Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017  65  LITOTOPONÍMIA DE ORIGEM INDÍGENA  EM MINAS GERAIS  Maryelle Joelma Cordeiro (UFMG)  maryellecordeiro@gmail.com  Maria Cândida Trindade Costa de Seabra (UFMG)    RESUMO  O ser humano necessita nomear tudo aquilo que está ao seu redor, necessita tra­ duzir em "palavras" as diferentes características de sua cultura. Quando se trata dos  lugares pelos quais passa, o mesmo ocorre. Entretanto, esse tipo de nomeação, ao con­ trário de outros processos denominativos, não acontece de maneira aleatória. Assim, o  estudo da significação e da origem desses nomes, bem como as mudanças que nele pos­ sam ter ocorrido, pode revelar os valores e costumes de uma determinada sociedade e  destacar aspectos da cultura atual e de outras culturas que possam ter sido sobrepos­ tas com o passar do tempo. A toponímia se dedica ao estudo da origem e dos significa­ dos dos nomes próprios de lugares, que podem ser de natureza física (ligada às carac­ terísticas do próprio acidente geográfico) ou de natureza antropocultural (aquela re­ lacionada à visão de mundo pelo ser humano). É capaz de revelar aspectos histórico­ culturais de um determinado grupo social, refletidos no próprio nome, mostrando as  ideologias  e  crenças  desse  povo,  usadas  no  momento  de  um  ato  denominativo.  Este  trabalho se insere dentro dos estudos de toponímia e trata do estudo linguístico e cul­ tural dos topônimos, os nomes próprios de lugar, de origem mineral – os litotopônimos  – de origem indígena em Minas Gerais. Ligada ao Atlas Toponímico do Estado de Mi­ nas Gerais – Projeto ATEMIG, coordenado pela Profa. Maria Cândida, nossa pesqui­ sa é uma forma de investigação e descrição da toponímia que tem como eixo norteador  o  fato  de  que  língua  e  cultura  são  entidades  inseparáveis.  O  referencial  teórico­ metodológico  se apoia nos modelos  toponímicos de Albert Dauzat  (1926), Maria Vi­ centina de Paula do Amaral Dick  (1990a, 1990b e 2004)  e Maria Cândida Trindade  Costa de Seabra (2004), no conceito de região cultural de Manuel Diégues Jr. (1960) e  na noção de cultura de Alessandro Duranti (2005).  Palavras­chave: Língua Portuguesa. Léxico. Toponímia.    1.  Introdução  Este  artigo  traz um  recorte  da  tese de doutorado  em andamento,  intitulada Litotoponímia Mineira, e tem como objetivo realizar um estu­ do linguístico e cultural dos nomes próprios de lugar de origem mineral,  os  litotopônimos,  de  origem  indígena  presentes  em  todo  o  território  de  Minas Gerais.  Nossa pesquisa  está  ligada  ao Projeto ATEMIG – Atlas Toponí­ mico do Estado de Minas Gerais, coordenado pela Profa. Maria Cândida  Trindade Costa de Seabra.  mailto:maryellecordeiro@gmail.com Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  66  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017.  2.  Fundamentação teórica  O aparato teórico­metodológico utilizado durante a pesquisa bus­ ca apoio nos modelos toponímicos de Albert Dauzat (1926) e Maria Vi­ centina de Paula do Amaral Dick (1990a, 1990b e 2004), Maria Cândida  Trindade Costa de Seabra (2004) no conceito de região cultural de Ma­ nuel Diégues Jr. e no conceito de cultura de Alessandro Duranti (2005).  O interesse por estudar os topônimos de origem mineral está rela­ cionado às considerações de Manuel Diégues Jr.  (1960) que diz que no  Brasil foi fundamental a importância do meio físico, do ambiente geográ­ fico,  para que  uma população pudesse  se  instalar  e  permanecer  em  um  determinado local. Durante o século XVII, o relato da presença de grande  quantidade de ouro e pedras preciosas na Capitania de Minas Gerais foi o  chamariz que possibilitou as diversas incursões de exploração do territó­ rio mineiro. Por conseguinte, as  reais condições favoráveis do solo per­ mitiram  a  extração  de  grande  quantidade  de  minerais  de  grande  valor  econômico, o que foi um dos elementos fundamentais que permitiu a im­ plantação  de  uma  sociedade  estável  na  região.  Minas  Gerais  viveu  nos  séculos XVIII e XIX o auge do ciclo da mineração, sendo considerada a  região de mineração mais importante do território brasileiro.  Nosso  estudo  se  apresenta  como  uma  forma  de  investigação  da  toponímia que tem como elemento norteador o fato de que língua e cultu­ ra são noções interligadas. Entendemos cultura por meio do pensamento  de Alessandro Duranti (2005) que a caracteriza como aquilo que é apren­ dido, transmitido e repassado de geração em geração por meio das ações  humanas, através da comunicação linguística.  Os  membros  de  uma  comunidade  utilizam  o  sistema  linguístico  como  uma  maneira  para  representar  a  realidade  em  que  vivem  e  assim  conseguem  expressar,  por  meio  do  seu  léxico,  os  valores  culturais  que  são compartilhados socialmente dentro desta comunidade, evidenciando­ se, assim, a forte relação estabelecida entre língua, cultura e sociedade.  O léxico de uma língua pode ser visto como o espelho daquela so­ ciedade, uma vez que é capaz de refletir em seus signos linguísticos to­ dos os valores, crenças, costumes e tradições e também evidenciar parti­ cularidades e especificidades de um povo.  Uma das características mais peculiares do o homem é a necessi­ dade “urgente” de nomear tudo aquilo que o rodeia, ou seja, de traduzir  em uma “forma linguística”, em “palavras” os diferentes aspectos de sua  Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017  67  cultura, que podem ser materiais ou imateriais. O mesmo ocorre quando  se trata da nomeação de lugares. No entanto, esse tipo de nomeação, ao  contrário de outros processos denominativos, não ocorre de maneira oca­ sional, despropositada.  Como o processo de nomeação de lugares não ocorre de maneira  aleatória, o estudo da significação e da origem desses nomes, bem como  as mudanças que nele possam ter ocorrido, pode muitas vezes revelar os  valores e costumes de uma determinada sociedade, assim como evidenci­ ar os aspectos da cultura vigente e também de outras culturas que ao lon­ go do tempo possam ter se sobreposto.  A toponímia é a ciência que se dedica ao estudo da origem e dos  significados dos nomes próprios de lugares, sejam eles de natureza física,  que estão ligadas às características do próprio acidente geográfico ou de  natureza humana, relacionada à visão de mundo pelo ser humano.  O topônimo pode ser analisado como uma marca histórica da pre­ sença de um povo em uma região. Em sua formação, ele pode ser capaz  de  revelar  tanto  as  características  físicas de  um  lugar,  como a natureza  dos solos, a vegetação, a hidrografia, a fauna, como também o contato do  homem com o ambiente ao seu redor, funcionando como retrato da reali­ dade na qual o nome foi criado.  Maria Vicentina de Paula do Amaral Dick (1986) propôs, seguin­ do o modelo de Albert Dauzat (1926) adaptado para a realidade brasilei­ ra, a classificação dos topônimos em onze taxes de natureza antropocul­ tural e dezesseis taxes de natureza física. A taxe selecionada para o nosso  estudo, litotopônimos, foi classificada por ela como sendo os topônimos  de índole mineral, aqueles que apresentam na sua estrutura mórfica rela­ ção com a constituição do solo, da terra.  A partir da análise dos dados do repositório do Projeto ATEMIG,  percebemos que há em Minas Gerais um elevado número de topônimos  de origem indígena, especialmente de litotopônimos. Podemos considerar  que  esse  tipo  de  denominação  seja  o  reflexo  do  contato  dos  primeiros  povos  que  viveram  em  território  mineiro,  onde  encontraram  muitas  ri­ quezas  minerais  que  deixaram  suas  marcas  na  memória  toponímica  do  Estado.  A  motivação para  a  nomeação de  lugares pelos povos  indígenas  estava sobretudo relacionada à maneira como enxergavam a natureza ao  seu redor. Denominavam os lugares de maneira muito objetiva como ao  Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  68  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017.  descrever o formato dos morros, os diferentes cursos de águas, dentre ou­ tros.  Ana Claudia Castiglioni (2012, p. 145) afirma tal colocação sobre  o processo de nomeação da terra pelo homem indígena ao dizer que “A  população indígena tinha uma tendência motivadora bastante objetiva pa­ ra nomear os acidentes, haja vista o contato direto desses grupos com a  natureza, o que lhes facilitava a descrição do acidente geográfico”.    3.  Procedimentos metodológicos  Para a realização do estudo e seleção dos itens lexicais para com­ porem o corpus deste trabalho foi utilizado o banco de dados do Projeto  ATEMIG,  Atlas  Toponímico  do  Estado  de  Minas  Gerais.  O  ATEMIG  compõe­se como uma variante regional do projeto ATB – Atlas Toponí­ mico do Brasil, coordenado pela Profa. Dra. Maria Vicentina de Paula do  Amaral Dick da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da  USP.  Os dados que compõem o corpus do  repositório  foram extraídos  de  fontes  do  IBGE,  documentados  em  cartas  topográficas,  com  escalas  que variam de 1: 50.000 a 1:250.000 em todos os 853 municípios do es­ tado de Minas Gerais.  A organização do projeto segue a divisão do território mineiro, re­ alizada pelo IBGE que recorta Minas Gerais em 12 mesorregiões, a sa­ ber:  1.Campo  das  Vertentes;  2.  Central  Mineira;  3.  Jequitinhonha;  4.  Metropolitana de Belo Horizonte; 5. Noroeste de Minas; 6. Norte de Mi­ nas; 7. Oeste de Minas; 8. Sul e Sudoeste de Minas; 9. Triângulo Mineiro  e Alto Paranaíba; 10. Vale do Mucuri; 11. Vale do Rio Doce; 12. Zona  da Mata.  Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017  69    Mapa 1 – Mesorregiões de Minas Gerais. Fonte:  https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/MinasGerais_Mesorregions.s vg/1280px­MinasGerais_Mesorregions.svg.png    4.  Apresentação e análise dos dados  4.1. Apresentação dos dados  Foram selecionados do banco de dados do Projeto ATEMIG 530  ocorrências  de  litotopônimos  de  origem  indígena,  que  descartadas  as  formas que se repetem, se resumem a 148 itens lexicais diversos.  São eles: Argerita, Argirita, Barreiro do Gravatá, Barreiro do Te­ juco,  Carbonita,  Catanduva,  Corumbá,  Diamante  de  Ubá,  Gorutuba,  Grupiara, Grupiarinha, Guapiara, Gupiara, Gurutuba, Humaitá, Inhaúma,  Inhumas,  Ita,  Ita  Sul,  Itabaiana,  Itabatinga,  Itabela,  Itaberaba,  Itaberaba  de Alcindo Cardoso, Itaberaba de Baixo, Itaberaba de Luís R. dos Santos,  Itaberoba,  Itaberocó,  Itabira,  Itabirão,  Itabirinha,  Itabirinha de Mantena,  Itabirito,  Itaboca,  Itabuca,  Itacambira,  Itacambiruçu,  Itacarambi,  Itaca­ rambi  Pequeno,  Itacarambizinho,  Itací,  Itacolomi,  Itaçu,  Itaguaba,  Ita­ guaçu, Itaguara, Itaguaré, Itaim, Itaipava, Itaipavinha, Itaipé, Itaipu, Ita­ jaí, Itajaó, Itajiru, Itajubá, Itajuru, Italéia, Itamarandiba, Itamarandiba do  Mato,  Itamarati,  Itamarati  de  Minas,  Itambacuri,  Itambé,  Itambém  do  Mato  Dentro,  Itamembé,  Itamirim,  Itamogi,  Itamonte,  Itamunheque,  Itanguá,  Itanhaém, Itanhandú,  Itanhomi,  Itaobim, Itaoca,  Itapacoral,  Ita­ https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/MinasGerais_Mesorregions.svg/1280px-MinasGerais_Mesorregions.svg.png https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/MinasGerais_Mesorregions.svg/1280px-MinasGerais_Mesorregions.svg.png Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  70  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017.  paji da Cia. Vale do Rio Doce, Itapaji, de Manuel Rodrigues, Itapanhoa­ canga,  Itapecerica,  Itapecuru,  Itapejipe,  Itapera,  Itaperanu,  Itaperirica,  Itapetininga,  Itapeva,  Itapeva  do  Capivari,  Itapicuru,  Itapiporã.  Itapira,  Itapirapuã, Itapixé, Itapoã, Itapuã, Itaporã, Itaporanga, Itapura, Itaquara­ çu,  Itaquaré,  Itaquaruçu,  Itaqui,  Itaquora,  Itatiaia,  Itatinga,  Itaú,  Itaú  de  Minas,  Itaúna,  Itaúnas,  Itauninha,  Jacutinga, Lajeado do Buriti Compri­ do, Lajeado do Capão Alto, Lajeado do Tijuco, Lajeado Samambaia, La­ jinha do Mutum, Marambaia, Pedra do Indaiá, Pedra Itabira, Piranguçu,  Sabará, Sabaré, Sardoá, Tabatinga, Sericita, Tabatinga de Gentil Pereira,  Tabatinga  de  Lindolfo  Tiago,  Tabatingua,  Taipaba,  Tapiocanga,  Tauá,  Tejuco, Tejuco de Jair Batista de Carvalho, Tijuca, Tijucal, Tijucana, Ti­ juco, Tijuco da Grama, Tijuco Preto, Tijuco Prudentino, Tijucuçu, Tiju­ queiro.    4.2. Análise dos dados  No  corpus  do  banco  de  dados  do  Projeto  ATEMIG  constam  85.592  topônimos,  dos quais  4.349  são  litotopônimos,  o que  representa  5,08 % do total do corpus, conforme mostrado no gráfico abaixo:    Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017  71  Do total de 4.349 litotopônimos, 530 são de origem indígena, o que  representa 12,1 % dos dados.    Com  relação  à  formação dos nomes podem  ser  classificados  em  cinco categorias:  a)  Nomes  simples:  Argerita,  Argirita,  Carbonita,  Catanduva,  Co­ rumbá,  Gorutuba,  Grupiara,  Guapiara,  Gupiara,  Gurutuba,  Hu­ maitá, Inhaúma, Inhumas, Ita, Itabaiana, Itabatinga, Itabela, Ita­ beraba,  Itaberoba,  Itaberocó,  Itabira,  Itabirito,  Itaboca,  Itabuca,  Itacambira,  Itacambiruçu,  Itacarambi,  Itací,  Itacolomi,  Itaçu,  Itaguaba,  Itaguaçu,  Itaguara,  Itaguaré,  Itaim,  Itaipava,  Itaipé,  Itaipu,  Itajaí,  Itajaó,  Itajiru,  Itajubá,  Itajuru,  Italéia,  Itamarandi­ ba, Itamarati, Itambacuri, Itambé, Itamembé, Itamirim, Itamogi,  Itamonte, Itamunheque, Itanguá, Itanhaém, Itanhandú, Itanhomi,  Itaobim,  Itaoca,  Itapacoral,  Itapanhoacanga,  Itapecerica,  Itape­ curu,  Itapejipe,  Itapera,  Itaperanu,  Itaperirica,  Itapetininga,  Ita­ peva,  Itapicuru,  Itapiporã.  Itapira,  Itapirapuã,  Itapixé,  Itapoã,  Itapuã,  Itaporã,  Itaporanga,  Itapura,  Itaquaraçu,  Itaquaré,  Ita­ quaruçu, Itaqui, Itaquora, Itatiaia, Itatinga, Itaú, Itaúna, Itaúnas,  Jacutinga, Marambaia, Piranguçu, Sabará, Sabaré, Sardoá, Taba­ tinga, Sericita, Tabatingua, Taipaba, Tapiocanga, Tauá, Tejuco,  Tijuca, Tijuco, Tijucuçu.  Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  72  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017.    b)  Nomes simples híbridos – Indígena + sufixo português: Grupi­ arinha, Itabirão, Itabirinha¸ Itacarambizinho, Itaipavinha, Itauni­ nha, Tijucal, Tijucana, Tijuqueira, Tijuqueiro, Tijuquinha, Tiju­ quinho.  c)  Nomes compostos: Itapeva do Capivari  d)  Nomes  compostos híbridos – Português +  Indígena: Barreiro  do  Gravatá,  Barreiro  do  Tejuco,  Diamante  de  Ubá,  Itacarambi  Pequeno, Itambé do Mato Dentro, Lajeado do Buriti Comprido,  Lajeado  do  Capão  Alto,  Lajeado  do  Tijuco,  Lajeado  Samam­ baia, Lajinha do Mutum, Pedra do Indaiá, Pedra Itabira.  e)  Nomes  compostos  híbridos  –  Indígena  +  Português:  Ita  Sul,  Itaberaba de Alcindo Cardoso, Itaberaba de Baixo, Itaberaba de  Luís R. dos Santos, Itabirinha de Mantena, Itamarandiba do Ma­ to, Itapaji da Cia. Vale do Rio Doce, Itapaji, de Manuel Rodri­ gues, Itamarati de Minas, Itaú de Minas, Tabatinga de Gentil Pe­ reira,  Tabatinga  de  Lindolfo  Tiago,  Tejuco  de  Jair  Batista  de  Carvalho, Tijuco da Grama, Tijuco Preto e Tijuco Prudentino.  Com  relação  à  natureza  dos  litotopônimos  de  origem  indígena  existem  285  litotopônimos  que  nomeiam  acidentes  humanos,  ou  seja  Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017  73  53,7% enquanto que 245 nomeiam acidentes  físicos, o que representam  46,3% do número  total de  litotopônimos  indígenas. É  interessante notar  que em Minas Gerais os litotopônimos de origem indígena que nomeiam  acidentes  humanos ocorrem em  maior  número do que os que nomeiam  acidentes  físicos, ao contrário de outras taxes em que há predominância  de topônimos de origem indígena na denominação de acidentes físicos.  Apresentaremos  na  página  que  segue  a  ficha  lexicográfico­ toponímica  resumida com a quantificação de  todos os  litotopônimos de  origem indígena, distribuídos por mesorregiões.    Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  74  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017.                  Item lexical Ca m po  d as  V er ten tes Ce nt ra l M in eir a Je qu iti nh on ha M etr op ol ita na  d e B elo  H or izo nt e N or oe ste  d e M in as N or te  de  M in as O es te  de  M in as Su l e  S ud oe ste  d e M in as V ale  d o  M uc ur i V ale  d o  Ri o  D oc e Tr iân gu lo  M in eir o  e A lto  P ar an aíb a Zo na  d a M ata TO TA L A cid en te  Fí sic o A cid en te  H um an o Total 14 6 83 70 1 71 20 102 21 47 43 52 530 245 285 Argerita 1 1 1 Argirita 1 1 1 Barreiro do Gravatá 1 1 1 Barreiro do Tejuco 1 1 1 Carbonita 1 1 1 Catanduva 1 1 1 Corumbá 1 1 2 2 Diamante de Ubá 1 1 1 Grupiara 1 2 1 1 5 2 3 Grupiarinha 3 3 2 1 Guapiara 3 3 3 Gupiara 4 4 4 Gurutuba 1 10 11 11 Humaitá 2 1 3 2 1 Inhaúma 1 1 2 4 3 1 Inhumas 1 1 1 Ita 1 1 2 1 1 Ita Sul 2 2 1 1 Itabaiana 1 1 1 Itabatinga 1 1 1 Itabela 1 1 1 Itaberaba 4 4 1 9 3 6 Itaberaba de Alcindo Cardoso 1 1 1 Itaberaba de Baixo 2 2 2 Itaberaba de Luís R. dos Santos 1 1 1 Itaberoba 1 1 1 Itaberocó 1 1 1 Itabira 2 1 1 2 2 8 4 4 Itabirão 1 1 1 Itabirinha 3 3 1 2 Itabirinha de Mantena 1 1 1 Itabirito 5 5 2 3 Itaboca 1 1 1 Itabuca 1 1 1 Itacambira 1 5 3 9 6 3 Itacambiruçu 5 5 5 Itacarambi 5 8 13 9 4 Itacarambi Pequeno 1 1 1 Itacarambizinho 2 2 2 Itací 4 4 2 2 Itacolomi 6 2 1 1 10 5 5 Itaçu 2 2 1 1 Itaguaba 1 1 1 Itaguaçu 2 4 6 3 3 Itaguara 3 3 2 1     Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017  75  Itaguaré 1 1 1 Itaim 9 9 5 4 Itaipava 1 2 1 1 2 4 11 2 9 Itaipavinha 1 1 1 Itaipé 1 1 1 Itaipu 1 1 1 Itajaí 1 1 1 Itajaó 2 2 1 1 Itajiru 1 1 1 Itajubá 3 1 1 4 9 1 8 Itajuru 2 2 1 1 Italéia 1 1 1 Itamarandiba 8 8 5 3 Itamarandiba do Mato 4 4 3 1 Itamarati 1 1 1 2 5 5 Itamarati de Minas 1 1 1 Itambacuri 9 9 6 3 Itambé 6 1 4 2 13 7 6 Itambé do Mato Dentro 1 1 1 Itamembé 1 1 1 Itamirim 1 1 1 Itamogi 1 1 1 Itamonte 1 1 1 Itamunheque 1 1 1 Itanguá 4 4 2 2 Itanhaém 1 1 1 Itanhandú 4 4 3 1 Itanhomi 1 1 1 Itaobim 1 1 1 Itaoca 1 4 5 2 3 Itapacoral 1 4 5 2 3 Itapagibe 1 1 1 Itapaji da Cia. Vale do Rio Doce 1 1 1 Itapaji, de Manuel Rodrigues 1 1 1 Itapanhoacanga 1 1 1 Itapecerica 1 7 8 5 3 Itapecuru 3 3 2 1 Itapejipe 1 1 1 Itapera 2 1 3 1 2 Itaperanu 2 2 2 Itapetininga 2 2 2 Itapeva 1 7 8 6 2 Itapeva do Capivari 1 1 1 Itapicuru 2 2 2 Itapiporã 2 2 2 Itapira 2 2 2 Itapirapuã 2 2 2 Itapixé 3 3 2 1 Itapoã 2 2 2 Itaporã 1 1 1 Itaporanga 1 4 5 3 2   Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  76  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017.  Itapuã 6 1 1 1 1 2 12 5 7 Itapura 2 1 3 3 Itaquaraçu 1 1 1 Itaquaré 1 1 1 Itaquaruçu 1 1 1 Itaqui 3 3 2 1 Itaquora (Itacoaera) 1 1 1 Itatiaia 2 3 1 6 12 3 9 Itatiaiuçu 1 1 1 Itatinga 1 5 6 3 3 Itaú 1 2 1 4 1 3 Itaú de Minas 1 1 1 Itaúna 1 7 1 3 12 12 Itaúnas 2 2 4 4 Itauninha 1 1 2 1 1 Itaverava 1 1 1 Jacutinga 1 1 1 Lajeado do Buriti Comprido 2 2 2 Lajeado do Capão Alto 1 1 1 Lajeado do Tijuco 1 1 1 Lajeado Samambaia 1 1 1 Lajinha da Capivara 1 1 1 Lajinha do Mutum 1 1 1 Marambaia 2 2 1 1 Pedra do Indaiá 1 1 1 Pedra do Tabocal 1 1 1 Pedra do Urubu 2 2 1 1 Pedra Itabira 1 1 1 Sabará 1 4 5 3 2 Sabaré 2 2 1 1 Sardoá 4 4 2 2 Sericita 1 1 1 Tabatinga 2 3 2 6 12 6 1 1 3 3 3 42 21 21 Tabatinga de Gentil Pereira 1 1 1 Tabatinga de Lindolfo Tiago 2 2 2 Tabatingua 1 1 1 Taipaba 1 1 1 Tapiocanga 1 1 1 Tauá 1 1 2 2 Tejuco 2 2 1 1 Tejuco de Jair Batista de Carvalho 1 1 1 Tijuca 2 2 4 3 1 Tijucal 2 6 8 5 3 Tijucana 1 1 1 Tijuco 5 1 10 1 14 6 37 26 11 Tijuco da Grama 1 1 1 Tijuco Preto 2 20 4 26 15 11 Tijuco Prudentino 2 2 2 Tijucuçu 3 3 2 1 Tijuqueira 1 1 1 Tijuqueiro 1 1 1 Tijuquinha 1 1 1 Tijuquinho 1 1 1   Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017  77  5.  Considerações finais  Após a análise dos dados podemos perceber a importância da pre­ sença dos povos indígenas em Minas Gerais no que compete à nomeação  do território. Tais povos deixaram marcas relevantes não só em acidentes  físicos, como também em acidentes humanos.  Reiteramos a importância dos estudos toponímicos para a recupe­ ração e manutenção da história e da cultura de um povo, que podem estar  registradas em sua toponímia.    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  ANJOS, Marcelo Alessandro Limeira dos. Marcas toponímicas em solo  piauiense:  seguindo as  trilhas das águas. 2012. Tese  (de doutorado). –  Faculdade de Letras, UFMG. Belo Horizonte.   CARVALHINHOS, Patrícia de Jesus. Estudos de onomástica em língua  portuguesa  no  Brasil:  perspectivas  para  inserção  mundial.  In:  LIMA­ HERNANDES,  Maria  Célia;  MARÇALO,  Maria  João;  MICHELETTI,  Guaraciaba; MARTIN, Vima Lia de Rossi. (Orgs.). A língua portuguesa  no mundo. São Paulo: FFLCH­USP, 2008, v. p. ­.  CARVALHO, Mônica Emmanuelle Ferreira de. Língua e cultura do nor­ te de Minas: a toponímia do município de Montes Claros. 2010. Disser­ tação (de Mestrado). – Faculdade de Letras, UFMG, Belo Horizonte.  CASTIGLIONI, Ana Claudia. Topônimos compostos por lândia e pólis:  alguns aspectos discursivos. Confluência (Rio de Janeiro), vol. 41­42, p.  140­151, 2012.  DICK, Maria Vicentina de Paula do Amaral.  A dinâmica dos nomes na  toponímia da cidade de São Paulo: 1554­1897. São Paulo: Annablume,  1996.  ______. A litotoponímia no Brasil. Revista Instituto de Estudos Brasilei­ ro. São Paulo, 1986.  ______.  A  motivação  toponímica  e  a  realidade  brasileira.  São  Paulo:  Arquivo do Estado, 1990a.  ______.  A  motivação  toponímica:  princípios  teóricos  e  modelos  taxio­ nômicos. 1980. Tese (Doutorado em Linguística). – Universidade de São  Paulo, São Paulo.  Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  78  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017.  ______. Fundamentos  teóricos da  toponímia. Estudo de caso: o Projeto  ATEMIG – Atlas Toponímica do Estado de Minas Gerais (variante regi­ onal do Atlas Toponímico do Brasil). In: SEABRA, Maria Cândida Trin­ dade Costa de. (Org.). O léxico em estudo: lexicografia, toponímia, lexi­ cologia,  etimologia,  neologismo,  cultura,  terminologia.  Belo  Horizonte:  Faculdade de Letras da UFMG, 2006, p. 91­117.  DIÉGUES JUNIOR, Manuel. Regiões culturais do Brasil. Rio de Janei­ ro: Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, 1960.  DURANTI, Alessandro. On Theories and Models. Discourse Studies, n.  7, n. 4­5, p. 409­429, 2005. Disponível em:    .  ______.  Language  as  Culture  in  U.S.  Anthropology;  Three  Paradigms.  Current Anthropology, vol. 44, n. 3, p. 323­347, june 2003.  ______.  Lengua  como  cultura  en  la  antropología  norteamericana.  Tres  paradigmas. Trad.: Patricia Dreidemie. Disponível em:    .  LIMA, Emanoela Cristina. A toponímia africana em Minas Gerais. 2012.  Dissertação (de mestrado). – Faculdade de Letras, UFMG, Belo Horizon­ te.  SEABRA, Maria Cândida Trindade Costa de. A formação e a fixação da  língua portuguesa em Minas Gerais: a  toponímia da região do Carmo.  2004. Tese de (Doutorado em Estudos Linguísticos). – Faculdade de Le­ tras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.  ______. Gualacho, Mato Dentro, Outra Banda – topônimos da região do  Carmo – MG: questões léxico­históricas. In: ___. (Org.). O léxico em es­ tudo: lexicografia, toponímia, lexicologia, etimologia, neologismo, cultu­ ra,  terminologia. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2006,  p. 137­154.  ______. Referência e onomástica. In: MAGALHÃES, José Sueli; TRA­ VAGLIA,  Luiz  Carlos.  (Orgs.).  Múltiplas  perspectivas  em  linguística.  Uberlândia: Edufu, 2006, p. 1953­1960. Disponível em:    .  TAVARES,  Marineide  Cassuci.  A  vegetação  na  toponímia  sul­mato­ http://www.sscnet.ucla.edu/anthro/faculty/duranti/2005.Duranti.Theories.pdf http://www.sscnet.ucla.edu/anthro/faculty/duranti/2005.Duranti.Theories.pdf http://www.sscnet.ucla.edu/anthro/faculty/duranti/reprints/lenguacultura.pdf http://www.sscnet.ucla.edu/anthro/faculty/duranti/reprints/lenguacultura.pdf http://www.filologia.org.br/ileel/artigos/artigo_442.pdf Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos  Revista Philologus, Ano 23, N° 68. Rio de Janeiro: CiFEFiL, maio/ago.2017  79  grossense: um estudo preliminar nas microrregiões de Campo Grande e  do Alto Taquari. Estudos Linguísticos,  vol. XXXIV, n.  52 –  Seminário  do GEL, Campinas, p. 322­327, 2005.