Maria Luiza Vieira Carvalho EFICÁCIA DA KINESIO TAPING® NA OXIGENAÇÃO TECIDUAL EM MULHERES COM INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA – UM ENSAIO CLÍNICO ALEATORIZADO Belo Horizonte Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional Universidade Federal de Minas Gerais 2019 Maria Luiza Vieira Carvalho EFICÁCIA DA KINESIO TAPING NA OXIGENAÇÃO TECIDUAL EM MULHERES COM INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA – UM ENSAIO CLÍNICO ALEATORIZADO Belo Horizonte Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional Universidade Federal de Minas Gerais 2019 Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial à obtenção do título de doutor. Área de Concentração: Desempenho Funcional Humano Linha de Pesquisa: Desempenho Cardiorrespiratório Orientadora: Profa. Dra. Danielle Aparecida Gomes Pereira S729e 2019 Souza, Maria Luiza Vieira Eficácia da kinesio taping® na oxigenação tecidual em mulheres com insuficiência venosa crônica – um ensaio clínico aleatorizado. [manuscrito] / Maria Luiza Vieira Carvalho – 2017. 93 f., enc.: il. Orientadora: Danielle Aparecida Gomes Pereira Tese (doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Bibliografia: f. 01-93. 1. Fisioterapia – Teses. 2. Insuficiência venosa – Teses. 3. Mulheres – Teses. I. Pereira, Danielle Aparecida Gomes. II. Universidade Federal de Minas Gerais. Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. III. Título. CDU: 615.8-053.9 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Danilo Francisco de Souza Lage, CRB 6: n° 3132, da Biblioteca da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG. AGRADECIMENTOS Agradeço a Luz Divina que habita em mim e em todos, que me proporciona toda energia e capacidades para aprender e assim, poder contribuir de alguma forma. Gratidão primeiramente a Profa. Dra. Danielle Aparecida Gomes Pereira, pois sem ela a conclusão deste trabalho não seria possível. Obrigada por me acolher desde a graduação até o doutorado. Me aceitado da forma multifacetária que sou, ter tido paciência e compreensão das minhas dificuldades e me guiado a melhorar a cada dia. Gratidão por tudo que fez e faz por mim! Você foi mais que orientadora, foi amiga, mãe e muito mais. Tenho um sentimento de gratidão e carinho por você imensuráveis, você com certeza é um presente que Deus me deu! Gratidão a minha família: meu pai Luiz Antônio Santos Carvalho, minha mãe Maria Izabel Vieira Carvalho que foram impulsionadores para a minha busca de conhecimento e sempre acreditaram na minha capacidade de ajudar as pessoas. Aos meus queridos e amados irmãos Renata Vieira de Carvalho Azevedo e Rodrigo Vieira Carvalho, que são presentes de amor que Deus me deu. Aos meus irmãos agregados Tammy Karoline Santos Niitsuma e Roberto Santiago Azevedo, que sempre com muito carinho me apoiam e confortam em momentos cruciais. Peço desculpa pela ausência na vida de vocês e pela compreensão neste processo. Agradeço a minha amiga Giane Ribeiro Samora, minha eterna professora! Cada instante ao seu lado é um aprendizado imensurável. Obrigada pelos vários momentos importantes nesta vida, por me socorrer em todos os aspectos, pessoais e profissionais. Agradeço também com muito carinho o seu marido Marcio Samora, sua filha Juliana Samora e seus familiares que me acolheram como uma filha. A minha amiga e querida Debora Pantuso por ser esta pessoa inexplicável, um dos maiores presentes que a UFMG pode ter trazido para minha vida. Pessoa incrível que é capaz de me trazer segurança em poucos momentos e palavras. A minha querida amiga Debora Úrsula que admiro tanto como pessoa e profissional, e me acolhe com tanto carinho em nossa conversas. Agradeço a Dayane Montemezzo que foi muito especial em muitas fases deste doutorado e da minha vida. Sinto sua falta em BH! Gratidão a meu amigo especial Aleson Cacique, que com palavras preciosas acalma o meu coração diariamente e me guia. Gratidão a minha amiga, terapeuta e professora Alessandra Guimarães por me dar apoio e ser peça essencial na minha vida. Por me socorrer nas correções de inglês da tese! Obrigada por me fortalecer! Gratidão Mariana Coelho da Cunha Squair Bomfim e seu marido Richard Johnston Squair Bomfim pela amizade apoio e carinho. Momentos essências para a minha construção pessoal. Aos meus amados amigos que sempre acolhem meu o coração nos momentos complexos: Priscila Guimarães Guimarães de Campos Santiago, Arthur Chaves Santiago, Maria Claudiana, Edson Anacleto Fortes Junior. Agradeço de coração a Mirian Avelar, por me acolher e me dar um carinho especial, me ajudando a ter forças para continuar nos processos da minha vida. Agradecimento a todo a todas acadêmicas e as fisioterapeutas que me assistiram no processo de realização do projeto de doutorado: Adeliane Almeida, Ana Claudia Borges, Andreza de Castro, Cíntia Dias, Kely Silveira, Ana Luiza. Agradeço Isabella de Oliveira Nascimento no processo das coletas e em todo percurso, pelo carinho e pelo apoio. Meninas se não fosse por toda dedicação e comprometimento de vocês este trabalho não seria o mesmo. Aos meus colegas queridos adquiridos na UFMG que fizeram disciplinas comigo e contribuíram para o meu crescimento em especial a Patrícia Geisel, Valéria Cristina de Faria e Ana Paula Ferreira. Agradeço a Rafael Viegas Vargas Lima e toda a sua família, por toda a sua dedicação em me ajudar sempre que precisei, por me incentivar sempre e por abdicar de vários momentos em função da construção do meu sonho. Obrigada pelo carinho! Agradecimento especial para Denise Vargas, Eliane e Beto! Agradeço a Mirinha e a Margareth que mesmo de longe sempre me apoiam e me enviam palavras de carinho e amizade. Agradecida também por todos os professores e profissionais da UFMG, do Uni- BH que fizeram parte da minha trajetória acadêmica. Em especial, Daniella Longo, Ana Paula Lima, Luciana Campanha. Vejo reflexos da influência de vocês na minha vida. Aos pacientes e seus familiares, em especial Terezinha Nunes Lana, Zélia Martins Chagas, Rita Nelson e familiares que compreenderam esta fase da minha vida e me deram todo apoio e carinho. Agradeço a todos os meus pacientes que me acompanharam nesta jornada compreendendo e me apoiando em todo processo, em especial: Dolores Belico, Arnaldo Alvarenga, Beth Alvarenga, Bruno Rafael, Andreia Paleta, Agradecimento a todos os professores da FACEMG, em especial a Suellen Fonseca, Ronaldo, Lívia Gallo e meus coordenadores Carlos Metzker e Adriano Araújo por todo apoio e amizade nesta trajetória. Agradeço também a Professora Claudia e ao Professor Magno pelo incentivo e carinho que recebo. Agradeço todos os meus alunos da FACEMG que sempre me recebem com muito carinho e me fazem buscar mais motivos para aprender. RESUMO A insuficiência venosa crônica (IVC) é uma anormalidade do funcionamento do sistema venoso com perda progressiva de perfusão tecidual. A técnica de aplicação Kinesio Taping® (KT), vem sendo considerada como uma nova opção de tratamento para indivíduos com IVC, sendo uma possível alternativa para modificações nas respostas teciduais. O objetivo primário desta tese foi analisar os efeitos agudo e crônico do uso de KT na perfusão tecidual de mulheres com IVC. Para cumprir com esse objetivo foram realizados dois estudos. Estudo 01 sobre efeito agudo por meio de um ensaio clínico aleatorizado, duplo-cego, com amostra composta por 59 mulheres que apresentavam diagnóstico de IVC de leve a moderada, aleatorizadas em grupo intervenção com KT grupo controle (KT placebo). A Near Infrared Spectroscopy (NIRS) foi posicionada no músculo gastrocnêmio medial, para avaliação da perfusão tecidual em repouso, 48h após o primeiro dia de avaliação, e após colocação da fita de KT. A avaliação consistiu também na realização de movimentos do exame de pletismografia: elevação dos membros inferiores a 15cm durante cinco minutos, ortostatismo sem apoio na perna avaliada, realização de uma flexão plantar e seguidos de dez flexões plantares sucessivas, ambas em apoio bipodal. Para verificar as comparações dos dados pré e pós colocação da KT, foi utilizado o delta da variação para análise. Para as comparações entre os grupos intervenção e controle foi realizado o teste de Mann Whitney-U. Estudo 2 sobre efeito crônico por meio de um ensaio clínico aleatorizado, duplo-cego, com amostra não probabilística, estratificada em grupos de acordo com a gravidade clínica da IVC e dividida aleatoriamente em grupo intervenção com KT grupo controle (KT placebo). Foram incluídas no estudo 55 mulheres de 30 a 79 anos com diagnóstico de IVC. Foram feitas avaliações no início e após doze sessões de tratamento (quatro semanas). A avaliação contou com a coleta dos dados demográficos, avaliação da perfusão tecidual com a NIRS durante o teste de caminhada com velocidade constante na esteira, incremental shuttle walk test, heel-rise test e protocolo de movimentos da pletismografia, em ordem aleatória. Adicionalmente foram avaliados dados de capacidade funcional, função de bomba muscular de panturrilha e dor. As variáveis foram analisadas utilizando o delta das variáveis e comparados utilizando o teste de Mann Whitney-U. Resultados do estudo 01: Em relação ao efeito agudo da KT de mulheres com IVC pode-se observar que não houve diferença estatisticamente significativa na perfusão tecidual entre os grupos. Apesar da ausência de significância estatística, o grupo KT apresentou uma retenção venosa 785,7% menor que o grupo controle. Resultados estudo 02: O efeito crônico do uso da KT em mulheres com IVC não promoveu mudança significativa na perfusão tecidual e nem na variáveis demográficas e clínicas, sendo observado diferença estaticamente significativa na variável Indice de retenção venosa ambulatorial no teste em esteira (IRVA_TE). Conclusão: O uso agudo da KT em mulheres com IVC, não foi capaz de alterar significativamente a perfusão tecidual da musculatura da panturrilha. Porém, foi possível observar mudanças percentuais importantes a serem consideradas do ponto de vista clínico. O uso crônico da KT em mulheres com IVC por 12 sessões não foi capaz de modificar a perfusão tecidual periférica da musculatura de panturrilha, capacidade funcional, função de bomba muscular de panturrilha e dor em mulheres com IVC de gravidade leve. Houve um comportamento de piora menos acentuada da retenção venosa ambulatorial durante o exercício em esteira no grupo KT, que precisa ser melhor investigado. Palavras-chave: Fisioterapia. Varizes. Espectroscopia de luz próxima ao infravermelho. ABSTRACT Chronic venous insufficiency (CVI) is an abnormality of venous system function with progressive loss of tissue perfusion. The Kinesio Taping® (KT) application technique has been considered as a new treatment option for CVI, being a possible alternative for changes in tissue responses. The primary objective of this analysis was to analyze the acute and chronic effects of KT use on tissue perfusion in women with CVI. To run this this objective, two studies were performed. Acute effect study 01 through a double- blind, randomized controlled trial, with a sample of 59 women who had a diagnosis of moderate-level CVI, randomized to a KT group control (KT placebo) intervention group. Near Infrared Spectroscopy (NIRS) was placed on the medial gastrocnemius muscle for assessment of resting tissue perfusion 48h after the first day of evaluation and after the KT tape application. An evaluation also consisted of performing plethysmographic examination movements: lower limb height up to 15cm for five minutes, orthostatism without leg support evaluated, a plantar flexion and followed by ten successive plantar flexions, in bipodal support. To check how comparisons of pre and post KT data were used or delta variation for analysis. For comparisons between the intervention and control groups, the Mann Whitney-U test was performed. Study 2 on chronic effect using a randomized, double-blind, non-probabilistic clinical trial stratified into groups according to an IVC clinical clinic and randomly divided into the intervention group with KT control group (KT placebo). Fifty-five women aged 30 to 79 years with a diagnosis of CVI were included in the study. Tests were performed at baseline and after twelve treatment sessions (four weeks). An evaluation was performed with demographic data collection, tissue perfusion evaluation with NIRS during constant speed walking test, transport incremental walking test, heel elevation test and plethysmography movement protocol, in random order. Additionally, data on functional capacity, calf muscle pump function and pain were applied. As variables were analyzed using the delta of the variables and compared using the Mann Whitney-U test. Study results 01: Regarding the acute effect of KT in women with CVI it can be observed that there was no statistically significant difference in tissue perfusion between the groups. Despite the absence of statistical significance, the KT group had a 785.7% lower venous retention than the control group. Results study 02: The chronic effect of KT use in women with CVI did not promote significant change in tissue perfusion or demographic and clinical variables, and a statistically significant difference was observed in the variable IRVA_TE. Conclusion: The acute use of KT in women with CVI was not able to significantly alter the tissue perfusion of the calf muscles. However, it was possible to observe important percentage changes to be considered from the clinical point of view. Chronic use of KT in 12-session women with CVI has not been able to modify peripheral tissue perfusion of calf muscles, functional capacity, calf muscle pump function, and pain in women with mildly severe CVI. There was a less pronounced worsening behavior of outpatient venous retention during treadmill exercise in the KT group, which needs to be further investigated. Keywords: Physical therapy. Varicose veins. Near infrared light spectroscopy. LISTA DE ABREVIATURAS DELTA_HHB Delta entre os valores de deoxiemoglobina pré e pós colocação da fita de Kinesio Taping DELTA_IRVA_TE Delta do Indice de retenção venosa ambulatorial obtido no teste de esteira DELTA_SPO2 Delta entre os valores de saturação periférica de oxigênio pré e pós colocação da fita de Kinesio Taping Unid. Unidade Bpm Batimentos por minuto CEAP Clinical Etiology Anatomy Pathophysiology Classification of Chronic Venous Disease FC Frequência Cardíaca EVA Escala Visual Analógica EV_HHb Esvaziamento venoso de Deoxihemoglobina FE_HHb Fração de ejeção de Deoxihemoglobina FRET Fração de retenção FVR_HHB Fração de volume residual de deoxiemoglobina GC Grupo Controle GKT Grupo Kinesio Taping® HHB_1FP Menor valor de deoxiemoglobina após uma flexão plantar HRT Heel rise test HRT_rep Número de repetições obtidos no Heel rise test HRT_taxa Taxa de repetições obtidos no Heel rise test IMC Índice de massa corporal IVC Insuficiência Venosa Crônica IEV_HHB Índice de enchimento venoso de deoxiemoglobina IRVA Índice de retenção venosa ambulatorial IRVA _ISWT Índice de retenção venosa ambulatorial obtido no Incremental Shuttle Walk Test IRVA_TE Índice de retenção venosa ambulatorial obtido no Incremental no teste de esteira ISWT Incremental Shuttle Walking Test IVC Insuficiência Venosa Crônica IRV_HHb Índice retenção venosa de deoxiemoglobina Hb Hemoglobina HbO2 Oxihemoglobina HHb Deoxihemoglobina HRT Heel-Rise Test KT Kinesio Taping® NIRS Near-Infrared Spectroscopy PA Pressão arterial RM Repetições máximas RV_HHb Retenção venosa StO2 Saturação tecidual TE90%_HHb 90% do Volume Venoso de deoxiemoglobina no sistema venoso TVP Trombose Venosa Profunda TCLE Termo de consentimento livre esclarecido VE_HHb Volume de ejeção de Deoxihemoglobina VV90%_HHb 90% do volume de Deoxihemoglobina VR_HHb Volume residual de Deoxihemoglobina VV_HHb Volume Venoso de deoxiemoglobina PREFÁCIO A presente Tese de Doutorado foi organizada de acordo com o formato opcional da RESOLUÇÃO Nº004 /2018, de 03 de abril de 2018 do Colegiado do Programa de Pós- Graduação em Ciências da Reabilitação da Universidade Federal de Minas Gerais e está formatada conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Contém introdução com a contextualização do tema, seguida de uma revisão da literatura a respeito da insuficiência venosa crônica, formas de tratamento e avaliação da perfusão tecidual por meio da espectroscopia por infravermelho próximo - Near Infrared Spectroscopy (NIRS). Esta tese apresenta ainda justificativa, objetivos e hipótese. Os métodos e resultados da presente tese, foram apresentados em dois artigos científicos, o primeiro intitulado: “Kinesio taping acute effect on peripheral tissue perfusion in women with chronic venous failure – a randomized controlled trial”, formatado de acordo com as regras da revista Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders, que foi submetido no dia 03 de outubro de 2019. O segundo artigo intitulado “Eficácia do uso crônico da Kinesio Taping na perfusão tecidual periférica, capacidade funcional, função de bomba muscular e dor em mulheres com insuficiência venosa crônica - ensaio clínico aleatorizado, duplo-cego” se encontra de acordo com as normas da ABNT, será adequado após a apreciação da banca e posteriormente submetido a periódico indexado. A presente Tese é finalizada com as considerações finais, referências bibliográficas, anexos e apêndices, além de um mini currículo da doutoranda. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO................................................................................... 17 2. REVISÃO DE LITERATURA............................................................. 21 2.1 Insuficiência venosa crônica........................................................ 21 2.2 Tratamento da IVC...................................................................... 23 2.3 Avaliação da oxigenação tecidual na IVC................................... 26 3. JUSTIFICATIVA................................................................................ 31 4. OBJETIVO PRIMÁRIO.................................................................. 32 4.1 Objetivos específicos................................................................... 32 5. HIPÓTESE DO ESTUDO.................................................................. 33 6. MÉTODOS E RESULTADOS............................................................ 34 6.1 Artigo 1........................................................................................ 34 6.2 Artigo 2........................................................................................ 50 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................. 73 REFERÊNCIAS................................................................................. 78 ANEXOS............................................................................................ 79 Anexo A............................................................................................. 80 Anexo B............................................................................................. 81 Anexo C............................................................................................. 82 APÊNDICES...................................................................................... 83 Apêndice 1......................................................................................... 84 Apêndice 2......................................................................................... 89 Apêndice 3......................................................................................... 93 17 1 INTRODUÇÃO O sistema vascular venoso é tido como uma unidade funcional para drenagem de sangue, que facilita o retorno venoso. É composto pelas veias profundas, superficiais e veias perfurantes (GLOVICZKI; GLOVICZKI, 2012). O sistema superficial é localizado acima da fáscia e é interconectado por uma rede de troncos venosos superficiais (EBERHARDT; RAFFETTO, 2014b). O sistema venoso profundo consiste de um conjunto de veias axiais, de maior calibre, localizadas abaixo da fáscia, e a comunicação destes dois sistemas é realizado pelas veias perfurantes. Esse sistema em conjunto com a ação muscular promove o retorno venoso adequado ao coração (GLOVICZKI; GLOVICZKI, 2012). A insuficiência venosa crônica (IVC) pode ser primária, quando associada a anormalidades do sistema venoso e valvular, ou secundária, quando ocorre após um evento trombótico (ALDUNATE; ISAAC; LADEIRA; CARVALHO et al., 2010; EBERHARDT; RAFFETTO, 2014a). Os indivíduos que apresentam os dois quadros, obstrução crônica e refluxo, possuem alta incidência de mudanças na pele com desenvolvimento de úlceras (BURNAND; WHIMSTER; NAIDOO; BROWSE, 1982; GLOVICZKI; GLOVICZKI, 2012). A IVC pode comprometer o sistema venoso superficial, o sistema venoso profundo ou ambos (EBERHARDT; RAFFETTO, 2005; RUTHERFORD ; KIANIFARD S ; COOK; HOLDSTOCK M et al., 2001). Os fatores de risco relacionados são: o posicionamento ortostático ou assentado por tempo prolongado, que são associados com hipertensão venosa e distúrbios na microcirculação (SELCUK KAPISIZ; UZUN KULAOGLU; FEN; KAPISIZ, 2014). As alterações hemodinâmicas presentes nos vasos de maiores calibres, são transmitidas para a microcirculação, acarretando em microangiopatias, dilatações e tortuosidades no leito capilar, espessamento de membranas basais com aumento da quantidade de fibras elásticas, danos endoteliais como, alargamento do espaço entre as células e edema pericapilar. Sinais como eritema, pele sensível, edema, hiperpigmentação, lipodermatoesclerose, atrofia branca ou ulceração podem ser visualizadas nos indivíduos com IVC (BURNAND; WHIMSTER; NAIDOO; BROWSE, 18 1982; XU; SHI, 2014). Essas alterações, independente da causa, são advindas da hipertensão venosa crônica, dos vasos mais calibrosos que rapidamente afetam a microcirculação (ATTA, 2012). O diagnóstico da IVC consiste principalmente na anamnese e exame físico, sendo necessário a realização da palpação e observações de alterações vasculares. O uso de exames complementares permite analisar, localizar e quantificar as alterações do sistema venoso (EKLÖF, BO; RUTHERFORD, ROBERT B.; BERGAN, JOHN J.; CARPENTIER, PATRICK H. et al., 2004; GLOVICZKI; GLOVICZKI, 2012). Porém, tais exames analisam os vasos que apresentam maior calibre e sua funcionalidade, mas não consideram as questões relativas à mensuração da oxigenação tecidual e, logo, não permitem uma exploração mais detalhada das estruturas e função dos tecidos. A Near Infrared Spectroscopy (NIRS), por sua vez, permite uma avaliação não invasiva da oxigenação tecidual muscular, além de inferir sobre as anormalidades circulatórias e metabólicas (BOUSHEL; LANGBERG; OLESEN; GONZALES-ALONZO et al., 2001). Com a NIRS é possível obter os parâmetros de saturação do oxigênio (SatO2), variação de oxihemoglobina (HbO2) e de desoxihemoglobina (HHb) (BOUSHEL; POTT; MADSEN; RÅDEGRAN et al., 1998; VARDI; NINI, 2008). A NIRS já foi utilizada para analisar e comparar as variações de HHb, durante a caminhada, em indivíduos com e sem IVC, sendo demonstrado que nas pessoas com a doença venosa há redução do nível de HHb durante a caminhada, em fases precoces do exercício, seguido de aumento acima dos níveis iniciais, que perdura até fases posteriores ao fim do exercício. Este comportamento foi associado à presença do refluxo e aumento da complacência do sistema venoso, nos vasos da musculatura da panturrilha. Sendo assim, pode-se observar, que por meio da avaliação realizada pela NIRS é factível analisar a diferença no perfil de desoxigenação tecidual durante a deambulação entre pessoas com e sem IVC (HOSOI; YASUHARA; SHIGEMATSU; ARAMOTO et al., 1997). A NIRS foi capaz de verificar, por meio de comparações com o Duplex Scan, que quando a IVC compromete o sistema venoso superficial ocorre maiores índices de retenção venosa, além de demonstrar que, quando há aumento da velocidade de refluxo, maiores são os índices de enchimento e retenção venosa em veias mais 19 periféricas, ou seja, a NIRS é capaz de detectar as alterações da complacência do sistema venoso durante a movimentação dos membros inferiores em pessoas com IVC (YAMAKI, T.; NOZAKI, M.; SAKURAI, H.; TAKEUCHI, M. et al., 2006). Considerando todas as alterações provenientes da IVC, os tratamentos propostos têm como intuito minimizar a hipertensão venosa e as limitações relacionadas. As opções de tratamento mais utilizadas consistem em medicamentoso, cirúrgico, uso de meias compressivas, compressão pneumática e prática de exercícios físicos (ASCHWANDEN; JEANNERET; KOLLER; THALHAMMER et al., 2008; EBERHARDT; RAFFETTO, 2014a; MANSILHA; SOUSA, 2019; TEW, G. A.; MICHAELS, J.; CRANK, H.; MIDDLETON, G. et al., 2015). A prática de exercício físico é considerada uma medida efetiva de profilaxia e tratamento da IVC, sendo indicado a caminhada, treino de força e resistência da musculatura de membros inferiores, principalmente de tríceps sural (TEW, G. A.; MICHAELS, J.; CRANK, H.; MIDDLETON, G. et al., 2015). A técnica de aplicação do Kinesio Taping® (KT), tem sido utilizada na prática clínica para o tratamento de alterações ortopédicas, dor, função muscular, edema, uma vez que não restringe o movimento em razão de sua elasticidade (KALRON; BAR-SELA, 2013). Desenvolvida em 1973, a KT consiste na aplicação de fitas adesivas 100% algodão (Kinesio® Tex Tape), hipoalérgicas, resistentes a água e de rápida evaporação e secagem. O contato da bandagem com a pele, considerando a maneira de aplicação, pode provocar dobras que elevam a pele afastando-a do tecido mais profundo, liberando a pressão e promovendo a movimentação da linfa e a circulação de água dos tecidos conectivos (KASE; TATSUYUKI; TOMOKI, 1996)). Com isso, pode alterar os sintomas de dor, redução das contrações exacerbadas, mudanças da drenagem linfática e do posicionamento articular (KALRON; BAR-SELA, 2013), podendo ser uma opção de tratamento da IVC (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO- SANCHEZ; MATARAN-PENARROCHA; GARCIA-MURO et al., 2013). Esta técnica, foi utilizada em mulheres com IVC, sendo demonstrado seu efeito em reduzir os sintomas de sensação de peso em membros inferiores, claudicação, edema, câimbras, dor, tempo de enchimento venoso, potência da musculatura da panturrilha e quantidade de líquido extracelular, gravidade clínica da doença e função física (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO-SANCHEZ; MATARAN-PENARROCHA; 20 GARCIA-MURO et al., 2013). Além disso, a KT foi capaz de melhorar a atividade eletromiográfica dos músculos gastrocnêmicos (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO- SANCHEZ; MATARAN-PENARROCHA; GARCIA-MURO et al., 2013) 21 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Insuficiência venosa crônica (IVC) O sistema venoso tem como função essencial a condução do fluxo sanguíneo em direção ao coração e possui válvulas bicúspides unidirecionais que impedem o refluxo sanguíneo (EBERHARDT; RAFFETTO, 2014a). O funcionamento das válvulas se divide em quatro fases: abertura, equilíbrio, fechamento e oclusão completa (EBERHARDT; RAFFETTO, 2014a; GLOVICZKI, P.; COMEROTA, A. J.; DALSING, M. C.; EKLOF, B. G. et al., 2011). No momento da contração da musculatura da panturrilha ocorre a compressão e o esvaziamento das veias profundas, e ejeção do sangue em direção ao, fazendo com que a pressão intravenosa reduza e promova a passagem do sangue do leito superficial para o profundo, por meio das veias perfurantes coração (EKLÖF, BO; RUTHERFORD, ROBERT B.; BERGAN, JOHN J.; CARPENTIER, PATRICK H. et al., 2004; EKLÖF, B.; RUTHERFORD, R. B.; BERGAN, J. J.; CARPENTIER, P. H. et al., 2004). A IVC é instalada quando ocorre hipertensão venosa, que pode ser intrínseca à anormalidade valvar, associada ou não a trombose, e à deficiência do funcionamento da musculatura da panturrilha (GLOVICZKI, PETER; COMEROTA, ANTHONY J.; DALSING, MICHAEL C.; EKLOF, BO G. et al., 2011). Pode afetar o sistema venoso superficial, profundo ou ambos. Os indivíduos que apresentam os dois quadros, obstrução crônica e refluxo, possuem alta incidência de mudanças na pele e ulceração (PIAZZA, 2014). A pressão venosa na posição ortostática em repouso é aproximadamente 80 a 90mmHg. Quando a deambulação é realizada, ocorre redução de 20 a 30mmHg (ou mais que 50% da pressão inicial), devido à contração muscular, principalmente de panturrilha. Ao término da atividade, a pressão do sistema venoso se eleva gradualmente até nos valores de repouso, em aproximadamente 20 segundos (EBERHARDT; RAFFETTO, 2014a). Na presença de funcionamento inadequado do sistema venoso, as pressões de repouso já se encontram aumentadas e, no momento da deambulação, apesar de ocorrer um declínio, este é menor que 50% do valor inicial. Além disso, quando a atividade é cessada o tempo de retorno, da pressão aos valores 22 iniciais, é menor, indicando que a complacência do sistema está aumentada. Nos casos em que há obstrução por um trombo, as pressões permanecem elevadas e não são observadas reduções importantes com a deambulação (EBERHARDT; RAFFETTO, 2014a). A hipertensão intravascular de vasos mais calibrosos, rapidamente afeta a microcirculação e o extravasamento de macromoléculas, de hemácias, leucócitos, ativação do sistema imune, com instalação de processo inflamatório e acúmulo de fibrina em volta do leito capilar (BURNAND; WHIMSTER; NAIDOO; BROWSE, 1982). Este processo desencadeia o surgimento de sinais como dilatação venosa, edema, hiperpigmentação, além de eritema e pele sensível. A fibrina presente no espaço intersticial dificulta a passagem de oxigênio para os tecidos, levando à baixa perfusão e à formação da lipodermatoesclerose e consequentemente úlceras (ATTA, 2012; BURNAND; WHIMSTER; NAIDOO; BROWSE, 1982). É importante ressaltar que a presença de lipodermatoesclerose e fibrina em torno do leito capilar representa estágio mais avançado da IVC e dificultam o efeito da bomba muscular no esvaziamento do leito venoso, com menores reduções na pressão venosa durante o exercício (BURNAND; WHIMSTER; NAIDOO; BROWSE, 1982; XU; GUO-PING., 2014). O acúmulo de hemossiderina, devido ao extravasamento de hemoglobina, confere à pele a pigmentação ocre típica da estase venosa crônica. A lipodermatoesclerose é percebida no desenvolvimento da doença, onde há o processo de fibrose crônica da derme e do subcutâneo, resultando em uma pele firme e endurecida. Em quadros mais avançados é possível observar edema proximal, atrofia distal da perna e úlcera (BURNAND; WHIMSTER; NAIDOO; BROWSE, 1982; XU; GUO-PING., 2014). O indivíduo também pode apresentar teleangectasias, veias reticulares e veias varicosas, todas provocadas por alterações no calibre do vaso, devido a rupturas dos feixes elásticos e musculares da camada média, que associadas a fibrose, compromete a complacência dos vasos (LABROPOULOS, 2019). De acordo com os dados fornecidos pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular a IVC, levando em consideração todas as faixas etárias, no Brasil 23 apresenta uma prevalência média de 38%, sendo observada em 30% dos homens e 45 % das mulheres (RODRIGO; CAMPOS; DE, 2015). Sendo assim considerado como problema de saúde pública, principalmente em estágios avançados, pois causa isolamento social, alterações psicológicas, reduzindo de forma expressiva a qualidade de vida dos acometidos(RODRIGO; CAMPOS; DE, 2015). Independente da evolução clínica, a principal queixa da IVC é o sintoma doloroso, o qual é caracterizado por sensação de cansaço, peso, câimbra, calor ou queimação, ardor em membros inferiores, com intensidade variável (LABROPOULOS, 2019). Na maioria das vezes, é aliviado com a deambulação e elevação dos membros inferiores (PIAZZA, 2014). O sintoma doloroso ocorre pelo excesso de líquido intersticial que preenche os espaços livres entre os tecidos, interferindo na atividade metabólica das células e estimulando os terminais nervosos livres. A movimentação dos membros e dos tecidos é de suma importância para circulação dos líquidos corporais tanto dentro quanto fora dos vasos, evitando, assim, estase sanguínea, elevações de pressões e o surgimento de sintomas (EBERHARDT; RAFFETTO, 2014b). 2.2 Tratamento da IVC Alguns tratamentos são propostos para abordagem de indivíduos com IVC como o medicamentoso e o cirúrgico, além da terapia compressiva associada ou não aos exercícios físicos (ASCHWANDEN; JEANNERET; KOLLER; THALHAMMER et al., 2008; PIAZZA, 2014; TEW, G. A.; MICHAELS, J.; CRANK, H.; MIDDLETON, G. et al., 2015). Os medicamentos venoativos e diuréticos são utilizados com o objetivo de reduzir os sintomas como edema e dor, podendo produzir efeitos colaterais que reduzem a qualidade de vida dos indivíduos com a doença (ALEKSIEJEW- KLESZCZYŃSKI; JAGIELSKA-CHWAŁA, 2015). Os procedimentos cirúrgicos têm como objetivo a melhora dos sintomas e das características estéticas; porém, são invasivos, possuem um elevado custo, com períodos de afastamento do trabalho e podem levar a consequências pós-operatórias, a exemplificar, os hematomas e perda de sensibilidade cutânea (GLOVICZKI; GLOVICZKI, 2012) 24 O uso de meias compressivas elásticas e inelásticas tem como objetivo reduzir momentaneamente o diâmetro do vaso, melhorando a funcionalidade das valvas e reduzindo os sintomas e a progressão da doença. Estudos apontam que o uso da meia compressiva é capaz de reduzir o sintoma doloroso e o edema presente na IVC (SHINGLER; ROBERTSON; BOGHOSSIAN; STEWART, 2013), como também a complacência do vaso durante a caminhada (HOSOI; YASUHARA; SHIGEMATSU; ARAMOTO et al., 1997); porém há algumas controvérsias, em relação a qualidade dos artigos e a quanto a prescrição correta da compressão capaz de interferir em tais sintomas (DISSEMOND; ASSENHEIMER; BULTEMANN; GERBER et al., 2016).Além disso, de acordo com a prática clínica, as meias, caso adquiridas em tamanhos errados ou se mal colocadas, podem dificultar o funcionamento das articulações ou mesmo gerar garrotes, piorando o edema. A compressão pneumática, seria uma outra forma de tratamento, que pode ser utilizada de forma concomitante ou não aos exercícios, uma vez que é capaz de interferir no fluxo venoso, no tempo de reenchimento e na dor (YAMANY; HAMDY, 2016). Esta técnica age comprimindo o sistema venoso reduzindo o calibre do vaso e a estase venosa (DELIS; LABROPOULOS; NICOLAIDES; GLENVILLE et al., 2000). Porém o equipamento tem o custo elevado, ainda não apresenta parâmetros bem estabelecidos para a sua utilização, além de necessitar de supervisão de um profissional (YAMANY; HAMDY, 2016). A prática de exercício físico é considerada uma medida efetiva de profilaxia e tratamento dos sinais e sintomas da IVC, sendo a caminhada e o treino de força e resistência da musculatura de membros inferiores, principalmente de tríceps sural, de suma importância, inclusive para melhora dos sintomas e da amplitude de movimento da articulação talocrural, além da prevenção de complicações tardias da doença (QUILICI; GILDO; DE GODOY; QUILICI et al., 2009; TEW, G. A.; MICHAELS, J.; CRANK, H.; MIDDLETON, G. et al., 2015). Técnicas complementares vem sendo uma proposta para abordagem de indivíduos com IVC. A de aplicação do Kinesio Taping® (KT), tem sido utilizada na prática clínica para o tratamento de alterações ortopédicas, dor, perda de força muscular, lesões musculares, edema, sem provocar restrição do movimento, uma vez que tem 25 capacidade elástica (MORRIS; JONES; RYAN; RYAN, 2013). Desenvolvida em 1973 pelo Dr. Kenso Kase, a KT consiste na aplicação de fitas adesivas 100% algodão (Kinesio® Tex Tape), hipoalergênicas, resistentes à água e de rápida evaporação e secagem. Atualmente, existem vários tamanhos e colorações e podem permanecer aplicadas por três a cinco dias dependendo da área corporal. Para os tratamentos que demandam períodos prolongados, é recomendado que as fitas sejam trocadas de três em três dias (KASE; TATSUYUKI; TOMOKI, 1996). O contato da bandagem com a pele, considerando a maneira de aplicação, pode provocar dobras que elevam a pele afastando-a do tecido mais profundo liberando a pressão e promovendo a movimentação da linfa e circulação de água livre dos tecidos conectivos (KASE; TATSUYUKI; TOMOKI, 1996; MORRIS; JONES; RYAN; RYAN, 2013). Neste sentido, pode ocorrer alívio da dor, redução das contrações exacerbadas, sinestesia, melhora drenagem linfática (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO-SANCHEZ; MATARAN- PENARROCHA; GUISADO-BARRILAO et al., 2014) e do posicionamento articular (KALRON; BAR-SELA, 2013), podendo ser uma opção de tratamento da IVC (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO-SANCHEZ; MATARAN-PENARROCHA; GARCIA-MURO et al., 2013). Um estudo randomizado e controlado, duplo cego, com a utilização de KT em 120 mulheres pós menopausa com IVC de leve a moderada, foi realizado com o objetivo de verificar o efeito da KT nos sintomas venosos, dor, fluxo venoso periférico, gravidade da doença e estado geral de saúde após um mês de tratamento (AGUILAR- FERRÁNDIZ; CASTRO-SÁNCHEZ; MATARÁN-PEÑARROCHA; GUISADO- BARRILAO et al., 2014). A técnica utilizada no grupo intervenção foi o uso de faixas de KT para ativação dos gastrocnêmicos laterais e mediais, dorsiflexores e em região maleolar para promover a compressão venosa. No grupo controle utilizou-se o mesmo número de faixas e nos mesmos locais, sem as tensões necessárias. Realizaram-se aplicações por três vezes na semana, por quatro semanas, em ambos os grupos (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO-SANCHEZ; MATARAN- PENARROCHA; GUISADO-BARRILAO et al., 2014). No início do referido estudo, os grupos apresentaram características similares. Verificou-se, após o período de intervenção, diferenças significativas no grupo experimental em relação ao grupo controle nos sintomas de sensação de peso em membros inferiores, claudicação, edema, câimbras, dor, tempo de enchimento venoso, potência da musculatura da 26 panturrilha e quantidade de líquido extracelular, gravidade clínica da doença e função física. No grupo controle observou-se mudanças nos sintomas dolorosos, associado a um possível efeito placebo da técnica, uma vez que a percepção dolorosa envolve fatores físicos e psicológicos (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO-SANCHEZ; MATARAN-PENARROCHA; GUISADO-BARRILAO et al., 2014). O uso da KT também foi eficaz em melhorar a dor, claudicação, edema, sensação de peso em membros inferiores, na presença de caibras, prurido, escore de gravidade da IVC e na atividade eletromiográfica dos músculos gastrocnêmicos em 123 mulheres pós menopausa (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO-SANCHEZ; MATARAN-PENARROCHA; GARCIA-MURO et al., 2013). Este estudo utilizou a KT como tratamento durante de quatro semanas, sendo as trocas das fitas realizadas três vezes por semana. A colocação da fita foi muito semelhante ao estudo de anteriormente citado de Aguilar-Ferrandiz et al. 2014, tanto no grupo controle quanto no grupo intervenção (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO-SANCHEZ; MATARAN- PENARROCHA; GUISADO-BARRILAO et al., 2014). Nas variáveis qualidade de vida, amplitude de movimento e volume do membro não obtiveram alterações significativas entre os grupos. 2.3 Avaliação da oxigenação tecidual na IVC A IVC é causada por distúrbios circulatórios, intrínsecos a alterações de pressões, que levam, consequentemente a alterações de oxigenação tecidual (LABROPOULOS, 2019). Esta é dependente da oferta de oxigênio aos tecidos, do débito cardíaco e do conteúdo arterial de oxigênio, o qual é definido quanto a quantidade de oxigênio transportado pela hemoglobina, com a quantidade de oxigênio dissolvido no plasma. As diferenças de pressões de oxigênio que ocorrem no sistema fisiológico dos seres vivos, são de suma importante tanto para captação, transporte e utilização do oxigênio, uma vez que interferem no fluxo sanguíneo (XU; GUO-PING., 2014) As pressões presentes no sistema venoso são dependentes do retorno venoso e do inotropismo cardíaco, além das posições do corpo assumidas durante o dia. Na IVC 27 a presença da hipertensão venosa interfere diretamente nas respostas de perfusão tecidual e consequentemente nas concentrações de oxigênio (O2) e gás carbônico (CO2) tecidual (XU; GUO-PING., 2014). De acordo com a Lei de Poiseuille, alterações na velocidade/ intensidade do fluxo de sangue são proporcionais à quarta potência do raio (ATTA, 2012) hipertensão que ocorre no sistema venoso associada a sua alta complacência faz com que a velocidade/ intensidade do fluxo sanguíneo reduza, o que contribui para congestão e mudanças na viscosidade do sangue. Todos estes fatores contribuem para redução da perfusão tecidual (LABROPOULOS, 2019). A oxigenação tecidual vem sendo avaliada pela NIRS com o intuito de compreender melhor as mudanças teciduais em indivíduos com IVC. A retenção venosa, que está associada à hipertensão venosa, poder ser avaliada pelo índice de retenção venosa ambulatorial (IRVA), obtido durante a deambulação a partir das mudanças séricas da HHb. O Valor de IRVA é calculado pela razão entre R, que representa o delta entre o valor mais baixo e o valor mais alto de HHb, e o E que consiste no delta entre o valor de repouso com o valor mais baixo atingido (IRVA = R / E) (figura 1) (HOSOI; YASUHARA; SHIGEMATSU; ARAMOTO et al., 1997). Figura 1. Forma de obtenção da variável IRVA. Fonte: acervo pessoal Em indivíduos sem doença venosa os valores de IRVA são significativamente menores quando comparados com indivíduos com IVC de gravidade leve. A literatura também demostra que quanto maior a gravidade da doença e a presença de edema, maiores são os valores de IRVA, demonstrando, portanto, o aumento da complacência 28 e da retenção de volume do sistema venoso durante a caminhada (HOSOI; YASUHARA; SHIGEMATSU; ARAMOTO et al., 1997). O estudo de Hosoi et. al. (1999), foi desenvolvido com o objetivo de analisar se há relação entre o IRVA com os sintomas, e a influência entre o local acometido pela trombose em pacientes com síndrome pós trombótica. Foram avaliados 51 membros inferiores classificados de acordo com gravidade da doença, utilizando a escala Reporting Standards in Venous Disease: An Update. Os pacientes foram divididos em três grupos: assintomáticos (classe 0), leve (classe 1 a 3), grave (classe 4 a 6). A trombose venosa profunda (TVP) foi avaliada por venografia e divididos em 4 segmentos: panturrilha, poplítea, femoral e ilíaca. A comparação entre o IRVA entre membros que não haviam trombose com os diferentes níveis de obstrução, proporcionou verificar que comprometimentos ao nível de veia e poplítea apresentaram IRVA significativamente maiores, quando comparados aos membros inferiores sem comprometimento. Os autores ainda realizaram uma análise de comparação detalhada em relação ao comprometimento de trombose na veia poplítea, sendo que este foi capaz de aumentar significativamente os valores de IRVA (HOSOI; YASUHARA; MIYATA; KOMIYAMA et al., 1999). O monitoramento da perfusão tecidual da panturrilha realizada pela NIRS, também vendo sendo utilizada durante a execução dos movimentos que se faz no exame de pletismografia a ar, no qual o sujeito realiza movimentos de flexões plantares após o repouso, com objetivo de avaliar a força e a resistência da panturrilha e as modificações que estes movimentos provocam no sistema venoso. Com a avaliação da NIRS durante esse exame, é possível obter algumas variáveis importantes para avaliação da dinâmica venosa (YAMAKI; NOZAKI; SAKURAI; SOEJIMA et al., 2010; YAMAKI, T.; NOZAKI, M.; SAKURAI, H.; TAKEUCHI, M. et al., 2006) (Figura 2): - Volume venoso de HHb (VV_HHb): representa ao volume total de enchimento do leito venoso de HHB após o indivíduo realizar a mudança de decúbito dorsal para posição ortostática. - Índice de enchimento venoso de HHb (IEV-HHb): obtido pela razão de 90% do volume de HHB (VV90%_HHb) pelo do tempo gasto para o enchimento de 90% do 29 VV_HHB no sistema venoso (TE90%_HHb). Indica a velocidade de enchimento do sistema venoso ao assumir a posição ortostática. - Volume de ejeção de HHB (VE_HHb): obtido pela diferença entre o VV_HHb e menor valor de HHb, após o indivíduo ter realizado uma flexão plantar. - Fração de ejeção de HHb (FE_HHb): calculada pela razão entre o VE_HHb e VV_HHb. É indicativa da força de contração da bomba muscular de panturrilha. - Esvaziamento venoso de HHb (EV_HHb): obtido pela diferença entre o VV_HHb e menor valor de HHb, após o indivíduo realizar dez flexões plantares. - Volume residual de HHb (VR_HHb): obtido pela diferença entre o VV_HHb e o EV_HHb. É o volume retido no sistema venoso imediatamente após a 10 flexões plantares. - Fração de volume residual (FVR_ HHb): obtida pela razão entre VR_HHb e VV_HHb. É indicativa da resistência da bomba muscular de panturrilha. - Retenção venosa (RV_HHb): obtida pelo aumento de HHb desde o valor de VV_HHb após a manobra de 10 flexões plantares. É o valor mais alto ao fim do exame após a realização das 10 flexões plantares. - Índice de retenção venosa (IVR_HHb): obtida pela razão entre RV_HHb e VV_HHb. Representa a retenção de volume no sistema venoso ao fim do exame. Figura 2. Protocolo de avaliação de pletismografia utilizando a NIRS. 30 Fonte: acervo pessoal. A literatura demonstra que a NIRS, também é capaz de detectar alterações na complacência do sistema venoso, uma vez que os valores de IRV e IEV foram maiores em níveis mais avançados da IVC, sendo a retenção venosa mais alterada quando atinge sistema venoso profundo ao nível da veia poplítea (YAMAKI; NOZAKI; SAKURAI; SOEJIMA et al., 2010). Estas variáveis também favorecem o prognóstico de pessoas com IVC em relação ao desenvolvimento de síndrome pós trombótica (YAMAKI; NOZAKI; SAKURAI; KIKUCHI et al., 2009), como também, no desenvolvimento de trombose venosa profunda em indivíduos que foram submetidos a artroplastia de joelho e quadril (YAMAKI, TAKASHI; HAMAHATA, ATSUMORI; FUJISAWA, DAISUKE; KONOEDA, HISATO et al., 2011). 3 JUSTIFICATIVA 31 Os tecidos humanos são constituídos de aproximadamente 70% de tecido conjuntivo, o qual, interconecta todas as células e participa da fisiologia e mecânica corporal. Na presença de IVC, ocorrem mudanças na perfusão tecidual que acarretam modificações intersticiais e de clearence (ATTA, 2012), as quais são associadas com alterações microangiopáticas, tais como a redução do número de capilares, modificação da morfologia capilar e queda na concentração de oxigênio, sendo que estas modificações pioram em proporção linear à gravidade da doença venosa (MACCOLL; KHALIL, 2015). Sabe-se que o funcionamento da pele é associado com as artérias, veias e tecidos, sendo assim, modificações de tensão provocadas na pele poderiam ser capazes de distorcer os capilares, principalmente em indivíduos que apresentam a IVC (CHANT, 1999). O uso da KT na pele promove tração no tecido epitelial que pode interferir no funcionamento dos vasos, sendo, portanto, uma alternativa para a melhora mecânica e da fisiologia tecidual, modificando sua oxigenação. Assim, para compreender de forma mais aprofundada os reais benefícios da KT em indivíduos com IVC, é necessário avaliar as respostas agudas e crônicas na oxigenação tecidual, para que essa técnica possa ser considerada uma opção de tratamento coadjuvante para indivíduos com IVC, se sua eficácia for efetivamente comprovada. 32 4 OBJETIVO PRIMÁRIO Analisar a eficácia do uso agudo e crônico da KT na perfusão tecidual em mulheres com IVC comparado a um grupo controle. 4.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Analisar o efeito crônico do uso da KT na capacidade funcional de mulheres com IVC. - Analisar o efeito crônico do uso da KT na função de bomba muscular de panturrilha de mulheres com IVC. - Analisar o efeito crônico do uso da KT no sintoma de dor de mulheres com IVC. 33 5 HIPÓTESE DO ESTUDO A hipótese principal é que a aplicação da KT na musculatura da panturrilha associado a prática de exercícios, provocará melhora na perfusão tecidual em mulheres com IVC em comparação com o grupo controle. 34 6 MÉTODOS E RESULTADOS 6.1 Artigo 1 THE ACUTE EFFECT OF KINESIO TAPING ON PERIPHERAL TISSUE PERFUSION IN WOMEN WITH CHRONIC VENOUS FAILURE – A RANDOMIZED CONTROLLED TRIAL Keywords: varicose veins, rehabilitation, bandage, pain, physiotherapy specialty. Article Highlights - Type of Research: randomized, double-blind clinical trial. - Key Findings: Kinesio Taping® does not promote statistically significant acute changes in tissue perfusion in women with chronic venous insufficiency. - Take Home Massage: Using Kinesio Taping® in women with chronic venous insufficiency is not feasible to promote acute changes in tissue perfusion. Highlights: This study is a double-blind randomized clinical trial demonstrating that short-term use of Kinesio Taping® is not capable of modifying tissue perfusion in women with chronic venous insufficiency. 35 Abstract Objective: To evaluate the acute effect of Kinesio Taping® on peripheral tissue perfusion in women with chronic venous insufficiency. The main hypothesis of the study was that correct application of Kinesio Taping® on calf muscles would induce acute improvement in tissue perfusion in women with chronic venous insufficiency. Methods: This randomized, double- blind controlled trial included 59 women, aged 30–79 years, who were diagnosed with mild to moderate chronic venous insufficiency. They were randomized to a control group (n = 23; mean age, 54.08 ± 9.04 years) and Kinesio Taping® group (n = 36; mean age, 55.87 ± 9.97 years). A near-infrared spectroscope was positioned in the medial gastrocnemius muscle for assessment of resting tissue perfusion 48 h after the first day of evaluation and after placement of the Kinesio Taping® tape. The evaluation also consisted of performing movements of the plethysmography examination: elevation of the limbs below 15 cm for 5 min, orthostatism without leg support evaluated, and a plantar flexion and ten successive plantar flexions, both in bipodal support. To verify the comparisons of pre- and post-Kinesio Taping® data, the variation delta was used for analysis. For comparisons between the intervention and control groups, Mann–Whitney U test was performed. An alpha of 5% was considered statistically significant. Results: It was not possible to verify a statistically significant difference between the Kinesio Taping® groups regarding the peripheral tissue perfusion evaluation variables (DELTA_SPO2 (unit): Kinesio Taping® Group 3.21 (0.84–3.62); Control 2.21 (1.59–4.83), p = 0.21 and DELTA_HHB (units) Kinesio Taping® Group -0.62 (-2.14–0.67); Control Group -0.07 (-2.15– 2.62) p = 0.238). Despite the lack of statistical significance, the Kinesio Taping® group had a 785.7% lower retention than the control group. Conclusions: Acute use of Kinesio Taping® in women with chronic venous insufficiency did not significantly alter tissue perfusion of calf muscles. However, it was possible to observe percentage changes to be considered from a clinical point of view. 36 Introduction Chronic venous insufficiency (CVI) mainly affects women and is associated with hypertension in the venous vascular bed, caused by valvular incompetence or thrombosis1. The main symptoms reported by individuals with CVI are tiredness, heaviness, cramps, heat or burning sensations on the skin, and burning sensations in the lower limbs with varying intensity²,³, which are relieved when walking or lifting the lower limbs. The severity of the disease has been related to reduced mobility of the talocrural joint, which worsens the gait of affected people and contributes to the emergence of venous ulcers4. Signs such as erythema, sensitive skin, edema, hyperpigmentation, lipodermatosclerosis, white atrophy, and ulceration can be seen in individuals with CVI. These changes, regardless of the cause, are due to chronic venous hypertension, which interferes with the increase in intraluminal pressure with fibrin accumulation around the capillary bed. The fibrin present in the interstitial space makes it difficult to transport oxygen to the tissues, leading to ischemia and formation of lipodermatosclerosis and consequently ulcers5,6. The accumulation of hemosiderin, owing to the presence of hemoglobin, gives the skin the ochre pigmentation typical of chronic venous stasis. During the development of this disease, lipodermatosclerosis as well as chronic fibrosis of the dermis and subcutaneous tissue, resulting in firm and hardened skin, are noticed. In more advanced cases, proximal edema, distal leg atrophy, and ulcers may also be observed2,3. Affected individuals may also experience teleangectasis, reticular veins, and varicose veins, which are all caused by changes in vessel caliber. This is due to ruptures of the elastic and middle bundle muscle bundles that, associated with fibrosis, compromise venous vessel compliance2,7. 37 Additionally, individuals with CVI present with venous retention not only at rest but also during and after walking activities secondary to muscle pump dysfunction8. As the severity of the disease progresses, ambulatory retention levels worsen8. Among the treatment options for CVI, the use of compressive socks and venotonic drugs9 as well as surgery are recommended to reduce venous hypertension. Kinesio Taping® (KT) has been classically used in clinical practice for the treatment of orthopedic changes, pain, muscle changes, and edema10. In addition to these conditions, the technique was tested in CVI with promising results for symptoms of lower limb sensation, lameness, edema, cramps, pain, venous filling time, calf muscle power and amount of extracellular fluid, the clinical severity of disease and physical function11, and electromyographic activity of the gastrocnemic muscles12. Considering that human tissues are made up of approximately 70% connective tissue, which is essential for body physiology and mechanics13, and that during CVI, changes in tissue perfusion lead to interstitial modifications14, the use of KT may cause mechanical and clinical improvement in tissue physiology, thus interfering with its oxygenation. To further understand the benefits of KT in individuals with CVI, it is essential to evaluate acute tissue perfusion responses using this treatment technique. KT can only be considered a treatment option for individuals with CVI if its effect on peripheral tissue dynamics is demonstrated. The present study aimed to evaluate the acute effect of KT on peripheral tissue perfusion in women with CVI. The main hypothesis of the present study was that correct application of KT in the calf muscles will induce acute improvements in tissue perfusion in women with CVI. 38 Methods Design This is a double-blind, randomized clinical trial approved by the Research Ethics Committee of the Federal University of Minas Gerais (CAAE 57708416.0.0000.5149) and registered with the Brazilian Registry of Clinical Trials (REBEC) (http: // www. testesclinicos.gov.br/rg/RBR- 9bhbrp/). The study was conducted in a sample of women aged 30–79 years old, owing to the higher prevalence of females in this age group15; who had a diagnosis of CVI, classified in stages C1, C2, or C3 of the Clinical Etiology Anatomy Pathophysiology Classification of Chronic Venous Disease (CEAP); and who agreed to participate in the research and signed the informed consent form. Sample selection was non-probabilistic. Were eligible for the study participants who were not on hormone replacement therapy, had no symptoms of intermittent claudication, without lymphedema, without thrombosis diagnosis for less than three months and without contraindication to using KT as open wounds, experiences trauma, had edema from heart or kidney disease, had cancer, known KT tape allergy, and pregnancy. If the data captured by NIRS did not allow analysis, they were excluded. The study was conducted at the Jenny de Andrade Faria Institute for Elderly and Women's Health Care at the UFMG - Hospital das Clínicas. This research had the technical support of the Laboratory of Evaluation and Research in Cardiorespiratory Performance (LABCARE) of the Department of Physiotherapy of UFMG. 39 Measures Near-infrared spectroscopy (NIRS) was used to noninvasively assess muscle tissue perfusion and verify circulatory and metabolic abnormalities16,17. This equipment has a near-infrared emitter and receiver (wavelength 700-1300 nm), which allows for the analysis of oxyhemoglobin (HbO2), deoxyhemoglobin (HHB), and oxygen saturation (StO2) in biological tissues both during rest and exercise17,18. Procedures Data collection procedures were divided between two days. The first day consisted of an initial assessment to collect demographic and clinical data such as age, sex, weight, height, body mass index, and analysis of disease severity according to CEAP. Next, the NIRS was positioned in the posterior calf region (medially in the medial gastrocnemius muscle) to collect the Oxygen Saturation (StO2) and deoxyhemoglobin (HHB) data at rest for 3 min in the supine position. Subsequently, the volunteers performed the motion protocol of the plestimography exam, which consisted of elevation of the lower limbs to a height of 15 cm for 5 min. After that, they were asked to move to the orthostatic position without support on the evaluated leg, until the stabilization of NIRS StO2 and HHB data, and were then requested to perform a bipodal plantar flexion. After plantar flexion, the participants were again instructed to keep the evaluated leg at rest and without support. After stabilization of the StO2 data, it was requested to perform ten plantar flexions in bipodal support. At the end of this procedure, the volunteer remained with the evaluated leg raised to stabilize the NIRS StO2 and HHB data19. On the second assessment day, participants were randomized to the control group (GC) and the Kinesio Taping group (GKT) according to a list previously generated by the project coordinator using software available at www.randomization.com. The random allocation sequence was 40 performed in blocks of four participants. Both participants and evaluators were blinded in relation to GC and GKT allocation. Only the physical therapist who applied the KT tapes knew which group the participant belonged to. On the second day, after 48 hours, measurements of resting NIRS variables were performed before and after KT placement. In GKT volunteers, the ribbons were placed in the prone position, the gastrocnemius muscles were stretched to measure the ribbons, and the “Y” cut was performed. Firstly, the leg was positioned in neutral, for fixation of the bases, without tension, in the proximal region of the popliteal fossa at the muscular origin, both in the medial and lateral regions. Subsequently, passive stretching of the triceps suralis muscle was performed by means of ankle dorsiflexion and KT placement with approximately 15% tension. In the end, the muscle stretching was removed, followed by the end of the application of the tensionless anchor. For participants of the CG, the KT was placed in the same places, but the necessary positions and tensions were not followed. NIRS variables were measured for 40 min before and after Kinesio Tex®20 tape placement, after which, participants from both groups were asked to perform the movements of the air plethysmography protocol again. Study Variables The variables used in the study for tissue perfusion analysis were as follows: • Venous deoxyhemoglobin volume (VV_HHB): the total venous filling volume of HHB after the individual has changed from supine to standing position. • Deoxyhemoglobin venous filling index (IEV_HHB): the venous filling rate obtained by the ratio of 90% of VV_HHB to 90% of the filling time of VV_HHB. • Deoxyhemoglobin value after plantar flexion (HHB_1FP) 41 • Deoxyhemoglobin ejection fraction (FE_HHB): calculated by the ratio of the HHB ejection volume (VE_HHB) to VV_HHB (FE_HHB = VE_HHB / VV_HHB). • Venous retention fraction (FRET): the product of the ratio between the lowest HHB value after ten plantar flexions and the VV_HHB. • Peripheral Oxygen Saturation Difference (DELTA_SPO2): result of subtracting SPO2 values before and after KT tape placement. • Difference in deoxyhemoglobin values (DELTA_HHB): result of subtracting HHB values before and after KT tape placement. Statistical procedures Sample size was calculated from a pilot study with 10 participants in each group. Considering the delta of the variables described for the study, the effect size found was 0.75, and the calculated N was 24 participants per group for an alpha of 5% and a power of 80%. Statistical analysis of the data was performed by a researcher who was blinded to which group the sample volunteers belonged to. Descriptive data were indicated as mean, standard deviation, and frequency. Data normality distribution was performed using the Shapiro-Wilk test and histograms. Since NIRS data did not present normal distribution, the variables were presented as median and interquartile range (25th 75th percentiles). To verify comparisons of data before and after placement of the KT, the variation delta was used for analysis. For comparisons between the intervention and control groups, the Mann–Whitney U test was performed. An alpha of 5% was considered statistically significant. Results 42 The study was conducted between May 2017 and June 2018. In total, 63 volunteers were recruited; two were excluded owing to signs of deep vein thrombosis and heart failure and two owing to problems with data capture in NIRS (Figure 1). Table I. Anthropometric and stratification characteristics of CVI severity of the sample. KT Group (N=36) Control Group (N=23) p Age (years) 54,08±9,04 55,87±9,97 0,480 BMI (Kg/m2) 30,17±6,64 29,73± 7,44 0,813 CEAP (%) 1 2,8 4,3 0,918 2 44,4 39,2 3 52,7 56,5 Legend : Body Mass Index (BMI); Kilograms per square meter (Kg/m2) Table 1 shows the characteristics of the study sample, with similarity in the anthropometric and clinical variables of disease severity between groups. Regarding the outcome variables of the peripheral tissue perfusion evaluation study, it was not possible to verify a statistically significant difference between the groups (Table 2). 37 Table II. Comparison of the variation of data obtained from NIRS in median and interquartile range (25-75) between KT group and control. Variables KT Group (N=36) Control Group (N=23) Difference (%) p VV_HHB (units) 0,80 (-4,44 – 0,80) 1,03 (-8,91 – 6,36) 22,8 0,384 IEV_HHB (units /seconds) 0,33 (0,14 – 0,52) 0,23 (0,06 – 0,69) 41,5 0,901 HHB_1FP (units) -0,30 (-5,00 – 5,39) -0,19 (-10,26 – 5,32) 57,9 0,465 FE_HHB (%) 28,15 (9,98 – 63,93) 19,59 (12,09 – 71,42) 43,7 0,852 FRET (%) 142,79 (60,18 – 248,29) 186,75 (97,16 – 318,53) 23,5 0,384 DELTA_SPO2 (units) 3,21 (0,84 – 3,62) 2,21 (1,59 – 4,83) 31 0,219 DELTA_HHB (units) -0,62 (-2,14 – 0,67) -0,07 (-2,15 – 2,62) 785,7 0,238 38 Discussion In the present study, no statistically significant differences were found among variables that evaluated tissue perfusion between GKT and CG. Despite this, it is important to highlight, from a clinical point of view, the differences in percentage values. GKT presented a 22.8% lower venous filling volume after KT tape placement than CG (placebo), indicating a change in venous system compliance. We could observe a 785.7% decrease in HHB value and a 31% increase in GKT SPO2 compared to CG. These alterations may suggest that clinical changes have occurred, since changes in the variables infer compliance and consequently modify venous hypertension and thus favor tissue oxygenation. By analyzing the percentage changes in relation to the venous system filling index, GKT presented a 41.5% higher filling speed. In contrast, this group had HHB emptying at 57.9% greater plantar flexion, 43.7% better muscle pump power, and 23.5% lower venous retention. That is, although the venous system of GKT was more compliant, when there was muscle contraction, there was emptying of the vascular bed and less venous retention, indicating that using the tape may favor muscle activation and positively influence the venous system response. We believe that it was not possible to verify a significant difference owing to the high variability of NIRS data, as well as the time of use of the tape. Aguilar-Ferrándiz et al (2013) 12 reported a protocol to use KT. A study was directed to responses regarding the electromyographic activity of the medial and lateral gastrocnemius muscles. Throughout this study, the authors detected positive changes with increased muscle activity in women with CVI who used the tape three times a week for four weeks12. Therefore, it can be inferred that chronic changes in muscle activation alter vascular responses, which in turn indirectly modify tissue perfusion, is directly dependent on the difference in intraluminal and tissue pressures. Therefore, the use of 39 KT may be important in the treatment of venous stasis and may be used for secondary prevention of CVI. The literature confirms that longer use of KT can also interfere with the symptoms and clinical variables of women with CVI, as shown in the study by Aguilar-Ferrándiz et al. (2013)12, with reduced sensation of weight in the legs, lameness, venous vein, edema, and muscle cramps. In addition, changes in clinical parameters such as increased venous filling time and calf muscle power, assessed by photoplethysmography, occur. These data demonstrated that stimuli on skin surface caused by placement of KT may cause changes in the venous system and perfusion12. However, the time of application, permanence of the tape, and form of evaluation appear to be relevant factors to be considered for its use. In the present study, tissue perfusion was evaluated after 40 min of KT placement, and although there was no statistically significant change, the percentage concentration of HHB showed clinically relevant variation, which may contribute to the clinical practice for women with CVI. Tape usage time appears to be an important variable for more representative results, but this limitation is inherent in the proposed experimental design. In the present study, the NIRS tissue perfusion assessment method was used; however, the variability of data associated with a small sample was a limiting factor for the results presented. It is believed that long-term use of the tape may favor the results regarding the change in tissue perfusion. Conclusion From the present study, it was possible to verify that acute use of KT in women with CVI could not alter tissue perfusion of the calf muscles significantly. However, it was possible to observe percentage changes to be considered from a clinical point of view. Therefore, future studies are 40 necessary to verify if long-term KT use could promote changes in tissue perfusion in women with CVI. 41 References 1. Eberhardt RT, Raffetto JD. Chronic venous insufficiency. Circulation2014;130(4):333- 346. 2. Aldunate JLCB, Isaac C, Ladeira PRSd, Carvalho VF, Ferreira MC. Venous ulcer in lower extremities. Rev Med2010; 3:158-163. 3. Piazza G. Varicose veins. Circulation2014;130(7): 582-587. 4. Belczak ClEQ, Godoy JMPd, Seidel AC, Silva JA, Cavalheri. JG, Belczak SQ. Assessing the influence of daily activities in the volumetry of inferior limbs via circumference measurement and water displacement volumetry. Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular2004:304-310. 5. Browse NL, Burnand KG. The cause of venous ulceration. Lancet1982; 2(8292):243-5. 6. Eklöf B1, Rutherford RB, Bergan JJ, Carpentier PH, Gloviczki P, Kistner RL et al. Revision of the CEAP classification for chronic venous disorders: consensus statement. J Vasc Surg2004;40(6):1248-1252. 7. Rutherford E, Kianifard S B, CooK J, Holdstock M M, Whiteley S. Incompetent Perforating Veins are Associated with Recurrent Varicose Veins. Eur J Vasc Endovasc Surg2001. 21(5):458-60 8. Hosoi Y, Yasuhara H, Shigematsu H, Aramoto H, Komiyama T, Muto T. A new method for the assessment of venous insufficiency in primary varicose veins using near-infrared spectroscopy. J Vasc Surg1997;26(1):53-60. 9. Mansilha A, Sousa J. Benefits of venoactive drug therapy in surgical or endovenous treatment for varicose veins: a systematic review. Int Angiol 2019 42 10. Glovicki P, Comerota AJ, Dalsing MC, Eklof BG, Gillespie DL, Glovicki ML et al. The care of patients with varicose veins and associated chronic venous diseases: clinical practice guidelines of the Society for Vascular Surgery and the American Venous Forum.J Vasc Surg 2011; 53(5):2S-48S. 11. Aguilar-Ferrándiz ME, Moreno-Lorenzo C, Matarán-Peñarrocha GA, García-Muro F, García-Ríos MC, Castro-Sánchez AM. Effect of a mixed kinesio taping-compression technique on quality of life and clinical and gait parameters in postmenopausal women with chronic venous insufficiency: double-blinded, randomized controlled trial. Arch Phys Med Rehabil 2014;95(7):1229-1239. 12. Aguilar-Ferràndiz M, Castro-Sánchez A, Matarán-Peñarrocha G, Carcía-Muro F, Serge T, Moreno-Lorezo C. Effects of kinesio taping on venous symptoms, bioelectrical activity of the gastrocnemius muscle, range of ankle motion, and quality of life in postmenopausal women with chronic venous insufficiency: a randomized controlled trial. Arch Phys Med Rehabi2013;94:2315-2328. 13. Pfisterer L, König G, Hecker M, Korff T. Pathogenesis of varicose veins - lessons from biomechanics. Vasa2014; 2(4):88-99. 14. Xu J, Guo-Ping. S. Vascular wall extracellular matrix proteins and vascular diseases. Biochim Biophys Acta2014;11:2106-2119. 15. Marcedo EABd, Araújo RDOEA, Silva RARDS, Souza NLDS, Torres GDV. Tratamento hospitalar de pessoas com membros inferiores com varizes e/ou úlceras: Pesquisa no Data-SUS. C&D-Revista Eletrônica da FAINOR2018; 11:684-698. 16. Boushel R, Langberg H, Olesen J, Gonzales-Alonzo J, Bülow J, Kjaer M. Monitoring tissue oxygen availability with near infrared spectroscopy (NIRS) in health and disease. Scand J Med Sci Sports2001;11(4):213-222. 43 17. Boezeman RP, Moll FL, Ünlu C, de Vrires JP. Systematic review of clinical applications of monitoring muscle tissue oxygenation with near-infrared spectroscopy in vascular disease. Microvasc Res2016; 104: (11-22). 18. Ferrari M, Mottola L, Quaresima V. Principles, techniques, and limitations of near infrared spectroscopy. Can J Appl Physiol2004;29(4):463-487. 19. Yamaki T, Nozaki M, Sakurai H, Takeuchi M, Soejima K, Kono T. The utility of quantitative calf muscle near‐infrared spectroscopy in the follow‐up of acute deep vein thrombosis. Journal of Thrombosis and Haemostasis2006;4(4):800-806. 20. Kase K, Tatsuyuki H, Tomoki O. Development of Kinesio Tape. Kinesio Taping Perfect Manual. Kinesio Taping Association1996. Vol 6.:117-188. 44 6.2 Artigo 2: EFICÁCIA DO USO CRÔNICO DA KINESIO TAPING NA PERFUSÃO TECIDUAL PERIFÉRICA, CAPACIDADE FUNCIONAL, FUNÇÃO DE BOMBA MUSCULAR E DOR EM MULHERES COM INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA - ENSAIO CLÍNICO ALEATORIZADO, DUPLO-CEGO Resumo Introdução: A insuficiência venosa crônica (IVC) é caracterizada pela hipertensão venosa de instauração inicialmente silenciosa com consequências teciduais devido à redução progressiva da perfusão tecidual. A Kinesio Taping® (KT) consiste em aplicações de fitas adesivas sobre a pele, que tem como objetivo promover mudanças nos tecidos, portanto, podendo contribuir para o tratamento da IVC. Objetivo: O objetivo do presente estudo foi avaliar a eficácia do tratamento durante quatro semanas com KT na perfusão tecidual periférica, capacidade funcional, função de bomba muscular de panturrilha e dor em mulheres com IVC de gravidade leve. Métodos: Trata-se de um ensaio clínico aleatorizado, duplo cego, que contou com uma amostra de 55 mulheres, com diagnóstico de IVC leve a moderada, idade entre 30 a 79 anos. As participantes foram aleatorizadas em grupo intervenção (n=33; 53,91±9,11 anos) e grupo controle (n= 22; 53,59 ± 10,78). A avaliação da perfusão tecidual foi avaliada antes e após dozes sessões de aplicação da KT e realização de exercícios. Para esta avaliação foi utilizado a Near Infrared Spectrocopy, a qual foi posicionada no músculo gastrocnêmio medial, durante os testes de esteira de velocidade constante, protocolo de movimentos da pletismografia e o Heel Rise Test. Foram realizadas análises comparativas entre os deltas das variáveis utilizando o teste estatístico Mann Whitney-U, considerando um alfa de 5% para significância estatística. Resultados: Não foi encontrado diferença estatisticamente significativa entres os grupos intervenção e controle, em relação as variáveis de perfusão tecidual, antropométricas, função de bomba muscular e dor. A variável índice de retenção venosa (Delta_IRVA_TE unid: Grupo intervenção 0,17 (-2,77 – 0,62); Grupo Controle: 0,77 (-0,49 – 5,39)) obtido no teste de esteira apresentou diferença estatisticamente significativa. Conclusão: O uso da KT em mulheres com IVC por 12 sessões não foi capaz de modificar a perfusão tecidual periférica da musculatura de panturrilha, 45 capacidade funcional, função de bomba muscular de panturrilha e dor em mulheres com IVC de gravidade leve. Houve um comportamento de piora menos acentuada da retenção venosa ambulatorial durante o exercício em esteira no GI, que precisa ser melhor investigado. Acredita-se que a realização de estudo futuros com mais tempo de tratamento e uma amostra que englobe mulheres com estado mais grave da doença, possam esclarecer se o uso da fita de KT é capaz de modificar os aspectos em relação a perfusão tecidual. Palavras chave: bandagem, reabilitação, fisioterapia, varizes. 46 Abstract Introduction: Chronic venous insufficiency (CVI) is characterized by initially silent onset venous hypertension with tissue consequences due to the progressive reduction of tissue perfusion. Kinesio Taping® (KT) consists of applications of adhesive tapes on the skin, which aims to promote tissue changes, thus contributing to the treatment of CVI. Objective: The aim of the present study was to evaluate the effectiveness of four-week KT treatment in peripheral tissue perfusion, functional capacity, calf muscle pump function, and pain in women with mildly severe CVI. Methods: This is a randomized, double-blind clinical trial with a sample of 55 women, diagnosed with mild to moderate CVI, aged 30 to 79 years. Participants were randomized into intervention group (n = 33; 53.91 ± 9.11 years) and control group (n = 22; 53.59 ± 10.78 years). The evaluation of tissue perfusion was evaluated before and after two sessions of KT application and exercise. For this evaluation, the Near Infrared Spectrocopy was used, which was positioned in the medial gastrocnemius muscle during the constant velocity treadmill tests, plethysmography movement protocol and the Heel Rise Test. Comparative analyzes were performed between the deltas of the variables using the Mann Whitney-U statistical test, considering a 5% alpha for statistical significance. Results: No statistically significant differences were found between the intervention and control groups regarding tissue perfusion, anthropometric variables, muscle pump function and pain. The venous retention index variable (Delta_IRVA_TE unit: Intervention group 0.17 (-2.77 - 0.62); Control group: 0.77 (-0.49 - 5.39)) obtained in the treadmill test showed a difference statistically significant. Conclusion: The use of KT in women with CVI for 12 sessions was not able to modify peripheral calf muscle tissue perfusion, functional capacity, calf muscle pump function, and pain in women with mildly severe CVI. There was a less pronounced worsening behavior of ambulatory venous retention during treadmill exercise in GI, which needs to be further investigated. It is believed that future studies with longer treatment time and a sample that includes women with more severe disease may clarify whether the use of KT tape can modify the aspects regarding tissue perfusion. Keywords: bandage, rehabilitation, physical therapy, varicose veins. 47 Introdução O sistema venoso é responsável pelo retorno de sangue ao coração e depende do bom funcionamento das válvulas que o compõem internamente, além da ação adequada da musculatura esquelética periférica e do coração. Fatores que promovam aumento pressão intravascular contribuem para instalação do insuficiência venosa crônica (IVC) (EBERHARDT; RAFFETTO, 2014b; YOUN; LEE, 2019). A IVC é caracterizada pela hipertensão venosa secundária as alterações valvares, associada ou não, a trombose. Sua instauração inicialmente é silenciosa, e o sintoma principal é a dor descrita como sensação de peso em membros inferiores que se manifesta de forma variável quanto a frequência e a intensidade (GLOVICZKI; GLOVICZKI, 2012). A hipertensão venosa gera consequências teciduais como o surgimento de edema e eritema, devido ao extravasamento de plasma para o espaço intersticial, o que contribui para o aparecimento de câimbras (YOUN; LEE, 2019). A progressão da doença, na maioria dos casos, é de forma gradativa e paulatina, uma vez que depende das alterações do aumento da pressão interna vascular, as quais, comprometem a nutrição dos tecidos devido ao acúmulo de fibrina ao redor do vaso, ocasionando hipóxias recorrentes, congestão com exsudação de hemácias para o interstício, acúmulo de ferro, modificando, assim, as características dos tecidos conjuntivo e epitelial (LABROPOULOS, 2019). Em quadros mais avanços é observada lipodermatoesclerose e perda de continuidade do tecido, com formação de úlceras de difícil cicatrização devido ao déficit de oxigenação (EBERHARDT; RAFFETTO, 2005; PIAZZA, 2014). A hipertensão venosa também promove mudanças na arquitetura do vaso, e, portanto, o desenvolvimento de teleangectasias, veias reticulares e varicosas, as quais são instaladas por degradação de fibras elásticas, formação de fibrose e perda do tônus vascular na camada média (EBERHARDT; RAFFETTO, 2005; EKLÖF, B.; RUTHERFORD, R. B.; BERGAN, J. J.; CARPENTIER, P. H. et al., 2004). A dor descrita pelos indivíduos que possuem IVC reduz com elevação do membro e durante a caminhada, uma vez que ocorre redução da pressão venosa intravascular. Porém é observado que, mesmo durante a caminhada o leito venoso de pessoas com IVC apresenta congestão venosa maior quando comparado a indivíduos saudáveis 48 (EBERHARDT; RAFFETTO, 2014a; HOSOI; YASUHARA; SHIGEMATSU; ARAMOTO et al., 1997). Atualmente as formas de tratamento conservador da IVC, consistem no uso da meias compressivas (ASCHWANDEN; JEANNERET; KOLLER; THALHAMMER et al., 2008), compressão pneumática (YAMANY; HAMDY, 2016), uso medicamentos venotônicos (MANSILHA; SOUSA, 2019) e prática de exercício físico (TEW, G. A.; MICHAELS, J.; CRANK, H.; MIDDLETON, G. et al., 2015). Os tratamentos conservadores têm como foco redução do diâmetro vascular para atuar na pressão intra e extraluminal, no fluxo sanguíneo, melhorando assim, o retorno venoso. Novas tentativas de tratamento conservador tem sido introduzidas na pratica clínica, como por exemplo, o uso da Kinesio Taping ® (KT) (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO- SANCHEZ; MATARAN-PENARROCHA; GARCIA-MURO et al., 2013). A KT consiste em aplicações de fitas adesivas sobre a pele, usualmente indicadas para alterações osteomusculares. Porém, sua aplicação vem sendo realizada em indivíduos com disfunções vasculares com resultados positivos como redução de edema, melhora de sintomas dolorosos em membros inferiores, aumento da atividade eletromiográfica da musculatura da panturrilha, além da melhora na movimentação da articulação do talocrural durante a marcha (AGUILAR-FERRANDIZ; CASTRO- SANCHEZ; MATARAN-PENARROCHA; GARCIA-MURO et al., 2013; AGUILAR- FERRANDIZ; MORENO-LORENZO; MATARAN-PENARROCHA; GARCIA-MURO et al., 2014), A KT parece ser capaz de atuar na função do sistema venoso reduzindo o refluxo venoso e modificando as respostas teciduais relacionadas a coloração da pele (AGUILAR-FERRANDIZ; MORENO-LORENZO; MATARAN-PENARROCHA; GARCIA-MURO et al., 2014). Sabe-se que as modificações na pressão interna da veia, ocorridas pela instalação da IVC, comprometem de forma gradativa e crônica os tecidos, uma vez que altera o tônus da musculatura lisa do sistema venoso, acarreta lesão endotelial, com instalação de processo inflamatório e consequentemente degradação de matriz extracelular, acúmulo de fribrina ao redor do vaso, ativação de granulócitos plasmáticos e a atividade de metaloproteínases que causam degradação das válvulas venosas (XU; SHI, 2014). Estes mecanismos fisiopatológicos contribuem para 49 mudanças teciduais importantes que podem levar a lesões, como úlceras, devido a redução da oxigenação tecidual(XU; SHI, 2014) Diante da necessidade de investigação de formas que podem contribuir para retardar a evolução da doença venosa, é importante compreender a proposta da KT em promover mudanças na oxigenação tecidual e na função do sistema venoso. O objetivo do presente estudo foi avaliar a eficácia do tratamento durante quatro semanas de uso da KT na perfusão tecidual periférica, capacidade funcional, função de bomba muscular de panturrilha e dor em mulheres com IVC de gravidade leve a moderada. Nossa hipótese principal foi que o uso por tempo prolongado da KT na musculatura da panturrilha promove melhora nesses parâmetros. Materiais e método Desenho do estudo Trata-se de um ensaio clínico aleatorizado, duplo cego, aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da instituição (CAAE 57708416.0.0000.5149) e registrado no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (REBEC) - http://www.ensaiosclinicos.gov.br/rg/RBR- 9bhbrp/. Amostra O presente estudo foi realizado em amostra não probabilística, composta por mulheres, com idade entre 30 e 79 nos, que apresentavam diagnóstico de IVC, nos estágios C1, C2 ou C3 pela Classificação Clinical Etiology Anatomy Pathophysiology of Chronic Venous Disease (CEAP), que concordaram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Foram incluídas participantes que não estavam em tratamento de reposição hormonal, não possuíam sintomas de claudicação intermitente, linfedema, diagnóstico de trombose há menos de três meses, insuficiência cardíaca e não apresentavam qualquer contraindicação ao uso da KT como feridas abertas, traumas, edemas advindos de doenças cardíacas ou renais, câncer, alergia à fita da KT e gravidez. 50 Procedimentos do estudo O estudo foi realizado entre maio de 2017 e junho de 2018, no Instituto Jenny de Andrade Faria de Atenção à Saúde do Idoso e da Mulher do Hospital das Clínicas da UFMG. A presente pesquisa contou com o apoio técnico do Laboratório de Avaliação e Pesquisa em Desempenho Cardiorrespiratório (LABCARE) do Departamento de Fisioterapia da UFMG. Após avaliação inicial, as participantes foram aleatorizadas em grupo intervenção (GI) ou grupo controle (GC) utilizando o programa www.randomization.com. Para o GI a colocação da fita de KT foi realizada de acordo com o protocolo de Kenso Kase (KASE; TATSUYUKI; TOMOKI, 1996). Já o GC as fitas foram colocadas sem as trações respeitadas e posicionamento articular adequado. Em ambos os grupos as fitas foram trocadas 3 vezes por semana, associada a um protocolo de exercícios, totalizando 12 sessões de atendimento em quatro semanas de intervenção. Somente o fisioterapeuta que realizava a troca das fitas era ciente a qual grupo pertencia as participantes. Medidas As avaliações foram feitas por três fisioterapeutas treinados, que não participavam das sessões de tratamento e não tinham conhecimento a qual grupo pertencia as participantes do estudo. Inicialmente foram coletados dados demográficos e clínicos, como também o exame físico e classificação e estratificação quando a gravidade da doença venosa de acordo com a CEAP. A avaliação foi realizada em dois momentos: antes e após 12 sessões de intervenção. Foi composta por mensuração da perfusão tecidual por meio da Near Infrared Spectroscopy (NIRS) na manobra de oclusão venosa, no teste de esteira com velocidade constante (HOSOI; YASUHARA; SHIGEMATSU; ARAMOTO et al., 1997), o incremental shuttle walking test (ISWT) (SINGH; MORGAN; SCOTT; WALTERS et al., 1992), protocolo de movimentos da plestiomografia (YAMAKI, T.; NOZAKI, M.; SAKURAI, H.; TAKEUCHI, M. et al., 2006), e Heel-rise test (HRT) (LUNSFORD; 51 PERRY, 1995), sendo os testes realizados em ordem aleatorizada, e esta mantida na reavaliação. A manobra de oclusão venosa foi realizada com objetivo de analisar a perfusão tecidual periférica a partir do valor de saturação após redução de fluxo venoso. Para sua realização a participante foi posicionada em decúbito dorsal na maca, com semi- flexão de joelho. O dispositivo da NIRS posicionado no gastrocnêmio medial, e o esfigmomanômetro no terço distal da coxa. Após a estabilização dos dados da NIRS, foi realizado a insuflação do manguito em 45mmHg e mantido por um minuto depois este foi desinsuflado rapidamente para obtenção dos valores finais da saturação de oxigênio (StO2). Para análise dos dados foi considerado o delta da StO2, resultante da subtração da StO2 pós e pré intervenção (Delta_ StO2_OV) (CASAVOLA; PAUNESCU; FANTINI; GRATTON, 2000). O teste de esteira com velocidade constante de 2,4Km/h, inclinação de 12% e duração de cinco minutos foi realizado (HOSOI; YASUHARA; MIYATA; KOMIYAMA et al., 1999) para obter a variável índice de retenção venosa ambulatorial (IRVA), que representa o comportamento do sistema venoso durante a deambulação, sendo capaz de demonstrar a complacência e eficiência dinâmica entre o sistema venoso e a musculatura esquelética. Para obtenção da IRVA foi realizado a razão entre R e E, onde R, é o delta entre o valor mais baixo e mais alto de deoxihemoglobina (HHB) e E o delta entre o valor de repouso e o valor mais baixo atingido durante o teste (HOSOI; YASUHARA; SHIGEMATSU; ARAMOTO et al., 1997). O protocolo de movimentos que se realiza no exame de pletismografia foi realizado para avaliar a função de bomba muscular. Consiste em permanência em decúbito dorsal com elevação de 15cm e semiflexão dos joelhos, durante cinco minutos e/ou até estabilização dos valores de HHB da NIRS, seguida de mudança rápida para a posição ortostática, sem apoio da perna avaliada, e posteriormente, a realização de uma flexão plantar bipodal. A variável obtida pela NIRS foi fração de ejeção de HHB (FE_HHB), que analisa a resposta do sistema venoso diante a contração da musculatura de tríceps sural, sendo calculada pela razão entre o volume de ejeção de HHB (VE_HHB) e o volume venoso de HHB, multiplicado por 100 (FE_HHB = 52 VE_HHB/ VV_HHB)(YAMAKI, T.; NOZAKI, M.; SAKURAI, H.; TAKEUCHI, M. et al., 2006). O HRT foi realizado com objetivo de avaliar função de bomba muscular a partir da performance da musculatura de tríceps sural em realizar contrações repetidas(PEREIRA; LAGES; BASÍLIO; PIRES et al., 2015). Para realização deste teste foi utilizado um instrumento que possui uma base fixa e duas hastes, sendo uma vertical e a outra posicionada horizontalmente. Este equipamento permite que se faça a mensuração da altura máxima de flexão plantar e o controle dos movimentos durante a execução do teste. Após esta mensuração, foi solicitado que a participante realizasse o maior número de flexões plantares na maior velocidade possível, com o tronco e membros inferiores estendidos, e a mão dominante apoiada na parede, na altura dos ombros. Durante a realização do teste não é permitido que a participante pule ou realize flexão dos joelhos. O teste foi finalizado quando a participante não fosse capaz de manter a amplitude de movimento da flexão plantar por duas vezes consecutivas ou por fadiga. A partir do HRT obteve-se as variáveis de saturação final (HRT_SPO2_final) por meio da NIRS (LUNSFORD; PERRY, 1995), número de repetições (HRT_rep) e taxa de repetição (HRT_taxa), que consiste na razão do número de repetições realizadas no teste pelo tempo de execução em segundos (PEREIRA; LAGES; BASÍLIO; PIRES et al., 2015). O ISWT foi realizado avaliar a capacidade funcional e a perfusão tecidual no esforço progressivo. O teste tem doze estágios, cada um constituído de um minuto, com velocidade progressiva determinada por sinais sonoros (SINGH; MORGAN; SCOTT; WALTERS et al., 1992). O teste foi interrompido no caso de incapacidade de manter a velocidade de deslocamento ou apresentar valores de frequência cardíaca acima de 85% da máxima prevista para a idade (220 – idade). A partir da aplicação do ISWT foram obtidos a distância total percorrida em metros e o IRVA diante do esforço progressivo. A avaliação da intensidade da dor foi realizada utilizando a escala analógica visual (EVA), a qual consiste em uma régua de 10 cm, contendo no seus extremos, 0 e 10, onde zero (0) é “ausência de sintoma” e o 10 “sintoma insuportável”(MILLER; FERRIS, 1993). No presente estudo as participantes foram solicitadas que apontassem na 53 escala o valor em relação a intensidade da dor no momento da avaliação, após o questionamento: “Em relação a sensação de pernas pesadas, doloridas, inchadas, câimbras, calor ou queimação, coceira ou formigamento presentes na sua perna direita (ou esquerda), escolha uma das opções de acordo com esta escala”. Intervenção As participantes do GI foram posicionadas em decúbito ventral para aplicação das fitas de KT de cor neutra, com cinco cm de largura e comprimento de acordo com o tamanho da perna posicionada em alongamento. As faixas foram cortadas em “Y” e, primeiramente, com a perna em posição neutra, as bases coladas, sem tensão, próximo a origem do músculo gastrocnêmio, tanto na região medial quanto na lateral. Posteriormente, foi realizado o alongamento passivo do músculo tríceps sural, por meio da dorsiflexão de tornozelo e colocação da KT com aproximadamente 15% de tensão. Ao final, foi retirado o alongamento muscular seguido da finalização da aplicação da âncora da fita sem tensão (Kenzo Kase). Nas participantes do GC foram colocadas as fitas de KT nos mesmos locais, porém não foram realizadas as posições e as tensões necessárias. As fitas de KT foram colocadas nas duas pernas, antes das participantes realizarem o protocolo de exercícios (Figura 1) (KASE; TATSUYUKI; TOMOKI, 1996). Figura 1. Colação da fita no grupo intervenção (A) e no grupo controle (B). O protocolo de exercícios consistiu em 1) um minuto de alongamento de flexores de joelho, extensores de quadril e flexores plantares do tornozelo, na posição de decúbito dorsal com o auxílio de uma corda; 2) dois minutos de flexoextensão ativa de tornozelo, na posição de decúbito dorsal e flexão de quadril e semi-flexão de joelho , 54 sendo o membro inferior sustentado por um suporte de 40cm de altura; 3) três séries de dez repetições dos movimentos de inversão e eversão do tornozelo, na posição de decúbito dorsal, com o membro inferior apoiado em um suporte de 40cm de altura; 4) três séries de dez repetições do movimento de circundução do tornozelo, inicialmente no sentido horário, seguido pelo anti-horário, sendo o membro inferior apoiado em um suporte de 40cm de altura; 5) duas séries de exercício de flexão plantar bipodal na posição ortostática, cujo o número de repetições foi equivalente a 80% das repetições realizadas no HRT; 6) nas duas primeiras semanas de tratamento foram realizadas duas séries de dez repetições de exercícios de subir e descer do step (10cm de altura), primeiramente de frente e depois lateral e nas quarta e quinta semanas foram realizadas três séries; 7) 10 minutos de caminhada na esteira ergométrica sem inclinação. A frequência cardíaca de treinamento foi calculada considerando intensidade de 70 a 80% da frequência cardíaca máxima atingida pelo ISWT (TEW, GARRY A.; MICHAELS, JONATHAN; CRANK, HELEN; MIDDLETON, GEOFF et al., 2015) (Figura 2) Figura 2. A -Alongamento de flexores de joelho e flexores plantares de tornozelo; B- Movimento de flexoextensão de tornozelo; C e D-. Movimento de eversão e inversão do pé; E e F Movimento de circundução dos pés; G e H- Exercício de flexão plantar bipodal; I e J - Subir no step de frente; K e L Subir no step de lado 55 Variáveis do estudo  Delta_ StO2_OV  IRVA_TE  IRVA_ISWT  ISWT (metros)  FE_HHB  HRT_rep  HRT_taxa  HRT_SPO2_final  EVA Cálculo amostral Inicialmente o cálculo amostral foi baseado na literatura existente, indicando um N de 120 participantes. A partir de um estudo piloto com 10 participantes em cada grupo, o tamanho da amostra necessário para o estudo foi recalculado. Considerando o delta das variáveis descritas para o estudo, o tamanho de efeito d encontrado foi de 0,75 e o N calculado foi de 24 participantes por grupo para um alfa de 5% e um poder de 80% (PORTNEY; WATKINS, 2000). Análise Estatística A análise de distribuição da normalidade dos dados foi realizada pelo teste Shapiro- Wilk. De acordo com esta análise as variáveis foram descritas como média e desvio- padrão ou mediana e intervalo interquartílico. As variáveis categóricas foram apresentadas como frequência relativa. Para a comparação entre grupos foram utilizados os valores de delta (subtração dos valores de pós e pré tratamento) e realizado o teste Mann-Whitney U. Para dados perdidos, foi considerado o valor de zero para o delta, seguindo o princípio da análise de intenção de tratar. O nível de significância alfa adotado foi de 5%. O pacote estatístico utilizado foi Statistical 56 Package for the Social Sciences versão 15.0. Um pesquisador independente que não participou das coletas e do tratamento foi o responsável pela análise dos dados. Resultados O presente estudo contou com a participação de 55 voluntárias (Figura 3) com similaridade dos dados (p > 0,05) entre os grupos quanto as características demográficas e clínicas da amostra (Tabela 1). As condições ambientais nos dias das avaliações não diferiram entre grupos nem entre situações (p > 0,05) (Tabela 1). Figura 3. Fluxograma do estudo A análise das respostas das variáveis de perfusão tecidual periférica, capacidade funcional, função de bomba muscular de panturrilha e dor está representada na Tabela 2. A única variável que apresentou mudança significativa após o período de intervenção foi o IRVA_TE. 57 Tabela 1. Caracterização da amostra e condições climáticas nos dias de avaliação. Legenda= índice de massa corporal (IMC); Classificação Etiológica, Anatômica e Patológica (CEAP); * média ± padrão; # mediana (25-75) Variáveis Grupo Intervenção (N=33) Grupo Controle (N=22) Idade (anos)* 53,91±9,11 53,59 ± 10,78 IMC (Kg/m2) # 28,66 (25,41 – 30,78) 27,26 (23,53 – 32,62) CEAP (%) 1 3,02 4,55 2 48,49 45,45 3 48,49 50 Temperatura (o.C) # Pré intervenção 25,5 (24,7 – 27,9) 26 (22,7 – 28,2) Pós intervenção 25,1 (22,6 – 27,8) 25,1 (22,5 – 26,9) Umidade relativa do ar (%) # Pré intervenção 49 (47 – 54) 47 (46 – 51) Pós intervenção 48 (44 – 55) 50 (41 – 52) 58 Tabela 2. Avaliação das respostas das variáveis de perfusão tecidual periférica, capacidade funcional, função de bomba muscular de panturrilha e dor. Variáveis Grupo Intervenção (n=33) Grupo Controle (n=22) Pré Pós Delta Pré Pós Delta p Delta_ StO2_OV (%) 0,27 (0,04 – 1,43) 0,94 (0,30 – 1,34) 0,27 (0,04 – 1,43) 0,82 (0,14 – 1,60) 0,75 (-0,03 – 2,34) 0,82 (0,14 – 1,60) 0,674 IRVA_TE 1,50 (1,00 – 4,20) 1,61 (1,26 – 2,65) 0,17 (-2,77 – 0,62) 2,36 (1,19 – 4,16) 3,08 (1,41 – 7,96) 0,77 (-0,49 – 5,39) 0,043 IRVA_ISWT 1,82 (1,17 – 6,27) 2,32 (1,47 – 5,61) 0,86 (-0,97 – 2,41) 2,93 (1,06 – 6,29) 4,65 (2,02-8,83) 0,24 (-1,05 -8,46) 0,387 ISWT (metros) 420 (350 – 440) 440 (360 – 450) 20 (0 – 70) 35