UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS FACULDADE DE LETRAS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM LETRAS Cristiane Dias Gonçalves Paula A FORMAÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO E A DINAMIZAÇÃO DA BIBLIOTECA ESCOLAR Belo Horizonte 2019 Cristiane Dias Gonçalves A FORMAÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO E A DINAMIZAÇÃO DA BIBLIOTECA ESCOLAR Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Letras da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Letras. Área de concentração: Linguagens e Letramentos. Linha de Pesquisa: Leitura e Produção Textual: diversidade social e práticas docentes Orientadora: Profa. Dra.Leiva de Figueiredo Viana Leal Belo Horizonte Fevereiro de 2019 AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus por ter me concedido a vida e ter me sustentado até aqui. A Ele toda a minha gratidão e a certeza de que sem Ele eu nada seria. Agradeço também aos meus pais que em vida foram para mim, um porto seguro e exemplo de luta e perseverança. À minha família, meu amado esposo Sélio, meu grande incentivador, minhas filhas, Verônyca, Vívian e Valéria pela paciência e por compartilharmos as dificuldades e angústias durante o tempo das viagens para Belo Horizonte e também ao meu neto Marco Antônio, doce sorriso em dias de luta.À minha querida orientadora professora doutora Leiva de Figueiredo Viana Leal, por acreditar em mim, por ser minha mentora em todas as etapas deste trabalho. Agradeço não apenas pela orientação, mas também, pelo carinho e dedicação em ensinar-me a enxergar além e, muitas vezes, com o coração. Sua valorização e contribuições preciosas a este trabalho nunca serão esquecidas. À banca examinadora da qualificação, professora doutora Vera Teixeira de Aguiar e ao professor doutor Marcelo Chiaretto pela leitura do trabalho, preciosas contribuições e incentivo que foram essenciais para o desenvolvimento das etapas e análise de dados desta pesquisa. Aos queridos professores do PROFLETRAS/UFMG, pelos valiosos ensinamentos e grande incentivo ao longo dessa trajetória. Aos meus colegas de turma, parceiros de caminhada com os quais aprendi muito e, em especial, ao Guilherme Nicácio, pessoa solidária que sempre me estendeu a mão e às minhas companheiras de quarto e viagens Valdiene Gomes, minha orientadora para a vida, Sarah Nakano e Jane Valadares. Vocês foram a razão das grandes alegrias que vivi durante todo o curso. Amizades que estarão marcadas em mim para sempre. À direção da Escola Estadual “Prof.ª Ilma de Lana E. Caldeira”, pela parceria e por permitir a realização desta pesquisa. Aos meus queridos alunos da EJA, dos quais recebi palavras de carinho e encorajamento e aos demais que torceram por esta conquista. Aos alunos do 9º ano, MEUS PARCEIROS, este projeto só foi possível pela energia, garra e dedicação de vocês, que vivenciaram cada etapa com entusiasmo e vontade de aprender, muito obrigada por aceitarem caminhar comigo. Também agradeço aos pais e responsáveis que autorizaram a participação dos discentes e contribuíram para a o êxito do projeto. Aos colegas de trabalho que não mediram esforços em ajudar e fizeram com que em muitos momentos a luta se tornasse menos árdua. Às minhas amigas Edilene e Margarete que acreditaram em mim, mesmo quando o sonho do mestrado me parecia impossível, não há como agradecer a ajuda de vocês. Aos familiares e amigos que à sua maneira me impulsionaram a realizar este sonho. À UFMG que me acolheu e ao PROFLETRAS por me proporcionar um aprendizado ímpar que levarei por toda a minha vida. À agência CAPES, pelo apoio financeiro, sem o qual a dedicação a esse trabalho seria muito difícil. Se cheguei até aqui foi porque me apoiei nos Ombros de gigantes. (Isaac Newton) RESUMO Este estudo apresenta uma pesquisa de intervenção de caráter qualitativo e teve como participantes alunos do 9º ano de uma escola estadual na cidade de Dom Cavati, Minas Gerais. A cidade está localizada no interior do estado e não possui espaços de lazer e cultura e o contato com a leitura é restrito às atividades escolares. O objetivo da pesquisa foi o de investigar em que medida um projeto de leitura literária favorece a formação de jovens leitores no que diz respeito à compreensão de si mesmo e do mundo que os cerca. Teoricamente esta pesquisa se baseia em Aguiar (1993, 2011), Cândido (2011), Todorov (2008) Bamberger (1998), Becker (2005), Chiaretto (2013), Bordini (1993), Rösing (2002) e Leal (2002, 2011). Metodologicamente, o projeto de ensino foi elaborado com base na teoria de Paul Ricoeur, revista, adaptada e atualizada por Aguiar (2001), denominada Círculo Hermenêutico de Leitura. A aplicação do projeto de ensino se deu por meio do desenvolvimento das cinco etapas previstas e descritas no projeto: o estímulo, a leitura, a reflexão sobre a leitura, a atividade criativa e a socialização. O projeto envolveu a leitura de dez obras literárias, com os alunos divididos em dez grupos. O conjunto de atividades permitiu o acesso a diferentes maneiras de interação com o texto, estimulou e despertou o interesse pela leitura literária. Além disso, possibilitou a aproximação dos alunos do espaço da biblioteca e da percepção de uma mudança significativa na postura dos alunos quanto à leitura. Percebemos ainda um maior envolvimento dos alunos nas atividades culturais da escola e na comunidade, despertando neles a curiosidade e o interesse em propagar a cultura da leitura. Verificamos, ao longo das atividades, que a teoria de Ricoeur(1989) e as adaptações orientadas por Aguiar (2011) colaboram na formação de jovens leitores, uma vez que oferecem diferentes possibilidades de trabalho com o texto e o transforma em algo mais próximo, uma experiência de troca e de aprendizado.Momentos em que o leitor reconhece a si mesmo e ao mundo, conhece o outro e se faz conhecer. Palavras–chave: Literatura. Leitura literária. Biblioteca escolar.Formação do leitor. RESUMEN Este estudio trata de una investigación de intervención de enfoque cualitativo y tuvo como participantes alumnos del 9º ano de una escuela pública en la ciudad de Dom Cavati, Minas Gerais. La cuidad está ubicada en el interior de Minas Gerais y no posee espacios de ocio y de cultura, el contacto con la lectura está limitado a las actividades escolares. El objetivo de la investigación fue lo de investigar en qué medida la lectura literaria favorece a la formación de jóvenes lectores, en respecto a la comprensión de sí mismos y del mundo que les rodea. La teoría de esta investigación está basada en Aguiar (1993, 2011), Cândido (2011), Todorov (2008), Bamberger (1998), Becker (2005), Chiaretto (2013) Bordini (1993), Rösing (2002) e Leal (2002, 2011). La metodología del proyecto de enseñanza fue elaborada con apoyo en la teoría de Paul Ricoeur, revisada, adaptada y actualizada por Aguiar (2001), denominada de Círculo Hermenéutico de Lectura. La aplicación del proyecto de enseñanza fue hecha por medio del desarrollo de las cinco etapas previstas y descritas en el proyecto: el estímulo, la lectura, la reflexión sobre la lectura, la actividad creativa y la socialización. El proyecto involucró la lectura de diez obras literarias, con los alumnos divididos en diez grupos. El conjunto de actividades permitió el acceso a diferentes maneras de interacción con el texto, estimuló y despertó el interés por la lectura literaria. Además de acercar los alumnos del espacio de la biblioteca y de la percepción de un cambio significativo en la postura de los alumnos cuanto a la lectura. Percibimos, todavía, un mayor involucramiento de los alumnos en las actividades culturales de la escuela y en la comunidad. Despertando en ellos la curiosidad y el interés en difundir la cultura de la lectura. Verificamos a lo largo de las actividades que la teoría de Ricoeur (1989) y las adaptaciones hechas por Aguiar(2011) colaboraron en la formación de jóvenes lectores, una vez que ofrecen diferentes posibilidades de trabajo con el texto y lo transforma en algo más cerca, una experiencia de cambio y de aprendizaje. Momentos en elcual el lector conoce a sí mismo y al mundo, conoce el otro y se hace conocer. Palabras–clave: Literatura. Lectura literaria. Biblioteca escolar. Formación del lector. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BNCC- Base Nacional Curricular Comum LDB- Lei de Diretrizes e Base da Educação PCN- Parâmetros Curriculares Nacionais PISA- Programa Internacional de Avaliação de Alunos PUB- Professora do Uso da Biblioteca TALE-Termo de Assentimento Livre e Esclarecido TCLE- Termo de Consentimento Livre Esclarecido LISTA DE FOTOS Foto1 –Biblioteca Escolar “Professor Fernando Borges”........................................... 41 Foto 2 –Alunos reunidos na sala de multimídia ......................................................... 58 Foto 3 –Alunos recebendo os livros na biblioteca ..................................................... 61 Foto 4 –Alunos iniciando a leitura das obras ............................................................. 61 Foto 5 –Aluno recebendo a camisa do projeto .......................................................... 64 Foto 6 –Alunos fazendo registros no paperblog ........................................................ 66 Foto 7 –Mural 1- A vida secreta de Merlim ................................................................ 70 Foto 8 –Mural 2 - Operação Buraco de Minhoca ....................................................... 70 Foto 9 –Mural 3 – A vontade dos cometas ................................................................ 71 Foto 10 –Mural 4 – A fera em mim ............................................................................ 71 Foto 11 –Mural 5 – Meu primeiro beijo ...................................................................... 72 Foto 12 –Mural 6 – A ilha das borboletas azuis ......................................................... 72 Foto 13 –Mural 7 – O mistério da fábrica de livros .................................................... 73 Foto 14 –Mural 8 – Órfãos do Silêncio ...................................................................... 73 Foto 15 –Mural 9 – A bolsa amarela ......................................................................... 74 Foto 16 –Mural 10 – A marca de uma lágrima .......................................................... 74 Foto 17 –Apresentação de imagem em movimento obra A marca de uma lágrima. . 77 Foto 18 –Apresentação de fantoches da obra O mistério da fábrica de livros .......... 78 Foto 19 –Adaptação para quadrinhos da obra A vida secreta de Merlim .................. 78 Foto 20 –Apresentação TV manual – obra A ilha das borboletas azuis .................... 79 Foto 21 –Adaptação para quadrinhos (HQ) da obra Operação buraco de minhoca . 80 Foto 22–Apresentação da Peça teatral – A bolsa Amarela ....................................... 81 Foto 23–Capas do livro da obra Órfãos do Silêncio .................................................. 82 Foto 24–Apresentação em vídeo – obra Meu primeiro beijo ..................................... 83 Foto 25 –Produção de Quadrinhos – obra A fera em mim ........................................ 83 Foto 26 –Linha do tempo – obra A vontade dos cometas ......................................... 84 Foto 27 –Cartaz de apresentação do livro A vontade dos cometas. ......................... 85 Foto 28 –Preparando Atividade Criativa .................................................................... 86 Foto 29 –Alunos monitores na sala de informática .................................................... 90 Foto 30–Apresentação das etapas realizadas no projeto para a comunidade .......... 99 Foto 31 –Alunas participantes do projeto sendo homenageadas ............................ 100 Foto 32 –Pais dos alunos prestigiando os trabalhos dos filhos ............................... 101 Foto 33 –Mãe de aluno participante do projeto ...................................................... 101 Foto 34 –Alunos, pais e comunidade escolar .......................................................... 102 Foto 35 –Exposição dos trabalhos da turma ........................................................... 102 Foto 36 –Alunos participantes da pesquisa fazendo a entrega do encarte.............105 Foto 37 –Aluna da escola recebendo o encarte dos textos de Indicação Literária..105 Foto 38 –Alunos participando do Sarau das Escolas Municipais ............................ 106 Foto 39 –Professores e alunos na Revelação do “Amigo Livro” .............................. 107 LISTA DE FIGURAS Figura 1–Captura de tela de postagens escritora Heloisa Prieto no blog da turma...91 Figura 2 –Captura de tela de postagens da escritora Laura Bergallo no blog da turma .................................................................................................................................. 92 Figura 3 –Depoimento 1 – aluna participante do projeto ......................................... 108 Figura 4 –Depoimento de representante dos pais ................................................... 109 Figura 5 –Depoimento da Professora do Uso da Biblioteca (PUB) ......................... 111 Figura 6 –Depoimento da Orientadora Educacional da escola ............................... 112 Figura 7 –Depoimento do Diretor da escola ............................................................ 113 Figura 8 –Depoimento da Professora de Ciências .................................................. 114 LISTA DE TABELAS Tabela 1 –A visão do aluno sobre o que é um livro de literatura ............................... 46 Tabela 2 –O que te motivaria a ler um livro de literatura? ......................................... 47 Tabela 3 –A maneira como os alunos escolhem um livro literário ............................. 47 Tabela 4 –A escolha de um livro de literatura para se trabalhar com os alunos ....... 48 Tabela 5 –Dos livros de literatura que você leu até agora, qual deles mais te marcou? .................................................................................................................... 49 LISTA DE QUADROS Quadro 1 –Módulo I –Atividades para a etapa do Estímulo ...................................... 54 Quadro 2 –Modulo II –Atividades para a etapa da Leitura ........................................ 62 Quadro 3 –Módulo III –Atividades para a etapa da Reflexão sobre a Leitura ........... 67 Quadro 4 –Módulo IV –Atividades para a etapa da Atividade Criativa ...................... 75 Quadro 5 –Módulo V – Atividades para a etapa da Socialização .............................. 93 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO……….……………………………………………………………. 16 1.1 Objetivo geral…………………………..……………………………………………….20 1.2 Objetivos específicos………………………………..…………………………………21 1.3 Estrutura do trabalho……………………..………………………………………….. 22 2 PERCURSO TEÓRICO……………………………………………………………23 2.1 Literatura: O que é?..............................................................................................23 2.2 O que é ler literatura?...........................................................................................25 2.3 O que a literatura provoca?..................................................................................27 2.4 O que pode a escola?..........................................................................................29 2.5 O papel da biblioteca escolar e dos espaços de leitura na formação do leitor de literatura......................................................................................................................33 3 METODOLOGIA………………………..……………………………….………… 36 3.1 Os participantes do projeto e o local de realização da pesquisa.........................40 3.2 Biblioteca escolar – um espaço de transformação.............................................. 41 3.3 Reunião com os pais e/ou responsáveis..............................................................43 3.4 A preparação para a elaboração do Projeto de Ensino.......................................45 3.4.1 Aplicação e análise do Questionário de levantamento de dados a cerca das preferências leitoras dos alunos participantes da pesquisa.......................................45 3.4.2 O projeto de ensino...........................................................................................51 3.4.3 Sobre as aulas destinadas ao projeto...............................................................52 3.4.4 Metodologia de aplicação e análise de resultados...........................................53 3.5 Metodologia de aplicação....................................................................................53 4 Procedimentos metodológicos, etapas e análises das etapas.................53 4.1 Etapas do projeto.................................................................................................54 4.1.1 Etapa I– Estímulo..............................................................................................54 4.1.2 Análise da Etapa I – Etapa do Estímulo............................................................57 4.1.3 Etapa II – Leitura...............................................................................................62 4.1.4 Análise da Etapa II – Leitura: construindo o paperblog.....................................63 4.1.5 Análise do paperblog ........................................................................................64 4.1.6 Etapa III - Reflexão sobre a leitura....................................................................67 4.1.7 Análise da Etapa III - Reflexão sobre a leitura..................................................68 4.1.8 Etapa IV- Atividade criativa...............................................................................75 4.1.9 Análise da Etapa IV – Atividade Criativa: releitura e apropriação do texto.......76 4.1.10 Análise da relação dos alunos com as ferramentas midiáticas ......................89 4.1.11Visitantes especiais .........................................................................................91 4.1.12 Etapa V – Socialização...................................................................................92 4.1.13 Análise da Etapa V- Socialização: divulgando as obras.................................93 4.1.14 Textos de indicação literária produzidos pelos alunos................................... 95 4.2 Culminância do projeto “A formação do leitor literário e a dinamização da biblioteca escolar”......................................................................................................99 4.3 Avaliação geral do projeto e seus desdobramentos..........................................102 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................115 REFERÊNCIAS........................................................................................................119 APÊNDICES.............................................................................................................124 ANEXOS..................................................................................................................143 16 1. lNTRODUÇÃO A partir de minha experiência durante 15 anos de docência em escolas públicas, como professora alfabetizadora e de Língua Portuguesa dos anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio, sempre me ponho a pensar sobre como melhorar a relação dos alunos de escolas públicas das comunidades carentes com a leitura literária. Nasci e moro em uma cidade do interior mineiro, a cerca de 400 quilômetros de Belo Horizonte, com aproximadamente 6.000 habitantes. Existem duas escolas municipais para atender os alunos do Ensino Fundamental, anos iniciais, e apenas uma escola estadual para atender os alunos do ensino fundamental, anos finais e o ensino médio, onde atuo como professora de Língua Portuguesa. Trabalhei por alguns anos na alfabetização e hoje me dedico apenas aos anos finais do ensino fundamental e médio. Por muitas vezes tive a oportunidade de receber alunos que, em anos anteriores, tinham sido meus alfabetizandos. Com tristeza, percebi que a relação de encantamento dos pequeninos com a leitura literária, suas descobertas e as conquistas das primeiras aprendizagens foram se perdendo ao longo da escolaridade. Hoje, reencontrando esses alunos, vejo que a leitura literária não é recebida como algo prazeroso e essa constatação me leva a indagar por que esses alunos foram se distanciando da prática dessa leitura? Onde ou em que momento de sua vida escolar eles deixaram de sentir prazer ao ler um livro literário? Como a escola poderia ser mais eficiente nessa formação tão necessária à vida humana? Como modificar as práticas de ensino para que os resultados sejam mais eficientes e duradouros na formação do leitor literário? De que maneira o ambiente escolar pode se tornar mais estimulante para a prática da leitura literária? Quais métodos e estratégias poderiam melhorar a prática de sala de aula nas atividades desse tipo de leitura? Esses questionamentos me acompanham a cada dia, a cada ano que se inicia e com cada turma com a qual me proponho a trabalhar. Isso porque acredito que a leitura é uma das maiores apropriações do homem e, como tal, deve ser aprimorada, conforme afirma Bordini (1993, p.13), “uma das necessidades 17 fundamentais do homem é dar sentido ao mundo e a si mesmo e o livro, seja informativo ou ficcional, permanece como veículo para esse diálogo.” Refletindo sobre minhas próprias práticas, busco novas maneiras de melhorar a relação dos meus alunos com os livros e com a leitura literária, embora nem sempre seja cômodo o caminho, pois muitos são os desafios que impedem uma boa prática de ensino de leitura literária. Dentre eles estão o acesso restrito a obras e a acervos variados, o despreparo dos profissionais da educação em formar bons leitores e a falta de políticas públicas voltadas para a ampliação da comunidade leitora desse país. Esses desafios são exemplos de como este trabalho é necessário e urgente. Percebo que é preciso, também, olhar para além da sala de aula, para outros ambientes que possam ser transformados em espaços formadores da leitura literária. Dessa forma, não há como ignorar o papel potencializador da biblioteca escolar, a importância de que nela sejam desenvolvidas boas práticas de leitura. Quero relatar aqui uma experiência que vivi, em uma de minhas tentativas de estimular meus alunos a se sentirem mais atraídos pela leitura literária e em frequentar a biblioteca da escola. Estabeleci uma parceria com a Professora do Uso da Biblioteca (PUB), que sempre se queixava do distanciamento dos alunos com esse ambientee Juntas decidimos promover alguns encontros na biblioteca. Tais encontros proporcionariam aos alunos do 9º ano do ensino fundamental, individual ou coletivamente, que fizessem leituras, conversassem sobre algumas obras, realizassem atividades de recontos orais, enfim, uma vez por semana tínhamos um encontro ali. Não sabíamos muito bem como fazer, mas o objetivo era aproximá-los da biblioteca e levá-los a perceber que aquele ambiente poderia ter uma boa influência em sua atividade leitora. No início não foi fácil acomodá-los entre os livros, conseguir silêncio para a leitura, estimular a participação de todos. Foram desafios constantes; porém, com o passar do tempo, fomos percebendo que eles gostavam de estar na biblioteca, alguns ficavam ansiosos pelo retorno a esse espaço e já demonstravam mais interesse pelos livros literários. A cada atividade proposta, podíamos sentir o envolvimento dos alunos, alguns mais eufóricos outros mais contidos, mas realmente, de alguma forma, eram tocados. Recordo-me de propormos, ao final da leitura de um livro, levá-los ao asilo da cidade para que eles recontassem, aos idosos, de maneira improvisada e bem humorada a história que escolheram. Foi 18 simplesmente unânime a participação ativa dos alunos e nunca me esquecerei de ouvir, por mais de uma vez, a seguinte frase: Podemos fazer de novo, professora? Ao realizar as atividades relatadas anteriormente, pude compreender que o estímulo à leitura, a busca de um propósito para o que lemos, faz toda a diferença. Ler é descobrir o que fazer com nossas descobertas, é reconhecer que o papel do leitor não se encerra ao fechar um livro, mas começa com aquilo que ele descobre no que pode se transformar o que leu. Sinto que a leitura literária precisa ser vista na escola como uma grande aliada do professor e não como objeto de cobrança e castigo, como vem sendo usada nas escolas para resolver problemas de disciplina. É comum em algumas escolas que, após serem advertidos em sala de aula, alunos sejam encaminhados à biblioteca escolar para ler um livro e fazer cópias de trechos de romances, contos, dentre outros. São poucas as iniciativas e poucos os profissionais que estão dispostos a encarar a necessária tarefa de formar leitores, o que coloca a formação literária dos nossos alunos longe do ideal. A formação do leitor literário é um processo contínuo e gradativo, em que o envolvimento de todos, de toda a comunidade escolar se faz necessário para a realização de um trabalho integrado que reúna todos os profissionais da educação. Ademais, deve ser uma prática incorporada na escola e consequentemente, em toda a comunidade. Observo também que, apesar desse distanciamento da prática da leitura que vemos em nossas escolas, esses mesmos alunos estão inseridos no mundo virtual e utilizam as redes sociais como ferramentas de interação com o mundo. Embora seja uma leitura, quase sempre, sem compromisso com a formalidade não podemos negar que é um veículo de transformação e inclusão no mundo moderno. Como desenvolver, então, um Projeto de Ensino para a prática de leitura que desperte o interesse, o envolvimento dos alunos pela leitura literária e os ajude a compreender melhor o que leem, além de desenvolver neles capacidades necessárias à formação de leitor de literatura? Além disso, seria possível o uso de ferramentas midiáticas às quais eles estão sempre conectados, para dinamizar ainda mais o ensino da leitura de textos literários? Em minha pesquisa, busquei encontrar algumas dessas respostas e que elas possam servir como base para outros questionamentos que possivelmente virão. Acredito que aliar o que os alunos fazem no dia a dia nas redes sociais ao planejamento das atividades de leitura literária da escola, com a mediação e 19 orientação do professor, possa ser um caminho para resultados mais consistentes do ensino da leitura nas escolas públicas. Cabe à escola posicionar o aluno frente ao desafio de trilhar novos caminhos em busca de seu desenvolvimento crítico e social, sendo a leitura literária o aporte privilegiado para uma formação mais humana. Partindo da constatação de que a cultura da leitura é um dos maiores desafios a serem alcançados pela escola e, como aponta a pesquisa realizada pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, 2016):o Brasil, entre 70 países, ficou na 59ª posição, bem como metade dos alunos ficou abaixo do nível adequado em leitura. Apesar de alguns avanços em relação à leitura terem sido observados nos últimos anos, os estudantes brasileiros ainda leem mal, não conseguem interpretar, e se encontram entre os piores leitores nas pesquisas sobre leitura e produção no ranking internacional. O que faz ficar cada vez mais evidente que nossos alunos necessitam de práticas inovadoras que os direcionem a desenvolver habilidades de leitura mais consistentes e eficazes. Em meio ao problema do distanciamento da leitura estão os professores que, em geral, acomodados à situação ou sem ter expectativas e/ou possibilidades de mudança, seguem utilizando textos como mero agrupamento de palavras. Textos que servem como lugar de tentativa da absorção de regras gramaticais e conhecimentos linguísticos, deixando ainda mais desmotivado o leitor que associa, dessa forma, a leitura a um conjunto de regras artificiais dotadas de especificidades. Isso muitas vezes afasta o aluno de boas experiências leitoras e ainda produz neles o horror à literatura. A biblioteca escolar tem sido, em grande parte das escolas, não um espaço de leitura e de conhecimento, mas um lugar para reuniões, depósito de materiais fora de uso, local para os alunos indisciplinados realizarem cópias. Raros são os momentos em que a biblioteca realmente funciona como veículo de propagação da cultura da leitura, promovendo encontros de interlocução e de leitura interativa. Cabe observar que problemas sociais, econômicos e políticos influenciam diretamente na formação do cidadão, pois os mesmos alunos excluídos do direito à moradia e à alimentação são os mesmos excluídos da cultura. Aumentando, assim, o compromisso da escola em incluir todos os alunos em práticas nas quais desenvolvam habilidades leitoras que possibilitem torná-los cidadãos mais conscientes e participativos. Além disso, que possibilite a eles atuarem criticamente 20 na sociedade e que ao terem as chances de experimentar novas experiências de leitura literária sejam mais felizes. Do ponto de vista pedagógico, minha pesquisa buscou uma nova relação dos alunos com a leitura literária, encontrando caminhos que possibilitem uma maior interação do leitor com o texto. Nesse sentido, Todorov (2009) afirma que: A literatura pode muito. Ela pode nos estender a mão quando estamos profundamente deprimidos, nos tornar ainda mais próximos dos outros seres humanos que nos cercam, nos fazer compreender melhor o mundo e nos ajudar a viver (TODOROV, 2009, p.76). Acredito ainda que essa pesquisa possa servir como um veículo de transformação da prática docente; uma vez que, muitas vezes, nós, professores, nos sentimos impotentes diante de tantos desafios. Além disso, por várias vezes não estamos suficientemente seguros de nossas próprias práticas. Sobre a leitura e a formação de professores, Leal (2011) afirma que: Pensar a relação leitura e escola requer recolocar a questão inicialmente posta: se, de um lado, as políticas de leitura são necessárias, por outro lado é preciso reconsiderar nesse processo o papel do professor enquanto aquele que ensina a ler. Não é desconhecido por ninguém que o formador de leitor, dadas as diferentes circunstâncias, dentre elas as históricas, sociais, econômicas e culturais, se encontra fragilizado em seu conhecimento sobre o próprio objeto de ensino (LEAL, 2011, p.263). A partir dessas reflexões, foram elaborados os seguintes objetivos: 1.1. Objetivo geral Elaborar e desenvolver um Projeto de Ensino na escola, utilizando a Biblioteca Escolar como ambiente dinamizador da prática da leitura literária e como lugar de encontro do leitor e obra,tendo o professor como mediador dessa prática de leitura.Para isso serão utilizados, como recursos midiáticos, as ferramentas disponíveis na internet e a criação de um blog para divulgação dos trabalhos e interação entre alunos e leitores. 21 1.2. Objetivos específicos  Estimular a prática da leitura de textos literários e a formação do leitor de literatura, que incorpore e reconheça a leitura literária como um bem e uma importante aliada na compreensão do mundo e de sua vida.  Contribuir para que o aluno participante do projeto reconheça a importância da leitura literária na construção da identidade e se torne um multiplicador da cultura da leitura literária na escola e no meio em que vive.  Desenvolver habilidades para a leitura literária por meio de atividades que motivem o prazer e o gosto pela leitura, criando momentos de discussões e debates sobre textos lidos, buscando a interação do leitor com a obra e o mundo que o cerca.  Desenvolver aulas na biblioteca com a mediação do professor de Língua Portuguesa em parceria com o professor do uso da biblioteca (PUB), para promover maior interação dos alunos com as obras e o acervo literário, ressaltando a importância da biblioteca escolar como ambiente estimulador da leitura literária.  Produzir, a partir dos textos lidos, novas possibilidades de reconto das histórias, utilizando recursos tecnológicos disponíveis.  Organizar a criação de um blog para divulgação dos trabalhos dos alunos, estimulando a participação de todos os atores da escola e de toda a comunidade escolar, para contribuírem com comentários que levem a melhoria do trabalho realizado no projeto.  Oferecer subsídios para a formação de professores e para a melhoria da qualidade pedagógica do ensino de leitura literária na escola. Seguindo uma abordagem qualitativa, a metodologia usada se pautou na elaboração de um projeto de ensino de leitura literária tendo como enfoque principal 22 a leitura de textos literários (romances). O projeto foi realizado no ambiente da biblioteca escolar, contando com a mediação do professor de língua portuguesa em parceria com o professor do uso da biblioteca. O objetivo foi experimentar novas práticas de ensino da leitura, bem como a criação de estratégias que visem dinamizar esse ambiente escolar e ressaltar sua importância como veículo de transformação da prática do ensino da leitura na escola. A realização do projeto alia a formação do leitor de literatura a um programa de revitalização da biblioteca escolar, elegendo-a como ambiente de formação e desenvolvimento da leitura literária nas escolas. Utilizou-se como suporte midiático para esta pesquisa um blog,1criado para a divulgação dos trabalhos dos alunos, possibilitando a interação com diversas pessoas. Ocorreram trocas de experiências por meio de comentários e postagens relacionadas ao desenvolvimento do projeto, explorando os recursos que essa ferramenta oferece. Incentivamos a participação de toda a comunidade escolar e intercâmbio com outras escolas. Também utilizamos o Facebook para a divulgação dos trabalhos sendo essa uma ferramenta muito utilizada pelos alunos e a comunidade local. 1.3. Estrutura do trabalho Além dessa introdução, o estudo aqui relatado está estruturado em mais quatro capítulos, seguido das considerações finais. O capítulo 2 apresenta o referencial teórico, conceitos e contribuições acadêmicas a cerca do estudo da prática da leitura literária nas escolas como, o que é a literatura, a literatura e suas contribuições para a vida, a leitura literária na escola e o papel da biblioteca escolar na formação do leitor. No capítulo 3 apresentamos as abordagens didático-metodológicas que nortearam a construção do Projeto de Ensino. Foi utilizada uma metodologia alternativa para o ensino da leitura literária, desenvolvida pela professora Drª. Vera 1 https://restosdearcoirisprojeto.blogspot.com 23 Aguiar (2011) e que tem como base o círculo hermenêutico de leitura de Paul Ricoeur (1989). Destacamos, ainda, as etapas dessa metodologia, o tipo de pesquisa apresentada, os participantes, o local e as aulas destinadas ao desenvolvimento do projeto. No capítulo 4 de aplicação e análise de resultados de maneira detalhada, cada etapa, sua aplicação e seus resultados, uma discussão desses resultados, depoimentos dos envolvidos e os desdobramentos que este estudo nos possibilitou vivenciar. Em seguida, no capítulo 5, as considerações finais, destacamos a importância da apropriação de novas técnicas e estratégias para o ensino da leitura literária na escola, da necessidade de estimular a cultura da leitura em nossos alunos, da busca de um melhor relacionamento dos alunos com a leitura literária, da importância de utilizar a biblioteca como ambiente promotor e motivador da leitura, das dificuldades enfrentadas ao longo desta pesquisa e da satisfação em analisar os resultados. Por fim, são apresentadas as Referências bibliográficas e, por último, os Anexos e Apêndices, que compreendem textos que funcionam como apoio e ilustração do trabalho. 2. PERCURSO TEÓRICO Apresentamos neste capítulo concepções e estudos de autores importantes acerca da literatura e do uso dos textos literários nas escolas. Optamos por dividir reflexões, conceitos e representações relativos ao conceito de literatura em cinco partes: o que é literatura, o que é ler literatura e o que a literatura provoca. Ademais, o que a escola pode proporcionar a respeito dos textos literários e o papel da biblioteca escolar para a formação do leitor de literatura. 2.1. Literatura: o que é? O que realmente podemos considerar como literatura? Candido (2011, p.176) “classifica como literatura todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade desde o que chamamos de folclore até as 24 mais complexas produções das grandes civilizações”. Por outro lado, Coutinho (1978) assim conceitua a literatura: A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. [...] A Literatura é, assim, a vida, parte da vida, não se admitindo possa haver conflito entre uma e outra. Através das obras literárias, tomamos contato com a vida, nas suas verdades eternas, comuns a todos os homens e lugares, porque são as verdades da mesma condição humana (COUTINHO, 1978, p. 9-10). Podemos perceber a influência da literatura sobre nós quando, por meio da leitura de uma obra ou texto literário, aprendemos algo que reconhecemos como ensinamento ou que esteja presente em nossa história. Cândido (2011) afirma que: A literatura aparece como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos não há quem possa viver sem literatura, ela está presente em cada um de nós, analfabetos ou eruditos, afirma que ela se manifesta nas anedotas, causos, histórias em quadrinhos, noticiário policial, canção popular, moda de viola, nos romance, nas novelas, enfim, em seu sentido mais amplo a literatura parece corresponder a uma necessidade universal que, quando satisfeita, constitui um direito(CANDIDO, 2011, p.177). A literatura é vista por alguns autores como instrumento de legitimação de uma língua. Barthes (1978, p.17) define a literatura como “um grafo complexo das pegadas de uma prática: a prática de escrever”. A literatura faz circular os saberes, oferecendo novas possibilidades de ver o mundo e a realidade que nos cerca. O potencial de liberdade que a literatura nos oferece independe das concepções de vida do escritor e sim pela maneira com que ele utiliza a língua. A literatura não se prende a um lugar ou tempo, não é fixa e é essa a sua riqueza: proporcionar ao leitor a busca e o encontro do real. Segundo Barthes (1978), a literatura é categoricamente realista, porque sempre tem o real por objeto de desejo e é também obstinadamente irrealista, pois acredita ser sensato o desejo do impossível. Seguindo a definição de que a literatura não possui fronteiras, Todorov(2009) complementa que a literatura é o centro de um conjunto de discursos vivos que compartilham numerosas características, abrindo infinitas possibilidades de interação com o outro e nos tornando infinitamente enriquecidos. A presente pesquisa assume, com base nos teóricos analisados, que a literatura é uma porta aberta para a busca de uma maior harmonia do ser humano 25 com a realidade que o rodeia. Como leitores, interagimos com o texto e somos tocados por experiências vivenciadas por outros e que nos ajudam a refletir sobre o que somos e também sobre o que queremos ser. 2.2. O que é ler literatura? A leitura é um processo vivido pelo indivíduo e pelo qual ele transita, experimentando novas sensações, é o lugar onde acontece sua interação com o mundo. A partir do momento em que uma pessoa consegue decifrar os códigos e símbolos da comunicação, ela inicia o processo de compreensão e de apropriação da leitura. Esse processo é contínuo e se desenvolve ao longo da vida, de acordo com as experiências e o meio ao qual a pessoa está inserida. Ademais, é um processo que se constrói ativamente pelo leitor, com base em seus objetivos e seu conhecimento do mundo. Sobre a leitura, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) declaram: A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a língua: características do gênero, do portador, do sistema de escrita, etc. Não se trata simplesmente de extrair informação da escrita, decodificando-a letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica, necessariamente, compreensão na qual os sentidos começam a ser constituídos antes da leitura propriamente dita (BRASIL,1998, p.41). Do mesmo modo, a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), que trata dos campos de atuação da linguagem, enfatiza que no âmbito do campo artístico- literário deve-se possibilitar ao aluno o contato com manifestações artísticas de uma maneira geral. E, em especial, com a arte literária, buscando ofertar condições para que possa se reconhecer, valorizar e fruir tais manifestações. Dessa forma, o trabalho com o texto literário visa evidenciar a condição estética desse tipo de leitura, destacando a dimensão humanizadora e transformadora da literatura, que seja capaz de apreender e apreciar o que há de singular em um texto, cuja intencionalidade não é imediatamente prática, mas artística e que desvende as múltiplas camadas de sentido de um texto literário (BRASIL, 2018). 26 O ato de ler não depende apenas do leitor, é necessário que haja um esforço mútuo para que a leitura aconteça, pois, segundo Perrotti (1990,p.63), “a leitura não é um ato natural, mas cultural e historicamente demarcado”. A leitura do mundo é base para a interação entre locutor e interlocutor, por meio dessa troca de experiências o leitor se apropria do texto e das ideias contidas nele, o que significa abertura de horizontes e favorecimento de uma visão plural da vida. De acordo com Bragatto Filho (1995, p.7), “a leitura não é comparável a nenhum outro meio de aprendizagem e comunicação, porque ela tem um ritmo que é governado pela vontade do leitor.” Quando lemos criamos momentos de meditação e reflexão que nos conecta com nosso mundo interior por meio do livro e a história nele contida. Ler envolve competências que vão além da simples decodificação. A leitura precisa estar aberta a ultrapassar fronteiras, quebrar correntes que, muitas vezes, nos impedem de ver além do que texto oferece ou adentrar no mundo do autor. De acordo com Lajolo (2009, p.101), “ler não é decifrar, como um jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir de um texto, ser capaz de atribuir-lhe significação”. Ao relacionar um texto a todos os outros textos significativos o leitor poderá reconhecer o que o autor deseja dizer, concordar ou não com as ideias defendidas pelo autor ou ainda imprimir novas maneiras de interpretá-las. Ao refletir sobre leitura, Silva (2009) destaca três formas de leitura: a leitura para decifrar códigos, a leitura de mundo, que é um processo continuado em que a habilidade de ler o mundo é marcada pela subjetividade de cada um e a leitura crítica, pela qual o leitor obtém uma postura avaliativa, reflexiva, aprendendo aos poucos a se posicionar criticamente perante o texto lido. A autora acredita que o papel da escola e do professor precisa ser de um guia, conduzindo os alunos por esse percurso. De acordo com os PCN, A leitura, como prática social, é sempre um meio, nunca um fim. Ler é resposta a um objetivo, a uma necessidade pessoal. Fora da escola, não se lê só para aprender a ler, não se lê de uma única forma, não se decodifica palavra por palavra, não se responde a perguntas de verificação do entendimento preenchendo fichas exaustivas, não se faz desenho sobre o que mais gostou e raramente se lê em voz alta. Isso não significa que na escola não se possa eventualmente responder a perguntas sobre a leitura, de vez em quando desenhar o que o texto lido sugere, ou ler em voz alta quando necessário. No entanto, uma prática constante de leitura não significa a repetição infindável dessas atividades escolares (BRASIL,1998, p.43). 27 De acordo com Soares (2008, p.31-32), “a leitura literária democratiza o ser humano, porque mostra o homem e a sociedade em sua diversidade e complexidade e, assim, nos torna mais compreensivos e menos alheios às diferenças.” Explorar o texto literário, então, pode nos favorecer no entendimento da realidade e, como em qualquer outra expressão artística, oferece a oportunidade de experimentar realidades distintas. Ao reconhecermos a literatura como veículo que nos permite estabelecer e cultivar, segundo Pacheco (2008, p.214), “espaços constantes de recriação e reformulação interior partindo do confronto autor-obra-interlocutor”, seremos capazes de, por meio dessa interação, construir bases sólidas nas quais nos apoiaremos para vivermos intensamente o futuro e realizar nossos anseios. 2.3. O que a literatura provoca? A leitura, como processo evolutivo, traz ao indivíduo uma autonomia para a vida em sociedade, porém, o processo de apropriação da leitura é um conjunto de habilidades que são desenvolvidas mediante estímulos e estratégias que visam alcançar esse objetivo. São muitas as contribuições da leitura para a vida e para a sociedade como afirma Vargas (1997) ler, significa adquirir conhecimentos e o conhecimento é sempre um ato criador, pois me obriga a repensar verdades já estabelecidas e buscar novas formas de entender a realidade que nos cerca. A leitura literária busca na imaginação e na relação com o texto uma interação que permite dialogar de diferentes maneiras com o mundo e a realidade cotidiana. Segundo Bamberger (1988): A leitura literária constitui uma busca além da realidade, procurando o significado interno, o reconhecimento simbólico nos acontecimentos cotidianos. Quando pensamos em um “bom leitor”, vem-nos à mente o leitor literário, para o qual a leitura é uma experiência estética (BAMBERGER, 1988, p.42). A literatura, conforme Todorov (2009), não é apenas uma simples diversão, uma distração reservada a pessoas cultas, pois permite que cada um descubra sua própria história, possibilitando sensações insubstituíveis que fazem o mundo real mais pleno de sentido e ainda mais belo. Assim, explica Todorov (2009, p.24), 28 “ampliando o nosso universo, a literatura incita-nos a imaginar novas maneiras de concebê-lo e organizá-lo”. Ainda sobre o poder que tem a literatura, Todorov (2009, p.76), afirma que “ela pode nos estender a mão quando estamos profundamente deprimidos, nos tornar ainda mais próximos dos outros seres humanos e nos fazer compreender melhor o mundo”. A influência da literatura sobre nós pode ser percebida quando, por meio da leitura de uma obra ou texto literário, reconhecemos algo que muda nossas vidas, nosso modo de se ver neste mundo e de se relacionar com as pessoas. De acordo com Cândido (2011): A literatura tem sido um instrumento poderoso de instrução e educação que se faz presente nos currículos, sendo proposta a cada um como equipamento intelectual e afetivo, podendo ainda confirmar e negar, propor e denunciar, apoiar e combater, oferecendo a cada um a possibilidade de viver dialeticamente os problemas (CÂNDIDO, 2011, p.179). Segundo Becker (2005), no âmbito escolar, a literatura foi logo percebida pelos educadores como uma poderosa ferramenta de disseminação de valores e comportamentos. Ela se mostra capaz de moldar sentimentos nacionalistas ou reforçar determinados tipos de crenças, valores e comportamentos prestigiados pela classe dominante. Não se pode negar a influência que a leitura literária pode exercer em nossas vidas, ler um bom livro abre janelas em que surgem novos horizontes e, assim, podemos trabalhar para que as influências possam indicar caminhos para a libertação e valorização da vida. Assim, destaca Becker (2005): Ao ler histórias, a criança penetra em universos imaginários fundados em distintas visões de mundo e escalas de valores. Voluntária ou involuntariamente, ela acaba contrapondo esses mundos imaginários à realidade em que vive, desenvolvendo uma perspectiva crítica (BECKER, 2005, p.150). Como toda manifestação artística, a literatura acompanha a trajetória humana e por meio do jogo de palavras constrói mundos distintos em que personagens vivem situações semelhantes ou totalmente contrárias às nossas, garantindo-nos emoções e a chance de compreendermos melhor o nosso tempo. De acordo com Chiaretto (2013, p.6), “a literatura pode desenvolver na sociedade a esperança de humanidade na medida em que torna as pessoas mais compreensivas e abertas para a natureza, para a sociedade e para o outro”. Ao traçar tantos e diversos 29 destinos ela nos oferece um descanso dos problemas cotidianos e nos proporciona um lugar para o sonho e a fantasia. 2.4. O que pode a escola? Um bom leitor precisa estar inserido numa atmosfera de leitura que o possibilite desenvolver as habilidades necessárias para absorver informações e construir significados. Os PCN afirmam: Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê; que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos; que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já lidos; que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto; que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos (BRASIL, p.41). O direito de se expressar, de se manifestar e de se reconhecer nas manifestações do outro precisa ser garantido. Segundo Candido (2011, p.179), “a luta pelos direitos humanos abrange a luta pelo acesso aos diferentes níveis da cultura e que a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e níveis seja um direito inalienável”. O trabalho com o texto literário nas escolas apresenta muitos desafios a serem vencidos, Lajolo (2008) problematiza o uso do texto literário em sala de aula, expondo a insatisfação dos professores com os resultados obtidos com os alunos e a necessidade de se encontrar novos caminhos para esse fazer pedagógico que, muitas vezes, se restringe à leitura e atividades mecânicas. A escola, ao realizar um trabalho equivocado, utilizando o texto literário como suporte de atividades gramaticais, pode comprometer a formação do leitor, como afirma Bamberger (1988, p.42), “o trabalho prático da leitura acaba afastando mais do que aproximando os alunos da leitura literária”. O autor acrescenta que é preciso lembrar que muitas são as possibilidades oferecidas ao leitor de um texto literário e que cada um descobre sua forma de interagir com o texto, cabendo aos educadores e mediadores ajudá-lo nessa descoberta. 30 Ao falar do texto literário e sua utilização pela escola, Quevedo (2000) destaca que a presença do texto literário na escola pode se constituir num fator de grande desenvolvimento cultural e humano para os alunos. Suas leituras, ao mesmo tempo em que pressupõe outras leituras, também suscita inferências e reflexões enriquecedoras. O autor acrescenta que o trabalho com o texto literário deverá ser conduzido por professores conscientes do processo de leitura desses textos, favorecendo, assim, um importante avanço na formação de bons leitores (Quevedo 2005). O papel da escola na formação do leitor de literatura deve ser o de cumprir alguns requisitos que certamente favorecerão uma maior interação do leitor e o mundo literário. Para Bordini (1993): A escola precisa dispor de uma biblioteca bem aparelhada, na área da literatura, com bibliotecários que promovam o livro literário, professores leitores com boa fundamentação teórica e metodológica, programas de ensino que valorizem a literatura, sobretudo uma interação democrática e simétrica entre alunado e professor (BORDINI,1993, p.17). A obra literária não deve ser apenas um contar histórias do ponto de vista de quem as criou, mas sim, uma interação de maneiras distintas de ver o mundo em que, um escreve suas experiências, emoções e desejos e o outro ao entrar em contato com elas adentra nesse mundo, se contagia ou se refaz, fazendo desse contato um momento especial. Bordini (1993), afirma que: Todos os livros favorecem a descoberta de sentidos, mas são os literários que o fazem modo mais abrangente. Enquanto os textos informativos atêm-se aos fatos particulares, a literatura dá conta da totalidade do real, pois, representando o particular, logra atingir uma significação mais ampla (BORDINI,1993, p.13). A escola tem o papel de favorecer o contato do aluno com o texto literário, pois é no espaço da escola que a maioria dos alunos entra em contato com livros e obras, sendo esse o único espaço para essa prática na maior parcela da população, visto que não somos um país de bons leitores como vimos ao longo desta pesquisa. O letramento literário visto hoje como uma prática a ser desenvolvida e aprimorada no contexto escolar, é uma proposta que a escola vem buscando para melhorar a relação dos alunos com a leitura e oferecer condições para que eles se tornem mais eficientes em sua prática leitora. 31 O letramento literário, em seu conceito mais claro, pode ser definido, segundo Cosson (2009, p.67), “como o processo de apropriação da literatura enquanto construção literária de sentidos”, o autor considera que o letramento literário começa desde a mais tenra idade, quando ainda bem pequenos ouvimos as cantigas de ninar, histórias infantis, causos, desenhos e filmes que assistimos. Mais tarde, ocorre o processo de apropriação que se dá quando aquilo que lemos e ouvimos passa a fazer parte de nós, como quando lemos um poema ou ouvimos uma música. E isso nos toca, ao ponto de ser a nossa própria voz ou ainda representarem aquilo que não conseguimos expressar. Assim, as personagens de um romance ou conto podem servir como inspiração para o leitor na sua trajetória de vida. Dessa maneira, a literatura não é simplesmente um conjunto de obras consideradas relevantes, mas um modo singular de construir sentido e de dar sentido à existência. De acordo com os PCN, O ensino da literatura ou da leitura literária envolve, portanto, esse exercício de reconhecimento das singularidades e das propriedades compositivas que matizam um tipo particular de escrita. Com isso, é possível afastar uma série de equívocos que costumam estar presente na escola em relação aos textos literários, ou seja, tratá-los como expedientes para servir ao ensino das boas maneiras, dos hábitos de higiene, dos deveres do cidadão, dos tópicos gramaticais, das receitas desgastadas do “prazer do texto”, etc. Postos de forma descontextualizada, tais procedimentos pouco ou nada contribuem para a formação de leitores capazes de reconhecer as sutilezas, as particularidades, os sentidos, a extensão e a profundidade das construções literárias (BRASIL1998, p.30). A linguagem literária se distingue dos outros usos da linguagem por proporcionar a interação da palavra com as experiências vivenciadas pelo leitor. Chiaretto (2013)aponta que ao entrar em contato com o texto literário, podemos reconhecer a formação do leitor em três níveis distintos: aquele que decifra códigos e interpreta de maneira superficial, o leitor que analisa, discute e se posiciona criticamente e, por fim, aquele leitor que ao ler, toma o texto para si, refletindo sobre suas práticas, buscando outros caminhos, assumindo novas possibilidades. Novamente é preciso destacar que a escola tem uma grande tarefa de promover o encontro do leitor com a obra, que não seja simplesmente uma atividade para fins didáticos ou gramaticais. Que também seja um encontro com o lúdico, com a imaginação com o mundo de oportunidades a ser explorado no contato com o texto literário. 32 Para que o letramento literário esteja inserido na prática pedagógica é necessária uma especial atenção para alguns pontos fundamentais para que ele aconteça efetivamente. O professor deve possibilitar o contato direto do leitor com a obra, promovendo sua interação ao universo literário, um espaço para que os leitores possam compartilhar leituras e que os textos circulem naturalmente nesse meio, seguindo certa organização pelo grau de dificuldade ou interesse dos alunos. Além disso, reconhecendo que a literatura se faz presente não apenas nos textos escritos, mas, também, em vários outros meios. Portanto, é primordial que o professor ofereça variadas formas de manifestação cultural, propor atividades sistematizadas e contínuas que visem o desenvolvimento da efetiva competência literária. Dessa forma a escola estará contribuindo efetiva e eficazmente para a formação do leitor literário. Sobre como ensinar literatura nas escolas Aguiar (2001) afirma que A adoção de um método de ensino de literatura dependerá principalmente do posicionamento do educador em relação ao seu aluno, de qual tipo de leitor ele deseja formar, o que simplesmente assimile conteúdos e acumule informações ou o leitor crítico, que assume posições com independência. O primeiro se forma até mesmo sozinho, lendo aleatoriamente, já o segundo será formado a partir de um trabalho envolvido em estratégias bem construídas (AGUIAR, 2001, p.146-147). Para que o trabalho com o texto literário se torne uma atividade constante para nossas crianças e jovens ─ acrescenta Aguiar (2001) ─ é bom que os educadores estejam preparados para lidar com todas as situações de leitura que possam surgir ao seu redor. Descobrir o leitor literário é de alguma forma, tocá-lo, motivá-lo a se relacionar e interagir com o texto, utilizando estratégias que o leve a se tornar um leitor competente. O trabalho com o texto literário, de acordo com a BNCC (2018), tem como objetivo a formação para conhecer e apreciar textos literários, orais e escritos, da literatura nacional e estrangeira, não se tratando de ensinar literatura, mas de promover o contato com a literatura. Ademais, buscar a formação do leitor literário, capaz de apreender e apreciar o que existe de mais singular em um texto, não com uma intenção imediatamente prática, mas artística. Assim, o leitor poderá descobrir a literatura como possibilidade de fruição estética, alternativa prazerosa de leitura. Ainda, em se tratando da leitura literária, a BNCC (2018) explica que o trabalho com o texto literário deve envolver os diferentes gêneros narrativos, os 33 elementos da narrativa, a polifonia própria dos textos narrativos, os efeitos de sentidos decorrentes dessa polifonia e da intertextualidade resultante das diferentes vozes do texto, explícitas ou não. Se a leitura literária possibilita a vivência de mundos ficcionais, possibilita também ampliar a visão de mundo por meio de experiências vividas em outras épocas, outros espaços, outras culturas, outros modos de vida, outros seres humanos. 2.5. O papel da biblioteca escolar e dos espaços de leitura na formação do leitor de literatura O trabalho literário é rico em sua busca constante pelo que de mais real se pode encontrar em nossa imaginação, sendo o espaço e o tempo de ler elementos fundamentais para nos situar no vasto mundo de ideias. Dessa forma, a escola precisa ocupar-se de todos os espaços que possui para promover o desenvolvimento da prática da leitura literária. Nessa perspectiva, a biblioteca escolar precisa ser reavaliada, considerando a sua importância para o processo de formação do leitor, porém não podemos fechar os olhos para o distanciamento dos alunos desse ambiente escolar. Leal (2005), menciona que a biblioteca não é o lugar em que, vez ou outra, os alunos são levados para assistirem ou participarem de atividades que alguém, por algum motivo, resolveu fazer em um determinado momento. Devemos buscar o envolvimento diário dos alunos com o ambiente da biblioteca, é preciso reconhecê-la como um espaço de encontro com o conhecimento. A biblioteca escolar é, antes de tudo, um elemento unificador das ações escolares e das transformações sociais, o autor afirma ainda que É lugar de diversidade, de múltiplas linguagens, múltiplos sujeitos, múltiplos suportes, múltiplos textos, múltiplos objetivos- noção de bem comum, de espaço democrático de memórias, de construção de referências culturais e artísticas (LEAL, 2002, p.325). De acordo com Castrillon (1993 apud Mayrink 1991), a biblioteca é uma instituição do sistema social que organiza materiais bibliográficos, audiovisuais e 34 outros meios e coloca-os à disposição de uma comunidade educacional, integrando- se ao sistema educativo, participando de seus objetivos, metas e fins. O ambiente da biblioteca escolar deve possuir em sua estrutura básica o conjunto material para a leitura literária, desde o acervo, o espaço predial, mobiliário adequado a profissionais capacitados para auxiliar os alunos em suas necessidades. Infelizmente o que vemos na maioria das escolas de hoje são bibliotecas funcionando em salas apertadas, utilizadas como depósito de material de descarte, como sala de reuniões e lugar onde os alunos indisciplinados são levados para fazerem cópias. O papel da biblioteca escolar não deve se restringir a um amontoado de livros em prateleiras. Segundo Aguiar (1986), deve ser um ambiente dinâmico da aprendizagem, um espaço democrático, conquistado e construído por meio da interação (alunos, professores e demais grupos sociais). Compreende-se que é uma das funções da escola criar mecanismos de incentivos ao uso da biblioteca escolar de modo que toda a comunidade escolar perceba esse espaço como primordial para o desenvolvimento das habilidades necessárias ao exercício da cidadania. Além disso, a leitura possibilita ao indivíduo descobrir novas formas de interagir com o meio do qual faz parte. É o que afirma Leal (2002): Assumir a biblioteca como sustentação para um currículo, que objetiva o desenvolvimento dos alunos, formando-os para a convivência humana, é fundamentalmente, instigar, provocar, valorizar a leitura de textos literários de diferentes épocas, em suas diferentes expressões, dado que neles há uma memória e uma experiência que, juntando-se à memória e à experiência do aluno, abrem a chave para a compreensão da vida (LEAL, 2002, p.328). A biblioteca escolar deve ser entendida como espaço para se vislumbrar horizontes, há que se esperar que ela esteja preparada para conduzir os alunos por novas rotas do sabe. Nesse sentido, Nóbrega (2002, p.350) convida ao conceito de biblioteca como um “território de produção de sentidos, onde as possibilidades de re(significação) enovelam-se, criem oportunidades de inclusão dos vários saberes, quereres, dizeres, sentires, pensares dos seus leitores/usuários”. O contato com os livros literários necessita de uma intermediação consistente, ao aluno não se deve apenas sugerir ou entregar um livro, essa relação precisa ser mais próxima das expectativas e do que o aluno busca ao ler um texto literário. Precisamos então compreender, segundo Nóbrega (2002), a biblioteca não só como 35 um espaço cercado de livros por todos os lados e sim como uma ação que envolve acervo, leitura, lugar de informação, de construção de conhecimento, de significação. É por meio da literatura e da arte que o homem toma conhecimento das inúmeras batalhas travadas na busca constante de conhecer os mistérios da vida. No que diz respeito às políticas educacionais voltadas para a melhoria da relação dos alunos com a prática da leitura literária, percebemos que ainda estão muito limitadas à oferta de livros e distribuição de volumes para as escolas, seguindo padrões preestabelecidos pelas políticas educacionais. Teixeira (2002) declara que a oferta de leitura em outras mídias que não seja a impressa, num mesmo ambiente, pode alcançar índices de leitura do livro além do esperado entre o público infanto-juvenil, que ao serem apresentados a diferentes opções de leitura respondem positivamente. É necessário remodelar a organização física do ambiente das bibliotecas escolares para que os usuários tenham uma maior autonomia, por meio de sistemas, na busca pelo livro ou obra literária. Nesse sentido, completa Teixeira (2002): A biblioteca escolar passa a ser um espaço de leitura em que diferentes mídias se cruzem, como um balé moderno, que mantém na sua origem o clássico, mas, inova e se aproxima das manifestações artísticas a contemporaneidade (TEIXEIRA, 2002, p.379). O desafio de reestruturar as bibliotecas escolares para que deixem de ser depósitos de livros, de material para recorte e descarte, espaço reservado a reuniões e destino de alunos indisciplinados para realizarem cópias é realmente um combate necessário. Rösing (2002, p.394), afirma que “o mesmo espaço que viabiliza a interação do leitor para a produção de novos conhecimentos é desconhecido em seu potencial”, desconectando a escola brasileira das instituições similares existentes nos países desenvolvidos. Ainda nesse contexto, destaca a necessidade de uma dinamização não só dos espaços físicos das bibliotecas escolares e de seus acervos, mas também, dos profissionais que ali se encontram além de promover a interação das diversas áreas, numa partilha de conhecimentos contextualizados. Ensino e biblioteca são instrumentos complementares (...), ensino e biblioteca não se excluem, completam-se. Uma escola sem biblioteca é um instrumento imperfeito. A biblioteca sem ensino, ou seja, sem a 36 tentativa de estimular, coordenar e organizar a leitura, será, por seu lado, instrumento vago e incerto (FILHO2, 1944apud SILVA, 2003, p. 67). Assim como a escola precisa estar em constante movimento e buscar formas de acompanhar a evolução da sociedade, desenvolvendo práticas educacionais mais desafiadoras e que promovam um envolvimento maior do aluno com as atividades escolares, a biblioteca também precisa acompanhar essa evolução e oferecer ao leitor literário, novas possibilidades de leitura. Segundo Rösing (2002, p.400), “a dinamização da biblioteca escolar pode ressignificar a escola.” A biblioteca escolar pode ser uma grande aliada para a formação do leitor literário. Não há como negar a sua importância no âmbito escolar, porém se faz cada vez mais necessária a reformulação dos acervos, melhorando o acesso aos livros e capacitando bibliotecários, professores e profissionais dessa área. Esses profissionais muitas vezes deixam de cumprir suas atribuições por completo despreparo. Rösing (2002) afirma que: À medida que as bibliotecas passarem a assumir um novo status no processo educacional e cultural, seja no âmbito da escola, seja no contexto da universidade, alargar-se-ão horizontes capazes de apontar a necessidade urgente da substituição do trabalho individual dos atores implicados nesse processo pelo trabalho inter-multi- transdisciplinar, atingindo, também, a tecnologia disponível no seu aprimoramento (RÖSING, 2002, p.401). 3. METODOLOGIA Neste capítulo apresentaremos as abordagens didático-metodológicas que serviram como suporte para a realização do Projeto de Ensino. A pesquisa realizada é de intervenção, de caráter qualitativo, uma vez que propõe mudanças na atuação transformadora da realidade sócio-política e dos sujeitos desse processo de ensino aprendizagem. Libâneo (1999, p.22) explica que “a educação é o conjunto das ações, processos, influências estruturais, que intervêm no desenvolvimento 2 LOURENÇO FILHO, Manoel Bergström. 1ª Conferência da Série Educação e Biblioteca. Rio de Janeiro, RJ: Imprensa Nacional, 1944. 37 humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio em que vive”. Uma pesquisa de intervenção propõe mudanças e aponta caminhos e estratégias para o trabalho pedagógico, sendo assim, uma ferramenta importante para o desenvolvimento da aprendizagem. Bortoni-Ricardo (2008) afirma: O professor que consegue associar o trabalho de pesquisa em favor de seu fazer pedagógico, torna-se um professor-pesquisador de sua própria prática ou das práticas pedagógicas com as quais convive (BORTONI-RICARDO, 2008, p. 32-33). O professor consegue, assim, caminhos para aperfeiçoar-se profissionalmente, desenvolvendo uma melhor compreensão de suas ações como mediador do conhecimento e de interação com os alunos. Sendo de intervenção pedagógica, a pesquisa relatada tem como finalidade contribuir para a solução de problemas práticos vivenciados na maioria das escolas públicas no que diz respeito ao ensino de leitura, de escrita e de seus desdobramentos. Em seu aspecto qualitativo, a intervenção abrange a execução de uma sequência de atividades que funcionam como eixos norteadores para a prática da leitura mediada pelo professor, abordando novos caminhos na expectativa de potencializar a relação do aluno com a leitura literária e a produção escrita. A presente pesquisa utilizou uma metodologia alternativa criada pela pesquisadora Drª. Vera T. Aguiar, denominada método de ensino de literatura, baseada no círculo hermenêutico de Paul Ricoeur, constituído de cinco etapas, originadas a partir dos três momentos da metodologia Ricoeuriana. Essas etapas estão divididas em estímulo, leitura, reflexão sobre a leitura, atividade criativa e socialização. De acordo com Aguiar (2007), Um projeto de pesquisa nasce da decisão de um sujeito que, por interesse próprio ou de alguma entidade (órgão de desenvolvimento científico, Universidade, Secretarias Municipais ou Estaduais, outras instituições públicas ou privadas), resolve interferir na realidade, diagnosticando situações e procurando alternativas de ação (AGUIAR, 2007, p.9). A teoria que sustenta a metodologia aqui utilizada foi desenvolvida pelo filósofo Paul Ricoeur, no que diz respeito ao que ele denomina Círculo Hermenêutico de Interpretação. Em geral, Ricoeur, é sempre lido e pesquisado em comparação a outros grandes filósofos universais, tais como Gadamer e Friederich Schleiermacher, teólogo protestante do século XIX, considerado o pai da Hermenêutica moderna. Ricoeur (1913-2005) é um dos poucos filósofos franceses atuais que dialoga com 38 correntes internacionais de pensamento com grandes diversidades, tais como a Fenomenologia alemã (traduziu as Ideias Ide Husserl, já em 1950), a Hermenêutica de Gadamer ou a filosofia analítica inglesa e norte-americana. A Hermenêutica, no seu conceito geral é a arte e o método de interpretar significados expressos textualmente. A concepção de círculo parte da compreensão de que o ser humano está sempre interpretando com base em novos dados e informações, ou seja, uma tarefa contínua e inesgotável. Portanto, circula como um processo em modos de apreensão do conhecimento, pertencente a uma abordagem qualitativa de compreensão da realidade. No caso específico desta pesquisa é tomado como teoria e processo de leitura crítica. De acordo com Paul Ricoeur (1989), a Hermenêutica é uma fonte metodológica para a compreensão de obras teóricas ou poéticas. Configura-se como um instrumento e um guia para a compreensão de discursos filosóficos, políticos, pedagógicos, dentre outros. Segundo o autor, o círculo hermenêutico permite ao investigador construir um percurso metodológico do conhecimento e uma compreensão de obras e organização da vida humana para além dos textos. Isso porque o enfoque da atenção se centra naquilo que existe no texto e naquilo que o texto convoca, ou provoca no leitor na construção subjetiva de sentidos. Logo, segundo Cristófano (2011), a Hermenêutica que se pensa é uma busca pela interpretação, pelo dizer o que ainda não foi dito e que existe em um evento, no texto ou no próprio existir. É uma forma de trazer às claras sentidos possíveis e torná-los conscientes, porque houve uma reflexão sobre eles. Ricoeur (1988) define interpretação como o trabalho de pensamento que consiste em decifrar o sentido oculto no sentido presente. De acordo com Silva (2011): Nesse sentido, a função hermenêutica do texto é capturar e apreender o sentido da obra para reconstruí-la numa dinâmica interna, mostrar que é possível uma obra projetar-se para além de um mundo habitado, alcançar, quiçá, o mundo projetado ou idealizado pelo autor (SILVA, 2011, p.22-23). Outra definição seria “confirmar que o círculo permite estabelecer teoricamente, contra a intromissão constante do arbitrário romântico e do subjetivismo cético […], a validade universal da interpretação, base de toda a certeza em história’ (RICOEUR, 1989, p. 92). Ou “interpretar é explicitar o tipo de ser-no-mundo manifestado diante do texto” (RICOEUR, 1988, p. 121). Outro dado 39 essencial analisado por Ricoeur é o que confirma a relação entre sujeito/realidade e imaginação: Os indivíduos, do mesmo modo que as entidades coletivas (grupos, classes, nações etc.), estão em princípio e desde sempre, ligados à realidade social de um modo diferente do da participação sem distância, segundo figuras de não coincidência que são precisamente as do imaginário social (RICOEUR, 1989, p. 228). Essa base teórica leva o investigador a ir além da explicação no trato com a leitura literária: é preciso alcançar a compreensão, que exige dar lugar ao sujeito, à sua voz, ao seu mundo visto e sentido pelo literário. A questão entre explicar e compreender é, inicialmente, a de saber se as ciências, quer se trate de ciências da natureza ou de ciências do homem, constituem um conjunto contínuo, homogêneo e, finalmente, unitário, ou se entre as ciências da natureza e as ciências do homem, é preciso restabelecer uma ruptura epistemológica (RICOUER, 1988, p. 163). Cristófano (2011) chama a atenção sobre a necessidade de considerar o valor da metáfora no processo de compreensão. A metáfora é um elemento fundante do significado do texto literário. Uma metáfora diz algo de novo acerca da realidade e é um elemento a ser analisado na busca de um sentido, que só existe em acordo com a leitura que se faz. Uma das questões que se impõe é a relação imediata entre o ler e o buscar sentidos, surgindo assim, indagações sobre o que seria estabelecer sentidos. De acordo com Paul Ricoeur, no confronto dos vários mundos com o mundo do leitor, a obra literária ganha a verdadeira significação da realidade da vida do leitor. Por meio do real e da ficção, o leitor projeta-se na narrativa que, segundo o autor, é a resposta de uma transcendência imanente ao texto, que só se concretiza mediante o ato da leitura. Dessa forma, o leitor se lê no texto e não apenas o lê, confirma Cristófano (2011). A pesquisa aqui relatada utilizou uma metodologia que apresenta um conjunto organizado de atividades com o objetivo de percorrer os estágios da leitura, partindo da compreensão do texto, a interpretação do texto e a apropriação do texto pelo leitor. Ao estabelecer esses três momentos Ricoeur defende que o leitor, ao entrar em contato com o texto, faz suposições, decodifica sua composição textual e atribui- lhe sentido próprio. Avançando um pouco mais nesse processo; o leitor, dialogando 40 e interagindo com o texto, realiza o estágio da interpretação e, por fim, a apropriação do que leu, recontextualizando a obra e alargando a percepção da realidade que o cerca. Como já explicado, as etapas descritas na metodologia alternativa desenvolvida neste estudo, com base na teoria de Ricoeur apresenta três estágios da leitura. No entanto, Aguiar ampliou este círculo acrescentando dois outros momentos, recriando o método e produzindo um novo método de ensino de literatura, com cinco etapas distintas já mencionadas: 1- Estímulo, 2- Leitura, 3- Reflexão sobre a leitura, 4- Atividade Criativa, 5- Socialização. Além da base teórica-metodológica acima apresentada, a pesquisa se apoiou em autores importantes no estudo da leitura de textos literários que muito contribuem para o desenvolvimento de novas práticas de ensino da leitura literária, como: Bordini (1993), Aguiar (1993), Quevedo (2000), Rösing (2002), Becker (2005), etc. 3.1. Os participantes do projeto e o local de realização da pesquisa Participaram do projeto 30 alunos do 9º ano do ensino fundamental com idades entre 13 e 14 anos da E. E. Profª. Ilma de Lana E. Caldeira da cidade de Dom Cavati, Minas Gerais. Os alunos foram distribuídos em oito grupos, com três alunos cada e um grupo composto por quatro alunos, atendendo às necessidades especiais de uma aluna e um grupo formado por dois alunos. A escola está inserida em uma comunidade de recursos limitados, com alunos, na sua maioria, de baixa renda. A turma apresenta boa disciplina, é interessada e receptiva. Apesar dos recursos limitados e dificuldades de acesso a atividades culturais, a escola, juntamente com os professores, promove excursões a cidades próximas para que os alunos visitem o teatro, cinema, museus, faculdades particulares e universidades. Numa tentativa de despertar nos alunos sonhos e expectativas para o futuro. A escola está situada no centro da cidade e possui 11 salas de aula; laboratório de informática; laboratório de ciências; pátio coberto e quadra de esportes; salas do setor administrativo; cantina e refeitório; sala de multimídia e uma 41 biblioteca escolar. Ao longo do ano a escola realiza vários projetos que fazem parte da história local, como, Gincana Escolar, Feira de Ciências, Recital de Poesias, Projetos em parceria com a Secretaria de Saúde, a Polícia Militar, e Entidades Religiosas. Além disso, inclui-se os projetos estabelecidos pela Superintendência Regional de Ensino. Por fazer parte de uma comunidade pequena e sendo a única escola que atende aos alunos dos anos finais do ensino fundamental e ensino médio, conta com profissionais que, em sua maioria, residem na própria localidade ou em cidades bem próximas. O fato de ter proximidade com as famílias colabora para que tenhamos poucos problemas de disciplina e uma boa participação da comunidade nas atividades realizadas pela escola. Outro fator pertinente é que uma parte considerável dos alunos tem acesso a aparelhos celulares e muitos utilizam a internet e redes sociais, embora conheçam muito pouco sobre recursos e ferramentas midiáticas. 3.2. Biblioteca escolar – um espaço de transformação A Biblioteca Escolar “Professor Fernando Borges” é parte da E. E. Profª. Ilma de Lana E. Caldeira, local onde desenvolvemos esta pesquisa. É uma biblioteca pequena, tem um acervo limitado, porém atende toda a comunidade escolar e pessoas da cidade. Em seu acervo conta com aproximadamente 2.000 obras literárias catalogadas e quantidade considerável de outros materiais para pesquisa, além de alguns jogos e materiais diversificados. O mobiliário é simples e necessita de reparos. Há apenas um computador que é usado pelas duas PUB, uma para o turno matutino e outra para o vespertino. O PUB é o professor do uso da biblioteca, não é um bibliotecário com formação e sim, um professor das séries iniciais, que atua orientando os alunos na biblioteca. A biblioteca atende os alunos durante todo o período das aulas para empréstimos de livros, entrega de material didático, material para recortes, aulas de reforço, reunião de pais. E, como uma prática não muito distante, é para a biblioteca que os alunos com problemas de disciplina são enviados para realizarem cópias de textos com o intuito de punição. Sobre essa maneira equivocada do uso do ambiente da biblioteca Rösing (2002) afirma que a biblioteca é desconsiderada em seu papel 42 de promover a busca e o contato com o conhecimento. Observando a dificuldade da biblioteca em ser reconhecida e utilizada como o local de aprendizado que deveria ser, é que decidimos incluir no projeto desenvolvido nesta pesquisa, o objetivo de tornar o espaço da biblioteca um local de aprimoramento e busca de conhecimento. Como explica Aguiar (1986), a biblioteca precisa deixar de ser apenas um local de guardar livros, para promover o encontro e a interação entre todos os envolvidos no processo de aprendizagem. Como pontapé inicial, propomos ao diretor e aos funcionários que trabalham na biblioteca uma maneira de informatizar o acervo que, até então, era manuscrito e organizado em pastas de papel. A sugestão foi muito bem recebida e hoje todo o acervo está informatizado. Após a escolha das obras que seriam os objetos de leitura no projeto, uma lista foi enviada ao diretor da escola, que incluiu a compra das obras em verbas destinadas a projetos da escola. Foram adquiridos dez novos títulos, três exemplares de cada obra, num total de trinta livros que estão à disposição dos alunos. Durante a aplicação do projeto, a biblioteca foi utilizada para momentos de leitura e realização das etapas previstas que, em sua maioria, foram desenvolvidas nesse ambiente. Percebemos, ao longo desse período, que nós, educadores, precisamos promover o encontro do aluno com esse ambiente escolar que parece tão distante da vida dele. Precisamos reconhecer que, na maioria das vezes, os alunos não frequentam a biblioteca, não por não gostarem e sim, por não serem apresentados a ela, motivados a explorar e usá-la a seu favor. Leal (2002) apregoa que a biblioteca precisa ser reconhecida como um elemento de ligação das mais diversas áreas do conhecimento. Ademais, por ser um lugar de diversidade e de múltiplas linguagens, pode contribuir muito para o desenvolvimento do aluno. 43 Foto 1 – Biblioteca Escolar “Professor Fernando Borges” Fonte: arquivo pessoal. 3.3. Reunião com os pais e/ou responsáveis Após a apresentação da proposta de trabalho à direção da escola e de uma reunião com a equipe pedagógica e direção, preparamos a reunião com os pais e/ ou responsáveis dos sujeitos envolvidos na execução do projeto proposto nesta pesquisa. A fim de que, cientes das etapas a serem desenvolvidas nesta pesquisa, assinassem os termos que autorizariam o desenvolvimento deste trabalho e fossem nossos colaboradores, acompanhando o desenvolvimento dos discentes no decorrer deste projeto de ensino. Em conversa com os alunos, em sala de aula, explicamos que a reunião com os pais ou responsáveis seria para a apresentação do projeto de ensino de leitura literária que seria realizado com a turma. Aproveitamos esse momento para expor aos alunos os objetivos e a maneira como seria realizado o projeto. Aproveitamos para ressaltar a importância da leitura para a vida deles e, como eles seriam importantes para o desenvolvimento da pesquisa aqui apresentada. Assim, antes do início da aplicação das etapas previstas no projeto de ensino, foi realizada, no dia 28 de Março de 2018, às 17 horas, a reunião com pais e/ou responsáveis. Nessa ocasião, após uma breve saudação feita pelo diretor escolar, iniciamos a conversa com os pais, primeiramente explicando sobre o Mestrado Profissional em Letras e sobre o principal objetivo da reunião. Apresentamos um resumo das etapas do projeto por meio de slides, verificamos que de uma maneira 44 geral, os participantes se mostraram interessados nas etapas do projeto e manifestavam um grande interesse para que fossem desenvolvidos mais projetos de leitura na escola. Verificamos, então, que a formação do leitor competente, também era uma preocupação dos pais e responsáveis presentes na reunião. A reunião contou com a presença da maioria dos pais e/ou responsáveis da turma. Alguns pais citaram a importância da leitura para a vida em sociedade, falaram sobre as dificuldades que enfrentaram ao longo da vida por não terem uma prática de leitura. Além disso, expuseram a satisfação de que seus filhos tivessem um maior contato com a leitura ao participarem da execução das etapas deste projeto de ensino. Esclarecemos, naquele momento, que cada etapa desenvolvida seria objeto de análise para a presente pesquisa, que seriam resguardados todos os direitos dos alunos e que estaríamos à disposição para qualquer questionamento ao longo da aplicação do projeto. Em seguida, apresentamos os documentos exigidos para a aplicação e desenvolvimento desta pesquisa e que visam resguardar os discentes participantes, assegurando-lhes direitos de participação ou não no projeto. Depois de apresentados todos os documentos e sanadas as dúvidas, alunos, pais e/ou responsáveis, assinaram os seguintes documentos: Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) e Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE). (APÊNDICE B, APÊNDICE C). Naquele momento demos a reunião por encerrada e agradecemos a participação de todos. Encerramos a reunião, ressaltando a importância dessa prática nos estabelecimentos de ensino e que é respaldada pela Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB), em seus Artigos 12 e 13: Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: [...] -VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola; [...] - VII - informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica. Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade (BRASIL, 1996). Os pais e/ou responsáveis que não puderam estar presentes se justificaram e se dirigiram à escola em outro horário, onde tiveram as informações necessárias 45 sobre o projeto e assinaram os documentos necessários para a participação dos alunos. Atingimos então 100% de adesão ao projeto. 3.4. A preparação para a elaboração do Projeto de Ensino Resolvida a questão da abordagem metodológica, cabia identificar melhor as experiências dos alunos em relação à leitura literária, reconhecer temas, obras e autores de suas preferências. Enfim, dar voz aos alunos na busca de uma interação que favorecesse relações com as obras, com os autores, com os mediadores de leitura e entre os próprios alunos. Para alcançarmos este objetivo, elaboramos e aplicamos um questionário (APÊNDICE A). 3.4.1. Aplicação e análise do Questionário de levantamento de dados acerca das preferências leitoras dos alunos participantes da pesquisa O questionário de levantamento de dados aplicado anteriormente à aplicação do projeto de ensino serviu como embasamento para a montagem dos módulos e etapas que nortearam este trabalho. As questões elencadas no questionário forneceram um retrato da relação dos alunos com a leitura literária e nos propiciaram perceber os anseios e expectativas desses alunos em relação à leitura de textos literários. Ressaltamos que o questionário teve sua aplicação no dia 05 de setembro de 2017, durante a aula de língua portuguesa, ministrada pelo professor regente naquela ocasião. O questionário é constituído de duas etapas, a primeira composta por questões subjetivas e a segunda por questões objetivas. Nessa ocasião os alunos cursavam o 8º ano do ensino fundamental. Os resultados do questionário foram analisados pela professora orientadora desta pesquisa e a professora executante do projeto de ensino. Os dados foram tabulados para melhor visualização dos resultados. A seguir, alguns apontamentos sobre os resultados. Sobre o relacionamento dos alunos com a literatura e como eles identificam um texto 46 como sendo literário observamos que os alunos apresentam pouca intimidade com a leitura desses textos, desconhecem, em sua maioria, as habilidades para reconhecer obras como sendo de literatura.A Tabela 1 mostra esse percentual. Tabela 1 – Como o aluno identifica o livro como sendo de literatura Opção Quantidade % Pelo título e a capa 11 38% Pela história 10 34% Por despertar a imaginação 4 14% Pela sinopse 1 3% Pelos desenhos, imagens 1 3% Outros 2 7% TOTAL 29 100% Fonte: elaborado para fins desta pesquisa. Um bom leitor necessita de uma atmosfera de leitura que o possibilite absorver informações e construir significados. Aguiar (1993, p.18) explica que “o primeiro passo para a formação do hábito de leitura é a oferta de livros próximos à sua realidade de leitor, que levantem questões significativas para ele.” Na busca pela formação de bons leitores, aqueles que realmente encontram nas linhas do texto uma fonte para novos conhecimentos, que se divertem, se reconhecem ou conhecem o outro, a escola precisa estar atenta ao trabalho de favorecimento do encontro desses leitores com o livro e com aquilo que ele pode oferecer. De acordo com os PCN: Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê; que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos; que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já lidos; que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto; que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos (BRASIL,1998, p.41). Ao serem questionados sobre o que os motivaria a ler um livro de literatura, podemos verificar na Tabela 2, a seguir, esses resultados. 47 Tabela 2– O que te motivaria a ler um livro de literatura? Opção Quantidade % Um assunto que me interesse 22 76% Uma capa bonita 4 14% Comentários de outros leitores 2 7% A sinopse 1 3% TOTAL 29 100% Fonte: elaborado para fins desta pesquisa. A maioria dos alunos respondeu que o assunto deveria estar adequado ao interesse deles. Por outro lado, uma pequena parte disse que o livro deveria ter uma capa bonita e os comentários de outros leitores e a sinopse teria pouca influência no interesse da maioria dos leitores. Observamos nesses resultados que os alunos querem ler livros que falem de suas necessidades, de seus anseios e de suas expectativas de vida, fato esse que, na maioria das vezes não é levado em conta na escolha de livros de literatura e projetos de leitura desenvolvidos nas escolas. Lajolo (2008) relata a dificuldade e insatisfação dos professores em trabalhar com o texto literário nas escolas e a grande necessidade de se buscar novos caminhos que não se restrinjam apenas às atividades mecânicas e rotineiras em sala de aula. Em seguida, perguntamos aos alunos que se estivessem em uma biblioteca com muitos e muitos livros de literatura, qual forma utilizariam para escolherem o que iriam ler. A Tabela 3, a seguir, apresenta esses resultados. Tabela 3– A maneira como os alunos escolhem um livro literário Opção Quantidade % Título e capa 21 72% Sinopse 4 14% Espessura do livro 2 7% Outros 2 7% TOTAL 29 100% Fonte: elaborado para fins desta pesquisa. 48 Uma minoria afirmou que a escolha seria pela espessura do livro, outros utilizariam a sinopse e a maioria escolheria pelo título e capa. A constatação da pouca familiaridade, do distanciamento desses alunos dos livros literários e da necessidade de um trabalho mais significativo com o texto literário reforça os resultados obtidos nesse questionamento. Porém, o fato de os alunos terem pouco contato com o livro literário justificaria a escolha baseada pela capa e título e ainda consideramos positivo o índice baixo de alunos que se basearia apenas pela espessura do livro. Segundo Aguiar (2001), para que o trabalho com o texto literário se torne uma atividade constante para nossas crianças e jovens, é fundamental que os educadores estejam preparados para lidar com todas as situações de leitura que possam surgir ao seu redor. Por fim, na Tabela 4 são apresentados os resultados obtidos ao serem questionados sobre qual recado enviariam aos professores para a escolha de um livro de literatura a ser trabalhado com a turma. Tabela 4– A escolha de um livro de literatura para ler com os alunos Opção Quantidade % Pedir a opinião dos alunos 18 63% Confiar em si mesma 7 24% Capas e imagens coloridas 3 10% Livros mais finos 1 3% TOTAL 29 100% Fonte: elaborado para fins desta pesquisa. Observamos, de acordo com a maioria dos alunos, que ouvir a opinião da turma antes de se iniciar um projeto ou atividade de leitura é uma boa prática para que essa leitura tenha resultados relevantes. O papel da escola na formação do leitor de literatura deve ser o de cumprir alguns requisitos que certamente 49 favorecerão uma maior interação do leitor com mundo literário. Conforme Bordini (1993), a escola precisa dispor de uma biblioteca bem aparelhada, na área da literatura, com bibliotecários que promovam o livro literário, professores leitores com boa fundamentação teórica e metodológica, programas de ensino que valorizem a literatura, sobretudo uma interação democrática e simétrica entre alunado e professor (BORDINI,1993, p.17). A seguir, apresentamos os resultados obtidos quanto ao livro que mais marcou os alunos. Tabela 5– Dos livros de literatura que você leu até agora, qual deles mais te marcou? Opção Quant % O pequeno príncipe 11 38% O Diário de um banana 6 21% Romeu e Julieta 2 7% A Culpa é das estrelas 1 3% Marley e eu 1 3% Os Três Mosqueteiros 1 3% O Gato do teatro 1 3% Memórias Póstumas de Brás Cubas 1 3% A Bolsa amarela 1 3% Meus 15 Anos 1 3% O homem que calculava 1 3% Bíblia Sagrada 1 3% Sem Resposta 1 3% TOTAL 29 100% Fonte: elaborado para fins desta pesquisa. De acordo com a Tabela 5, em sua maioria, os alunos citaram o livro O pequeno príncipe como uma obra marcante na vida deles. Não poderíamos deixar de mencionar aqui que ao responderem esta pergunta muitos alunos comentaram que o livro havia sido trabalhado com a turma na série anterior e que, para a maioria, teria sido o único ou o último livro que haviam lido até aquela data. Esse fato nos chama a atenção para o que preconiza Quevedo (2000): a presença do texto literário na escola possibilita o desenvolvimento cultural e humano, uma vez que ao entrarem em contato com esses textos, novas leituras, inferências e reflexões surgirão e com elas a interação do leitor com a obra e o mundo que o cerca. A escola precisa 50 promover o encontro com o texto literário, visto que, na maioria das vezes, é a escola o único lugar em que essa leitura lhe é ofertada. Salientamos aqui que, embora outros itens estejam no questionário, por se tratarem de respostas muito subjetivas não faremos a análise nesta pesquisa. Apesar de terem sido levadas em conta na escolha das obras a serem priorizadas no projeto. Previamente aplicado, o questionário para levantamento de dados acerca dos interesses e afinidades dos alunos com o texto literário e sua relação com a prática da leitura, após analisado, serviu como norteador das estratégias aplicadas ao longo do Projeto de Ensino. A análise das respostas permitiu deduzir que os alunos: 1- Até o presente momento da vida escolar leram poucos livros de literatura. 2- Apresentam interesses por temas como: amizade, amor e adolescência. 3- Gostariam de ler livros dos gêneros: ação e aventura, mistério e suspense. 4- Identificam um livro como sendo de literatura pelo título e capa, pela história que conta e pelas imagens. 5- Acreditam que o que os motivaria a ler um livro literário seria um título e capa interessantes, a história com um tema de seu interesse e que desperte a imaginação. 6- Gostariam que o professor, ao propor o trabalho com livros literários, ouvisse a opinião dos alunos. A escolha das obras lidas pelos alunos baseou-se no resultado do questionário de levantamento de dados realizado previamente com a turma. Ao serem questionados sobre quais gêneros gostariam de ler, uma parcela considerável da turma revelou que gostaria de ler o gênero romance. Os alunos relataram preferência por temas relacionados às relações familiares e afetivas, à vida do jovem, bem como os que apresentem ação/aventura, suspense. Algumas das obras escolhidas foram citadas pelos próprios alunos no questionário de levantamento de dados e, o restante, foi escolhido por meio de pesquisas na internet, em sites especializados como http://literaturajuvenilempauta.com.br/ organizado pela professora e pesquisadora Vera Aguiar, observando sugestões, lendo sinopses e por indicação de terceiros. 51 3.4.2. O projeto de ensino O projeto de ensino desenvolveu um conjunto de atividades que foram realizadas no ambiente escolar, com destaque para a utilização do espaço da biblioteca escolar. Teve a participação dos alunos, do professor regente (pesquisadora), do Professor do Uso da Biblioteca e a aplicação e execução do projeto ocorreu no período de abril a julho de 2018, com quatro aulas semanais (duas aulas, duas vezes por semana) e teve como ações e estratégias as seguintes práticas:  Aplicação prévia de um questionário aos alunos, com a autorização da direção e supervisão escolar para coleta de dados sobre a relação dos alunos com a leitura literária.  Reunião com os pais, alunos, direção e supervisão escolar para a apresentação do Projeto de Ensino e a obtenção das autorizações cabíveis.  Aquisição, por parte da escola, mediante licitação, das obras a serem lidas. Essas obras foram selecionadas com base na faixa etária dos alunos envolvidos na pesquisa e, em especial, nos dados obtidos a partir do levantamento de interesses previamente aplicado na turma.  Aulas preparadas para serem desenvolvidas no ambiente da Biblioteca escolar.  Apresentação de material diversificado com o intuito de estimular a leitura das obras. (Etapa I)  Leitura mediada inicialmente pelo professor e posteriormente pelo professor do uso da biblioteca, monitores (alunos). (Etapa II)  Prática de leitura compartilhada, favorecendo a interação entre os alunos. (Etapa III)  Encontros na biblioteca para compartilhar as experiências vivenciadas ao longo da leitura das obras. (Etapa III)  Reconto, partindo das próprias vivências, dos textos lidos, dando novas versões, novos pontos de vista. (Etapa IV) 52  Produção de um texto de Indicação Literária, em que os alunos leitores compartilharam as experiências vivenciadas e as impressões obtidas no decorrer da leitura das obras. (Etapa V)  Criação de um blog para postagem dos trabalhos realizados pelos alunos, ao longo das etapas do projeto, comentários sobre as obras, impressões surgidas a partir da realização das atividades e relevância do projeto para a criação de uma prática de leitura literária.  Organização de mostras de trabalhos e estandes compostos de material produzido pelos alunos ao longo do projeto. 3.4.3. Sobre as aulas destinadas ao projeto Com o intuito de alcançarmos os objetivos propostos nesta pesquisa, organizamos encontros semanais entre a professora pesquisadora e os 30 alunos do 9º ano do ensino fundamental, autorizados pelo Termo de Assentimento Livre e Esclarecido e cujos responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Para a aplicação do projeto desta pesquisa foram destinados, das aulas de Língua Portuguesa, dois encontros semanais, inicialmente às terças-feiras, com variações ao longo do projeto para atender às necessidades dos alunos e às adequações à rotina escolar. Ocorreram também atendimentos no contraturno, sempre que houve necessidade de atender os grupos de maneira individual. A apresentação do projeto e a realização das cinco etapas nele previstas tiveram sua aplicação ao longo dos meses de abril a agosto, num total de 45 aulas. Os atendimentos prestados pela professora executante desse projeto, no contra turno, foram computados como horas/aulas complementares para aprofundamento de estudos de acordo com a Legislação (Lei Federal 11.738/2008) e orientação da Superintendência Regional de Ensino de Caratinga- MG. 53 3. 4.4. Metodologia de aplicação e análise de resultados Para evitar uma descrição ou apresentação das atividades e uma análise delas ao final, gerando um distanciamento entre o que foi descrito e analisado, optamos por apontar e descrever o passo a passo das atividades propostas no projeto dessa pesquisa e, simultaneamente, uma análise de cada etapa percorrida ao longo da pesquisa. 3.5. Metodologia de aplicação do projeto Como já havíamos citado, o trabalho aqui apresentado consiste na execução de cinco etapas, chamadas de módulos de ensino. Essa etapas, elaborados com base no questionário de levantamento de dados previamente aplicado na turma funcionou como base para as atividades criadas e desenvolvidas em cada etapa. Vale ressaltar que, como em todo projeto de pesquisa, algumas mudanças ou alterações se fizeram necessárias ao longo do percurso, haja vista a necessidade de adequação do projeto aos recursos oferecidos pela escola, bem como as necessidades dos alunos como a distribuição deles nos grupos e o número de obras a serem lidas, de 12 para 10 obras. 4. Procedimentos metodológicos, etapas e análises Além da aplicação dos procedimentos metodológicos básicos e normais a toda pesquisa-ação, como pesquisa bibliográfica, a coleta de dados e a análise dos resultados, contamos nesta pesquisa com um plano de ação ou proposta de leitura literária. Plano que visa a formação de um leitor consciente que transite por todos os níveis de leitura e se posicione frente ao texto. Nesta perspectiva consideramos a necessidade de uma metodologia que reconheça o aluno-leitor como o centro do processo, as atividades como oportunidades de interação com a obra e o professor como mediador e organizador desse processo. 54 4.1. Etapas do projeto Nesta seção passamos a detalhar as etapas do projeto as quais chamaremos de módulos e suas respectivas análises. 4.1.1. Etapa I- ESTÍMULO Essa etapa é aporta de entrada do aluno no mundo imaginário oferecido pelo livro literário. Ela propõe a realização de atividades espontâneas que promovam a descontração, interação e vontade de ler o livro. O aluno levantará hipóteses que podem ou não serem confirmadas ao longo da leitura. Faz-se urgente que, como afirma a autora, “para se formar leitores, devemos ter paixão pela leitura” e dar a ela, mesmo antes de ser apresentada ao aluno, materializada na obra de um livro, a chance de ser desejada, esperada com ansiedade por esse leitor. Uma maneira de se experimentar isso seria proporcionar ao leitor um momento para se encantar com o que poderá ler, onde seja provocado seu conhecimento de mundo. De acordo com Kleiman (2002, p.56) “as predições constituem um procedimento eficaz de abordagem do texto, desde os primeiros momentos de formação do leitor até os estágios mais avançados.” Quadro 1– Atividades para a etapa do estímulo MÓDULO I – ETAPA DO ESTÍMULO Objetivos: Estimular a leitura da obra, criando imagens para levantamento de hipóteses e apresentação dos elementos que compõe a história. Foram utilizadas nessa etapa, atividades organizadas pelo professor, com base na metodologia alternativa escolhida e mencionada nesta pesquisa, apresentando diferentes estratégias que atraiam o aluno para a leitura da obra. Todas as atividades dessa primeira etapa foram realizadas na sala de multimídia da escola, devido à necessidade do uso dos aparelhos como TV, data show e outros. As outras etapas tiveram como ambiente de trabalho, a 55 biblioteca escolar, com o intuito de aproximá-la dos alunos e tornar a biblioteca mais dinâmica, que ela viesse a adquirir uma representatividade maior no processo de formação dos leitores, passando a ser reconhecida como um espaço estimulador da leitura de textos literários. Como são dez obras diferentes no desenvolvimento do projeto, para cada uma delas foi empregada uma atividade de estímulo. Optamos por lançar mão, em determinado momento da atividade, da sinopse do livro, visto que nela se encontram alguns elementos, mas não toda a história. Caberia ao aluno hipotetizar sobre a narrativa em si. Estímulo: Grupo 1 – Aplicação: O professor apresentou a personagem principal da obra que seria lida pelos alunos, oferecendo-lhes por meio da sinopse, elementos para que pudessem fazer a caracterização oral da personagem e levantassem hipóteses sobre ela. Estímulo: Grupo 2 – Aplicação: O professor fez a apresentação do cenário em que a história se passava, apresentando imagens do lugar onde as personagens se encontravam e pediu que os alunos relatassem oralmente, por meio de hipóteses, que tipo de histórias poderiam se passar naquele lugar. Estímulo: Grupo 3 – Aplicação: O professor apresentou um objeto que tinha grande significado na história e pediu para que os alunos descrevessem o objeto, sua utilidade, quem o usaria e o que esse objeto poderia significar para a obra. Em seguida, apresentou a sinopse da obra, juntamente com a personagem principal. Alem disso, pediu aos alunos que levantassem hipóteses sobre a personagem e o que aquele objeto representaria para ela. Estímulo: Grupo 4 – Aplicação: O professor convidou os alunos para explorarem uma imagem e que relatassem o que conheciam sobre ela, onde já viram e o que ela poderia sugerir. Logo após, apresentou a sinopse da obra, pedindo aos alunos que levantassem hipóteses sobre como seriam as personagens e que tipo de aventuras poderiam viver. Estímulo: Grupo 5 – Aplicação: Algumas imagens foram apresentadas aos alunos e o professor pediu que eles falassem sobre quais sensações e sentimentos as imagens lhes provocavam. Após as manifestações dos alunos, o professor apresentou a sinopse do livro e, de acordo com as informações, os alunos expuseram suas opiniões sobre o que aconteceria com a personagem 56 Fonte: elaborado para fins desta pesquisa. ao longo da trama. Estímulo: Grupo 6 – Aplicação: Utilizando imagens e a sinopse do livro o professor propôs aos alunos que, com base em suas predições, levantassem hipóteses sobre o assunto ou tema explorado na obra. Estímulo: Grupo 7 – Aplicação: O professor apresentou algumas imagens que sugeririam os mesmos sentimentos vivenciados pela personagem principal da história. Depois, de analisar as imagens, apresentou a sinopse da obra. Com base nesses elementos, os alunos expuseram suas impressões sobre o que o texto poderia oferecer. Estímulo: Grupo 8 – Aplicação: O professor apresentou para a turma imagens de um lugar paradisíaco, em seguida pediu para que os alunos refletissem sobre essas imagens e falassem sobre o que elas poderiam representar. Dando continuidade, os alunos leram a sinopse da obra e buscaram estabelecer ligações entre as imagens e as personagens, levantando hipóteses para o enredo. Estímulo: Grupo 9 – Aplicação: Após a exposição de várias imagens de uma personagem já conhecida pelos alunos, dos relatos feitos por eles sobre a personagem, o que ela representa para o universo imaginário de cada um e o que a sinopse do livro traz sobre essa história, os alunos levantaram hipóteses a respeito das possibilidades que essa nova história poderia oferecer. Estímulo: Grupo 10 – Aplicação: Utilizando imagens do cenário, o professor tentou recriar a atmosfera misteriosa e cheia de magia que a história apresentava. Com o auxílio da sinopse os alunos puderam estabelecer relações entre o que já conheciam sobre a história e o que esperavam que ela lhes acrescentasse. Tempo de duração: 07 aulas no total. Recursos utilizados: Sala de multimídia 57 4.1.2. Análise da Etapa I – Etapa do Estímulo Essa primeira etapa do projeto compreendeu o desenvolvimento de atividades de estímulo à leitura. Segundo Coscarelli (2018), ao optar pela leitura de determinado texto, o leitor prevê, supõe informações e levanta hipóteses, desejando confrontá-las ao longo dessa leitura. Na pré-leitura, o levantamento de hipóteses baseados nos conhecimentos do cotidiano, constitui estratégia ou caminho para que o professor construa atividades de compreensão e interpretação do texto. Ainda sobre estratégias a serem utilizadas na formação do leitor, Leal (2015) afirma que a elaboração e utilização de protocolos de leitura são fundamentais para garantir uma das bases da compreensão da leitura. A autora define protocolos, como atividades elaboradas levando o leitor a expor o que pensa sobre o assunto, as sensações que lhe provocam imagens, títulos ou outras informações apresentadas previamente pelo professor. Aguiar e Bordini (1993, p.16) destacam que “a preparação para o ato de ler não é apenas visual-motora, mas requer uma contínua expansão das demarcações culturais da criança e do jovem.” As autoras também afirmam: À medida que o sujeito lê uma obra literária, vai construindo imagens que se interligam e se completam – e também se modificam – apoiando nas pistas verbais fornecidas pelo escritor e nos conteúdos de sua consciência, não só intelectuais, mas também emocionais e volitivos, que sua experiência vital determinou (BORDINI, 1993, p.17). As atividades de Estímulo foram elaboradas por meio de apresentações de slides, contendo imagens relacionadas a cada obra e questionamentos orais acerca da observação das imagens, da leitura da sinopse de cada obra, questionamentos referentes ao tema tratado e o gênero textual– romance, sobre o qual foi feita uma breve explanação. As atividades foram organizadas em dois momentos:  Primeiro Momento Leitura das imagens e descrição feita pelos alunos.  Segundo Momento Acionamento dos conhecimentos prévios dos alunos em relação às imagens, leitura da sinopse e levantamento de hipóteses. 58 Foto 2 - Alunos reunidos na sala de multimídia Fonte: arquivo pessoal. A adoção de uma etapa de pré-leitura, exemplificada aqui como estímulo, é uma oportunidade que o professor oferece ao aluno para que ele possa formular suas hipóteses de leitura. Atividade considerada por Kleiman (2018) como uma técnica cognitiva apoiada nos diferentes componentes do texto observados na pré- leitura, podendo ser a capa do livro, o título, as gravuras e outros elementos dos quais o professor poderá lançar mão para criar uma atmosfera favorável ao ato de ler e que será primordial para promover a interação do leitor com o texto. Para cada obra foram executadas atividades de estímulos que consiste em apresentar, de forma geral, elementos que compõem a obra, como espaço, tempo, personagens, aguçando, assim, a curiosidade e despertando o interesse do aluno em ler a história. Durante a execução das atividades foram utilizadas a sala de multimídia, a biblioteca escolar e a confecção de material xerocopiado para os alunos. De um modo geral, os alunos se mostraram muito animados com as atividades dessa etapa, participando com mais entusiasmo quando uma obra lhes chamava mais atenção, ora pelas imagens apresentadas ora pelo tema abordado. As predições foram estimuladas por serem de grande valia nessa etapa, a cada imagem apresentada, os alunos utilizavam seus conhecimentos de mundo e suas 59 vivências como forma de estabelecer pontes para a compreensão das imagens e para o levantamento de hipóteses de leitura. De acordo com Aguiar e Bordini (1993, p.27) “ler é imergir num universo imaginário, gratuito, mas organizado, carregado de pistas as quais o leitor vai assumir o compromisso de seguir, se quiser levar sua leitura, isto é, seu jogo literário a termo.” As autoras destacam, ainda, que “o ato de ler pode ser duplamente gratificante”, uma vez que pode ser oriundo da experiência com aquilo que já se conhece ou do contato com o novo, o desconhecido. O primeiro é cômodo, o segundo promove novas descobertas, caminhos diferentes e ambos colaboram para uma boa leitura. O professor será o mediador para as predições, conhecendo o texto, ele oferecerá as pistas, imagens e informações necessárias para o levantamento de hipóteses a serem elaboradas pelos alunos leitores (KLEIMAN, 2002). No decorrer das aulas destinadas a essa etapa, os alunos foram aprimorando sua capacidade de observação e de interação com os textos e imagens apresentadas. Observamos que alguns alunos ainda demonstravam dificuldades em reconhecer imagens presentes no universo literário e constatamos que esses alunos tiveram até então um contato muito pequeno com livros literários e até mesmo com filmes, produções artísticas baseadas em textos literários. Uma boa notícia é que, ao entrarem em contato com as imagens, textos e a participação do grupo de alunos puderam interagir e adquirirem novos conhecimentos, como por exemplo, as imagens sobre o livro A vida secreta de Merlim. Foi um momento em que alguns alunos relataram não conhecerem a espada Excalibur, o Rei Artur e outros personagens mencionados em muitas histórias ao longo do tempo. O estímulo é uma etapa a ser considerada como a chave para o sucesso da atividade leitora, conforme expõe Kleiman (2002, p.16): “ninguém gosta de fazer aquilo que é difícil demais, nem aquilo do qual não consegue extrair o sentido, para uma grande maioria dos alunos, ler é uma tarefa difícil, justamente por ser uma tarefa que não lhe faz sentido.” Ao final das aulas destinadas às atividades de estímulo alguns alunos manifestaram interesse em ler várias obras apresentadas nessa etapa. É pertinente lembrar que a BNCC na habilidade (EF69LP49) pretende que o aluno se mostre interessado e envolvido pela leitura do texto literário. 60 Dando continuidade a essa etapa, foi realizado um sorteio para que cada grupo, formado de três componentes, recebesse um número correspondente a um Estímulo. De posse do número e sabendo a qual estímulo ele correspondia, os grupos reunidos na biblioteca e com as informações obtidas sobre a obra, se dirigiram a uma mesa previamente preparada com os livros que seriam utilizados no projeto, para conhecerem a obra a ser lida pelo grupo. Ao receberem os livros, os alunos se mostraram eufóricos e ansiosos em começar a leitura, apenas um aluno relatou que não havia gostado do livro e ao ser indagado pela professora, disse que não havia gostado da capa do livro. Após uma conversa com o grupo desse aluno, ficou acertado que primeiramente seria necessário que lessem o livro. No entanto, se após a leitura, o grupo chegasse à conclusão que a obra realmente não os atrairia, fariam suas observações acerca da obra e se ainda não se sentissem a vontade para executar as atividades propostas, poderiam ler outra obra das apresentadas na etapa do estímulo. Corroborando a ideia de que o leitor precisa se sentir atraído e à vontade para a leitura de uma obra, as autoras Aguiar e Bordini (1993, p.42), explicam que “se o modelo almejado é o leitor crítico, capaz de discriminar intenções e assumir atitudes ante o texto com independência, a primeira providência é sondar as necessidades dos estudantes.” Foram utilizadas até esse momento 08 aulas. 61 Foto 3 - Alunos recebendo os livros na biblioteca Fonte: arquivo pessoal. Os alunos iniciaram a leitura na biblioteca e levaram os livros para continuarem a leitura em casa. Foi estabelecido então, um prazo de 10 dias para a leitura das obras, sendo que os alunos poderiam solicitar o atendimento do professor a qualquer momento que sentissem necessidade. Foto 4 - Alunos iniciando a leitura das obras Fonte: arquivo pessoal. 62 4.1.3. Etapa II- Leitura De acordo com o círculo hermenêutico é o primeiro momento em que o leitor entra realmente em contato com a história e seus personagens, confirmando ou descartando as suposições feitas na etapa anterior e ao avançar na leitura reconhece o livro como um objeto de prazer. Nessa etapa o interesse e a capacidade de interpretação aumentam. Segundo Coscarelli (2018), ao optar pela leitura de determinado texto, o leitor prevê, supõe informações e levanta hipóteses desejando confrontá-las ao longo dessa leitura. Quadro 2 – Atividades para a etapa da leitura MÓDULO II – ETAPA DA LEITURA Objetivos: -Identificar se os alunos, ao longo da leitura, conseguiram compreender a história narrada e os elementos que a compõem. - Promover um momento para que toda a classe compartilhe as leituras das obras com os colegas. Aplicação: Como sistematização dessa etapa, cada grupo produziu um resumo da obra lida, omitindo o desfecho da história. Todos os alunos receberam uma cópia do resumo que foi apresentado por um representante de cada grupo. Cada aluno construiu um paperblog, caderno de registro contendo: o nome da obra, uma foto da capa do livro, o resumo da obra feito pelo grupo e cada aluno criou um final para a história. Na sequência, o grupo apresentou o desfecho da obra dado pelo autor, assim, os alunos finalizaram com um comentário escrito sobre a obra, que procuraram responder a indagações como: Quais sentimentos a história suscitou? Quais as sensações experimentadas? Que relação foi possível fazer com a realidade? Tempo de duração: 8 aulas Recurso utilizado: Folhas xerocopiadas, paperblog(caderno de registros). Fonte: elaborado para fins desta pesquisa. 63 4.1.4. Análise da Etapa II- Leitura: Construindo o Paperblog Iniciamos a etapa de reflexão sobre a leitura das obras, distribuindo o caderno de registro- Paperblog. De posse de seu caderno, cada aluno recebeu os resumos das obras feitos pelos colegas, a partir daí um aluno da classe fez a leitura do resumo, que ainda não apresentava o desfecho da história. Os alunos, com exceção dos que leram aquela obra, criavam um desfecho possível para a história e logo após socializavam seus escritos. Após a leitura de seus desfechos, o grupo que havia lido a obra, apresentava o desfecho do autor. Os alunos então criavam um condensado da apresentação do grupo, logo em seguida escreviam um breve comentário sobre a obra, indicando as sensações que experimentaram ao entrar em contato com os textos. Também falaram sobre que conexões conseguiram fazer com a realidade e relataram se seria uma obra que gostariam de ler ou indicariam para alguém. Lembrando que todas essas etapas foram registradas no paperblog. A etapa foi desenvolvida na biblioteca com a colaboração do PUB, momento em que os alunos se mostraram muito ativos e se manifestavam sobre todos os livros apresentados. Constatamos que a maioria dos grupos conseguiu alcançar um nível de compreensão satisfatório da obra, apenas dois grupos sentiram dificuldades em responder as perguntas dos colegas sobre a obra lida, mesmo tendo realizado leitura da obra, esses dois grupos tiveram dificuldades em relatar aos colegas, fatos importantes citados na obra. Acreditamos que essa dificuldade se deve ao fato de terem realizado uma leitura pouco eficiente, visto que, já no estímulo apresentaram também dificuldades em levantar hipóteses, envolvendo-se pouco nas atividades de estímulo à leitura. O período gasto para a execução dessa etapa foi de 08 aulas. Ao fim dessa etapa os alunos foram presenteados pelo Secretário da Educação da cidade de Dom Cavati com uma camisa em apoio ao projeto. 64 Foto 5 – Aluno recebendo a camisa do projeto Fonte: arquivo pessoal. 4.1.5. Análise do paperblog De uma maneira geral, consideramos muito bom o resultado do registro feito pelos alunos. Como essa parte da etapa é construída individualmente, pudemos perceber que houve uma boa interação dos alunos. Durante a leitura do resumo feito pelos grupos, os alunos estavam atentos e interessados e propunham seus próprios desfechos, baseando-se em seus conhecimentos e nas dicas ou pistas deixadas nos resumos. Em seguida, após ouvirem o desfecho dos autores, também faziam uma síntese do que o grupo apresentava. Nesse momento, por algumas vezes, foi necessária a interferência do professor para ajudá-los a compreender os elementos apontados nos resumos (conflito/complicação) e as soluções, confirmações ou não das hipóteses de leitura levantadas na etapa do estímulo. Esse realmente foi o desafio da etapa, pois alguns alunos demonstraram dificuldades em estabelecer links com a etapa anterior e houve a necessidade de recordar algumas colocações 65 feitas por eles e já esquecidas. Porém, ao serem confrontados com as hipóteses levantadas no estímulo e confirmadas ou não no desfecho, conseguiam ter uma visão mais clara do que a obra propunha, e muitos alunos expunham seus conhecimentos de mundo ao proporem seus desfechos. Os comentários eram baseados no que conseguiam perceber de real no imaginário. Percebemos, então, que nesse momento os alunos alcançaram a habilidade (EF69LP44), prevista na BNCC (2018, p.155) em que o aluno é capaz de “inferir a presença de valores sociais, culturais e humanos e de diferentes visões de mundo, em textos literários”. A parte dos comentários dependeu muito do poder de abstração dos alunos, por não terem lido a obra, apresentaram suas opiniões baseadas em predições. Nas impressões que tiveram ao lerem o resumo elaborado pelos grupos, na exposição dos desfechos dos autores e nas hipóteses elencadas na etapa do estímulo. Aguiar (1993, p.14), destaca que “ao ler o texto o leitor deixa sua realidade momentânea, e passa a viver, imaginativamente, todas as vicissitudes das personagens da ficção. Dessa forma, aceita o mundo criado como um mundo possível para si.” Ao finalizarmos essa etapa algumas obras sobressaíram na preferência dos alunos como: A bolsa amarela (Lygia Bojunga); Operação Buraco de Minhoca (Laura Bergallo); A marca de uma lágrima (Pedro Bandeira); Meu primeiro beijo (Walcyr Carrasco). Esses foram os livros que os alunos manifestaram um maior interesse em ler, mencionando esse desejo nos comentários sobre a obra. Acreditamos que, tanto as atividades de estímulo quanto as atividades de leitura, promoveram uma maior interação dos alunos com as obras. Porém, um fator nos chamou a atenção, algumas obras, por estarem mais próximas do universo, das expectativas dos alunos e de suas vivências, apresentaram um maior envolvimento e interesse da maioria, como é o caso dos livros citados anteriormente. Dell’Isola (2018), preconiza que o professor deve estimular as predições e levantamento de hipóteses com base nas experiências vivenciadas pelos alunos, confrontar essas hipóteses, constituindo habilidades a serem instigadas e ensinadas, a fim de que os alunos desenvolvam uma compreensão mais efetiva do texto. É nessa visão das inúmeras possibilidades que a leitura literária oferece é que nos destaca Aguiar (1993): 66 A riqueza polissêmica da literatura é um campo de plena liberdade para o leitor, o que não ocorre em outros textos. Daí provém o próprio prazer da leitura, uma vez que ele mobiliza mais intensa e inteiramente a consciência do leitor, sem obrigá-lo a manter-se nas amarras do cotidiano (AGUIAR, 1993, p.15). Aguiar (1993) afirma, ainda, que para se promover o trabalho com a literatura é preciso estar atento ao que desperta a curiosidade do leitor, ao que lhe propõe novas possibilidades, ao que provoca questionamentos e favoreça uma análise crítica da realidade mantendo o prazer e a diversão. As anotações, comentários e resumos realizados na etapa II, nos possibilitaram observar a capacidade dos alunos de organizar as informações oferecidas ao longo das apresentações dos grupos. A maneira como resumiam o texto, como percebiam características próprias da linguagem literária, o cuidado com as palavras, os elementos da narrativa, tudo isso dependia de um esforço para a escrita. Nesse momento, pediam a ajuda da professora, dos colegas e o ato de escrever lhes parecia mais leve. Nesse sentido, declara Aguiar (1993): Alguns princípios básicos norteiam o ensino de literatura: o atendimento aos interesses do leitor, a provocação de novos interesses que lhe agucem o censo crítico e a preservação do caráter lúdico do jogo literário (AGUIAR, 1993, p.28). Foto 6 - Alunos fazendo registros no paperblog Fonte: arquivo pessoal. 67 4.1.6. Etapa III- Reflexão sobre a leitura O segundo momento do círculo hermenêutico consiste na interpretação propriamente dita, está relacionada ao envolvimento do leitor com a obra, em que, de maneira espontânea estabelece relações do tema com o mundo que o cerca e o mundo do texto. Cademartori (2009, p. 50) afirma que “a obra literária deixa vazios por onde podemos ingressar com nossa imaginação, nossa experiência, nossa capacidade para completar e refazer o narrado.” A autora também declara que o professor ofertará um outro nível de relacionamento dos alunos com o texto literário, quando instigá-los a descobrir no texto, a sua própria voz. Ainda sobre a obra literária Cademartori (2009) afirma: A operação de leitura literária, por sua vez, é também inacabada, como sabe qualquer um que, tenha lido um livro em certa época, voltar a lê-lo em outra. Verá que a leitura já não é a mesma, porque já não é o mesmo o sujeito que lê. As vivências, que teve depois daquela primeira leitura, interferem no texto de tal modo que podem modificar a experiência, inclusive o fato de ter gostado ou não do que inicialmente leu (CADEMARTORI, 2009, p.50). Quadro 3 – Atividades sobre a reflexão sobre a leitura MÓDULO III – ETAPA DA REFLEXÃO SOBRE A LEITURA Objetivos: Estimular reflexões sobre a obra e o contexto em que ela acontece, promovendo a interação dos alunos e buscando confrontar ficção e realidade. APLICAÇÃO: Nessa fase, cada grupo relacionou os acontecimentos vividos pelas personagens e os desafios enfrentados aos problemas vivenciados no dia a dia. Como registro dessa etapa, cada grupo produziu um mural “Ficção x Realidade”, quando, foram escolhidos dois ou três acontecimentos da obra para serem relacionados aos fatos atuais, buscando em jornais, revistas, outros textos, fotos, internet elementos que (conversassem) dialogassem com a obra. Os murais foram expostos ao longo do ambiente escolar e puderam ser visualizados por toda a comunidade. Vale ressaltar que ao longo das atividades os alunos receberam atendimento na biblioteca em outro horário, de acordo com a necessidade do grupo. 68 Tempo de duração: 3 aulas Recurso utilizado: Computadores, internet jornais, revistas, livros para recortes e material diversificado (papéis). Fonte: elaborado para fins desta pesquisa. 4.1.7. Análise da Etapa III- Reflexão sobre a leitura: Ficção x Realidade A etapa III foi vivenciada pelos alunos por meio da atividade de confecção de um mural que foi realizado por cada grupo e que consistiu na apresentação de um cartaz organizado da seguinte forma: de um lado, gravuras, fotos, colagens, imagens que retratavam os acontecimentos e aventuras vividas pelas personagens ao longo da história, bem como, as impressões deixadas por tais personagens. Ao lado dessas imagens, o grupo registrou, por meio de outros textos: notícias, reportagens, artigos de opinião, documentos históricos, cartas, músicas, relatos, entrevistas, enfim, textos da vida real que se aproximavam da temática abordada pela obra lida, que faziam referências às histórias vividas pelas personagens ou que aproveitavam os dilemas, as experiências vivenciadas para serem relacionadas aos existentes na sociedade. Essa atividade buscou contemplar a habilidade (EF89LP32) da BNCC (2018): Analisar os efeitos de sentido decorrentes do uso de mecanismos de intertextualidade (referências, alusões, retomadas) entre os textos literários, entre esses textos literários e outras manifestações artísticas (cinema, teatro, artes visuais e midiáticas, música), q33uanto aos temas, personagens, estilos, autores etc., e entre o texto original e paródias, paráfrases, pastiches, trailer honesto, vídeos-minuto, vidding, dentre outros (BRASIL, 2018, p.185). Ressaltamos aqui a necessidade de apresentar a literatura como, segundo Cunha (2002, p.14), “uma das experiências mais ricas que alguém pode viver”. E é por isso que o professor deve criar estratégias para apresentar a literatura ou o texto literário como uma fonte inesgotável do saber, o encontro de dois mundos, o real e o imaginário, o que nos possibilita múltiplas possibilidades de confronto com a realidade. Para a construção dos cartazes e a exposição dos trabalhos dos alunos, utilizamos quatro aulas e alguns encontros em horários diversos para a orientação 69 da confecção, pesquisa e montagem dos murais, que foram reunidos em uma exposição no saguão da escola. Todos os alunos e a comunidade escolar puderam apreciar o trabalho dos grupos e, assim, conhecerem um pouco sobre os livros lidos, propiciando um futuro interesse dos outros alunos da escola pela leitura dessas obras. Aguiar e Bordini destacam: A atividade do leitor de literatura se exprime pela construção a partir da linguagem, de todo o universo simbólico que as palavras encerram e que pela concretização desse universo com base nas vivências pessoais do sujeito. A literatura, desse modo, se torna uma reserva de vida paralela, onde o leitor encontra o que não pode ou não sabe experimentar na realidade (AGUIAR; BORDINI, 1993, p.15). Constatamos que os alunos, em geral, se valeram da intertextualidade para encontrar textos que se referiam, de alguma forma, às histórias lidas pelos grupos, ou que apresentavam elementos semelhantes. Observamos, também, que, apesar de ainda demonstrarem-se meio inseguros ao relacionarem a história que leram aos acontecimentos da vida real, muitos alunos estabeleciam links com a realidade. Isso ocorria ao procurarem outros tipos de textos (notícias, reportagens, músicas, cartas) que retratavam fatos do dia a dia mencionados nas obras lidas. Tomamos, por exemplo, nessa etapa, o trabalho com a obra, A vida secreta de Merlim em que o grupo toma por base o triângulo amoroso existente na trama e relacionam a uma notícia vinculada a um jornal online. A notícia era sobre um homem que, após descobrir que foi traído por sua esposa e o melhor amigo, se joga de um viaduto. Momento em que muitos se manifestaram dizendo que não concordavam com a atitude do homem, outros alunos viram naquela atitude, uma saída para o sofrimento e outros diziam que ele deveria ter feito como o personagem da história que acabou aprisionando a rainha, ao descobrir sua traição. Outro exemplo é o do grupo que, ao ler a obra Operação Buraco de Minhoca, apresentou em seu cartaz notícias sobre as novas descobertas da Nasa sobre o planeta,com potencial zona habitável.O tema discutido na obra era: um senhor rico e cientista respeitado, planeja uma viagem para outro planeta, com o intuito de salvar a raça humana da eminente destruição. Todos os grupos procuraram relacionar elementos da história com fatos do cotidiano, com maior ou menor proximidade. Os alunos apresentaram boas reflexões sobre as obras, sendo importante relatar que, ao longo das aulas destinadas à etapa da leitura, os questionamentos levantados sobre as histórias permitiam importantes 70 interações entre os alunos, já como preparação para a reflexão propriamente dita. A etapa aqui relatada vai ao encontro do que nos afirmam os PCN: Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê; que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos; que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já lidos; que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto; que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos (BRASIL,1998,p.41). Foto 7 - Mural 1- A vida secreta de Merlim Fonte: arquivo pessoal. Foto 8 - Mural 2 - Operação Buraco de Minhoca Fonte: arquivo pessoal. 71 Foto 9 - Mural 3 – A vontade dos cometas Fonte: arquivo pessoal. Foto 10 - Mural 4 – A fera em mim Fonte: arquivo pessoal. 72 Foto 11 - Mural 5 – Meu primeiro beijo Fonte: arquivo pessoal. Foto 12 - Mural 6 – A ilha das borboletas azuis Fonte: arquivo pessoal. 73 Foto 13 - Mural 7 – O mistério da fábrica de livros Fonte: arquivo pessoal. Foto 14 - Mural 8 – Órfãos do Silêncio Fonte: arquivo pessoal. 74 Foto 15 - Mural 9 – A bolsa amarela Fonte: arquivo pessoal. Foto 16 - Mural 10 – A marca de uma lágrima Fonte: arquivo pessoal. 75 4.1.8. Etapa IV- Atividade criativa O terceiro e o último momento do círculo hermenêutico, trata-se da apropriação do texto que acontecerá quando o leitor fizer a releitura da obra literária, assimilando significados, ampliando seus conhecimentos sobre si e o mundo à sua volta. Nessa etapa, podemos nos referir aos níveis de leitura defendidos por Chiaretto (2013). Segundo o autor, após a leitura, o leitor analisa, discute e se posiciona criticamente sobre o texto. Quadro 4 – Atividade Criativa MÓDULO IV – ETAPA DA ATIVIDADE CRIATIVA Objetivos: Estimular a criatividade dos alunos em expressar suas contribuições para o conhecimento, seus anseios e suas inquietações, sua percepção do mundo. APLICAÇÃO: Foi o momento em que cada grupo realizou a releitura da obra, assimilando e criando, com base no que compreendeu e interpretou, nos pontos positivos e negativos do texto, implicações na vida real e possíveis semelhanças, ampliando o conhecimento do mundo e de si mesmo. Os grupos escolheram formas criativas para vivenciar essa etapa e produziram imagens em movimento na mídia digital. Tais como peças teatrais apresentadas na escola ou gravadas em celular, monólogo da personagem principal que se apresenta e dialoga com o público, vídeos relacionando a obra lida a temas atuais. A atividade escolhida pelo grupo buscou explorar aspectos da obra, a representação plástica dos cenários, realizando inferências, diálogos com a realidade, articulando e produzindo sentidos. Tempo de duração: 4 aulas Recurso utilizado: sala de Informática, apoio humano (voluntários da comunidade), material diversificado. Fonte: elaborado para fins desta pesquisa. 76 4.1.9. Análise da Etapa IV- Atividade Criativa: Releitura e apropriação do texto A quarta etapa do projeto relatado neste trabalho teve início logo após a montagem dos murais sobre a reflexão da obra. Cada grupo se reuniu novamente na biblioteca e, com algumas sugestões e orientações dadas pela professora que falou com os alunos da necessidade de utilizarem as novas tecnologias para irem se familiarizando com os recursos midiáticos e suas formas de aplicação. Enfim, de como seria algo diferente e desafiador para eles, sendo também um avanço aprender a lidar com essas ferramentas. Partindo daí e seguindo as suas próprias impressões da história, definiram qual a maneira que utilizariam para apresentar a obra lida. Vale ressaltar que, ao longo dessa etapa, algumas opções de apresentação, escolhidas no primeiro momento, foram descartadas por não atingirem as expectativas dos alunos. Alguns grupos tiveram dificuldades em definir qual tecnologia utilizar e ainda outros, encontraram dificuldades em manipular algumas ferramentas midiáticas que haviam escolhido. Apesar das adversidades, todos os grupos conseguiram fazer a releitura da obra e apresentaram para a turma suas criações, baseadas nas histórias que leram. Aguiar (1993, p. 26) aponta que “as atividades lúdicas vão ao encontro dos interesses da criança e do jovem, que têm no jogo o exercício simbólico das práticas sociais e dos sentimentos humanos.” Grupo I – Os alunos escolheram como forma de apresentação da obra A marca de uma lágrima do escritor Pedro Bandeira, a produção de um painel com imagens que representariam os acontecimentos vividos pela personagem principal ao longo da história. Usaram como suporte um tutorial na internet que orientava como criar um efeito de movimento em fotos. Utilizando imagens do mundo moderno, os alunos montaram uma apresentação em PowerPoint em que a foto central do painel, representando a personagem principal da história reproduzia o efeito de uma lágrima escorrendo pelo rosto. De acordo com o grupo, o efeito tinha o objetivo de chamar a atenção para os momentos de angústia e as dificuldades enfrentadas pela personagem em sua trajetória. A atividade chamou muito a atenção dos alunos que faziam comentários acerca das etapas anteriores buscando comprovação nas imagens apresentadas pelo grupo. 77 Foto 17 - Apresentação de imagem em movimento Fonte: produzido pelo grupo de alunos em https://plotaverseapps.com. Grupo II – Sobre a obra O mistério da fábrica de livros também de autoria de Pedro Bandeira, o grupo optou por apresentar um resumo da história por meio de uma apresentação de fantoches. Os fantoches representavam as personagens da história ressaltando os diálogos entre a personagem principal, seu namoradinho e a irmã dele, confundida na trama como uma rival da protagonista. O grupo confeccionou o material para a apresentação e explorou as características e imagens descritas no livro. Os alunos assistiram à encenação com entusiasmo. Ressaltamos que, ao realizarem as atividades desta etapa, alguns alunos contemplaram uma das habilidades (EF69LP50) previstas na BNCC: Elaborar texto teatral, a partir da adaptação de romances, contos, mitos, narrativas de enigma e de aventura, novelas, biografias romanceadas, crônicas, dentre outros, indicando as rubricas para caracterização do cenário, do espaço, do tempo; explicitando a caracterização física e psicológica dos personagens e dos seus modos de ação; reconfigurando a inserção do discurso direto e dos tipos de narrador; explicitando as marcas de variação linguística (dialetos, registros e jargões) e retextualizando o tratamento da temática (BRASIL, 2018, p.157). 78 Foto 18 - Apresentação de fantoches Fonte: produzido pelo grupo de alunos. Grupo III– Para a obra A vida secreta de Merlim de Heloísa Prieto, o grupo recontou a história, em forma de quadrinhos, utilizando ferramentas midiáticas e tutoriais na internet, fizeram a adaptação da história para quadrinhos destacando os principais acontecimentos da história. Eles optaram por não apresentar um final, deixando que cada um faça sua reflexão e imagine a solução para o conflito vivido pelas personagens no enredo. A atividade foi apresentada no PowerPoint e contou com a participação de todos os alunos que fizeram observações sobre a dificuldade de recriar as personagens, uma vez que o livro não trazia ilustrações. Foto 19 - Adaptação para quadrinhos Fonte: produzido pelo grupo de alunos em: https://www.pixton.com/br/. Grupo IV– Sobre a obra A ilha das borboletas azuis de Carlos de Marigny, o grupo construiu uma televisão manual que continha imagens que representavam as 79 cenas mais marcantes da história, de acordo com as impressões do grupo. Todo o material foi confeccionado manualmente pelos alunos, utilizando material reciclável, papéis coloridos e lápis de cor. Durante a apresentação, o grupo girava uma espécie de manivela e, à medida que as imagens iam aparecendo, uma das alunas narrava o acontecimento. Ao longo das etapas anteriores, o livro não alcançou muito interesse por parte dos alunos dos demais grupos, porém, observamos que na atividade criativa o grupo conseguiu esclarecer melhor os acontecimentos da trama. Foto 20 - Apresentação TV manual Fonte: produzido pelo grupo. Grupo V – Os alunos desse grupo escolheram a produção de quadrinhos para a releitura da obra Operação buraco de minhoca de Laura Bergallo. O grupo utilizou tutoriais na internet para recontar a história, tendo como foco principal a viagem interplanetária feita pelas personagens da obra em busca de um novo planeta e de soluções para salvar o planeta Terra. Durante a apresentação dos quadrinhos o grupo relatou as dificuldades que enfrentou para a realização do trabalho, uma vez que a inexperiência com o uso da ferramenta midiática lhes exigiu um esforço maior para a construção dos quadrinhos. Ao longo da apresentação o grupo resgatava informações apresentadas na etapa anterior e todos os alunos interagiam comentando as imagens construídas pelo grupo. 80 Foto 21 – Adaptação para Quadrinhos (HQ) Fonte: produzidos pelo grupo em: https://www.pixton.com/br/. Grupo VI – Para a obra A bolsa amarela de Lygia Bojunga, o grupo fez uma releitura a partir do conflito vivido pela protagonista da história, seus sonhos, medos e dúvidas por meio de um teatro mudo, em que os integrantes do grupo apresentaram o encontro da personagem com seu próprio eu. Ao final da apresentação, um dos integrantes leu o poema A pedra, de Antônio Pereira, que, de acordo com o grupo, resumia a mensagem deixada pelo livro: que devemos sempre acreditar em nossos sonhos, que as pedras pelo caminho sempre existirão.O que realmente importa é a nossa força de vontade e que cada um lida com os obstáculos de uma forma, mas o segredo é fazer deles um impulso, uma forma de crescer, melhorar como pessoa e realizar nossos sonhos. A atividade foi muito comentada pelos alunos que interagiram com as personagens ao longo da peça e fizeram colocações a respeito de suas vidas, de suas dificuldades e de seus sonhos. 81 Foto 22 – Apresentação da Peça teatral – A bolsa Amarela Fonte: peça teatral produzida pelo grupo. A pedra O distraído, nela tropeçou, o bruto a usou como projétil, o empreendedor, usando-a construiu, o campônio, cansado da lida, dela fez assento. Para os meninos foi brinquedo, Drummond a poetizou, Davi matou Golias... Por fim; o artista concebeu a mais bela escultura. Em todos os casos, a diferença não era a pedra. Mas o homem. Antonio Pereira (Apon) Fonte: https://www.pensador.com/frase/MjAwMjk/. Grupo VII– Como estratégia de apresentação da obra Órfãos do Silêncio de Luiz Galdino, o grupo optou por recriar uma nova capa para o livro, seguindo as impressões absorvidas no decorrer da leitura. No momento do sorteio das obras, ainda na primeira etapa, ao serem apresentados ao livro, o grupo reclamou da capa do livro e um dos componentes pediu que trocássemos o livro, pois acreditava que a história não seria boa, porque a capa era feia, segundo ele. Após uma conversa com o grupo, eles aceitaram ler a obra e ao longo das etapas desenvolvidas se mostraram satisfeitos com a leitura. Utilizaram uma ferramenta na internet para criar 82 uma nova proposta de capa para o livro. Alguns dos elementos que aparecem na nova capa do livro foram utilizados, segundo os alunos, para retratar o momento de tristeza e solidão da personagem, a cabeça baixa, o chão coberto de folhas secas, na visão dos alunos, representava a falta de cor, de brilho na vida de Tatá. A turma aplaudiu e, por unanimidade, concordaram que o livro com a nova capa, seria muito mais atraente. Foto 23 - Capas do livro Capa original do livro Capa produzida pelos alunos do grupo Fonte: arquivo pessoal. Fonte: produzido em:https://www.canva.com/pt_br/criar/cartaz/ Grupo VIII– A releitura da obra Meu primeiro beijo, de Walcyr Carrasco, foi realizada pelo grupo a partir da gravação de um vídeo em que o grupo, simula a apresentação de um canal ou blog onde uma das alunas apresenta a história como uma youtuber. Ela narra aventuras vividas pela protagonista da história, suas inquietações e indecisões em busca do tão sonhado, primeiro beijo. O grupo utilizou fatos narrados no livro e coisas que as adolescentes vivenciam no dia a dia, as divergências de opiniões com os pais, nesse caso a mãe, os momentos de agitação, ansiedade e descobertas, que experimentam a todo o tempo. As cenas foram gravadas pelo celular e apresentada para os colegas, em forma de vídeo. Como em 83 uma narração do diário de uma adolescente a personagem agitou a plateia com seu depoimento bem humorado e atual sobre o assunto. Foto 24 – Foto da apresentação do vídeo produzido pelo grupo Fonte: arquivo pessoal. Grupo IX– Como atividade criativa para apresentar a obra: A fera em mim, de Serena Valentino, o grupo decidiu fazer a releitura de um dos capítulos do livro, utilizando uma ferramenta midiática para a confecção de quadrinhos e apresentaram o capítulo intitulado O pedido. Uma das particularidades mais comentadas pelos alunos ao assistirem a apresentação foi o fato de o grupo conseguir dar movimentos aos personagens da história. Foto 25 – Produção de Quadrinhos Fonte: produzido pelo grupo em: https://www.storyboardthat.com/pt. Grupo X– Para a obra A vontade dos cometas de Luiz Antônio Aguiar, o grupo apresentou dificuldades para a releitura da obra: não conseguiam encontrar 84 uma maneira de apresentar a história lida para os colegas, reclamavam de não se lembrarem dos fatos, de não terem entendido direito e de não se sentirem capazes de fazer. Acreditamos que os integrantes do grupo tiveram dificuldade em entender a história e por demonstrarem um maior distanciamento da prática da leitura, necessitaram de várias intervenções por parte da professora, ao longo da execução de todas as etapas propostas. Após algumas tentativas frustradas do grupo em criar uma peça ou organizar uma entrevista com idosos da cidade ou ainda outras sugestões que surgiram, por parte da professora executante da pesquisa, da professora do uso da biblioteca e de alguns colegas, sob a orientação da professora pesquisadora, os alunos decidiram construir uma linha do tempo sobre a vida do avô de um dos componentes do grupo, visto que, o livro trata do drama de um avô ao ter que contar para o neto que está doente e que logo partirá. Com a ajuda de alguns colegas, o grupo também produziu um cartaz de divulgação do livro, como se tivesse sido transformado em um filme. A atividade foi apresentada no PowerPoint, o grupo fez uma breve explicação das imagens e o que elas representavam. Os outros grupos assistiram a apresentação e muitos relataram curiosidade em ler a obra. Foto 26 – Linha do tempo Fonte: elaborado pelo grupo. 85 Foto 27 – Cartaz de apresentação do livro produzido pelo grupo. Fonte: elaborado pelo grupo em:https://www.canva.com/pt_br/criar/cartaz/. A etapa da atividade criativa proporcionou momentos de muitas descobertas, os alunos se reuniram na biblioteca para discutirem como poderiam apresentar a obra e quais seriam os recursos que utilizariam nessa produção. Destacamos a seguir, três momentos diferentes que os alunos vivenciaram no decorrer dessa etapa. (I) Momento da Produção Ao longo das conversas, por várias vezes, os alunos voltavam aos livros para confirmarem fatos, informações sobre cenário, características das personagens e outros elementos que compunham a história. Todos os grupos, de uma forma ou de outra, pediam sugestões e orientações de como poderiam produzir suas atividades. Como o período das aulas não era o suficiente para a produção e os recursos utilizados como internet e computadores não estavam à disposição de todos os alunos, orientamos grupos em horários extras, utilizando redes sociais como Facebook e WattsApp e, durante as aulas, íamos acertando os detalhes. Os trabalhos foram realizados durante um período de quinze dias, os alunos tiveram ajuda da família, de pessoas conhecidas que contribuíram com 86 conhecimentos de informática e uso de mídias. Porém, a maioria dos alunos relatou que utilizaram tutoriais na internet e, após várias tentativas, conseguiram produzir suas recriações. Um fato que nos chamou a atenção é que mesmo quando o grupo apresentava suas versões da atividade e apontávamos alguns erros ortográficos, de formatação ou outros ajustes, eles não reclamavam de ter que fazer a reescrita, algo muito comum nas atividades de produções de textos que propomos frequentemente em sala de aula. O ato de recriar algo a partir do que se leu é uma experiência única, o prazer em fazer algo que represente ou expresse as sensações e as impressões que uma história pode nos causar é realmente singular. Cunha (2002, p.10) explica que “a escola é uma das últimas, se não a última oportunidade que têm a criança e o jovem de entrar em contato sistemático com a leitura”, principalmente a dos textos literários, proporcionando o letramento do cidadão que se desenvolve ao longo de sua experiência com a leitura. É da escola o papel de favorecer o contato do aluno com o texto literário, pois é esse o único espaço dessa prática para a maior parcela da população. Foto 28 - Preparando Atividade Criativa Fonte: arquivo pessoal (II) Momento da troca de ideias 87 No decorrer das apresentações das atividades dessa etapa, os grupos exploraram diferentes elementos da história, dando ênfase, ora aos personagens, ora ao cenário. Alguns grupos conseguiram relacionar o tema e o enredo aos fatos vivenciados no dia a dia, outros conheceram experiências até então alheias às suas realidades. Acreditamos que ler uma obra literária nos permite além da leitura, poder fazer algo com o que lemos sem que isso prejudique a essência da obra. Destacamos que a habilidade (EF67LP30) prevista na BNCC (2018) de criar outras narrativas ficcionais com base na leitura de uma obra foi contemplada nesta atividade. Nossa pesquisa nos permitiu perceber ao longo de todas as etapas, o envolvimento dos alunos com o texto, mesmo necessitando de recorrerem outras vezes ao livro em busca de comprovações para as suas indagações, isso não lhes parecia algo cansativo ou desnecessário. Observamos a disposição com que o faziam e como se sentiam mais confiantes ao relatarem fatos da história lida. Cremos que a literatura é sim, para ser lida, mas também revivida, representada ou recriada das mais diferentes formas, pois como a nossa experiência com a leitura é única e cada leitor realiza ou cria suas próprias imagens do texto, muitas são as possibilidades de representá-la. Lembremo-nos de que Ricoeur apregoa que para que se alcance a compreensão do texto é de fundamental importância que esse leitor tenha consciência de seu próprio mundo e do mundo que o cerca, para assim, realizar a interpretação de fato. Entendemos que a leitura literária, como descreve Ricoeur, abre um caminho mais propício para a descoberta do próprio eu e de como esse ser se apresenta ou se envolve na sociedade. (III) Momento da Recepção Ao longo das apresentações dos grupos toda a turma estava envolvida e participavam fazendo comentários, relacionando fatos do cotidiano e muitas vezes vivenciados por eles mesmos ou por pessoas próximas. Algumas obras favoreceram debates mais empolgados, como é o caso de “Operação buraco de minhoca”, “Meu primeiro beijo”, “A marca de uma lágrima”, “Órfãos do silêncio” e “A bolsa amarela”, obras que exploram o universo real buscando na ficção estratégias para mudar a 88 realidade. Os alunos relatavam acontecimentos da história e buscavam confrontá-los com a realidade. Após as apresentações, alguns alunos procuravam a biblioteca, a fim de tomarem emprestados os livros lidos por outros grupos. Assim, ao longo das atividades criativas, aqueles que por ventura haviam lido o livro também, apresentavam outras possibilidades de reconto ou recriação para a obra. Aguiar (2001) explica que Toda proposta de ensino deve começar estabelecendo um método que ajude a organizar a aprendizagem. Qualquer atividade humana, seja ela a mais simples, seja a mais complexa, precisa estar estruturada a partir de uma metodologia que oriente as etapas a serem vencidas, a fim de que sejam obtidos os resultados esperados. Também no processo de ensino de literatura e formação de leitores precisamos construir um método, um roteiro de trabalho (AGUIAR, 2001, p. 146). A pesquisa nos possibilitou observar que a metodologia de ensino aqui apresentada vem comprovar, como nos revela Aguiar (2001), que o trabalho com leitura literária, deve seguir um método que oriente etapas e ações de promoção da literatura e do conhecimento. Os alunos percorreram todas as etapas propostas nessa metodologia e alcançaram resultados muito relevantes, como viemos abordando ao longo da análise aqui apresentada. Ao deparar-se no texto com acontecimentos que fazem parte de seu mundo, apresentados em diferentes perspectivas, com inúmeras personagens, o leitor se identifica ou assume outra postura, extrapola o que está escrito e passa a conhecer a si mesmo. No decorrer de todas as etapas os alunos contaram com a colaboração dos profissionais da biblioteca que tanto no turno como no contraturno atendiam os alunos, orientando nas pesquisas, nas buscas de informações sobre a obra. Além disso, auxiliando a professora executante do projeto na organização da biblioteca para as atividades propostas, bem como o recolhimento das atividades e organização da Mostra de trabalhos, ocorrida na culminância do projeto. Das inúmeras contribuições que o desenvolvimento desse projeto trouxe para o ambiente escolar, destacamos o fato de a biblioteca ter hoje um cronograma de atendimento para que os professores de diversas áreas possam desenvolver projetos e pesquisas no local. Um fator que precisamos ressaltar é que a biblioteca está deixando de ser um local de depósito de coisas e local de castigo para se tornar um ponto de apoio para os alunos que frequentam o ambiente e se sentem 89 motivados à leitura porque vêm atividades enriquecedoras sendo desenvolvidas. O número de alunos em busca de empréstimos de livros aumentou e o olhar para a biblioteca tem se modificado tanto por parte dos alunos quanto por toda a comunidade escolar. Nesse contexto destacamos o que nos diz Nóbrega (2002), a biblioteca é um lugar de produção do conhecimento onde podemos encontrar e interagir com as mais diferentes formas de pensar e se manifestar. 4.1.10. Análise da relação dos alunos com as ferramentas midiáticas utilizadas no projeto Inicialmente, na etapa do estímulo, a professora utilizou a sala de multimídia da escola para a apresentação de slides sobre as obras que seriam lidas. Observamos que os alunos se mostraram muito interessados nas imagens e nos questionamentos utilizados. Após a leitura das obras e a construção do Paperblog os alunos utilizaram a internet como fonte de pesquisa para a montagem dos murais, Ficção x Realidade. Observamos que os alunos necessitavam de atendimento individual sobre como utilizar a internet para pesquisar, muitos não sabiam o que escreveriam no buscador e como obter o material impresso do objeto da pesquisa. Passando às atividades criativas, etapa IV do projeto, a professora realizou uma busca por sites e ferramentas midiáticas que poderiam ser usadas para os recontos ou recriações das obras. Em seguida, foram oferecidas aos grupos opções de utilização dessas ferramentas. Essa etapa necessitou da ajuda de terceiros, pais, irmãos e amigos, pessoas que ajudaram os alunos nas produções do trabalho. Nessa etapa os alunos relataram seu desconhecimento do uso das mídias e o quanto eles aprenderam utilizando as ferramentas midiáticas que antes não tinham conhecimento. Apesar das limitações, os alunos revelaram o quanto ficaram satisfeitos em conseguir produzir trabalhos inéditos. A criação do blog da turma, com o intuito de divulgar os trabalhos desenvolvidos no projeto, também revelou a falta de familiaridade dos alunos com a visita a sites e outros links da internet. A maioria da turma não tinha conhecimento e não sabia utilizar a ferramenta. Propusemos, então, aulas na informática com 90 alunos monitores que auxiliavam os colegas na visita e realização de comentários em seus trabalhos. Essa prática possibilitou trabalharmos com a habilidade (EF69LP46) que propõe que o aluno participe de práticas de compartilhamento de leitura/recepção de obras literárias/manifestações artísticas, tendo a oportunidade de fazer comentários e apreciações sobre o trabalho. BNCC (2018, p.155). Esse momento foi muito enriquecedor, pois muitos não haviam visto as postagens dos trabalhos por não terem acesso à internet em casa e por não saberem como utilizá- la. Foto 29 - Alunos monitores na sala de informática Fonte: arquivo pessoal. Consideramos que esta pesquisa nos revelou algo que não estávamos esperando: a utilização de diferentes mídias. Isso sempre foi uma preocupação nossa. Porém, sabemos o quanto é trabalhoso e ainda bem distante da realidade de muitos alunos. As atividades propostas no projeto, executado nesta pesquisa, propunham a utilização de mídias em todas as etapas, principalmente na produção dos alunos e na exposição dos trabalhos, mas o desenrolar das etapas nos propiciou contatos mais profundos que enriquecem em muito, nossa pesquisa. 91 4.1.11. Visitantes especiais Ao longo das leituras e produções dos alunos sempre surgiam perguntas sobre os autores, quem eram eles, se estavam vivos ou não, onde moravam, enfim, questionamentos que nos despertaram para buscar informações sobre os autores. Grata foi a nossa surpresa em poder nos comunicar com duas das autoras das obras lidas, Heloisa Prieto e Laura Bergallo, que prontamente nos atenderam pelas redes sociais. Além disso, tanto alunos como a professora pesquisadora puderam desfrutar de momentos especiais, como o agradecimento das autoras por terem obras sendo trabalhadas em nossa pesquisa, além dos comentários entusiasmados em relação ao trabalho dos alunos postados no blog da turma. Figura 1 – Captura de tela de postagens no blog da turma Fonte: disponível em:. Acesso em: 9 jan. 2018. 92 Figura 2 – Captura de tela de postagens no blog da turma Fonte: disponível em:. Acesso em: 08 jan. 2019. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei número 9394, 20 de dezembro de 1996. BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Pisa 2015: análises e reflexões sobre o desempenho dos estudantes na avaliação. São Paulo: Fundação Santillana, 2016. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Língua Portuguesa. Ensino Fundamental. Terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Brasília: MEC/SEF,1998. CADEMARTORI, Ligia. O professor e a literatura: para pequenos, médios e grandes. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. (Conversas com o professor; 1). CANDIDO, Antônio. O direito à literatura. In: ___. Vários Escritos. 5 ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul/São Paulo: Duas Cidades, 2011. CHIARETTO M. Letramento literário e recursos didáticos renovados para um educador cidadão. Universidade Federal de Minas Gerais. IV SILID III SIMAR 2013. COSCARELLI, Carla Viana. Antecipação na leitura (predição). Glossário CEALE, 2018. Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2018. COSSON, Rildo. 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Gostaria que, por favor, respondesse às perguntas abaixo: Parte I 1- Como você identifica um livro como sendo de literatura? 2- O que é que te motivaria a ler um livro de literatura? 3- Caso você se estivesse em uma biblioteca com muitos e muitos livros de literatura para você escolher o que ler, qual seria sua forma de selecionar o que iria ler? 4- Sua professora ou seu professor vai escolher um livro de literatura para sua turma ler. Que recado enviaria para ela de modo a ajudá-la(o) a fazer uma escolha que possa agradar à turma? 125 5- Dos livros de literatura que leu até agora, qual deles mais te marcou? Por quê? 6- Existe algum livro de literatura do qual tenha conhecimento ou sobre o qual tenha ouvido falar e que você gostaria muito de ler? Por quê? Parte II 1-Caro(a) aluno(a): gostaríamos que você indicasse na lista abaixo quatro gêneros( a partir dos quais os livros literários podem ser agrupados) que, de alguma forma, despertariam seu interesse em ler determinada obra : ( ) Fantasia( )Ação/ Aventura ( ) Drama( ) Mistério/ Suspense ( ) Ficção Científica( ) Terror ( ) Comédia( ) Mitologia ( ) Romance ( ) Novelas de Cavalaria ( ) Romance Policial 2- As obras literárias tratam de várias temáticas. Escolha, abaixo, quatro temáticas que mais despertariam seu desejo em ler uma obra literária: ( ) Adolescência ( ) Problemas sociais ( ) História do Brasil ( ) Violência urbana ( ) Relações familiares ( ) Folclore e mitos brasileiros ( ) Amor ( ) Morte ( ) Amizade ( ) Questões ambientais 126 3- Indique, agora, entre as quatro que você escolheu, indique duas que mais lhe chamariam a atenção. R:___________________________________________________________________ 4-Caro aluno, cara aluna: sinopse é um gênero de texto que apresenta um breve resumo de uma obra, sem, contudo, narrar o final dela. A seguir apresentamos a você algumas sinopses de livros. Você poderá selecionar apenas uma das obras para ler. Ao final da leitura destas sinopses, indique qual delas você selecionou e justifique sua escolha. 'Pollyanna', de Eleanor H. Porter, é um clássico da literatura infanto-juvenil. Escrito em 1912, foi inicialmente publicado em capítulos no jornal Christian Herald, de Boston. Ganhou forma de livro em 1913 e de imediato tornou-se um bestseller. Traduzido em quase todas as línguas, nunca mais parou de ser lido. Levado às telas pela primeira vez em 1920, foi refilmado muitas vezes, inclusive pelos estúdios Disney. No Brasil, com tradução de Monteiro Lobato, foi publicado pela primeira vez em 1934. 'Pollyanna' é uma história sobre o amor, a amizade e, sobretudo, sobre o surpreendente poder de transformação que os jovens e as crianças podem ter, sem se dar conta.Uma otimista incurável, Pollyanna não aceita desculpas para a infelicidade e empenha-se de corpo e alma em ensinar às pessoas o caminho de superar a tristeza e a vida negativa. Era uma vez a Morte. Ninguém queria saber dela e todo mundo só pensava em passar-lhe a perna, mandá-la para bem longe de suas vidas tão preciosas. O compadre bem que tentou ser mais esperto que ela; o ferreiro achou que podia fazê-la esperar para sempre. Mas com a Morte não tem conversa mole. Quando chega a hora, não adianta bater o pé. É o que mostram estas narrativas populares recolhidas e recontadas por Ricardo Azevedo. Cheias de humor e astúcia, estas histórias tratam a morte com naturalidade e são uma declaração apaixonada de amor à vida. Neste livro, justo quando Clara sonhava com seu primeiro beijo, teve de usar óculos, na escola, muita gozação. A mãe de Clara, Nina, é linda... Perto dela, a menina tem vontade de sumir. Nina é ainda muito moça, e viúva. Clara não se conforma, quer ter um pai em casa. Vivendo um a história muito romântica, a garota aprende que a beleza tem um segredo - é se sentir bonita, se darvalor. E percebe que ver a diferença entre as pessoas, tanto as qualidades quanto os defeitos, depende da cabeça de cada um. 127 Pedro Bandeira apresenta a confusa vida de Isabel: seu grande amor está namorando sua melhor amiga. Como se não bastasse, a diretora da sua escola é assassinada, e ela é a única testemunha. Será que Isabel conseguirá acalmar seu coração e seu medo? Como lidar com um adolescente rebelde? Especialmente se ele vive em Portugal no século XVIII, é um vampiro e vai para o Brasil? Neste livro, acompanhamos as aventuras de Vicente em novas terras - sua busca por um ideal, o encontro de sua 'galera' - os inconfidentes mineiros -, e sua participação na Revolta dos Alfaiates. Jaqueline tem 15 anos e sempre morou em Holambra, interior de São Paulo. Eis que seu pai é convidado para trabalhar na capital do estado e leva a família toda. Sua irmã gêmea, Josefa, está tirando a mudança de letra: já fez vários amigos na escola, faz parte do time de vôlei, defende o meio ambiente... Jaqueline, por sua vez, se sente invisível e infeliz, até mudar radicalmente, com roupas da moda e lentes de contato, seu nome agora é Jackie. Resta saber se esse mundo de consumo está deixando Jaqueline realmente feliz. Em ‘A vida secreta de Merlim’, o fio condutor é a paixão entre o mago e Vivian, a fada do lago. Paixão esta que vai ser crucial para o destino da Távola Redonda. Afinal, um de seus frutos é nada menos que sir Lancelot, o mais habilidoso dos cavaleiros, que vai sobrepor o rei Artur no coração da bela Guinevere. 128 Os diferentes mundos de um jovem favelado e de um jovem de classe média alta. Um vive na penumbra de talvez ter um futuro. O abastado vive a ilusão de que o mundo é colorido, pois os pais o protegem da realidade. Duas famílias. Duas realidades opostas. E um retrato corajoso e por vezes chocante. Filhos de um jornalista perseguido por questões políticas, Marcão e Ricardo foram forçados a deixar o Brasil. Juntamente com seus pais, os irmãos fugiram para o Chile e, em seguida, para a França. Acompanhando os passos desses garotos, o leitor vai conhecer a jornada de muitos jovens que tiveram de abandonar seu país por causa do regime militar, imposto em 1964. Em 'Meninos sem pátria', o autor aborda os temas da ditadura e do sofrimento do exílio, além de levar o leitor para uma viagem por diferentes países e culturas. Um assassinato transforma a rotina de um colégio, e a gangue do beijo está sendo acusada de ter cometido o crime. A partir daí, a narrativa vai crescendo em ação e aventura, envolvendo o leitor numa investigação empolgante. O realismo na prosa de José Louzeiro é o que mais cativa o leitor jovem e constitui a principal característica de sua obra. Obra escolhida Justificativa:_______________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ Fonte: Questionário elaborado por LEAL, Leiva . F. V, Mestre e Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da UFMG e PAULA, Cristiane. D.G, aluna do Programa de Mestrado Profissional – PROFLETRAS da Faculdade de Letras da UFMG. 129 Apêndice B – Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE) TERMO DE ASSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Caro(a)aluno(a):- ____________________________________________________________________________________ Você está sendo convidado(a) para participar da pesquisa, que será desenvolvida na Escola Estadual Profª”Ilma de Lana E. Caldeira”, intitulada “A formação do leitor literário e a dinamização da biblioteca escolar”, desenvolvida pela professora Cristiane Dias Gonçalves Paula, mestranda no Programa de Mestrado Profissional (PROFLETRAS/UFMG), sob orientação e responsabilidade daProf.ª Dr.ª Leiva de Figueiredo Viana Leal, da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. A pesquisa pretende:  Colocar em prática um conjunto de ações para auxiliar você e seus colegas, alunos do 9º ano, a aprimorarem a prática de leitura literária e na busca pela formação do leitor literário.  Propor experiências de leitura tendo a biblioteca escolar como local de encontro para as aulas e atividades.  Propor um Projeto de Ensino de leitura literária como o gênero romance em que após a aplicação da metodologia os alunos produzirão entre outras atividades escritas um texto de indicação literária e um paperblog com as apreciações das obras lidas. Como será sua participação?  No início da pesquisa, você responderá a um questionário inicial sobre os usos que faz da leitura em seu cotidiano, como é a sua relação como o texto literário e suas preferências.  A partir da análise dessas atividades iniciais, serão elaboradas para você atividades de leitura, baseadas em uma metodologia alternativa de leitura literária em que você realizará atividades de leitura, compreensão e interpretação, atividades de criação e socialização de acordo com a obra lidapermitindo a você experimentar novas estratégias de leitura para a formação do leitor literário.  Durante a pesquisa, vamos observar a sua evolução e propor novas atividades adequando-as ao seu desenvolvimento.  Todo o trabalho será desenvolvido pela professora Cristiane Dias Gonçalves Paula, duas vezes por semana, das 07h às 11:30h, nas dependências da referida escola, e o resultado dessas atividades será analisado na pesquisa que a professora desenvolverá.  Você não terá nenhum gasto ou ganho financeiro por participar da pesquisa.  Os riscos decorrentes da pesquisa poderão ser o de constrangimento e a supressão de algum conteúdo curricular, o desconforto de o aluno ter sua imagem e voz gravadas. Para a minimização dos mesmos, serão tomadas todas as providências para que haja confidencialidade, proteção da imagem e a não estigmatização dos alunos participantes do Projeto de Ensino, conforme prevê a resolução 466/12, assegurando o direito do aluno de se retirar da pesquisa a qualquer momento, por fim, também será cuidado para que não haja prejuízo acadêmico das disciplinas envolvidas. Também serão estabelecidos critérios junto aos alunos para que o respeito às opiniões, aos pontos de vista e à interpretação subjetiva seja garantido. Os resultados da pesquisa serão divulgados em um ambiente virtual, criado para o compartilhamento das atividades entre os professores da escola, na Faculdade de Letras da UFMG e em artigos científicos, pois queremos colaborar para que outros professoresse interessem e outros alunos também possam ser beneficiados por este projeto. Informamos, contudo, que não haverá em momento algum a divulgação do seu nome. Sua participação será de grande importância para nós, mas você não é obrigado(a) a participar da pesquisa, e as diferentes atividades realizadas no Projeto não têm relação alguma com a avaliação da disciplina de Língua Portuguesa. Você é livre, também, para desistir de participar da pesquisa em qualquer momento considerado oportuno, sem nenhum prejuízo ou pressão. Qualquer dúvida a respeito da pesquisa, você poderá entrar em contato com a pesquisadora responsável, Prof.ª Dr.ª Leiva de Figueiredo Viana Leal, no seu local de trabalho na Faculdade de Letras da UFMG (Rua Antônio Carlos, 6627, Pampulha, Belo Horizonte), ou pelo telefone (31)__________________, ou ainda pelo e-mail: leivaleal.l@gmail.com. Assim, se você quiser participar da pesquisa, solicitamos a gentileza de preencher e assinar o seguinte: Eu, (seu nome)______________________________________________________, concordo em participar da pesquisa, declaro que fui informado(a) sobre seus objetivos e esclareci minhas dúvidas. Sei que, a qualquer momento, poderei solicitar novas informações e poderei modificar a decisão de participar, se assim o desejar. Declaro, também, que recebi uma via deste Termo de Assentimento. 130 Belo Horizonte, ______ de __________________ de 20_______ __________________________________________________________ Assinatura do(a) aluno(a) __________________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Leiva de Figueiredo Viana Leal (pesquisadora responsável) __________________________________________________________ Cristiane Dias Gonçalves Paula (assistente de pesquisa) Em caso de dúvidas referentes a questões de ética da pesquisa, favor entrar em contato com COEP no endereço abaixo. Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG Av. Antônio Carlos, 6627 - Unidade Administrativa II – 2º andar – Sala 2005 -Campus Pampulha, Belo Horizonte Minas Gerais – CEP: 31270-901 E-mail: coep@prpq.ufmg.br - Fone: 3409-4592 Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG 131 Apêndice C – Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO Caro pai/mãe/responsável: O seu/sua filho(a) ou o/a menor pelo qual você é responsável _________________________________________ está sendo convidado(a) para participar da pesquisa, que será desenvolvida na Escola Estadual Profª. “Ilma de Lana E. Caldeira”, intitulada “A formação do leitor literário e a dinamização da biblioteca escolar”desenvolvida pela professoraCristiane Dias Gonçalves Paula, mestranda no Programa de Mestrado Profissional (PROFLETRAS/UFMG), sob orientação e responsabilidade da Prof.ª Dr.ª Leiva de Figueiredo Viana Leal, da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Nesta pesquisa, pretendemos colocar em prática um conjunto de ações para auxiliar crianças e adolescentes a aprimorarem o contato com a leitura literária na escola e reconhecer a biblioteca escolar como ambiente facilitador dessa prática de leitura e na formação do leitor literário. Como será a participação de seu/sua filho(a) ou o/a menor?  No inicio da pesquisa, seu filho responderá a um questionário inicial sobre os usos que faz da leitura em seu cotidiano, como é a sua relação como o texto literário e suas preferências.  A partir da análise dessas atividades iniciais, serão elaboradas para seu filho atividades de leitura, baseadas em uma metodologia alternativa de leitura literária em que você realizará atividades de leitura, compreensão e interpretação, atividades de criação e socialização de acordo com a obra lida, permitindo a você experimentar novas estratégias de leitura para a formação do leitor literário.  Durante a pesquisa, vamos observar a evolução de seu filho e propor novas atividades adequando-as ao seu desenvolvimento.  Também desenvolverá atividades de leitura e produção de textos (individual e coletivamente) para que possamos verificar seus conhecimentos, identificando assim suas aptidões, preferências e também dificuldades.  A partir da análise dessas atividades iniciais, serão elaborados atividades que seguirão uma metodologia alternativa de leitura literária com o gênero romance, em que após a aplicação da metodologia os alunos produzirão entre outras atividades escritas um texto de indicação literária e um paperblog com apreciações das obras lidas.  Durante a pesquisa, vamos observar a evolução dessas crianças e adolescentes e propor novas atividades adequando-as ao seu desenvolvimento.  Todo o trabalho será desenvolvido pela professora Cristiane Dias Gonçalves Paula, duas vezes por semana, das 07h às 11:30h, nas dependências da referida escola, e o resultado dessas atividades será analisado na pesquisa que a professora desenvolverá.  Os riscos decorrentes da pesquisa poderão ser o de constrangimento e a supressão de algum conteúdo curricular, o desconforto de o aluno ter sua imagem e voz gravadas. Para a minimização dos mesmos, serão tomadas todas as providências para que haja confidencialidade, proteção da imagem e a não estigmatização dos alunos participantes do Projeto de Ensino, conforme prevê a resolução 466/12, assegurando o direito do aluno de se retirar da pesquisa a qualquer momento, por fim, também será cuidado para que não haja prejuízo acadêmico das disciplinas envolvidas. Também serão estabelecidos critérios junto aos alunos para que o respeito às opiniões, aos pontos de vista e à interpretação subjetiva seja garantido.  Você ou seu/sua filho(a) ou o/a menor não terá nenhum gasto ou ganho financeiro por participar da pesquisa. Os resultados da pesquisa serão divulgados em um ambiente virtual, criado para o compartilhamento das atividades entre os professores da escola, na Faculdade de Letras da UFMG e em artigos científicos, pois queremos colaborar para que outros professores se interessem e outros alunos também possam ser beneficiados por este projeto. Informamos, contudo, que não haverá em momento algum a divulgação do seu nome ou do nome de seu/sua filho(a) ou o/a menor. A colaboração de seu/sua filho(a) ou o/a menor por quem é responsável será de muita importância para nós, mas ele/a não é obrigado(a) a participar da pesquisa, e as diferentes atividades realizadas no Projeto não têm relação alguma com a avaliação da disciplina de Língua Portuguesa. Seu/sua filho(a) ou o/a menor é livre para desistir de participar da pesquisa em qualquer momento considerado oportuno, sem nenhum prejuízo ou pressão para ele/a ou a você como responsável. Qualquer dúvida a respeito da pesquisa, você poderá entrar em contato com a pesquisadora responsável, Prof.ª Dr.ª Leiva de Figueiredo Viana Leal, no seu local de trabalho na Faculdade de Letras da UFMG (Rua Antônio Carlos, 6627, Pampulha, Belo Horizonte), ou pelo telefone (31)__________________, ou ainda pelo e-mail: leivaleal.l@gmail.com. Assim, se você quiser participar da pesquisa, solicitamos a gentileza de preencher e assinar o seguinte: 132 Eu,__________________________________________________, responsável pelo/a menor________________ __________________________________ concordo e autorizo a sua participação como voluntário(a) do estudo: “A formação do leitor literário e a dinamização da biblioteca escolar” e declaro estar suficientemente esclarecido sobre a pesquisa. Sei que, a qualquer momento, poderei solicitar novas informações, assim como, modificar esta decisão de autorizar a participação do/a menor se assim o desejar, sem prejuízo a mim ou a meu/minha filho(a). Declaro, também, que recebi uma via deste Termo de Consentimento. Belo Horizonte, ______ de __________________ de 20_______ __________________________________________________________ Assinatura do(a) responsável pelo(a) aluno(a)menor __________________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Leiva de Figueiredo Viana Leal (pesquisadora responsável) __________________________________________________________ Cristiane Dias Gonçalves Paula (assistente de pesquisa) Em caso de dúvidas referentes a questões de ética da pesquisa, favor entrar em contato com COEP no endereço abaixo. Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG Av. Antônio Carlos, 6627 - Unidade Administrativa II – 2º andar – Sala 2005 -Campus Pampulha, Belo Horizonte Minas Gerais – CEP: 31270-901 E-mail: coep@prpq.ufmg.br - Fone: 3409-4592 Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG Apêndice D -– Autorização para uso de imagem e cessão de direitos autorais AUTORIZAÇÃO PARA USO DE IMAGEM E CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS Nome do (a) Responsável Legal:--------------------------------------------------------------- RG do (a) Responsável Legal: ------------------------------------------------------------------ Endereço do (a) Responsável Legal:---------------------------------------------------------- Nome do (a) Estudante:--------------------------------------------------------------------------- 133 Autorizo, na qualidade de responsável legal pelo adolescente citado acima, participante do projeto “A formação do leitor literário e a dinamização da biblioteca escolar”, realizado pela E.E. “Profª. Ilma de Lana E. Caldeira”, o uso de sua imagem e voz em produções audiovisuais e/ou imagens de registro e divulgação do projeto. Autorizo também a transmissão de suas produções autorais feitas durante tal projeto, tais como filme, documentários, depoimentos, videoclipes, matérias, dentre outros, por meio de rádio, televisão, internet, celulares e outro meio de comunicação admitido por lei. A presente autorização é concedida a título gratuito. Dom Cavati,_________ de março de 2018. ------------------------------------------------------------------------------------------------- Assinatura do(a) Responsável Legal 134 Apêndice E – Autorização para uso de imagem e voz AUTORIZAÇÃO PARA USO DE IMAGEM E VOZ Nome:___________________________________________________ RG:_____________________________________________________ Endereço:________________________________________________ Autorizo a professora pesquisadora Cristiane Dias Gonçalves Paula, RG –MG 10.884.328, executante da pesquisa “ A formação do leitor literário e a dinamização da biblioteca escolar”, realizado na E.E. “Profª. Ilma de Lana E. Caldeira”, a utilizar minha imagem e voz em produções autorais audiovisuais e/ou imagens de registro tais como filme, documentários, depoimentos, videoclipes, matérias, conteúdos de exercícios, dentre outros, para, incluindo mas não limitado, transmissão de imagem e som por meio de rádio, televisão, cinema, internet, celulares ou outro meio de comunicação, admitido por lei. Apresente autorização é concedida a título gratuito. Dom Cavati ___ de março de 2018. ___________________________________________________________ Assinatura do participante 135 Apêndice F– Carta de Anuência 136 Apêndice G - Convite para a reunião com os pais ou responsáveis Escola Estadual “Professora Ilma de Lana Emerique Caldeira Lei de Criação no 3.880 de 20/12/65 / Dec. no 24.337 de 22/03/85 / Dec. no 25.566 de 15/02/86 Rua José Santana – 32 – Centro – Fone: (33)3357-1322 – Dom Cavati – MG – 35148-000 Email: escola.20303@educacao.mg.gov.br Convite Caro pai/ mãe/responsável A E.E.Profª.“Ilma de Lana E. Caldeira” tem o prazer de convidar-lhe a participar de uma reunião, onde trataremos assuntos relacionados à aplicação de um projeto de Leitura Literária desenvolvido pela professora Cristiane Dias Gonçalves Paula, mestranda da UFMG. Seu/sua filho(a) está sendo convidado(a) para participar da pesquisa que tem como título “A formação do leitor literário e a dinamização da biblioteca escolar”. Nessa reunião será apresentado o projeto e colhida as assinaturas dos pais/responsáveis, autorizando a participação dos alunos no projeto. Esperamos você e seu filho(a) aqui na escola do dia 28/03/2018, quarta- feira às 17:00 horas. Sua presença é indispensável. “Toda mudança no mundo começa dentro de você.” A direção 137 Apêndice H – Convite para a culminância do projeto 138 Apêndice I – Slides sobre o Gênero Textual – Indicação Literária Material de apoio para a realização da Etapa V. GÊNEROS TEXTUAIS NA ESCOLA: INDICAÇÃO LITERÁRIA Gêneros Textuais na Escola: Indicação literária APRESENTAÇÃO  Apresentar a proposta de produção do gênero textual Indicação literária, para que faça parte de um catálogo com indicações literárias que será colocado na biblioteca para servir de consulta pelos alunos. DESENVOLVENDO A SEQUÊNCIA DE ATIVIDADES  Os alunos vão escolher um livro e redigir uma indicação literária a partir de seus conhecimentos prévios.  É importante, entretanto, que se converse primeiro com os alunos sobre o que vão escrever:  deve ficar claro quem é seu interlocutor (alunos da escola, prováveis leitores dos livros da biblioteca) e o objetivo da escrita (despertar o interesse de outras pessoas lerem aquele livro que alguém leu e gostou. Observe-se que o objetivo não é o mesmo que o do catálogo, que é o de vender o livro). CONHECENDO O GÊNERO  DEFINIÇÃO:  É um gênero que descreve parte da história de um livro, seja através da reescrita ou de um resumo, porém o desfecho da história jamais é revelado. 139 ESTRUTURA COMPOSICIONAL:  texto curto predominância das modalidades: expor e narrar  texto acompanhado de imagem da capa do livro CONTEÚDO TEMÁTICO:  informações sobre:  a história  as ilustrações  a temática tratada no texto  o autor SUPORTES TEXTUAIS DAS INDICAÇÕES LITERÁRIAS:  As indicações literárias circulam, sobretudo, nos catálogos de editoras, mas aparecem também em revistas relacionadas à educação, como, por exemplo, a Nova escola, na seção Estante e na web, por meio de sites de editoras e de livrarias, dentre outras lojas virtuais. Algumas características do gênero  a) Há autores de indicação literária que optam por apresentar o tema tratado, outros incluem, em suas indicações, características que possam qualificar o livro por meio das ilustrações e/ou premiações recebidas: “/.../ com divertidas ilustrações da premiada Mariana Massarini” (catálogo Brique-Book, 2007/2008, p.33).  b) As indicações literárias podem ser iniciadas de diferentes maneiras, por meio:  c) de uma indagação: “O que será que os cachorros fazem à noite?”; 140  d) da narração de parte da história: “Era uma vez uma pequena ovelha, igual a todas as outras.”;  e) da descrição do cenário da história: “Um vasto céu luminoso, o sol, as estrelas e a lua, que ao surgir, forma o pano de fundo para uma expedição noturna em Estela, Princesa doCéu”;  f) da qualificação e indicação do gênero: “É uma divertida fábula sobre a esperteza dos pequenos contra a força dos gigantes” ...  g) As indicações literárias podem, também, ser finalizadas de diferentes formas, por meio:  h) de uma indagação: “Será que ele entrou no mar?”;  i) da alusão às ilustrações: “As ilustrações bizarras e criativas exageram o drama, enfatizando a aflição de Patrícia em compartilhar seus pensamentos”;  j) da alusão ao tema tratado: “Uma história diferente e criativa, que mostra a fidelidade da amizade infantil”... Característica fundamental: Adjetivação  Um recurso linguístico fundamental do gênero indicação literária é o uso de adjetivos, os quais qualificam aquilo que se descreve: seja o livro, o tema, as personagens, o cenário, o autor e/ou as ilustrações. GÊNEROS SEMELHANTES  Resumo: descrição sucinta das ideias principais da história, incluindo-se orientação, desenvolvimento e resolução da narrativa;  Resenha: descrição sucinta das ideias principais da história, articulada com a apreciação (comentários) do autor da resenha;  Sinopse: (de filme) “apresentação sintética, objetiva e precisa da estrutura narrativa de um filme, a partir do enredo principal, destacando-se elementos de espaço/tempo, personagens e situações-chave” (www.telacritica.org/sinopse)  Síntese: o mesmo que resumo. Selecionar um conjunto de indicações que sejam ricas na adjetivação.  Ler as indicações a seguir e, junto com os alunos, destacar o uso de estratégias (adjetivação) utilizadas pelo autor na escrita de seu texto, com o objetivo de “embelezar” o seu discurso, despertar o desejo da leitura e convencer o leitor.  Fazer um levantamento de expressões e palavras utilizadas pelo autor para qualificar seja o texto, as ilustrações, as personagens, o cenário, o ilustrador … Texto e ilustrações: Marie-Louise Gay Tradução: Gilda de Aquino 141 Estela, princesa do céu  Um vasto céu luminoso, o sol, as estrelas e a lua que, ao surgir, forma o pano de fundo de uma expedição noturna em Estela, Princesa do Céu. Nessa história engraçada e meiga, Estela explica para seu irmão mais novo que lobos não coaxam e que guaxinins usam máscaras, mas não são ladrões, apenas estão indo a uma festa a fantasia. A criatividade de Estela alia-se perfeitamente à curiosidade de Marcos, fazendo do livro uma interessante aventura pela noite e seus encantos. Marie-Louise Gay mais uma vez encanta os leitores com esta história engraçada e meiga, que capta perfeitamente a inocência das crianças ao descobrir o mundo. Estela, princesa do céu  Um vasto céu luminoso, o sol, as estrelas e a lua que, ao surgir, forma o pano de fundo de uma expedição noturna em Estela, Princesa do Céu. Nessa história engraçada e meiga, Estela explica para seu irmão mais novo que lobos não coaxam e que guaxinins usam máscaras, mas não são ladrões, apenas estão indo a uma festa a fantasia. A criatividade de Estela alia-se perfeitamente à curiosidade de Marcos, fazendo do livro uma interessante aventura pela noite e seus encantos. Marie-Louise Gay mais uma vez encanta os leitores com esta história engraçada e meiga, que capta perfeitamente a inocência das crianças ao descobrir o mundo. Texto e ilustrações: STEPHEN MICHAEL KING - Tradução: GILDA DE AQUINO O Homem que Amava Caixas  De maneira simples e bonita, este livro fala sobre o relacionamento entre pai e filho. Com ilustrações alegres e muita sensibilidade, O Homem que Amava Caixas conta a história de um homem que era apaixonado por caixas e por seu filho. O único problema é que, como muitos pais, ele não sabia como dizer ao filho que o amava. 142  De maneira simples e bonita, este livro fala sobre o relacionamento entre pai e filho. Com ilustrações alegres e muita sensibilidade, O Homem que Amava Caixas conta a história de um homem que era apaixonado por caixas e por seu filho. O único problema é que, como muitos pais, ele não sabia como dizer ao filho que o amava. Lista de palavras e expressões  História: engraçada e meiga  Cenário: vasto céu luminoso  Personagens:  criatividade de Estela  curiosidade de Marcos  Livro: interessante aventura; maneira simples e bonita  Autor(a): encanta os leitores  Ilustrações: alegres e muita sensibilidade Planejando a escrita da indicação literária:  Decidir com a turma sobre o que vão escrever (escolher 2 ou 3 itens):  Autor?  Cenário?  Personagens?  Ilustrações?  Enredo/história?  Tema?  143 ANEXOS ANEXO A– Lista de obras utilizadas no projeto Obras literárias lidas pelos alunos participantes da pesquisa AGUIAR, Luiz Antonio. A vontade dos cometas. São Paulo: Melhoramentos, 2006. BANDEIRA, Pedro. O mistério da fábrica de livros. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2009. BANDEIRA, Pedro. A marca de uma lágrima. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2010. BERGALLO, Laura. Operação Buraco de Minhoca. São Paulo: DCL, 2008. BOJUNGA, Lygia. A bolsa amarela. 35.ed. 30 reimpr. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2017. CARRASCO, Walcyr. Meu primeiro beijo. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2012. GALDINO, Luiz. Órfãos do silêncio. São Paulo: FTD, 1996. MARIGNY, Carlos de. A ilha das borboletas azuis. Rio de Janeiro: Editora de Orientação Cultural, 1978. PRIETO, Heloisa. A vida secreta de Merlim. Rio de Janeiro: Escrita Fina, 2010. VALENTINO, Serena. A fera em mim: a história do príncipe da Bela; tradução de Alline Salles. São Paulo: Universo dos Livros, 2016. 144 ANEXO B– Capas dos livros utilizados no projeto Fonte: disponível em: . Acesso em: 24 fev. 2018. 145 ANEXO C- Atividades de estímulo para a obra A marca de uma lágrima ESTÍMULO 1 Fonte: disponível em:. Acesso em: 20 fev. 2018. 1º Momento a) Descreva a imagem: b) O que a imagem retrata ou sugere? 2º Momento a) Que sensações essa imagem desperta em você? b) Esta imagem lhe faz recordar de alguém ou de alguma situação? Isabel, uma garota com problemas de aparência que se sente feia e rejeitada. A menina tem em seu espelho um inimigo, pois é ele que mostra seus defeitos. Certo dia ela é convidada para a festa de aniversário... Levante Hipóteses: a) Você consegue imaginar o que acontece com Isabel durante essa festa? b) Que situações poderiam ser vividas pela personagem ao longo dessa história? 146 ANEXO D – Atividades de estímulo para a obra O mistério da fábrica de livros ESTÍMULO 2 Fonte: disponível em: . Acesso em: 20 fev. 2018. Fonte: Disponível em: . Acesso em 25 fev. 2018. 147 1º Momento a) Explique o que você vê nessas imagens: b) Quais ações podemos relacionar a essas imagens? 2º Momento a) Alguma dessas imagens lhe é familiar? Neste livro, conhecemos Laurinha, uma menina apaixonada e que viu seu namoradinho com outra menina. Muito triste com essa situação, ela retorna ao lugar onde deram o primeiro beijo, um bosque cheio de eucaliptos. Na época, seu namorado, Adriano, desenhou as iniciais de seus nomes dentro de um coração e nomeou essa árvore de “meucaplito”. Para a surpresa da menina, ao chegar no local, depara-se com um lugar vazio e um monte de eucaliptos cortados. Levante hipóteses: a) Onde essa história acontece? b) O que as imagens anteriores podem dizer sobre a história? 148 ANEXO E – Atividades de estímulo para a obra A bolsa amarela ESTÍMULO 3 Fonte: disponível em: . Acesso em: 25 fev. 2018. 1º Momento a) Descreva a imagem: b) Quem usaria um objeto assim? c) Que utilidades esse objeto poderia ter? 2º Momento a) Que coisas ou objetos você costuma guardar ou guardaria em uma bolsa? b) Em que situações usamos uma bolsa? Esta é a história de uma menina que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades (que ela esconde numa bolsa amarela ) – a vontade de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora. A partir dessa revelação – por si mesma uma contestação à estrutura familiar tradicional em cujo meio “criança não tem vontade” – essa menina sensível e imaginativa nos conta o seu dia-a-dia, juntando o mundo real da família ao mundo criado por sua imaginação fértil e povoado de amigos secretos e fantasias. Ao mesmo tempo em que se sucedem episódios reais e fantásticos, uma aventura espiritual se processa, e a menina segue rumo à sua afirmação como pessoa. Levante hipóteses: a) Você teria algo que guardaria dentro da bolsa amarela? b) Que tipo de aventuras teria uma história assim? c) Que tipo de problemas a menina poderia enfrentar ao longo dessa história? 149 ANEXO F- Atividades de estímulo para a obra Operação Buraco de Minhoca ESTÍMULO 4 Fonte: disponível em:. Acesso em: 25 fev. 2018. 1º Momento a) Essa imagem lhe é familiar? b) O que essa imagem retrata? 2º Momento a) Onde podemos ver algo assim? b) É algo que podemos ver a qualquer momento ? Um buraco de minhoca pode ser a salvação do mundo! Estamos em 2192, e o planeta Terra está praticamente destruído. A única esperança é o Projeto Arca de Noé, idealizado por um milionário chinês, que pretende fundar uma nova humanidade num planeta distante. Catorze jovens cuidadosamente preparados serão a semente dessa nova era no planeta Épsilon Eridani H, mas acontecimentos inesperados trazem algumas mudanças de planos. É aí que entra a Operação Buraco de Minhoca, uma desesperada tentativa de salvar a vida no próprio planeta Terra. Levante hipóteses: a) Como você imagina as personagens dessa história? b) Que perigos as personagens poderiam enfrentar? c) Acredita no sucesso dessa missão? Por quê? 150 ANEXO G - Atividades de estímulo para a obra A vontade dos cometas ESTÍMULO 5 Fonte: disponível em: . Acesso em: 26 fev. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 26 fev. 2018. 1º Momento a) Descreva essas imagens: b) Onde e com qual frequência elas acontecem? 151 2º Momento a) Você já viu uma cena assim? b) O que você conhece sobre essas imagens? O avô de Giggio o adora. O neto é a vida dele... E agora o avô precisa contar para esse menino, apaixonado pelo velho genioso e cheio de histórias, que uma coisa vai acontecer. Uma coisa triste... É uma conversa tão difícil, que para acontecer vai da vida dos bichos aos cometas. Giggio ora escuta, ora não quer escutar. Ora acha graça, ora briga... É uma conversa que revela segredos, descobre tesouros. Uma conversa para Giggio nunca, nunca mais, esquecer. c) Você convive com seus avós? d) Qual o seu maior desejo em relação aos seus avós? Levante hipóteses: a) O que você imagina que acontece com Giggio e seu avô nessa história? b) Que relações poderia haver entre as imagens e a história? 152 ANEXO H – Atividades de estímulo para a obra Órfãos do silêncio ESTÍMULO 6 Fonte: disponível em: . Acesso em: 26 fev. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 26 fev. 2018. 1º Momento: a) O que as imagens mostram? b) Aponte características comuns nas imagens: c) Que fase da vida essas imagens representam? 153 2º Momento: a) O que significa para você, estar doente? b) É comum que as pessoas fiquem doentes? c) O que a morte representa para você? Levante hipóteses: a) Quais sentimentos Tatá vivencia com a doença e morte seu pai? b) Como as lembranças do pai, podem influenciar na vida do filho? Tatá conviveu ainda criança com a doença e a morte do pai. Revivendo, já adolescente aqueles momentos de dor, de angústia e medos, ele cresce emocionalmente, aprendendo a conviver com as lembranças e tomando consciência dos ensinamentos que o pai deixou. 154 ANEXO I – Atividades de estímulo para a obra A ilha das borboletas azuis ESTÍMULO 7 Fonte: disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2018. 155 1º Momento: a) Descreva as imagens: b) Você já visitou ou conhece alguém que tenha visitado uma ilha? c) Como seria morar em uma ilha? Você moraria em uma? d) O que as borboletas representam para você? 2º Momento: a) Quando está de férias, o que faz para passar o tempo? b) Se você pudesse viajaria para uma ilha? c) O que ou quem você levaria? Levante hipóteses? a) Quais seriam os medos de Janjão? b) O que você imagina que Janjão fará para “melhorar suas férias”? Janjão desligou a TV, enjoado já da programação da manhã. Olhou o relógio, onze horas. “Eta férias chatinhas!” Nada, mas nada mesmo de interessante para se fazer. Parece mentira, mas andava até com saudades da escola. Tinha terminado a quinta série e não escondia os temores da sexta. Todos os seus amigos mais velhos e experientes não se cansavam de espinafrar com a tal de dona Álgebra... 156 ANEXO J- Atividades de estímulo para a obra A vida secreta de Merlim ESTÍMULO 8 Fonte: disponível em: . Acesso em 27 fev. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em 27 fev. 2018. 157 Fonte: disponível em: . Acesso em 27 fev. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2018. 1º Momento: a) Descreva as imagens: b) Você reconhece essas imagens? Onde já viu? c) Essas imagens são reais? Seriam possíveis nos dias de hoje? d) Que sensações elas provocam? 158 2º Momento: a) Você conhece a história dos cavaleiros da Távola Redonda? b) O que representa um mago para você? c) Quais histórias você conhece que se referem aos personagens citados acima? d) Que tipo de histórias elas são? Levante hipóteses: a) Qual seria o grande segredo de Merlim? Quem seria seu grande amor? b) O que acontecerá com Merlim nessa história? Há vários séculos a história dos cavaleiros da Távola Redonda habita a fantasia de jovens e adultos. Disseminando seus ideais de paz e justiça, a irmandade do rei Artur é ainda hoje uma das maiores referências lendárias do mundo ocidental. Quem nunca se encantou com a coragem daqueles habilidosos espadachins? Ou com o poder de Excalibur, a espada mágica que determinou o destino da Inglaterra? Pois a prestigiada autora Heloisa Prieto, também ela uma encantada pela história da Távola Redonda, decidiu recontar a lenda de rei Artur e de seus cavaleiros. Mas, para isso, optou por um ângulo em geral pouco explorado: a história de Merlim, o mago. Conhecido como grande conselheiro da corte, portador dos maiores segredos da magia, Merlim ressurge na prosa deste século 21 de um jeito bem diferente. Vulnerável aos dilemas humanos, é não apenas um grande sábio, mas também um ser apaixonado, que carrega por toda a vida, em segredo, uma história de amor. 159 ANEXO K – Atividades de estímulo para a obra A fera em mim ESTÍMULO 9 Fonte: disponível em:. Acesso em: 28 fev. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 28 fev.2018. 1º MOMENTO a) O que as imagens retratam? 160 b) A qual tempo elas nos remetem? c) Essas imagens provocam algum tipo de sensação em você? Qual(ais)? d) Você gostaria de visitar um lugar assim? e) O que você faria se visitasse um lugar como esse? Fonte: disponível em: . Acesso em: 28 fev.2018. f) O que você vê nessa imagem? g) O que essa imagem sugere? 2º MOMENTO Um príncipe amaldiçoado se isola em seu castelo. Poucos o viram, mas aqueles que conseguiram tal proeza afirmam que seus pelos são exagerados e suas garras são afiadas como as de uma fera! No entanto, o que levou esse príncipe, que já foi encantador e amado por seu povo, a se tornar um monstro tão retraído e amargo? Será que ele conseguirá encontrar o amor verdadeiro e pôr um fim à maldição que lhe foi lançada? a) Você sabe o que significa maldição? b) Conhece histórias que falam em maldições? Quais? c) Como você imagina viver com uma maldição? Levante Hipóteses a) Que tipo de maldição a personagem teria sofrido? b) Quem seria o responsável por essa maldição? c) O príncipe conseguirá quebrar a maldição? d) Quem poderá ajudá-lo? 161 ANEXO L – Atividades de estímulo para a obra Meu primeiro beijo ESTÍMULO 10 Fonte: disponível em: . Acesso em: 28 fev.2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2018. 162 Fonte: disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2018. a) Descreva as imagens: b) O que há de semelhante nelas? c) Que tipo de comportamento as imagens sugerem? 2º MOMENTO Neste livro, justo quando Clara sonhava com seu primeiro beijo teve de usar óculos, na escola, muita gozação. A mãe de Clara, Nina, é linda...Perto dela, a menina tem vontade de sumir. Nina é ainda muito moça, e viúva. Clara não se conforma, quer ter um pai em casa. Vivendo uma história muito romântica, a garota aprende que a beleza tem um segredo - é se sentir bonita, se dar valor. E percebe que ver a diferença entre as pessoas, tanto as qualidades quanto os defeitos, depende da cabeça de cada um. a) Você já sofreu ou conhece alguém que sofre ou tenha sofrido gozação por usar óculos? b) Para você necessitar de óculos, aparelhos ortodônticos ou qualquer outro tipo de aparelho é um desafio para o adolescente? c) Para você o que significa ser diferente? Levante Hipóteses a) Como você imagina o relacionamento de Clara com a mãe? b) O que fará Clara se sentir melhor ou mais feliz? c) Que mudanças poderão acontecer na vida de Clara? 163 ANEXO M - Caderno de registros da Etapa II - Paperblog Aluno(a).......................................................................................Turma:.........Fonte: Arquivo pessoal do pesquisador 164 ANEXO N – Folha de registro do Paperblog PAPER BLOG Título da obra: ------------------------------------------------------------------------------------ Autor da obra: ------------------------------------------------------------------------------------ Comentário do grupo--------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Desfecho dado pelo aluno-------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Desfecho dado pelo autor-------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Comentário do aluno--------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fonte: arquivo pessoal do pesquisador. 165 ANEXO O - Registros do aluno I Fonte: elaborado pelo aluno. 166 ANEXO P – Registro do aluno II Fonte: elaborado pelo aluno. 167 ANEXO Q – Registro do aluno III Fonte: elaborado pelo aluno. 168 ANEXO R – Registro do aluno IV Fonte: elaborado pelo aluno. 169 ANEXO S – Registro do aluno V Fonte: elaborado pelo aluno. 170 ANEXO T – Registro do aluno VI Fonte: elaborado pelo aluno. 171 ANEXO U – Registro do aluno VII Fonte: elaborado pelo aluno. 172 ANEXO V – Registro do aluno VIII Fonte: elaborado pelo aluno. 173 ANEXO W – Registro do aluno IX Fonte: elaborado pelo aluno. 174 ANEXO X – Registro do aluno X Fonte: elaborado pelo aluno. 175 ANEXO Y– Foto do Mural sobre a obra Meu primeiro beijo Fonte: elaborado pelo aluno. 176 ANEXO Z – Foto do Mural sobre a obraA vontade dos cometas Fonte: elaborado pelo aluno. 177 ANEXO AA – Foto do Mural sobre a obra Operação Buraco de Minhoca Fonte: elaborado pelo aluno. 178 ANEXO AB– Foto do Mural sobre a obra A vida secreta de Merlim Fonte: elaborado pelo aluno. 179 ANEXO AC – Foto do Mural sobre a obra A ilha das borboletas azuis Fonte: elaborado pelo aluno. 180 ANEXO AD – Montagem dos murais na escola Fonte: elaborado pelo aluno. Fonte: elaborado pelo aluno. 181 ANEXO AE – Apresentação - Imagem em Movimento na mídia digital Obra: A marca de uma lágrima - Pedro Bandeira Grupo: Carolaine Ketelyn, Rebecca Caroline, Ana Clara Fonte: arquivo pessoal do pesquisador. 182 ANEXO AF – Adaptação da obra A vida secreta de Merlim - HQ Grupo: Ruan Paulo, João Matheus, Alysson Fonte: adaptação para quadrinhos, disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2018. 183 ANEXO AG - Apresentação da Obra Operação buraco de minhoca – Laura Bergallo Grupo: Felipe Farley, Iago Lima, Juan Lucas Fonte: elaborado pelo aluno em: 184 ANEXO AH - Atividade realizada na Etapa V – Socialização - Encartes Fonte: arquivo pessoal do pesquisador. Fonte: arquivo pessoal do pesquisador. 185 ANEXO AI – Distribuição dos encartes feita pelos alunos Fonte: arquivo pessoal do pesquisador. 186 ANEXO AJ - Prints de páginas do blog da turma Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. 187 Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. Fonte: Disponível em:. Acesso em: 9 jan. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. 188 Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. 189 Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. 190 Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. 191 Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. 192 Fonte: disponível em: . Acesso em: 9 jan. 2018. 193 ANEXO AK– Arte de identificação do projeto Fonte: arquivo pessoal do pesquisador. 194 ANEXO AL – Exposição dos trabalhos dos alunos Fonte: arquivo pessoal do pesquisador. Fonte: arquivo pessoal do pesquisador.