha151) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Mãe-de-leite S.f 1. V. ama-de-leite. Ama-de-leite S.f 1. Mulher que amamenta criança alheia; ama, babá, criadeira, mamã, mãe-de-leite. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 265. MÃIDOCA~MÃINDOCA Nf[Ssing]_________________________________29 ocorrências Na péda que torrava a farinha a gente num faz/é a gente num faz farinha de mãindoca mais né...era trucido no pano. (Ent. 01, linha 21) Quan’ eu morava com o pai né...sortêra...fazia farinha de mãidoca...mãidoca buscada na cabeça bem longe ieu mesmo rançava. (Ent. 01, linha 85) Ranquei uma carga de mãindoca pa ê uma vez...porque...meu marido mandô...meu pai mandô...ieu era casada não...o (C...L...) quereno uma carga da mãindoca pa fazê farinha a meia. (Ent. 01, linha 90) Era pôco pra cima da onde nós morava...pé de mãindoca dessa grussura assim. (Ent. 01, linha 92) Cada mãindoca bitela memo...mãidoca cacau...mãidoca chitinha. (Ent. 01, linha 94) Mãidoca chitinha ela dá bem dizê é redonda e ea num entra no chão tamém não é...ea fica/dava...dava aquea roda assim...aquea roda assim de mãidoca no pé a gente via a cacunda dela. (Ent. 01, linhas 96 e 97) Agora a mãidoca cacau ela já dá mais cumprida e mais pro chão adentro...a mãindoca chitinha ea dá é grossa e curta...ea ficava c’ a cacunda de fora assim...no pé...rancava aqueas mãindoca bitela mesmo inchuta que tava uma beleza. (Ent. 01, linhas 100, 101 e 102) Essa epra que eu ranquei essa carga de mãidoca pa cumpá (C...) fazê farinha era casião dela inchutinha e todas duas qualidade era boa. (Ent. 01, linha 103) 200 Tava c’um balaím que eu tinha custume...buscava mãidoca nele lá no..na casa do (Z...). (Ent. 01, linha 104) Bem pa cima...do ôto lado da onde é que era o mãindocal nosso que ieu ranquei mãidoca pa cumpá (C...) buscá...eu buscava mãidioca lá no balaim pá podê fazê farinha a meia c’ ê...esse dia eu tava cum esse balaim. (Ent. 01, linha 108) Pois é tinha vontade de tabaiá...ralava mãidioca no ralo ruco ruco...é um aqui ó que é igualzim o que eu tinha lá em casa. (Ent. 01, linha 119) Só cê veno mia fia ea levava um dí intirim torrano uma torrada de farinha d’mãidoca...eu tinha dó dea que ea era muito mole. (Ent. 03, linha 97) Num tava dano nada o povo dismureceu prantá né...arrendô pa prantá rama de mãindoca...né...nós prantô menina mais...foi um tempo bão aí é que eu sarvei graças a deus. (Ent. 05, linha 43) Carregano carguero de...de mio....de mi não de mãindoca lá do...lá do Mata Mata lá pra cá lá é...do/carregano...rancano mãindoca debá’ de chuva ieu mais cumpade (A...) meu irmão. (Ent. 09, linhas 01 e 02) Nós tinha mãidoca...nós ingordava poico trazeno mãindoca na cabeça assim pareceno chifre de boi jogava no terrero é poica é capado cumia engordava que nós num passava farta de toicim. (Ent. 09, linhas 449 e 450) Mas agora mia fia ninguém...cê pranta uma mãindoca num pega cê pranta uma rosa num tá pegano mais. (Ent. 09, linha 451) Uai fazia tudo conté sirviço...machado não...ajudano os ôto fazê farinha de mãindoca...rancano mãindoca pos ôto...é fazeno tudo...quebrava mio. (Ent. 10, linha 102) O armoço andu podre chei de bicho grudura de boi farinha de mãidoca arrozi daquele arroz vermei cê pudia sentá na testa dum qu’ê caía de costa. (Ent. 11, linha 251) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Mandioca Raiz como cinoura, ou nabo, que he toda a fartura do Brasil. Produz um talo direito da altura de hum homem, ornado de folhas repartidas a modo de estrelas. A flor, & a semente são pequenas. Tem a Mandioca de baixo de si nove espécies. 2. Morais: Mandioca s.f. Raiz farinácea Brasilica, de que se faz a farinha, com que lá comem o conduto. 3. Laudelino Freire: Mandioca s.. Planta do Brasil, da familia das euforbiáceas, chamada também maniva, manuba e manduba (Manihot utilissima). 4. Aurélio: Mandioca [Do tupi.] S. f. Bras. 1. Bot. Planta leitosa, da família das euforbiáceas (Manihot utilissima), cujos grossos tubérculos radiculares, ricos em amido, são de largo emprego na alimentação, e da qual há espécies venenosas, que servem para fazer farinha de mesa. 5. Cunha: Mandioca sfg. ‘planta da fam. das euforiáceas (Manihot utilíssima), raiz tuberosa, comestível, que fornece amido, tapioca e farinha e com a qual se preparam inúmeras iguarias’ | 1549, 1557 etc., mandioqua 1556 etc. | Do tupi mani’oka. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 266. MÃIDOCA CACAU NCf[Ssing+Ssing]_______________________________02 ocorrências Cada mãindoca bitela memo...mãidoca cacau...mãidoca chitinha. (Ent. 01, linha 94) Mãidoca cacau ela já dá mais cumprida e mais pro chão adentro...a mãindoca chitinha ea dá é grossa e curta...ea ficava c’ a cacunda de fora assim. (Ent. 01, linha 100) ________________________________________________________________________________ 201 Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 267. MÃIDOCA CHITINHA NCf[Ssing+Ssing]____________________________03 ocorrências Cada mãindoca bitela memo...mãidoca cacau...mãidoca chitinha. (Ent. 01, linha 94) A mãidoca chitinha ela dá bem dizê é redonda e ea num entra no chão tamém não é...ea fica/dava...dava aquea roda assim...aquea roda assim de mãidoca no pé a gente via a cacunda dela. (Ent. 01, linha 96) Mãidoca cacau ela já dá mais cumprida e mais pro chão adentro...a mãindoca chitinha ea dá é grossa e curta...ea ficava c’ a cacunda de fora assim. (Ent. 01, linha 100) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 268. MAISI¹ [Conj]___________________________________________________24 ocorrências Inquanto eu guentei eu judei né...muê coco no aranholi...a mão...é...melá coco d’gurdura...maisi...eu só torro ali pra ê ((referindo-se ao filho))...ê torra uma torrada e põe lá no pilão. (Ent. 01, linha 50) Panhei pobrema de coluna num guento qualqué coisa maisi...num posso ficá isforçano. (Ent. 01, linha 128) Maisi... história é no tempo que nós tava na escola era pobreza demais num tinha merenda nessa epra não num tinha nada nós levava batata assada. (Ent. 03, linha 15) Ea falô assim “nossa que farinha de minduim cherosa cês pudia me dá uma cuierada dessa farinha de minduim” aí eu falei assim...“maisi ocês deu pra nós o quejo mais a marmelada? pois ocês num vai ganhá nem um tiquim dessa farinha de minduim”. (Ent. 03, linha 23) Maisi ô menina mais era uma coisa impussívi viu...que ela era diferente...de tudo...ela pá morrê ela chamô...pidiu a neta dela pa pidi nós pa i lá rezá o ofíço. (Ent. 03, linha 57) Mudô pá Pedo Leopoldo inventô de fazê um munho lá...um...um...munho d’vento era um trem de ar...maisi...mudô pa Pedo Leopoldo. (Ent. 03, linha 68) Agora que eu num faço azeite mais num mexo com isso mais que eu tô sozim né...maisi a gente quebra o coco leva lá pro tem até o aranholi. (Ent. 04, linha 66) Quano nós vei pra qui o (T...) inventô de fazê um banherim pra véia né pra (C...) maisi quais no mês que ê inventô de querê fazê a L “é tem que fazê cumpade vamo juntá e fazê um banherim pa 202 mamãe” ah foi até morrê mai num turô nada. (Ent. 06, linha 305) Ês prifiria esse açúca...ele era de preferência memo fazia era saco de açúca memo e ê ficava branquim quebrava todo e secava no...no...côro no pano...no pano mesmo...colocava assim no sol ficava sequim...quebrava ê todim e insacava...papai fez muito papai fez muito maisi...mais ah num sei mais contá não. (Ent. 07, linha 87) Ê num tava bão que a gente tava notano que ê tava deferente assim mei dismuricido maisi...disse “ah num tô sintino nada num tô sintino nada”. (Ent. 07, linha 209) Aquilo foi uma luta maisi deus ajudô que ea criô tudo aí depois que ês crescero aí já foi saino né cumeçô trabaiano na cerâmica aqui em cima. (Ent. 07, linha 227) Aí quando eu tô lá assim...sonhei que...é sonho...mais depois ainda fiquei caçano assim pra vê se eu via ele...maisi aí eu to lá defé oiei assim ê tava lá encostado. (Ent. 07, linha 252) Já vei gente aqui boba até no tempo da mamãe preguntano quereno sabê comé que era as coisa aqui mamãe era de Jabaticatuba teve que iscrevê as coisa lá de Jabaticatuba maisi nem mamãe sôbe contá tamém. (Ent. 07, linha 394) Ea ficô assim tinha hora que ea tava boa né maisi era pegano os trem. (Ent. 07, linha 423) Nesse córgo aí no fundo da casa da (T...) aí traira tinha aquê trem...muita mesmo...maisi...nossa sinhora eu pesquei demais viu pescava nesses córgo tudo aí ó nesses córgo das Péda nesse córgo dos Barro aí. (Ent. 08, linha 120) Minha irmã...ea tabaiava é só olhá menino né...ea ficava só oiano menino...aí num tinha maisi...ieu que sobrava pa móde í lá po...oiá criação. (Ent. 09, linha 15) Maisi...mia fia...maisi eu vô falá cô cê...esse mundo...eu muía...saía daqui duas hora de madugada daqui não...daqui mesmo...meu pai morava ali onde que tem aqui casa de (C...). (Ent. 09, linha 20) Teve lá no Belzonte estudano na casa do ti dela lá né...maisi agora fica aí coitchada...tava contano nóis levantava duas hora da madugada...muía cana. (Ent. 09, linha 31) Maisi...eu lá ia lá buscá lenha e tinha um pé de coquêro cá pa baxo assim né...e lá em cima tinha um pé de coquêro e uma grota ‘ssim. (Ent. 09, linha 42) Se pô no soli quente assim dexa ea secá fica crarinhazinha aquilo dá uma garapa mia fia mas só veno...maisi...esse home incarô ne mim essa vezi la mia fia e eu num vi ê mais nunca. (Ent. 09, linha 191) Êsi viero ôto dia caçá caçaro num acharo...maisi e o medo de entrá la dento cê sabe quem é que achô ele mais o...quali os dois que achô ele? mais quais que ês morre de medo. (Ent. 09, linha 211) Gostava daquilo fazia pa cumê com angu cumía sal puro no macarrão com angu maisi...antigamente nós prantava cuía mio fejão arroz bastante nós cuía arroz aqui na Guariba. (Ent. 09, linha 447) Esse povo roda pra esse trem afora aí é comprado uai...maisi...o dinhêro que ê tinha ê tinha que o bichim punha pra ê. (Ent. 11, linha 173) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e Nota: maisi~mas: paragoge 269. MAISI² [ADV]__________________________________________________03 ocorrências Esse home ficô um tempão falano nesse trem e a cocêra (D...) que ele tinha as duas perna coçava coçava coçava e coçava a oreia mais quase que esse home fica doido...e num escutô maisi daí pra 203 cá. (Ent. 02, linha 22) PESQ.: (S...) como é que faz açúcar hem?INF.: uai nós fazia é...tomava aquele ponto assim...de melado maisi...mais ralo...e punha no cocho...cocho de pau. (Ent. 07, linha 46) Tinha o açúca mais branco...e...e...mais iscuro o mais branco a gente usava pra fazê doce fazê as coisa assim fazê...biscoito e malado maisi iscuro fazia café. (Ent. 07, linha 71) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e Nota: maisi~mais: paragoge 270. MALUNGA Nf[Ssing]______________________________________________01 ocorrência Aquea fia do (P...A...)...aquea fia do (P...A...) é malunga desse meu aqui ó. (Ent. 09, linha 433) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 271. MANGANGÁ Nf[Ssing]____________________________________________01 ocorrência Tinha bisorro marelo mangangá tinha bizorro de umas quatro qualidade saía e pastava pra onde ele quisesse mais de nôte morava lá. (Ent. 04, linha 380) Preto que é aquê mangangá miudinho tinha um grande né...ês arrancharo tudo lá dentro mais era cada um que gimia parece que tava cantano. (Ent. 04, linha 383) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Mangangá s.m. 4. Espécie de grandes besouros que roem madeira. 4. Aurélio: Mangagá [Var. de mangangá.] Adj. 2 g. Bras. Pop. 1. Muito grande; enorme. 5. Cunha: Mangangá sm. ‘abelha do gênero Bombus’ XX. Do tupi mana’na. 6. Amadeu Amaral: Mangangava, s. f. - vespídeo zumbidor, cuja ferretoada é dolorosa. | Será o "mangangá" do Norte? 204 ________________________________________________________________________________ Registro em Glossários 1.Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 272. MANGUARA~MANGUARINHA Nf[Ssing]___________________________01 ocorrência Aí ti (R...) veio... ‘o quê nêgo’ rastano a manguara ainda... ‘o quê nego que que foi?’ (Ent. 10, linha 209) Ea tava com a manguarinha ea catucô ea assim com a varinha catucô a égua com a varinha (Ent.10, linha 210) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Manguara s.f. Espécie de bastão para auxiliar a marchar em terreno escorregadio 2. Bengalão. 4. Aurélio: Manguara [F.paragógica de manguá] Bras s.f. Espécie de bastão mais grosso na parte inferior, largamente us. para auxiliar a marcha em terreno escorregadio. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 273. MANJARRA Nf[Ssing]_____________________________________________01 ocorrência Quano ê incostô na ôta muenda eu vi só pedaço da muenda fazê assim TÁ caiu a manjarra caiu tudo. (Ent. 02, linha 191) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Manjarra s.f. 2. Prensa usada na manipulação do fumo baiano. 4. Aurélio: Manjarra [De almanjarra, com aférese.] S. f. Bras. 1. Prensa empregada na manipulação do tabaco. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 274. MANJOCAL Nm[Ssing]____________________________________________01 ocorrência Já fiz muita farinha...aquí no Mato Seco eu tinha um manjocal plantado a meia com comá (Z...) um cunhado meu que casô com uma irmã minha mais nós fazia era cinquenta sessenta saco de farinha...sabe quanto que nós vindia? oito mil réis o saco. (Ent. 04, linha 400) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 205 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Mandiocal s.m. de mandioca + al. Terreno plantado de mandioca. 4. Aurélio: Mandiocal [De mandioca + -al¹.] S. m. Bras. 1. Quantidade mais ou menos considerável de mandiocas dispostas proximamente entre si. 5. Cunha: Mandioca mandiocAL sm. ‘plantação de mandioca’ 1757. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 275. MÃO DE PILÃO NCm[Ssing+Prep+Ssing]____________________________02 ocorrências Na hora que tá socano lá...qu’ê cumeça a bambiá ai vai isquentano a mão de pilão de vez em quano...a hora que ea soa toca lá depressa...soca soca soca...vorta lá torna isquentá nem a mão de pilão chupa a grudura e nem o pilão tamém...conserva só quente né. (Ent. 01, linhas 79 e 78) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Mão de Pilão s.f. Peça de madeira com que se tritura qualquer cousa no pilão. 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: Pilão, s. m. - gral de madeira, em que se pila a cangica, a paçoca, etc. - Pilão, t. port., que passou aqui a designar o gral, é propriamente o pau com que se pila. A este chamam aqui mão de pilão. ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 276. MÁQUINA DE PÉ NCf[Ssing+Prep+Ssing]____________________________01 ocorrência (J...B...) era companhêro da (M...) né era rica (M...) tinha máquina de pé custurava custurêra de primera. (Ent. 09, linha 392) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 206 277. MARELÃO Nm[Ssing]____________________________________________02 ocorrências Aí menina o menino vinha atrás de mim “marelão da infança pinico da cagança macarrão de santa casa” me xingano. (Ent. 03, linha 144) A mãe dele tava lá no terrero “ô (A...) o (R...) chegô com raiva falano que cê chamô ele de nego arubu da manga” falei “uai ti (A...) mais deus daqui que nós foi que ê ficô me chamado de macarrão de santa casa marelão da infança pinico da cagança”. (Ent. 03, linha 150) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Amarelão. s.m. De amarelo + ao. O mesmo que ancilostomose. 4. Aurélio: Amarelão. [De amarelo + -ão1.] Bras. S.m. 2.Bras. V. ancilostomíase 5. Cunha: Amarelão. Do lat. hisp. *amarellus, do lat. amarus. Século XX. 6. Amadeu Amaral: Amarelão, marelão. s.m. - anquilostomose. ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Amarelão• (A)• Nm [Ssing]• Lat.• Doença causada por vermes.• INF. 2: Ês fala até hoje, é mas ( ) amarelão dá/a pessoa dá amarelão. INF. 1: Hoje ês fala hipatite. (Ent. 1, linha 518) 278. MARRÍO Nm[Ssing]_______________________________________________01 ocorrência Põe uma duas ispaiava ela bem ralinha lá do marrío até a ponta do saco e aí agora é virá pra torcê ((risos)) virava direita turcía turcía. (Ent. 01, linha 246) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Amarrilho s.m. De amarra+ilho. Cordão ou fio com que se ata alguma cousa. 4. Aurélio: Amarrilho [De amarr-, como em amarrar e amarra, + -ilho.] S. m.1. Cordão ou fio com que se ata ou amarra qualquer coisa: "alta de porte, bem desempenada, a saia de chita descendo exata sobre os quadris, o cabelo sustido de lado por um amarrilho de fita." (Albertino Moreira, Boca-Pio, p. 108) 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 279. MASTIGAR [V]__________________________________________________02 ocorrências “De onde cê é?” ê foi mancô assim e disse “ieu sô do Capão Grosso”...“fí de quem?” mastigô mastigô depois disse “sô fí do (G...)”...G era muito amigo do (A...) aqui né do pessoali dele. (Ent. 09, linha 109) ________________________________________________________________________________ 207 Registro em dicionários: 1. Bluteau: Mastigar Mastigar as palavras. Mastigar pronunciando. Verba frangere (go. fregi fractum)(Mastigão as palavras entre os dentes. Lobo Corte na Aldeia 166) (As pronuciavão, ou mastigavão a seu modo. Vieira. tom. de Xavier, 165, col.1.) 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Mastigar v.r.v. Lat masticare. 4. Pronunciar com pouca clareza; não pronunciar por inteiro (tr. dir.): “ O senhor frei Jão dos Remédios pediu a capa e o chapéu ao piedoso Tomé, que lha entregou, mastigando uma oração ao anjo custódio.” (Rebêlo da Silva). 4. Aurélio: Mastigar [Do lat. tard. masticare.] V. t. d. 5. Fig. Ponderar, examinar, pesar (um assunto, um negócio, etc.). 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 280. MEDONHO [Adj]________________________________________________02 ocorrências Ê foi e disse “mais comé que nós vão fazê?” aí ô falei “tá medonho” aí nosso sinhô judô que (J...) arrumô um pedaço de terra na Caetana...tirô um pedaço de terra pra nós. (Ent. 03, linha 102) Nó eu dançava que nem uma condenada iscundido...meu irmão prometeu de atirá nas mias perna e eu intrimiava no mei do povo e frivia no baile vinha um candonguero e contava “o (C...)...(C...) tá dançano” ê chegava eu tava serenano na mão dos menino ((risos)) oh medonha. (Ent. 06, linha 31) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Medonho Horrível Horrendus ou horrificus, a um Cic. 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Medonho adj. 2. Funesto. 4. Aurélio: Medonho [De medo (ê) + -onho.] Adj. 3. Funesto, desgraçado, fatal: medonho destino. 5. Cunha: Medo medONHO XIV. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 281. MEIERO Nm[Ssing]_______________________________________________01 ocorrência Entre o Capão Grosso e a Serra ranchão de capim eu fiquei lá quase um mese cũzinhano pá tabaiadô e ê arrumáva muito tabaiadô porque ele arava terra e dava pros meiero. (Ent. 06, linha 137) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: 208 Meièiro, s.m O que tem a metade no total da fazenda, interesses, &c. 3. Laudelino Freire: Meeiro s.m. 2. Agricultor que planta a meias com o dono do terreno. 4. Aurélio: Meeiro [De meio + -eiro.] S. m. 5. Agr. Aquele que planta em terreno alheio, repartindo o resultado das plantações com o dono das terras. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 282. MELADO Nm[Ssing]______________________________________________15 ocorrências PESQ.: (S...) como é que faz açúcar hem? INF.: uai nós fazia é...tomava aquele ponto assim...de melado maisi...mais ralo...e punha no cocho...cocho de pau. (Ent. 07, linha 46) Tinha a fôrma e...e...aí punha...trazia o açúca e punha/aquê melado misturado com/que aí já tinha taiado né...misturado com açúca e punha na fôrma...a fôrma tinha...punha a bica assim pra corrê o melado. (Ent. 07, linhas 53 e 54) Aí ela ia pingano pingava na fôrma caía na vazia e fazia cachaça esses trem...com o melado né...e a agora a açúca era assim cê punha na fôrma depois que ea firmava aí picava ela toda...assim e socava massava e punha uma camada de barro...é um barro que tinha aqui no córgo. (Ent. 07, linha 61) O barro pro cima...agora ali pulgava...pulgava saía o melado todo saía o açúca branquim...tinha o açúca mais branco...e...e...mais iscuro o mais branco a gente usava pra fazê doce fazê as coisa assim fazê...biscoito e malado maisi iscuro fazia café. (Ent. 07, linha 69) Nós fazia o melado mas quano o melado pricipiava pitá...tava pitano pitava um mucadim nós tirava o melado fora e punha numa vazia e dexava isfriá e isfriava ‘çucarava tudo assim ó...ficava ‘çucarado depois nós pegava tudo colocava na fôrma e punha barro branco por cima assim...tudo...aí ê purgava aquê melado crarinzim aí quano ê parava de purgá melado pudia tirá ela pô no soli pra secá. (Ent. 09, linhas 183 e 184) Cê põe no cocho no lugá de batê a rapadura enche aquê ê dexa lá...e dexa lá com dois dia cê pega aquê melado...põe na forma...cê põe ê lá enche as fôrma tudo agora trazia o barro de têia trazia aquê barro mole de teia forrava ê assim. (Ent. 11, linha 196) Aquilo ali iscorria o tal melado azedo qu’ ês fala ês trocava esse povo fazendêro aí trocava terra por uma cabaça de melado azedo os pobre num tinha nada pa cumê ês ia lá com a cabaça e ês pegava pedaço de terra ( )um cabaça de melado de abeia. (Ent. 11, linhas 198 e 199) Depois passado uns quinze dia ês tirava o barro tirava o barro de cima o açuca tava prefeitim finim finim pudia insacá...porque o barro puxava a umedade e o melado discía. (Ent. 11, linha 203) Cachaça mió que tem é a cachaça de melado uai... ea faz igualzim a ôta ea já é azeda...ea já é azeda memo é só botá pra freventá lá no tampão lá e dexá o trem corrê lá no capelo uai tocá fogo é...ô cachaçah. (Ent. 11, linha 204) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Melado Chamão os do Brasil ao licor da canna moída,que corre para as caldeiras, & com a força do fogo se reduz a seu ponto. Este depois de lançado nas formas, he coalhado, não he mais melado, he assucar. 2. Morais: Melado s.m. No Brasil, o caldo da cana de assucar, limpo da caldeira, e pouco grosso; depois passa as tachas onde se engrossa mais, e se diz mel d’engenho: o liquido, que se distilla do melado na casa de purgar, chama-se mel de furo; e quando sai claro do assucar, quase purgado, mel de barro. 3. Laudelino Freire: 209 Melado s.m. Calda ou sumo que a cana doce deposita na caldeira. 4. Aurélio: Melado¹ [De mel1 + -ado¹.] S. m. 4. Bras. N.E. A calda grossa do açúcar, de que se faz rapadura; mel. 5. Cunha: Mel.aço, -ado MEL Mel melADO² sm. ‘mel grosso do açúcar de que se faz a rapadura’ 1813. 6. Amadeu Amaral: Melado, s.m. - caldo de cana engrossado, no engenho; por ext., sangue que se derrama: "Tomô uma pancada na cabeça; foi só melado..." ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 283. MELAR COCO Fras[V+Ssing]______________________________________01 ocorrência Ieu num faço não que inquanto eu guentei eu judei né...muê coco no aranholi...a mão...é...melá coco d’gurdura...maisi...eu só torro ali pra ê. (Ent. 01, linha 50) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 284. MELOSO Nm[Ssing]______________________________________________02 ocorrências Meu pai prantava cana de fora a fora ali...meloso tava dessa artura assim ó...ieu que ia pa lá judá ê capiná...capiná o meloso...era assim mia fia cê frentava lá. (Ent. 09, linha 18) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 285. MINAGERÁ Nm[Ssing]___________________________________________03 ocorrências Quano ê envinha eu gritava assim “ó (V...) evem o minagerá cumá (V...) o minagerá evem lá” ah cumpá (Z...F...) ó cascava na perna quano eu falava evem o minagerá. (Ent. 08, linhas 19 e 20) 210 ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 286. MÔ [Pron]_______________________________________________________02 ocorrências A gente encontrava com ele e tomava a bença...“bença (B...)”...“passa bem mô fí” aí um dia passô ês dois conversano aí ês falô assim é “Cipó já foi cipó mais hoje ela é imbira...virô imbira”. (Ent. 03, linha 131) Quano (T...) saía eu imbolava tudo no meu quarto todo mundo drumia cumigo nós ficava tudo a pelota lá e eu butuada no terço na nossa senhora da conceição a chuva ia cessano cessano até passá falei “ôta tempestada eu num vô ficá aqui ô vô juntá môs fio”. (Ent. 06, linha 343) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 287. MOÇA MENINA NCf[Ssing+Ssing]__________________________________01 ocorrência Ê num gostava de moça menina não nunca gostô...(C...) era isquisito o distino dele era ficá sortêro memo....é num encarava ninguém não. (Ent. 06, linha 75) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 288. MODA Nf[Ssing]_________________________________________________02 ocorrências 211 Uai na casa que tinha batuque tinha baile...onde tinha moda de batuque tinha moda de baile sanfona cumia menina num pudia vê. (Ent. 06, linha 75) Gostava de tocá viola tinha até a moda de tocá viola macia assim ó dam dam dam ((risos)) tocava maciinha. (Ent. 08, linha 357) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Moda Modas: cantigas, que se põem no cravo, viola, &c 3. Laudelino Freire: Moda s.f. Lat. modus. 3. Cantiga, ária, modinha. 4. Aurélio: Moda [Do fr. mode.] S. f. 6. Mús. Ária, cantiga. V. modinha (2 e 3). 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: Móda, s. f. - cantiga, composta geralmente de várias quadras ou estâncias, nas quais o poeta rústico exprime os seus sentimentos de amor, ou comenta os acontecimentos. ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 289. MODE [Adv]____________________________________________________02 ocorrências Ea tava com a manguarinha ea catucô ea assim com a varinha catucô a égua com a varinha pelejô mode a égua levantá a égua num quis levantá não. (Ent. 02, linha 211) Agora foi mode pená direito porque foi pra União lá...lugá que ocê num conhecia ninguém vivê no estranho...é a coisa mais triste mia fia. (Ent. 06, linha 157) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: Mode ~ Modo (n/d) adv. A fim de; para. “...me escreveu pra tornar a voltar lá... pra resolver... mode eu namorar a outra menina...” (Entr.4, linha 75) “... que ela levava um carrinho de mão modo eu tirar uma lenhazinha prali...” (Entr.7, linha 373) 2. Ribeiro: Mode • (n/d) • [Adv] • (n/e) • A fim de; para. • ...aquê roxo, pá mode não sentá musquito... (Ent. 1, linha 140) 290. MOENDA~MUENDA Nf[Ssing]____________________________________06 ocorrências Ê botô a cana quano ê fez assim com a cana que fez assim que eu peguei na cana que eu fui virá a cana quano pegô na ôtra muenda pra dobrá pra pegá o bagaço...quano ê incostô na ôta muenda eu vi só pedaço da muenda fazê assim TÁ caiu a manjarra caiu tudo. (Ent. 02, linhas 190 e 191) Num sobrô nem uma muenda pra contá caso...quebrô as treis muenda rachô como se fosse um curisco que caiu nele. (Ent. 02, linha 192) 212 Engem de pau é treis moenda em pé né? assim ó tem duas aqui e ôtra aqui aí tem os dente põe a bulandera lá os cavalo vai tocano. (Ent. 04, linha 183) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Moenda Mô, ou o lugar, em que há engenho de moer. Officina molaria. 2. Morais: Moenda s.f. Mó, ou peças de qualquer engenho de moer, trilhar: v.g. as moendas do engenho de assucar, são tres toros grossos de páo forrados de laminas de ferro, entre os quaes se trilha a canna de assucar, e expreme o seu caldo. 3. Laudelino Freire: Moenda s.f. De moer. Mó de moinho ou peças de outro qualquer engenho de moer ou pisar. 4. Aurélio: Moenda [Do lat. molenda, ‘coisas que devem ser moídas'.] S. f. 1. Peça ou conjunto de peças que servem para triturar ou moer; moinho: moenda de cana. 5. Cunha: Moer MoENDA XIV. Do lat. molenda, neutro pl. de molendus, gerundivo de molěre. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 291. MORADA Nf[Ssing]_______________________________________________01 ocorrência Mamãe ficava assim ó limpano a água pa mode pegá ela limpa pra levá lá pra cima e subiu um dregau minha fia papai morava nos arto era morada da (B...). (Ent. 06, linha 380) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Morada s.f. A casa, pousada, habitação ordinária. 3. Laudelino Freire: Morada s.f. De morar. Casa em que ordinàriamente habitamos; domicílio, pousada, habitação. 4. Aurélio: Morada [De morar + -ada¹.] S. f. 1. Lugar onde se mora ou habita; habitação, moradia. 5. Cunha: Mor.ada, -adeira, -adia MORAR. Morar morADA XIII. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 292. MUCADO~MUCADIM Nm[Ssing]__________________________________17 ocorrências Depois que eu casei moro aqui...até hoje...tem um mucado de ano. (Ent. 01, linha 175) Mais graças a deus mais foi pra treiná com os serviço né porque nem tanto a gente vindia né...porque fazia pôco num dava conta de fazê muito de uma vez...ia fazeno os mucadim mas o purví era dessas duas dona que eu tô falano. (Ent. 01, linha 280) Quano foi um dia ieu falei assim “ó hoje nós vão levá um mucado de farinha de minduim”...falei com minha prima vão fazê farinha de minduim aí nós fêz. (Ent. 03, linha 20) 213 O tiá é assim tinha um tanto de gente de um lado um tanto do ôto e os violêro agora ficava assim um mucado de lá um mucado de cá agora tinha as lançadera do lado da...da roda ficava de cá as lançadera. (Ent. 03, linha 164) Peguei naquele pedaço de pau peguei com deus e vim vim vino vim vino caminhava um mucadim parava...pensava...num tinha ôto jeito não tinha que vim. (Ent. 04, linha 278) Pensava caminhava ôtro mucado falei “nossa sinhora” aí menina quas morro de medo...fui chegano...no tal lugá...uai o Capão da Lenha tanto tem de lá aqui como de lá na Serra. (Ent. 04, linha 279) Tem um home lá que tá quereno me imprestá um mucado do dinhêro mais ê tem só criação pa vendê...se ocê comprá as criação eu vô arrumá um jeito de pagá essas criação. (Ent. 05, linha 71) Ê vei aqui e falô “o (G...0 cê tem que isperá um mucadim que a minha dona ta duente ta fazeno tratamento”. (Ent. 05, linha 78) Ficava lá me garrano panhano pimenta quano eu pensava de vi embora dexava os ôto pequeno...essa daqui era piquitita ficava um...ficava um mucado aí nem sei. (Ent. 06, linha 360) É nove...era seis muié e treis home...morreu um mucado mais tem. (Ent. 07, linha 33) Ea parece um mucado com a (T...) né só que ea é mais alegre que a (T...)...eu lembro muito do seu avô né..da sua vó né. (Ent. 09, linha 19) Ê foi e disse “não eu tô esperano um carro ali na estada e o carro passô e eu fui e vim aqui pa mim tomá um banho e refrescá um mucado pa mim podê í”. (Ent. 09, linha 107) Pitava um mucadim nós tirava o melado fora e punha numa vazia e dexava isfriá e isfriava ‘çucarava tudo assim ó. (Ent. 09, linha 184) Sô (Z...) lotava o caminhão de saco d emio trazia e vendia pa papai tirava um mucado. (Ent. 09, linha 362) Ué num tirava o sumo dê não ea dexava um mucadim...é aquê cardo secava e ficava forte ainda. (Ent. 11, linha 230) Hoje cói um mucado de giritaca toca reméido nele né insaca tudo por isso que o povo tá morreno e essas muié tá engordano desse jeito...é reméido que faz eas ingordá. (Ent. 11, linha 242) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: Mucado (n/d) pron. Tanto; quantidade indefinida. "... eu namorei um mucado de moça...” (Entr.4, linha 81) “É... eu fiquei morando ali um mucado de tempo...” (Entr.2, linha 31) 2. Ribeiro: Mucado • (n/d) • [Pron] • (n/e) • Tanto; quantidade indefinida. • Eu lavei um mucado cedo das panela. (Ent. 13, linha 74) 293. MUNHO Nm[Ssing]_______________________________________________02 ocorrências O marido dela (J...N...) foi mudô pá Pedo Leopoldo inventô de fazê um munho lá...um...um...munho d’vento era um trem de ar. (Ent. 03, linha 67) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Munho s.m. Lus. 1. O mesmo que moinho. 214 4. Aurélio: Munho (o-í). [Do lat. molinu.] S. m.1. Engenho composto de duas mós sobrepostas e giratórias, movidas pelo vento, por queda-d'água, animais ou motor, e destinado a moer cereais. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 294. OFÍÇO~OFÍCI Nm[Ssing]__________________________________________07 ocorrências Ela era diferente...de tudo...ela pá morrê ela chamô...pidiu a neta dela pa pidi nós pa i lá rezá o ofíço que era a única coisa que tava pricisano pra ela parti era um ofíço pos nego largá a fazenda. (Ent. 03, linha 59) Ea via os nego passá de corrente ...no suaio...aí pidiu..aí nós fomo lá e rezô o ofíci pra ea. (Ent. 03, linha 59) O ofíço dos nego...aí nós fomo lá rezá o ofíço que ea pidiu...aí quano nós cabemo de cantá o ofíço ea foi e falô assim agora eu vô... a única coisa que tava me pegano aqui era esse ofíço...aí ea me abraço. (Ent. 03, linhas 63 e 64) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Officio Officio de Defuntos, preces por o bem de suas almas. 3. Laudelino Freire: Ofício de defuntos s.m. Preces pelo descanso eterno das almas dos mortos. 4. Aurélio: Ofício [Do lat. officiu, ‘dever'.] S.m 7.Conjunto de orações e cerimônias religiosas. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 295. OSSO RINGIDO NCm[Ssing+Adj]___________________________________03 ocorrências Jesus é nascido...jesus nascido é...fí da virge maria...sem pecado é...me cura essa rigindura...jesus Nazaré...ê me benze...de carne quebrada...veia rôta...nervo assombrado...junta iscunjuntada...osso ringido...assim mesmo jesus me cura...com deus pai deus filho deus isprito santo amém. (Ent. 01, linhas 374, 406 e 437) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 215 2. Ribeiro: n/e 296. PAIOL Nm[Ssing]________________________________________________03 ocorrênciaS “Hoje cê num tá comprano trem pa mode inchê tuia...num é? pranta num cói num vê paiol chei de mio vê é comprado os trem compra é os quilo” (Ent. 06, linhas 424) “Num tinha nem paiol...muntuava lá ai fazia aquê terrerão rudiado de côro ao redó e cascava o mi todo e batia tudo e inchia aquea purção de saco” (Ent. 09, linhas 363) “Nós foi quano ê falô “gente o paiol tá pegano fogo” aí é que nós foi tudo lá foi lá e pegano jugano água lá” (Ent. 09, linhas 412) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Paiol de polvora. ―He no mais bayxo do navio hum lugar separado, & fechado, onde se guarda a polvora em barris, ou guarda cartuchos, & donde naõ se entra sem ordem do capitaõ.‖ 2. Morais: Paiól. sm. Nos navios é como caixão, ou divisão, onde vem mantimentos, carga de pimenta, a pólvora, &c. 3. Laudelino Freire: Paiol. s.m. 4. Casa para arrecadação dos gêneros da grande lavoura. // 5. Tulha de milho.‖ 4. Aurélio: Paiol. [De paiol, f. dialetal do cat., em lugar de pallol.] S.m 3. Bras. Armazém para depósito de gêneros da lavoura. 4. Bras. MG SP Depósito ou tulha de milho ou de outros cereais.‖ [Pl.: paióis.] 5. Cunha: Paiol. sm. ‘depósito de pólvora e de outros petrechos de guerra’ / payoll XV / Do cast. pallol.‖ 6. Amadeu Amaral: Paiol. s.m. tulha de milho. // É t. port., com outras signifs.‖ ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Paió • (n/d) • Nm [Ssing] • Cast. • Construção próxima à casa da fazenda onde é armazenado o milho seco. • É dexe jeito. Leva po paió, vai aquê desajeito, iguale a gata tá munto grande, gorda. (Ent. 1, linha 179) 297. PANTASMA Nf[Ssing]___________________________________________03 ocorrências PESQ.: via o que? INF.: pantasma...é via pantasma ((risos)) de premero as sombração...pantasma era sorta menina num tinha negóço de cento pra prendê as arma né menina depois que discubriu esses curadô tinha cento as arma (Ent. 06, linhas 378) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Fantasma Derifase do Grego phantasomai, que vale o mesmo. que Eu imagino. Fantasma he a representação de alguma figura, que apparece por arte mágica, ou em sonho, ou por fraqueza da imaginação. 2. Morais: Fantasma sm. e fem. Imagem que se representa a fantasia. § Representação de figuras medonhas, espectros sombras de mortos. 3. Laudelino Freire: Fantasma s.m. Lat. phatasma. Imagem sobrenatural que por alucinação, por defeito da vista ou do cérebro, alguém julga ver; espectro. 2. Imagem de defunto que os superticiosos julgam ver aparecer; alma do outro mundo. 216 4. Aurélio: Fantasma [Do gr. phántasma, pelo lat. phantasma.] S. m. 1. Suposto reaparecimento de defunto ou de alma penada, em geral sob forma indefinida e evanescente, quer no seu antigo aspecto, quer usando atributos próprios, como sudário, cadeias, etc.; alma do outro mundo, abantesma ou avantesma, aparição, armada, assombração, assombramento, assombro, avejão, espectro ou espetro, mal-assombrado, mal-assombramento, mal-assombro, marmota, papa-gente, pirilampagem, simulacro, sombra, visagem, visão, visonha. 5. Cunha: Fantasia fantasma |XIV, fam XV | Do lat. phantasma – ătos. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 298. PINGA Nf[Ssing]_________________________________________________09 ocorrências “Aí eu lembrei da pinga falei “o gente num tem ninhuma aí ô vô lá”” (Ent. 05, linhas 118) “Uai gastava pinga aí pra bebê pra tê menino essas coisa pá tê corage pa tê menino fazia chá com arruda e tudo mais” (Ent. 05, linhas 122) “Já tinha chegado aí que arrumei a pinga mais nó tinha medo demais menina ô tinha medo demais da conta” (Ent. 05, linhas 137) “Sogro dessa menina que como só sabia enchê garrafão e ê tinha muita pinga né quano ê num fazia trazia lá no (C...G...) e punha lá pra vendê” (Ent. 06, linhas 365) “Fazia pinga tamém...fazia pinga não...ê tinha até uns lambiquim assim é...aqui pas bêra do cóigo né mas só pá pruveitá as cana” (Ent. 07, linhas 41) “Tem quentão tem...um tanto de coisa...tem pinga tem tudo tem muitos tira gosto e tudo mais” (Ent. 07, linhas 130) “Ê jugô assim caiu ê foi e bebeu a que ê gostava de bebê a pinga tornô tirá a pele e tornô jugá lá do ôto lado” (Ent. 07, linhas 171) “É o azidume da garapa é que sobe no capelo e vira aquea aguinha branquinha...é pinga aí ê botava o copo debaxo lá parava aquês pingüim dea quente acabava e dava nós” (Ent. 08, linhas 110) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Pinga. Gota que cahe de hum lambique, ou de outra cousa.‖ 2. Morais: Pinga. s.f. Gota que cai. // fig. Uma porção mínima. // boa pinga; de vinho bom.‖ 3. Laudelino Freire: Pinga. s.f. De pingar. 4. Bebida alcoólica, especialmente aguardente.‖ 4. Aurélio: Pinga. [De pingo1.] S.m. 4. Bras. Pop. Bebida alcoólica, sobretudo aguardente [v. cachaça (1)]‖ 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Pinga • (A) • Nf [Ssing] • (n/e) • Bebida feita através da fermentação da cana-de-açúcar. • É. Intão. Bãozinho memo. Tamém gosta dumas pinga ... Agora, o T.P. gostava de falá que a veinha tamém gostava duma pinga. ... Pede. Pede cinco, pede deiz. Pedi um rear pra comprá pinga. ... Aí vai bebê mais pinga pa ficá tonto. ... Cê vai bebê mais pinga. (Ent. 13, linhas 241, 246, 274, 275 e 278) 217 299. QUALIDADE Nf[Ssing]___________________________________________03 ocorrências Rancava aqueas mãindoca bitela mesmo inchuta que tava uma beleza aquilo...é...essa epra que eu ranquei essa carga de mãidoca pa cumpá (C...). fazê farinha era casião dela inchutinha e todas duas qualidade era boa cumê. (Ent. 01, linhas 103) Oiemo lá com a luz num tinha nada aí me deu a ideia bati o pé no toco quano eu bati o pé no toco falei aqui a sombração tava tudo dento do toco bizôrro de toda qualidade aí quê que eu fiz furei ele busquei aquê bagaço véi de ano passado que ê tinha muído sabe e cubrí tudo com aquê bagaço lá é berrei fogo...ah menina mais foi uma . (Ent. 04, linhas 372) Tinha bizorro marelo mangangá tinha bizorro de umas quatro qualidade saía e pastava pra onde ele quisesse mais de nôte morava lá. (Ent. 04, linhas 380) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 300. QUEBRA TORTO Fras[Ssing+Adj]_________________________________06 ocorrências Papai...levantava de madugada pra...pra cumeçá muê a cana né...aí na hora que ia cumê o quebra torto aí o (J...C...) de lá falava “ô (F...) tá na hora do quebra torto vem cá tem quentão tem num sei o quê uma purção de coisa aqui”. (Ent. 08, linhas 98 e 99) Condafé chegava papai “oh cumpadi J. tá na hora do...do...do...a isquici comé que falava...do quebra torto então tem quentão tem...um tanto de coisa...tem pinga tem tudo tem muitos tira gosto e tudo mais vem depressa que tá cabano. (Ent. 08, linha 103) Gritava de madugada “o cumpadi (J...) tá na hora do quebra torto tem quentão ês arrumava um tanto de trem...tem quejo tem tudo. (Ent. 08, linha 108) PESQ.: e quebra torto era a bagunça lá...a festa?INF: não...quebra torto é a cumida. (Ent. 08, linha 111) É mais era uma farra um gritava pro ôto de lá na hora que chegava o dele o padim (J...) lá ê gritava ô (F...) vem cá é hora do quebra torto tem quentão tem num sei o quê falava uma purção de coisa. (Ent. 08, linha 119) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 218 301. QUEDE [Pron. Int.]________________________________________________01 ocorrência Aí quano (M...A...) tava lá fora arrumano a fila pras menina entrá...pra...subi no artá né aí nhá (R...) priguntô “uai (M...A...) quede sá (A...)? é ea que envem na frente mais (S...) pra coroá cadê ea?”. (Ent. 03, linha 39) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Quede² [Que é (feito) de.] Bras. Fam. Pop. 1. F. empregada interrogativamente no sentido de: que é de? onde está?; "Quede aquela menina chamada Naná, que tremia de medo com as histórias de lobisomens e de mulas-sem-cabeça?" " (Ciro dos Anjos, Montanha, p. 355.) 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 302. RANCHO~RANCHIM Nm[Ssing]__________________________________11 ocorrênciaS “Levava pra roça no carguero eu tinha rancho lá aí eu pus ele na garupa do cavalo tamém...e os ôto já guentava andá...levei” (Ent. 04, linha 98) “Evei lá pra roça lá tinha rancho né...aí chegô lá eu fui cendê fogo na trempe lá” (Ent. 04, linha 99) “Ê sentô no toco bem lá dento do rancho e (D...) aí (D...) cuô o café” (Ent. 04, linha 100) “Nêga tinha um coquêro grande assim na porta do rancho eu falei “ah nêgo cê vai derrobá esse coquero pra mim”” (Ent. 04, linha 106) “Fui prum rancho de capim...eu nunca tive casa não” (Ent. 06, linha 135) “Morei por todo lado da vida depois vortava pro ranchim de novo aí fui ganhá a (N...) aí no mesmo rancho aí”(Ent. 06, linha 152) “Então ê tinha um rancho muito grande lá ê cuía quatro cinco carro de mi ê cuía e dexava guardado lá no rancho” (Ent. 07, linha 373) “Era rancho trem di cumida tava tudo lá dento sabe?” (Ent. 11, linha 06) “Dexô as ferramenta cangaia...arrêi tudo la dento do rancho foi ‘bora” (Ent. 11, linha 146) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Rancho. Rancho he palavra castelhana mas quer dizer pousada.‖ 2. Morais: Rancho. sm. Casa ou tenda movível que se faz pelos caminhos.‖ 3. Laudelino Freire: Rancho. s.m. Esp. rancho. 14. Habitação tosca, de palhas. // 15. Habitação rústica do pessoal de campo e do seringal. 4. Aurélio: Rancho. [Do esp. rancho.] S.m 2. Acampamento ou barraca para abrigar rancho (1); ranchada. 8. Bras. Casa ou cabana no campo, nas roças, em canteiro de obras, etc., para abrigo provisório ou descanso dos trabalhadores. 9. Bras. Casa pobre, da roça; choça, ranchinho. [Dim. irreg.: ranchel.]‖ 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: Rancho. s.m. – cabana, geralmente de sapé, que se faz nas roças para abrigo de trabalhadores; casa rústica sem compartimentos; telheiro ou cabana para abrigo de viajantes, à beira das estradas; por 219 ext., casa pobre. // T. geral no Br. Usa-se no R. G. do Sul.: ―... dos fogões a que se aqueceu; dos ranchos em que cantou, dos povoados que atravessou...‖ (S.L.). Usa-se no Nordeste: Na barranca do caminho / abandonado, um ranchinho / entre o mato entonce viu. (Cat.) ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Rancho • (A) • Nm [Ssing] • Esp. • Cabana provisória feita no mato ou nas roças, geralmente de palha. • Aí desceu ieu e ocê até na porta do rancho pegado na mão. Foi ou não foi? (Ent. 2, linha 140) 303. RÔPA DE JOÃO DE BARRO Fras[Ssing+prep+Ssing+prep+Ssing]________01 ocorrência Ê tá co uma rôpa de João de barro...falei tá no Zé Dia...aqui em cima chama Zé Dia né...aí mia fia fomo pra lá. (Ent. 09, linha 98) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 304. SOMBRAÇÃO Nf [Ssing]__________________________________________27 ocorrências “O povo contava mamãe mesmo contava muito caso de sombração antes deu nascê...mais sombração mesmo depois que eu nasci nunca vi criação...no meu tempo não” (Ent. 04, linha 225) “Agora sombração eu num credito sombração...menina medo iguali eu...ninguém tinha medo iguali eu tinha não mais meu medo ficô todo lá numa sombração que tinha aqui no Capão da Lenha” (Ent. 04, linhas 241 e 242) “Nada sombração ninhuma o povo tem medo de sombração é bobage num tem sombração ninhuma” (Ent. 04, linha 246) “Fiquei deveno obrigação essa sombração...meu medo ficô tudo lá...ó...eu era sortêro eu só vivia na serra lá porque tinha...eu era rapazim...e eu morava sozim mais papai aqui né e eu ia pra lá então...ia namorá dançá tinha baile todo dia de noite aquea dançarada danada era todo dia” (Ent. 04, linha 248) “Mais o negóço de sombração era o seguinte...então eu fui pra serra nessa casião papai levava mexeno pa Belzonte galinha ovo essas coisa assim tudo era ele” (Ent. 04, linha 255) ““Ó cê pode até i mais cê num vai em casa hoje não”...eu falei “mais porque? num vai em casa porque?” “tem uma sombração no Capão da Lenha” onde que tem aquea incruziada que vinha aqui pra Lapinha e a ôta que ia pro Jatobá ali ó ali era a sombração” (Ent. 04, linhas 269 e 271) “Da Serra que viesse de lá tamém pa Lapinha que chegasse lá a sombração tava lá...uai animal num passava de jeito nenhum vortava pa trás” (Ent. 04, linha 274) “Foi o (T...) que me contô aí...que tinha essa sombração lá” (Ent. 04, linha 275) “Eu falei que via embora ês falaro que eu num vinha que tinha essa sombração...e medo...e medo que eu tinha nossa sinhora eu suava suór frio” (Ent. 04, linha 276) “Num tinha pra onde corrê vortá num posso vortá mesmo aí sigui com deus cheguei lá sombração tava lá mesmo” (Ent. 04, linha 286) 220 “Eu enfrentei no pau e saí caminhano a hora que chegava em certo lugá eu num guentava mais não eu parava sombração tava lá” (Ent. 04, linha 291) “O braço dê mais forte que o meu unha dês tamãim assim num sabia o que uai era sombração” (Ent. 04, linha 300) “O quê que eu fiz...falei “ah vô matá tudo conté sombração que tivé daqui pra frente”” (Ent. 04, linha 318) “E tem mais ôta sombração tamém...lá na Serra memo na casa de um cumpade meu” (Ent. 04, linha 332) “Bati o pé no toco quano eu bati o pé no toco falei aqui a sombração tava tudo dento do toco bizôrro de toda qualidade” (Ent. 04, linha 376) “PESQ.: se ocês tivesse vindo embora todo mundo pensá que era assombração mesmo INF.: sombração tava lá té hoje” (Ent. 04, linha 391) “Ê abandonô a casa dele com medo parecia que era sombração devera como era uma coisa que ficava companhano ele” (Ent. 04, linha 393) “O povo achano que era sombração a bão pó sê tamém...gritava pra quele arto lá” (Ent. 05, linha 107) “De premero as sombração...pantasma era sorta menina num tinha negóço de cento pra prendê as arma né menina depois que discubriu esses curadô tinha cento as arma ficô mais ocupada que num pareceu mais pra ninguém não” (Ent. 06, linha 379) “Isso foi verdade esse negóço de sombração ah mia fia tem ó...tem conticido muito caso de sombração hoje em dia num tem mais” (Ent. 09, linhas 330 e 331) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Sombração. s.f. Assombração, alma do outro mundo. 4. Aurélio: Sombração .S.f.. 1.Bras. Pop. V. assombração. 5. Cunha: Assombração. Origem controversa, XX. 6. Amadeu Amaral: Assombração, sombração. s. f. - aparição, fantasma, alma do outro mundo. ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Sombração • (A) • Nf [Ssing] • Cont. • Alma do outro mundo. • Às veiz o medo faiz a sombração. (Ent 4, linha 117) 305. TABATINGA Nf[Ssing]___________________________________________03 ocorrências Jogava aquea fejãozêra pôdi fora pudia curá ê curava com tabatinga né ea num tinha num punha reméido não...tabatinga cê cunhece né? é aquilo ali buscava carro assim de tabatinga quebrava ea toda penerava bem peneradinha jugava o fejão na tacha e mexia aquês pôdi separava tudo jugava fora jugava no terrero aí cê penerava a ( ) e misturava ficava uns treis dia secano pudia guardá ficava uns treis quatro ano sem dá um bicho. (Ent. 11, linhas 238 e 239) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Tabatinga s.f. Argila, geralmente branca, e, às vezes, de outras cores, mole, utuosa, sedimentar, com alguma porção de matéria orgânica. 221 4. Aurélio: Tabatinga [Do tupi = 'barro branco'.] S. f. 1. Bras. Argila sedimentar, mole, untuosa, e com certo teor de matéria orgânica. 5. Cunha: Tabatinga sf. ‘argila sedimentar, mole e untuosa, geralmente esbranquiçada, a qual, dissolvida em água, é utilizada para caiar’ 1610. Do tupi toua‘tina. 6. Amadeu Amaral: Tabatinga, s. f. - terra branca azulada, que se emprega no fabrico de louça rústica e de pelotas de bodoque. - Do tupi "itab + atinga", mineral branco (T. S.), ou "tobatinga", barro branco (B. - R.). ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 306. TACA Nf[Ssing]___________________________________________________01 ocorrência Cortei esse burro na taca quano chegô perto da moça eu fui e levei a mão pra pegá no braço da moça o pai dela gritô “num faz isso c’ela não que ocê me mata ela”. (Ent. 02, linha 130) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Taca. “s.f. Correia, o mesmo que manguá. // 2. Fasquia de madeira, em forma de bordão, presa por uma correia ao pulso, empregada para esbordoar os escravos.” 4. Aurélio: Taca¹. “taca¹ [F. aferética de ataca, poss.] S. f. Bras. 1. Pancada, bordoada. 2. Relho, mangual: “O rapazola... estalou a taca. A Faísca amiudou o passo puxando a tropa.” (Coelho Neto, Banzo, p.83). / u Meter a taca em. Bras. Fam. 1. Meter o pau em (2).” 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: Taca (A) s. Espécie de bastão cheio de argolas usado para surrar os escravos. "... aí veio um lá... com uma taca cheio de argola sacudindo assim... “Porque que esse ( ) num panha?”... e puxou a taca na cacunda do velho...” (Entr.12, linha 195) 2. Ribeiro: n/e 307. TACHA Nf[Ssing]_________________________________________________01 ocorrência Jugava o fejão na tacha e mexia aquês pôdi separava tudo jugava fora jugava no terrero aí cê penerava a ( ) e misturava ficava uns treis dia secano pudia guardá ficava uns treis quatro ano sem dá um bicho. (Ent. 02, linha 240) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Tacha. s.f. Tacho grande, usado em engenhos de açúcar. 4. Aurélio: Tacha³ .[De tacho.] Substantivo feminino. 1.Bras. Tacho grande, us. nos engenhos de açúcar: ―Nas tachas, o mel fervia, engrossava‖ (Mário Sete, Senhora de Engenho, p. 122). [Cf. taxa, do v. 222 taxar, e s. f.] 5. Cunha: Tacha¹. sf. Origem obscura. ‘tacho grande, usado em engenhos de açúcar’ 1858. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Tacha • (A) • Nf [Ssing] • Obs. • Tacho grande, usado nos engenhos de açúcar. • ( ) aquela tacha que tava aquela beleza. (Ent. 5, linha 323) 308. TACHO Nm[Ssing]_______________________________________________09 ocorrências Põe na água feveno quã’ ê tá no ponto de tirá do pilão a água já tá feveno lá no tacho aí... esse aí é mai de quentá água e cuzinhá gurdura. (Ent. 01, linha 38) Num gasta tirá o coco não/da péda não porque o daqui já tá bão já...tira...põe lá no tacho e já pega o que tá lá...que tá lá no forno e põe no pilão pa socá. (Ent. 01, linha 55) Aqui o (G...) que aprendeu a fazê maió quantidade eu fazia era pôco no tachim...e...ê aprendeu fazê maió quantidade peguei e comprei um tacho maió pra ele. (Ent. 01, linha 200) No torcê a massa aquela água vai...o purví vai assentano ô numa gamela ô no tacho que parô ea o pruví vai assentano. (Ent. 01, linha 255) Nessa época já tava tudo acabado as roda d’água aquea roda de muê cana já tava tudo aterrada por baxo...tinha a roda tacho tava tudo lá...de noite engem muía ratava tacho pra...tudo isso...tava foncionano. (Ent. 04, linha 235) Ê tinha fazenda lá na Serra de ta/tinha muito tacho tudo sentado engem muito bão tudo era só muê cana a vontade e ê tinha muita cana. (Ent. 04, linha 333) Nóis iscumava tacho com a lanterna...quano tava ventano iscumava co’a lanterna...inquanto tava de soli...quano num tava ventano...nós escumava com lamparina...lumiava com lamparina. (Ent. 09, linha 35) Rapadura mia fia é só muê a cana põe no tacho...bota fogo na fornaia...dexa quano ea dá aquea iscuma grossa assim cê panha e iscuma tudo e depois cê dexa...ali ea vai freveno. (Ent. 09, linha 174) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Tacho Vaso de cobre, ou barro, que para cousas de cozinha tem varias serventias. 2. Morais: Tacho s.m. Vaso de cobre, ou arame, com asas, das bordas, para aquecer água, e outros usos. 3. Laudelino Freire: Tacho s.m. Vaso largo e pouco fundo, geralmente com asas, e destinando especialmente a usos culinários. 4. Aurélio: Tacho¹ S. m. 1. Vaso de metal ou de barro, largo e de pouca fundura, em geral com asas. 5. Cunha: Tacho sm. ‘vaso de metal ou de barro, largo e de pouca fundura, em geral com asas” XVIII. De origem obscura 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 309. TATU PASSA AQUI Fras[Ssing+V+Adv]____________________________03 ocorrências 223 Lá na casa do (Z...B...) dançava benzim né do açuaio até o (R...) do (Z...B...) gostava de dançá com nóis condafé falava a agora nós já dançô mucho vão fazê agora é tatu passa aqui...esse tatu passa aqui era a cumá (Z...) era a (M...) era aquea rodada era (R...) do (Z...B...) o (J...) tudo de mão dada dançano tatu passa aqui. (Ent. 09, linhas 36 e 37) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Tatú s.m. Bailado campestre, espécie de fandango, acompanhado de viola. 4. Aurélio: Tatu [Do tupi.] S. m. 9. Bras. GO Dança de roda em que, no centro, o dançarino cantador narra uma caçada de tatu, e a cada verso seu a roda responde em coro: "Redondo, sinhá." ~ V. tatus. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 310. TECEDERA [Adj]________________________________________________03 ocorrências Levava pro tiá né ea ia po tiá e o tiá tinha diversos pente um pente mais grosso ôto mais fino sabe diversos pente aí agora ea tinha que infiá aquilo tudo né a tecedera pra tecê a cuberta. (Ent. 09, linha 41) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Tecedeira. A mulher que faz teas. 2. Morais: Tecedeira. s.f. Mulher que tece panno. 3. Laudelino Freire: Tecedeira. s.f. Mulher que tece pano. 4. Aurélio: Tecedeira .[De tecer + -deira.] S.f. 1.Fem. de tecedor. 5. Cunha: Tecedeira. Do lat. texere, XIV. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Tecedera • (A) • Nf [Ssing] • Lat. • Mulher que tece pano. • Pá levá pás tecedera que tinha tiare, né? (Ent. 10, linha 389) 311. TEMPESTADA Nf[Ssing]__________________________________________04 ocorrências Coração bate e tá em tempo de saí cá pra boca e eu num guento ficá aqui dentro de casa vô lá vorto cá rezo a salve rainha três ave maria que muitas véia no União me insinava minha fia eu sufri tempestada onde ô morava um dia dispencô até a parede da casa véia. (Ent. 06, linha 334) Nega deu um baruião nôto dia o vizim chega manda o irmão dela í lá cunhado dela i lá pá vê se nós tava vivo ea achô que tinha a ( ) matado nós era uma tempestada menina e lá era bêra de 224 linha de trem de ferro menina é serra e quano dá um istrondo cê pensa que tá abalano tudo. (Ent. 06, linha 336) Juntei a valença que meus minino drumiu todo porque quano (T...) saía eu imbolava tudo no meu quarto todo mundo drumia cumigo nós ficava tudo a pelota lá e eu butuada no terço na nossa senhora da conceição a chuva ia cessano cessano até passá falei “ôta tempestada eu num vô ficá aqui ô vô juntá mos fio” (Ent. 06, linha 343) Eu tomei uma canca de tempestada uma vez subino no (A..R...) com menino (A...) nas cadêra com o saco dos trem de cume. (Ent. 06, linha 356) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Tempestade Tormenta. Tempestas. atis. 2. Morais: Tempestade s.f. Temporal de vento, mar alterado, tormenta. 3. Laudelino Freire: Tempestade s.f. Lat. tempestas; tempestatem. Agitação violenta do ar acompanhada muitas vezes de trovões, relâmpagos, chuva e saraiva. 4. Aurélio: Tempestade [Do lat. tempestate.] S. f. 1. Agitação violenta da atmosfera, às vezes acompanhada de chuva, vento, granizo ou trovões; procela, temporal. 5. Cunha: Tempo tempestade sf. ‘agitação violenta da atmosfera, às vezes acompanhada de chuvas, ventos, granizo ou trovões’ XIII. Do lat těmpěstas – ātis. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 312. TERRERO Nm[Ssing]_____________________________________________02 ocorrências Cuía aquês toró de mio era só cê veno comé que papai inchia lá juntava tudo lá na bera do campo que ê num tinha nem paiol...muntuava lá ai fazia aquê terrerão rudiado de côro ao redó e cascava o mi todo e batia tudo. (Ent. 09, linha 356) Nós ispaiô arrozi no terrero com seis junta de boi ... é ... cumeçô as seis hora da mã/ da tarde quã’ bateu duas ora da madugada nós parô onde nóis oiô nóis oiô pa trazi a inchenti ... a inchenti veio. (Ent. 11, linha 02) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Terreiro. Pedaço de chão espaço, com plana superfície. 2. Morais: Terreiro. s.m. Pedaço de plano espaçoso. 3. Laudelino Freire: Terreiro. s.m. De terra + eiro. Espaço de terra, despejado, largo e plano. 4. Aurélio: Terreiro .[Do lat. terrariu, ou de terra + -eiro.] S.m. 3.Espaço de terra plano e largo. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Terrero • (A) • Nm [Ssing] • Lat. • Espaço de terra plano e largo onde se criam animais domésticos. 225 • O terrero tava que era pura galinha. Intão a minha irmã saiu pa vim casá e aquê povão lá. (Ent. 10, linha 606) 313. TIJIJUM Nm[Ssing]_______________________________________________01 ocorrência Quebra torto é a cumida...é...o trem de cumê é as coisa de comê de madugada...é o tijijum. (Ent. 07, linha 115) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Desjejuarse Comer, estando em jejum. 2. Morais: Desjejuar-se v.at. refl. Comer ao almoço, quebrar o jejum. 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Desjejum [De des- + jejum.] S. m.1. A primeira refeição do dia; dejua, dejejua, dejejuadouro, dejejum, dejuação, desjejua, café da manhã, pequeno almoço, brequefeste. 5. Cunha: Jejum DESjejum XX 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 314. TIRAR SAL NA MULERA Fras[V+Ssing+(prep+art)+Ssing]______________01 ocorrência Pareceu um moço pra podê namorá ea ea já tava com vinte e treis ano mamãe cavacô coitadinha tirô sal na mulera pa arrumá o casamento dela mais rumô rumô e fez um festão casô. (Ent. 06, linha 22) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 315. TOICIM Nm[Ssing]________________________________________________01 ocorrência Nós ingordava poico trazeno mãindoca na cabeça assim pareceno chifre de boi jogava no terrero é poica é capado cumia engordava que nós num passava farta de toicim né mas agora mia fia ninguém...cê pranta uma mãindoca num pega cê pranta uma rosa num tá pegano mais. (Ent. 09, linha 452) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Toucinho. Gordura de carne de porco, mas dá que està pegada ao couro. 226 2. Morais: Toucínho. S.m. A gordura grossa, que ocupa os lombos do porco, pegada à pelle. 3. Laudelino Freire: Toucinho. s.m. Cast Tocino. Gordura dos porcos, subjacente à pele, com o respectivo couro. 4. Aurélio: Toicinho .[Var. de toucinho < *tuccinu (subentende-se o lat. lardu, ‘toicinho’), der. do céltico tucca, ‘suco manteigoso’, e formado no lat. hispânico.] S.m. 1.Gordura dos porcos, subjacente à pele, com o respectivo couro. Ter comido toicinho com mais cabelo. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Tocinho • (A) • Nm [Ssing] • Celt. • Gordura dos porcos, subjacente à pele, com o respectivo couro. • Usava tocinho e punha ali. (Ent.14, linha 240) 316. TREM Nm[Ssing]_________________________________________________96 ocorrências Passei a mão na garrucha aí eu abri a porta num buraco assim eu entupia um buraco assim com um trem branco que ficava pareceno um barro aí eu oiei assim falei “é um home que tá ali eu num posso atirá não”. (Ent. 02, linha 10) Diz ê que lá vinha fazeno aquea vorta funda ali diz ê que oiô pro lado da Varge Grande assim vinha um fogaréu memo e esse fogo diz ê que parô em cima dê menina e os cascai avuô assim um trem soprô. (Ent. 02, linha 19) Esse home ficô um tempão falano nesse trem. (Ent. 02, linha 21) O trem é ( ) que ê me pegô e ê sente essa friage do jeito que ê pegô a cabeça dele assim e impurrô ê pra baxo e ê falô nossa sinhora d’aparicida. (Ent. 02, linha 24) Eu pequei no loro e levantei... com essa mão daqui sigura levantei uma dor...levantei de novo o trem zuô travêz eu fui e garrei memo na cabeça do arrei. (Ent. 02, linha 52) Fui lá no corgo tomei bãim passei um trem na cabeça assim o sangue taiô. (Ent. 02, linha 106) Encrencô comigo nesse trem eu envinha pra lá pra São José de Almeida né ê foi e entendeu de caminhá comigo entendeu de caminhá comigo e saiu caiminhano com os dois pé. (Ent. 02, linha 152) Falei com a mamãe “ô mãe tô com uma vontade de matá o papai mais de que tudo” ea foi e falô “(P...) dexa de bobage...dexa de bobage” num fica iludido com isso não morre esse trem. (Ent. 02, linha 244) Peguei e rapei fiz os trem pra ele quano deu os quinze ano ê disse “ó tá aqui esses burro doze burro aqui pa podê tabaiá” aí eu fiquei tabaiano com o burro. (Ent. 02, linha 247) Quano eu cheguei alí no arto pa virá e vi um trem fazeno chaaaa no ari...chiô no ari iguali um fuguete. (Ent. 02, linha 258) O trem entrô aqui dent’ da cabeça que virô uma cachoêra d’água. (Ent. 02, linha 271) Santo Antôni fazia os casamento quano a muié garrava a ganhá os menino e num queria mais os menino porque o trem era difícil né...levava de dava São Vicente pra criá. (Ent. 03, linha 09) Pois é nós levava cana...levava esses trem tudo que num tinha né na escola num tinha jeito sufria demais. (Ent. 03, linha 25) O marido dela (J...N...) foi mudô pá Pedo Leopoldo inventô de fazê um munho lá...um...um...munho d’vento era um trem de ar. (Ent. 03, linha 67) Segunda fêra sedo aí nós fomo pra lá...o home bateu bateu pra quemá sapecaro o trem que o trem deu muita coivara. (Ent. 03, linha 112) Quarenta home pra capiná roça aí nós cabô a capina menina tinha o tinha o...a entrega de pé de mio que eu fiz lá em casa teve doce que ô fazia muito doce o (Z...) deu meia dúzia de quejo mais o trem tava bão foi festa a nôte intêra. (Ent. 03, linha 120) Tinha dia que mamãe fazia uns cumê engraçado né um mamão com aquê trem...tinha dia que num 227 discia não. (Ent. 03, linha 135) Eu xinguei ê tamém de arubu da manga premero ovo que arubu botô jacaré chocô e o diabo levô” aí ea disse “tá pago tá pago o ôto tamém xingô” mais num teve briga não...num tinha briga...agora vai acontecê um trem desse pro cê vê. (Ent. 03, linha 153) Ês é que sabia cantava e dançava né...os ôto num sabia ia pas roda de batuque roda de mão balanceio esses trem e isso era a nôte interinha dançano. (Ent. 03, linha 160) Lá tem as dez aspa que tira os trem tudo até a carne dele se fô pussíve né...ea tá quereno vê tem alí uai. (Ent. 04, linha 78) Ela era assim ea oiava pra gente notava uma coisa e saía falano de um trem que a gente num pensô aquilo. (Ent. 04, linha 137) Abri a porta da cuzinha assim tava gritano lá falei “nossa sinhora o trem lá é muito é muita coisa num é só pra mim não”. (Ent. 04, linha 148) O trem fez fop assim...( ) pra parede fora assim os trem dengdengdeng e eu atrás né...quano chegô no lugá que sumiu o primero. (Ent. 04, linha 190) Aí sumiu atrás da cruz aonde os ôtro sumiu aí ea foi ficá em pé assim me contá comé que foi que o trem cumeçô. (Ent. 04, linha 194) Nessa hora é que o cumpá (C...) chegô aí ea falô “cumpade aí um trem aí ó”...ieu la ia matano o cumpá (C...) uai. (Ent. 04, linha 194) Ea era mei cismada colocô os menino tudo lá perto dela diz ela que quano foi lá vespano nessa hora que caiu um trem lá dentro do quarto das menina lá no fundo fez de conta que caiu uma...uma corrente. (Ent. 04, linha 216) Quano ea cumeçô rezá caiu no quarto um trem como se fosse água...travez...aí ea num guentô mais aí ea gritava. (Ent. 04, linha 219) Quano foi de nôte...nós freveu na festa tava um trem doido. (Ent. 04, linha 262) Mais o trem tava bão demais...ah mais eu esquici mia fia...ocê quirdita quano eu lembrei era meia noite. (Ent. 04, linha 263) Deus ajudô que eu achei um pedaço de pau des’ tamãim assim dessa grussura ó...um trem de guentá mesmo. (Ent. 04, linha 278) Menina quano eu caminhei no trem o trem deu um rebolão...deu um rebolão assim e virô um home...um home dessa artura assim e com os braço pa me pegá né. (Ent. 04, linha 292) Quano ê viu o bicho falô “nossa sinhora a menino se esse trem passa a mão no cê...adeus”. (Ent. 04, linha 324) Quano deu no domingo juntei os trem tudo pus no carguero né e fui pra lá e os dois menino. (Ent. 04, linha 346) Rumô uma gemedêra...mais é fei trem de fazê medo...eu fiquei caladinzim. (Ent. 04, linha 249) Oiava debaxo da fornáia aquês trem véi tudo que tinha aqueas bagacera véia dento da fornáia de cuzinhá garapa aquês trem véi tudo num tinha gimido num tinha nada aí ea entrava dentro de casa nada. (Ent. 04, linhas 264 e 265) O resto tudo eu já tinha oiado falei “a só pode tá atrás da cabeça daquele tôco ali ó num tá em banda ninhuma” o trem tá gemeno...aí ea garrada comigo falei “vão atrás daquele toco lá o trem tá atrás daquele toco lá vão lá”. (Ent. 04, linhas 372 e 373) Uai nós tinha engem inda tem até resto de caco de...nesse pé de manga ali comé que tá com trem aí isso ainda é do tempo que eu tava mueno cana. (Ent. 04, linha 410) (J...V...) tava fazeno aquês trem...cê lembra de (J...V...) né?...passei lá triste da vida prazo tava venceno lá no banco e eu num tinha cuído nada. (Ent. 05, linha 36) Passei a mão no arrei saí segurano juguei tudo pra fora tornei jugá o trem tudo moiado pra cima tornei muntá e fui embora. (Ent. 05, linha 97) Quano eu saí aqui eu falei “gente o trem vei até no córgo parô”. (Ent. 05, linha 133) Num era igual hoje em dia quano os trem cabava tinha que buscá trem lá em Vespasiano e Belorozonte ne carroça de burro. (Ent. 05, linha 149) Ninha que buscá arado...é bico de arado inxada de arado rudía cabo de arado é ruêro de arado tudo tinha que buscá lá fora difíci né...difíci quebrava um trem tinha que quebrá tudo. (Ent. 05, linha 152) Depois ea vei embora ea viu que o trem lá num tava dano pra nada num tava jeitano pra vida dela 228 tava só tabaiano tabaiano num vivia nada. (Ent. 06, linha 20) Ê jugava arrei no cavalo pros mais pequeno andá e carguero rôpa de cama trem de cumê né isso embalava subia a Serra. (Ent. 06, linha 257) Antigamente os fi dava um trem dava ôtro criava os menino tudo agora ta tratano tudo. (Ent. 06, linha 303) Eu tomei uma canca de tempestada uma vez subino no (A...R...) com menino (A...) nas cadêra com o saco dos trem de cume. (Ent. 06, linha 357) Meu fí tomano chuva taquei uns pano na cabeça dele e zuní quano eu chego aqui no (P...B...) tô veno um trem iscuro era um garrote. (Ent. 06, linha 366) Mamãe ia socá arroz e torrá farinha socano arroz e torrano farinha quano ea tava quereno deitá...e punha os trem tudo na capanga pa juntá pa pô no carguero de madugada. (Ent. 06, linha 389) Os trem tava tudo dent’ do balai pegava punha no carguero e ia lá vai mamãe com menino inrolado as vez menino novo. (Ent. 06, linha 392) Hoje em dia cê num põe trem ne saco na tuia é tudo nas lata né. (Ent. 06, linha 406) Agora o (D...) hoje cê num tá comprano trem pa mode inchê tuia...num é? pranta num cói num vê paiol chei de mio vê é comprado os trem compra é os quilo. (Ent. 06, linha 416) Ela ia pingano pingava na fôrma caía na vazia e fazia cachaça esses trem. (Ent. 07, linha 59) Gritava de madugada “o cumpadi (J...) tá na hora do quebra torto tem quentão ês arrumava um tanto de trem...tem quejo tem tudo. (Ent. 07, linha 109) Carguero os coisa que tava no cavalo pôs no chão a arriata né de trem de fazê cumida essas coisa e...tirô a farinha uma pele e pôs na boca só porque ê pôs a pele quano ê jugô assim caiu. (Ent. 07, linha 170) Veio umas pessoa aqui que gostava muito de vim aí né de Jabaticatuba com negóço de pulítica esses trem oiano pressão. (Ent. 07, linha 182) Ih bateu uma pedra no meu oio”aí saiu doido com o trem no oi aí banhano vermeiô tudo banhano aí tava lá no campo pelejano aí já num dava dano conta de mexê com arado. (Ent. 07, linha 193) Trazia tudo nos cavalo punha lá trazia o...tinha o jeito de cuzinhá né a fornáia...fornáia não era um trem pindurado assim ó que ês cuzinhava. (Ent. 07, linha 282) A fronha branca tava cheia de bosta...bão...quano ea viu aquê trem...nossa sinhora “(Z...) num deita aí não” o diabo...ondé que tá essa maritaca? (Ent. 08, linha 08) A maritaca tava quas morta...morreu memo...“por conta daquê cunguçú aquê trem feio e ocê ainda fica gostano daquele cunguçú conão conem co marrado no pau”...briguei com cumá (V...) demais. (Ent. 08, linha 15) Uma melanciinha piquitita cheia d’água preta dentro aí eu fiquei com aquê trem na mão mandei ê entrá pra dentro. (Ent. 08, linha 84) Nós falava assim “uai padim (Z...) esse trem gumita tamém?”((risos)) quê que é cumeu? ê falava “não é que tá azedo”. (Ent. 08, linha 105) Num tinha sóli nem tinha chuva num tinha nada...nós cortava o trem todo direto...era tudo assim direto memo...pegava peso...peso que home num pegava. (Ent. 09, linha 03) “(A...) o (G...) num é bobo pa tocá um trem ruim pro cima da menina né?”...ea já/já é quas formada já né? (Ent. 09, linha 29) Ele infiô po mato adento guardô os trem dele...e desceu berano o cóigo...e ieu tava lá embaxo na berada do córgo lá quano ê me . (Ent. 09, linha 80) Robô dinhêro dele robô ispingarda robô raido robô uma pursão de trem dele lá. (Ent. 09, linha 95) Quano ele de lá viu nóisi ê largô lá a sacola de trem largô tudo e juntô de galopada foi po lado do Jatobá. (Ent. 09, linha 124) No ôto dia papai de tarde mesmo...papai foi lá papai achô a capa achô a capanga com a merenda dele cuié...tudo os trem dele que ele largô lá. (Ent. 09, linha 133) Quano eu desci uma distança como daqui...como daqui naquele pau grande lá na frente ó aquele lá de cima...bateu uma catinga de inxofre...inxofre mia fia e um trem fez assim com a moita pareceno um ridimuim num tava ventano nem nada mas fez assim. (Ent. 09, linha 219) Um trem fez um ridimuim lá que saiu troceno a capuera toda. (Ent. 09, linha 232) Era uma brigaiada que só cê vê que trem...ê ia separá...ê era juiz de paz memo...ê ia separá o trem 229 virava por riba dele pricisava do cunhado dele entrá de dentro tamém pa judá separá né. (Ent. 09, linhas 228 e 229) Ieu tô lá (D...) me dá um trem bão me dá um trem dá ôto cunversa em trem ôto lá quano ieu saí cá fora e dei farta dos carguero eu dei um tiro atrás de papai...rapei atrás de papai. (Ent. 09, linha 428) Juntô o quejo com a carne de boi quano foi de noite ê falô a pai um trem me mordeu aqui quano ê vai oiá mordeu memo no cutuvelo dele assim ó quano foi nôto dia o menino manheceu duro azulim. (Ent. 09, linha 488) A cobra fazia assim ó ea pulava os cachorro pulava num trem pula nôto pula nos cachorra nada/mas num cunsiguia pegá não. (Ent. 10, linha 38) Eu bibia um golo na epra enchi...comprei os trem de cumê e inchí o...eu fui mais o (E...)...enchí o saco marrei pela boca. (Ent. 10, linha 135) Era rancho trem di cumida tava tudo lá dento sabe? que que nós fez ... nós teve que trepá no pau a inchente tapô tudo cê via só gai de pau. (Ent. 11, linha 06) Nós lá em cima iguali soim sigurado e o trem ia lá e vortava cá ... nôto dia quand’ disvasiô um pôco nós desceu num tinha um bago de arroz no terrero. (Ent. 11, linha 07) Tinha uns terrero assim qu’ ocê prantava o trem tampava o terrero todo de melancia...aí cê tinha o trabai de interrá ea...o trabai de disinterrá mas ficava uma maravia de doce. (Ent. 11, linha 81) De noite...intregava serviço aí quano era umas seis hora nós subia...o cimentéro cê cunhece ele aqui né? pôco pra baxo do cimintéro...pôco pra baxo nós tinha andá muito ainda ( ) a num tinha ninhuma casa ‘quê trem era mato puro. (Ent. 11, linha 112) Eu chegava...falava assim (J...) põe um ( )uns quatro dedo aí pra mim...aí ê “ô rapaz vai pa escola e la vai bebê”...falava assim “a é bom pa gente animá” (J...) chegava lá fazia os trem tudo errado. (Ent. 11, linha 119) Falei “ah nem eu vô largá esse trem tamém” tive lá uns seis mês num ‘prendi foi nada dessa vida...uai comé que aprende tonto? (Ent. 11, linha 123) PESQ.: O sinhô sabe comé que fazia pra pegá ele?(o bichim) INF.: É comprado uai é comprado...esse povo roda pra esse trem afora aí é comprado uai. (Ent. 11, linha 172) Engem de pau é treis moenda em pé né? assim ó tem duas aqui e ôtra aqui aí tem os dente põe a bulandera lá os cavalo vai tocano e os dente fica um em riba do ôto e vai...alí cê pó fazê uma carrera de cana dessa artura aqui que o trem romói tudo. (Ent. 11, linha 185) A cachaça mió que tem é a cachaça de melado uai... ea faz igualzim a ôta ea já é azeda...ea já é azeda memo é só botá pra freventá lá no tampão lá e dexá o trem corrê lá no capelo uai tocá fogo. (Ent. 11, linha 205) Muito trem ca gente passô na vida a gente esquece esquece fô lembrá tudo fica doido. (Ent. 11, linha 231) Pegava enchia duas de fejão enchia mai encia mermo duas de arroz a só sei que o trem ficava é lotado. (Ent. 11, linha 237) Ocê acha os trem pa comprá e tem dinhêro pa comprá e ês num tinha dinhêro pa comprá. (Ent. 11, linha 255) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Trem. Também ouvi dizer, Trem de cozinha, mas não a pessoa, que se presasse de fallar com propriedade. 2. Morais: Trèm.s.m. A gente, a bagage que acompanha alguém de jornada. 3. Laudelino Freire: Trem. s.m. Fr. train. 2. O conjunto dos móveis e arranjos de uma casa; mobília. 4. Aurélio: Trem. [Do fr. train.] S,m. 10.Bras. MG C.O. Pop. Qualquer objeto ou coisa; coisa, negócio, treco, troço: ―ensopando o arroz e abusando da pimenta, trem especial, apanhado ali mesmo, na horta.‖ (Humberto Crispim Borges, Cacho de Tucum, p. 186). 5. Cunha: 230 Trem. sm. Do fr. train. ‘orig. conjunto de objetos’, XVII. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Trem • (A) • Nm [Ssing] • Fr. • Qualquer objeto ou coisa; negócio, treco, troço. • Nóis tem aquela fininha de cuá trem de mio verde. (Ent. 1, linha 38) 317. TRENHAL Nm[Ssing]_____________________________________________01 ocorrência Punha no cocho...pra ea taiá quando ela taiava tinha a fôrma a fôrma de pau um trenhal assim ó. (Ent. 07, linha 50) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 318. TREVESSAR [V]_________________________________________________04 ocorrências Uai se eu pulasse na frente dele eu caía dentro da cisterna e ê pulava pro cima mais eu num pulei de frente eu pulei de lado ê bateu trevessado na cisterna. (Ent. 02, linha 159) Na hora que tocava a dona Chiquinha do arrozá passa pra lá passa pra cá uma fazia assim ia pra lá a ôtra fazia assim vortava pra cá agora os ôto no mei trevessava um trevessava ôto. (Ent. 03, linha 168) Tinha que apiá ali na rodiviara e trevessá de banda e caminhá uma distança com o daqui a...como daqui lá na casa do (B...) pa podê chegá na casa dela. (Ent. 09, linha 141) Eu peguei num truxe piqui ninhum aí ea saiu correno trevessô o camím foi embora. (Ent. 10, linha 39) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 319. TROPA Nf[Ssing]________________________________________________04 ocorrências Ê chega aqui se eu quiria muê uma cana que eu tinha com ê la a meia que ê tinha bastante cana a 231 meia com ele que ê me dava os engem tudo com uma tropa a lenha me dava a cana cortada era só eu puchá a cana e muê. (Ent. 04, linha 337) Eu fiquei lá bem dizê quas dois mesi muí a cana do cumpá (C...) toda dos vizim tudo lá eu muí tudo com a tropa do cumpá (C...). (Ent. 04, linha 379) Eu vendi com essa farinha desse preço comprei cangaia essas coisa era um home que vinha lá de Taquaraçu com a tropa dele comprava nossa farinha. (Ent. 04, linha 405) Oiei assim ê tava lá encostado ondé que tinha assim uma garajona assim onde carro...coisa de tropa né ranchava lá. (Ent. 04, linha 254) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Tropa. s.f. Lat. turba. 5. Grande porção de gado ou de bestas de carga, que segue em jornada. 4. Aurélio: Tropa. [Do fr. troupe, 'bando de pessoas ou de animais'.] S.f 6. Bras. Caravana de animais equídeos, especialmente os de carga. 5. Cunha: Tropa. sf. ‘conjunto de soldados’ ‘multidão’ ‘grande porção de animais’ XVII. Do fr. troupe, provavelmente deriv. regr. de troupeau, a. fr. tropel ‘rebanho’ (logo empregado adverbialmente, com o sentido de ‘muito, demasiadamente’). 6. Amadeu Amaral: Tropa. s.f. caravana de bestas de carga, ‘comboio’; manada de equídeos, quantidade desses animais; fig., corja, cambada (de marotos, de ladrões, de patifes, de estúpedos). ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: Tropa (A) s. Caravana de animais, geralmente burros ou bestas, usados para o trabalho de carga. “... aqui já teve muita fartura... tropa e mais tropa entrava ( ) na rua da Fé... panhava um negócio ali e levando pra Bahia.” (Entr.12, linha 25) 2. Ribeiro: Tropa • (A) • Nf [Ssing] • Fr. • Caravana de animais, geralmente burros ou bestas, usados para o trabalho de carga. • Ia um tocano os animale, a tropa assim arriada e apiava pa ajudá carregá. (Ent. 4, linha 42) 320. TROPERO Nm[Ssing]_____________________________________________01 ocorrência Os tropero que passava e vinha de longe vino né...era as posada que tinha né ês passava nesses lugá e ranchava. (Ent. 08, linha 283) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Tropeiro. “s.m. De tropa. 2. Aquele que conduz bestas de carga ou manadas de gado grosso, como cavalos e bois.” 4. Aurélio: Tropeiro. “[De tropa + -eiro.] S. m. 1. Bras. Condutor de tropa (6); arrieiro, bruaqueiro. 2. Bras. RS Indivíduo que compra e vende tropas de gado, de mulas ou de éguas.” 5. Cunha: Tropeiro. “v. tropa” “tropeiro 1844” 6. Amadeu Amaral: Tropêro. “s.m. – negociante de animais eqüídeos, que viaja com eles; condutor de tropa de eqüídeos.” 232 ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: Tropeiro (A) s. Condutor de tropas de carga; arrieiro. "... era esses homem... era o canoeiro que viaja pro rio... era o tropeiro que é esse... o homem que eu tou contando que derrubava os burro...” (Entr.5, linha 537) 2. Ribeiro: n/e 321. TRUPICAR [V]___________________________________________________01 ocorrência De noite ia na cuzinha tava trupicano ne menino. (Ent. 04, linha 127) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: Tropicar. “v.n. Tropeçar, e ir cahindo; v.g. este burro tropica, t. vulgar.” 3. Laudelino Freire: Tropicar. “v. intr. Tropeçar muitas vezes (falando de bestas). 4. Aurélio: Tropicar. “[Do arc. tropigo, 'hidrópico' (v. trôpego), + -ar².] V. int. 1. Tropeçar numerosas vezes: “Sem botar reparos ao chão em que pisam, tropicando em raízes, formigueiros, buracos de tatus, cavalos correm, rebatendo fujões.” (Nélson de Faria, Tiziu e outras Estórias, p.208)” 5. Cunha: Tropicar. “v. trôpego” “tropicar vb. ‘tropeçar numerosas vezes’ 1813. Liga-se, provavelmente ao arc. *tropigo ‘trôpego’.” 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: Tropicar (A) v. É o mesmo que tropeçar. "... que aqui mesmo a gente tá tropicando neles aí na rua...” (Entr.2, linha 688) 2. Ribeiro: n/e 322. TUIA Nf[Ssing]__________________________________________________07 ocorrências A dona com as lata tudo cheia porque hoje em dia cê num põe trem ne saco na tuia é tudo nas lata. (Ent. 06, linha 406) Tuia de balai...cê nunca viu né? faz um balai dum tipo assim duma mania né...até esses tempo ês modificô as mania lá em Lagoa Santa assim eu falei ó gente igual a uma tuia...trança assim os balai e faz as tuia ali cê pode lotá de arroz. (Ent. 06, linhas 411 e 412) Barriava mais nóis nunca barriô..fazia ea de bambu bem fechadim que o mantimento num passava na greta...agora o (D...) hoje cê num tá comprano trem pa mode inchê tuia...num é? (Ent. 06, linha 416) Ê guardava cinquenta sessenta carro de mio...cento e tanto saco teve uma vez que ê vendeu quatrocento saco de arroz pro (J...N...) lá ...a tuia era é...só era cinco tuia um monte encarriado assim vinte saco de cada coisa cada coisa pegava enchia duas de fejão. (Ent. 11, linha 235) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Tulha He o nome genérico de vários receptáculos de tijolo, ou de vimes, ou de esparto, em que se recolhe separadamente azeitona, castanha, arroz, ou outros frutos da terra, & como num celeyro há vários montes de trigo, cevada, centeyo, milho, &c. 2. Morais: 233 Túlha s.f. O monte de pães, e grãos, castanhas, nozes, arroz, que está no celleiro, em divisões talvez. 3. Laudelino Freire: Tulha s.f. Lat. tudicula. Cova ou recinto de pedra onde se deita e aperta a azeitona, para mais tarde ser moída. 4. Aurélio: Tulha .S.f. 2.Grande arca usada para guardar cereais. 5. Cunha: Tulha. sf. ‘celeiro’, XIV. De origem controvertida. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Tuia • (A) • Nf [Ssing] • Cont. • Grande arca usada para guardar cereais. • Ingordava o capado. Matava o capado, tinha a carne e tinha a gurdura. E o mantimento todo tanto que cuía num vindia não. Punha na tuia lá no canto. (Ent. 11, linha 114) 323. UNHA DE BOI NCf[Ssing]_________________________________________02 ocorrências Ê foi e pegô um cipó de oi de unha de boi lá e deu ne mim três ciposada de unha de boi...falei com ele “o pai é a primera e a urtima...é a primera e a urtima” mais que eu fiquei com raiva. (Ent. 02, linha 239) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: Unha-de-boi s.f. 3. O mesmo que cipó-escada. 4. Aurélio: Unha-de-boi S. f. Bras. Bot. 1. Escada-de-jabuti (1). Escada-de-jabuti S. f. Bot. 1. Bras. N.E. C.O. Designação comum a dois cipós arbustivos da família das leguminosas (Bauhinia alata e B. rutilans), de flores alvas, dispostas em racimos corimbosos e alongados, e cujos frutos são vagens coriáceas; unha-de-boi. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 324. VARA DE FERRÃO NCf[Ssing+prep+Ssing]__________________________02 ocorrências Peguei lá e enfiei a junta de boi no engem o boi de dentro quis falá com papai...quis falá com papai ê gemeu pá falá com papai que num era dia de tabaiá aí papai foi e passô a mão na vara de ferrão e tocô ele. (Ent. 02, linha 188) Teve um que fez pirraça comigo no camim dobrei a vara de ferrão na custela ê me largô lá no mato fiquei sozim lá com as criação. (Ent. 05, linha 25) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: 234 Vara de ferrão s.f. Aguilhada. 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 325. VARGE Nf[Ssing]_________________________________________________01 ocorrência “Ocê vai pegá um cavalo na varge pra mim” passei a mão no cabresto fui lá pegá o cavalo. (Ent. 02, linha 241) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Vargem, ou Várzea. Vid. Várzea. Este mais usado (Ouro de seus ferros, vargens e arredores. Vasconcel. Notíc. do Brasil 76) Várzea, ou varzia, ou vargem, se chama a hum espaço de terra cultivada, em campo ou em qualquer outra parte baixa, toda direita, sem ladeira, nem alto. 2. Morais: Vargem. V. Várzea. Vascone. Notic. Várzea s.f. Vargem, campo, planície cultivada, semeada. 3. Laudelino Freire: Varge s.f. O mesmo que vargem. Vagem s.f. O mesmo que várzea. Várzea s.f. Campina cultivada. 4. Aurélio: Varge s.f. 1. V. várzea Várzea [Do b.-lat. varcena, poss.] S. f. 1. Planície fértil e cultivada, em um vale1; veiga: "Lá me ficava com seu teto amigo / A velha casa, a várzea verde e em flores" (Alberto de Oliveira, Poesias, 3ª série, p. 241). 5. Cunha: Várzea sf. ‘planície fértil e cultiviada, em um vale’ | várgea XV | De origem obscura. 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 326. VEIA ROTA NCf[Ssing+Adj]_______________________________________03 ocorrências Jesus é nascido [...]Jesus nascido é [...] fí da Virge Maria [...] sem pecado é [...]me cura essa ringidura [...]Jesus Nazaré [...] ê me benze [...]de carne quebrada [...] veia rota [...]nervo assombrado [...] junta iscunjuntada [...]osso ringido [...] assim mesmo Jesus me cura. (Ent. 01, linhas 368, 400, 431) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 235 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 327. VEIACO Nm[Adjsing]_____________________________________________01 ocorrência Eu falei “pois é num ia dá pra sarvá pai” ê falô “fica veiaco com esse bicho ( ) se um bicho desse te pegá”. (Ent. 04, linha 330) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Velháco. O que usa de traças, para enganar. 2. Morais: Velháco. s.m. O que engana com dolo não comprindo a promessa. 3. Laudelino Freire: Velhaco. adj. Enganador, falaz, fraudulento, traiçoeiro. 4. Aurélio: Velhaco .[Do esp. bellaco.] Adjetivo. 1.Que ludibria de propósito ou por má índole. 2.Que é traiçoeiro ou fraudulento; patife, ordinário. 5. Cunha: Velhaco. adj. ‘que ludibria propositadamente, ou por má indole’ XIV. Do cast. bellaco, de origem incerta. 6. Amadeu Amaral: Veiaco. velhaco, q. - diz-se da cavalgadura que tem manchas, habituada a dar corcovos. ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Veiaco • (A) • Nm [ADJsing] • Cast. • Aquele que ludibria de propósito ou por má índole. • INF.: Lá tinha uma lavora de café e tinha um homi que trabaiava cum ês aí. PESQ.: Ahn? INF.: Diz que era munto véiaco. (Ent. 8, linha 32) 328. VENDA Nf[Ssing]________________________________________________07 ocorrências “Marquei o dia de i pra lá pra ele í cortá a cana no domigo eu vi ê na venda” (Ent. 04, linha 345) “Eu lembrei da pinga falei “o gente num tem ninhuma aí ô vô lá” uma vez na casa de (A...R...) morava alí do ôto lado ali ó ê tinha venda e vendia na venda falei ô vô lá uma vez” (Ent. 04, linhas 118 e 119) “Lá num tinha venda não eu ia fazê cachaça boba” (Ent. 09, linha 386) “O pai dele saíu foi lá pás venda quano foi de noite envinha com um quejo falô assim levanta pro cê cumê um pedacim do quejo” (Ent. 09, linha 495) “Nôto dia ó ...pá venda com o dinhêro...fui lá pa (R...J...) fazê compra” (Ent. 10, linha 131) “Nós fazia seis caxa por dia...o pai desses menino da venda aí comprava tudo levava o caminhão lotava de rapadura” (Ent. 11, linha 218) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: Venda. Taverna de estrada. Estalagem do campo. 2. Morais: Vènda. S.f. Taverna onde se vende. 3. Laudelino Freire: 236 Venda. s.f. 3. Loja em que se vende. 4. Aurélio: Venda¹.[Do lat. vendita, part. pass. de vendere, ‗vender‘.] S.f. 1.Ato ou efeito de vender; vendagem, vendição. 2.Pequeno estabelecimento comercial onde se vendem artigos variados. 3.Botequim onde se vendem, sobretudo, bebidas a varejo e pequenos artigos, como velas, pilhas, sal, etc. 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: Venda • (A) • Nf [Ssing] • (n/e) • Pequeno estabelecimento comercial onde se vendem artigos variados. • PESQ.: Aí aparecia lá em casa. Aí meu pai punha um prato de comida pra ele. Aí ele cumia. Aí ele pedia dinhero pra ir beber. Aí meu pai num dava dinhero pra ele não beber. INF. 1: Mais ele pidia nas venda, né? (Ent. 12, linha 681) 329. VENTO IGAUZADO NCm[Sing+Adj]________________________________01 ocorrência Pai do fi do isprito santo amem...jesus é nascido Jesus nascido é fí da virge Maria sem pecado é Jesus Nazaré cura (E...) de ispinhela caída vento virado bila derramada ar preso vento igauzado assim mesmo Jesus me cura em nome do pai filho isprito santo amém....jesus de nasaré há de provê tudo e dá miora. (Ent. 09, linha 492) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 330. VENTO VIRADO NCm[Sing+Adj]___________________________________01 ocorrência Pai do fi do isprito santo amem...jesus é nascido Jesus nascido é fí da virge Maria sem pecado é Jesus Nazaré cura E de ispinhela caída vento virado bila derramada ar preso vento igauzado assim mesmo Jesus me cura em nome do pai filho isprito santo amém....jesus de nasaré há de provê tudo e dá miora. (Ent. 09, linha 492) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: Vento-virado [De vento + virado.] S. m. Bras. MG GO Pop. 1. V. prisão de ventre: "É sempre entre as pretas velhas que encontramos boas benzedeiras. Benzem quebranto, vento-virado, mau- olhado" (Regina Lacerda, Papa-Ceia, p. 17). 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e 237 ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 331. VESPAR [V]_____________________________________________________01 ocorrência Nós foi pra lá dento e esse dia como ea era mei cismada colocô os menino tudo lá perto dela diz ela que quano foi lá vespano nessa hora que caiu um trem lá dentro do quarto. (Ent. 04, linha 216) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 332. VORTA DE LUA NCf[Ssing+prep+Ssing]____________________________01 ocorrência O menino sofreu sofreu num teve chá quente nenhum que dismanchô esse negóço ricuiido né só terra fria que cura né pois ê viveu quano era vorta de lua ê chiava ê chegava aqui ê ficava naquele quarto lá dentro cê iscutava a chiata dele. (Ent. 06, linha 397) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 333. VORTA DO DIA NCm[Ssing+prep+Ssing]_____________________________01 ocorrência INF.: Lovado seja deus nunca vi ô nêga ô sai daqui vô lá na Parmêra quarqué hora num vejo nada mais alembro da mamãe... era assim na vorta do dia ea ia buscá água chegava lá ea via PESQ.: Via o que? INF.: Pantasma. (Ent. 06, linha 369) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: n/e 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e 238 ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 334. ZUAÇÃO Nf[Ssing]________________________________________________01 ocorrência No ôto dia tinha uma ruma de cinza assim...eu fiquei lá bem dizê quas dois mesi muí a cana do cumpá (C...) toda dos vizim tudo lá eu muí tudo com a tropa do cumpá (C...) e a zuação acabo. (Ent. 04, linha 379) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: 4. Aurélio: n/e 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e 335. ZUNIR [V]______________________________________________________02 ocorrências Eu vinha com o (A...) que ê era piqueno né ê mamava nas cadêra menina pegô a chuva naquele arto do (A...R...)...meu fí tomano chuva taquei uns pano na cabeça dele e zuni. (Ent. 06, linha 362) Deus ajudô que o boi foi desceno pra baxo e zuni cheguei. (Ent. 06, linha 365) ________________________________________________________________________________ Registro em dicionários: 1. Bluteau: n/e 2. Morais: n/e 3. Laudelino Freire: 4. Aurélio: Zunir [Voc. onom.] V. int. 4. Bras. Angol. Deslocar-se velozmente: "Ouvem os carros zunir nas ruas?" (Henrique Guerra, Quando me Acontece Poesia, p. 47.) 5. Cunha: n/e 6. Amadeu Amaral: n/e ________________________________________________________________________________ Registro em glossários: 1. Souza: n/e 2. Ribeiro: n/e Passemos, agora, às análises das fichas. 239 4.2. Análise quantitativa Feito o levantamento dos dados do léxico rural da Serra do Cipó, será cumprida a segunda etapa das metas traçadas para este trabalho, que consiste na análise quantitativa das informações apresentadas nas fichas lexicográficas. Os gráficos e tabelas foram elaborados com o intuito de melhorar a sistematização das unidades linguísticas. 4.2.1. Quanto ao número de lexias presentes em cada dicionário Das 335 lexias apresentadas nas fichas lexicográficas, verifica-se que 256 têm registro em pelo menos um dos seis dicionários selecionados, o que corresponde a 76,41%, como indicado no gráfico a seguir. GRÁFICO 1 – Número de lexias encontradas em cada dicionário O GRAF. 1 exibe, em números absolutos, quantas lexias entre as 256 dicionarizadas estão presentes em cada dicionário: i) a barra vermelha, correspondente ao dicionário de P. Raphael Bluteau, mostra os 105 vocábulos encontrados nessa obra, o que corresponde a 31,34% do total de vocábulos dicionarizados; ii) o dicionário de Antonio de Moraes, representado pela barra verde, apresenta 135 lexias entre aquelas dicionarizadas, o que representa 40,29%; iii) os dicionários de Laudelino Freire e de Aurélio Buarque, representados, respectivamente, pelas barras rosa e azul, são os que apresentam o maior número de registro das lexias constantes do grupo das dicionarizadas, o primeiro com 211 vocábulos e o segundo com 228, o que corresponde a 62,98% e 68,05%, respectivamente; 240 iv) o dicionário de Antônio Geraldo da Cunha, representado no gráfico pela barra cinza, apresenta 183 lexias entre aquelas dicionarizadas, o que representa um percentual de 54,62%; v) por fim, no dicionário de Amadeu Amaral, verificamos a presença de 55 unidades léxicas, ou seja, 16, 41% do total das 256 lexias que se encontram dicionarizadas. 4.2.2. Quanto à classificação gramatical Ao serem avaliadas as fichas, constatou-se que os substantivos e os verbos reúnem 275 ocorrências, totalizando 82,08% do corpus. Os substantivos se destacaram com 215 ocorrências, abarcando 64,17% das lexias selecionadas. Os verbos, por sua vez, totalizam 17,91% dos vocábulos, ou seja, 60 ocorrências. Os adjetivos apresentam 14 casos, o que representa 4, 17% dos dados. Os advérbios abarcaram 2,1% de todas as lexias presentes nesta pesquisa, com 7 ocorrências. As locuções adverbiais e pronominais, os pronomes, as preposições e as conjunções correspondem a 11 ocorrências, o que aponta para 3,3% do total de vocábulos. As unidades fraseológicas também representam um número significativo, foram 28 ocorrências, o que representa 8, 35% do total de dados analisados. Tais resultados podem ser melhor verificados na tabela a seguir. TABELA 1 Classificação morfológica dos dados analisados Função Gramatical Nº de lexias Percentual Substantivo 215 64,17 Verbo 060 17,91 Adjetivo 014 04,17 Advérbio 007 02,10 Loc. Adverbial/Loc. Pronominal/Pronome/Conjunções/Preposições 011 03,30 Fraseologias 028 08,35 TOTAL 335 100 4.2.3. Quanto às lexias dicionarizadas e não-dicionarizadas Concluídos os estudos das 335 fichas lexicográficas, foi encontrado um número significativo de vocábulos que não foram localizados em nenhum dos dicionários examinados, ao passo que outros foram encontrados em pelo menos um desses dicionários. Cabe salientar: a) aquelas lexias que, no contexto das entrevistas, ofereceram sentido incompatível às acepções dicionarizadas foram contadas como não-dicionarizadas; b) aquelas lexias que não apresentaram alterações significativas na forma foram computadas como dicionarizadas. 241 GRÁFICO 2 – Distribuição percentual das lexias dicionarizadas e não-dicionarizadas 4.2.3.1. Dicionarização segundo a classificação gramatical Conforme consta no item 4.2.2, as 335 lexias presentes no corpus foram lançadas em oito grupos, os quais representam as classes gramaticais dessas. Para que seja possível conhecer o indicador de vocábulos dicionarizados ou nãodicionarizados em cada um desses grupos, fez-se necessária a confecção de outros dois exames quantitativos. O gráfico a seguir ilustra o percentual de unidades léxicas por classes gramaticais entre aquelas dicionarizadas. Acrescentam-se a esta análise as fraseologias. GRÁFICO 3 – Percentual de lexias dicionarizadas por classe gramatical 242 Após a análise das 256 lexias dicionarizadas, constatou-se que 173 delas exerciam, nas frases, a função de substantivos, o que corresponde aos 67,57% indicados no gráfico acima. Os verbos reuniram 53 lexias, o que representa os 20,70% indicados. Os adjetivos somaram 10 unidades lexicais, o que compreende 3,9% dos vocábulos dicionarizados. As fraseologias são contabilizadas em oito ocorrências, equivalentes a 3,12% Os advérbios abarcaram cinco vocábulos, o que aponta para 1,95%. As locuções adverbiais apresentam quatro casos, o que corresponde a 1,56%. As preposições foram observadas em dois casos, o que equivale no gráfico a 0,39%. Por último, o pronome que contabiliza uma ocorrência e é representado por 0,39% do total das lexias. A seguir será apresentada a quantificação das lexias não-dicionarizadas por classe gramatical, conforme GRAF. 4. 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 53,16% 25,31% 8,86% 5,06% 2,53% 1,26% 1,26% 1,26% 1,26% Classes Gramaticais das Lexias Não-Dicionarizadas GRÁFICO 4 – Percentual de lexias nãodicionarizadas por classe gramatical Após a análise das 79 lexias nãodicionarizadas, constatou-se que 42 delas exerciam, nas frases, a função de substantivos, o que corresponde aos 53,16% indicados no gráfico acima. Foram contabilizadas 20 fraseologias correspondentes a 25,31% das lexias não dicionarizadas. Os verbos reuniram sete lexias, o que representa os 8,86% indicados. Os adjetivos somaram quatro unidades lexicais, o que compreende 5,06% dos vocábulos dicionarizados. Os advérbios abarcaram dois vocábulos, o que aponta para 2,53%. As 243 conjunções, as preposições, os pronomes e as locuções pronominais contabilizam uma ocorrência cada um e são representados por 1,26%, cada um, do total dessas lexias. 4.2.4. Quanto à origem No que se refere à origem das lexias, conforme se pode observar no GRAF. 5 a seguir, a região pesquisada apresenta 131 ocorrências, ou 39,1% de nomes, cujas origens são portuguesas. As lexias que não tiveram sua origem encontrada somaram 109 casos, o que corresponde a 32,53% do corpus. As lexias de origem francesa somaram 18 ocorrências, representando 5,37% do total de lexias analisadas. Em seguida, aparecem as lexias de origem tupi, que somam 16 casos, o que representa 4,77% do total. As lexias de origem africana e de origem controvertida obtiveram o mesmo número de 12 ocorrências cada, o que equivale a 3,58% cada uma. Assim como as anteriores, as lexias de origem castelhana e obscura também empataram com oito ocorrências, o que significa 2,38% cada. Também foram detectadas quatro lexias de origem celta, o que equivale a 1,19% e as de origem árabe somam três ocorrências, ou seja, 0,9% dos casos. Com dois casos cada, aparecem as lexias de origem espanhola e onomatopaica, cada uma delas representadas por 0,6% do corpus analisado. Por último, estão as lexias de origem malaia, germânica, napolitana, arcaica, toponímica, desconhecida, incerta e duvidosa, todas com 1 ocorrência cada, podendo-se concluir que cada uma delas equivalem a 0,3% do dados selecionados. GRAFICO 5 – Origem das lexias 244 Também foi verificado nos dados analisados um número expressivo de vocábulos que estão definidos no dicionário Aurélio Séc. XXI como brasileirismos. Segundo estudo realizado por Oliveira (1999, p. 61) o português brasileiro, variante linguística do português europeu, foi trazido para o Brasil pelos colonizadores entre os séculos XVI e XVIII, em especial, foi mesclando-se como os idiomas indígenas locais, principalmente o Tupi- -guarani e, mais tarde, com várias línguas africanas, trazidas para o país pelos escravos. O resultado da mestiçagem dos índios e africanos com os portugueses foi uma multifacetada sociedade, com características distintas da portuguesa, pois desenvolveu aqui um modo particular de falar vários vocábulos, que tornaram-se característicos do português do Brasil. Foram identificadas entre as 335 lexias do corpus do presente trabalho 73 que são classificadas no dicionário Aurélio Séc. XXI como brasileirismos. Tais lexias são as seguintes: andu, anduzero, bagacera, balaim-de-fulô, baranda, barriguera, batedor, batidinha, brabo, breiar, brejo, bruaca, bulandera, burrusquê, cachaça, cacumbu, cacunda, cadê, candombe, capado, capanga, capão, capinera, capitão, capuera, carangonço, catinga, chucho, cincerro, cocho, coivara, cuchichó, cunguçu, curiango, eito, encarnar, encrencar, engenho, engenhoca, fubá suado, garapa, garrucha, gravatá, grota, icarriado, ideia, imbigada, imbira, infeitar, inhambu, ispinhela caída, istalero, jirau, mãidoca~mãindoca, mangangá, manguara, manjarra, manjocal, marlão, paiol, pinga, quede, rancho, sombração, tabatinga, taca, tacha, trem, tropa, tropero, unha-de-boi, vento virado, zunir. O gráfico a seguir apresenta o percentual de brasileirismos entre as lexias dicionarizadas. GRÁFICO 6 – Percentual de brasileirismos entre as lexias dicionarizadas 245 De acordo com o GRAF. 6, o resultado da consulta realizada ao dicionário Aurélio Séc. XXI, aponta que 73 vocábulos do presente estudo referem-se a “palavras ou locuções próprias de brasileiros; modismos próprios da linguagem dos brasileiros”,44 portanto, tratam-se de brasileirismos, como conceitua o próprio Aurélio Buarque de Holanda e equivalem a 23,58% das lexias analisadas. 4.2.5. Quanto à forma e ao gênero das lexias Há um equilíbrio entre as ocorrências de lexias do gênero masculino e feminino, havendo uma pequena superioridade das de gênero feminino, com 108 ocorrências, ou seja, 32,23%, sendo 86 nomes femininos simples e 22 nomes femininos compostos. As lexias de gênero masculino somaram 107 ocorrências, equivalentes a 31,84% dos nomes, sendo 90 nomes simples e 17 nomes compostos. A quantificação dos dados está representada no gráfico a seguir: GRAFICO 7 – Gênero das Lexias 4.2.6. Quanto ao número de ocorrências das lexias Um dado importante constante das fichas lexicográficas refere-se ao número de ocorrências das lexias analisadas. Essa informação permite que seja observado quais são as lexias mais utilizadas pelos informantes, possibilitando uma melhor visão das características da variedade da língua falada na região. 44OLIVEIRA, 1999, p. 93. 246 No QUADRO 1 estão listadas, em ordem decrescente, aquelas lexias que tiveram um número mais expressivo de ocorrências. Dos 335 vocábulos selecionados, 73 ocorreram entre 96 e 5 vezes. QUADRO I Lexias mais recorrentes Lexias Nº de ocorrências Trem 96 cumá~cumade 51 mãidoca~mãindoca 29 batuque 28 sombração 27 cachaça, cumpá 26 alembrar, maisi¹ 24 foice 21 criação 20 carguero, engem 19 antão, envir 18 mucado~mucadim 17 arrei, capão, fornáia 16 melado 15 baile 12 rancho~ranchim 11 carro~carro de boi, gastar 10 burrusquê, frever, pinga, tacho 09 arado, burrai vermei, brabo, cumê 08 animal, cabresto, cacunda, iscuma, lançadera, ofíço~ofíci, tuia, venda 07 bagaço, balai~balaim, balancê~balanceio, boca da fornáia, candombe, cocho, curiango, fuso, garrote, golo~gulim~golim, grota, inté², lubisome~lobisome, moenda~muenda, quebra-torto 06 arranchar~ranchar, arrear, arriba, aturar, bestir~bistir, cadê, cinco salamão, de banda, deus~dêsi~indeus, fiada~afiada, fiar, foncionar, gamela, garapa, garrar, grudura, gudão, isprito. 05 247 4.3. Variação, manutenção e mudança dos lexemas ao longo do tempo Tendo em conta que a partir do momento em que os estudos linguísticos começaram a considerar o fato de que as línguas influenciam e sofrem influências sociais, os estudiosos da língua assumiram a ideia de que as mesmas constituem um processo dinâmico, que podem variar conforme o contexto social e o momento da interação, já que o locutor tende a usar a língua sempre em adequação a mudanças sociais, históricas, políticas e/ou culturais. Dessa forma, é possível afirmar que as línguas sofrem, de modo contínuo, lentas, graduais e parciais mudanças, sem que, muitas vezes, sejam percebidas pelos usuários, devido a acomodações advindas de fatores intra e extralinguísticos. Ao analisarmos as 256 lexias dicionarizadas, observamos que os vocábulos alembrar, alevantar, bage, baranda, bila darramada, dereto, inté¹, inté², iscuma e iscumar passaram por mudanças desde o século XVIII até os dias atuais. Essas mudanças ocorreram na forma ou no sentido, ou simplesmente foram substituídas por outros vocábulos no nosso vernáculo. A soma desses casos de mudança corresponde a 3,1% do total das lexias dicionarizadas. Entretanto, constatou-se ainda, que várias lexias conservaram a mesma forma e a mesma acepção desde a sua primeira dicionarização até os dias atuais. É pertinente observar que muitas delas adquiriram novos significados, contudo o significado original ainda mantém o seu lugar na língua contemporânea. Entre as 256 lexias dicionarizadas, foram verificadas 197 que sustentaram a mesma forma e sentido de antes, o que equivale a 76,1%. Pequenas diferenças ortográficas como gênero, número e outros casos que não apresentam alterações expressivas, e também aquelas que constituíam pequenas variações, foram contabilizadas como sem mudanças. Seguem abaixo essas lexias: Abisar, abuscar, adobe, alevar, andu, anduzero, animal, aperto, apiar, arado, arear dente, armesca, arranchar, arriar, arrei, arrendar, arriata, arriba, ativo, aturar, bagacera, bagaço, bago, baile, balai, balance, barriar, barriga d’água, barriguera, batedor, batidinha, batuque, bergonha, bestir, bica, boca da noite, boiada, breiado, brejo, bruaca, bulandera, burrai vermei, cabaça, cabresto, cachaça, cacumbu, cacunda, cambada, campiar, candeia, candombe, candonguero, canga, cangaia, capado, capanga, capão, capitão, capuera, carangonço, carguero, carro de boi, catinga, cepo~cepozim, chumbar, cincerro, cinco salamão, cocho, coivara, corgo, criação, cuia, cume, canguçu, curiango, curisco, dançadera, dançador, de banda, de coque, d’cunjuro, derrobar, desmorecer, dibuiar, dicumento, disorde, distino, disvaziar, divera, eito, encrencar, encruziar, enfezado, engem, engenhoca, febre calatina, fejão mulatim, fera, fiada~afiada, fiar, firrujar, fisgar, 248 foice, foncionar, fragelo frescão, frever, fugarero, fumo, furquia, fuso, galopada, gamela, garapa, garrote, garrucha, gravatá, grota, grudura, gudão, guela, hispitali, icarriado, ideia, imbigo, imbira, imborbuiar, iguali, infeitar, inhambu, injuntar, intramiar, inxadão, inxempro, iscangaiar, iscurrupião, isparrela, ispinhela caída, isprito, istalero, japona, jaracuçu cabeça de pato, jirau, junta de boi, junta do osso, labutar, lajiado, lambicar, lambique, lamparina, lançadera, lavrar, loro, lubisome~lobisome, mãidoca~mãindoca, mangangá, manguara, manjarra, manjocal, marelão, marrio, mastigar, medonho, meiero, melado, moda, muenda~moenda, morada, munho, ofíço~ofíci, paiol, pantasma, pinga, rancho~ranchim, sombração, tabatinga, taca, tacha, tacho, tatu passa aqui, tecedera, tempestada, terrero, tijijum, toicim, trem, tropa, tropero, trupicar, tuia, unha de boi, veiaco e venda. Concomitantemente à manutenção linguística foram avaliadas, ainda, entre as palavras dicionarizadas, ocorrências de coexistência de duas ou mais variantes lexicais ou formais pra a mesma palavra nas obras lexicográficas atuais. Foram constatados 20 casos, abarcando 7,8% do total. São elas: alembrar, alevantar, antão, ante, avuar, brabo, cadê, chucho, cochicho, dereto, dês, golo, gumitar, inté¹, inté², intuxicar, iscuma, iscumar, lumiar e varge. A seguir apresentamos o GRAF.8, que ilustra os casos de mudança e manutenção linguística. Cabe ressaltar que 35 lexias (13,7%) não atenderam o cômputo, entre casos de mudança ou manutenção linguística, visto que aparecem em apenas um dicionário. GRÁFICO 8 – Mudança e Manutenção Linguística 249 4.3.1 Quanto aos arcaísmos A discussão acerca da determinação do período que caracteriza a língua arcaica do português vem ocorrendo há alguns anos, mas ainda não há um consenso por parte dos estudiosos sobre a delimitação desse período. Segundo Mattos e Silva (2002) apud Souza (2008), “as principais características linguísticas do período arcaico são encontradas em documentos e borás dos séculos XIII e XIV, sendo que no século XVI algumas dessas características permanecem e outras desaparecem.” Uma data simbólica é determinada por Ivo Castro, 45 para servir como limite entre o período arcaico e o português moderno: 1536. Esta data foi escolhida por representar o último auto de Gil Vicente – Floresta de Enganos – e por ser o ano de publicação da Gramática da linguagem portuguesa de Fernão de Oliveira, obra essa que contribui para um processo progressivo de normatização da língua portuguesa. Segundo Ivo Castro, o português moderno tem início a partir do século XVI 46 Foi levada em consideração, para o tratamento dos arcaísmos lexicais nesse trabalho, a cronologia proposta por Ivo Castro. Dessa maneira, são considerados como arcaísmos os vocábulos usuais entre os séculos XIII e XV, os quais, por motivos vários, perderam espaço ao longo do tempo, não sendo mais usuais na língua portuguesa padrão, ficando restritos à linguagem popular e também ao meio rural. Após análise das fichas lexicográficas, foram detectados seis casos de lexias avaliadas como arcaísmos, representando 2,35% das lexias dicionarizadas. São elas alembrar, alevantar, antão, dereito, imbigo e iscuma. Após verificação da lexia alembrar, constatou-se que, apesar de não haver seu registro no Dicionário Etmológico, de Antônio Geraldo da Cunha (de agora em diante DENF), ela aparece nos dicionários atuais como forma popular. Segundo o dicionário de Amadeu Amaral (O Dialeto Caipira), esse vocábulo aparece na obra de Gil Vicente (Cf. a respectiva ficha). Já o vocábulo alevantar aparece no DENF como uma forma do século XIII. Assim como alevantar, antão é antigo na língua portuguesa, sendo encontrado desde o século XIII conforme consta no DENF. Ele também aparece nos dicionários atuais como forma popular. Conforme o Dialeto Caipira, de Amadeu Amaral, essa lexia aparece na obra de Camões (Cf. a respectiva ficha). 45 CASTRO, apud MATTOS e SILVA, 2002, p. 29. 46 SOUZA, 2008, p. 187. 250 O vocábulo dereito ocorre no DENF como registrado na língua desde o séc. XIV. Ocorre nos dicionários atuais como forma popular e também está registrado no dicionário de Amadeu Amaral como recorrente nas Lições de L. de Vasc. (Cf. a respectiva ficha). Imbigo é dicionarizado dessa forma como entrada apenas no dicionário de Amadeu Amaral. Entretanto, os dicionários pesquisados de P. Bluteau, de Antônio de Moraes e de Antônio Geraldo da Cunha apresentam variantes ortográficas para o mesmo. Esse vocábulo na forma assimilada é documentado desde o século XIV segundo o DENF e, atualmente, só é encontrado na linguagem popular. Para finalizar, a lexia escuma aparece registrada no DENF como presente na língua portuguesa desde o século XIV. 4.3.2 Quadro Comparativo entre as regiões Norte, Sul/Sudeste e Metropolitana de Minas Gerais Comparando as lexias coletadas na Serra do Cipó, localizada na região Metropolitana de Belo Horizonte, com dados de dois estudos similares realizados por Souza (2008) e Ribeiro (2010), que analisaram o léxico rural dos municípios de Águas Vermelhas – Região Norte de Minas Gerais – e Passos – Região Sul/Sudeste do Estado – detectou-se que 23,6%, ou seja, 79 lexias presentes em nosso corpus também eram recorrentes em um dos dois municípios citados, em alguns casos, em ambos, como ilustrado no GRÁFICO 9: 76,4% 23,6% Lexias Comuns nas Três Regiões Lexias inétidas Lexias comuns GRÁFICO 9 – Lexias Comuns 251 Apesar da distância que separa essas três regiões – Serra do Cipó, Águas Vermelhas e Passos – o léxico comum encontrado é bastante expressivo. Entretanto, existe uma predominância de lexias similares entre a região da Serra do Cipó e a área rural do município de Passos. Das 335 lexias do corpus do presente trabalho, 64 também constam nos dados pesquisados no Sul de Minas, enquanto as outras 30 lexias são verificadas no município de Águas Vermelhas. Essas lexias podem ser observadas detalhadamente na QUADRO 2 a seguir. QUADRO 2 Lexias comuns - Serra do Cipó, Águas Vermelhas e Passos SERRA DO CIPÓ (FREITAS, 2012) ÁGUAS VERMELHAS (SOUZA, 2008) PASSOS (RIBEIRO, 2010) adobe ___ adobo alembrar alembrar alembrar alevantar alevantar ___ andu andu ___ antão ___ antão anté inté inté aperto ___ aperto apiar ___ apiar arado ___ arado arranchar arranchar ___ arriar arrear ___ ativo ___ ativo aturar ___ turar bagaço ___ bagaço balai~balaim ___ balaio bica ___ bica bitela~bitelão ___ bitelo boiada ___ boiada brabo ___ braba 252 brejo ___ brejo bruaca ___ bruaca cabaça ___ cabaça cachaça ___ cachaça cacunda cacunda cacunda cadê cadê cadê candeia candeia candeia canga ___ canga cangaia cangaia ___ capado capadão capado capanga capanga ___ capão ___ capãozinho capuera capoeira ___ carrero carrero carrero carro~carro de boi ___ carro de boi catinga catinga catinga cocho ___ cocho coivara coivara ___ corgo ___ corgo criação ___ criação cuia ___ cuia cumê ___ cumê de banda ___ banda de primero de primero ___ divera devera ___ envir ___ envir foice ___ foice furquia ___ furquia fuso fuso ___ gamela gamela gamela garapa ___ garapa garrar ___ garrar 253 garrote ___ garrote golo~gulim~golim ___ golo guela ___ guela im ante em antes em antes imbigo imbigo imbigo inté¹ inté inté lamparina ___ lamparina lavrar ___ lavrar lumiar lumiar ___ marelão ___ amarelão mode mode~modo mode mucado~mucadim mucado mucado paiol ___ paió pinga ___ pinga rancho~ranchim ___ rancho sombração ___ sombração taca taca ___ tacha ___ tacha tecedera ___ tecedera terrero ___ terrero toicim ___ tocinho trem ___ trem tropa tropa tropa tropero tropero ___ trupicar tropicar ___ tuia ___ tuia veiáco ___ veiaco venda ___ venda Das lexias comuns registradas na Serra do Cipó e Passos, a única que mantém mesma forma, porém significado distinto é bitelo: Bitelo – defunto (Passos); grande (Serra do Cipó) 254 Já em relação a Águas Vermelhas, o número de lexias que mantém a mesma forma, mas significado diferente sobe para duas – carrero e catinga: Carrero – caminho (Águas Vermelhas); guia de carro de bois (Serra do Cipó) Catinga 47 – vegetação (Águas Vermelhas); mau cheiro (Serra do Cipó) É possível, com a análise deste dados, perceber que apesar de haver um número significativo de lexias similares entre as três regiões, há uma proximidade maior entre o vocabulário rural do Sul e da região Metropolitana de Minas Gerais. Tal similaridade pode advir da forma de ocupação das duas regiões e até mesmo pelas atividades agrícolas e pecuárias desenvolvidas em cada uma delas. Após descrição, quantificação e análise dos dados, segue o capítulo 5, no qual é apresentado o Glossário. 47 Na língua escrita, esses termos se diferenciam pela inserção de um –a: caatinga = vegetação; catinga = mau cheiro. 255 FOTO 07 – Antiga senzala – Fazenda Cipó Fonte: Acervo pessoal 256 CAPÍTULO V - GLOSSÁRIO Este glossário é parte do repertório lexical que compõe as 12 entrevistas que constutuem o corpus desta dissertação, aqui já apresentado e analisado em fichas lexicográficas no capítulo 4. Divide-se em duas partes: 1. Quadro geral de classificação: seção que mostra a estrutura geral das relações existentes entre os grandes grupos de palavras, ou seja, coleta dos termos afins, unidos por rede semântica ou em campos de significados comuns – baseia-se no critério onimasiologico; 2. Glossário: a parte que contém as palavras selecionadas e agrupadas no Quadro geral de classificação (item 1), acrescentadas de definições, abonações, estrutura gramatical e informações lexicográficas – trata-se da apresentação do vocábulo pelo critério semasiológico. 5.1. QUADRO GERAL DE CLASSIFICAÇÃO a) Natureza Vegetal anduzero, armesca, bage, bago, capão, capinera, capuera, cipó de fogo, coivara, fumo, gravatá, gudão, imbira, manjocal, meloso, unha de boi. Animal animal, boiada, capado, carangonço, carguero, cariangola, curiango, garrote, inhambu, iscurrupião, jaracuçu cabeça de pato, junta de boi, lobo guará, mangangá, tropa. Mineral barro de teia, lajeado, tabatinga. Água bica, iscuma, varge. Meteorologia curisco, tempestada. b) Alimentação andu, batidinha, cabrita, cachaça, capitão, cumê, dispesa, farinha d’amendoim, fejão miúdo, fejão mulatim, fubá suado, garapa, golo~golim~gulim, grudura, laranja creme, lementar, maco- -maco, mãidoca~mãindoca, mãidoca cacau, mãidoca chitinha, melado, quebra torto, tijitum, toicim, chumbar uns golim, c) Espaço físico/ Relações espaciais arriba, de banda, grota, hispitali, meiero, terrero. 257 d) Tempo/ Relações temporais antão, anté, barra do dia, boca da noite, dar na base, de primero, dês~dêsi~deus~indeus, dia de sabo, féra, im ante, inté¹, inté², vespano, vorta da lua, vorta do dia. e) Ocupações eito, fiadêra, incerração de capina. f) Doenças barriga d’água, bila derramada, cariangola, chiata, febre calatina, incangicar, intuxicar, ispinhela caída, junta iscunjuntada, marelão, osso ringido, veia rota, vento igauzado, vento virado. g) Produtos Materiais de construção adobe. Objetos, utensílios, coisas bagacera, bagaço, balage, batedor, boca da fornaia, burrai vermei, burrusquê, cabaça, cacumbu, candeia, capelo, cartuchera, cepo, cuia, dicumento, fornaia, fugarêro, gamela, garrucha, istalero, japona, jirau, lamparina, manguara, marrio, minagerá, ropa de joão de barro, trem, trenhal, tuia, Instrumentos musicais/música baile, balaim de fulô, balanceio~balancê, batedor de caixa, batuque, benzim do assuaio, boiadera, candombe, dançarada, moda, tatu passa aqui. h) Fazenda Ferramentas arado, bulandera, chucho, cincerro, engem, engenhoca, foice, furquia, fuso, inxada de arado, inxadão, lambique, lançadera, manjarra, mão de pilão, moenda~muenda, munho, tacha, tacho, vara de ferrão. Transporte de pessoas/ objetos e/ou animais arrei, arriata, balai~balaim, barriguera, bruaca, cabresto, cangaia, capanga, carro~carro de boi, loro, taca. Construções Baranda, cerca de tisora, cocho, , cuchichó, morada. Atividades campanha, ismurrar, labutar, lambicar, lavrar, bater cabo, bater sabão, barriar, dar escola, ganhar dia~ganhar um dia, maquina de pé, melar coco, tecedera, tropero, i) Características abusante, ativo, brabo, candonguero, catinga, cunguçu, dançadera, dançador, iguali, moça menina, veiaco. j) Superstições bichim~bicho de guizo~bicho ruim~bicho diabo~bichim que come aguia virge, genebra, lubisome~lobisome, pantasma. 258 k) Religiosidade cinco salamão, isprito, ofíci~ofíço. l) Festa Popular entrega de pé de mio. m) Morfologia cacunda, guela, hormônio da cabeça, ideia, imbigo, junta do osso. n) Sentimentos e sensações bergonha, distino, fragelo, inxempro, isparrela. o) Estado breiado, de coque, d’cunjuro, dereto, enfezado, enquente, firrujar, frescão, d’galopada, icarriado, iludido, isprivitado, malunga, medonho. p) Quantidade/ tamanho bitelo, caiau, canca, carga de rapadura, libra, muicado~mucadim. q) Movimento andar igual galinha tonta, andar na tába da berada, apiar, avuar, balanceia, bambiar, disvasiar, imborbuiar. r) Família cambadinha, cumá, cumpá, fiada~afiada, mãe de primero leite. s) Conduta abisar, abuscar, acuier, alevantar, alevar, arear dente, arranchar, arrear, arrendar~rendar, barrer fogo, berrar fogo, bestir~bistir, campiar, chamar na réida, cocorar, contar um pé de miséria, dar de bunda, derrobar, desmorecer, dibuiar, disarriar, encardir, encarar, encarnar, encrencar, encriziar, envir, fiar, fisgar, foncionar, frever, garrar, gastar, gimidura, gumitar, imbigada, infeitar, injuntar, inrestar, intramiar~intrimiar, iscamuçar, iscangaiar, iscumar, juntar de galopada, lumiar, mastigar, trevessar, trupicar, zuação, zunir. t) Conhecimento alembrar, entender, tirar sal na mulera. 5.2. GLOSSÁRIO Foram adotados os seguintes procedimentos na organização dos verbetes.  As entradas estão em ordem alfabética e impressas em versalete e em negrito.  Os substantivos e os adjetivos apresentam-se no masculino e no singular, ao passo que os verbos estão no infinitivo. 259  Após a entrada, é indicado, entre parêntesis, se o vocábulo é dicionarizado pelo Aurélio 48 (A); se não é diconarizado no Aurélio, mas é em algum dos outros dicionários consultados (n/A).  A categoria gramatical indica se a palavra é um substantivo, um verbo, um adjetivo etc. Essas indicações vêm abreviadas. Para saber o que as abreviaturas significam, há uma lista no final desta apresentação.  Após esses procedimentos, apresentamos a definição da palavra construída a partir do significado que apresenta em nosso corpus. Em alguns verbetes, fazemos observações que se encontram entre parênteses.  A frase de abonação (em itálico) mostra como a palavra é usada na região estudada. Abreviaturas e convenções A – dicionarizado no Aurélio adv. – advérbio afr. – africanismo arc. – arcaísmo Ár. – árabe Cast. – castelhana Cel - celta Cf. - conferir cont. – controvertida desc. – desconhecida duv - duvidosa esp. – espanhola Fr. - francesa Germ. – germânica Greg. - grega inc. – incerta ind. – indigenismo INF. – informante lat. – latim loc. adv. – locução adverbial loc. pron – locução pronominal n/A – não-dicionarizado no Aurélio n/d – não-dicionarizado em nenhuma das obras consultadas n/e – não encontrada Mal. – malaia Nap - napolitana NCf – nome composto feminino NCm – nome composto masculino Nf – nome feminino Nm – nome masculino 48 Aurélio Séc. XXI: o dicionário da língua portuguesa. 260 obs. – obscura onomat. – onomatopaica PESQ. – pesquisadora prep. – preposição pron. – pronome Ssing – Substantivo singular top – toponímica V – verbo 261 A ABISAR • (A) •[V] • Lat>Port • Dar aviso a, informar, previnir. Variante de avisar. • “ele foi abisado que tava com...mas ê num ligava pra coisa né pra pressão arta né.” (Ent.07,linha 180) • (abisar~avisar: caso de degeneração) ABUSANTE • (n/d) • [Adj] • Lat>Port • Que excede o permitido. • “Cê faz ôta cumpá (C...) faz ôta dessa fica abusano cê é muito abusante.” (Ent. 10, linha 227) ABUSCAR • (A) • [V] • obs. • Tratar de trazer ou levar. Variante de buscar. • “...fui buscá dispesa é maco maco...ganhei fui abuscá...busquei...ô truxe um sacão assim ó tudo cheio” (Ent.04,linha 152) • (abuscar~buscar: caso de prótese) ACUIER • (n/d) • [V] • (n/e) • Tirar,desprender separando do ramo ou da haste; apanhar. Variante de colher. • “...o arroz que tinha ... que tava sem cortá levantô e nózi ... nós consiguiu acuiê.” (Ent.07,linha 28) • (acuier~colher: caso de prótese) ADOBE • (A) • Nm[Ssing] • Ár. • Tijolo feito de argila, seco ou cozido ao sol, geralmente acrescido de capim ou palha, para torná-lo mais resistente. • “Fui embora pra casa de mamãe lá ê fez dois cômodo no Papagai num terreno que ê comprô...aí fez menina um trenzim assim de adobe...”(Ent.06,linha 139) ALEMBRAR • (A) • [V] • Lat>Port • Trazer algo à memória, recordar, relembrar. Variante de lembrar • “Ele era fei menina em vida ô num alembro dele não mais diz que ê era fei demais muito fiuzim...” (Ent. 06, linha 375) • (alembrar~lembrar: caso de prótese) ALEVANTAR • (A) • [V] • Lat>Port • Colocar ou colocar-se de pé, elevar-se. Variante de levantar. • “Com deus me deito com deus me alevanto...com a graça divina e o sinhô isprito santo” (Ent.01, linha 333) • (alevantar~levantar: caso de prótese) ALEVAR • (A) • [V] • Lat>Port • Fazer passar de um lugar para outro, carregar, transportar. Variante de levar. • “Ê pegô a cabeça dele assim e impurrô ê pra baxo e ê falô “nossa sinhora d’aparicida ondé que cês vão alevá ieu” aí ê saiu avuano memo e virô lá po lado do Cardoso e ê viu que é o disco voadô memo” (Ent.06,linha 139) • (alevar~levar: caso de prótese) ANDAR IGUAL GALINHA TONTA • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Vaguear transtornado, caminhar fora de si. • “...nôto dia eu andava o terrero todo iguali galinha tonta mais depois que eu armucei que eu peguei o distino” (Ent.06,linha 270) ANDAR NA TÁBA DA BERADA • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Ver-se em situação de apuro. • “Dessa vez o (T...) ...andô na taba da berada depois sarô...” (Ent.06,linha 163) ANDU • (A) • Nm[Ssing] • Afr.• Semente do anduzeiro, similar a um feijão. • “Ah armoço andu podre chei de bicho grudura de boi farinha de mãidoca arrozi daquele arroz vermei cê pudia sentá na testa dum qu’ê caía de costa” (Ent.07, linha 250) • 262 ANDUZERO • (A) • Nm[Ssing] • Afr. • Arbusto da família das leguminosas cuja semente donomina-se andu. • “de tudo contuá que cê pensá...é fejão...é mio...mandiocal...anduzêro...canavial bananal é...é...batatinha...” (Ent.07,linha 66) ANIMAL • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Mamífero da família dos equídeos (cavalo, burro, mula, jumento) • “...montei no animal que eu tava e freví atrás dele no mei do mato” (Ent.10,linha 175) ANTÃO • (A) • [Adv] • Lat>Port • O mesmo que então. • “A madêra ficava perfeita toda antão ês tirava as madêra e fazia a tal cerca de tisôra...já viu falá?” (Ent. 04, linha 422) ANTÉ • (n/d) • [Prep] • (n/e) • Limite em um espaço de tempo. Variante de até. • “Ti (M...) trabaiô anté no dia dea morrê é anté no dia dea morrê capinano a semente de mi dela ali ó deitô pra discansá diz que pôs a mãozinha assim ó aí ea fechô o oi deus levô ela”(Ent.06, linha 217) APERTO • (A) • Nm[Ssing] • (n/e) • Pobreza, dificuldade; falta do necessário. • “Mais vô falá com cê uma coisa já passei muito aperto de dificurdade essa casião num era igual hoje em dia quano os trem cabava tinha que buscá trem lá em Vespasiano.” (Ent. 05, linha 148) APIAR • (A) • [V] • Lat>Port • Descer de animal ou de veículo. • “Tinha que apiá ali na rodiviara e trevessá de banda e caminhá uma distança com o daqui a...como daqui lá na casa do (B...) pa podê chegá na casa dela.” (Ent. 09, linha 141) ARADO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Máquina agrícola usada para lavrar a terra. • “A primera roça que eu prantei aqui foi ali do ôto lado foi lavrado na enchada tinha que lavrá na enxada que num tinha arado...adubo...adubo foi de um certo tempo pra cá num tinha adubo que o povo estudô aí veio o adubo” (Ent. 05, linha 436) AREAR DENTE • (A) • [Fras] • (n/e) • Esfregar os dentes com pedaços de tabaco. • “Ea ariava né...ariava dente com fumo cê sabe né? é...a eu prendi fumá foi com esse danado desse fumo ea ariava dente e jugava fora aquê bagaço. (Ent. 11, linhas 225 e 226) ARMESCA • (A) • Nf[Ssing] • Ár. • Árvore de tronco esbranquiçado que produz frutos e rezina amarelos. • “(Tinha) um pé de armesca...e por baxo assim mia fia tinha um/o camim era limpim por conta daquele ingem” (Ent. 09, linha 308) ARRANCHAR • (A) • [V] • Lat>Port • Alojar, estabelecer provisoriamente. • “Mangangá miudinho tinha um grande né...ês arrancharo tudo lá dentro mais era cada um que gimia parece que tava cantano” (Ent.04, linha 383) ARREAR • (A) • [V] • Lat>Port • Colocar os arreios em. • “Teve uma vez que eu peguei um burro aqui arriei ele...montei no lugá que eu montei ieu fiquei” (Ent. 05, linha 13) ARREI • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Peça utilizada para montaria em animais. • “Cheguei juguei o arrei no burro ali e montei...muntei risquei nesse burro passei ali subi saí na cabiçêra da Palma subi em São Vicente de São Vicente sái na no Carnero lá em cima saí no Tuti” (Ent. 02, linha 107) 263 ARRENDAR~RENDAR • (A) • [V] • Lat>Port • Dar ou tomar pedaços de terra em arrendamento, alugar. • “O (A...R...) mudô pra qui sabe...aí me animô a arrendá o terreno” (Ent.05, linha 41) • “Rendei um terreno na mão do (I...) aí do Cipó ficô comigo quarenta ano esse terreno rendado eu cuía tudo de lá mais dava mantimento demais” (Ent.05, linha 128) ARRIATA • (A) • Nm[Ssing] • (n/e) • Correia ou corda com que se prendem e por onde se conduzem os animais. • “As coisa que tava no cavalo pôs no chão a arriata né de trem de fazê cumida essas coisa e...tirô a farinha uma pele e pôs na boca” (Ent. 08, linha 170) ARRIBA • (A) • [Adv] • Lat>Port • O mesmo que acima. • “Sei só qu’ês era uns quatro home...e subiu pa estada arriba já foi direto pá estada arriba menina” (Ent.09, linha 121) ATIVO • (A) • [Adj] • Lat>Port • Característica do que é esperto, inteligente. • “No pasto que nós passava tinha um boi um garrote danado que pôs eu em riba do pau uma vez mais (R...) aí os menino que ês era mais ativo né...aí menina o menino vinha atrás de mim”(Ent.03, linha 142) ATURAR • (A) • [V] •Lat>Port • Subsistir por um período de tempo em determinada situação. • “A baiana falô que ia arrumá um reiméido num lugá pra ele ê sarô mais atacô o coração num aturô mais” (Ent.06, linha 400) AVUAR • (A) • [V] • Lat>Port • Sustentar-se ou mover-se no ar. Variante de voar. • “Do jeito que ê pegô a cabeça dele assim e impurrô ê pra baxo e ê falô nossa sinhora d’aparicida ondé que cês vão alevá ieu aí ê saiu avuano memo e virô lá po lado do Cardoso.” (Ent.02, linha 26) • (avuar~vuá: Prótese) B BAGACERA • (A) •Nf[Ssing] • Lat>Port • Grande quantidade de bagaço de cana. • “Oiava debaxo da fornáia aquês trem véi tudo que tinha aqueas bagacera véia dento da fornáia de cuzinhá garapa” (Ent.04, linha 162) BAGAÇO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Resíduo de frutos e folhas depois de extraído o sumo. • “Alí cê pó fazê uma carrera de cana dessa artura aqui que o trem romói tudo...cê pegava lá fazia a vorta passava o bagaço assim” (Ent.11, linha 185) BAGE • (A) •Nf[Ssing] • Lat>Port • Leguminosa repleta de sementes. • “Mais o fejão era era fejão mulatim da bage rocha fejão tava assim de fejão” (Ent.05, linha 122) BAGO • (A) •Nm[Ssing] • Lat>Port • Qualquer grão. • Nôto dia quand’ disvasiô um pôco nós desceu num tinha um bago de arroz no terrero” (Ent.11, linha 08) BAILE • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Qualquer dança em que a mulher é conduzida pelo homem. • “Ocês que num conhece o batuque ocê larga o baile e vai dançá cês num tá veno essas dança aí quês fala ieu nem danço essas confusão de agora é só pulá pulá ah ieu não” (Ent.06, linha 62) 264 BALAGE • (n/A) •Nf[Ssing] • Fr. •O mesmo que bagagem. • “Nôto dia vei cá pra igreja eu fiquei mais foi na igreja aí as menina me buscô pra murçá e vortei já dispidimo da dona né (E...)? juntô a balage jugô dentro do carro e vei embora” (Ent.06, linha 278) BALAI~BALAIM • (A) •Nm[Ssing] • Fr. • Tipo de cesto de palha. • “Os trem tava tudo dent’ do balai pegava punha no carguero e ia lá vai mamãe com menino inrolado as vez menino novo. (Ent.06, linha 391). • “Eu buscava mãidioca lá no balaim pá podê fazê farinha a meia c’ ê...esse dia eu tava cum esse balaim...aí..eu...na hora que já tinha a quantidade dele pegá... “isso aí...essa aí pra quê que é?”...falei “é pa mim levá la pa casa uai eu tamém mexo””. (Ent.01, linhas 108 e 109) BALAIM DE FULÔ • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Música tradicional típica de rodas de batuque. • “Nós fizemo o batuque o povo do Berto aí que sabe tocá o batuque...aí tinha o balaím de fulô tinha balancê...agora o balancê era assim cê balanceia” (Ent.08, linha 186) BALANCEIA• (A) • [V] • Lat>Port • Dar movimentos compassados de balanço ao corpo. • “Aí tinha o balaím de fulô tinha balancê...agora o balancê era assim cê balanceia...o balancê era os par um home com uma muié um home com uma muié agora um tocadô falava “balancê balancê” aí saía e trocava uma dama com ôtro trocava de lá pra cá...trocava de lá pra cá aquela roda boa era assim que era a festa” (Ent.03, linhas 182 a 184) BALANCEIO • (n/d) • Nm[Ssing] • (n/e) • Passo de dança que consiste em movimentos compassados de balanço do corpo. • “Os ôto num sabia ia pas roda de batuque roda de mão balanceio esses trem e isso era a nôte interinha dançano” (Ent.03, linha 159) BALANCÊ • (A) • Nm[Ssing] • Fr. • “Aí tinha o balaím de fulô tinha balancê...agora o balancê era assim cê balanceia...o balancê era os par um home com uma muié um home com uma muié agora um tocadô falava “balancê balancê” aí saía e trocava uma dama com ôtro trocava de lá pra cá...trocava de lá pra cá aquela roda boa era assim que era a festa” (Ent.03, linhas 182 a 184) BAMBIAR • (n/A) • [V] • onomat. • Expelir o óleo de determinado fruto. • “E o sal que põe e...agora na hora que tá pa rendê...na hora que tá socano lá...qu’ê cumeça a bambiá ai vai isquentano a mão de pilão de vez em quano” (Ent.01, linha 78) BANDA~EM BANDA • (A) • Nf[Ssing] • cont • O mesmo que lugar. • “A hora que ocês passô pra cá tem um barzim assim de uma banda né?” (Ent. 05, linha 57) • “Falei “a só pode tá atrás da cabeça daquele toco ali ó num tá em banda ninhuma” o trem tá gemeno” (Entr.04, linha 369) DE BANDA • (A) • [Adv] • cont. • Lado, parte lateral. • “Levei o pedaço de pau assim de banda...tava pareceno um home...tomô que ê rivirô lá no chão assim ó...” (Entr. 04, linha 291). BARANDA • (A) • Nf[Ssing] • incert. • Compartimento aberto de uma construção, geralmente protegido por uma grade ou mureta. Variante de varanda. • “Cumpade meu sabe tinha uma menina que era minha fiada... mais daí se nóis num toma ea pioi que matava ea...aquí nessa baranda aqui (D...) foi cuidá dela nó ês fartô até subi na baranda... pioi na menina aí a nossa fiada né...aí foi (D...) cuidô dela essa vez aí o coitado era muito 265 pobrezim num cuidava dos menino” (Ent.04, linhas 87 e 88) • (baranda~varanda: caso de degeneração) BARRA DO DIA • (n/d) •NCf[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Momentos que antecedem a noite; horas finais do dia. • “Ô minhas fia aí quano falava a barra do dia evem ((cantando)) a barra do dia evem é hora de nós embora vira o fundo da garrafa dêxa o povo disinganá a barra do dia evem ((risos)) a (I...) já tá dançano” (Ent.06, linhas 49 e 50) BARRER FOGO • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Incendiar. • “Óia só roçava os mato aí passano uns trinta dia que aqueas maderinha mais fina secava né barria fogo...quemava e ali sobrava madêra...a madêra ficava perfeita” (Ent.04, linha 420) BARRIAR • (A) • [V] • cont • Revestir de barro, rebocar. • “TERC.: Mais essa tuia que ocês fazia era fechadinha ou tinha que passá barro nela? INF.: Não...muitos barriava mais nóis nunca barriô...fazia ea de bambu bem fechadim que o mantimento num passava na greta” (Ent.06, linha 415) BARRIGA D’ÁGUA • (A) • [Fras] • (n/e) • Doença que acarreta acúmulo de líquido na região abdominal, ascite. • “A cachorra ficô esperano cachurrim dele...lobim dele todo mundo queria um lubim quano na hora...ea ficô com aquê barrigão...foi deu uma barriga d’água morreu cachorra com os bicho tudo” (Ent.09, linha 461) BARRIGUERA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Peça do arreio que passa em volta da barriga do animal. • “((o burro)) caiu cumigo dent’ do poço e rivirô e eu fiquei por baxo condafé levantei deus judô que a barriguera rubentô o burro sai pelado pa lá eu saí po ôto lado moiado” (Ent.05, linha 95) BARRO DE TÊIA • (n/d) • Nf[Ssing] • (n/e) • Barro branco encontrado em territórios úmidos, geralmente utilizado para confecção de telhas. • “Cê põe ê lá enche as fôrma tudo agora trazia o barro de têia trazia aquê barro mole de teia forrava ê assim aquilo ali iscorria o tal melado azedo” (Ent.11, linha 196) BATEDOR • (A) • [V] • Lat>Port • Instrumento utilizado para bater em algo. “PES.: Essa quantidade de arroz com vara não dá pra batê. INF.: Não... não.. . num é desses que gosta de batê com batedô ... não... batia com boi” (Ent.11, linha 46) BATEDOR DE CAIXA • (n/d) • NCm[V+prep+Ssing] • (n/e) • Músico que responsável por tocar caixa em rodas de batuque. • “O batuque é assim o violêro batedô de caxa sanfona pode entrá na roda de batuque e as dona cada um tem um par né tem o home e a dona aí vai rudiano” (Ent.06, linha 42) BATER CABO • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Trabalhar na lavoura capinando ou roçando a vegetação. • “Meus irmão era....mũcho e mamãe mais papai num dava conta de mantê ês aqui ês vivia era pegano inchada memo bateno cabo essas coisa” (Ent.05, linha 04) BATER SABÃO • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Misturar com vigor os ingredientes utilizados na confecção do sabão até obter a textura necessária. • “Na hora que tá bateno o sabão cê vê que ea ((a soda)) foi pôca ali cê põe mais um poquim po sabão dá ponto” (Ent.01, linha 202) 266 BATIDINHA • (A) •Nf[Ssing] • Lat>Port • Rapadura macia esbranquiçada. • “(L...) falô pra eu fazê batidinha...eu num faço proque num da tempo deu fazê...(L...) falô assim “a hoje cê traz uma batidinha pra mim” falei “a (L...) vê se dá tempo” as vez vê uma hora que tem uma pessoa lá dá pra fazê mas sozim num dá pa fazê não””(Ent.11, linhas 59 e 60) BATUQUE • (A) •Nm[Ssing] • Lat>Port • Dança de origem africana acompanhada de cantiga e instrumentos de percussão. • Batuque era bão porque os pai num importava das fia dançá que o batuque num era negóço abraçado com o rapaz. (Ent.06, linha 56) BENZIM DO ASSUAIO • (n/d) • NCm[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Uma das cantigas apresentadas no batuque. Todo dia nóis ia dançá lá na casa do (Z...B...) dançava benzim do assuaio né. (Ent.08, linha 36) BERGONHA • (A) •Nf[Ssing] • Lat>Port • Sentimento de desonra ou rebaixamento. Variante de vergonha. • Ah é nós tinha bergonha de vê ês lá em casa né aí subia na cama e oiava ês por riba ês contava “quê que cês tá fazeno?” eu e a (L...) oiano pra cima do...do teiado deitado no banco lá na sala. (Ent.06, linha 82) • (bergonha~vergonha: caso de degeneração) BERRAR FOGO • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Atear fogo exageradamente • “Tava tudo dento do toco bizôrro de toda qualidade ((risos))aí quê que eu fiz furei ele busquei aquê bagaço véi de ano passado que ê tinha muído sabe e cubrí tudo com aquê bagaço lá é berrei fogo...ah menina mais foi uma gemeção” (Ent.04, linha 374) BESTIR~BISTIR • (A) • [V] • Lat>Port • O mesmo que vestir. • Misturô todo mundo as pretinha com nóis né....aí depois que nós bistiu que nós desceu do artar...dom (C...) tava né ê oiô e falô assim “anjo preto é domônio...não beste mais menino preto”. (Ent.03, linhas 30 e 31) • (bestir~vestir: caso de degeneração) BICA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Calha que pode ser confeccionada de diversos materiais com o fim de escoar líquidos. • “Punha a bica assim pra corrê o melado” (Ent.07, linha 53). “Forrava com bica de banana acho que era isso punha bica de banana assim que a fôrma tinha o lugá de pingá né” (Ent.07, linha 56) BICHIM • (n/A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Espírito ou gênio do mal, anjo rebelde, Satanás, diabo. • “O dinhêro que ê tinha ê tinha que o bichim punha pra ê...morreu...ê abriu/ê guardava o dinhêro era no aterro da fornaia sabe? ê fez um negóço igual forno pa botá o forno pro baxo e iscondia dinhêro lá dento punha o dinhêro lá tinha lambique tinha tudo cuntuá era home forte escondeu dinhêro morreu quano os menino foi oiá cê viu foi cinza...foi embora tudo virô cinza” (Ent.11, linha 173) BICHO DE GUIZO • (n/d) • NCm[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • “Quano ea falô que era o bicho de guizo eu falei então se é de guizo tá fáci uai ah quano eu dei pro lado dês ês correu tudo pro lado da casa e batia o guizo que daqui iscutava os menino que tava tudo aqui iscutô” (Ent.04, linha 172) BICHO RUIM • (n/d) • NCm[Ssing+Adj] • (n/e) • “Ah era o bicho ruim e daqui ês via o guizo batê lá eu cheguei...aí quano eu cheguei...eu pedi pra ea me contá comé que cumeçô...aí nós foi pra lá dento e esse dia como ea era mei cismada colocô os menino tudo lá perto dela” (Ent.04, linha 215) 267 BICHO DIABO • (n/d) • NCm[Ssing Ssing] • (n/e) •“Uai tava a cavalo mais o burro ficô com medo e ei tamém fiquei((risos)) é mais o lobo deu um urrado que só cê veno UAU e eu gritei “bicho diabo” ê correu pra lá e eu ó rapo” (Ent.05, linha 164) BICHIM QUE COME AGUIA VIRGE • (n/d) • [Fras] • (n/e) • “INF.: o bichim que come aguia virge...ê tinha ê no vidro é...pensô que ê ia judá ê né ficô lá PESQ.: e era muita gente que tinha?muita gente naquele tempo que tinha o bichinho? INF.: inté hoje por aqui tem...tem...tem por aqui mesmo tem uns treis ou quatro que tem ele no vidro aí” (Ent.11, linha 156) BILA DERRAMADA • (A) •NCf[Ssing+Adj] • (n/e) • Produção excessiva de bílis pelo pâncreas gerando a sensação de amargor na boca. • “Jesus é nascido Jesus nascido é fí da virge Maria sem pecado é Jesus Nazaré cura (E...) de ispinhela caída vento virado bila derramada ar preso vento igalzado assim mesmo Jesus me cura em nome do pai filho isprito santo amém” (Ent.09, linha 491) BITELO • (A) • [Adj] • (n/e) • Grande. • “Tancava aqueas mãindoca bitela mesmo inchuta que tava uma beleza” (Ent.01, linha 103) BOCA DA FORNÁIA • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Abertura no fogão a lenha por onde é depositada a madeira para o fogo. • “Nós sentô na boca da fornaia contano históra...e os menino tava durmino...já era mais ô meno umas nove dez hora...garrô a gemedêra lá fora...mais gimia e todo jeito” (Ent.04, linha 350) BOCA DA NOITE • (A) •[Fras] • (n/e) • Início da Noite, anoitecer. • “Tomava bãim em casa pa mim podê i pra lá...assim na boca da noite anti de ficá iscuro” (Ent.01, linha 316) BOIADA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Manada de bois. • “Esse ônis tá chei de mucinha mais tudo namorano diz que quano sorta...quano abre a porta do coléjo é a mesma coisa de sortá a boiada é uma bejação eu falei assim “cê tamém ficô com vontade de bejá?” “(M...) mas as menina tá numa bejação” eu falei é beja né...a velha históra né uma hora aparece((risos)) curuz credo ave maria” (Ent.06, linha 237) BOIADERA • (n/d) • Nf[Ssing] • (n/e) • Canto entoado por trabalhadores nas capinas de roças. • A boiadêra...nó era aquea filêra de quarenta e tantos home...capinano roça e cantano. (Ent.07, linha 122) BRABO • (A) • [Adj] • Lat>Port • Nervoso, colérico. Variante de bravo. • “Pegava boi lá...boi brabo juntô um puxano na frente ôtro tocano atrás” (Ent.05, linha 18) • (brabo~bravo: caso de degeneração) BREIADO • (A) • [Adj] • Fr. • Sujo. • “Afiada dê ( ) caiu na bêra do tacho de melado...quano eu vi que ea deu aquê grito menina...cô vi ea co a mão assim...passano na cuiva assim que pegô...agora...tirei a mão dea toda breiada agora num sabia se cudia cá ô cudia a menina” (Ent.12, linha 03) BREJO • (A) • Nm[Ssing] • cont. • Terreno pantanoso. • “Papai fez o chiquêro aqui...aí tocava os porco po brejo lá em cima e eu ficava aqui oiano aqui aí pegô andá no tempo que nem cachorro zangado.” (Ent. 09, linha 254) 268 BRUACA • (A) •Nf[Ssing] • Cast. • Saco de couro cru para transporte de objetos e mercadorias sobre bestas. • “Aqueas bruaca né...bruaca de côro...aí inchia a bruaca...punha saco dent’ da bruaca um pegava e falava...“traz gente”” (Ent.09, linhas 05 e 06) BULANDERA • (A) •Nf[Ssing] • Cast. • Grande roda dentada dos engenhos de cana. • “Engem de pau é treis moenda em pé né? assim ó tem duas aqui e ôtra aqui aí tem os dente põe a bulandera lá os cavalo vai tocano” (Ent.04, linha 183) BURRAI VERMEI • (A) • NCf[Ssing+Adj] • (n/e) • Cinzas ainda muito quentes;brasa. • “Torra com sal e um puquim de burrai vermei né?...quente...burrai quente mesmo com uma meia cuié de ferro assim” (Ent.01, linha 68) BURRUSQUÊ • (A) • Nf[Ssing] • Fr. • Ficha numerada recebida por funcionários públicos que trabalhavam em zonas rurais que eram trocadas pelos salários periodicamente. • “Dona (A...) era boa professora boa ela...ela num ricibia tamém ea passô treis ano sem recebê...recebia um burrusquê” (Ent.03, linha 48) C CABAÇA • (A) • Nf[Ssing] • desc. •Vasilha formada pela casca inteira e seca do fruto de uma planta conhecida como cabaça. • “Povo fazendêro aí trocava terra por uma cabaça de melado azedo” (Ent.11, linha 198) CABRESTO • (A) •Nm[Ssing] • Lat>Port • Corda ou couro adaptado à cabeça do animal para segurá-lo. • “Ocê coloca o arrei na égua e o cabresto cê põe no burro” (Ent.10, linha 102) CABRITA • (n/A) •Nf[Ssing] • Lat>Port • Bebida paga pelo comprador ao fechar um negócio. • “Era uma turma boa aí ês virô e falô “ó cê paga a cabrita?” falei “pago” que a cabrita era pá comprá o lito de cachaça pa fazê o negóço tem que passá ( ) tinha que pagá a cachaça pro povo né...é pagá a cabrita” (Ent.02, linha 139) CACHAÇA • (A) • Nf[Ssing] • cont. • Aguardente extraída da cana de açúcar, pinga. • “Cachaça...a cachaça ela quema cê põe ela na boca ela quema mais ela é fria ela ...ea é a água do capelo comé que ela pode sê quente?” (Ent.08, linha 99) CACUMBU • (A) • Nm[Ssing] • Afr. • Machado ou enxada gastos, muito usados. • Também usado metaforicamente com designação de pessoa velha. • “INF.: Visitano os cacumbú. PES.: Visitano o que? INF.: Os cacumbú ((risos))” (Ent.06, linhas 241 e 243) CACUNDA • (A) • Nf[Ssing] • Afr. • Costas, dorso. • “Fui caçá tatu tava com uma ispingarda vinte e oito na cacunda” (Ent.02, linha 275) CADÊ • (A) • [Pron] • (n/e) • Onde está; quede. • “Eu falei “ah nêgo cê vai derrobá esse coquero pra mim”...ê disse “cadê a foice?”” (Ent.04, linha 106) 269 CAIAU • (n/d) • Nm[Ssing] • (n/e) • Exageradamente grande. • “((o macarrão guela de pato)) É um bitelão memo assim ó ele era um caiau memo cê fazia ele quais que treis bago inchía a panela” (Ent.09, linha 444) CAMBADINHA • (n/A) • Nm[Ssing] • Afr. • Agrupamento de crianças. • “Esses cambadinha ês era piquininim (N...) com sete ano (A...) com sete ano o ôto cinco ano a menina com dois ano” (Ent.10, linha 117) CAMPANHA¹ • (n/A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Grande dificuldade. • “Coitado ê era mindingo né num gostava nem de tomá banho pa tomá banho era uma campanha menina” (Ent.09, linha 405) CAMPANHA² • (n/A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Trabalho em plantações realizado por grupos de homens. • “INF.: Tempo ruim era bão não cumia assim cumia nas campanha...campanha cê sabe o que que é né?PESQ.: não. INF.: Tabaiadô na roça ês fala é campanha falava assim ó amanhã é campanha de um ôto dia campanha de ôto” (Ent.11, linhas 247, 249 e 250) CAMPIAR • (A) • [V] • Lat>Port • Andar a cavalo no campo ou no mato a procura de gado. • “Uma vez ô tava...campiano num lugá que chamava Lagoa Seca aqui ó terreno desse povo do Cipó a hora na hora que eu pulei que o burro pulô a moitazinha assim do cipó prata tinha um lobo deitado debaxo” (Ent.05, linhas 247, 249 e 250) CANCA • (n/d) • Nf[Ssing] • (n/e) • Exageradamente grande. • “Eu tomei uma canca de tempestada uma vez subino no (A...R...) com menino (A...) nas cadêra com o saco dos trem de cume” (Ent.06, linha 356) CANGA • (A)• Nf[Ssing] • Cel. • Peça de madeira que une os bois pelo pescoço e é acoplada ao carro de boi • “Sabe que que nós teve que fazê? tirô as canga dos boi dexô os boi imbora e trepô ... era rancho trem di cumida tava tudo lá dento sabe? que que nós fez ... nós teve que trepá no pau a inchente tapô tudo” (Ent. 11, linha 05) CANDEIA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Objeto usado para iluminação, geralmente feito de barro, e alimentado por azeite ou cera do mato. • “Quano ele entrô que bateu com o oi ne mim menina ê virô cada candeia desse tamãe com o oi assim” (Ent.09, linha 162) CANDOMBE • (A) •Nm[Ssing] • Afr. • Dança de origem africana acompanhada por instrumentos de percussão. • “Agora num tem mais os tár de batuque porque virô só baile e candombe né num tem batuque mais não” (Ent.06, linha 56) CANDONGUERO • (A) •Nm[Ssing] • cont. • Aquele que faz fofoca. “Eu intrimiava no mei do povo e frivia no baile vinha um candonguero e contava “o (C...)...(C...) tá dançano” ê chegava eu tava serenano na mão dos menino” (Ent.06, linha 30) CANGAIA • (A) • Nf[Ssing] • Cel. • Armação de madeira ou de ferro em que se sustenta e equilibra a carga das bestas, metade para um lado delas, metade para o outro lado. • “Sabe quanto que nós vindia? oito mil réis o saco...oito eu tem muita coisa aí resto de cangaia coisa que eu vendi com essa farinha desse preço comprei cangaia essas coisa era um home que vinha lá de Taquaraçu com a tropa dele comprava nossa farinha” (Ent.04, linhas 402 e 403) 270 CAPADO • (A) •Nm[Ssing] • Lat>Port • Porco grande e castrado para engorda. • “Nós ingordava poico trazeno mãindoca na cabeça assim pareceno chifre de boi jogava no terrero é poica é capado cumia engordava que nós num passava farta de toicim” (Ent.09, linha 449) CAPANGA • (A) •Nf[Ssing] • Afr. • Espécie de bolsa rústica geralmente de couro. • “Punha os trem tudo na capanga pa juntá pa pô no carguero de madugada” (Ent.06, linha 389) CAPÃO • (A) • Nm[Ssing] • Ind. • Porção de mato isolado no meio do campo. • “Foi caçá tatu andô por esses arto fora desceu la trás no capão de lá caçano tatu” (Ent.09, linha 199) CAPELO • (n/d) •Nm[Ssing] • Lat>Port • Peça da parte superior do alambique. • “A cachaça mió que tem é a cachaça de melado uai... ea faz igualzim a ôta ea já é azeda...ea já é azeda memo é só botá pra freventá lá no tampão lá e dexá o trem corrê lá no capelo uai tocá fogo” (Ent.11, linha 205) CAPINERA • (A) •Nf[Ssing] • Ind. • Plantação de capim destinado ao trato do gado. • “Lá debaxo ali tinha uma capinera grande ê tocô po mei da capinera ê foi e ficô isperano ê lá pá ê saí lá aí ê trepô na capinera saiu lá por baxo lá saiu lá na casa dele coitado e o ôto ficô lá esperano na boca da capinera lá pa vê se ê saia lá né” (Ent.09, linhas 345 a 349) CAPITÃO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Bocado de qualquer tipo de massa aglomerado entre os dedos. • “A massa num pó sê muito rala não senão ea fica lavada...põe a água ali de jeito que enfia a mão na massa assim torce ea assim ea dá um capitão e a água desce branquinha” (Ent.01, linha 244) CAPUERA • (A) • Nf[Ssing] • Ind. • Lugar onde o mato cresceu após a derrubada da mata original. • “Bateu uma catinga de enxofre um trem fez um ridimuim lá que saiu troceno a capuera toda” (Ent.09, linha 232) CARANGONÇO • (A) • Nm[Ssing] • Afr. • Animal artrópode semelhante ao escorpião de cor escura e também venenoso. • “Aqui em casa num parece iscurpião não num tem não...o carangonço tamém não...o carangonço é um bicho desse tamãim assim cumprido perna pum lado e por ôto e ele é roxo da core dos seus ói assim então ele...ê tem uma truquesa na frente assim e ôta no rabo se ocê mexê cum ele ê morde com a truquesa e morde com o rabo” (Ent.09, linhas 478 e 479) CARGA DE RAPADURA • (n/A) • NCf[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Unidade de medida equivalente ao número de cinquenta rapaduras. • “Quano eu comprei um engem de ferro eu fiz duzentas e vinte rapadura sozim...num é fáci não...fazê quato carga de rapadura...quato carga de rapadura pá um home sozim fazê...ô gente...num é fáci” (Ent.12, linhas 84 e 85) CARGUERO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Animal que transporta carga sobre o dorso. • “Ê passava a carga pro caminhão e eu vortava com os carguero pra trás” (Ent.04, linha 263) CARIANGOLA • (n/d) • Nf[Ssing] • (n/e) • Pequeno peixe de água doce, fino, comprido e com pequenas escamas. • “Pescava nesses corgo tudo aí ó nesses córgo das Péda nesse córgo dos Barro aí ó aquea cariangola desse comprimento assim pareceno cobra” (Ent.08, linha 121) 271 CARNE QUEBRADA • (n/A) • [Fras] • (n/e) • Qualquer tipo de hematoma. • “Fala assim...ê me benze...de carne quebrada...veia rôta...nervo assombrado...é...junta iscunjuntada...osso ringido...assim mesmo jesus me cura” (Ent.01, linha 366) CARRERO • (A) •Nm[Ssing] • Lat>Port • Guia de carro de bois. • “Pegava boi de quarqué tipo no pasto depois passei pra cê pra cê carrêro...mansei mũcho boi mũcho burro brabo” (Ent.05, linha 07) CARRO DE BOI • (A) NCm [Ssing+prep+Ssing] • Lat>Port • Carro movimentado ou puxado, em geral, por uma ou mais parelhas de bois, e guiado por carreiro. • “Passava com o carro de boi lotado de arroz ... nós passava de baixo dele ... é ... eu tô com setenta e dois ano” (Ent.11, linha 57) CARRO • (n/A) Nm [Ssing] • Lat>Port • “Buscava carro assim de tabatinga quebrava ea toda penerava bem peneradinha jugava o fejão na tacha e mexia aquês podi separava tudo jugava no terrero aí cê penerava a ( ) e misturava ficava uns treis dia secano pudia guardá ficava uns treis quatro ano sem dá bicho” (Ent. 11, linha 238) CARTUCHERA • (n/d) • Nf[Ssing] • Fr. • Espécie de arma de fogo de cano comprido. • “Ê passô a mão na cartuchera do irmão dele eu passei a mão na foice foi os dois bobo pa lá” (Ent.09, linha 98) CATINGA • (A) • Nf[Ssing] • Afr. • Cheiro forte e desagradável. • “Bateu uma catinga de inxofre...inxofre mia fia e um trem fez assim com a moita pareceno um ridimuim num tava ventano nem nada mas fez assim mesmo com a moita” (Ent.09, linha 119) CEPO~CEPOZIM • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Pedaço de pau. • Ah ê tinha um engem mas era um cepo de engem num é engem de ferro não aquele de gritá engenho de pau” (Ent. 11, linha 182) • “Já tinha rezado a oração dela...e sentada na boca da fornáia num cepozim assim lá no cantim do aterro” (Ent.01, linha 311) CERCA DE TISÔRA • (n/d) • NCf[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Cerca feita de varas finas extraídas das matas. • “Quemava e ali sobrava madêra...a madêra ficava perfeita toda antão ês tirava as madêra e fazia a tal cerca de tisôra...já viu falá?” (Ent.11, linha 421) CHAMAR NA RÉIDA • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Frear ou guiar o animal pelas rédeas. • “Chamei esse burro menina chamei esse burro na réida ê bateu em cima da cisterna eu bati de lado e fiquei siguro na cabeça desse burro” (Ent.02, linha 155) CHIATA • (n/A) • Nf[Ssing] • onomat. • Ato ou efeito de chiar. O mesmo que chiado. • “Ê ficava naquele quarto lá dentro cê iscutava a chiata dele falava quê que tá aconteceno (C...) ea falava “ah meu menino ê hoje num tá bão”” (Ent.06, linha 397) CHUCHO • (A) • Nm[Ssing] • obs. • Vara armada de ponta comprida de ferro. • Foi caçá tatu andô por esses arto fora desceu la trás no capão de lá caçano tatu com gaiola e inxadão lamparina chucho tudo” (Ent.06, linha 199) CHUMBAR UNS GOLIM • (A) • [Fras] • (n/e) • Beber água cachaça. • “Eu era garotim gostava de í la chumbá uns gulim né...dançava um batuquezim...dançava um batuquezim até dez onze hora da noite” (Ent.02, linha 235) 272 CINCERRO • (A) • Nm[Ssing] • Cast. • Pequeno sino que se pendura no pescoço de certos animais. • “Cheguei lá na porta assim vei treis bicho ne mim e vei assim pilililimpilim bateno cincerro...bateno um guizo” (Ent.04, linha 162) CINCO SALAMÃO • (n/A) • NCm[N+Ssing] • (n/e) • Estrela de Davi. O mesmo que Signo de Salomão. • “INF.: Ê tem que sabê pá atirá porque diz que ê pá levantá da cama faz os cinco salamão pa levantá da camaPESQ.: faz o quê?INF.: cinco salamão cê num sabe não?” (Ent.09, linhas 463 e 466) CIPÓ DE FOGO • (n/A) • NCm[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Planta lenhosa utilizada com fins medicinais. • “PESQ.: “com quê que cê curô” INF.: “com aquê cipó de fogo...todo trem...crara d’ovo esses negóço aí cusigui curá”” (Ent.12, linha 11) CORGO • (n/A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Riacho • “Fui lá no corgo tomei bãim passei um trem na cabeça assim o sangue taiô” (Ent.02, linha 106) CRIAÇÃO • (A)• Nf [Ssing]• Lat.• O conjunto de animais domésticos que se cria.• “Ocê comprá as criação eu vô arrumá um jeito de pagá essas criação dôtro jeito e ocê disconta aí pra mim” (Ent.05, linha 73) CUCHICHÓ • (A) • Nm[Ssing] • Afr. • Casa muito pequena. • “Os menino durmia lá no quarto lá no fundo...ea foi já num queria rumá a cama dês lá no fundo e rumô foi cá perto dela...mais lá era um cuchichó um barracão a toa todo isburacado assim” (Ent.04, linha 201) COCHO • (A) • Nm[Ssing] • cont. • Espécie de vasilha em geral feita com um tronco de madeira escavada. • “Uai nós fazia é...tomava aquele ponto assim...de malado maisi...mais ralo...e punha no cocho...cocho de pau” (Ent.07, linha 47) COCORAR • (n/d) • [V] • (n/e) • Dar mimo. • O mesmo que mimar. • “Era mais véia que ieu ea ficô com medo de batê ne mim mamãe cocorava ieu muito né ea ficava com medo de mamãe batê nea” (Ent.08, linha 53) COIVARA • (A) • Nf[Ssing] • Ind. • Terreno coberto de galhos e troncos que restaram de uma queimada. “O home bateu bateu pra quemá sapecaro o trem que o trem deu muita coivara aí fez a...arrumô a roça quas todo” (Ent. 03, linha 113) CONTAR UM PÉ DE MISÉRIA • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Relatar um fato de maneira exageradamente trágica. • “Ê pegô o cavalo dele risquei mais ele chegô lá em casa menino mais esse home contô um pé de miséria e o papai num respondeu nada” (Ent.02, linha 227) CUIA • (A) • Nf[Ssing] • Ind. • Vasilha feita com a casca da cuieira. • “PESQ.: e comé que era esse fuso? INF.: ê tá aí enrolado...não é uma tábua quarqué sabe o povo fazia até de caco de cuia na época até de caco de cuia ês fazia o fuso” (Ent.04, linhas 19 e 20) CUMÁ~CUMADE • (A) • Nf[Ssing] • (n/e) • Madrinha, em relação aos pais da criança. • “É eu tinha que guardá um poquim pra mim fazê pipoca papai gostava muito né e o mais era dela era dois treis quilo...até mais pa cada uma...é...pois é ti (R...) e ti (L...) e cumá (D...) num dexava meu pruví sobrá mesmo” (Ent.01, linha 283) • “Ô na hora que tocava as caxa nos vizim nóis era as primera a ta lá eu mais cumade nóis ia depressa memo tinha muito moço bunito” (Ent.06, linha 03) 273 CUMÊ • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • O mesmo que comida. • “Lá em casa era muito menino era nove...tinha que fazê as panelada de cumê...tinha dia que mamãe fazia uns cumê engraçado né um mamão com aquê trem...tinha dia que num discia não” (Ent.03, linha 133) CUMPÁ • (n/d) • Nm[Ssing] • (n/e) • Padrinho de uma criança em relação aos pais dela. • “Essa epra que eu ranquei essa carga de mãidoca pa cumpá (C...) fazê farinha” (Ent.01, linha 103) CUNGUÇU • (A) • Nm[Ssing] • Ind. • Caipira. • “A maritaca tava quas morta...morreu memo...“por conta daquê cunguçu aquê trem feio e ocê ainda fica gostano daquele cunguçú conão conem co marrado no pau”...briguei com cumá (V...) demais” (Ent.07, linhas 14 e 15) CUNTU Á (n/d) • [Loc. pron.] • (n/e) • O mesmo que quanto há. • “Ê fez um negóço igual forno pa botá o forno pro baxo e iscondia dinhêro lá dento punha o dinhêro lá tinha lambique tinha tudo cuntu á era home forte escondeu dinhêro morreu quano os menino foi oiá cê viu foi cinza...foi embora tudo virô cinza” (Ent.09, linha 175) CURIANGO • (A) • Nm[Ssing] • Afr. • 1. Pequena ave negra de hábitos noturnos. 2. Tipo de cantiga acompanhado por dança de roda • “(R...) me levô numa festa aqui na Vage Bunita a nôte intera dançano o curiango ea pôs nome ne mim de curiango ((risos)) ea botô porque eu gostava do curiango...curiango da mata envem vem matá meu bem curiango da mata envem mais só cê veno aquli era gostoso demais a gente pruveitô hoje ó tem essas bobajada” (Ent.03, linha 189) CURISCO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Faisca elétrica. O mesmo que raio. • “Num sobrô nem uma muenda pra contá caso...quebrô as treis muenda rachô como se fosse um curisco que caiu nele” (Ent.02, linha 192) D DANÇADERA • (A) • Nf[Ssing] • Fr. • Mulher que dança ou gosta de dançar. • “Depois do tiá ia tê o batuque aí saía o recortado com as dançadera mesmo que tava ali ficava lá queta e os home rudiava fazia o batuque” (Ent.03, linha 177) DANÇADOR • (A) • Nm[Ssing] • Fr. • Homem que dança ou gosta de dançar. • “Dançava com ôtro dançadô quano era uns dançadô bão pra dançá era bão demais” (Ent.06, linha 60) DANÇARADA • (n/d) • Nf[Ssing] • (n/e) • Festividade com muita dança. • “Eu era rapazim...e eu morava sozim mais papai aqui né e eu ia pra lá então...ia namorá dançá tinha baile todo dia de noite aquea dançarada danada era todo dia papai já sabia que eu gostava de lá né” (Ent.04, linha 247) DAR DE BUNDA • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Dar meia volta. • “Quano ê envinha eu gritava assim “ó (V...) evem o minagerá cumá (V...) o minagerá evem lá a cumpá (Z...F...)” ó 274 cascava na perna quano eu falava evem o minagerá((risos)) dava de bunda ê num gostava de mim não” (Ent.07, linha 20 e 21) DAR ESCOLA • (n/a) • [Fras] • (n/e) • Ministrar aulas. • “Esse tempo (D...) tava dano escola...no Cipó e passava é por cima lá...o (G...) tava na escola da (D...)” (Ent.09, linha 122) DAR NA BASE • (n/d) • [Fras] • (n/e) • O mesmo que aproximadamente. • “Ô drumi quano deu na base assim de...de...três hora eu cordei o tempo tava tudo marelo o tempo tava tudo marelo marilim eu falei “é tá danado” pelejei pa levantá num levantava de jeito ninhum” (Ent.02, linha 43) DE COQUE • (A) • [Loc. Adv] • cont. • Sentar no chão sobre os calcanhares. O mesmo que de cócoras. • “Ô num alembro dele não mais diz que ê era fei demais muito fiuzim né agachadim diz que puxano a camisa pra tampá as pirninha de coque lá oiano pra mamãe” (Ent.06, linhas 383) D’CUNJURO • (A) • [Fras] • Lat>Port • Proferir palavras autoritárias para espantar demônios ou as almas do outro mundo. • “Ieu num alembrei mia fia vim simbora...d’cunjuro até...de galopada.” (Ent.09, linha 230) DE PRIMERO • (n/A) • [Loc. Adv] • (n/e) • Antigamente; outrora. “De primero era no pilão né...pilão igual esse aí ó...ca gente socava...agora tem o aranholi enche o tambori e roda pa podê tirá o azeite” (Ent.01, linha 08) DERÊTO • (A) • [Adj] • Lat>Port • Sem erros; correto. O mesmo que direito. • “O vento batia na boca do vido e fazia assim u u u e eu com a ideia quente lembrano pensano que era o home que tava gritano né peguei corrê ah quano eu corri aí que ê grito derêto” (Ent.05, linha 130) DERROBAR • (A) • [V] • Lat>Port • Lançar por terra; fazer cair. O mesmo que derrubar. • “Preguntô “e eu seu (J...) o que cô vô fazê?” ah nêga tinha um coquêro grande assim na porta do rancho eu falei “ah nêgo cê vai derrobá esse coquero pra mim”...“ê disse cadê a foice?”” (Ent.04, linha 106) DESMORECER • (A) • [V] • cont. • Desanimar. O mesmo que esmorecer. • “O povo dismureceu prantá né...arrendô pa prantá rama de mãindoca...né...nós prantô menina mais...foi um tempo bão aí é que eu sarvei graças a deus” (Ent.05, linha 42) DEUS~DESI~INDEUS • (n/A) • [Prep] • (n/e) • O mesmo que desde. • “E deus que ê cumeçô criá o premero fio e pareceu o bom jesus lá ê jugava arrei no cavalo pros mais pequeno andá e carguero rôpa de cama trem de cumê né isso embalava subia a Serra pelos ataio” (Ent.03, linha 255) • “Até contei dom (S...) aqui ó pra ê me dá uma pinião...dêsi dos seis ano que eu guardo isso na minha cabeça e tinha que falá com um padre mais era véio que esses novo...é tudo de quarqué jeito” (Ent.04, linha 106) • “(G...) é canhoto...mas...indeus de a escola que ê já...que já cumeçô/cumeçô a usá a mão esquerda pá escrevê na mesma linha da mão direita...é assim é...com a mão direita” (Ent. 01, linha 161) DIA DE SABO • (n/d) NCf[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Dia que antecede o domingo. O mesmo que sábado. “Um dia de sábo e ê foi lá pra ‘ssistí nossa coroação...e as preta 275 menina as pretinha tudo bistiu...porque...misturô todo mundo as pretinha com nóis né....aí depois que nós bistiu que nós desceu do artar” (Ent.03, linha 29) DIBUIAR • (A) • [V] • Lat>Port • Desfazer-se. • “Ê tava dibuiano pra caí aí a (C...) falô assim “o (P...) pra quê que cê faz isso (P...) bebe não” aí ê falô assim “não (C...) num bibi não eu vim aqui pra sinhora falá pra (P...) que é num fica incomodada comigo não porque eu num tô bebeno não”...tonto((risos))tonto que tava rolano “ô num tô bebeno não e pra sinhora falá pra ea que ô tô aqui rezano pra ela pra ea sará”((risos)) ô coitado...num levô treis dia o home morreu” (Ent.08, linha 92) DICUMENTO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Escritura destinada a comprovar um fato. O mesmo que documento. • “É ruim quano se num vê nada pro cê assiná tem que marcá o dedo mas tem muitos dicumento que gasta tempo dedo tamém né?” (Ent.11, linha 135) DISARRIAR • (A) • [V] • Lat>Port • Tirar os arreios. • “Esse home contô papai um pé de miséra e o papai num respondeu nada...ê contô papai um pé de miséria e disse “cê faz ôta cumpá (C...) faz ôta dessa fica abusano cê é muito abusante” aí que ê pegô e vortô pra trazi e eu disarriei a égua levei nove dia pra essa cara disincha” (Ent.02, linha 227) DISORDE • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Falta de ordem; caos. •O mesmo que desordem. • “Vivia mais tranqüilo num tinha esses negóço de coisa tão ruim que tem hoje né tanta disordi” (Ent.08, linha 368) DISPESA • (n/d) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Mantimentos. • “Fui buscá maco maco fui buscá dispesa é maco maco...ganhei fui abuscá...busquei...ô truxe um sacão assim ó tudo cheio” (Ent.10, linha 151) DISTINO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Sentido, direção. • “Aí nôto dia eu andava o terrero todo iguali galinha tonta mais depois que eu armucei que eu peguei o distino...pirdi o distino todo...fiquei sem distino de tudo...o trem entrô aqui dent’ da cabeça que virô uma cachoêra d’água” (Ent.02, linha 271) DISVAZIAR • (A) • [V] • Lat>Port • Tornar vazio. O mesmo que esvaziar. • “Nós teve que trepá no pau a inchente tapô tudo cê via só gai de pau balançan’ nós lá em cima iguali soim sigurado e o trem ia lá e vortava cá ... nôto dia quand’ disvasiô um pôco nós desceu num tinha um bago de arroz no terrero” (Ent.11, linha 08) DIVA • (n/d) • Nf[Ssing] • (n/e) • Ato ou efeito de dever algo a alguém. O mesmo que dívida. • “Teve uma casião que eu passei dois mês cumeno...angú com café fubá suado farinha...trabaiano de picá lenha pá podê fazê carvão pá podê pagá a diva né paguei tudo graças a deus” (Ent.06, linha 50) DIVERA • (A) • [Adv] • Lat>Port • Realmente, com certeza. O mesmo que deveras. • “TER.: coitada essa muié já judô ieu demais menina esse trem aí já me judô panhá café quano ô tô panhano café ô vejo ea gritano da minha oreia...ea já tabaiô INF.: tabaiei divera...minha vida era só tabaiá fora num parava den’ de casa não” (Ent.10, linha 86) 276 E EITO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Roça onde trabalham grupos de homens. • “Eu lembro que nóis ia trabaía no eito e ela ia cantano aqueas coisa da ti (Z...) mais num sei nem contá ocê o que que é porque minha cabeça é muito ruim pirdi tudo passô tudo as coisa ea cantava...agora num sei se ea lembra né eu sei que nóisi trabaiano no eito e ea trabaiano e cantano...cantano...era um história cantada” (Ent.07, linhas 384 e 386) ENCARAR • (n/A) • [V] • Lat>Port • Demonstrar interesse amoroso; paquerar. • “Nós era apaxonada com ele todo mundo era lá no Cardoso ele era sapeca ê invocava com as menina e num firmava com nenhuma né mais eu nunca encarei ê não do (E...) eu gostava” (Ent.06, linha 80) ENCARDIR • (n/A) • [V] • duv. • Comer com voracidade. • “Aí foi um teatro muito bunito assim...cabô o teatro nós viemo embora...passemo lá no casamento eu fiz eas passá lá porque nós teva lá sozinha eas desceu lá pra fazê companhia quano nós cheguemo lá e cabô o cumê nós tava encardino no doce e o home vai tirá lá o recortado” (Ent.03, linha 13) ENCARNAR • (A) • [V] • Lat>Port • Perseguir. • “Chega no Capão Redondo e vô pegá uma égua esse home tinha uma vaca preta...uma vaca preta igual aquela chifruda e essa vaca encarna atrás de mim e eu era muito esperto subi no pé de cagaitêra” (Ent.02, linha 197) ENCRENCAR • (A) • [V] • obs. • Por em dificuldade. • “Risquei o burro vei do (G...C...) cá na casa do (Z...)...chegô na casa do (Z...) esse burro andava iguár tamanduá andava ne dois pé só quano ê chegava no (Z...) ê levantava as mão pro arto assim ó e saía caminhano e ia lá pro lado da casa do (O...) lá na Palma lá embaxo...aí ê pegô e encrencô comigo” (Ent.02, linha 151) ENCRUZIAR • (A) • [V] • Lat>Port • Dobrar os braços transpaçando-os sobre o corpo. O mesmo que encruzar. • “Cheguei lá em cima eu tava no mei da estrada quano ê largô ieu oiei pros lado era grota aí quê que eu fiz encruziei o braço em cima do burro o burro ficô quitim” (Ent.02, linha 261) ENFEZADO • (A) • [Adj] • desc. • Bravo, arredio. • “Ê quebrô meu nariz eu fui e fiquei enfezado de mais da conta quebrei a cara dele” (Ent.02, linha 171) ENGEM • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Aparelho para moer cana de açúcar; moenda. “Quano manheceu papai disse “ó vai lá na casa do (A...) e eu vô cortá o pau ali pa fazê ôto engem que nós tá com cento e oitenta quilo que cana no engem”” (Ent.02, linhas 194 e 195) ENGENHOCA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Pequeno engenho destinado à moer cana. “Ês enconstô tudo debaxo duma engenhoca né...que cumpade (H...) tinha na porta da cuzinha” (Ent.04, linha 169) ENQUENTE • (n/d) • [Adj] • (n/e) • Ansioso, inquieto. • “Nós num encontrava não ê num vinha aqui não nós encontrô...a primera vez que nós encontrô foi na casa do veí (L...) vô 277 dele depois a mãe dele já tava enquente pra mim...pra arrumá uma moça pra ele pra ê sussegá pra ele num i embora pra Belo Horizonte” (Ent.06, linha 102) ENTENDER • (n/A) • [V] • Lat>Port • Resolver, decidir. • “Esse burro andava iguár tamanduá andava ne dois pé só quano ê chegava no (Z...) ê levantava as mão pro arto assim ó e saía caminhano e ia lá pro lado da casa do O lá na Palma lá embaxo...aí ê pegô e encrencô comigo nesse trem eu envinha pra lá pra São José de Almeida né ê foi e entendeu de caminhá comigo entendeu de caminhá comigo e saiu caiminhano com os dois pé” (Ent.02, linhas 152 e 153) ENTREGA DE PÉ DE MILHO • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Comemoração realizada ao término de uma empreitada de trabalho na roça. • “Quano foi no dia da capina a mais foi penado demais quano foi do dia da capina teve quarenta trabaiadô...quarenta home pra capiná roça aí nós cabô a capina menina tinha o tinha o...a entrega de pé de mio que eu fiz lá em casa teve doce” (Ent.03, linha 119) ENVIR • (n/d) • [V] • (n/e) • O mesmo que vir. • “Eu envinha lá do Cardoso eu fui lá fiquei conversano com o (A...B...) chamano ê pra vim trabaiá e vim trabaiá junto com a turma de segunda fera” (Ent.02, linha 31) F FARINHA D’MINDUIM • (n/d) • NCf[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Amendoim socado com rapadura. • “No tempo que nós tava na escola era pobreza demais num tinha merenda nessa epra não num tinha nada nós levava batata assada ôta hora farinha d’minduim...e as muié rica as fia dos rico levava quejo com marmelada” (Ent.03, linha 17) FEBRE CALATINA • (A) • NCf[Ssing+Adj] • Fr. • Doença infecciosa caracterizada por febre alta e escamação da pele, incide normalmente em crianças • “Eu tinha uma menina que ea tinha tido a febre calatina e tinha um resto do reiméido...ea já tava boa e tinha um resto dum reiméido” (Ent.04, linha 93) FEJÃO MIÚDO • (n/A) • NCm[Ssing+Adj] • (n/e) • Variedade de feijão caracterizada por seu formato arredondado. • “Cumia é fubá suado né...cumia andu...cumia andu...cumia fejão miúdo chei de bicho...cumia fubá suado sem gurdura...ô cumia...fazê o quê né?” (Ent.10, linha 77) FEJÃO MULATIM • (A) • NCm[Ssing+Adj] • (n/e) • Variedade de feijão da semente clara. • “Menina mais o fejão era era fejão mulatim da bage rocha fejão tava assim de fejão...é menina mais só o fejão deu pa nós pagá as conta tudo” (Ent.03, linha 122) FÉRA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Período de descanso que tem direito os empregados. O mesmo que férias. • “Meus menino tava tudo lá pa fora (I...) mesmo tava aqui de féra que ê tabaiava com taxi né tava aqui de féra” (Ent.09, linhas 89 e 90) FIADA~AFIADA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Aquela que recebe o batismo ou confirmação em relação à seu padrinho ou madrinha. • “Coitado era muito pobrezim num cuidava dos menino dê os menino passava fome dum dava rôpa dirêcho então ê ficô aí e a 278 ôtra é minha fiada” (Ent.04, linha 91) • “Aí nem um pedacim assim da marmelada nem do quejo num dava pra nós e eu era afiada da mãe delas....quano foi um dia ieu falei assim ó hoje nós vão levá um mucado de farinha de minduim” (Ent.03, linha 19) FIADERA • (n/A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Mulher que fia o algodão. • “O algodão pra gente panhá ele tem que panhá ele da roça e trazê pra casa né e depois tem que discaroçá ele que eu tinha o discaroçadô tamém aí e todos usava o discaroçadô...discaroçava o gudão né aí depois bateno batia no suai assim ó usava uma espéci de bodoque era assim um arco sabe com um cordão que batia o gudão...até ê ficá bunitão depois de discaroçado aí agora ia pá roda depois dele discaroçado então aí ia pá fiadera tirava pá fiá ôto ia fiá e ia” (Ent.04, linha 07) FIAR • (A) • [V] • Lat>Port • Reduzir o algodão a fio. • “Fazia o fuso a roda embaxo aí tinha que fazê uma vara desse tamãim assim ó do tamãim que queira o menó ô maió e pa i fiano o gudão né ali cê cumeçava a linha ali e trucia ê ia penerano lá ( ) cê puxano a linha cá e ê rodano lá...no fuso isso é fiano na mão...isso é fiano na mão agora na roda é diferente” (Ent.04, linhas 21e 22) FIRRUJAR • (A) • [V] • Lat>Port • Criar ferrugem; • o mesmo que enferrujar. • “A quano eu fui pra lá ea falava “ô (M...) essa bacia é no tempo que nós num tinha chuvero nós tomava bãim era nessa bacia” e a dela era boa menina de cobe num firrujava né...boa memo ela deve tá lá até hoje” (Ent.06, linha 320) FISGAR • (A) • [V] • Lat>Port • Atingir rapidamente. • “Deu uma batida até bunita falei ô vai saí aqui aí quano eu oiei envia uma luz igual aquela lá aí ea enfeitô pro meu lado assim ea fisgô ne mim ondé que ea tava e evem” (Ent.02, linha 277) FOICE • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Instrumento curvo usado para ceifar. • “Ê pegô e deu uma foiçada no pé do coquêro levantô a foice deu ôtra foiçada em ante de enterá a tercêra eu falei “o nêgo vem cá cê num vai fazê nada não cê vai ficá vigiano é (D...) aqui ó”” (Ent.04, linha 109) FONCIONAR • (A) • [V] • Fr. • Estar em atividade. • “Papai morô lá uns tempo quano papai morô lá já num foncionava mais mais antes lá tinha engem de fazê rapadura muê cana fazê cachaça” (Ent.04, linha 231) FORNAIA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • O mesmo que fogão a lenha. • “Ê guardava o dinhêro era no aterro da fornáia sabe? ê fez um negóço igual forno pa botá o forno pro baxo e iscondia dinhêro lá dento punha o dinhêro lá tinha lambique tinha tudo cuntuá era home forte escondeu dinhêro morreu quano os menino foi oiá cê viu foi cinza...foi embora tudo virô cinza” (Ent.11, linha 274) FRAGELO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Desgraça, adversidade. • “Eu quano era mais novo tava casado de pôcos mês tava ( ) assim aí eu peguei e...falei com (M...) ó eu vô pegá um burro lá embaxo na Laje...a (M...) disse “ó lá vai caçá fragelo”...falei “não”” (Ent.02, linha 72) FRESCÃO • (A) • Nm[Ssing] • Germ. • Descansado, livre de tarefas. • “Tempestada menina e lá era bêra de linha de trem de ferro menina é serra e quano dá um istrondo cê pensa que tá abalano tudo cê pensa que tá passano um furacão no terreno aí a parede caiu...caiu dois 279 pé de coquêro aquê cuquirinho e um pé de laranja menina tudo nôto dia amanheceu de banda e o (T...) frescão lá em Belorizonte” (Ent.06, linha 340) FREVER • (A) • [V] • Lat>Port • Agitar-se, excitar-se, animar-se. • “Quano foi de nôte...nós freveu na festa tava um trem doido ((risos))mais o trem tava bão demais” (Ent.04, linha 259) FUBÁ SUADO • (A) • NCm[Ssing+Adj] • (n/e) • Farinha de milho preparada com gordura e sal. “Teve uma casião que eu passei dois mês cumeno...angú com café fubá suado farinha...trabaiano de picá lenha pá podê fazê carvão pá podê pagá a diva” (Ent.05, linha 49) FUGARERO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Pequeno fogão portátil. • Faz fuganzim arto quem qué fazê faz um giralzim a cumá (F...) fazia num giralzim agora ela leva fugarero né ea comprô um trenzim ea leva...agora banho num paga nada não mais no cumeço buscava água no reberão. (Ent.06, linha 287) FUMO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Folhas de plantas preparadas para fumar, mascar ou cheirar. • “Eu ‘prendi fumá foi com esse danado desse fumo ea ariava o dente e jugava fora aquê bagaço...ô pegava ê dexava /punha lá dexava secá e fazia cigarro pitava pitava aprendi” (Ent.11, linha 226) FURQUIA • (A) • Nf[Ssing] • Esp. • Vara bifurcada. • “Num existia arame não e cerca de tisôra...a cerca de tisôra é o seguinte...aí ês bate as furquia aqui...e ôta aqui e põe o varão” (Ent.04, linha 424) FUSO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Instrumento de madeira, roliço, onde se torce o fio até o mesmo atingir a grossura desejada. • “Era a roda aí antão cê ia com o gudão pra roda mais se eu fô contá a históra é muito compricado sabe aí tem que levá pra roda e a roda tem o fuso cê tem que colocá a linha ali e agora foncioná a roda então agora a fiadêra vem e vem sortano o gudão assim e fiano” (Ent.04, linha 12) G GALOPADA • (A) • Nf[Ssing] • Fr. • Corrida a galope. • “Quano ele de lá viu nóisi ê largô lá a sacola de trem largô tudo e juntô de galopada foi po lado do Jatobá foi rudiô lá por detrás foi isperá o ôns lá no camim do Cardoso” (Ent.09, linha 124) GAMELA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Utensílio, geralmente de madeira ou barro, em forma de tigela, usado para lavar alimentos, para servi-los ou até mesmo para tomar banho. • “No torcê a massa aquela água vai...o purví vai assentano ô numa gamela ô no tacho que parô ea o pruví vai assentano...no fundo” (Ent.01, linha 156) GANHAR DIA~GANHAR UM DIA • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Receber o pagamento referente a um dia de trabalho. • “...pa muié ...eu...era dois dia pra ganhá um dia dum home...dois dia pa ganhá um dia dum home...que um home ganhava dois mirreis e a muié ganhava um” (Ent. 03, linhas 113 e 114) • “Tinha uma (M...C...) que morava com nós tamém aí nós foi 280 ganhá dia era home prum lado nós por ôto aí quano foi no dia da capina menina nóis prantemo” (Ent. 03, linha 116) GARAPA • (A) • Nf[Ssing] • cont. • O sumo da cana usado como bebida e para produção de derivados da cana. • “Oiava debaxo da fornáia aquês trem véi tudo que tinha aqueas bagacêra véia dento da fornáia de cuzinhá garapa aquês trem véi tudo” (Ent. 04, linha 362) GARRAR • (n/A) • [V] • Cel. • Principiar, começar, iniciar alguma coisa. • “Santo Antôni fazia os casamento quano a muié garrava a ganhá os menino e num queria mais os menino porque o trem era difícil né...levava de dava São Vicente pra criá...Santo Antônio fazia o casamento São Vicente ia criá os menino” (Ent. 03, linha 08) GARROTE • (A) • Nm[Ssing] • Fr. • Bezerro de dois a quatro anos de idade. • “Tinha uns boi...no pasto que nós passava tinha um boi um garrote danado que pôs eu em riba do pau uma vez mais (R...”) (Ent. 03, linha 142) GARRUCHA • (A) • Nm[Ssing] • Cast. • Espécie de arma de fogo que é carregada com munição de menor calibre. • “A lua tava inguali um dia tô ovino lá um tum tum passei a mão na garrucha aí eu abri a porta num buraco assim eu entupia um buraco assim com um trem branco que ficava pareceno um barro aí eu oiei assim falei “é um home que tá ali eu num posso atirá não”” (Ent. 02, linha 10) GASTAR • (n/A) • [V] • Lat>Port • O mesmo que necessitar, precisar. • “Eu ói lá na hora que...custuma na hora que ê tá bão o ôto cá tá melado tamém...aí ê fala assim...fala ó num gasta tirá o coco não” (Ent. 01, linha 55) GENEBRA • (n/d) Nf[Ssing] • (n/e) • Demônio, diabo. • “Chegô na porta do (C...B...)...menina...mais esse burro virô genebra cumigo na porta daquele (C...B...) ali” (Ent. 02, linha 160) GIMIDURA • (n/d) • Nf[Ssing] • (n/e) • Vozearia de gemidos. O mesmo que gemedeira. • “Com de fé aí cumeçava a gemê de novo aí tornava sái com a luzi num tinha gimidura num tinha nada ea la ia quano eu ia assim pra fora ea ia junto comigo” (Ent. 04, linha 360) GOLO~GOLIM~GULIM • (n/A) Nm[Ssing] • Lat>Port • Um trago de uma bebida ou remédio qualquer. “Chegava lá largava o carguero lá papai...enquanto papai ia descarregá o cavalo e bebê um golo mais (T...C...) né...eu chuchava lá pa casa do ...da dona dele” (Ent. 09, linha 370) • “...peguei dancei um batuque e bibi uns golim com (C...X...) lá né e vim ‘bora de lá da casa do (C...X...) pra casa de quatro pé” (Ent. 02, linha 234) • “Meu pai prantava cana de fora a fora ali...meloso tava dessa artura assim ó...ieu que ia pa lá judá ê capiná o meloso...era assim mia fia cê frentava lá...ê bibia uns gulim né...animava né...pobe de eu num bibia nada” (Ent. 09, linha 18) GRAVATÁ • (A) • Nf[Ssing] • Ind. • Planta da família das bromélias repleta espinhos. • “Um senguê do lado de cima era um senguê gravatá só e cipó num tinha pra onde corrê” (Ent.04, linha 281) GROTA • (A) • Nf[Ssing] • Nap. • Cavidade nas encostas de serra ou de morro provocada por águas da chuva. • “Ô tô oiano ele e veio de cá em baxo na berada do pé desse/dessa 281 grota aqui desse buêro aí ó do lado de cá berano aqui dolado de lá mais berano a grota...vei chegô lá...chegô lá mia fia quano ê chegô cá ê baxô” (Ent. 09, linhas 83 e 84) GRUDURA • (A) Nf[Ssing] • Lat>Port • Substância untosa de origem animal ou vegetal. • “O mesmo que gordura. • A grudura fica iguali o ói de...fica/é o chêro dela sempre é diferente do ói de soja mais num tem rema ninhuma” (Ent. 01, linha 71) GUDÃO • (A) • Nm[Ssing] • Ár. • Conjunto de pelos que revestem as sementes do algodoeiro com os quais se fabricam tecidos. O mesmo que algodão. • “Eu vistí muita carça de gudão camisa...nessa época fazia né” (Ent. 04, linha 54) GUELA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • O mesmo que garganta. • “INF.: Uai nós ficamo cunheceno macarrão ...ocê lembra do guela de pato? PESQ.: um viradim grande todo riscadim. INF.: é um bitelão memo assim ó ele era um caiau memo cê fazia ele quais que treis bago inchía a panela” (Ent. 09, linha 44) GUMITAR • (A) • [V] • Lat>Port • Expelir pela boca. O mesmo que vomitar. • “Nós carregava iscuma botava a garapa pra fervê aí ê falava “bota o fogo mais num aperta muito não se fervê gumita” aí nós falava assim “uai padim (Z...) esse trem gumita tamém?”((risos)) quê que é cumeu? ê falava “não é que tá azedo”” (Ent. 08, linha 105) H HISPITALI • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Estabelecimento destinado ao tratamento dos doentes; o mesmo que hospital. • “A minha dona ta duente ta fazeno tratamento nessa casião num tinha nem hispitali pra interná né tratava dent’ de casa memo fazia consurta no dotori e vinha embora pra casa” (Ent. 05, linha 78) HORMÔNIO DA CABEÇA • (n/d) • NCm[Ssing+prep+art+Ssing] • (n/e) • Veia localizada na cabeça. • “Uai minha fia é por causa de burro ê istorô o hormônio da cabeça dele aí cresceu um tumore que tirô pelo nariz mais num podia tirá não” (Ent. 02, linha 180) I ICARRIADO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Dispostos em sequência. O mesmo que encarrilhado. • “De tudo contuá que cê pensá...é fejão...é mio...mandiocal...anduzêro...canavial bananal é...é...batatinha...batatinha nós plantava demais...melancia MENINA...lá onde nós tá falano...ocê/ocê contava eas assim ó...icarraiado” (Ent. 11, linha 78) IDEIA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Mente, cabeça. • “É só a gente tê fé e a cabeça...a ideia boa pra podê aprendê...né...de primero...até hoje eu sei uma oração...de...confissão” (Ent. 01, linha 297) 282 ILUDIDO • (n/A) • [Adj] • Lat>Port • Preocupado. • “Falei com a mamãe “ô mãe tô com uma vontade de matá o papai mais de que tudo” ea foi e falô “(P...) dexa de bobage...dexa de bobage” num fica iludido com isso não morre esse trem” (Ent. 02, linha 244) IM ANTE • (n/A) • [Loc. Adv] • (n/e) • Antes. • “ pegô e deu uma foiçada no pé do coquêro levantô a foice deu ôtra foiçada im ante de enterá a tercêra eu falei “o nêgo vem cá cê num vai fazê nada não cê vai ficá vigiano é (D...) aqui ó”” (Ent.04, linha 109) IMBIGADA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Dança onde os dançarinos dão pancadas com o umbigo entre si. • “O home vai tirá lá o recortado lá pra dançá pegô riscô o dedo na viola e deu a imbigada na (L...) caiu teso virado pa trás” (Ent. 03, linha 14) IMBIGO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Depressão cutânia localizada no centro do abdômem. O mesmo que umbigo. • “O menina mais num tem muitos ano que ea morreu...(T...) cortô o imbigo do (L...) que ti (M...G...) quebrô o braço e num pode vim assim mesmo ea brigô de ciúme que os premero é pirigoso” (Ent. 06, linha 146) IMBIRA • (A) • Nf Ssing] • Ind. • Espécie de corda feita de fibras de certas árvores. • “Um dia passô ês dois conversano aí ês falô assim é “Cipó já foi cipó mais hoje ela é imbira...virô imbira”” (Ent. 03, linha 132) IMBORBUIAR • (A) • [V] • Cast. • Cobrir-se de bolhas. • “Nessa noite num drumí nada pr’ela...o trem imborbuiô tudo...é” (Ent. 09, linha 134) INCANJICADA • (n/d) • [Adj] • Mal. • Estar com alguma reação alérgica em que espalham- se crostas pela pele. • “Mamãe tava tomano o reméido dela a mamãe intuxicô tudo né ficô toda incanjicada assim ó coçano sangue saía que só cê veno” (Ent. 09, linha 134) ĨGUALI • (A) • [Adj] • Lat>Port • Que tem a mesma aparência, não apresenta diferença. O mesmo que igual. • Ê sabia do modo nosso de abri porta né...num tinha chave não aí tô durmino a lua tava ĩguali um dia tô ovino lá um tum tum passei a mão na garrucha. (Ent.02, linha 09) INCERRAÇÃO DE CAPINA • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Espécie de banquete servido após o final do trabalho na roça. • “INF.:...Eu sabia até as música de boiadêra mais agora num lembro boba num lembro a musica dê não comé que era que ês cantava não.TERC.: nó gente se lembrasse né...é interessante. INF.: é...comé que era...depois tinha incerração de capina...tinha doce” (Ent. 07, linha 135) INFEITAR • (A) • [V] • Port. • Atrever-se. • “Peguei esse burro menina tinha uma moça lá na fazenda do home a moça foi e trepô na régua do curral e esse burro infeitô bunito” (Ent. 02, linha 128) INHAMBU • (A) • [V] • Ind. • Ave de corpo robusto, cor escura, pernas grossas e desprovida de rabo. • “Tinha muito passarim codorna perdiz tinha muita aqui num tô veno mais...os passarim que existia inhambu num tem mais...codorna nós chegava como daqui ali eas chegava até ali ó piano um tanto de codorna aí ó era perdiz num tem nada mais” (Ent.04, linha 394) 283 INJUNTAR • (A) • [V] • Lat>Port • Reunir. O mesmo que juntar. • Agora cabava de saí a água...a massa ficava ‘té quente...bem ispaiadinha no saco...que se ela injuntá assim no mei do saco ea num ‘perta não ea fica mole” (Ent.01, linha 249) INRESTAR • (n/d) • [V] • (n/e) • Teimar. • “Quano nós inrestava pra í num lugá e tinha que levá e ela já tava cansada mia fia que penô muito com marido e penô com a famía pra cabá de criá nóisi” (Ent.06, linha 12) INTɹ • (A) • [Prep] • (n/e) • Expressa um limite de tempo. O mesmo que até • “PESQ.: E era muita gente que tinha?muita gente naquele tempo que tinha o bichinho? INF.: Inté hoje por aqui tem...tem...tem por aqui mesmo tem uns treis ou quatro que tem ele no vidro aí” (Ent.11, linha 159) INTɲ • (A) • [Adv] • (n/e) • Também, inclusive. O mesmo que até. • “Parece inté uma brincadêra ieu envinha desceno sozim peguei a barriguêra e envinha desceno sozim com um pelego vermei na mão pra carçá a cabeça” (Ent.02, linha 84) INTRAMIAR~INTRIMIAR • (A) • [V] • Lat>Port • Misturar. O mesmo que entremear • “Nós aprendeu a dançá baile ali com as negada do Açude nó eu dançava que nem uma condenada iscundido meu irmão prometeu de atirá nas mias perna e eu intrimiava no mei do povo e frivia no baile” (Ent.06, linha 29) INTUXICAR • (A) • [V] • Fr. • Envenenar. O mesmo que intoxicar. • “Mamãe tava tomano o reméido dela a mamãe intuxicô tudo né ficô toda incanjicada assim ó coçano sangue saía que só cê veno” (Ent.09, linha 136) INXADA DE ARADO • (n/d) • NCm[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Uma das peças do arado. • “Em carroça de burro gastava cinco dia pra í...dois dia e mei pra lá dois dia e mei pra cá gastava cinco dia pra í e vortá...tinha que buscá arado...é bico de arado inxada de arado rudía cabo de arado é ruero de arado tudo tinha que buscá lá fora” (Ent.05, linha 150) INXADÃO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Instrumento de ferro com cabo de madeira similar a uma enxada que serve para cavar a terra. • “Cheguei cá mais em cima mia fia...deu embaxo dum pau santo lá um inxadão dele pindurado lá no pau santo aí que o medo cabô de trepá mais eu tava no arto do campo” (Ent. 09, linha 227) INXEMPRO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Modelo. O mesmo que exemplo • “Era assim agora quano fosse no ôto ano por inxempro que cê fosse prantá ali...aquea cerca...sê pudia prantá naquele lugá uns dois ô treis ano...mais aí se ocê prantava ali uns dois treis ano cê num ia prantá aquí mais cê roçava um ôtro pedaço” (Ent.04, linha 430) ISCAMUÇAR • (n/d) • [V] • (n/e) • Espantar. • “A menina tinha tava com menos de dois ano...cobra iscamuçô menina...iscamuçô que eu andei/me trôxe até ali ó...mais um cobruço cobra preta” (Ent.10, linhas 05 e 06) ISCANGAIAR • (A) • [V] • Cel. • Quebrar, arruinar. O mesmo que escangalhar. • “Ea foi abriu a porta aí fui entrá dent’ de casa oiei falei “ah” iscangaiei a foice aquea foice moladinhazinha vazadinhazinha ô tinha comprado” (Ent.04, linha 206) ISCUMA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • O mesmo que espuma. • “Seu avô fazia muita cachaça divera...rapadura mia fia é só muê a cana põe no tacho...bota fogo na 284 fornaia...dexa quano ea dá aquea iscuma grossa assim cê panha e iscuma tudo e depois cê dexa...ali ea vai freveno...vai freveno quano ea vai subino” (Ent.09, linha 174) ISCUMAR • (A) • [V] • Lat>Port • Retirar a espuma da garapa enquanto ela ferve. • “Lá no engém lá tinha uma bica d’água assim...cumpá (A...) chegava lá com o dedo no ovido sacudino assim nos uvido assim ((risos)) e rapadura na grade lá já...nóis iscumava tacho com a lanterna...quano tava ventano iscumava co’a lanterna...inquanto tava de soli...quano num tava ventano...nós escumava com lamparina” (Ent.09, linha 35) ISCURRUPIÃO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • O mesmo que escorpião. • “Ô num sei nem ispricá que o bicho que pulô ne mim...ô tava aqui ó lá no terrero ê pulô ne mim...um bicho assim ó num sei que bicho que era não...é isperto demais...tem uns bicho isperto demais...né rato não num sei que bicho parece iscurrupião” (Ent.10, linha 106) ISMURRAR • (A) • [V] • obs. • Trabalhar exaustivamente. • “Fazia era assim sozinha e deus ismurrava com essas coisa é...quan’ eu morava com o pai né...sortera...fazia farinha de mãidoca...mãidoca buscada na cabeça bem longe ieu mesmo rancava...levava pa casa” (Ent.01, linha 84) ISPARRELA • (A) • Nf[Ssing] • obs. • Complicação, desvio. • “A pessoa quano cai nalgum isparrela eas tá ino é por gosto né (D...)? cê entendo o que que é o bão e o que que é o ruim né” (Ent.06, linha 123) ISPINHELA CAÍDA • (A) • NCf[Ssing] • (n/e) • Enfermidade que causa dores na região do tórax. • “Pai do fi do isprito santo amem...jesus é nascido Jesus nascido é fí da virge Maria sem pecado é Jesus Nazaré cura (E...) de ispinhela caída vento virado bila derramada ar preso vento igalzado assim mesmo Jesus me cura em nome do pai filho isprito santo amém....jesus de nasaré há de provê tudo e dá miora” (Ent.09, linha 491) ISPRITO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Alma. O mesmo que espírito. • “Com deus me deito com deus me alevanto...com a graça divina e o sinhô isprito santo” (Ent.01, linha 333) ISPRIVITADINHAZINHA • (n/d) • [Adj] • (n/e) • Com todas as particularidades, detalhado. • “Falava as palavra isprivitadinhazinha...dava pra aprendê uai” (Ent.01, linha 327) ISTALÊRO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Espécie de mesa rudimental feita com taboas soltas. • “Mais a gente compra bambu faz um istalêro assim ( )faz fuganzim arto quem qué fazê faz um jirauzim a cumá F fazia num jirauzim agora ela leva fugarêro” (Ent.06, linha 286) J JAPONA • (A) • Nf[Ssing] • top. • Espécie de jaqueta. • “Foi o quê que ê fez tirô a japona ê tava com dois japona né... tiro uma japona dê e deu pra ea bistí pôs ea no carro levô ea no Conceição do Serro e tôrxe ea ...sortô no mesmo lugá” (Ent. 09, linha 62) 285 JARACUÇU CABEÇA DE PATO • (A) • NCf[Ssing+Ssing+prep+Ssing] • Ind. • Cobra peçonhenta com o dorso amarelado e de grande ferocidade. • “Inventei de fiá essa mão aqui ó...a mão esquerda essa é a mão esquerda...enfiei a mão assim ó quano eu enfiei a mão assim ó saiu aquê bicho/aquea BICHONA com aquê cabeção assim ó ((risos))cóba jaracuçu cabeça de pato” (Ent. 10, linha 31) JIRAU • (A) • Nm[Ssing] • Ind. • Armação de madeiras dispostas sobre forquilhas que pode ser utilizada como cama ou como depósito para utensílios domésticos. • “Eu chuchava lá pa casa do ...da dona dele chegava lá tinha aquela purção de cama de jirau assim ó ‘quea purção cada cama tinha um balaím d’buneca dibaxo” (Ent. 06, linha 286) JUNTA DE BOI • (A) • NCm[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Dois bois que são atrelados juntos para o trabalho. • “Cortô arrozi nós ispaiô arrozi no terrero com seis junta de boi” (Ent. 07, linha 02) JUNTA DO OSSO • (A) • NCf[Ssing+(prep+art)+Ssing] • (n/e) • Articulação dos ossos. • “Por isso que tem que benzê na frente...daqui assim ó e o cê ispichá a junta do osso aqui...ta grosso é...deus abençoa que cê vai miorá” (Ent. 01, linha 448) JUNTA ISCUNJUTADA • (n/d) • NCf[Ssing+Adj] • (n/e) • Articulação deslocada. • “Jesus é nascido [...]Jesus nascido é [...] fí da Virge Maria [...] sem pecado é [...]me cura essa ringidura [...]Jesus Nazaré [...] ê me benze [...]de carne quebrada [...] veia rota [...]nervo assombrado [...] junta iscunjuntada [...]osso ringido [...] assim mesmo Jesus me cura” (Ent. 01, linhas 371, 404 e 435) JUNTAR DE GALOPADA • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Correr. • “Esse tempo (D...) tava dano escola...no Cipó e passava é por cima lá...o (G...) tava na escola da (D...)...aí quano ele de lá viu nóisi ê largô lá a sacola de trem largô tudo e juntô de galopada foi po lado do Jatobá foi rudiô lá por detrás foi isperá o ôns lá no camim do Cardoso” (Ent. 09, linha 124) L LABUTAR • (A) • [V] • Lat>Port • Trabalhar duramente. • “Minha mãe já tinha falecido...já tinha... ah já tinha bem tempo já essa epra né...e eu/labutava mesmo num tinha tempo pa nada não” (Ent. 01, linha 115) LAJEADO • (A) • Nm[Ssing] • cont. • Fração rochosa do leito de um rio. • “Viu um baruião lá tinha uma barrancêra medonha e um cipó assim ó depois papai foi lá ĩzaminô o lugá lá tinha uns cipó assim e foi correno chegô lá infiô o sapato assim ó e caiu de cabeça pa baxo po lajeado abaxo...caiu den’ do poço lá meu fí...morreu” (Ent. 09, linha 207) LAMBICAR • (A) • [V] • Gr. • Destilar no alambique. O mesmo que alambicar. • “Dindim (M...) tava mexeno com armoço falava assim “vai judá (Z...) lambicá lá embaxo”...discia eu e cumá (D...)” (Ent. 08, linha 100) LAMBIQUE • (A) • Nm[Ssing] • Gr. • Aparelho próprio para destilação usado na produção de água ardente. • “Punha o dinhêro lá tinha lambique tinha tudo cuntuá era home forte 286 escondeu dinhêro morreu quano os menino foi oiá cê viu foi cinza...foi embora tudo virô cinza” (Ent. 11, linha 175) LAMPARINA • (A) • Nf[Ssing] • Cast. • Pequeno recipiente com um líquido iluminante (óleo, querosene, etc.) no qual se mergulha um pequeno disco de madeira, de cortiça ou de metal traspassado por um pavio que, aceso, fornece luz atenuada. • “Foi caçá tatu andô por esses arto fora desceu la trás no capão de lá caçano tatu com gaiola e inxadão lamparina chucho tudo tava com ês” (Ent. 09, linha 199) LANÇADÊRA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Peça do tear por onde passa o fio da tecelagem. • “Eu num errava um ponto a hora que ia as lançadêra né...e na hora..que vinha passava por baxo das lançadêra né pra...pra cá a ôta ia pra lá...depois do tiá ia tê o batuque aí saía o recortado” (Ent. 03, linha 177) LARANJA CREME • (n/d) • NCf[Ssing+Ssing] • (n/e) • Laranja de tamanho pequeno, casca fina, de tom forte alaranjado e de sabor extremamente azedo. Também chamada de limão capeta. • “Ês misturava é com airco misturava...botava airco botava laranja creme...ficava gostosa proquê era doce botava um adocicado nela é por isso que ea subia ea tinha doce cachaça num pode num pó vê doce” (Ent. 11, linha 211) LAVRAR • (A) • [V] • Lat>Port • Revolver e sulcar a terra para o plantio. • “A primera roça que eu prantei aqui foi ali do ôto lado foi lavrado na enchada tinha que lavrá na enxada que num tinha arado...adubo...adubo foi de um certo tempo pra cá num tinha adubo que o povo estudo aí veio o adub”. (Ent. 04, linha 435) LEMENTAR • (n/A) • [V] • (n/e) • Comer. O mesmo que alimentar. • “A unha dê é des’ tamãim uai...cavaca e ê vai com a língua assim e ea fica grossa memo quano ê vê que a formiga ô o cupim já juntô ea vorta pra dentro e vorta limpa pa trás né ê lementa assim a boca dele é redonda assim” (Ent. 04, linha 306) LIBRA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Unidade de medida. • “Tinha um fuso lá na roda agora depois da linha tá cheia mesmo pudia sinhora parava a roda...parava a roda e agora aí enrolá aquela roda toda e fazê aquês nuvelo es falava uma libra...uma libra um nuvelo desse tamãim assim” (Ent. 04, linha 32) LOBO GUARÁ • (A) • NCm[Ssing+Adj] • Ind. • Lobo de cor pardo-avermelhada, dorso escuro e pernas compridas comum em regiões de cerrado. • “Larguei tudo tinha medo...tinha medo tava sozim diz que lobo guará assim se ocê mexê com ele ê ataca mesmo” (Ent. 05, linha 159) LORO • (A) Nm[Ssing] • Lat>Port • Correia do arreio que serve para segurar os estribos. • ““Topázio caminha dois passo pra frente” ê caiminhô mais dois passo pra frente eu pequei no lóro e levantei... com essa mão daqui sigura levantei uma dor...levantei de novo o trem zuô travêz eu fui e garrei memo na cabeça do arrei” (Ent. 02, linha 51) LUBISOME~LOBISOME • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Homem amaldiçoado que se transforma em lobo e vagueia em noites de lua cheia. • “O menina ô andava nesse mato aqui iguali lobisome...mema coisa de lobisome andano de noite” (Ent. 02, linhas 285 e 286) • Numa famía que tinha sete muié num tinha um home no meio a que interava sete era mula sem cabeça e tamém lubisome tamém era a mesma coisa o que interava sete ((risos)) 287 eas num intende nada disso não né ((risos)) home tamém se interasse sete sem tê uma muié no meio era lubisome cê sabe que tigamente andava isso mas hoje em dia é raro” (Ent. 09, linhas 302 e 304) LUMIAR • (n/A) • [V] • Lat>Port • Tornar claro algum lugar. O mesmo que alumiar. • “Tava iscuro né tirei o fósfo lumiei assim ó tava aquê cuê de bicho pro chão fora” (Ent. 04, linha 294) M MACO MACO • (n/d) • NCm[Ssing+Ssing] • (n/e) • Alimento, comida. • PESQ.: chuveu? e quê que aconteceu I? INFO.: uai ô durmi na casa de (R...)...(R...L...)...(L...) do Morro fui buscá maco maco fui buscá dispesa é maco maco...ganhei fui abuscá...busquei...ô truxe um sacão assim ó tudo cheio. (Ent. 10, linhas 151 e 152) MÃE DE PRIMERO LEITE • (A) • NCf[Ssing+prep+N+Ssing] • Lat>Port• Mulher que não é a mãe mas que amamenta o bebê. • O mesmo que ama de leite. • Tia e mãe de primero leite né...quano eu nasci ela que me deu primêro leite. (Ent. 01, linha151) MÃIDOCA~MÃINDOCA • (A) • Nf[Ssing] • Ind. • Planta cuja raiz, rica em amido, é muito utilizada na alimentação e na produção de produtos alimentícios. • “Pois é tinha vontade de tabaiá...ralava mãidioca no ralo ruco ruco...é um aqui ó que é igualzim o que eu tinha lá em casa” (Ent. 01, linha 119) • “Carregano carguero de...de mio....de mi não de mãindoca lá do...lá do Mata Mata lá pra cá lá é...do/carregano...rancano mãindoca debá’ de chuva ieu mais cumpade (A...) meu irmão” (Ent. 09, linhas 01 e 02) MÃIDOCA CACAU • (n/d) • NCf[Ssing+Adj] • (n/e) • Variedade de mandioca. • “Mãidoca cacau ela já dá mais cumprida e mais pro chão adentro...a mãindoca chitinha ea dá é grossa e curta...ea ficava c’ a cacunda de fora assim” (Ent. 01, linha 100) MÃIDOCA CHITINHA • (n/d) • NCf[Ssing+Adj] • (n/e) • Variedade de mandioca de formato arredondado. • “A mãidoca chitinha ela dá bem dizê é redonda e ea num entra no chão tamém não é...ea fica/dava...dava aquea roda assim...aquea roda assim de mãidoca no pé a gente via a cacunda dela” (Ent. 01, linha 96) MAISI¹ (n/d) • [Conj] • (n/e) • Porém. O mesmo que mas. • “Aquilo foi uma luta maisi deus ajudô que ea criô tudo aí depois que ês crescero aí já foi saino né cumeçô trabaiano na cerâmica aqui em cima” (Ent. 07, linha 227) MAISI² • (n/d) • [Adv] • (n/e) • O mesmo que mais. • “Esse home ficô um tempão falano nesse trem e a cocêra (D...) que ele tinha as duas perna coçava coçava coçava e coçava a oreia mais quase que esse home fica doido...e num escutô maisi daí pra cá” (Ent. 02, linha 22) MALUNGA • (n/d) • Nf[Ssing] • (n/e) • Que tem a mesma idade. • “Aquea fia do (P...A...)...aquea fia do (P...A...) é malunga desse meu aqui ó” (Ent. 09, linha 433) 288 MANGANGÁ • (A) • Nm[Ssing] • Ind. • Espécie grande de besouro. • “Tinha bisorro marelo mangangá tinha bizorro de umas quatro qualidade saía e pastava pra onde ele quisesse mais de nôte morava lá” (Ent. 04, linha 380) MANGURA~MANGUARINHA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Espécie de bastão que serve para apoio. • “Ea tava com a manguarinha ea catucô ea assim com a varinha catucô a égua com a varinha” (Ent.10, linha 210) • “Ea tava com a manguarinha ea catucô ea assim com a varinha catucô a égua com a varinha” (Ent.10, linha 210) MANJARRA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Peça do engenho de cana. • “Quano ê incostô na ôta muenda eu vi só pedaço da muenda fazê assim TÁ caiu a manjarra caiu tudo” (Ent. 02, linha 191) MANJOCAL • (A) • Nm[Ssing] • Ind. • Plantação de mandiocas. • “Já fiz muita farinha...aquí no Mato Seco eu tinha um manjocal plantado a meia com comá (Z...) um cunhado meu que casô com uma irmã minha mais nós fazia era cinquenta sessenta saco de farinha...sabe quanto que nós vindia? oito mil réis o saco” (Ent. 04, linha 400) MÃO DE PILÃO • (n/A) • NCm[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Peça de madeira com que se tritura algo no pilão. • “Na hora que tá socano lá...qu’ê cumeça a bambiá ai vai isquentano a mão de pilão de vez em quano...a hora que ea soa toca lá depressa...soca soca soca...vorta lá torna isquentá nem a mão de pilão chupa a grudura e nem o pilão tamém...conserva só quente né” (Ent. 01, linhas 79 e 78) MÁQUINA DE PÉ • (n/A) • NCm[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Máquina de costura movimentada por um pedal • “(J...B...) era companhêro da (M...) né era rica (M...) tinha máquina de pé custurava custurêra de primera” (Ent. 09, linha 392) MARELÃO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Doença causada por vermes. • “Aí menina o menino vinha atrás de mim “marelão da infança pinico da cagança macarrão de santa casa” me xingano” (Ent. 03, linha 144) MARRIO • (A) • Nm[Ssing] • Fr. • O mesmo que nó. • “Põe uma duas ispaiava ela bem ralinha lá do marrío até a ponta do saco e aí agora é virá pra torcê ((risos)) virava direita turcía turcía” (Ent. 01, linha 246) MASTIGAR • (A) • [V] • Lat>Port• Gaguejar. • ““De onde cê é?” ê foi mancô assim e disse “ieu sô do Capão Grosso”...“fí de quem?” mastigô mastigô depois disse “sô fí do (G...)”...(G...) era muito amigo do (A...) aqui né do pessoali dele” (Ent. 09, linha 109) MEDONHO • (A) • [Adj] • Lat>Port • Ruim. • “Ê foi e disse “mais comé que nós vão fazê?” aí ô falei “tá medonho” aí nosso sinhô judô que (J...) arrumô um pedaço de terra na Caetana...tirô um pedaço de terra pra nós” (Ent. 03, linha 102) MEIÊRO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Aquele que planta em terreno que não é seu repartindo os lucros dacolheita. • “Entre o Capão Grosso e a Serra ranchão de capim eu fiquei lá quase um mese cũzinhano pá tabaiadô e ê arrumáva muito tabaiadô porque ele arava terra e dava pros meiêro” (Ent. 06, linha 137) MELADO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • A calda grossa do açúcar. • Cê põe no cocho no lugá de batê a rapadura enche aquê ê dexa lá...e dexa lá com dois dia cê pega aquê 289 melado...põe na forma...cê põe ê lá enche as fôrma tudo agora trazia o barro de têia trazia aquê barro mole de teia forrava ê assim. (Ent. 11, linha 196) MELAR COCO • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Aquecer o coco até que ele comece a soltar gordura. • “Ieu num faço não que inquanto eu guentei eu judei né...muê coco no aranholi...a mão...é...melá coco d’gurdura...maisi...eu só torro ali pra ê” (Ent. 01, linha 50) MELOSO • (n/d) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Espécie de capim que serve como pastagem. Também conhecido como capim gordura. • “Meu pai prantava cana de fora a fora ali...meloso tava dessa artura assim ó...ieu que ia pa lá judá ê capiná...capiná o meloso...era assim mia fia cê frentava lá” (Ent. 09, linha 18) MINAGERÁ • (n/d) • Nm[Ssing] • (n/e) • Espécie de chapéu de abas curtas. • Quano ê envinha eu gritava assim “ó (V...) evem o minagerá cumá (V...) o minagerá evem lá” ah cumpá (Z...F...) ó cascava na perna quano eu falava evem o minagerá. (Ent. 08, linhas 19 e 20) MÔ • (n/d) • [Pron] • (n/e) • Pronome pessoal de primeira pessoa; o mesmo que meu. • “Quano (T...) saía eu imbolava tudo no meu quarto todo mundo drumia cumigo nós ficava tudo a pelota lá e eu butuada no terço na nossa senhora da conceição a chuva ia cessano cessano até passá falei “ôta tempestada eu num vô ficá aqui ô vô juntá môs fio””. (Ent. 06, linha 343) MOÇA MENINA • (n/d) • NCf[Ssing+Ssing] • (n/e) • Garota. • “Ê num gostava de moça menina não nunca gostô...(C...) era isquisito o distino dele era ficá sortêro memo....é num encarava ninguém não” (Ent. 06, linha 75) MODA • (A) • Nf[Ssing] • Fr. • Cantiga. • Uai na casa que tinha batuque tinha baile...onde tinha moda de batuque tinha moda de baile sanfona cumia menina num pudia vê” (Ent. 06, linha 75) MODE • (n/d) • [Adv] • (n/e) • A fim de; para. • “Ea tava com a manguarinha ea catucô ea assim com a varinha catucô a égua com a varinha pelejô mode a égua levantá a égua num quis levantá não” (Ent. 02, linha 211) MOENDA~MUENDA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Peça do engenho que serve para moer. • “Num sobrô nem uma muenda pra contá caso...quebrô as treis muenda rachô como se fosse um curisco que caiu nele” (Ent. 02, linha 192) “Engem de pau é treis moenda em pé né? assim ó tem duas aqui e ôtra aqui aí tem os dente põe a bulandera lá os cavalo vai tocano” (Ent. 04, linha 183) MORADA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Lugar onde se mora; casa. • “Mamãe ficava assim ó limpano a água pa mode pegá ela limpa pra levá lá pra cima e subiu um dregau minha fia papai morava nos arto era morada da (B...)” (Ent. 06, linha 380) MUCADO~MUCADIM • (n/d) • Nm[Ssing] • (n/e) • Tanto; quantidade indefinida. • “Depois que eu casei moro aqui...até hoje...tem um mucado de ano” (Ent. 01, linha 175) • “Mais graças a deus mais foi pra treiná com os serviço né porque nem tanto a gente vindia né...porque fazia pôco num dava conta de fazê muito de uma vez...ia fazeno os mucadim mas o purví era dessas duas dona que eu tô falano” (Ent. 01, linha 280) 290 MUNHO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Engenho composto por astes giratórias destinadas a moer cereais. • “O marido dela (J...N...) foi mudô pá Pedo Leopoldo inventô de fazê um munho lá...um...um...munho d’vento era um trem de ar” (Ent. 03, linha 67) O OFÍÇO~OFICI • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Conjunto de preces pelo descanso das almas dos mortos. • “Ela era diferente...de tudo...ela pá morrê ela chamô...pidiu a neta dela pa pidi nós pa i lá rezá o ofíço que era a única coisa que tava pricisano pra ela parti era um ofíço pos nego largá a fazenda. (Ent. 03, linha 59) • Ea via os nego passá de corrente ...no suaio...aí pidiu..aí nós fomo lá e rezô o ofíci pra ea” (Ent. 03, linha 59) OSSO RINGIDO • (n/d) • NCm[Ssing+Adj] • (n/e) • Osso que apresenta alguma trinca. • “Jesus é nascido...jesus nascido é...fí da virge maria...sem pecado é...me cura essa rigindura...jesus Nazaré...ê me benze...de carne quebrada...veia rôta...nervo assombrado...junta iscunjuntada...osso ringido...assim mesmo jesus me cura...com deus pai deus filho deus isprito santo amém” (Ent. 01, linhas 374, 406 e 437) P PAIOL • (n/d) • Nm[Ssing] • Cast. • Construção próxima à casa da fazenda onde é armazenado o milho seco. • “Num tinha nem paiol...muntuava lá ai fazia aquê terrerão rudiado de côro ao redó e cascava o mi todo e batia tudo e inchia aquea purção de saco” (Ent. 09, linhas 363) PANTASMA • (A) • Nm[Ssing+Adj] • Lat>Port • Imagem ilusória, fantasmagoria. O mesmo que fantasma. • “PESQ.: via o que? INF.: pantasma...é via pantasma ((risos)) de premero as sombração...pantasma era sorta menina num tinha negóço de cento pra prendê as arma né menina depois que discubriu esses curadô tinha cento as arma” (Ent. 06, linhas 378) PINGA • (A) • Nf [Ssing] • (n/e) • Bebida feita através da fermentação da cana-de-açúcar. • “Uai gastava pinga aí pra bebê pra tê menino essas coisa pá tê corage pa tê menino fazia chá com arruda e tudo mais” (Ent. 05, linhas 122) Q QUALIDADE • (n/d) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Espécie, tipo. • “Tinha bizorro marelo mangangá tinha bizorro de umas quatro qualidade saía e pastava pra onde ele quisesse mais de nôte morava lá” (Ent. 04, linhas 380) 291 QUEBRA TORTO • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Bolos, pães ou biscoistos servidos no café da manhã. • “Gritava de madugada “o cumpadi (J...) tá na hora do quebra torto tem quentão ês arrumava um tanto de trem...tem quejo tem tudo” (Ent. 08, linha 108) QUEDE • (A) • [Pron. Int.] • (n/e) • O mesmo que ‘que é de’. • “Aí quano (M...A...) tava lá fora arrumano a fila pras menina entrá...pra...subi no artá né aí nhá (R...) priguntô “uai (M...A...) quede sá (A...)? é ea que envem na frente mais S pra coroá cadê ea?”” (Ent. 03, linha 39) R RANCHO~RANCHIM • (A) • Nm[Ssing] • Esp. • Cabana provisória feita no mato ou nas roças, geralmente de palha. • “Morei por todo lado da vida depois vortava pro ranchim de novo aí fui ganhá a (N...) aí no mesmo rancho aí”(Ent. 06, linha 152) RÔPA DE JOÃO DE BARRO • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Roupa de cor marrom. • “Ê tá co uma rôpa de João de barro...falei tá no Zé Dia...aqui em cima chama Zé Dia né...aí mia fia fomo pra lá” (Ent. 09, linha 98) S SOMBRAÇÃO • (A) • Nf [Ssing] • cont. • Alma do outro mundo. • “De premero as sombração...pantasma era sorta menina num tinha negóço de cento pra prendê as arma né menina depois que discubriu esses curadô tinha cento as arma ficô mais ocupada que num pareceu mais pra ninguém não” (Ent. 06, linha 379) T TABATINGA • (A) • Nf[Ssing] • Ind. • Tipo de terra clara e extremamente fina utilizada na conservação de grãos. • “Jogava aquea fejãozêra pôdi fora pudia curá ê curava com tabatinga né ea num tinha num punha reméido não...tabatinga cê cunhece né? é aquilo ali buscava carro assim de tabatinga quebrava ea toda penerava bem peneradinha jugava o fejão na tacha e mexia aquês pôdi separava tudo jugava fora jugava no terrero aí cê penerava a ( ) e misturava ficava uns treis dia secano pudia guardá ficava uns treis quatro ano sem dá um bicho” (Ent. 11, linhas 238 e 239) TACA • (A) Nf[Ssing] • cont. • Espécie de chicote de couro achatado e cabo de madeira. • “Cortei esse burro na taca quano chegô perto da moça eu fui e levei a mão pra pegá no braço da moça o pai dela gritô “num faz isso c’ela não que ocê me mata ela” (Ent. 02, linha 130) 292 TACHA • (A) • Nf[Ssing] • obs. • Reciente de cobre sem alças. • “Jugava o fejão na tacha e mexia aquês pôdi separava tudo jugava fora jugava no terrero aí cê penerava a ( ) e misturava ficava uns treis dia secano pudia guardá ficava uns treis quatro ano sem dá um bicho.” (Ent. 02, linha 240) TACHO • (A) Nm[Ssing] • obs. • Recipiente de metal ou de cobre com duas alças laterais. • “No torcê a massa aquela água vai...o purví vai assentano ô numa gamela ô no tacho que parô ea o pruví vai assentano” (Ent. 01, linha 255) TATU PASSA AQUI • (n/A) • [Fras] • (n/e) • Tipo de dança de roda. • “Lá na casa do (Z...B...) dançava benzim né do açuaio até o (R...) do (Z...B...) gostava de dançá com nóis condafé falava a agora nós já dançô mucho vão fazê agora é tatu passa aqui...esse tatu passa aqui era a cumá (Z...) era a (M...) era aquea rodada era (R...) do (Z...B...) o (J...) tudo de mão dada dançano tatu passa aqui” (Ent. 09, linhas 36 e 37) TECEDERA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Mulher que faz tecidos no tear. • “Levava pro tiá né ea ia po tiá e o tiá tinha diversos pente um pente mais grosso ôto mais fino sabe diversos pente aí agora ea tinha que infiá aquilo tudo né a tecedera pra tecê a cuberta. (Ent. 09, linha 41) TEMPESTADA • (A) • Nf[Ssing] • Lat>Port • Agitação atmosférica violenta. O mesmo que tempestade. • “Eu tomei uma canca de tempestada uma vez subino no (A..R...) com menino (A...) nas cadêra com o saco dos trem de cume” (Ent. 06, linha 356) TERRERO • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • Espaço de terra plano e largo utilizado para a separação e secagem de grãos. • “Nós ispaiô arrozi no terrero com seis junta de boi ... é ... cumeçô as seis hora da mã/ da tarde quã’ bateu duas ora da madugada nós parô onde nóis oiô nóis oiô pa trazi a inchenti ... a inchenti veio” (Ent. 11, linha 02) TIJIJUM • (A) • Nm[Ssing] • Lat>Port • A primeira refeição do dia; café da manhã. • “Quebra torto é a cumida...é...o trem de cumê é as coisa de comê de madugada...é o tijijum” (Ent. 07, linha 115) TIRAR SAL NA MULERA • (n/d) • [Fras] • (n/e) • Sacrificar-se. • “Pareceu um moço pra podê namorá ea ea já tava com vinte e treis ano mamãe cavacô coitadinha tirô sal na mulera pa arrumá o casamento dela mais rumô rumô e fez um festão caso” (Ent. 06, linha 22) TOICIM • (A) Nm[Ssing] • Lat>Port • Gordura dos porcos. • “Nós ingordava poico trazeno mãindoca na cabeça assim pareceno chifre de boi jogava no terrero é poica é capado cumia engordava que nós num passava farta de toicim né mas agora mia fia ninguém...cê pranta uma mãindoca num pega cê pranta uma rosa num tá pegano mais” (Ent. 09, linha 452) TREM • (A) • Nm[Ssing] • Fr. • Qualquer objeto ou coisa; negócio, treco, troço. • “O marido dela (J...N...) foi mudô pá Pedo Leopoldo inventô de fazê um munho lá...um...um...munho d’vento era um trem de ar” (Ent. 03, linha 67) TRENHAL • (n/d) • Nm[Ssing] • (n/e) • Grande quantidade de objetos ou coisas. • “Punha no cocho...pra ea taiá quando ela taiava tinha a fôrma a fôrma de pau um trenhal assim ó” (Ent. 07, linha 50) 293 TREVESSAR • (n/d) • [V] • (n/e) • Passar de um lado para outro. O mesmo que atravessar. • “Tinha que apiá ali na rodiviara e trevessá de banda e caminhá uma distança com o daqui a...como daqui lá na casa do (B...) pa podê chegá na casa dela” (Ent. 09, linha 141) TROPA • (A) • Nf[Ssing] • Fr. • Caravana de animais, geralmente burros ou bestas, usados para o trabalho de carga. • “Eu fiquei lá bem dizê quas dois mesi muí a cana do cumpá (C...) toda dos vizim tudo lá eu muí tudo com a tropa do cumpá (C...)” (Ent. 04, linha 379) TROPÊRO • (A) • Nm[Ssing] • Fr. • Condutor de tropas de carga. • “Os tropêro que passava e vinha de longe vino né...era as posada que tinha né ês passava nesses lugá e ranchava” (Ent. 08, linha 283) TRUPICAR • (A) • [V] • arc. • Dar topada com o pé. O mesmo que tropeçar. • “De noite ia na cuzinha tava trupicano ne menino” (Ent. 04, linha 127) TUIA • (A) • Nf[Ssing] • cont. • Grande arca feita de bambu e em alguns casos coberta de barro, usada para guardar cereais. • “Barriava mais nóis nunca barriô..fazia ea de bambu bem fechadim que o mantimento num passava na greta...agora o (D...) hoje cê num tá comprano trem pa mode inchê tuia...num é?” (Ent. 06, linha 416) U UNHA DE BOI • (A) • NCf[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Variedade de cipó cujas folhas assemelham-se ao formato da unha de um boi • “Ê foi e pegô um cipó de oi de unha de boi lá e deu ne mim três ciposada de unha de boi...falei com ele “o pai é a primera e a urtima...é a primera e a urtima” mais que eu fiquei com raiva” (Ent. 02, linha 239) V VARA DE FERRÃO • (A) • NCf[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Vara cumprida com uma ponta de ferro utilizada para tocar gado. “Teve um que fez pirraça comigo no camim dobrei a vara de ferrão na custela ê me largô lá no mato fiquei sozim lá com as criação” (Ent. 05, linha 25) VARGE • (A) • Nf[Ssing] • obs. • Planície úmida e fértil cultivada. • ““Ocê vai pegá um cavalo na varge pra mim” passei a mão no cabresto fui lá pegá o cavalo” (Ent. 02, linha 241) VEIA ROTA • (n/d) • NCf[Ssing+Adj] • (n/e) • Veia rebentada. • “Jesus é nascido [...]Jesus nascido é [...] fí da Virge Maria [...] sem pecado é [...]me cura essa ringidura [...]Jesus Nazaré [...] ê me benze [...]de carne quebrada [...] veia rota [...]nervo assombrado [...] junta iscunjuntada [...]osso ringido [...] assim mesmo Jesus me cura” (Ent. 01, linhas 368, 400, 431) 294 VEIACO • (A) • [Adj] • Cast. • Esperto. • “Eu falei “pois é num ia dá pra sarvá pai” ê falô “fica veiaco com esse bicho ( ) se um bicho desse te pegá””. (Ent. 04, linha 330) VENTO IGAUZADO • (n/d) • NCm[Ssing+Adj] • (n/e) • Retenção de Gases Intestinais. O mesmo que vento encausado. • “Pai do fi do isprito santo amem...jesus é nascido Jesus nascido é fí da virge Maria sem pecado é Jesus Nazaré cura (E...) de ispinhela caída vento virado bila derramada ar preso vento igauzado assim mesmo Jesus me cura em nome do pai filho isprito santo amém....jesus de nasaré há de provê tudo e dá miora” (Ent. 09, linha 492) VENDA • (A) • Nf[Ssing] • (n/e) • Pequeno estabelecimento comercial onde se vendem artigos variados. • “O pai dele saíu foi lá pás venda quano foi de noite envinha com um quejo falô assim levanta pro cê cumê um pedacim do quejo” (Ent. 09, linha 495) VENTO VIRADO • (A) • NCm[Ssing+Adj] • (n/e) • Prisão de ventre. • “Pai do fi do isprito santo amem...jesus é nascido Jesus nascido é fí da virge Maria sem pecado é Jesus Nazaré cura E de ispinhela caída vento virado bila derramada ar preso vento igauzado assim mesmo Jesus me cura em nome do pai filho isprito santo amém....jesus de nasaré há de provê tudo e dá miora” (Ent. 09, linha 492) VESPANO • (n/d) • [V] • (n/e) • Nas vésperas; aproximando. • “Nós foi pra lá dento e esse dia como ea era mei cismada colocô os menino tudo lá perto dela diz ela que quano foi lá vespano nessa hora que caiu um trem lá dentro do quarto” (Ent. 04, linha 216) VORTA DA LUA • (n/A) • NCf[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Mudança de fase da lua. • “O menino sofreu sofreu num teve chá quente nenhum que dismanchô esse negóço ricuiido né só terra fria que cura né pois ê viveu quano era vorta de lua ê chiava ê chegava aqui ê ficava naquele quarto lá dentro cê iscutava a chiata dele” (Ent. 06, linha 397) VORTA DO DIA • (n/A) • NCf[Ssing+prep+Ssing] • (n/e) • Horário do dia próximo às doze horas. • “INF.: Lovado seja deus nunca vi ô nêga ô sai daqui vô lá na Parmêra quarqué hora num vejo nada mais alembro da mamãe... era assim na vorta do dia ea ia buscá água chegava lá ea via PESQ.: Via o que? INF.: Pantasma” (Ent. 06, linha 369) Z ZUAÇÃO • (n/d) • Nm[Ssing] • (n/e) • Barulho, zoeira. • “No ôto dia tinha uma ruma de cinza assim...eu fiquei lá bem dizê quas dois mesi muí a cana do cumpá (C...) toda dos vizim tudo lá eu muí tudo com a tropa do cumpá (C...) e a zuação acabô” (Ent. 04, linha 379) ZUNIR • (A) • [V] • Afr. • Deslocar-se velozmente, correr, fugir. • “Eu vinha com o (A...) que ê era piqueno né ê mamava nas cadêra menina pegô a chuva naquele arto do A R...meu fí tomano chuva taquei uns pano na cabeça dele e zuni” (Ent. 06, linha 362) 295 FOTO 8 – Fonte Serra do Cipó/MG Fonte: Acervo Pessoal 296 CAPÍTULO VI – CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo deste trabalho foi realizar uma investigação do léxico rural da região da Serra do Cipó, localizada na região Metropolitana de Minas Gerais, e suas relações com a história e a cultura locais. Inicialmente, realizamos pesquisa de campo, em um total de doze entrevistas orais com moradores da região, com embasamento teórico-metodológico previamente definidos. Essas entrevistas foram gravadas e transcritas, esse material está disponível para consulta em CD-Rom que se encontra anexado ao final desta dissertação. Na Introdução deste trabalho, foram abordados os aspectos socioculturais da língua e também houve um apanhado da estrutura da pesquisa e a especificação de seus capítulos. No capítulo I, tratou-se sobre a relação existente entre língua, cultura e sociedade, com destaque para discussão acerca da antropologia linguística, estudos dialetológicos, sociolinguísticos e lexicais. Foram abordados, no capítulo II, os aspectos históricos e sociais da região estudada, bem como as características atuais dos municípios dos quais a Serra do Cipó faz parte – Jaboticatuas e Santana do Riacho. Tal abordagem se faz necessária, uma vez que o conhecimento destes aspectos contribui para análise linguístico cultural do léxico regional. São apresentados, no capítulo III, os procedimentos metodológicos adotados na pesquisa. Desde os critérios para seleção dos informantes, à realização da pesquisa de campo e as gravações, até a transcrição dos dados – que seguiu o modelo proposto pelo Projeto Pelas Trilhas de Minas: as bandeiras e a língua nas Gerais –, a seleção das lexias a serem pesquisadas, num total de 335, a elaboração das fichas lexicográficas e finalmente a elaboração do glossário. No capítulo IV, foram apresentadas as fichas lexicográficas, com as 335 lexias selecionadas a partir da análise das transcrições. Essas fichas constituíram descrição e análise, e foram relacionadas e estudadas as lexias coletadas a épocas passadas e atuais. Em seguida, os resultados das informações das fichas foram analisadas quantitativamente em gráficos e tabelas. Foi observado um número significativo de lexias comuns entre a região pesquisada – Serra do Cipó, localizada na região Metropolitana de Minas Gerais – e outras duas regiões que foram fonte de pesquisas com metodologia similar. realizadas por Souza (2008), no Norte de Minas e por Ribeiro (2010), no Sul do Estado, tendo esta apresentado um número ainda mais representativo de lexias comuns. 297 No capítulo V é trazido o Glossário, elaborado a partir de dados retirados dos nossos corpora. As lexias foram organizadas, primeiramente, pelo critério onomasiológico e em seguida pelo critério semasiológico. O perfil sociocultural dominante da região pode ser melhor observado neste capítulo. Acreditamos, após a realização desta pesquisa de cunho regional, que pudemos contribuir para com os estudos lexicológicos desenvolvidos em nossa contemporaneidade, descrevendo e analisando uma região que, além de nos ser cara, até, então, não havia sido investigada. Temos consciência de que há, ainda, em se tratando de pesquisas linguísticas, muito o que fazer nessa área territorial de Minas Gerais, por isso pretendemos ir por essa trilha, dar continuidade a esse trabalho e, nos moldes da Antropologia Linguística, observar a língua, a cultura e a sociedade local, enquanto vamos saboreando café com quebra torto. 298 REFERÊNCIAS ABREU, J. Capistrano de. Capítulos de História Colonial (1500 – 1800). 4. ed. Rio de Janeiro: Livraria Briguiet, 1954. AFONSO, Leônidas Marques. História de Jaboticatubas. Jaboticatubas: Publicação do autor, 1957. ALVES, Ana Paula Mendes. Um estudo sociolinguístico da variação sintática ausência/presença de artigo definido diante de antropônimos na fala de jovens de Barra Longa/MG que residem em Belo Horizonte. Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2008. (Dissertação de mestrado, inédita) AMARAL, Amadeu. O Dialeto Caipira. 3ª ed. São Paulo: Hucitec, 1976. ARAGÃO, Maria do Socorro Silva de. Atlas lingüístico da Paraíba In: AGUILERA, V. 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