UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE MORFOLOGIA AVALIAÇÃO DA PERDA DE CÉLULAS ESPERMATOGÊNICAS E DA CAPACIDADE DE COLONIZAÇÃO DAS ESPERMATOGÔNIAS-TRONCO, EM CAMUNDONGOS EXPOSTOS A DIFERENTES REGIMES DE TRATAMENTO COM A CICLOFOSFAMIDA Belo Horizonte 2011 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE MORFOLOGIA AVALIAÇÃO DA PERDA DE CÉLULAS ESPERMATOGÊNICAS E DA CAPACIDADE DE COLONIZAÇÃO DAS ESPERMATOGÔNIAS-TRONCO, EM CAMUNDONGOS EXPOSTOS A DIFERENTES REGIMES DE TRATAMENTO COM A CICLOFOSFAMIDA Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular Laboratório de Biologia Estrutural e Reprodução Departamento de Morfologia ICB/UFMG Doutoranda: Ana Luiza Drumond Orientador: Dr. Hélio Chiarini-Garcia Colaborador: Dr. Marvin L. Meistrich Belo Horizonte 2011 ANA LUIZA DRUMOND AVALIAÇÃO DA PERDA DE CÉLULAS ESPERMATOGÊNICAS E DA CAPACIDADE DE COLONIZAÇÃO DAS ESPERMATOGÔNIAS-TRONCO, EM CAMUNDONGOS EXPOSTOS A DIFERENTES REGIMES DE TRATAMENTO COM A CICLOFOSFAMIDA Belo Horizonte Instituto de Ciências Biológicas da UFMG 2011 Tese apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Biologia Celular do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor. Área de concentração: Biologia Celular Orientador: Dr. Hélio Chiarini-Garcia 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



















Drumond, Ana Luiza Alvarenga Avaliação da perda de células espermatogênicas e da capacidade de colonização das espermatogônias-tronco, em camundongos expostos a diferentes regimes de tratamento com a ciclofosfamida. [manuscrito] / Ana Luiza Alvarenga Drumond. – 2011. 115 f. : il. ; 29,5 cm. Orientador: Hélio Chiarini-Garcia. Tese (doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas. 1. Testículos – Teses. 2. Biologia celular – Teses. 3. Ciclofosfamida. 4. Células tronco espermatogoniais. I. Chiarini-Garcia, Helio. II. Universidade Federal de Minas Gerais. Instituto de Ciências Biológicas. III. Título. CDU: 576.3: 615.7 
 
 Dedico esse trabalho aos meus tão bravos amigos, que deixam o nosso país para se aventurar em terras estrangeiras, e que, à procura de um crescimento profissional e/ou pessoal, trabalham duro, enfrentam as diferenças e as saudades, na busca insessante de se tornar uma pessoa melhor. AGRADECIMENTOS: Agradeço a todos que de alguma forma colaboraram para a realização deste trabalho, em especial: - Ao professor Hélio, pela orientação, pela amizade, pelo carinho, pelos puxões de orelha e por tantos momentos compartilhados nesses longos sete anos; - Thank you Dr. Marvin Meistrich, for having me at your lab, and for contributing in so many ways to my professional and personal growth; - Às professoras Fernanda e Gleydes; - À Maria Luiza, técnica do Laber; - Aos colegas do Laber, tantos alunos que por lá passaram nesses quatro anos, e àqueles que por lá ainda estão: Aline, Amanda, Ana Luisa, Carolina, Daniel, Débora, Felipe, Francisco, Gisele, Letícia, Letícia, Marilda, Michele, Nadine, Paula, Renata, Tatiane. Vocês também fazem parte do meu crescimento; - Thanks to all the crew from Dr. Meistrich’s lab, and to all the technicians and secretaries in the Department of Experimental Radiation Oncology, who work hard, but always with a big smile, and are “making cancer history”; - Aos colegas do Programa de Biologia Celular, muitos dos quais já terminaram sua saga por aqui e já se foram. Não há lugar para encontrar bons amigos e madrinhas de casamento como nesse Programa; - À Sibele, obrigada pela sua dedicação a todos nós, alunos e professores; - Às funcionárias do Centro de Microscopia Eletrônica (CEMEL) do ICB/UFMG; - Aos demais professores e funcionários do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular; - Aos demais funcionários do Departamento de Morfologia; - Aos meus pais, meus irmãos, e a toda a minha família, vocês suportaram e suportam a saudade, mas ficam todos sempre na torcida, não importa a distância. Vocês são uma parte indispensável de mim, não importa aonde eu vá; - Aos meus queridos ex-houstonianos (outros nem tão ex assim), Tininha, Cris, Flavinha, Tiago, Rodrigo, Vini, William, Miguel, Raquel e Leandro, vocês foram amigos e família. Em uma “festa estranha, com gente esquisita”, me fizeram sentir como em casa, em Terra Brasillis. Os momentos vividos por um ano vão ficar guardados pra sempre; - Last, but definitely not least, thanks to my husband Mike, for his support, love, and care. For showing so much interest in Cellular Biology, Biology of Reproduction, and so many things you had no clue what they were about, most of the time. Thanks for being my partner in this crazy deal, which is grad school, always by my side, no matter how far. Or should I thank to my doctorate for bringing me to you? I guess I should thank you both… Esta tese foi desenvolvida no Laboratório de Biologia Estrutural e Reprodução (Laber) do Departamento de Morfologia, do Instituto de Ciências Biológicas, da Universidade Federal de Minas Gerais, sob a orientação do Prof. Dr. Hélio Chiarini- Garcia; Todos os experimentos aqui apresentados foram desenvolvidos no Departamento de Radiologia Oncológica Experimental, do UT MD Anderson Cancer Center - EUA, com a colaboração do Prof. Dr. Marvin L. Meistrich, e com o auxílio das seguintes instituições: - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) - National Institute of Health (NIH) – EUA “A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho original.” (Albert Einstein) SUMÁRIO Resumo................................................................................................................................................ 1 1. INTRODUÇAO 1.1. A origem das células germinativas........................................................................................ 2 1.2. Processo de auto-renovação e diferenciação a partir das espermatogônias-tronco............ 2 1.3. Fatores que regulam as espermatogônias............................................................................ 1.4. Estádios do ciclo do epitélio seminífero................................................................................ 1.5. O uso da ciclofosfamida e seus efeitos colaterais na reprodução masculina....................... 1.6. Transplante de células germinativas..................................................................................... 4 6 7 9 2. JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS................................................................................................. 13 3. MATERIAIS E MÉTODOS ......................................................................................................... 15 3.1. Animais...............................................................................................................................  Camundongos doadores.................................................................................................  Camundongos receptores............................................................................................... 3.2. Tratamentos com a ciclofosfamida.....................................................................................  Tratamento com dose única............................................................................................  Tratamento com múltiplas doses, aplicadas a cada 5 dias.............................................  Tratamento com múltiplas doses, aplicadas a cada 4 dias............................................. 3.3. Transplante de células germinativas........................................................................... ......  Obtenção da suspensão celular.....................................................................................  Injeção da suspensão celular........................................................................................ 3.4. Coleta e fixação dos testículos.......................................................................................... 3.5. Processamento histológico dos testículos......................................................................... 3.6. Contagem de espermatozóides testiculares...................................................................... 3.7. TUNEL e imunoistoquímica................................................................................................ 3.8. Análises morfológicas e morfométricas.............................................................................  Análise qualitativa............................................................................................................  Análise semi-quantitativa.................................................................................................  Número relativo de células germinativas por 100 nucléolos de células de Sertoli...........  Apoptoses espermatogoniais..........................................................................................  Número de colônias produzidas após o transplante........................................................ 3.9. Análise estatística............................................................................................................... 15 15 17 18 18 19 20 21 21 22 22 24 25 26 27 27 27 27 28 28 29 4. RESULTADOS ........................................................................................................................... 4.1. Alterações causadas por uma única dose de ciclofosfamida.............................................  Avaliação dos pesos corporais e testiculares..................................................................  Indução de apoptose e depleção das células germinativas,............................................  Avaliações realizadas aos 28 dias após o tratamento...................................................... 4.2. Alterações causadas múltiplas doses de ciclofosfamida.....................................................  Alterações no peso corporal durante e após o tratamento...............................................  Quantificação de morte celular.........................................................................................  Análises histológicas e de número celular........................................................................ 4.3. Recuperação do epitélio seminífero ao fim do tratamento..................................................  Análises histológicas........................................................................................................  Análise da recuperação da função testicular.................................................................... 4.4. Capacidade funcional das espermatogônias-tronco após transplante.................................  Número de células germinativas presente nos animais doadores....................................  Características das suspensões celulares........................................................................  Análises morfométricas dos camundongos receptores, após o transplante...................... 30 30 30 31 33 35 35 36 37 40 40 40 41 41 43 43 5. DISCUSSÃO................................................................................................................................ 47 6. CONCLUSÃO.............................................................................................................................. 52 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................................. ANEXO I - TRABALHO PUBLICADO.......................................................................................... ANEXO II - TRABALHO ENVIADO PARA PUBLICAÇÃO.............................................................. 53 62 75 Resumo 1 Resumo A espermatogênese é extremamente sensível a tratamentos quimioterápicos. A ciclofosfamida é um exemplo de droga amplamente utilizada em pacientes, que pode causar infertilidade nos homens. Baseando-nos no fato de que a ciclofosfamida diminui a contagem de espermatozóides, e de que a recuperação da produção espermática é dependente da regeneração das células-tronco, no presente estudo nós desenvolvemos um regime de tratamento com ciclofosfamida capaz de eliminar células germinativas em diferenciação nos testículos de camundongos, e avaliamos a abilidade das espermatogônias-tronco de regenerarem a espermatogênese in situ e após transplante de células germinativas. Nós utilizamos um tratamento com sete doses de ciclofosfamida, administradas com um intervalo de 4 dias entre doses, que resultou em uma drástica redução do número de células germinativas em diferenciação, porém aproximadamente 50% das espermatogônias do tipo A indiferenciadas ainda estavam presentes no epitélio seminífero, com morfologia normal. Nós monitoramos a cinética da recuperação espermática e encontramos que o número de espermatozóides testiculares foi restaurado para 64% do resultado apresentado para animais controle, dentro do tempo necessário para que as células-tronco se tornem espermatozóides. Quando as espermatogônias que sobreviveram ao tratamento com ciclofosfamida foram transplantadas para camundongos com espermatogênese endógena deprimida por radiação fracionada, a recuperação da espermatogênese foi reduzida para 12% do valor esperado, quando comparados com animais criptorquídicos. Assim, nós concluímos que múltiplas doses de ciclofosfamida não eliminaram completamente as espermatogônias-tronco, mas resultaram em perda celular e dano funcional das células-tronco. Introdução 2 1. Introdução 1.1. A origem das células germinativas As células germinativas primordiais (CGPs) são células embrionárias extra-gonadais que dão origem às células germinativas dos machos e fêmeas, respectivamente espermatogônias e oogônias. As CGPs se originam a partir de uma pequena população de células do epiblasto (Lawson & Pedersen, 1992) que, em camundongos, migram da base do alantóide, através do intestino primitivo, até alcançarem as chamadas cristas urogenitais, entre os dias 9-11 pós-coito, onde terá início a formação dos testículos. Ao chegarem às cristas genitais, as CGPs são envolvidas pelas células de Sertoli, e pelas células precursoras das células mióides, formando os cordões seminíferos. Após a formação dos cordões, as células germinativas passam a ser denominadas gonócitos (Huckins & Clermont, 1968; Revisão em Donovan & de Miguel, 2005). Estas células sofrem então divisões mitóticas por alguns dias, até se estacionarem na fase G0/G1 do ciclo celular, estado em que permanecem até o momento do nascimento, em camundongos (Huckins & Clermont, 1968). Logo após o nascimento, os gonócitos voltam a proliferar e dão origem às espermatogônias-tronco (Vergouwen et al., 1991), e é a partir de divisões destas células que se inicia a espermatogênes, processo que vai resultar na formação dos espermatozóides. 1.2. Processo de auto-renovação e diferenciação a partir das espermatogônias-tronco Em machos adultos, a célula mais primitiva no processo espermatogênico é a espermatogônia- tronco. Nos camundongos, esta célula é também conhecida como espermatogônia Aisolada (Ais), uma vez que, através do estudo de túbulos seminíferos em montagem in-toto, ela pode ser observada sem quaisquer conexões citoplasmáticas com outras espermatogônias (de Rooij, 1998). As espermatogônias Ais apresentam características de uma célula-tronco clássica, isto é, ao se dividirem Introdução 3 podem formar células semelhantes a elas mesmas, através do processo de auto-renovação, ou originar células mais diferenciadas, neste caso, comprometidas com a espermatogênese. No processo de diferenciação, a mitose das espermatogônias Ais resulta na formação das espermatogônias Apareadas (Apr). Um indicador morfológico de que as gerações espermatogoniais subseqüentes estão comprometidas com a diferenciação é a ligação entre as células filhas da espermatogônia Ais, através das chamadas pontes inter-citoplasmáticas (Weber & Russell, 1987). Por sua vez, a divisão das espermatogônias Apr leva à formação de cadeias de 4, 8 e 16 células denominadas de espermatogônias Aalinhadas (Aal). Estes tipos espermatogoniais, de Ais até Aal, são também conhecidos como espermatogônias do tipo A indiferenciadas (Aind), ou imaturas, por possuírem graus variáveis de indiferenciação, e ainda não podem ser distinguidos uns dos outros através de marcadores morfológicos (Chiarini-Garcia & Russell, 2001; Chiarini-Garcia et al., 2003) ou moleculares (Aponte et al., 2005). Após a formação das espermatogônias Aal, as sucessivas divisões mitóticas geram os tipos celulares denominados espermatogônias do tipo A em diferenciação (A1, A2, A3, e A4), espermatogônias intermediárias (In) e espermatogônias do tipo B (B). Atualmente estas células mais diferenciadas (de A1 até B) podem ser identificadas morfologicamente através das microscopias de luz de alta resolução (Chiarini-Garcia & Russell, 2001) e eletrônica de transmissão (Chiarini-Garcia & Russell, 2002). As espermatogônias do tipo B, as últimas células da linhagem espermatogonial, se dividem gerando espermatócitos primários, que iniciam a fase meiótica da espermatogênese. O esquema a seguir (Figura 1) ilustra a possível constituição de diferentes clones de espermatogônias no camundongo desde a espermatogônia Ais até a última geração de espermatogônia, do tipo B (de Rooij & Russell, 2000; de Rooij, 2001). Ais ► Apr ► Aal (Aal-4, ► Aal-8 ► Aal-16)  A1 ► A2 ► A3 ► A4 ► In ► B Figura 1 – Divisões mitóticas (cabeças de seta) de cada um dos diferentes tipos espermatogoniais em camundongos. São aproximadamente 9 divisões que vão formar, a partir de uma A is, em torno de 1024 espermatogônias do tipo B. As espermatogônias Ais são as células-tronco do processo espermatogênico, tendo a capacidade de se auto-renovarem (seta curva). Entre as espermatogônias Aal e A1 (seta clara) não ocorre divisão mas sim diferenciação celular. Introdução 4 1.3. Fatores que regulam as espermatogônias Quando se fala em fatores que regulam as espermatogônias, é importante relembrar que o grupo de espermatogônias A indiferenciadas é constituído pelas espermatogônias A is, Apr e Aal, e que dentre elas apenas a Ais é considerada como espermatogônia-tronco e, ainda, que os marcadores descobertos até o momento não marcam especificamente a Ais, mas sim a todas as espermatogônias indiferenciadas, indistintamente. Embora não tenham sido identificados marcadores específicos para as espermatogônias- tronco, vários fatores têm sido citados por exercerem um importante controle da regulação entre a auto-renovação e a diferenciação das células-tronco em mamíferos. Exemplos de fatores que, conhecidamente, regulam as espermatogônias indiferenciadas podem ser o GDNF (glial cell-line derived neurotrophic factor; Creemers et al., 2002; Naughton et al., 2006; Yomogida et al., 2003), o GFRα-1 (GDNF family receptor alpha 1; Buageaw et al., 2005;), o Plzf (promyelocytic leukemia zinc- finger; Buaas et al., 2004; Costoya et al., 2004;), o Ngn3 (Neurogenina 3; Yoshida et al., 2004) e o Sox3 (SRY related high mobility group-box; Raverot et al., 2005). Dentre os vários fatores descritos por serem expressos nas células espermatogoniais está o receptor c-kit, que se liga ao fator de célula-tronco (SCF, stem cell factor), produzido pelas células de Sertoli. A importância desse marcador foi identificada em duas mutações, nos locus W/W White spotting e Sl steel, que em camundongos resultam em esterilidade (Yoshinaga et al., 1991; Ohta et al., 2000). Durante a fase inicial do desenvolvimento fetal, o receptor para SCF é expresso pelas CGPs, sendo importante no sucesso da migração destas células para as gônadas. No entanto, após a formação do testículo, o receptor c-kit passa a ser expresso nas espermatogônias do tipo A em fase de diferenciação. Desta forma, as células de Sertoli regulam a proliferação das espermatogônias em diferenciação através do receptor c-kit (Yoshinaga et al., 1991; Ohta et al., 2000). Além do sistema c-kit/SCF, o GDNF é também importante para a proliferação e diferenciação das células germinativas (Meng et al., 2000). Este fator é expresso pelas células de Sertoli, e se liga nas espermatogônias-tronco através dos receptores c-ret e GFR-α1. Camundongos com a expressão de GDNF elevada apresentam um aumento do número de espermatogônias indiferenciadas, eventualmente, desenvolvendo tumores testiculares semelhantes ao seminoma observado em homens (Meng et al., 2000). Estudos recentes, utilizando diversas abordagens, indicam que o GDNF Introdução 5 estimula a proliferação das espermatogônias-tronco sem causar a diferenciação das mesmas (Kubota et al., 2004; Buageaw et al., 2005; Hofmann et al., 2005; Kanatsu-Shinohara et al., 2005). Outro marcador importante para as espermatogônias é o receptor ALK3 (alctivin receptor like kinase 3), presente em espermatogônias do tipo A, que se liga à proteína morfogênica do osso do tipo 4 (BMP4, bone morphogenetic protein) produzida pela célula de Sertoli. Experimentos in vitro revelaram que a BMP4 proporciona aumento na proliferação e diferenciação das espermatogônias. Tummers & Thesleff (2003) mostraram que a BMP4 também está envolvida no recrutamento das células-tronco para regiões específicas do epitélio seminífero. A interação entre BMP4 e seu receptor ALK3 regula uma via de transdução de sinal, que induz a expressão de c-kit, seguida pela diferenciação da espermatogônia A indiferenciada (Pellegrini et al, 2003). Ja o fator Plzf (promyelocytic leukemia zinc-finger) é um repressor de transcrição que regula o estado epigenético das células indiferenciadas. Esse fator foi identificado como essencial para a manutenção de auto-renovação das células-tronco (Buaas et al., 2004). Isso foi confirmado no epitélio seminífero por Costoya e colaboradores (2004), que demonstraram que o Plzf é requerido para regular a auto-renovação e manutenção do pool de espermatogônias-tronco. O Plzf parece ser expresso em tipos celulares que não expressam ciclina D1 e/ou D2, conhecidas por serem expressas em espermatogônias em diferenciação, sugerindo então serem as espermatogônias reguladas pelo Plzf as mais indiferenciadas. Finalmente, a Ngn 3 é um fator de transcrição expresso específicamente em espermatogônias do tipo A indiferenciadas (Yoshida et al., 2004), sendo expresso em células que estão presentes em todos os estádios do epitélio seminífero, observadas com pouca frequência, e presentes em clones pequenos de células 2N. Além das características típicas de células indiferenciadas, as células positivas para Ngn3 apresentaram-se negativas para o receptor c-kit. Após a transição para células em diferenciação, a expressão de neurogenina 3 é suprimida. Recentemente, a Ngn3 foi utilizada, em camundongos, na caracterização de espermatogônias-tronco em funcionamento normal, e após drástica depleção de células germinativas (Yoshida, 2007). Os resultados sugerem que espermatogônias que expressam uma quantidade de Ngn 3 maior são na verdade espermatogônias- tronco potenciais, que sofreriam auto-renovação apenas durante a regeneração do epitélio seminífero, quando este é danificado. Introdução 6 1.4. Estádios do ciclo do epitélio seminífero A classificação das secções transversais de túbulos seminíferos em estádios do ciclo do epitélio seminífero (CES) é uma ferramente de grande valia para o estudo da cinética das células germinativas, inclusive das espermatogônias (Russell et al, 1990; de Rooij, 1998). Ela permite investigar a dinâmica, a progressão e a expansão das células em um determinado espaço de tempo. A forma de classificação mais utilizada em camundongos é conhecida como método da vesícula acrossômica, e permite o reconhecimento de doze estádios (Figura 2) a partir da observação das diferentes evoluções morfológicas nucleares e acrossômicas das espermátides. Como exemplo de eventos ocorrendo em estádios específicos do CES, temos a formação de espermatogônias do tipo A1, que ocorre por diferenciação celular a partir das espermatogônias Aal nos estádios VII e VIII (Figura 2). Uma vez que as espermatogônias do tipo A1 tenham sido formadas, as divisões subseqüentes também são sincronizadas, novamente ocorrendo em estádios específicos do ciclo espermatogênico. As espermatogônias A1 dividem-se para formar A2 no estádio IX, estas por sua vez formam as espermatogônias A3 no estádio XI, sendo finalmente as espermatogônias A4 formadas no estádio I do próximo ciclo. Estas últimas se dividem em espermatogônias In nos estádios II-III, dando origem às espermatogônias do tipo B no estádio IV (Figura 2). No passado, os diferentes tipos de espermatogônias do tipo A não podiam ser reconhecidos morfologicamente, tampouco existiam marcadores moleculares específicos para estas células. No entanto, sabendo que os diferentes tipos celulares estavam presentes em estádios específicos, as espermatogônias podiam ser identificadas de forma indireta. Por exemplo, numa secção transversal de túbulo seminífero de camundongos no estádio XII podem ser observadas as espermatogônias do tipo Ais, Apr Aal (presentes em todos os estádios, embora em número pequeno) e as espermatogônias do tipo A3 (Figura 2). Hoje, com o uso de microscopia de luz de alta resolução (MLAR), é possível identificar as células independentemente dos estádios. Estudos das gerações espermatogoniais já podem ser realizados em animais que não possuem espermatogênese completa (Drumond et al, 2011), ou em animais nos quais os estádios do CES não podem ser identificados (Bolden-Tiller et al., 2007; Zallio 2009). Introdução 7 Figura 2 – Associações celulares durante os XII estádios do CES de camundongos. As espermatogônias A indiferenciadas, que estão presentes em todos os estádios do ciclo, e se dividem entre os estádios X e III. As espermatogônias do tipo A em diferenciação (A1, A2, A3 e A4) estão presentes e se dividem (m, mitose) em estádios específicos do ciclo. Os espermatócitos formados vão passar pelas fases da prófase meiótica (preL, preleptoteno; L, leptóteno; Z, zigóteno; P, paquíteno; D, diplóteno), e as espermátides pelas 16 etapas de diferenciação (uma por estádio). Os tipos celulares presentes na mesma coluna são sempre encontrados juntos e constituem um estádio do ciclo. M!, divisões meióticas I e II. 1.5. O uso da ciclofosfamida e os seus efeitos colaterais na reprodução masculina A ciclofosfamida é um agente alquilante, pertencente ao grupo de drogas conhecido como mostardas nitrogenadas, assim denominadas por terem sido criadas a partir do gás mostarda, muito utilizado na Segunda Guerra Mundial (Colvin, 2003). Essa droga reage fortemente com as bases guanina presentes no DNA, adicionando um grupo alquil (CnH2n+1) às bases nitrogenadas. A reação causa uma ligação cruzada entre as duas fitas do DNA, não permitindo a abertura da dupla hélice para que haja replicação da molécula de DNA (Figura 3). O mecanismo de reparo da célula, ao detectar dano no DNA, induz a morte das células afetadas (Colvin, 2003). As células que apresentam maior sensibilidade ao dano causado pelos agentes alquilantes são aquelas que estão em rápida atividade de proliferação, como as células cancerígenas (Colvin, 2003). Por esse motivo, a ciclofosfamida vem sendo amplamente empregada para o tratamento de neoplasias como linfomas, mielomas, leucemias, neuroblastomas, carcinoma de mama, dentre outros (Ref.:Bula que acompanha o medicamento). Esta droga também pode ser utilizada no tratamento de doenças auto-imunes, como o lupus eritematoso sistêmico, a anemia hemolítica e a artrite reumática. Introdução 8 Figura 3 – Ação da ciclofosfamida na molécula de DNA. Promovendo a ligação cruzada entre as duas fitas, através da ligação nas bases guanina, a droga impede que haja abertura da molécula para duplicação do DNA. Uma séria reação ao tratamento com agentes alquilantes é o dano às células germinativas. A bula que acompanha a droga ciclofosfamida afirma no tópico “advertências” que “A ciclofosfamida pode causar infertilidade em ambos os sexos, dependendo da dose e do tempo de duração do tratamento...”, e afirma ainda que “A infertilidade pode ser reversível”. Estudos demonstraram que os efeitos da ciclofosfamida são dependentes da dose aplicada, sendo que doses maiores produzem efeitos mais fortes (Ref.:Bula que acompanha o medicamento), e que o uso prolongado pode resultar em infertilidade permanente. Experimentos foram também realizados em ratos e camundongos, na tentativa de explicitar os danos causados nas células germinativas pela ciclofosfamida. Lu e Meistrich (1979), por exemplo, estudaram os efeitos causados por diferentes drogas quimioterápicas, dentre elas a ciclofosfamida, na reprodução de camundongos C3H, após a aplicação de uma única dose. Esses pesquisadores encontraram que com uma dose de 200mg de ciclofosfamida por Kg de peso corporal dos animais (mg/Kg) as espermatogônias em diferenciação do tipo A2, A3, A4, In e B, e parte dos espermatócitos do tipo pré-leptótenos, foram totalmente eliminados, enquanto as espermatogônias do tipo A1 e Aal foram parcialmente danificadas, e as espermatogônias Ais e Apr não foram alteradas. Apesar de não terem sido capazes de reconhecer específicamente os tipos espermatogoniais, os autores chegaram a essa conclusão ao analisar os diferentes tipos de espermatócitos presentes 11 dias após a injeção, e prevendo assim quais eram as células que estavam sendo eliminadas no momento da injeção. O trabalho também mostrou que com uma única dose de 100mg/Kg de ciclofosfamida a contagem de espermatozóides foi fortemente reduzida 29 dias após o tratamento, mas voltou à contagem normal, prevista para os animais controle, 56 dias após o tratamento (Lu & Meistrich, 1979). Introdução 9 Cai e colaboradores (1997) estudaram, em ratos machos, a indução de apoptose causada pela ciclofosfamida em células germinativas. Eles encontraram que o pico de apoptoses aconteceu entre 12 e 24 horas após a aplicação de uma dose da droga. Também observaram que as espermatogônias e os espermatócitos sofreram um número muito maior de apoptose induzida por ciclofosfamida, do que as espermátides. É importante destacar que, uma eventual recuperação da produção espermática em pacientes que apresentam azoospermia ou oligospermia ao final do tratamento está relacionada com a sobrevivência das espermatogônias-tronco, e com a sua habilidade de se diferenciar em células germinativas mais avançadas, formando espermatozóides saudáveis. Por isso, se torna importante o estudo dos efeitos da ciclofosfamida não só na reprodução como um todo, mas principalmente os efeitos causados na linhagem espermatogonial. 1.6. Transplante de células germinativas O transplante de espermatogônias é uma abordagem experimental que consiste na remoção de células-tronco do testículo de um animal doador e a transferência das mesmas para o testículo de um receptor, onde estas células irão se desenvolver e formar espermatozóides maduros com características genéticas do doador (Figura 4). Essa nova e promissora técnica foi inicialmente utilizada em camundongos por Brinster e colaboradores (Brinster & Avarbock, 1994; Brinster & Zimmermann, 1994) e tem proporcionado enormes possibilidades para o estudo tanto da biologia das células-tronco quanto do processo espermatogênico em si (Parreira et al., 1998; Hausler & Russell, 1999; Izadyar et al., 2000; Brinster, 2002; Dobrinski, 2005a,b; McLean, 2005). Antes de serem transplantadas, as células germinativas são isoladas, utilizando-se para isso digestão enzimática dupla (tripsina e colagenase) (Meistrich et al, 1973; Meistrich & Trostle, 1975). Apesar dos avanços na área, as técnicas de isolamento realizadas a partir de animais adultos, não têm conseguido, até o momento, obter suspensões celulares com uma concentração alta das espermatogônias-tronco. Introdução 10 Figura 4 – Transplante de espermatogônias de um camundongo doador, exemplo GFP, para um camundongo receptor, exemplo C57Bl6. A) Coleta dos testículos do animal doador; B) Obtenção de suspensão celular, rica em espermatogônias, a partir dos testículos coletados; C) Injeção da suspensão celular nos testículos do animal receptor; D) Um determinado período após o transplante o animal receptor passa a produzir espermatozóides com a carga genética do animal doador (verdes), além dos seus próprios espermatozóides (pretos). GFP (Green Fluorescent Protein), proteína fluorescente verde. O sucesso do transplante depende dos tipos celulares contidos na suspensão obtida (Oatley & Brinster, 2006). As suspensões celulares consideradas como ideais são aquelas que possuem espermatogônias-tronco saudáveis, presentes em alta concentração, e um número baixo de espermatócitos e espermátides. Nesse sentido, podemos citar diferentes modelos de animais doadores que vêm sendo experimentados nos últimos anos. O emprego de animais jovens, por exemplo, se revelou como um modelo eficiente, facil de ser obtido e de baixo custo financeiro (Shinohara et al., 2001; McLean et al., 2003). Nestes animais a espermatogênese ainda não está completa, o que facilita a obtenção de pools de células-tronco. Apesar de serem considerados bons doadores, é importante estar atento à idade ideal do animal para obtenção das células a serem transplantadas, uma vez que espermatogônias obtidas a partir de animais muito jovens podem não estar presentes em quantidade ideal, além de não serem maduras o suficiente para produzir uma alta eficiência de transplante (McLean et al., 2003). Conforme já foi dito, o uso de animais adultos como doadores também tem sido empregado, no entanto, por apresentarem o epitélio seminífero completo, com todas as células germinativas presentes, os transplantes realizados a partir destes animais não resultam em altas eficiências de colonização (Ogawa et al., 2003), sendo necessária a utilização da separação celular através de Percoll (Koh et al., 2004). Uma alternativa ao uso do Percoll seriam tratamentos experimentais que eliminem as células germinativas mais diferenciadas, mantendo as espermatogônias-tronco saudáveis, aumentando assim a proporção de células-tronco que será injetada nos animais receptores. O criptorquidismo experimental, é um exemplo de técnica que pode provocar a seleção de Introdução 11 espermatogônias, pois o aumento da temperatura testicular leva à depleção das células germinativas mais avançadas, sem causar dano às espermatogônias indiferenciadas (Nishimune et al., 1978; de Rooij et al., 1999). Alguns experimentos demonstram o sucesso do emprego desses animais como doadores de células-tronco para transplante (de Rooij et al., 1999; Shinohara et al., 2000; Orwig et al., 2008). Além dos animais criptorquídicos, alguns animas mutantes também têm sido utilizados em experimentos de transplante (de Rooij et al., 1999). Os camundongos mutantes para o gene steel (Sl/Sl), por exemplo, possuem células germinativas saudáveis, que expressam o receptor para SCF, c-kit, no entanto apresentam células de Sertoli defeituosas na produção do SCF, fazendo com que esses animais sejam desprovidos de células germinativas mais avançadas (Brannan et al., 1992). Como a alteração desses animais é no componente somático dos testículos, e não nas células germinativas, estas células podem ser transplantadas com sucesso. Outro fator importante para o sucesso do transplante é a escolha do receptor adequado. O microambiente testicular dos animais receptores tem um papel crucial na dinâmica e na eficiência da colonização, e no desenvolvimento das células germinativas transplantadas. Embora as células germinativas dos animais doadores sejam capazes de colonizar o testículo de um animal receptor normal, a eficiência do transplante depende também do sucesso na competição por nichos disponíveis nos túbulos seminíferos, entre as células germinativas transplantadas e as células germinativas endógenas (Shinohara et al., 2002). O receptor ideal para o transplante de espermatogônias é aquele cujos túbulos seminíferos contêm apenas células de Sertoli, normais, pois este aspecto garante a acessibilidade dos nichos às células germinativas dos doadores (Brinster et al., 2003). No que diz respeito aos animais receptores, podemos citar algumas técnicas aplicadas com o fim de melhorar as condições do microambiente testicular receptor. A primeira delas, que vem sendo utilizada desde os primeiros experimentos de transplante de células germinativas até hoje, é o uso do tratamento com o quimioterápico bussulfan como forma de deprimir a produção endógena de células germinativas, permitindo que apenas as células de Sertoli sobrevivam nos testículos (Brinster & Avarbock, 1994; Brinster & Zimmermann, 1994; Nagano et al., 1999; Zhang et al., 2006). Apesar de ser uma técnica bem sucedida no que diz respeito à eliminação das células germinativas, sem afetar o componente somático, o bussulfan debilita muito os animais receptores. Vários trabalhos relatam a necessidade de transplante de células da medula óssea para auxiliar na recuperação destes animais Introdução 12 (Ogawa et al., 1999; Udagawa et al., 2001). Uma alternativa ao tratamento dos animais receptores com bussulfan seria a utilização de animais mutantes. Os camundongos mutantes para o locus W/W, por exemplo, apresentam alterações genéticas em suas células germinativas, não sendo capazes de expressar o receptor c-kit para o fator SCF, produzido pelas células de Sertoli (Brinster & Avarbock, 1994; Brinster & Zimmermann, 1994; Parreira et al. 1998; Nagano et al., 1999). Estes animais, apesar de desprovidos de células germinativas, possuem células de Sertoli em perfeito estado funcional, sendo, por isso, receptores ideais para as células-tronco dos animais doadores. Apesar de ser uma técnica biologicamente viável, a obtenção e criação dos animais mutantes requer um alto investimento financeiro. Recentemente, o emprego da radiação para depleção das células germinativas nos testículos dos animais receptores se revelou uma técnica mais adequada, por ser menos prejudicial à saúde dos animais do que o tratamento com o bussulfan, e mais acessível, em termos financeiros, do que a obtenção dos animais mutantes. Por muitos anos o efeito da radiação na reprodução masculina vem sendo estudado, mostrando como ela afeta as células germinativas em proliferação, sendo elas espermatogônias-tronco ou não (Cattanach, 1974; Withers et al., 1974; Hasegawa, et al., 1997). Esses estudos também mostram que doses de radiação fracionada são mais eficientes na depleção das células germinativas do que doses únicas (Cattanach, 1974; Withers et al., 1974; de Ruiter- Bootsma et al., 1977; Meistrich et al., 1984). Dessa forma, pesquisadores têm optado pelo uso da radiação (Zhang et al., 2006; Barroca et al., 2009), representando uma excelente alternativa para a produção de animais receptores. A técnica de transplante de células germinativas tem sido utilizada para verificar a funcionalidade espermatogênica das espermatogônias-tronco, e a possível morte celular causada após tratamentos citotóxicos, eliminando-se a possibilidade de danos nas células Sertoli (Zhang et al., 2007), uma vez que o receptor fornece um nicho saudável para as spermatogônias dos doadores se desenvolverem. Este método foi utilizado para se determinar a queda no número de spermatogônias- tronco após uma única injeção da droga busulfan, em camundongos, e subsequente recuperação dessas células após transplante (Kanatsu-Shinohara et al., 2006). O transplante espermatogonial também foi utilizado em macacos Rhesus (Hermman et al., 2007), tratados com busulfan, para se acessar a funcionalidado das espermatogônias do tipo A indiferenciadas e como essas células se comportavam após o tratamento com o quimioterápico. Justificativa e Objetivos 13 2. Justificativa e Objetivos O câncer vem desafiando os médicos e pesquisadores da área de saúde a muitos anos, devido à sua ocorrência nos mais variados tipos de tecidos do corpo humano, e à agressividade com que muitas vezes acomete os pacientes. Dentre os tratamentos empregados contra esta doença, medicamentos como os agentes alquilantes são os mais utilizados, podendo ser combinados ou não com outras formas de tratamento. Como visto na introdução, algumas drogas alquilantes agem nas células que estão em atividade mitótica constante, não permitindo a replicação das moléculas de DNA, consequentemente induzindo à morte celular. Apesar de eficientes contra as neoplasias, os agentes alquilantes acarretam drásticas alterações nas células germinativas dos pacientes. Logo após o início do tratamento é possível ainda se observar espermatozóides sendo produzidos por até 2 meses, devido a certa resistência das células germinativas em estágios mais avançados, como as espermátides (revisão em Meistrich, 2009). No entanto, mesmo em doses baixas, as drogas levam à redução da produção espermática por até 3 meses após o fim do tratamento. Em um regime agressivo de quimioterapia pode ocorrer forte redução do número de espermatozóides, ou até azoospermia do paciente. O tempo de duração da azoospermia será então relacionado com a dose recebida pelo paciente, podendo durar de 1 a 3 anos, ou por um período mais prolongado, muitas vezes sendo permanente. Estudos em camundongos revelaram que o intervalo necessário para recuperação da fertilidade está diretamente relacionado ao grau de morte celular induzida nas espermatogônias-tronco (Meistrich, 1982). Assim sendo, acredita-se que a eventual recuperação da produção espermática depende da sobrevivência das espermatogônias-tronco, e da sua habilidade de se diferenciar em células mais avançadas, produzindo espermatozóides saudáveis. A ciclofosfamida é um exemplo de agente alquilante, que tem sido empregado no tratamento de várias neoplasias, e também de doenças auto-imunes. Experimentos realizados em roedores Justificativa e Objetivos 14 revelaram que a ciclofosfamida leva a morte principalmente de espermatogônias em diferenciação, e espermatócitos do tipo pré-leptótenos (Lu & Meistrich, 1979), principalmente durante as primeiras 24 horas após a injeção da droga (Cai et al., 1997). Os estudos em camundongos revelam ainda que, assim como em pacientes, a ciclofosfamida reduz drasticamente a quantidade de espermatozóides produzida pelo epitélio seminífero, após o tratamento, porém essa situação pôde ser revertida em animais tratados com doses menores (Lu & Meistrich, 1979). Nesse sentindo, o estudo da ação dessa droga nas células germinativas, principalmente nas espermatogônias, se torna extremamente importante, visando verificar tanto o impacto deletério nas células germinativas, quanto a possibilidade de recuperação do processo espermatogênico, dependendo do tipo de tratamento utilizado. Objetivo Geral Estudar as alterações causadas pelo tratamento com a ciclofosfamida nas células espermatogênicas de camundongos, e avaliar o grau de recuperação das células germinativas após o fim do tratamento. Objetivos Específicos  Avaliar os efeitos de diferentes regimes de tratamento com uma única dose de ciclofosfamida;  Estudar o dano causado nas células germinativas após tratamentos envolvendo múltiplas doses de ciclofosfamida;  Avaliar a recuperação de parâmetros como peso testicular e produção espermática, após o fim do tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida;  Verificar a função espermatogênica das espermatogônias-tronco que sobreviveram ao tratamento, através do transplante de células germinativas. Materiais e Métodos 15 3. Materiais e Métodos 3.1. Animais Para os tratamentos com ciclofosfamida, foram utilizados camundongos machos, adultos, da linhagem C57BL6, provenientes da colônia do Departamento de Radiologia Oncológica Experimental, do MD Anderson Cancer Center (ERO colony, Houston/TX, EUA). Os animais foram obtidos com aproximadamente 6 semanas de idade, ambientados por uma semana, e mantidos no biotério do departamento durante todo o tratamento, até o momento do sacrifício. Cada animal recebeu um número de identificação individual, impresso em brinco de alumínio. O experimento foi aprovado pelo comitê de ética do MD Anderson Cancer Center (IACUC, Institution Animal Care and Use Comitee). Para os experimentos de transplante foram preparados grupos de animais doadores de células germinativas, e grupos de animais receptores das suspensões celulares preparadas a partir dos testículos dos camundongos doadores.  Camundongos doadores: Como doadores de células germinativas, foram utilizados camundongos transgênicos para a produção da proteína fluorescente verde (green fluorescent protein – GFP), para que as células dos doadores pudessem ser reconhecidas no animal receptor, após o transplante. Foram utilizados quatro grupos experimentais compostos de camundongos GFP: a) jovens, b) adultos não tratados, c) adultos experimentalmente criptorquídicos e d) adultos tratados com ciclofosfamida. a) Animais jovens: Foram realizados dois experimentos de transplante, nos quais foram utilizados 5 camundongos doadores, com idades entre 14 e 16 dias, para cada experimento, totalizando 10 animais. No momento da coleta os animais foram pesados, anestesiados (mistura de Materiais e Métodos 16 ketamina e xilazina a 0,10 mL/10 g de peso corporal) e sacrificados. A suspensão celular foi então obtida a partir dos testículos coletados. b) Animais adultos não tratados: Foram utilizados 5 animais, com aproximadamente 8 semanas de idade. No momento da coleta os animais foram pesados e anestesiados, e após a coleta procedeu-se a eutanásia por deslocamento cervical. A suspensão celular foi então obtida a partir dos testículos coletados. c) Animais experimentalmente criptorquídicos: Foram utilizados 10 animais, que tinham aproximadamente 8 semanas de idade no dia da cirurgia. Para o procedimento de cirurgia de criptorquidismo, os animais foram pesados e anestesiados com ketamina e xilazina (0,1mL/10g de peso corporal). Foi realizada tricotomia na região abdominal, e em seguida a região foi higienizada com Iodo Povidine. Com bisturi cirúrgico, foi feita uma incisão na região pelvica do animal, de aproximadamente 1,5 cm. Ambos os testículos foram, separadamente, retirados do escroto e amarrados à parede abdominal com linha de seda, sendo que o ponto de fixação foi localizado entre o testículo e o epidídimo. Os animais foram mantidos criptorquídicos por 8 semanas, até o dia do transplante, quando foi então obtida suspensão celular a partir dos testículos desses animais. No momento da coleta os animais foram pesados, receberam a mesma dose de anéstesico do procedimento cirurgico, e procedeu-se a eutanásia. Baseado em experimentos prévios (dados não publicados), apenas testículos com valores de peso abaixo de 30 mg foram utilizados como doadores para o transplante. d) Animais adultos tratados com ciclofosfamida: Foram realizados dois experimentos de transplante. Inicialmente previu-se o uso de 5 animais doadores para cada transplante, porém, devido à morte de um dos animais, utilizamos 5 doadores no primeiro experimento, e 4 doadores no segundo, totalizando 9 animais. Os doadores tinham aproximadamente 8 semanas de idade ao início tratamento com ciclofosfamida. Os animais foram submetidos a um tratamento com sete doses de ciclofosfamida (150mg/Kg por dose), administradas por via oral a cada quatro dias. Os animais foram pesados todos os dias antes da administração da droga. Quatro dias após a última dose (28º dia de tratamento) os animais foram sacrificados e a suspensão celular foi obtida a partir Materiais e Métodos 17 do testículo desses animais e injetada nos animais receptores, no mesmo dia. No momento da coleta os animais foram pesados, anestesiados e sacrificados. Além dos grupos de animais preparados para serem utilizados como doadores de células germinativas para os transplantes, outros grupos de animais foram preparados, seguindo-se exatamente os mesmo critérios estabelecidos nos grupos (a), (b), (c) e (d) anteriormente citados, para serem processados para análise sob microscopia de luz de alta resolução - MLAR (n=4).  Camundongos receptores: Como receptores para o transplante de espermatogônias foram utilizados ao todo 38 camundongos machos, adultos. Estes animais tiveram sua espermatogênese endógena deprimida por tratamento com doses fracionadas de radiação γ, utilizando como fonte de radiação o Cs 137 . Os animais receberam a primeira dose de 1,5 Gy e uma segunda dose de 12 Gy, aplicada 24 horas após a primeira. Este protocolo foi baseado nos experimentos de Zhang e colaboradores (2006). Os animais receberam as doses de radiação nas regiões pélvica e do escroto, a fim de garantir a exposição dos testículos. O restante do corpo do animal foi protegido com placa de cobre. Não foi necessário anestesiar os animais no momento da irradiação, uma vez que foi possível a imobilização dos mesmos dentro de uma caixa de acrílico. Os animais irradiados foram separados nos seguintes grupos: - Animais controle de 3 a 4 semanas após a radiação (n=3); - Animais controle de 11 semanas após a radiação (n=3); - Animais que receberam células de animais jovens (n=7); - Animais que receberam células de animais adultos não tratados (n=6); - Animais que receberam células de animais cirurgicamente criptorquídicos (n=7); - Animais que receberam células de animais tratados com ciclofosfamida (n=12). O transplante foi realizado 3 a 4 semanas após o tratamento com radiação, e a injeção da suspenção celular foi feita manualmente, via dúctulo eferente. Os animais transplantados foram sacrificados 8 semanas após o transplante (aproximadamente 11 semanas após a radiação). No momento do sacrifício os animais foram pesados e receberam a mistura de ketamina e xilazina (0,10 Materiais e Métodos 18 mL/10 g de peso corporal). Os testículos foram coletados e pesados, e a eutanásia foi realizada após a coleta. 3.2. Tratamentos com a ciclofosfamida  Tratamento com dose única: Foram utilizados ao todo 33 camundongos. Os animais receberam injeções de ciclofosfamida (Cytoxan®, Bristol-Myers Squibb Co), por via oral (p.o. - agulha de gavage 22G1”) e intraperitoneal (i.p. - agulha de 26G½”). Foram injetadas doses de 150 e 200 mg/Kg de peso corporal do animal, assim determinadas por base em resultados previamente obtidos no nosso laboratório. O peso corporal dos animais foi obtido no dia da injeção da droga (dia 0) e duas vezes por semana (dias 3, 7, 10, 14, 17, 21, 24, 28 após o tratamento), até o dia do sacrifício. Os animais foram divididos em onze (A-K) grupos (n=3), de acordo com a dose recebida, a via de administração utilizada e o dia em que os animais foram sacrificados (Tabela 1). Animais dos grupos controle (A-C) receberam injeções de salina a 0,9%. Tabela 1 – Grupos de animais submetidos ao tratamento com dosagem única de ciclofosfamida. Dias do sacrifício contados após a aplicação da droga. p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal; GMA, resina glicol metacrilato; PAS, coloração com ácido periódico e reagente de Schiff; TUNEL, (terminal dUTP nick end-labeling) detecção de apoptose através de marcação de fragmentação de DNA. (N=3) Grupo Dose (mg/kg) Via Dia do sacrifício Ferramenta de avaliação A Salina 0,9% p.o. 3 TUNEL / PAS-hematoxilina B 11 histologia em GMA C 28 histologia em parafina e contagem de espermatozóides D 150 p.o. 1 TUNEL / PAS-hematoxilina E 2 F 3 G 11 histologia em GMA H 28 histologia em parafina e contagem de espermatozóides I i.p J 200 p.o. K i.p. Materiais e Métodos 19  Tratamento com múltiplas doses, aplicadas a cada 5 dias: Foram utilizados ao todo 65 camundongos. Diferentes grupos de animais receberam 6 injeções de ciclofosfamida por via oral, ou 6 injeções por via intraperitoneal, em doses de 150mg/Kg de peso corporal, por injeção. Durante o tratamento, os animais foram separados em grupos de acordo com a via de administração utilizada (Tabela 2). Os animais do grupo controle receberam injeções de salina a 0,9% através de via oral, ou intraperitoneal. Tabela 2 – Grupo de animais submetidos ao tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida, com intervalos de 5 dias entre cada dose. p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal. Via (n) 1 a injeção 2 a injeção 3 a injeção 4 a injeção 5 a injeção 6 a injeção Controle (9) Dia 0 Dia 5 Dia 10 Dia 15 Dia 20 Dia 25 p.o. (28) i.p. (28) Os animais foram pesados em todos os dias de injeção e, na primeira semana de tratamento, em intervalos entre as injeções, (dias 0, 3, 5, 7, 10, 15, 20, 25, após o início do tratamento), a fim de se avaliar a toxicidade do tratamento para os animais. Após o tratamento, os animais foram agrupados (Tabela 3), de acordo com a data de sacrifício. Cada grupo recebeu três animais do grupo controle, três animais do grupo p.o., e três animais do grupo i.p. (n=9), exceto para os animais que foram sacrificados aos 28 dias (para avaliação sob MLAR), e aos 62 e 65 dias, que não receberam animais do grupo controle (n=6). Tabela 3 – Reagrupamento dos animais, após o tratamento com múltiplas doses de Ciclofosfamida, com intervalos de 5 dias entre cada dose. GMA, resina glicol metacrilato; MLAR, microscopia de luz de alta resolução; PAS, coloração com ácido periódico e reagente de Schiff; TUNEL, (terminal dUTP nick end- labeling) detecção de apoptose através de marcação de fragmentação de DNA. (N=3) Dia do sacrifício (dias após a primeira injeção) 28 Dias (n=9 / 6) 59 Dias (n=9) 62 Dias (n=6) 65 Dias (n=6) 70 Dias (n=9) 81 Dias (n=9) histologia em GMA, TUNEL/PAS-hem, contagem de espermatozóides, MLAR (n=6) histologia em parafina e contagem de espermatozóides Os dias do sacrifício foram determinados prevendo-se a recuperação da produção espermática, a partir da sobrevivência dos diferentes tipos espermatogoniais potencialmente Materiais e Métodos 20 afetados pela ciclofosfamida após o tratamento (Lu & Meistrich, 1979; de Rooij, 1998), conforme a seguir: Dia do sacrifício Dias após a última injeção Tipo celular produzindo espermatozóides ------- 59 -------- --------------- 34 --------------- Espermatogônia A2, estádio IX ------- 62 -------- --------------- 37 --------------- Espermatogônia Aalinhada, estádio VI ------- 65 -------- --------------- 40 --------------- Espermatogônia Apareada, estádio I ------- 70 -------- --------------- 45 --------------- Espermatogônia Aisolada, estádio VI ------- 81 -------- --------------- 56 --------------- Espermatogônia Aisolada, início do ciclo  Tratamento com múltiplas doses, aplicadas a cada 4 dias: Foram utilizados ao todo 20 camundongos. Os animais do grupo tratado receberam 7 injeções de ciclofosfamida, na dosagem de 150mg/Kg de peso corporal, por injeção. Animais do grupo controle receberam 7 injeções de salina a 0,9%. Durante o tratamento os animais foram divididos em grupos, de acordo com o tratamento recebido (Tabela 4). Tabela 4 – Grupo de animais submetidos ao tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida, com intervalos de 4 dias entre cada dose. p.o., por via oral. Tratamento (n) 1 a injeção 2 a injeção 3 a injeção 4 a injeção 5 a injeção 6 a injeção 7 a injeção Controle ( 2 ) Dia 0 Dia 4 Dia 8 Dia 12 Dia 16 Dia 20 Dia 24 p.o. ( 10 ) Os animais foram pesados em todos os dias de injeção (dias 0, 4, 8, 12, 16, 20, 24, após o início do tratamento), a fim de se avaliar a toxicidade do tratamento para os animais. Após o tratamento, os animais foram agrupados (Tabela 5), de acordo com a data de sacrifício. Tabela 5 – Reagrupamento dos animais, após o tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida, com intervalos de 4 dias entre cada dose. GMA, resina glicol metacrilato. Data de sacrifício (dias após a primeira injeção) 28 Dias (n=5 + 1 controle) 81 Dias (n=5 + 1 controle) contagem de espermatozóides, histologia com GMA, contagem de espermatozóides, histologia com parafina, Materiais e Métodos 21 Além disso, 10 camundongos foram submetidos ao mesmo regime de tratamento (7 injeções de 150p.o., a cada 4 dias), e sacrificados 4 dias após a última dose. Esses animais tiveram seus testículos coletados para obtenção de suspensão celular, que foi injetada em animais receptores, para verificar a capacidade de colonização e diferenciação destas células. 3.3. Transplante de células germinativas  Obtenção da suspensão celular: Após a coleta, em uma placa de cultura estéril, os testículos tiveram suas túnicas albugíneas removidas e os parênquimas testiculares foram pesados todos juntos. Em seguida os testículos foram colocados em uma garrafa estéril, com 15mL de solução de enzima colagenase a 0,5% (Worthington – 233U/mg) em meio DFD (meio de cultura estéril DMEM/F12 (Gibco – Cat.# 11330-032) enriquecido com aminoácidos, antibióticos e soro, contendo DNAse I (Sigma – Cat.# DN-25) na concentração de 100µg/mL). A primeira digestão, com colagenase, foi realizada por 20 minutos, em agitador automático aquecido a 35 o C por banho-maria, nas velocidades de 120rpm (jovens e adultos não tratados) ou 300rpm (adultos tratados com ciclofosfamida e criptorquidismo). Foram utilizadas velocidades de agitação diferentes para grupos de animais adultos tratados, por esses animais possuírem uma estrutura testicular diferente. As velocidades de agitação foram determinadas, baseando-se em experimentos prévios (dados não publicados). Em seguida, a solução sobrenadante foi retirada, e sobre o tecido foram adicionados 15mL de solução de enzima colagenase a 0,5% e enzima hialuronidase a 0,5% (Worthington – 550U/mg), em meio DFD, em agitador automático aquecido a 35 o C, por 20 minutos, na velocidade de 120rpm. O tecido foi então lavado com solução estéril de tampão fosfato salina, para retirada das enzimas. Finalmente, o tecido foi submetido a uma última digestão com 15mL de solução de enzima tripsina a 0,1% (Worthington – Cat.# 3704), ácido etileno glicol tetra-acético (ethylene glycol tetraacetic acid – EGTA) a 1mM (Sigma – Cat.# E4378) e 100µg/mL de DNase I, em tampão fosfato salina. A digestão foi realizada por 10 minutos, em agitador automático aquecido a 35 o C, na velocidade de 120rpm. Após a digestão, a solução foi homogeneizada com pipeta de plástico e a ação das enzimas foi neutralizada pela adição de 1,5mL de soro fetal bovino. A solução final obtida foi filtrada com filtro de nylon de 40µm, para um tubo falcon de 50mL. Foi retirada uma alíquota da suspensão celular para contagem em microscópio de contraste de fase com Materiais e Métodos 22 hemocitômetro, e o restante da suspensão foi centrifugado, à temperatura ambiente, na velocidade de 1000rpm, por 10minutos. Depois de centrifugada a solução, o sobrenadante foi retirado e o pellet de células restante foi re-suspendido com meio DFD, de acordo com a quantidade de células contadas anteriormente, para uma concentração final de 2-6x10 7 células/mL de solução. Após adição de solução de azul de tripan a 0,4% à suspensão celular final, foi possível verificar a viabilidade da suspensão obtida, através da contagem celular em hemocitômetro, considerando-se como mortas aquelas células coradas em azul. Os tubos contendo a suspensão celular foram mantidos em gelo antes e durante o processo de injeção no animal receptor.  Injeção da suspensão celular: No momento do transplante, os animais foram anestesiados com ketamina e xilazina (0,1mL/10g de peso corporal) e foram colocados sobre um suporte que mantinha a parte abdominal mais elevada que o resto do corpo, para facilitar a cirurgia. Foi realizada tricotomia da região abdominal, seguida de higienização com Iodo Povidine. Com um bisturi foi feita uma incisão de aproximadamente um centímetro na região abdominal, no sentido longitudinal ao corpo do animal. Os testículos foram retirados pela cavidade abdominal, expostos e dissecados para melhor visualização dos dúctulos eferentes. A injeção da suspensão celular nos testículos foi feita através da inserção de agulhas, produzidas a partir de capilares de vidro, nos dúctulos eferentes. A agulha estava conectada a um longo tubo de plástico, que por sua vez estava conectado a uma seringa de diâmetro grande (50mL), e a pressão de injeção se dava por pressionamento do embolo da seringa. Para melhor visualização do campo cirúrgico, a cirurgia foi realizada com o auxílio de um microscópio estereoscópico. Após a injeção da suspensão celular, os testículos foram recolocados na cavidade abdominal, e a parede abdominal e a pele foram suturadas com linha de seda Vicryl 18”. Os animais foram mantidos em observação até o término do efeito do anestésico, e em seguida foram alojados no biotério. 3.4. Coleta e fixação dos testículos Para todos os procedimentos de coleta, após serem pesados, os animais foram anestesiados com uma mistura de ketamina (6,7mg/mL) e xilazina (1,3mg/mL) a uma proporção de 0,10 mL por 10 Materiais e Métodos 23 gramas de peso corporal do animal e a eutanásia se deu após o procedimento de coleta, através de deslocamento cervical. Nos estudos histológicos, para padronização do tratamento com ciclofosfamida, os testículos foram fixados em solução de Bouin por 30 minutos e, após esse período, foram seccionados transversalmente, sendo novamente colocados no mesmo fixador por mais 12 horas, à temperatura ambiente. Em seguida os tecidos foram transferidos para solução saturada de carbonato de lítio em álcool 70% e submetidos a várias trocas diárias, até completa descoloração do tecido. Finalmente os tecidos foram armazenados em álcool 70%, até o momento da inclusão. A fim de se estudar a morfologia espermatogonial com detalhes mais apurados, análises do epitélio seminífero foram realizadas através da MLAR. Para isso, os animais foram submetidos ao processo de perfusão intravascular. Aproximadamente 15 minutos antes do procedimento de perfusão, injetou-se, pela via intraperitoneal, heparina (Liquemine Roche) na dosagem de 125 UI/kg de peso corporal. Após a anestesia, por meio de injeção intraperitoneal de ketamina/xilazina (0,10 mL/10 g de peso corporal), procedeu-se à abertura da cavidade torácica com o objetivo de expor o coração. Um cateter (20G - 1,1mm) foi introduzido no ventrículo esquerdo e o leito vascular lavado com solução salina a 0,9%, a uma pressão de aproximadamente 80 mmHg. Após a retirada do sangue com solução salina, que durou entre 5 a 10 minutos, iniciou-se o procedimento de fixação através da perfusão com glutaraldeído a 5% em tampão cacodilato de sódio 0,05M (pH 7,3). Após um período de perfusão de aproximadamente 25 minutos, os testículos foram retirados, pesados e recortados em pequenos fragmentos de 1 a 2 mm de espessura. Estes fragmentos foram re-fixados por imersão no mesmo fixador por mais 12 a 24 horas, a 4 o C. Este procedimento baseou-se em método já descrito por Sprando (1990) e Chiarini-Garcia & Meistrich (2008). Para animais receptores do transplante, no momento da coleta, após serem pesados, os testículos tiveram suas túnicas albugíneas removidas e foram fixados com paraformaldeído a 4%, em tampão fosfato salina a 0,01M, por 24 horas. Após esse período os testículos foram seccionados transversalmente, na região mediana do órgão, e colocados em tampão fosfato salina até o momento da inclusão. Antes de serem processadas para inclusão, as metades dos testículos foram novamente seccionadas transversalmente, aumentando-se assim a área testicular disponível para análises morfométricas. Materiais e Métodos 24 3.5. Processamento histológico dos testículos O material fixado com solução de Bouin foi submetido à inclusão em parafina e/ou em glicol metacrilato (GMA), conforme indicado nas tabelas 1, 3 e 5. Os blocos obtidos foram seccionados em cortes na espessura de 5m, para confecção de lâminas. As lâminas obtidas foram coradas com PAS (ácido periódico-reagente de Schiff), e contra- coradas com hematoxilina. A reação de PAS permite a melhor visualização da vesícula acrossômica, metodologia esta que vem sendo aplicada com sucesso para a classificação dos diferentes estádios do ciclo do epitélio seminífero. Para tanto, as lâminas foram colocadas em ácido periódico por 10 minutos, sendo rapidamente lavadas em água destilada após o contato com o ácido. Em seguida as lâminas foram colocadas em reagente de Schiff por 10 minutos, e em seqüência, colocadas em água corrente por 10 minutos. A coloração com hematoxilina foi feita por 15 segundos, após os quais as lâminas foram colocadas em água corrente por aproximadamente 5 minutos. Após a coloração, o material foi submetido a uma série de desidratação em álcool (70%, 80%, 2x 90%, 2x 100), e a uma substância solvente livre de água (Citrosolv ou xilol), sendo finalmente montada com Entellan (Merck – Cat.# 107961). Os testículos de animais receptores do transplante, fixados em paraformaldeído a 4%, foram submetido à inclusão em parafina. Os blocos obtidos foram seccionados em cortes na espessura de 5m, para confecção de lâminas. As secções foram colocadas em lâminas cobertas (Colorfrost®/Plus, Fisher Scientific – Cat.# 12-550-17). As inclusões em parafina e glicol metacrilato, e a confecção das lâminas histológicas, foram realizadas pelo centro de histologia do Departamento de Radiologia Oncológica Experimental, do MD Anderson Cancer Center, (Houston/TX, EUA). O material submetido a reações de TUNEL foi incluído em parafina, e os blocos seccionados em cortes de 5 m de espessura. As secções foram colocadas em lâminas cobertas (Colorfrost®/Plus, Fisher Scientific – Cat.# 12-550-17). As inclusões em parafina, e a confecção das lâminas, também foram realizadas pelo centro de histologia do Departamento de Radiologia Oncológica Experimental, do MD Anderson Cancer Center, (Houston/TX, EUA). Os fragmentos de testículo preparados para MLAR foram submetidos à fixação secundária em tetróxido de ósmio (EMS, Hatfield, PA – Cat.# 19110) reduzido (tetróxido de ósmio a 1% em ferrocianeto de potássio a 1,5%) por 90 minutos, e em seguida desidratados em concentrações Materiais e Métodos 25 crescentes de álcool (50º, 70º, 85º, 2 x 95º e 3 x 100º) e em acetona. Após a desidratação, os fragmentos foram incluídos em resina Araldite 502 (EMS, Hatfield, PA – Cat.# 13900). Os tecidos incluídos em blocos foram seccionados em cortes histológicos na espessura de 1m. As secções histológicas obtidas foram coradas com azul de toluidina-borato de sódio a 1%, montadas com Entellan (Merck – Cat.# 107961). 3.6. Contagem de espermatozóides testiculares Para realização de contagem de espermatozóides testiculares, o testículo direito foi pesado, com túnica albugínea, e colocado em tubos de plástico, contendo 1 mL de água destilada. Em seguida o conteúdo dos tubos foi submetido a homogeneização, com homogeneizador Polytron (Brinkmann Instruments, Westbury/NY, EUA), por 30 segundos, mantendo as amostras em balde com gelo quando essas não estavam sendo homogeneizadas. Em seguida as amostras foram sonicadas com Sonicador Brason 20-kHz (Modelo W185, Heat Systems, Ultrasonic, Plainview/NY, EUA), durante 4 minutos, na calibragem número 7, sempre mantendo os tubos contendo as amostras em água com gelo. É importante ressaltar que apenas as espermátides alongadas mais avançadas (fases 13 a 16) e os espermatozóides são células resistentes ao processo de homogeneização, seguido por sonicação, de forma que a utilização desses processos objetivou eliminar as células não resistentes. A contagem de espermatozóides foi feita em microscópio de contraste de fase, utilizando o aumento de 40x. As amostras foram contadas em duplicatas, colocando-se 7µL retirados das amostras em cada lado de um hemocitômetro. Para calcularmos o número de espermatozóides a seguinte fórmula foi aplicada: Onde: = média dos valores contados = número de quadrados disponíveis para contagem na área analisada do hemocitômetro = número de quadrados que foram contados na área analisada do hemocitômetro = Volume em que o tecido foi homogeneizado = Peso Testicular Materiais e Métodos 26 3.7. TUNEL e imunohistoquímica Após o tratamento com ciclofosfamida, quantificamos a ocorrência de apoptoses espermatogoniais, e de pré-leptótenos, através da técnica de TUNEL (Terminal dUTP nick end-labeling - DeadEnd TM Colometric TUNEL System, Promega, USA – Cat.# G7130), seguindo o manual técnico que acompanha o kit de reação. Após a reação com 3,3'-diaminobenzidina (DAB, Vector Labs – Cat.# SK4100), as lâminas foram submetidas à lavagem em água destilada e foram coradas com PAS (ácido periódico-reagente de Schiff) e contra-coradas com hematoxilina, seguindo-se o mesmo protocolo utilizado no item 3.5 (Processamento histológico dos testículos). Como citado anteriormente, a reação de PAS permite a melhor visualização da vesícula acrossômica, tornando assim possível identificarmos os diferentes estádios do CES, e, conseqüentemente, determinar quais os tipos espermatogoniais estavam sofrendo apoptose. Após o transplante, utilizamos a técnica de imunohistoquímica para reconhecermos as colônias produzidas pelas células dos animais doadores, nos testículos dos animais irradiados. Para isso, foram utilizados anticorpos marcadores específicos para diferenciação celular (anti-GCNA-1 – germ cell nuclear antigen, getilmente cedidos pelo Dr George Enders), e marcadores específicos para a proteína fluorescente verde, presente nas células provenientes dos animais doadores (anticorpo policlonal coelho-anti-GFP, Cat.# NB600-303; Novus Biologicals). Cortes seriados foram marcados com os dois tipos de anticorpos separadamente, tornando assim possível identificar, dentre os túbulos que apresentavam diferenciação celular (positivos para GCNA-1), quais túbulos eram formados por células germinativas dos animais doadores (positivas para GFP). As secções foram incubadas com os anticorpos primários (monoclonal rato anti-camundongo para proteína GCNA-1, na diluição 1:100; e policlonal coelho anti-GFP na diluição de 1:300) em câmara úmida, na temperatura de 4 o C, durante 12 horas. Após incubação com os anticorpos primários, as secções foram incubadas com anticorpo secundário biotinilado anti-camundongo (Vector Labs – Cat.# PK6102, diluição 1:500), em temperatura ambiente, por um período de 30 minutos. Para detecção da ligação dos anticorpos, após a incubação com anticorpo secudário, as lâminas foram submetidas ao kit ABC, anti-coelho e anti-rato, (Vector Labs – Cat.# PK6102) por 30 minutos à temperatura ambiente. Finalmente as secções foram reveladas com DAB (Vector Labs – Cat.# SK4100), lavadas em água destilada, e coradas hematoxilina. Após a coloração, as secções foram desidratadas e as lâminas foram montadas com meio de montagem permanente (Permount, Fisher Materiais e Métodos 27 Scientific – Cat.# SP15-100). As lâminas produzidas foram analisadas sob microscópio de luz (Olympus BX-41). 3.8. Análises morfológicas e morfométricas  Análise qualitativa: As análises qualitativas, em parafina, foram realizadas para todos os animais que foram submetidos ao tratamento com ciclofosfamida. Foram verificados os tipos de células germinativas ausentes em cada um dos dias após tratamento avaliados, e as possíveis alterações morfológicas. Além disso, análises morfológicas dos subtipos espermatogoniais foram realizadas através da MLAR, a fim de se verificar possíveis alterações morfológicas das espermatogônias, quando comparadas com os animais controle, em função do tratamento com ciclofosfamida.  Análise semi-quantitativa: A análise semi-quantitativa, em GMA, foi realizada em animais dos grupos B (controle) e G (150p.o.) (Tabela 1), submetidos ao experimento com dosagem única de ciclofosfamida. Com a utilização de um quadro de pontuação, foi possível determinar quais os tipos celulares estavam sendo afetados pela droga no momento da injeção (11 dias antes do sacrifício). Para isso, foi determinado, nos túbulos seminíferos, se as células germinativas do tipo espermatogônias A4, Intermediária-In e B, zigótenos, paquítenos e espermátides estavam presentes em (a) quantidades normais (mais que 20 células, para espermatócitos ou espermátides), (b) fortemente reduzidas (6 a 20 células), (c) praticamente ausentes (1 a 5 células) ou (d) ausentes (0 células).  Número relativo de células germinativas por 100 nucléolos de células de Sertoli: O número de cada subtipo espermatogonial (Aind, A1, A2, A3, A4, In e B), espermatócitos, espermátides arredondadas e espermátides alongadas até a fase 12, presentes nos animais avaliados foi calculado, e normalizado por 100 nucléolos de células de Sertoli, uma vez que esse tipo celular apresenta-se em número invariável no epitélio seminífero de camundongos adultos. Foram contados os números de núcleolos de células de Sertoli e de núcleos dos subtipos espermatogôniais em aproximadamente 30 secções transversais de túbulos seminíferos, por animal. Materiais e Métodos 28 Os números contados foram corrigidos pela fórmula de Abercrombie (Abercrombie, 1946) utilizando-se os diâmetros nucleares de cada tipo de célula germinativa, calculados a partir da média da medida de 10 núcleos, e o diâmetro nucleolar das células de Sertoli, calculado também a partir da média da medida de 10 nucléolos.  Apoptoses espermatogoniais: O número de apoptoses espermatogôniais foi calculado para os animais que receberam injeções de ciclofosfamida, em diferentes momentos da padronização de tratamento. Inicialmente, contamos o número de espermatogônias apoptóticas (TUNEL positivas) presentes nos animais que receberam dosagem única de ciclofosfamida. Baseado nos dados de apoptose obtidos por Cai e colaboradores (1997) para ratos tratados com ciclofosfamida, decidimos realizar as análises nos dias 1, 2 e 3, após a administração da droga. Foram contadas espermatogônias TUNEL positivas em secções transversais de túbulos seminíferos, determinando-se os estádios do CES através da coloração de PAS. Foram contados aproximadamente 10 túbulos por estádio, calculando- se a porcentagem de túbulos com células TUNEL positivas, por estádio. A partir dos dados obtidos no tratamento com dosagem única de ciclofosfamida, optamos por avaliar o índice apoptótico dos animais que receberam múltiplas dosagens, 3 dias após a última administração da droga. Foram contadas aproximadamente 30 secções transversais de túbulos seminíferos por animal, registrando-se o número de espermatogônias por túbulo, e de espermatogônias TUNEL positivas por túbulo. O índice apoptótico foi calculado dividindo-se o número total de espermatogônias TUNEL positivas pelo número total de espermatogônias contadas.  Número de colônias produzidas após o transplante: Para as análises foram selecionadas lâminas obtidas a partir de testículos que sabidamente receberam uma maior quantidade de células no momento do transplante. Foram selecionados 10 testículos para cada grupo, para os receptores que receberam células dos animais jovem, adultos tratados com ciclofosfamida e criptorquídicos, e 7 testículos para o grupo que recebeu células de animais adultos normais. Durante a coleta os testículos foram seccionados em quatro partes, dessa forma foram analisadas 4 secções transversais de testículos, por testículo selecionado. Nas análises, foram Materiais e Métodos 29 contadas todas as secções transversais de túbulos seminíferos presentes em cada secção de testículo. Os túbulos seminíferos foram classificados quanto à positividade para GCNA-1, e os túbulos positivos para GCNA-1 foram classificados quanto à positividade para GFP. Para se determinar a eficiência do transplante, a partir do número de colônias formadas pelas células doadoras, e compararmos os resultados obtidos nos diferentes grupos, a seguinte fórmula foi utilizada: Onde: = número de túbulos GFP positivos = número de túbulos contados = número de células injetadas no momento do transplante A partir das contagens e do cálculo foi possível obter o número total de colônias formadas nos animais receptores, a porcentagem de colônias geradas por recuperação das espermatogônias tronco endógenas, e a porcentagem de colônias formadas pelas células doadoras que colonizaram os túbulos seminíferos dos animais receptores. 3.9. Análise estatística Os dados morfométricos foram expressos em média  erro padrão. Os grupos foram comparados usando teste ANOVA, seguido dos testes Fisher’s LSD e Turkey’s. Diferenças foram consideradas significativas quando p<0,05. Todas as análises foram realizadas no programa SPSS 18.0 (SPSS Inc. Chicago/USA). Resultados 30 4. Resultados 4.1. Alterações causadas por uma única dose de ciclofosfamida  Avaliação dos pesos corporais e testiculares: Os animais tratados apresentaram forte diminuição no seu peso corporal três dias após o tratamento. No entanto, os animais voltam a ganhar peso, alcançando a mesma proporção que os animais controle, 11 dias após a injeção (Figura 5). Figura 5 – Alterações no peso corporal dos camundongos tratados com dose única de ciclofosfamida. Valores expressos em média ± erro padrão. Asteriscos indicam diferença significativa entre os grupos (p<0,05). p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal. (N=3) No que diz respeito às medidas de peso testicular, animais analisados 28 dias após o tratamento apresentaram valores menores do que o valor mensurado para os animais controle (Figura 6). Pudemos ainda observar que a dose de 150mg/Kg afeta mais o peso testicular quando aplicada através de injeção intraperitoneal, do que por de administração oral. Resultados 31 Embora as alterações mais drásticas nos pesos testiculares dos animais tratados tenham sido observadas 28 dias após a injeção da droga, a redução do peso testicular já começa a ser percebida 1 dia após o tratamento (Figura 6). Figura 6 – Peso testicular dos camundongos tratados com uma única dose de ciclofosfamida. Valores expressos em média ± erro padrão. Asteriscos indicam diferença significativa em relação ao controle, letras indicam diferença significativa entre os tratamentos, 28 dias após a injeção da droga (p<0,05). p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal. (N=3)  Indução de apoptose e depleção das células germinativas: A contagem das células positivas para TUNEL indicou que a ciclofosfamida induziu o aumento da morte celular nos dias 1 e 2 após a administração da droga, e que após o terceiro dia o número de apoptoses retornou ao nível basal, com valores semelhantes aos dos animais controle (Figura 7). A quantificação de células apoptóticas por estádios sugere que as espermatogônias sejam mais sensíveis à droga no momento em que estão sofrendo divisões mitóticas. Os resultados observados no 1º dia após o tratamento mostram uma incidência maior de células positivas para TUNEL ocorrendo em estádios com divisão mitótica espermatogonial, quando comparadas com estádios antes e após a divisão (Figuras 2 e 8). Resultados 32 Figura 7 – Porcentagem de túbulos seminíferos com células TUNEL positivas, por estádio do CES, ao 1º, 2º e 3º dias após a injeção de uma dose de ciclofosfamida (150mg/Kg p.o.). Valores expressos em média + erro padrão. Asteriscos indicam diferença significativa em relação aos animais controle (p<0.05). A1, A2, A3, A4, In e B, espermatogônias em diferenciação; Pl, spermatócitos pré-leptótenos. (N=3) Aos 11 dias após a injeção, a maioria dos túbulos apresentou ausência parcial, ou completa, dos espermatócitos em prófase meiótica (Figura 9B). As análises semi-quantitativas revelaram ausência quase completa de paquítenos nos estádios IV a VIII (Figuras 2 e 8A), e forte redução dos zigótenos nos estádios X e XI, e paquítenos iniciais nos estádios XII a III. Esses dados indicam que as espermatogônias do tipo A1-A4, In e B e os pré-leptótenos (Figura 8B) são parcialmente, ou totalmente, sensíveis à ciclofosfamida, confirmando assim os resultados fornecidos pelas análises de TUNEL em diferentes estádios (Figura7). As espermatogônias A indiferenciadas e os espermatócitos em fase mais avançada parecem não apresentar sensibilidade à droga (Figura 8B). Resultados 33 Figura 8 – Células germinativas organizadas em doze estádios do CES. A) Células germinativas observadas 11 dias após uma injeçao de cicofosfamida. B) Células germinativas afetadas pela ciclofosfamida no momento da injeçao. Quantidade de células foi cassificada em Ausentes; Praticamente ausentes; ou Fortemente reduzidas. A1, A2, A3, A4, In e B, espermatogônias em diferenciação; preL, pre-leptótenos; L, leptótenos; Z, zigótenos; P, paquítenos; D, diplótenos; M!, divisões meióticas I e II.  Avaliações realizadas aos 28 dias após o tratamento: As análises histológicas do epitélio seminífero 28 após a injeção de 150mg/Kg p.o. (Figura 9C) mostraram que as espermatogônias, os espermatócitos e as espermátides se regeneraram relativamente bem, a partir das espermatogônias-tronco sobreviventes. Apesar de a maior parte das espermátides alongadas estar ausente (estádios II-VIII; Figuras 9B e 2), ainda foi possível observar uma quantidade aparentemente normal de espermátides alongadas em estágios iniciais de desenvolvimento nos estádios IX-XII. Em contraste, para os tratamentos utilizando 150mg/Kg i.p. e A B Resultados 34 200mg/Kg p.o. e i.p., a maior parte dos túbulos nos estádios IX-XII apresentam forte redução das espermátides alongada (Figura 9D). As contagens de espermatozóides testiculares realizadas aos 28 dias após a administração de ciclofosfamida (Figura 10) mostraram uma queda no número de espermatozóides. Esses dados são consistentes com a redução de espermátides alongadas nos estádios XII-VIII, observada nas análises histológicas (Figuras 9C e D). Não houve diferença significativa entre a queda provocada pelos diferentes tratamentos. Figure 9 – Secções transversais de túbulos seminíferos de camundongos que receberam injeção de salina (A), e uma injeção oral de ciclofosfamida, na dose de 150mg/Kg, 11 dias após a injeção (B), e 28 dias após a injeção (C, D). Cabeças de seta, ausência de espermatócitos (B) ou espermátides alongadas (C,D); Setas, presença de espermátides alongadas; p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal. Estádios do epitélio seminífero estão representados no lúmen dos túbulos, por números romanos. Barras equivalem a 70 µm. Controle 150p.o. / 11 dias 150p.o. / 28 dias 150i.p. / 28 dias Resultados 35 Figura 10 – Contagem de espermatozóides testiculares nos camundongos tratados com dose única de ciclofosfamida e sacrificados 28 dias após a dose. Valores expressos em média ± erro padrão. p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal. (N=3) 4.2. Alterações causadas por múltiplas doses de ciclofosfamida  Alterações no peso corporal durante e após o tratamento: Os animais tratados perderam peso corporal ao longo do tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida (Figura 11). Animais tratados através de injeções intraperitoneais tiveram uma redução no peso corporal maior do que animais tratados por via oral. Ao fim do tratamento os animais voltam a ganhar peso corporal (Figura 12), alcançando o peso corporal dos animais controle, o que demonstra que não há intoxicação sistêmica, acumulada, em decorrência do tratamento. Resultados 36 Figura 11 – Diferença do peso corporal dos camundongos ao longo do tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida, a cada 5 dias. Valores expressos em média + erro padrão. Letras indicam diferenças significativas (p<0,05). As setas indicam os dias de aplicação da droga. p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal. (N=9 para grupo controle, e N=28 para grupos tratados) Figura 12 – Peso corporal dos camundongos tratados com múltiplas doses de ciclofosfamida, a cada 5 dias, após o fim do tratamento (aos 25 dias como mostra a seta), em cada um dos dias de sacrifício escolhidos. Valores expressos em média + erro padrão. Letras indicam diferenças significativas (p<0,05). p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal. (N=9 para grupo controle, e N=28 para grupos tratados)  Quantificação de morte celular: Os resultados obtidos nas análises de TUNEL dos animais que receberam uma dose de ciclofosfamida (150mg/Kg p.o.) demonstraram que aos 3 dias após a administração da droga o número de células apoptóticas volta a ser igual ao encontrado para os animais controle. A partir deste Resultados 37 dado, decidimos investigar se o tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida resultaria no aumento do período em que as células estariam sofrendo apoptose. O cálculo do índice apoptótico espermatogonial, 3 dias após o fim do tratamento, (Figura 13) demonstrou que não há alteração no período de indução da morte celular, após das múltiplas doses, uma vez que os valores encontrados para os animais tratados foram os mesmos que o dos animais do grupo controle. Figura 13 – Índice apoptótico de espermatogônias, em camundongos tratados com seis doses de ciclofosfamida, 3 dias após a última dose administrada. Valores expressos em média ± erro padrão. p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal. (N=3)  Análises histológicas e de número celular: As análises histológicas (Figura 14), realizadas 28 dias após a primeira injeção, mostraram um dano severo no epitélio seminífero dos animais tratados (Figur 14C), quando comparados com os animais controle (Figura 14A). Observamos, em todos os tratamentos, atrofia tubular e formação de vacúolos nas regiões do epitélio seminífero em que as células germinativas estavam ausentes. Apesar da for depleção, a presença de espermatócitos ainda pode ser detectada em algumas regiões do sepitélio. Avaliações em maior aumento (Figuras 14D) demonstraram que espermatogônias em diferenciação ainda estão presentes, particularmente nos animais que receberam 5 administrações por via oral. Espermatogônias indifferenciadas foram observadas em todos os animais tratados (Figura 14F), com morfologia semelhante à dos animais controle (Figura 14E). Resultados 38 Figura 14 – Secções transversais de túbulos seminíferos de camundongos que receberam injeção de salina (A), e em maior aumento (B) mostrando células de Sertoli (S) e espermatogônias em diferenciação do tipo B (B). (C) túbulos seminíferos de camundongos que receberam múltiplas doses de ciclofosfamida (150mg/Kg p.o.) com intervalos de 5 injeções, 28 dias após a primeira injeção, apresentando espermatócitos ainda presentes no epitélio seminífero (cabeça de seta). Em maior aumento (D) pode-se observar células de Sertoli e espermatogônias do tipo B. Podem ser observadas ainda, espermatogônias do tipo A indifferenciadas em animais do grupo controle (E) e animais tratados (F). Em (G) túbulos seminíferos de animais tratados 81 dias após a primeira injeção, mostrando recuperação na maior parte dos túbulos (**), porém alguns túbulos ainda se mostram danificados (*). Barras pretas equivalem a 70 µm, e barras brancas equivalem a 20 µm (B, D) e 10 µm (E,F). As contagens de células germinativas mostraram que, aos 28 dias, todos os tratamentos resultaram em um menor número de espermatogônias em diferenciação, espermatócitos e espermátides (Figura 15). As análises de número de espermatogônias após 25 dias de tratamento com ciclofosfamida por administração oral mostraram que algumas espermatogônias intermediárias e Resultados 39 B ainda estão presentes. No entanto, essas células praticamente não foram observadas em animais tratados com injeções i.p. ou por p.o., durante 24 dias. Em relação ao número de espermatócitos e espermátides, houve uma queda nos valores apresentados por animais tratados para aproximadamente 6% do número de células observado nos animais controle, para animais tratados por p.o., a cada 5 dias, e 2% para os demais grupos tratados. Figura 15 – Número de espermatogônias do tipo A indiferenciada (Aind), espermatogônias em differenciação A1, A2, A3, A4 (A1-A4), espermatogônias In, B e spermatócitos pre-leptótenos (In-Pl), espermatócitos e espermátides, por 100 nucléolos (NU) de células de Sertoli (CS), presentes em camundongos tratados com múltiplas doses de ciclofosfamida, ou animais controle. Valores expressos em média ± erro padrão. Letras diferentes indicam diferença significativa entre os grupos (p<0,05). p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal. No que diz respeito às espermatogônias do tipo A indiferenciadas, ao contrário da grande queda observada para o número de espermatogônias em diferenciação, apenas uma leve queda foi observada no número de espermatogônias Aind (Figura 15). A maior diferença foi produzida em relação a ambos os grupos tratados com 150mg/Kg p.o., sugerindo que o aumento no número de doses recebidas pode aumentar a janela de células que está sendo afetada pela ciclofosfamida. * Resultados 40 4.3. Recuperação do epitélio seminífero ao fim do tratamento  Análises histológicas: As análises morfológicas, realizadas 56 dias após a última dose (80/81 dias após a primeira dose), revelaram que o epitélio seminífero dos animais tratados se recupera relativamente bem (Figura 14G). O diâmetro dos túbulos seminíferos voltou a ser semelhante ao dos animais controle (Figura 14A), e não foram observados vacúolos, como os presentes aos 28 dias. Embora raros, túbulos seminíferos danificados ainda podem ser observados nos animais tratados.  Análise da recuperação da função testicular: A fim de verificar a funcionalidade das espermatogônias-tronco presentes ao fim do tratamento, nós analisamos a recuperação da espermatogênese nos animais tratados, em diferentes períodos após a primeira injeção. Ambos os parâmetros analisados, peso testicular (Figura 16A) e contagem de espermatozóides testiculares (Figura 16B), demonstram que há uma recuperação da função testicular. O tratamento utilizando injeções intraperitoneais apresentou a menor recuperação dentre os grupos, e é possível que o tratamento via i.p. tenha causado danos não só ao funcionamento das espermatogônias-trono, mas aos componentes somáticos do epitélio seminífero. Resultados 41 Figura 16 – A) Recuperação do peso testicular dos camundongos tratados com múltiplas doses de ciclofosfamida. B) Recuperação da produção de espermatozóides, após o tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida. Valores expressos em média ± erro padrão. Letras indicam diferença significativa entre os grupos (p<0,05). p.o., por via oral; i.p., por via intraperitoneal. 4.4. Capacidade funcional das espermatogônias-tronco após transplante  Número de células germinativas presente nos animais doadores: Ao analisar o número de espermatogônias de cada animal doador (Figura 17), observamos que o número de espermatogônias A indiferenciadas é menor em animais tratados com ciclofosfamida, quando comparado com animais jovens. No que diz respeito às espermatogônias A em diferenciação, novamente observamos que o número obtido para animais tratados com ciclofosfamida é menor do que para animais jovens, e também menor do que em animais adultos. Animais criptorquídicos e animais adultos apresentam um número de espermatogônias Aind e A em diferenciação semelhante A B Resultados 42 ao observado para animais jovens. Em relação aos demais tipos celulares, os dados morfométricos revelam que, além da queda no número de espermatogônias, houve uma ampla depleção de espermatócitos e espermátides em animais tratados com ciclofosfamida, principalmente quando comparados com os outros grupos. Por apresentarem um número baixo de todos os tipos celulares mais avançados, os animais tratados com ciclofofsfamida foram ainda os que apresentarem uma maior porcentagem de espermatogônias do tipo A indiferenciadas. Animais criptorquídicos apresentaram um número de espermatogônias In e B, e de espermatócitos, semelhante ao valor observado para animais jovens, no entanto, apresentaram um número maior de espermátides. Animais adultos apresentaram um número muito alto de todos os tipos celulares avaliados. Figura 17 – Número de espermatogônias do tipo A indiferenciada (Aind), espermatogônias em differenciação A1, A2, A3, A4 (A1-A4), espermatogônias In, B e spermatócitos pre-leptótenos (In-Pl), espermatócitos e espermátides, por 100 nucléolos (NU) de células de Sertoli (CS), presentes nos doadores. Porcentagem de espermatogôias A indiferenciadas, por total de células, presentes em cada camundongo doador. Valores expressos em média ± erro padrão. Letras diferentes indicam diferença significativa entre os grupos (p<0,05). Resultados 43  Características das suspensões celulares: As contagens celulares realizadas no momento da obtenção das suspensões, revelaram que animais criptorquídicos e animais tratados com ciclofosfamida apresentaram peso testicular médio e o número de células obtido na suspensão celular semelhantes entre si (Tabela 6). Camundongos jovens, por sua vez, forneceram um número maior de células por testículo do que os grupos de animais tratados. Como esperado, o peso testicular médio e o número de células obtidas na suspensão celular dos animais adultos, não tratados, foram maiores que os dos outros animais, devido ao fato de todas as células germinativas estarem presentes nesses animais. Vale ressaltar que o protocolo de obtenção da suspensão celular foi o mesmo para todos os animais, de forma que o procedimento não interferiu no resultado do número de células por testículo obtido. Tabela 6 – Peso testicular dos camundongos doadores, número de testículos utilizados e número de células obtido a partir dos animais doadores no momento da obtenção da suspensão celular. O peso testicular foi obtido para todos os testículos juntos e dividido pelo número de testículos coletados. Para os grupos jovens, criptorquídicos e tratados com ciclofosfamida, foram realizados 2 experimentos. Exp, experimento. Doador Peso Testicular (mg) Número de Testículos Células / Testículo (x10 6 ) Adulto 104,0 10 21,2 Jovem 11,5 10 (1º Exp) - 6 (2º Exp) 1,8 (1º Exp) – 5,0 (2º Exp) Adulto/Criptorquídico 27,1 6 (1º Exp) - 13 (2º Exp) 1,0 (1º Exp) - 1,4 (2º Exp) Adulto/Ciclofosfamida 29,9 8 (1º Exp) - 10 (2º Exp) 1,0 (1º Exp) - 1,6 (2º Exp)  Análises morfométricas dos camundongos receptores, após o transplante: Após a coloração com imunoistoquímica, foi possível reconhecer, dentre os túbulos seminíferos que apresentavam diferenciação celular (positivos para GCNA1 - Figura 18A e C), quais eram consequência de recuperação endógena da espermatogênese (negativos para GFP - Figura 18B) e quais eram resultado da diferenciação das espermatogônias transplantadas (positivos para GFP - Figura 18D). Resultados 44 Figura 18 – Imunohistoquímica nos túbulos seminíferos dos camundongos irradiados, após o transplante. Fotomicrografia A mostra células GCNA positivas (+), indicando diferenciação das células germinativas originada por recuperação endógena da espermatogênese (GFP negativas (-) em B). Em C a diferenciação também pode ser observada, porém originada de células doadoras, uma vez que D mostra células que são GFP positivas. Barra de aumento equivale a 250µm. As análises morfológicas realizadas nos testículos dos animais receptores demonstram que, 8 semanas após o transplante, todos os grupos apresentaram recuperação da espermatogênese endógena, em igual número ao dos animais controle (animais irradiados que não receberam transplante), e que aproximadamente 4% dos túbulos seminíferos apresentaram recuperação da espermatogênese endógena (Figura 19). Figura 19 – Porcentagem de túbulos seminíferos dos camundongos receptores que apresentaram colônias positivas para recuperação endógena da espermatogênese. Valores expressos em média ± erro padrão. Criptorq., criptorquídicos; Ciclof., tratados com ciclofosfamida. Resultados 45 Em relação aos túbulos seminíferos com células germinativas de animais doadores, os resultados demonstraram que as células de animais jovens apresentaram a maior porcentagem de colonização (Figuras 20), enquanto animais adultos, não tratados, resultaram na menor porcentagem de colônias produzidas. Animais criptorquídicos produziram um número de colônias igual ao observado para animais jovens. Finalmente, considerando a porcentagem de colônias produzidas pelos animais tratados com ciclofosfamida (Figuras 20), essa foi menor do que o resultado observado para animais jovens, e animais criptorquídicos, sugerindo que o tratamento com o quimioterápico resultou em dano das células germinativas transplantadas. Finalmente, apesar das diferenças na quantidade de túbulos clonizados, foi possível perceber que todas as células de doadores produziram, 8 semanas após o transplante, espermátides alongadas (Figura 21), e que não houve diferença na qualidade do epitélio seminífero produzido a partir de células doadoras entre nenhum dos grupos de doadores. Figura 20 – Porcentagem de túbulos seminíferos dos camundongos receptores que apresentaram colônias derivadas das células doadoras. Valores expressos em média ± erro padrão. Asteriscos representam diferença significativa entre os grupos (p<0,05). Criptorq., criptorquídicos; Ciclof., tratados com ciclofosfamida. Resultados 46 Figura 21 – Secções transversais de túbulos seminíferos de camundongos que receberam suspensões celulares de camundongos jovens (A,B), adultos normais (C,D), adultos criptorquídicos (E,F) e adultos tratados com ciclofosfamida (G,H), mostrando um túbulo com recuperação da espermatogênese endógena (*). Setas indicam espermátides alongadas produzidas a partir de células doadoras (GFP positivas). Barras indicam 70 µm. Discussão 47 5. Discussão No presente estudo nós desenvolvemos um regime de tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida capaz de eliminar as células mais diferenciadas dos testículos, mantendo a população de espermatogônias do tipo A indiferenciadas. Nós encontramos um balanço entre doses, vias de administração e intervalos entre doses, ideais para eliminar desde espermatogônias em diferenciação até espermátides mais avançadas, sendo menos tóxico para o animal, e ainda permitindo a sobrevivência de um número considerável de células-tronco espermatogoniais, e a recuperação da espermatogênese in situ, a partir das células sobreviventes. O regime de tratamento utilizado reduziu o número de células diferenciadas para 1% dos valores observados para animais do grupo controle, porém deixou aproximadamente 50% de espermatogônias do tipo Aind. O enriquecimento da população de espermatogônias-tronco, através do tratamento com ciclofosfamida, poderia ser utilizado como um passo inicial de purificação celular, para uso em estudos moleculares que objetivam elucidar os efeitos de ciclofosfamida sobre essas células. Esses resultados são consistentes com uma série de outros estudos presentes na literatura que demonstram, em roedores, a sensibilidade das espermatogônias em diferenciação a tratamentos com ciclofosfamida, porém uma relativa resistência das células-tronco a uma variedade de regimens de tratamento (Lu & Meistrich, 1979; Karashima et al., 1988; Velez et al., 1989, Russel & Russel, 1991; Cai et al., 1997). Isto é observado em contraste com outras drogas quimioterápicas, tais como bussulfan, doxorrubicina e procarbazina, que efetivamente eliminam as espermatogônias-tronco, assim como as espermatogônias em diferenciação, do epitélio seminífero (Meistrich et al., 1982; Bucci & Meistrich, 1987; Brinster & Avarbock, 1994). Ao final do tratamento, a presença de espermatogônias Aind aparentemente saudáveis permitiu a observação de subsequente recuperação da espermatogênese nos animais tratados. Já aos 45 dias após a última injeção, antes que as espermatogônias Ais tivessem tempo de sofrer auto-renovação e Discussão 48 ainda produzir espermátides avançadas, a quantidade de espermatozóides testiculares observada nos animais tratados foi de aproximadamente 63% dos resultados apresentados pelo grupo controle. Apesar da sobrevivência das espermatogônias-tronco, e da recuperação da espermatogênese in situ, essas células parecem apresentar uma perda de função espermatogênica quando manipuladas para transplante. Apesar de animais tratados com ciclofosfamida terém apresentado as maiores concentrações de células Aind como porcentagem de células germinativas totais, a habilidade destas células de produzirem colônias após o transplante foi de apenas 16% dos valores apresentados para animais jovens, e 32% dos valores apresentados para animais critorquídicos. Em relação aos animais pre-púberes, é difícil comparar, quatitativamente, os resultados apresentados por estes doadores com resultados observados em animais tratados ciclofosfamida, uma vez que o número de células obtidas por mg de testículo foi muito maior para animais jovens. Isso pode ter ocorrido porque as células de Sertoli nestes animais são ainda imaturas, e não estabeleceram junções oclusivas, facilitando a recuperação destas células nas suspensões celulares. A presença de células de Sertoli imaturas nas suspensões celulares transplantadas pode ter colaborado para o sucesso de colonização das células de doadores, uma vez que as células de Sertoli podem ter funcionado como nichos adicionais para a recuperação da espermatogênese nos animais receptores (Kanatsu-Shinohara et al., 2005; Zhang et al, 2009), embora nós não tenhamos observado células de Sertoli positivas para GFP nos camundongos receptores. É possível estabelecer um paralelo entre animais criptorquídicos e animais tratados com ciclofosfamida, uma vez que esses doadores parecem ser semelhantes em vários aspectos. Os pesos testículares e o número de células obtidas por testículos foram os mesmos observados para ambos os grupos, e o número de espermatogônias Aind por células de Sertoli também foram semelhantes. Como ambos os modelos são provenientes de camundongos adultos, os tipos de células somáticas, e a estrutura do epitélio seminífero deveriam ser basicamente os mesmos. Ainda assim, embora a porcentagem de espermatogônias Aind entre as células germinativas tenha sido aproximadamente 7 vezes maior nos animais tratados com ciclofosfamida, a colonização gerada por células de animais tratados com ciclofosfamida foi muito menor do que a colonização gerada por células de animais criptorquídicos. Embora a digestão com colagenase tenha removido a maioria das células intersticiais, e tenha resultado na perda de muitas células de Sertoli durante a digestão dos túbulos seminíferos (Mesitrich et al., 1973), é provável que algumas células ainda estejam presentes Discussão 49 na suspensão celular. Mesmo que todas as células de Sertoli tenham sido recuperadas na suspensão, a concentração de espermatogônias Aind ainda seria 2,6 vezes maior nas suspensões celulares obtidas a partir de testículos de camundongos tratados com ciclofosfamida, e dessa forma uma colonização 2,6 vezes maior era esperada para esses animais. Assim, a diferença na eficiência de colonização sugere que as espermatogônias-tronco de animais tratados com ciclofosfamida apresentem um dano. É de comum acordo que as espermatogônias-tronco estão contidas na população celular conhecida como espermatogônias Aind. Existem relatos na literatura de que espermatogônias positivas para c-kit sejam capazes de colonizar testículos receptores (Barroca et al., 2008), sugerindo que essas células possam ser espermatogônias em diferenciação do tipo A. Se isso fosse verdade, então o número reduzido destas células em animais tratados com ciclofosfamida poderia ter colaborado para uma eficiência de colonização baixa, resultante das células destes animais. Porém, a espressão de c-kit começa a ser detectada em células Aal em estágio tardio de diferenciação (Nakagawa et al., 2010). Dessa forma, a habilidade de colonização das células positivas para c-kit é mais provalmente exercida por células do tipo Aal, que pertencem às espermatogônias indiferenciadas, ou possivelmente por espermatogônia do tipo A1 em fase inicial de diferenciação. No entanto o número de espermatogônias A1 não está reduzido nos animais tratados (dados não mostrados), e a baixa habilidade de colonização não pode ser explicada pela ausência de espermatogônias em diferenciação. O método histológico empregado, microscopia de luz de alta resolução, permite a identificação de espermatogônias Aind, porém não mostra o tramanho das correntes espermatogoniais, ou fornece outros tipos de marcadores. A população de espermatogônias que contribui para o funcionamento normal da espermatogênese está contida dentro da sub-população celular conhecida como Ais, no entando espermatogônias do tipo Apr e Aal ocasionalmente contribuem para a população de células- tronco, através da fragmentação das pontes intercitoplasmáticas (Nakagawa et al., 2010). Essas células são consideradas células-tronco potenciais, e contribuem para a recuperação da espermatogênese após uma grande depleção celular, como a que ocorre após o tratamento com o agente quimioterápico bussulfan, ou após transplante de espermatogônias (Nakagawa et al., 2007). Embora nós não tenhamos determinado a distribuiçao de Ais, Apr, e Aal dentro das espermatogônias Aind, nós podemos concluir que a porcentagem de células-tronco propriamente ditas (Ais) deveria ser Discussão 50 consideravelmente alta nos testículos de animais tratados com ciclofosfamida. A presença de espermatogônias Apr e Aal, que constituem a maior parte das células Aind, aos 4 dias após a última administração de ciclofosfamida, indica que as células progenitoras, células-tronco, tenham sobrevivido às 6 injeções de ciclofosfamida, e dessa forma devem ter sobrevivido à sétima administração. A baixa eficiência de colonização, quando comparados com animais criptorquídicos, com certeza reflete diferenças na qualidade das espermatogônias Aind desses dois grupos. Estudos que permiticem a caracterização do tamanho dos clones celulares, e a observação dos marcadores de diferenciação espermatogoniais na população de Aind sobrevivente, poderiam esclarecer as razões de porque há diferenças nas espermatogônias-tronco de animais criptorquídicos e daqueles tratados com ciclofosfamida. É importante destacar que os nichos que abrigam in situ as espermatogônias- tronco de animais criptorquídicos e de animais tratados com ciclofosfamida podem ser muito diferentes. Isso faz com que as espermatogônias, mesmo tendo sido transplantadas para ambientes semelhantes (testículos de camundongos irradiados), se comportem de forma completamente diferentes, explicando assim as diferenças na eficiência de colonização. Também é possivel que tenha havido morte celular de pelo menos parte das espermatogônias- tronco, mas que in situ a morte celular tenha sido compensada por fragmentação dos clones celulares, e que tenha ocorrido aumento dos ciclos de auto-renovação das células-tronco (de Rooij, 1988). Apesar da morte de parte das espermatogônias-tronco, a recuperação in situ deve ter ocorrido devido ao aumento nas divisões celulares de espermatogoônias Aal, e à redução da apoptose de espermatogônias A em diferenciação (de Rooij, 2001). Assim, o transplante de células germinativas se torna um ensaio direto da quantificação de espermatogônias-tronco, pois a recuperação endógena da espermatogênese não é sensível a perdas celulares moderadas no número de células-tronco. Dessa forma, a eficiência de colonização maior em animais criptorquídicos pode refletir a presença de mais células-tronco saudáveis do que em animais tratados com ciclofosfamida. Alternativamente, é possivel que um número maior de células-tronco saudáveis esteja presente nos testículos de animals tratado com ciclofosfamida, no entato elas se recuperam melhor in situ, e apresentam algum dano à habilidade de colonizarem testículos dos animais receptores. Nosso grupo mostrou que a habilidade de colonização e diferenciação de células de doadores imaturos pode ser melhorada após a supressão de testosterona nos animais receptores, antes e depois do transplante Discussão 51 de células germinativas (Wang et al., 2010). Assim, talvez seja interessante avaliar se a supressão hormonal poderia melhorar a atividade funcional das espermatogônias submetidas a ciclofosfamida, nos testículos de animais receptores. Em resumo, as espermatogônias-tronco de camundongos sobrevivem a múltiplas doses de ciclofosfamida, e uma recuperação considerável da espermatogênese endógena é observada após o tratamento. No entanto, ainda há evidências de perda de espermatogônias-tronco, ou de um dano residual destas células quando elas são isoladas para transplante, porém o motivo pelo qual isso ocorreria ainda tem que ser esclarecido. A observação da perda e dano celular em camundongos tratados com ciclofosfamida pode fornecer métodos para melhor compreender a grande sensibilidade dos testículos de pacientes à prologada azoospermia após o tratamento com ciclofsfamida (Hsu et al., 1979; Fukutani et al, 1981). Conclusão 52 6. Conclusão Ao final do estudo, chegamos às seguintes conclusões:  Assim como em ratos, em camundongos uma dose de ciclofosfamida induz apoptose das espermatogônias nos primeiros dois dias após tratamento;  O uso de múltiplas doses de ciclofosfamida não prolongou o período de apoptose induzida por uma dose;  O tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida eliminou a maioria das células germinativas em diferenciação;  Múltiplas doses de ciclofosfamida não alteraram drásticamente em número o grupo de espermatogônias indiferenciadas;  Baseado nos dados de peso testicular e contagem de espermatozóides, seja com uma, ou múltiplas doses, o tratamento com ciclofosfamida via intraperitoneal prejudica mais a espermatogênese em camundongos, do que o tratamento administrado por via oral;  O tratamento com múltiplas doses de ciclofosfamida altera a capacidade de colonização das espermatogônias-tronco. Referências Bibliográficas 53 7. Referências Bibliográficas Abercrombie M. 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ANEXO I - TRABALHO PUBLICADO REPRODUCTIONRESEARCHSpermatogonial morphology and kinetics during testis development in mice: a high-resolution light microscopy approach Ana Luiza Drumond, Marvin L Meistrich1 and He´lio Chiarini-Garcia Laboratory of Structural Biology and Reproduction, Department of Morphology, Institute of Biological Sciences, Federal University of Minas Gerais, Avenida Antoˆnio Carlos, 6627 - Pampulha, 31.270-901 Belo Horizonte, MG, Brazil and 1Department of Experimental Radiation Oncology, M.D. Anderson Cancer Center, The University of Texas, Houston, Texas 77030-4095, USA Correspondence should be addressed to H Chiarini-Garcia; Email: chiarini@icb.ufmg.brAbstract Despite the knowledge of spermatogonial biology in adult mice, spermatogonial development in immature animals has not been fully characterized. Thus, the aim of this study was to evaluate the ontogeny of the morphological development of the spermatogonial lineage in C57BL/6 mouse testis, using high-resolution light microscopy. Spermatogonial morphology, chronology, and absolute number were determined for different ages postpartum (pp). The morphology of spermatogonia in immature mice was similar to that of adult spermatogonia, although their nuclear diameter was slightly smaller. The A1 spermatogonia were first observed on day 2 pp, and only 24 h later, differentiating type A3 and A4 spermatogonia were observed in the seminiferous cords. This result indicated a shortening of the spermatogonial phase for immature mice of aboutw2.5 days when compared with adult mice and suggests that gonocytes and/or A1 spermatogonia could directly become A4 spermatogonia, skipping the developmental sequence of type A spermatogonia. These A4 spermatogonia are functional as they develop into type B spermatogonia by day 5 pp. At day 8 pp, while differentiation to spermatocytes begins, the Aund spermatogonia reach their maximal numbers, which are maintained through adulthood. The various details of the spermatogonial behavior in immature normal mice described in this study can be used as a baseline for further studies under experimental or pathological conditions. Reproduction (2011) 142 145–155Introduction At birth, the seminiferous cords of mammalian testes contain germ cells called gonocytes that are located in the center of the seminiferous cords and are arrested in the G0 phase of the cell cycle. In rodents, after birth, the gonocytes relocate toward the basal membrane (McGuinness & Orth 1992) and resume proliferation, giving rise, after several steps, to the adult spermatogo- nial stem cell (de Rooij & Grootegoed 1998, de Rooij & Russell 2000). The passage from gonocytes to spermatogonial stem cells is not completely understood. Some authors described that the gonocytes generate an intermediate cell type called pre-spermatogonia (Huckins & Clermont 1968), whereas others have shown that the gonocytes can give rise to either sperma- togonial stem cells or differentiating spermatogonia (Kluin & de Rooij 1981, Yoshida et al. 2006). In adult mammals, primarily based on the data from rodents, the spermatogonial stem cell is known as an A single (As) spermatogonium and is capable ofq 2011 Society for Reproduction and Fertility ISSN 1470–1626 (paper) 1741–7899 (online)self-renewal or differentiation (de Rooij & Grootegoed 1998, de Rooij & Russell 2000). Once it starts its path toward differentiation, the As spermatogonia give rise, through mitosis, to two daughter cells that remain connected by intercellular bridges and are called A paired (Apr) spermatogonia. These cells divide forming chains of spermatogonia, the A aligned (Aal) spermato- gonia, which can divide two or three times more in mice. The group formed by As, Apr, and Aal is known as undifferentiated type A spermatogonia (Aund). The Aal spermatogonia will differentiate, with no mitotic division, to the differentiating type A1 spermatogonia. The type A1 spermatogonia undergo six successive mitotic divisions to yield A2, A3, A4, intermediate-type (In), and type B spermatogonia. The type B spermatogo- nia will divide giving rise to spermatocytes, starting the meiotic process. Although previous studies could not distinguish the various A spermatogonial subtypes, high-resolution light microscopy was able to differentiate the spermatogonialDOI: 10.1530/REP-10-0431 Online version via www.reproduction-online.org 146 A L Drumond and otherstypes in adult mice (Chiarini-Garcia & Russell 2001). The ability to distinguish these spermatogonial subtypes under light microscopy has made it possible to better understand details of spermatogonial biology in rodents under normal (Chiarini-Garcia et al. 2003), experimental (Nascimento et al. 2008), and genetically pathological (Russell et al. 2002, Bolden-Tiller et al. 2007) conditions. However, this new morphological approach has not been used to evaluate the early events of spermatogenesis development. Thus, the goal of this study was to provide a thorough characterization of the morphology and developmental kinetics of the spermatogonial subtypes during testis development, using a high-resolution method, in order to characterize the ontogeny of this process. In addition to addressing specific questions in this process, such as the transition from gonocytes to spermatogonia, it was also our goal to provide a standard that could be used as a baseline for future functional and pathological studies.Results The body weights, body lengths (0–14 days), and testicular weights obtained from mice of different ages are shown in Table 1.Germ cell emergence and spermatogonial synchrony The timing of appearance of specific germ cells during ontogeny in the testes is shown in Table 2. The different types of spermatogonia are defined according to the criteria of Chiarini-Garcia & Russell (2001) and are shown in Fig. 1 that are to be also observed in immature mice. The days of the first emergence of each germ cell type, from the gonocytes at birth up to elongated spermatids in adulthood, are presented in a semi-quantitative manner (Table 2). The morphology of the gonocytes is shown in Fig. 2 and the differentTable 1 Biometrical values from mice at different ages. Age Body weight (g) Snout-to-rump distance (mm) Testis weight (mg) 0 1.4G0.1 31G1 0.6G0.1 1 1.4G0.0 31G1 0.6G0.1 2 1.9G0.2 34G1 0.9G0.1 3 2.5G0.0 36G1 1.3G0.1 4 2.5G0.1 37G0 1.4G0.1 5 3.6G0.2 40G1 2.0G0.2 6 3.5G0.1 43G1 2.2G0.1 8 5.4G0.2 48G1 3.6G0.2 10 5.5G0.1 50G1 4.4G0.2 12 8.1G0.2 58G1 8.0G0.8 14 7.7G0.5 59G1 7.3G0.8 17 5.0G0.0 K 10G0.3 20 7.7G0.4 K 14G0.4 27 17.1G1.3 K 48G2.0 37 20.2G0.4 K 70G2.8 70 27.8G0.5 K 104G1.9 The values are expressed as meanGS.E.M. Reproduction (2011) 142 145–155subtypes are defined below. At birth and at day 1 postpartum (pp), only gonocytes were observed in seminiferous cords (Fig. 2a and b). On the second day, Aund and A1 spermatogonia were first seen, and on the third and fourth days, spermato- gonial types up to A3 and possibly A4 spermatogonia were already observed. On days 5 and 6, all the spermatogonial types, as such Aund, A1, A2, A3, A4, In, and B spermatogonia were seen, although the most differentiated ones were seen with low frequency (Fig. 2c and d). The meiotic cells were seen on day 8, when preleptotene spermatocytes were observed. At this time, it was possible to observe that the synchrony of the seminiferous epithelial stages between spermatogonia and spermatocytes as defined in the adult was already found; for example, the type A2 spermatogonia were associated with leptotene spermatocytes (Fig. 3a). Based on the appearance of cells, we calculated that the first spermatogonial development in immature mice from A1 to A3 and possibly A4 spermatogonia occurred inw1 day and from A1 to B spermatogonia in 3 days (Table 2). The appearance of later stages of spermatocytes beyond leptotene was observed starting on day 10 pp. After formation of the tubular lumen, at 12 days pp (Fig. 3b), pachytene spermatocytes were detected in low numbers for the first time in the seminiferous tubules and were frequently observed at 14 days (Fig. 3c) and were associated with type A3 and A4 spermatogonia. Meiotic figures were first seen at day 20 (Fig. 3d), when once again we could observe the synchrony as they were associated with type A3 spermatogonia and early pachytene spermatocytes, as in adults. The round spermatids were formed after day 20 and the first elongated spermatids were observed at day 27 (Fig. 3e), making it possible to identify all stages of the seminiferous epithelium by the acrosomal system. On day 37 pp, the spermatogenic process was completely developed (Fig. 3f).Gonocyte and spermatogonial morphology In the seminiferous cords, the gonocytes pass through several morphological and positioning changes before they generate the type Aund spermatogonia. We divided these cells into three morphologically distinct subtypes, namely I, II, and III, to further study their numbers and kinetics in an attempt to separate them into functionally different cells. All the gonocyte types had large nuclei, 10–12 mm, and one to three nucleoli. Whereas the gonocyte subtype I had round nuclei, there was a progressive change to a slightly oval shape by gonocyte type III. The morphological features that allowed us to separate these three subtypes of gonocytes are as follows: Gonocyte subtype I (Fig. 2a and e) contained condensed round nucleoli and a regular cytoplasmic membrane with no projections. They were usuallywww.reproduction-online.org Ta b le 2 O cc u rr en ce o f ge rm ce ll s (G C ) at sp ec ifi c st ag es o f d ev el o p m en t d u ri n g p o st n at al d ev el o p m en t in m ic e. D ay s 0 1 2 3 4 5 6 8 1 0 1 2 a 1 4 b 1 7 c 2 0 2 7 d 3 7 7 0 G o n o cy te s su b ty p e I C C C C C C C K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K G o n o cy te s su b ty p e II C C C C C C C C K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K G o n o cy te s su b ty p e II I C C C C C C C C C C K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K A u n d iff er en ti at ed sp er m at o go n ia K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C Sp er m at o go n ia A 1 K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C A 2 K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C A 3 K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C A 4 K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C In K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C B K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C P re le p to te n e K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C Le p to te n e K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C Z yg o te n e K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C Ea rl y p ac h yt en e K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C In te rm ed ia te p ac h yt en e K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C La te p ac h yt en e K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C C C C C C C D ip lo te n e K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C C Sp er m at o cy te s II K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C C R o u n d sp er m at id s K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C C C El o n ga te d sp er m at id s K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K K C C C C C C C K K K K , La ck o f G C ; C , fe w G C ; C C , in te rm ed ia te am o u n t o f G C ; C C C , h ig h am o u n t o f G C . Th e n u m b er o f ge rm ce ll s w as cl as si fi ed co m p ar ed w it h th at in th e su b ja ce n t ag es ; C C C , in d ic at es th at n u m b er o f ge rm ce ll s w as n o t d is ti n gu is h ab le fr o m th at in a n o rm al ad u lt m o u se . a T h e m o st ad va n ce d p ac h yt en es h er e ar e as so ci at ed w it h p re le p to te n es an d B sp er m at o go n ia . b Th e m o st ad va n ce d p ac h yt en es h er e ar e as so ci at ed w it h sp er m at o go n ia A 2 . c T h e m o st ad va n ce d p ac h yt en es h er e ar e as so ci at ed w it h zy go te n es . d El o n ga te d sp er m at id s in st ep 1 6 . Spermatogonial morphology during ontogeny 147 www.reproduction-online.orglocated in the center of the seminiferous cords but always separated from the basement membrane (Fig. 2a). The nucleoli of gonocytes subtype II (Fig. 2f) were less condensed with a reticulated appearance more of an irregular shape. Although these cells were located in the center of the cords, they had cytoplasmic projec- tions extending toward the basal membrane. These cells were frequently seen with a peculiar structure resembling acrosomal vesicles, located close to the nuclear envelope. The nucleoli of gonocytes subtype III (Fig. 2b and g) were even less condensed and reticulated and had an irregular shape and were usually close to the nuclear envelope; spots of heterochromatin were observed, associated with the nuclear envelope; cytoplasmic membrane was irregular, but with no pro- jections. These cells were seen lying on the basal membrane (Fig. 2b). In contrast to the gonocytes, the Aund spermatogonia had a smaller nuclear diameter and a more oval shape, had more finely granular and darker euchromatin but lacked the spots of heterochromatin associated to the nuclear envelope of gonocytes, and the nucleoli were somewhat more condensed but more irregular. The differentiating type A spermatogonia were distinguished from the Aund by their nuclear morphology (Fig. 1) as described in detail previously (Chiarini-Garcia & Russell 2001), becoming larger, more lightly staining, and with increasing heterochromatin associated with the nuclear membrane. The A2 to A4 spermatogonia were distin- guished from type III gonocytes by broader contact with the basement membrane, a more oval nuclear shape, and more irregular nucleoli. The only noticeable differences in a given spermato- gonial type, between postnatal (6 days) and adult (70 days) mice, were the nuclear diameters (see below). A morphologically peculiar type of A sperma- togonia was observed in young animals (Fig. 1c). These cells had many of the morphological characteristics of differentiating type A2 and A3 spermatogonia, having an oval to round nucleus, with spots of heterochromatin around the nuclear membrane and a large, reticulated nucleolus. However, they have nuclear vacuoles, described in the literature as being located only in nuclei of type A undifferentiated cells (Chiarini-Garcia & Russell 2001). Such nuclear vacuoles in differentiating spermatogonia were observed predominantly from 3 to 6 days pp, being less common in the animals that were 8 and 10 days old and were not observed in sexually mature mice. Although this study using an accurate histological technique allowed the precise identification of almost all germ cell types during ontogenic development, the least differentiated spermatogonial type, the Aund spermato- gonia, could not be more finely sub-classified to suggest which of these cells might be stem spermatogonia.Reproduction (2011) 142 145–155 S(a) (b) (c) (d) (e) (f) (g) (h) (i) S S S S S A2A1 SS S S S SS SS InA4 S S B S Aund Aund Adiff A3 S S S Figure 1 Spermatogonial lineage from mice at ages 2 to 6 days postpartum. (a and b) Type A undifferentiated spermatogonia, one of them with a nuclear vacuole (arrow); (c–i) differentiating spermatogonia, (c) with a nuclear vacuole (arrow), (d–g) A1 to A4 spermatogonia, (h) Intermediate – In, and (i) B spermatogonia. S, immature Sertoli cell and arrowhead, intercellular bridge. Bars represent 10 mm. 148 A L Drumond and othersSpermatogonial nuclear diameter Figure 4 shows the average diameters of germ cell nuclei from the Aund to type B spermatogonia from 2 up to 70 days pp. It was observed that diameters varied during the germ cell and testes development. In all ages, the Aund spermatogonia have a smaller nuclear diameter than the differentiating type A spermatogonia. The type A2 spermatogonia were found to be the cells with the largest nuclear diameter, whereas the spermatogonia type B were the smallest (Fig. 4). The nuclear diameter of each cell type from the Aund to In spermatogonia seemed to be larger in younger animals and decreased in size during the development, reaching their smallest nuclear diameters by 37 days pp.Gonocyte and spermatogonial numbers The changes in the total numbers of each spermatogonial type per testis during testicular development were analyzed by stereological methods. The number of gonocytes decreased progressively from birth to 3 days pp, whereas the numbers of differentiating type A, In, and B spermatogonia increased progressively up to 37 days, at puberty (Fig. 5A and B). The number of Aund spermatogonia at 8 days pp was 190 000 per testis, similar to the number of type Aund spermatogonia at all subsequent ages (Fig. 5B), including the adult animals. In addition, the number of all differentiating spermatogonia reached the numbers found in the adult between 14 and 37 days pp (Fig. 5B).Gonocyte and spermatogonial kinetics The total number of gonocytes remained constant during the first 24 h after birth (Fig. 6). When the number ofReproduction (2011) 142 145–155gonocytes of subtypes I and II went down, the number of gonocytes of subtype III increased, indicating that the former subtypes may differentiate into the latter subtype. However, it was observed that the number of gonocytes started to decline on day 2 pp coincident with the appearance of the first Aund spermatogonia that start to be seen in the seminiferous cords. The decline in the total numbers of gonocytes on day 2 could possibly account for the increase in Aund spermatogonia at that time by direct transformation of gonocytes into Aund spermatogonia. However, the further increase in Aund spermatogonia on day 3 is too large to be accounted for merely by the transformation of gonocytes and must include cell division.Gonocyte and spermatogonial mitosis and apoptosis The mitotic index of germ cells (gonocytes plus spermatogonia) showed an increase from birth to 3 days pp (Fig. 7), remained high until the fifth day, and then started to decrease, reaching the adult level at 10 days pp. The apoptotic index significantly increased after birth up to 2 days pp (Fig. 7); at this time only, gonocytes were found in the seminiferous cords, pinpointing this developmental age as the time of a high number of gonocyte deaths. The apoptotic index then decreased, and already at 3 days pp, it reached a number as low as adult animals, remaining at this level throughout testis development.Discussion In this study, we have extended high-resolution light microscopy techniques to quantify the numbers of different types of gonocytes and spermatogonia cellswww.reproduction-online.org Day 0 Mi GonI S S S Mi S BV Aund S S A3 A2 S S 2 Days 4 Days 6 Days GonI GonII GonIII S GonIII S Mi (a) (b) (e) (g)(f) (c) (d) Figure 2 Seminiferous cords at day 0 (a), 2 days (b), 4 days (c), and 6 days (d) postpartum. Note the different morphological subtypes of gonocytes: gonocyte subtype I (e), gonocyte subtype II (f) with a structure close to the nuclear membrane (arrow head), and subtype III (g). Structures identified in the seminiferous cords and interstitium are labeled as follows: Sertoli cell (S), Sertoli cells in prophase (arrow), gonocyte subtype I (GonI), subtype II (GonII) and subtype III (GonIII), type A undiffer- entiated spermatogonia (Aund), type A2 and type A3 differentiating spermatogonia, myoid cells (Mi), and blood vessels (BV). Bars represent 10 mm. Spermatogonial morphology during ontogeny 149during postnatal development in the mouse. The implications of these observations for understanding the development of spermatogonia from gonocytes, the proliferation, differentiation, and kinetics of sper- matogonial development and the formation of associ- ations of the cycle of the seminiferous epithelium is discussed below. Although we have observed different subclasses of gonocytes, which could be recognized by their morphology, number, and position in the seminiferous cords as gonocytes I, II, or III, the total number of gonocytes did not increase after birth. The mitotic index data showed that the gonocytes proliferate immediately after birth but their number did not change due to a balance between mitosis and apoptosis, which was also increased during this period. This is consistent with previous observations showing that during the first days after birth, some of the gonocytes go through mitosis (Kluin & de Rooij 1981), but a considerable number of gonocytes degenerate (Roosen-Runge & Leik 1968). Kluin & de Rooij (1981) also reported that the daughter cells of the gonocyte divisions on day 1 consist of two cell types, the typical gonocytes, called type I, and cells with larger nuclei, called type II cells. Huckins & Clermont (1968) showed that in rats, gonocytes dividewww.reproduction-online.orgto form cells larger and lighter than the Aund spermato- gonia normally found in adults and named these cells pre-A spermatogonia. Both descriptions of the gono- cytes’ daughter cells agree with our description for the subtype III gonocytes. As the method applied in our paper allowed better cytological distinction of the germ cells than the methods used previously, we could distinguish three gonocyte subtypes (I, II, and III) instead of two types (I and II). Kluin & de Rooij (1981) consider the type II gonocytes to be similar to newly formed A2 spermatogonia in adults. Our data suggest that the cells found to be type II by those authors were recognized here as subtype II and III, because the number of these cells was 67% of the total gonocytes that are very close to their percentage of type II cells (70%). Although we agree that these gonocytes are similar to type A2 spermatogonia, we could still morphologically recog- nize the spermatogonial subtypes in young mice, and it was possible to show that the gonocytes II and III are morphologically different from type A2 spermatogonia. The emergence of type Aund and A1 spermatogonia, at day 2, morphologically similar to the those observed in adult mice, is consistent with the results of Yoshida et al. (2006), who demonstrated at 2 days pp the presence of the first germ cells that expressed KIT (c-Kit) receptor in the seminiferous cords. Furthermore, they showed thatReproduction (2011) 142 145–155 (a) 8 days 14 days 27 days 37 days 12 days 20 days S Lu Pl S B S L Lu S Lu E S P S P P P R E R S E S R P A4 P P S II Sp Me S S D S A3 A4 Mi (c) (b) (d) (e) (f) A2 Aund Figure 3 Seminiferous epithelium at ages of 8 days (a), 12 days (b), 14 days (c), 20 days (d), 27 days (e), and 37 days (f) postpartum. Structures indicated are Sertoli cells (S), type A undifferentiated (Aund), type A2 differentiating spermatogonia (A2), type A3 differentiating spermatogonia (A3), type A4 differ- entiating spermatogonia (A4), type B differentiating spermatogonia (B), pre-leptotene (Pl), leptotene (L), pachytene (P), diplotene (D), secondary spermatocyte (II Sp), round spermatid (R), elongated spermatid (E), and lumen (Lu). Bars represent 10 mm. 150 A L Drumond and othersthese cells must correspond to a population of germ cells that skip at least one of the molecular steps of spermatogonial differentiation that occurs in adults, because the KIT-positive cells that were rapidly formed did not express neurogenin 3 (NGN3), which is expressed in type A undifferentiated spermatogonia of the adult mice (Yoshida et al. 2006). This result indicates that the first type A differentiating spermatogonia (A1 and/or A2 spermatogonia) are part of a cell population that is directly derived from the gonocytes separately from the Aund spermatogonia. The later development of differentiating spermatogonia, which have gone through a stage of NGN3 expression, must come from a subset of these Aund cells, which correspond both morpho- logically and functionally to the adult spermatogonial stem cells. In this study, the first type A1 spermatogonia were seen in the seminiferous cords at 2 days pp, and surprisingly only 24 h later, spermatogonia morphologically similar to type A3 and possibly some A4 spermatogonia were also observed. In adult mice, three mitotic divisions are required for a differentiating spermatogonia type A1 to become type A4 spermatogonia, and this process requires a time interval of about 3.5 days (Clermont &Reproduction (2011) 142 145–155Trott 1969, de Rooij & Russell 2000). This short time suggests that gonocytes and/or A1 spermatogonia are directly becoming A3 and/or A4 spermatogonia. Although it might be argued that the A3 and A4 spermatogonia produced on days 3 and 4 are not functionally the same as those in the adult, they do go on to produce B spermatogonia on day 5, preleptotenes on day 8, zygotene spermatocytes on day 10, and pachytene on day 12; thus, they are functionally acting as differentiated type A spermatogonia. The data in Table 2 can also be used to calculate that, in immature mice, the formation of B spermatogonia (day 5 pp) from A1 spermatogonia (day 2 pp) occurs in 3 days, whereas in adults this transition requires 6.1 days, showing that the process was shortened w3 days, which appears to have largely been due to the acceleration of type A spermatogonial development between days 2 and 3. Hence, our results indicate that there is acceleration of the spermatogonial phase, involving skipping generations of the developmental sequence of the type A spermatogonia that are normally observed in adults. It should be noted that in this study, the steps involved in this acceleration were only morphologically defined. The combination of immunohistochemistrywww.reproduction-online.org 12.0 11.5 11.0 10.5 a b a a a a a a a b b d b c b a b a b a b b a b a c a b a b a b a b b b a a b a 2 3 4 5 6 14 37 70b b b c b c b c b c b cc d c a b b c c a a a 10.0 N uc le ar d ia m et er (µ m ) 9.5 9.0 8.5 8.0 7.5 7.0 Aund A1 A2 A3 Germ cells A4 In B Figure 4 Nuclear diameters of spermatogonia (Aund, A1, A2, A3, A4, In, and B) in some of the analyzed ages. Values are expressed as mean GS.E.M. Different letters show significant differences in the nuclear diameter of the same cell type among different ages (P!0.05). 0.10 0.09 0.08 0.07 G er m c e ll nu m be r/t es tis (1 06 ) Sp er m a to go ni al n u m be r/t es tis (1 06 ) 0.06 0.05 0.04 0.03 0.02 0.01 0.00 0.6 6 8 10 14 37 70 0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0.0 Aund a b bb b b a a b b b cc d d a a b b b c a a a b b c c a bb c d d c a bb b cc dd a bbb b c c A1 A2 A3 Spermatogonial types Germ cell types 0 A B 1 2 3 4 5 6 A4 In B Gon Aund A1 A2 A3 A4 In B aa a a a a a a cc b a a aa a b ba bb a bb b b aa a b c c Figure 5 Total number of gonocytes and spermatogonia per testis from 0 to 6 days postpartum (A) and at 6, 8, 10, 14, 37, and 70 days postpartum (B). Values expressed as meanGS.E.M. Different letters represent significant differences between different ages for each cell type analyzed (P!0.05). Spermatogonial morphology during ontogeny 151for spermatogonial markers and morphology is nece- ssary to further characterize the development in molecular terms. Thus, our data showed that the shorter timing of the spermatogenesis in the immature C57BL6 mice was, at least partially, due to an acceleration of the sperma- togonial phase. However, the faster development of spermatocytes and/or spermatids in immature Cpb-N mice observed by Kluin et al. (1982) was not observed in the present investigation. Possible reasons for this discrepancy could be due to the broad interval between 17 and 27 days pp in our study, which may lack the resolution necessary to observe a small acceleration or differences among the strains of mice. It is well known that spermatogenesis in adult mammals occurs in a cycle and that each differentiating germ cell in the seminiferous epithelium is always associated with specific other types of germ cells, constituting the stages of the seminiferous epithelium, which in mice can be classified into 12 different stages (Oakberg 1956, Russell et al. 1990). Although we cannot precisely stage the cross sections of the tubules through the acrosomal system before the appearance of sperma- tids, from 8 days pp, when the first primary spermato- cytes can be observed, onward, the spermatogonial subtypes are associated in the same manner with the more differentiating cells following the same stage relationships as seen in adult mice. This confirms that the spermatogonial organization is already regulated, even before the Sertoli cells become mature (Vergouwen et al. 1991, Joyce et al. 1993). This observation is consistent with data showing that the genes expressed in adult Sertoli cells in a cyclical manner are already expressed in young immature Sertoli cells (Timmons et al. 2002). It is useful to relate the data obtained here on the number of Aund spermatogonia to the stem cell potentialwww.reproduction-online.orgin transplantation experiments. Although it was generally believed that the As spermatogonia within the Aund population contain the stem cells (de Rooij & Russell 2000), recent data indicate that the Apr and Aal spermatogonia can also occasionally undergo clone fragmentation and normally have a low potential to be stem cells (Nakagawa et al. 2010). However, their potential for producing stem cells is increased when these cells are used for spermatogonial transplantation (Nakagawa et al. 2007). Thus it is reasonable to consider the total numbers of Aund spermatogonia as at least a crude measure of the stem cell potential in trans- plantation experiments. It is interesting to note that 8-day-old animals, although being quite young, have the same total number of type Aund spermatogonia in the whole testis as do adult animals. Most spermatogonial transplantation experiments use young animals as donors of germ cells (Shinohara et al. 2001, McLean et al. 2003), finding that 12-day-old mice seem to be the best donors. McLean et al. (2003) found that the germ cells of these animals produced a higher number of colonies in the recipient testes than those from 1 to 5 days pp mice, consistent with the present observation of a greater number of Aund spermatogonia in the 12-day-old mice. The observation that 10- or 12-day-old mice were more efficient atReproduction (2011) 142 145–155 0.03 0.025 0.02 0.015 0.01 0.005G er m c e ll nu m be r/t es tis (1 06 ) 0 0 GonI GonIII GonII GonI+GonII+GonIII Aund 1 2 Age (days) 3 4 Figure 6 Total number of gonocytes (GonI, GonII, and GonIII) and type A undifferentiated spermatogonia (Aund) per testis from 0 to 4 days postpartum. Values expressed as meanGS.E.M. 25 A B C 20 a a Mitotic Apoptotic a 152 A L Drumond and otherscolonizing recipient testes (McLean et al. 2003) is consistent with the observation in this study, that the number of type Aund spermatogonia in 10- to 12-day-old mice is between 30 and 50 million/g testis, whereas the number of Aund spermatogonia in the adult mice is 1.9 million/g (Fig. 5 and Table 1). In conclusion, our data showed, for the first time, that animals at 8 days pp have maximal numbers of type Aund spermatogonia in the testis parenchyma and higher concentrations of these cells when compared with adult mice. Furthermore, the data confirm that the spermato- genic cell differentiation occurs faster in young animals than in adults, by skipping multiple divisions of differentiating type A spermatogonia resulting in a shortening of w2.5 days in the spermatogonial phase. Overall, the capacity to identify the different spermato- gonial subtypes by their morphological characteristics in a normal ontogenetic process could be used as a tool to better understand spermatogonial biology during early postnatal development and provide a simple and reliable method to evaluate spermatogonial development in immature life under adverse circumstances, such as experimental or pathological conditions.15 In de x (% ) 10 5 0 0 c b a c b c b c c c c b c c c 1 2 3 4 5 Age (days) 6 8 10 14 37 70 Figure 7 Mitotic and apoptotic indexes of gonocytes (A), gonocytes mixed with spermatogonia (B), and spermatogonia (C), during testis development. Values expressed as meanGS.E.M. Different letters represent significant difference between different ages (P!0.05).Materials and Methods Animals and histological procedures Testes from mice of the C57BL/6 strain at 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12, 14, 17, 20, 28, 37, and 70 days ppwere collected (day 0 was birth date). We used four mice per group. Mating pairs were randomly provided by Federal University of Minas Gerais mouse colony and were bred by investigators. Pups for each age group were generally chosen for the different groups from different litters. This study was previously approved by the ethics committee in Animal Experimentation from the Federal University of Minas Gerais.Reproduction (2011) 142 145–155After measurement of body weight, mice were anesthetized with sodium pentobarbital (30 mg/kg body weight) via i.p. injection and testes were fixed by immersion or perfusion. Animals from 0 to 14 days of age had their testis removed, weighed, and fixed by immersion in 5% glutaraldehyde (biological grade; EMS, Hatfield, PA, USA) and in 0.05 M cacodylate buffer (pH 7.4). After an initial fixation for 30 min, the tunica albuginea was removed and the fixation period was extended for 24 h more at 4 8C. The testes were cut into thin slabs ofw1 mm thickness and kept in the same buffer, at 4 8C, until embedding. Animals older than 17 days of age were fixed by perfusion via the cardiac route as described previously (Chiarini-Garcia & Meistrich 2008). Heparin was injected i.p. (130 U/100 g body weight) 15 min before anesthesia. After that, saline was initially perfused to clear the blood from testis, followed by 5% (v/v) glutaraldehyde in a 0.05 M cacodylate buffer (pH 7.4). Then, the right and the left testes were removed and sliced transversely into small slabs that were also kept in 0.05 M cacodylate buffer, at 4 8C, until embedding. Fragments of both testes, randomly chosen from all mice, were post-fixed in a 1% (w/v) osmium tetroxide and 1.25% (w/v) potassium ferrocyanide mixture, dehydrated in a graded series of ethanol, infiltrated, and embedded in Araldite 502 (EMS). Sections (1 mm thick) were obtained from the resin blocks and were stained with toluidine blue-borate for high-resolution light microscopic studies.Morphological analysis The main goals of the morphological evaluations of the gonocytes and spermatogonia during testis development were 1) to identify the cellular features, comparing them with those described in adult mice by Chiarini-Garcia & Russell (2001), 2) to identify the most advanced germ cell type at each age evaluated, and 3) to determine whether spermatogonia from type A1 spermatogonia up to type B spermatogonia have the same strict associations as those described in adult animals regarding the seminiferous epithelial cycle. Cellular character- ization was based on nuclear features such as shape of thewww.reproduction-online.org Spermatogonial morphology during ontogeny 153nucleus, presence, and arrangement of heterochromatin, granularity of euchromatin, and morphology and degree of nucleolar compaction.GC GC SC (a) (b) (c) (d) (e) (f) SC (g) Figure 8 Morphological features of mitotic phases of germ and Sertoli cells in neonatal testes: panels (a) and (c) represent prophase, and panels (b) and (d) represent metaphase. GC, germ cells (a and b) and SC, Sertoli cells (c and d). Morphological features of apoptotic germ cells: panel (e) represents a seminiferous cord at 3 days pp, with an apoptotic gonocyte in the center (arrow), panel (f) represents an apoptotic spermatogonium (arrow), located close to the basal membrane, and panel (g) represents apoptotic spermatocyte (arrow). Bars represent 5 mm.Morphometrical procedures Morphometrical studies were performed to obtain the absolute number of different subtypes of gonocytes and different spermatogonial types (Aund, A1, A2, A3, A4, In, B) per testis for all ages studied. For this purpose, the following parameters were obtained: volume of testicular parenchyma – VT (mm 3) volume density of seminiferous epithelium – Vve absolute volume of seminiferous epithelium – Vte (mm 3) nuclear volume density of each spermatogonial subtype – Vvn absolute total nuclear volume of each spermatogonial subtype – Vtn (mm 3) nuclear volume of each spermatogonial subtype – Vn (mm3) cellular number/testis – CN (106). The weight of testicular parenchyma is the testis weight without the tunica albuginea weight. As the testicular density is w1 g/ml (1.03–1.04; Sinha-Hikim et al. 1988), each gram of testis corresponds to a volume of 1012 mm3. Hence, VT is obtained multiplying the testicular parenchyma weight (g) by 1012 mm3. The volume density of the seminiferous epithelium was estimated using the point counting method (Sinha-Hikim et al. 1988, Russell et al. 2002). These data were obtained through an Olympus BX-41 light microscope with a 40! objective and using a square lattice containing 441 intersections in a 10! eyepiece. We counted w4410 intersections on the seminiferous epithelium and the rest of testicular parenchyma, distributed in ten randomly selected fields per animal (two to three fields per histological section), for each age studied. The volume density of seminiferous epithelium (Vve) was obtained dividing the sum of the points falling on seminiferous epithelium by the total number of points over the tissue. The volume of seminiferous epithelium (Vte) was estimated as follows: VteZVT!Vve: The nuclear volume density of gonocytes and each spermatogonial subtype was also estimated using point counting, applying the same 441 square lattice with a 100! objective. In 40 randomly selected fields for each animal (four to five fields per histological section), the intersections over the nuclei of each cell type were recorded. The nuclear volume density of each spermatogonial subtype (Vvn) was obtained by dividing the sum of the points falling on each cell subtype by the total points over the seminiferous epithelium. The total volume of each germ cell subtype (Vtn) was estimated as follows: VtnZVte!Vvn: To calculate the nuclear spermatogonial volumes (Vn), it is necessary to first determine the nuclear diameter (D). The diameter of ten nuclei of each germ cell subtype was measured for each animal, using a ruler fitted in a 10! eyepiece,www.reproduction-online.orgcalibrated with a micrometer ruler. For each spermatogonial cell type, the nuclei that appeared to have the largest profiles were selected to be measured, because that indicates that the sections were close to the center of the nucleus. The volume was calculated as: VnZ pD3 6 : After the determination of the total volume of each germ cell subtype (Vtn) and the spermatogonial nuclear volumes (Vn), it was possible to calculate the absolute cell number (CN), in millions (106), for each spermatogonial type per testis as follows: CNZ Vtn Vn : Mitotic and apoptotic indexes of gonocytes and spermatogonia To calculate the mitotic and apoptotic indexes, the following components of the seminiferous epithelium were counted: a) the number of gonocytes and spermatogonia, b) the number of mitoses, and c) the number of apoptotic gonocytes and spermatogonia. Approximately 30 tubular cross sections wereReproduction (2011) 142 145–155 154 A L Drumond and otherscounted per animal. The mitotic and apoptotic indexes were calculated by dividing the number of mitoses and/or apoptotic cells, respectively, by the sum of gonocytes, spermatogonia, mitoses, and apoptosis. Specific criteria were needed to distinguish the mitotic spermatogonia from mitotic Sertoli cells. In prophase, the two cell types were clearly distinguished, as they still have the nuclear characteristics of the cells in interphase (Fig. 8a and c), whereas in other mitotic phases, the mitotic spermatogonia were distinguished from mitotic Sertoli cells by their cyto- plasmic features. The mitotic figures of germ cells were identified by the outline of their cytoplasmic membrane, separating their cytoplasm from the Sertoli cells’ cytoplasm, and by the density of their cytoplasm, which was brighter than the Sertoli cells (Fig. 8b). The Sertoli cells in mitosis usually displayed no cytoplasmic membrane delimitation, or an elongated outline, with processes toward the center of the cords/tubules, and their cytoplasmic density was more homogenous with the cytoplasm around it (Fig. 8d). The identities of the cells that produced the apoptotic bodies were morphologically determined according to the border blebbing and fragmentation of the chromatin (Fig. 8e, f, and g). When the cytoplasm is observed, the following features are considered: a) its shape (elongated in spermatogonia and round in spermatocytes), b) whether it is contacting basal lamina (spermatogonia are in contact with the basal lamina) and c) how it is contacting (flattened in spermatogonia or punctuated in spermatocytes). The nuclei have particular characteristics that enable their assignment to different cell types such as a) shape, b) size, c) position in the cytoplasm, d) granularity of chromosome fragmentation, finely granular in spermatogonia (Fig. 8f) and coarsely granular in spermatocytes (Fig. 8g), e) number of joined apoptosis (normally spermatogonia are alone), and f) the stage of the epithelium cycle where the spermatocytes are larger and usually far from the basal lamina.Statistical analysis The morphometrical data were expressed as meanGS.E.M. Groups were compared using ANOVA, followed by Fisher’s LSD and Turkey’s tests when necessary. The results were considered to be statistically significant if P!0.05. All analyses were performed using SPSS 15.0 software (SPSS, Inc., Chicago, IL, USA).Declaration of interest The authors declare that there is no conflict of interest that could be perceived as prejudicing the impartiality of the research reported.Funding This study was supported in part by the following Brazilian Foundations: Coordenac¸a˜o de Aperfeic¸oamento de Pessoal de Nı´vel Superior (CAPES), Fundac¸a˜o de Amparo a` Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), and Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq).Reproduction (2011) 142 145–155Acknowledgements We thank Maria Luiza da Silva and Adriano Moreira Ferreira for assistance in histological preparation.References Bolden-Tiller OU, Chiarini-Garcia H, Poirier C, Alves-Freitas D, Weng CC, Shetty G & Meistrich ML 2007 Genetic factors contributing to defective spermatogonial differentiation in juvenile spermatogonial depletion (Utp14b/jsd) mice. Biology of Reproduction 77 237–246. 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(doi:10.1530/jrf.0.0930233) Yoshida S, Sukeno M, Nakagawa T, Ohbo K, Nagamatsu G, Suda T & Nabeshima Y 2006 The first round of mouse spermatogenesis is a distinctive program that lacks the self-renewing spermatogonia stage. Development 133 1495–1505. (doi:10.1242/dev.02316) Received 19 October 2010 First decision 9 December 2010 Revised manuscript received 25 February 2011 Accepted 26 April 2011Reproduction (2011) 142 145–155 ANEXO II - TRABALHO ENVIADO PARA PUBLICAÇÃO Effects of multiple doses of cyclophosphamide on mouse testes: Accessing the germ cells lost, and the functional damage of stem cells Ana Luiza Drumond a, b, Connie C. Weng a, Gensheng Wang a, Helio Chiarini-Garcia b, Leticia Eras-Garcia b, Marvin L. Meistrich a Ana Luiza Drumond: analuiza.drumond@yahoo.com.br; Connie C Weng: ccweng@mdanderson.org; Gensheng Wang: gwang@lrri.org; Helio Chiarini-Garcia: chiarini@icb.ufmg.br; Leticia Garcia: lets_eg@yahoo.com.br; Marvin Meistrich: mesitrich@mdanderson.org. a Department of Experimental Radiation Oncology, M.D. Anderson Cancer Center, University of Texas, 1515 Holcombe Blvd, 77030, Houston/TX, USA. b Laboratory of Structural Biology and Reproduction, Department of Morphology, Institute of Biological Sciences, Federal University of Minas Gerais, Av. Antonio Carlos, 6627 - Pampulha, 31.270-901, Belo Horizonte/MG, Brazil. Corresponding author: Ana Luiza Drumond, Department of Molecular and Human Genetics, Baylor College of Medicine, One Baylor Plaza, 77030, Houston/TX, USA; Phone: (713) 798-5964; FAX: (713) 798-7418; analuiza.drumond@yahoo.com.br. The authors declare that there are no conflicts of interest. Abbreviations: CY, cyclophosphamide; p.o., per oral; i.p., intraperitoneal; GCNA 1, germ cell nuclei antigen 1; Expt., experiment; SHC, sperm head count; HRLM, high resolution light microscopy; Pl and preL, preleptotene spermatocytes. Abstract Spermatogenesis is sensitive to the chemotherapeutic drug cyclophosphamide, which decreases the patients’ sperm count. Since the recovery of fertility is dependent on regeneration from stem cells, in the present study we designed a cyclophosphamide-5 regimen to eliminate differentiating germ cells in mouse, and evaluated the ability of cyclophosphamide-exposed stem spermatogonia to regenerate spermatogenesis in situ and after transplantation. Seven doses of cyclophosphamide given at 4-day intervals largely eliminated the differentiating germ cells but left ~50% of the undifferentiated type A spermatogonia. We monitored the recovery and found that sperm production recovered to 10 64% of control within the time expected. When the cyclophosphamide-surviving spermatogonia were transplanted into recipient mice, the recovery of spermatogenesis from the cyclophosphamide-exposed donor cells was reduced to 12% of that expected, when compared to cryptorchid donors. Thus, multidose regimens of cyclophosphamide did not eliminate the stem spermatogonia, but resulted in cell loss and residual damage. 15 Key Words: cyclophosphamide, mice, spermatogonial stem cells, testis 20 1. Introduction 25 The seminiferous epithelium of the testis is very susceptible to damage caused by toxicants, particularly chemotherapy and radiotherapy used in the treatment of cancer. As a result, young patients cured of cancer often suffer prolonged and sometimes permanent reductions in sperm counts or azoospermia and are infertile. The most sensitive testicular cells to chemotherapeutic drugs and radiation are the 30 ones that are undergoing constant mitotic activity, which are the differentiating spermatogonia [1-3]. The death of these cells results in maturation depletion of later stages of germ cells and reductions in sperm counts. The eventual recovery of sperm production depends on the survival of the spermatogonial stem cells and their ability to differentiate to spermatozoa. In rodents, the 35 spermatogonial stem cells have been identified morphologically as individual isolated cells called A single spermatogonia (As) [4]. When these cells divide without complete separation of their cytoplasm, they form A paired spermatogonia (Apr), which undergo further mitotic divisions, forming a chain of cells known as A aligned spermatogonia (Aal). Finally, the Aal spermatogonia can form A1 differentiating spermatogonia, which begin the 40 precisely timed sequence of mitotic divisions and the differentiation process towards the formation of the spermatozoa. If stem cells survive and their microenvironment is not affected, recovery of spermatogenesis will occur rapidly [2]. However, if some spermatogonial stem cells are killed, as occurs with radiation and some chemotherapeutic agents, recovery is more 45 gradual [5,6]. In mice, it was shown that the interval needed for the recovery of fertility is directly proportional to the level of killing of the spermatogonial stem cells. There is also evidence that these agents can produce damage to the somatic tissue, and in rat testes, even though numerous stem spermatogonia survived the cytotoxic treatment, there was no recovery of the seminiferous epithelium [7,8]. 50 The first methods developed to assess functional damage to the stem cells in the testis relied on quantifying their ability to regenerate spermatogenesis after the toxic insult. These included counts of regenerating tubules or sperm production at the time when the sperm would have been derived from surviving stem spermatogonia [2,9,10]. Although efficient for evaluating damage caused by a cytotoxic agent on the differentiation of stem 55 cells, measurement of these endpoints did not account for possible damage to the somatic microenvironment of the seminiferous epithelium which could reduce the level of germ cell differentiation [8]. More recently, it has been demonstrated that spermatogonial transplantation [11] can be used to assess stem cell numbers and function after cytotoxic treatment, eliminating the possible effects of damage to the endogenous somatic cells. 60 This method was used to determine the decrease in the stem cell number after a single injection of the chemotherapeutic drug busulfan, and the subsequent recovery of stem cell numbers in these mice. Spermatogonial transplantation has also been combined with assessment of undifferentiated A spermatogonia to demonstrate stem cell ablation by busulfan in rhesus monkeys [12]. 65 One chemotherapeutic drug that is widely used for cancer treatments and immunosuppression for nephrotic disorders is cyclophosphamide (CY). This drug causes reduction in patients’ sperm counts during treatment. Recovery from moderate doses of CY is possible, sometimes after a prolonged period of azoospermia; however high doses of CY cause permanent azoospermia in humans [13,14]. To better elucidate the action of 70 CY on spermatogonial stem cell survival and the subsequent recovery of spermatogenesis, studies using experimental animal models systems are needed. In mice, Lu and Meistrich [2] have studied the comparative effects of single injections of several different chemotherapeutic drugs, given as single doses, on spermatogenesis. One 200-mg/Kg dose of CY totally eliminated differentiating 75 spermatogonia (A2 stage and later) and early preleptotene spermatocytes and this resulted in a decline in testicular sperm count 29 days after treatment. In contrast the undifferentiated A spermatogonia, which include the spermatogonial stem cells, did not appear to be affected by this treatment and testicular sperm count was completely recovered 56 days after treatment. 80 Similar results were observed in rats. A single injection of CY induced a peak of apoptosis among basally located germ cells within 1 day, primarily in stages where A4 to intermediate spermatogonia were present [15]. However even high doses CY resulted in very little spermatogonial stem cell killing as evidenced by recovery of sperm counts 9 weeks after injection [16]. 85 Based on the above observations of the high sensitivity of rodent differentiating spermatogonia to CY but the relative resistance of the stem cells, one of the initial goals of the present study was to use multiple doses of CY to eliminate most of the later germ cells and produce an enriched population of mouse stem spermatogonia. We determined if the stem cells left in the epithelium were functional in situ, by showing endogenous recovery of 90 spermatogenesis in the treated host. Finally, after the isolation of a pool of cells, we used germ cell transplantation assay to assess the functional ability of treated stem cells, and determine whether the recovery in the recipient mice is compatible with the results in situ. 2. Materials and Methods 95 2.1. Animals and treatments Male mice of the C57BL/6Law strain were used unless otherwise noted. Animals were treated at approximately 8 weeks of age. All procedures were approved by the M. D. Anderson Cancer Center Institutional Animal Care and Use Committee. 100 Animals received injections of CY (Cytoxan, Bristol-Myers Squibb Co, Princeton, NJ) through oral (p.o., 22G gavage needle) or intraperitoneal (i.p) administration. Control animals received saline injections. Several experiments were performed to examine effects of different treatment protocols In Experiment 1, mice were treated with a single injection of CY (Fig. 1). Animals 105 received single doses of CY at150 mg/Kg or 200 mg/Kg, either p.o. or i.p.. Animals were euthanized at 1, 2, 3, 11 and 28 days after administration of the drug, and various parameters were evaluated for each endpoint. In Experiment 2, mice were treated with six doses of CY, at a dose of 150 mg/Kg each. The drug was given at 5-day intervals (Fig. 1), through both the p.o. and i.p. routes, 110 over a period of 25 days. Animals were euthanized on days 28, 59, 62, 65, 70 and 81 (3, 34, 37, 40, 45, and 56 days after the last injection). The specific time points were chosen based on the time intervals for the different cell types to produce testicular sperm [2,4] (Table 1). In Experiment 3, mice were treated with seven doses of CY, given p.o. at 150 115 mg/Kg each. The drug was given with 4-day intervals between doses (Fig. 1), over a period of 24 days. Animals were euthanized on days 28 and 80 (4 and 56 days after last injection, respectively). For the transplantation assay, male C57BL/6-Tg (CAG-EGFP) mice expressing green fluorescent protein (GFP; Jackson Laboratory, Bar Harbor, ME) were used as 120 donors. Four groups of donors were used: 1) young, 14- to 16-day old mice; 2) untreated adult 8-week old mice; c) surgically cryptorchid adult mice, and 4) adults treated with CY. The adult cryptorchid mice were 8 weeks old at the time of the surgery, and had their testicles raised by suturing the epididymal fat pad to the upper portion of the lateral abdominal wall [17] for 8 weeks prior being used as donors for the transplantation 125 experiment. Only testicles that weighed less than 30 mg at the time of harvest and appeared healthy (no sign of necrosis) were used for the cell suspension. Adult CY-treated mice were 8 weeks old at the beginning of the treatment. Mice received CY at a dose of 150 mg/Kg p.o., administered every 4 days over a 24-day period (as in Experiment 3). These animals were used as donors for transplantation 4 days after 130 the last injection of CY. Recipient animals were male C57BL/6Law mice, at approximately 8 weeks of age, treated with 2 doses (1.5 +12 Gy) of ionizing radiation separated by 24 hours [21]. They were used for transplantations 3 to 4 weeks after irradiation. 135 2.2. Histology and morphological analysis Testes were weighed, fixed with Bouin’s solution and embedded in paraffin or glycol methacrylate resin. Blocks were sectioned at 5 µm thickness, and sections were stained with periodic acid-Schiff’s (PAS) and hematoxylin. For animals evaluated 11 days after injection, tubular cross-sections were scored to 140 determine the stage of the seminiferous epithelial cycle, and whether the layers of cell types (A4 spermatogonia to zygotene, pachytene to meiosis, and round to step 12 spermatids) were present in normal amounts (>20 in the case of spermatocytes or spermatids), appreciably reduced (6 to 20), nearly completely absent (1 to 5) or absent (0). After scoring, we were able to calculate the cell types affected by the drug, at the moment 145 of injection 11 days before the analysis, by back-calculation based on the kinetics of germ cell development [2]. In order to distinguish the spermatogonial types in the testes, samples were prepared for high resolution light microscopy [18,19]. Thus, animals were perfusion-fixed with 5% glutaraldehyde in 0.05 M cacodylate buffer (pH 7.4). Testes were removed, 150 weighed and sliced in small slabs. Fragments were post-fixed in osmium tetroxide/potassium ferrocyanide mixture and embedded in Araldite 502 (EMS, Hatfield, PA). One-µm thick sections were obtained from the resin blocks and were stained with toluidine blue-borate for light microscopy studies. Morphometric studies were performed to obtain the numbers of each different 155 spermatogonial type (Aund, A1, A2, A3, A4, In, B), preleptotene spermatocytes, meiotic spermatocytes, and spermatids per 100 Sertoli cells present in seminiferous tubule cross sections; the Sertoli cells were only counted when the nucleolus was observed. Aund are undifferentiated type A spermatogonia and include the single, paired, and aligned cells. Approximately 30 tubular cross sections were counted per animal, using multiple 160 fragments from both testes. The numbers of each germ cell type, and Sertoli cells was corrected using the Abercrombie formula [20], using the average nuclear diameter of each cell type, calculated after measuring 10 cells, and the average Sertoli cell nucleoli diameter, also calculated after measuring 10 nucleoli. 165 2.3. TUNEL staining for apoptosis The testes were fixed with Bouin’s solution and embedded in paraffin. Five-µm sections were obtained and stained with the TUNEL reaction (DeadEndTM Colorimetric TUNEL system, Promega, Madison, WI) to identify apoptotic cells, followed by PAS/hematoxylin staining. 170 For those animals analyzed 1 to 3 days after one dose of CY (Expt. 1), the stage of the cycle of the seminiferous epithelium was determined. Only the TUNEL-positive cells found adjacent to the basal membrane were counted, and these cells were consistent with the morphology of spermatogonia or preleptotene spermatocytes. Approximately 10 tubular cross-sections were counted per stage, and the percentage of tubules with TUNEL-175 positive cells was calculated for each stage. For animals assayed 3 days after receiving the last of six doses of CY (Expt. 2), staging was not possible and the spermatogonial apoptotic index was calculated. The percentage of spermatogonia undergoing apoptosis was calculated by dividing the number of TUNEL-positive spermatogonia by the total number of spermatogonia counted. 180 Approximately 30 tubular cross-sections were counted per animal. 2.4. Sperm head count For sperm head count [10], the right testis was weighed with the tunica albuginea intact, and placed in 1 ml distilled water. The contents were homogenized, for 30 seconds 185 with a Polytron homogenizer (Brinkmann Instruments, Westbury, NY), keeping the samples on ice. After homogenization, the samples were sonicated for 4 minutes, in a cold water bath using a Branson Sonicator (Heat Systems, Ultrasonic, Plainview, NY). Sperm heads were counted in a hemacytometer with a 40x objective and phase contrast optics. 190 2.5. Transplantation To obtain the cell suspensions from the testis, the animals were anesthetized and 195 the testicles were collected and weighed. Donor cell suspensions were obtained by successive enzymatic digestions of GFP mice testes in a 35oC water bath [21], and filtration of the solution obtained through a 40 µm nylon filter. The final germ cell suspensions were adjusted to concentrations of between 2 and 6 x 107 per ml prior to injection into the recipient testes. Approximately 10 µL of the donor cell solution was 200 injected through the efferent ducts. The recipient animals were euthanized 8 weeks after transplantation and their testes were fixed with 4% paraformaldehyde, and embedded in paraffin. Serial sections 5 µm thick, were obtained and immunohistochemistry for germ cell nuclei antigen 1 (GCNA1, rat monoclonal IgM anti-mouse GCNA1, a gift from Dr George Enders) and green 205 fluorescent protein (GFP, rabbit polyclonal anti-GFP; Cat #2956; Cell Signaling, Danvers, MA) was performed using the ABC Elite kit, appropriate secondary antibodies, and diaminobenzidine (Vector Laboratories, Burlingame, CA) according to the manufacturer’s protocol. Sections were counterstained with hematoxylin. The percentages of tubules with colonies derived from endogenous stem cells (GFP-negative) and from donor stem cells 210 (GFP-positive) were counted in about 30 tubular cross-sections per testis. For comparison between different donor types, the percentages of tubule cross-sections with donor-derived colonies found in each testis were normalized to the average numbers of cells injected. 2.6. Statistical analysis 215 Data are expressed as mean  standard error. Groups were compared using ANOVA, followed by Fisher’s LSD or Turkey’s tests when appropriate. Differences were considered to be significant when p<0.05. All analyses were performed with SPSS 15.0 software (SPSS Inc. Chicago, IL). 220 3. Results 3.1. Effects of a single dose of cyclophosphamide Initial experiments were performed to characterize the effects of singe injections of cyclophosphamide (Expt. 1, Fig. 1). With both gavage and i.p administration of either 150 225 or 200 mg/Kg there was a transient loss of body weights 3 days after CY treatment, but body weights returned to pre-treatment levels by day 7, and were similar to controls thereafter (data not shown). Detailed analysis of cell loss was performed with the 150 mg/Kg dose administered p.o. The TUNEL analysis revealed that CY increased the incidence of apoptotic cells 1 230 and 2 days after administration (Fig. 2). These increases were observed, especially in tubules in stages II-VII of the cycle of the seminiferous epithelium which contain intermediate or B spermatogonia and preleptotene spermatocytes, which means that the cells that were A4 to B spermatogonia at the time of injection were sensitive to induction of apoptosis. These are the stages during which the largest numbers of mitotically active 235 spermatogonia are present in the testis. The apoptosis returned to the basal level on the third day after injection, indicating that the cells that underwent apoptosis were cleared from the tissue during the first two days after exposure to CY. At 11 days after injection, most tubules showed partial or complete absence of spermatocytes in meiotic prophase (Fig. 3B). Pachytenes were completely absent from 240 stages IV to IX, and nearly completely absent in stages I to III and stage X (Fig. 4A). Zygotenes and early pachytenes in stage XII were markedly reduced. Back-calculation based on the kinetics of spermatogenesis (Fig. 4B) revealed that this dose of CY specifically killed the differentiating spermatogonia A1-A4, In and B spermatogonia and the newly formed preleptotene cells, with the A4 to B spermatogonia being the most sensitive. 245 Both earlier (Aund spermatogonia) and later stage cells (spermatocytes in meiotic prophase), did not appear to be appreciably affected by this dose. These results agree with the analysis of apoptotic cells showing that the spermatogonia that are undergoing active proliferation and mitotic divisions are the main target of CY cell killing. In order to evaluate the relative effectiveness of different doses and routes of 250 administration in depletion of differentiating spermatogonia (types A1-B) mice were treated with single doses of CY, of either 150 mg/Kg or 200 mg/Kg, both given p.o. and i.p. and spermatogenesis was evaluated 28 days later. This is the time point at which late spermatids would be derived from the surviving spermatogonia. Histological analysis of the seminiferous epithelium (Fig. 3C), 28 days after 255 injection with 150 mg/Kg p.o., showed that the spermatogonia, spermatocytes, and early spermatids regenerate quite well from surviving undifferentiated spermatogonia. Although it was common to see appreciable numbers of elongating and condensing spermatids in tubules at stages IX-XII, most of late elongated spermatids are absent (stages II-VIII). In contrast, with treatments using 200 mg/Kg p.o. and 150 or 200 mg/Kg i.p, most of the 260 tubules at stages IX-XII had reduced numbers of elongating and condensing spermatids (Fig. 3D). These results are consistent with the moderate 30% losses in testis weights observed (Table 2). In addition, the testis weight data showed that intraperitoneal injections of CY seemed to be slightly more effective at reducing the numbers of recovering cells than did gavage administrations. 265 The testicular sperm head counts (Table 2) revealed a large decrease in the numbers of sperm heads present in treated animals. Treatment with 150 mg/Kg p.o. produced a 10-fold decline in sperm counts. Treatments with 200 mg/Kg by both routes and 150 mg/Kg i.p produced about 15-fold declines. 270 3.1.2 Acute effects of multiple injections of cyclophosphamide In order to develop a protocol using the minimal dose to eliminate as many of the differentiating germ cells as possible, mice were treated with multiple injections of CY to kill the differentiating spermatogonia as they developed. Animals received 6 doses with a 5- day interval between injections over a span of 25 days, through either the p.o. or i.p. routes 275 (Expt. 2, Fig. 1), or with 7 doses p.o. with a 4-day interval (Expt. 3). There were minor toxic effects of the p.o. administration as the mice lost 0.7 ± 0.2 g body weight with the 5- day intervals and 0.9 ± 0.4 g with the 4-day interval, compared to a 1.9 ± 0.4 g weight gain in sham-treated controls. However there was more severe toxicity in those treated i.p. as there was a 2.3 ± 0.2 g loss of body weight. 280 All of the multiple injection regimens caused more severe depletion in the seminiferous epithelium than did the single dose treatments. The testis weights in animals treated with multiple doses, 28 days after the first injection, were about 30 mg compared to 60-68 mg with single doses (Table 2). Histological analyses showed major depletion of the seminiferous epithelium 28 285 days after first injection (Fig. 5C). At this time point there was severe seminiferous tubular atrophy with all three treatment regimens. There was a very dramatic reduction of most spermatocytes and spermatids, although a few could still be observed. In addition, there were some differentiated spermatogonia (Fig. 5D) that survived or recovered from earlier stage spermatogonia in the 3 days from the last injection, as well as undifferentiated 290 spermatogonia (Fig. 5F) that had the same morphology as those from control animals (Fig. 5E). Nearly all of the spermatogonia appeared normal and viable, only 2.4% were undergoing apoptosis, which was similar to the percentage in control animals. Thus any apoptosis that was induced by the last CY injection 3 days previously had been completed, consistent with what was observed after a single injection of CY. 295 Quantitative counts of cells from the histological material showed that, at 28 days, all multidose regimens produced large decreases in the numbers of differentiating spermatogonia, spermatocytes and spermatids (Fig. 6). Analysis of the numbers of differentiating cells following the 6-dose/ 5-day interval regimens showed that, when given p.o., there were still some intermediate spermatogonia to preleptotene spermatocytes (7% 300 of control), meiotic spermatocytes (5% of control), and spermatids (4% of control) present. However, numbers of these cells were effectively reduced to about 1% of control by giving the same dose i.p., or giving 7 doses p.o. with a shorter interval. In contrast to the large decreases of the numbers of differentiating germ cells, there was at most a small effect of multiple doses of CY on the numbers of undifferentiated type 305 A spermatogonia (Fig. 5F and Fig. 6). There was no effect of giving 6 doses of CY p.o. at 150 mg/Kg with a 5-day interval on these cells. There were trends towards reductions in undifferentiated type A spermatogonial numbers with i.p. injection or the 7-dose/ 4-day interval p.o. treatment, and they were at most about 50%. Although the treatments with 150 mg/Kg i.p. (5-day intervals) and with 150 mg/Kg p.o. (4-day intervals) produced very 310 similar germ cell counts, the i.p. regimen produced a greater weight loss during treatment, suggesting this treatment to be more toxic. 3.3. Endogenous recovery of spermatogenesis from surviving stem cells Since there were remaining stem cells at the end of the treatment, despite the 315 nearly complete tubular atrophy, it gave us an opportunity to assess the time course of the recovery from this depleted state. The recovery of the seminiferous epithelium after the end of treatment was evaluated at different times after the multidose treatment regimens. Qualitative histological analysis performed 56 days after the last injection (80/81 days after the first injection), when the surviving stem spermatogonia should be producing 320 spermatozoa, showed recovery of most of the seminiferous epithelium (Fig. 5G), although there were still some damaged seminiferous tubules, deficient in germ cells, for all treatment regimens. The recovery of spermatogenesis was quantified by measurements of testis weight and sperm head count (Fig. 7). Both parameters steadily increased after the end of the 325 treatment. At 56 days after the last injection among the animals receiving 6 treatments at 5-day intervals, those receiving i.p. injections only reached testis weights and sperm head counts that were 70% and 40% of control, respectively, whereas those receiving p.o. administration had significantly greater recoveries reaching 80% and 64% of control, respectively. It was noted that none of the treated animals had reached the values 330 measured for control animals. Thus we conclude that recovery of spermatogenesis following p.o. treatment, although incomplete, is better than after i.p. treatment. The lower recovery after i.p. injections, despite the equivalent numbers of Aund spermatogonia, might be due to additional damage to the spermatogonia, to the testicular tissue, and to extratesticular targets affecting spermatogenesis. 335 Comparing the p.o. treatments, 7 administrations given 4 days apart (Fig. 1, Expt 3) showed recovery of testis weight to 74% of control, observed 56 days after the last injection (80 days after first injection), lower than those receiving 6 treatments at 5-day intervals. However, the numbers of sperm produced, which should be more directly a measure of recovery of spermatogenesis from the surviving stem cells, at this time point 340 were approximately the same (64% of control) (Fig. 7B); therefore the surviving stem cells seem to be effectively differentiating even after the more intense treatment regimen. 3.4. Functional evaluation of cyclophosphamide-treated stem cells Next we tested whether the stem cells that survived CY treatment, and were able to 345 produce recovery of spermatogenesis in situ in the host testis, were fully functional after germ cell transplantation. For this purpose, the animals were treated with 7 doses of 150 mg/Kg p.o. with 4-day intervals between injections, which we found to be the most efficient treatment for eliminating differentiating germ cells, with only limited toxicity, and a seemingly modest effect on the numbers of undifferentiated type A spermatogonia. We 350 compared the efficiency of transplantation with known donor models of spermatogonial transplantation, including prepubertal mice and cryptorchid mice, which have a high reported concentrations of stem cells, and untreated adult mice, which have a low reported concentration of stem cells. To obtain a prediction of the relative numbers of stem cells in the cell suspension, 355 we counted the numbers of different types of germ cells in the prepubertal, adult, cryptorchid, and CY-treated testes (Fig. 8). The total numbers of type A undifferentiated spermatogonia per Sertoli cell were not significantly different among all the adult groups, but were lower for adult mice treated with CY than for young animals The adult mice had the highest numbers of later spermatogonia (In and B) and preleptotene spermatocytes and 360 very high numbers of spermatocytes and spermatids. The cryptorchid B6 mice showed significantly reduced numbers of In spermatogonia to preleptotene spermatocytes and 3- to 4-fold reductions in the numbers of later germ cells, such as spermatocytes and spermatids. However, we have rarely been able to achieve the complete loss of these differentiated cells as reported by Nishimune and Aizawa [17]. Immature mice had nearly 365 as many spermatogonia per Sertoli cells as the adult but lower numbers of spermatocytes and no spermatids. The CY-treated mice had the lowest number of differentiating germ cells at all stages and very markedly reduced numbers of cells from the intermediate spermatogonia through spermatids. These results taken together demonstrate that the percentage of germ cells that were of type Aund spermatogonia was highest for CY animals 370 (Fig. 8), because these animals had fewer differentiated germ cells than all the other three groups. However, if we include Sertoli cells, which would also be in the cell suspension in the counts, the percentage of cells that are Aund is highest for the young animals but still would be next highest for the CY-treated ones. The number of cells obtained per testis from mice treated with CY, after the cell 375 suspension preparation, was similar to what was observed for cryptorchid animals, but was lower than the numbers observed for young and adult animals (Table 3). We injected similar numbers of cells from the cell suspensions (Table 4), obtained from animals of each of the four groups, through the efferent ducts, in order to produce colonization of recipient testis after transplantation. 380 Histological analysis of the testes of recipient animals (Fig. 9) harvested 8 weeks after transplantation were performed by immunostaining for GCNA-1, in order to detect differentiation of the germ cells, and for GFP, to distinguish endogenous and donor colonies, among the GCNA-1-positive tubular cross-sections. There was recovery of spermatogenesis from endogenous stem cells in about 3 to 4% of the tubules of recipient 385 animals with no significant differences between animals transplanted with cells from the different donor groups. Donor cells from all sources used were capable of colonizing the recipient testis and to differentiate, forming elongated spermatids (Fig. 9B, D, F and H); there were no apparent differences in the stages of differentiation or the quality of colonies produced between the different donor animals. The percentages of tubules that contained 390 GFP positive colonies (donor derived) were assessed and normalized based on the numbers of cells injected in each group during the transplantation (Table 4). The results showed that the prepubertal mice and adult cryptorchid mice had the highest concentrations of functional stem cells in their testes. Despite the higher concentration of Aund spermatogonia and presumably stem cells present in their cell suspensions (Fig. 8), 395 cells from CY-treated donors resulted in significantly lower levels of colonization than did those from cryptorchid mice. These results suggest that the loss of functional stem cells might have been greater than what the in situ recovery suggested or that there was functional damage to the stem spermatogonia caused by CY so that the numbers of Aund are not a good measure of functional stem cells. Nevertheless, the cells from CY-treated 400 mice still appeared to show greater colonization than did those from untreated adult mice. 4. Discussion In the present study we developed a multidose regimen of treatment with CY capable 405 of depleting the differentiated cells in the testis, while maintaining the population of undifferentiated spermatogonia, which includes the stem cell population. We were able to find a balance of dose, route of administration, and interval between doses, that eliminated a wide window of cells, from differentiating spermatogonia to late spermatids, with minimal animal toxicity, and still allowing survival of an appreciable number of undifferentiated 410 spermatogonia and apparent good recovery of spermatogenesis from surviving spermatogonial stem cells. This regimen reduced the numbers of differentiated cells to 1% of control but left ~50% of the undifferentiated type A spermatogonia remaining. The enrichment of undifferentiated spermatogonia by CY-treatment could potentially be used as an initial step in the purification of these cells for further molecular characterization of 415 the effects of CY on them. These results are consistent with and extend other studies in the literature on rodents showing the sensitivity of differentiating spermatogonia but relative resistance of stem cells to a wide variety of CY regimens [2,15,22-24]. This is in contrast to some other chemotherapeutic drugs, such as busulfan, doxorubicin, thiotepa, and procarbazine that 420 effectively kill the stem spermatogonia as well as differentiating spermatogonia [2,25-27]. The presence of healthy looking Aund spermatogonia at the end of the treatment regimen is the source of the subsequent recovery of spermatogenesis in the treated testes. Already at 45 days after last injection, before the surviving As had time to go through further self–renewal divisions and still produce late spermatids, the sperm 425 produced from these stem cells were at approximately 63% of the control levels. Despite the survival of the stem cells and their active function for recovery of spermatogenesis in situ in the testis, these cells seemed to have some loss of function when assayed by transplantation. Notwithstanding the fact that the CY-treated testis had the highest concentration of Aund cells as a percentage of germ cells, the ability of the stem 430 cells to produce colonies upon transplantation of a given number of cells was only 16% of that of the suspensions from immature testes and 32% of that from cryptorchid testes. Concerning the results observed for young mice as donors, it may be difficult to quantitatively compare with the CY-treated as the yield of cells was much higher per mg- testis for the young animals. That could occur because the Sertoli cells are still immature 435 and have not yet established the tight junctions facilitating the recovery of these cells and the basally located spermatogonia in suspension. Inclusion of immature Sertoli cells in the suspension that was transplanted could possibly provide additional niche function for development of spermatogenesis [28,29], although we were not able to detect GFP- stained Sertoli cells in the recipient mice. 440 However comparisons can be made between the cryptorchid and CY-treated animals as they appear to be very similar in many respects. The testis weights and yields of cells per testis were the same for both groups and the numbers of Aund per Sertoli cell were similar. Since both models were derived from treating already adult mice, the somatic cell types and structure should be largely the same. Yet although the percentage of germ cells 445 that were Aund spermatogonia was ~7 times higher in the CY-treated animals than in the cryptorchid ones, the number of tubules with colonies generated by CY treated donors was only 32% of the colonization promoted by cryptorchid cells. Although the initial collagenase digestion resulted in the removal of most of the interstitial cells, and loss of many Sertoli cells during the digestion of tubules [30], some of these cells might be present in the 450 suspension. Even if all of the Sertoli cells were recovered in the suspension, the concentration of Aund spermatogonia would still be 2.6-fold higher in the suspensions from the CY-treated mice than from the cryptorchid ones, and we expected at least 2.6 times the number of stem-cell derived colonies upon transplantation. Thus the 32% yield of colonies from the CY-treated mice compared to the cryptorchid donors is only 12% of 455 expectation, further supporting the conclusion that the stem cells from the former were functionally impaired. There is general agreement that the stem cells are contained within the population of Aund spermatogonia. There is one report in the literature that c-kit-positive spermatogonia are capable of colonizing recipient testes [31], implying that these must be differentiated 460 spermatogonia. If this were true, then the reduced number of differentiated spermatogonia in the CY-treated mice could possibly account for the lower transplantation efficiency. However, c-kit expression begins in late stage Aal [32] so the colonization ability of the c-kit positive cells could be due to Aal, which are undifferentiated spermatogonia, or possibly early stage differentiated type A cells. However the numbers of A1 spermatogonia are not 465 reduced by the CY-treatment (data not shown), so this cannot explain the lower colonizing ability of the cells from CY-treated mice. The histology method we used, high-resolution light microscopy of tissue sections, permits identification of the Aund spermatogonia but does not show their chain sizes or provide other markers. The stem cell pool that contributes to steady state spermatogenesis 470 is largely contained within a subpopulation of As spermatogonia, however the Apr and Aal can occasionally contribute to the stem cell pool by fragmentation [32]. These chains are considered to be potential stem cells and contribute more markedly to the self-renewing stem cells during recovery from cell depletion, as occurs after treatment with a chemotherapy agent such as busulfan or after transplantation [33]. Although we have not 475 determined the distribution of As, Apr, and Aal within these Aund spermatogonia, we can conclude that the percentage of these that are stem cells should be at least as high as in the untreated testis. Since this treatment involves 7 CY doses, the presence of appreciable numbers of Apr and Aal cells, which constitute the bulk of the Aund population, at 4 days after the last treatment indicates that their progenitors, the stem cells, must have survived the 480 first 6 injections and hence should have survived the seventh injection. The lower colonizing efficiency of cells from the CY-treated mice than from the cryptorchid mice may reflect differences within the Aund compartment. Further studies characterizing the clone size and stem and differentiation markers in the surviving Aund population from cryptorchid and CY-treated mice might further elucidate reasons for the differences in stem cell 485 functional abilities. It is also possible that each CY-treatment is killing a fraction of the stem cells, but the loss is compensated by increased clone fragmentation and increased self-renewal that occurs after cell loss [34]. Sperm production could be maintained after recovery from CY- treatment, despite killing of stem cells, by increased division of the Aal and reduction of 490 differentiated type A spermatogonial apoptosis [35]. Thus the transplantation assay may be more directly measuring the loss of surviving functional stem cells, whereas endogenous recovery is not sensitive to small to moderate losses in stem cell numbers. Thus, the more efficient transplantation from the cryptorchid mice actually reflects higher numbers of functional stem cells than in the CY-treated mice. 495 Alternatively it is possible that a high number of functional stem cells are indeed present in the CY-treated testes, and although they are functional in situ, they have some damage that affects their ability to colonize an irradiated recipient testis. We have previously shown that the colonization and differentiation ability of donor cells from immature mice were improved in the recipient testis about 6-fold by suppression of 500 testosterone in the recipient mice before and after the transplantation [36]. Therefore, it may be worthwhile testing whether hormone suppression could even more dramatically enhance the functionality of the CY treated stem cells in the recipient testis. In summary, the stem spermatogonia in mice seem to survive multiple doses of CY, and very pronounced in situ recovery is observed. Still there is evidence for some loss of 505 stem cells or residual damage to them when they are isolated from the testis and transplanted, but the specific reason why it occurs still remains to be elucidated. The observation of stem cell loss or damage in CY-treated mice may provide methods for further understanding of the apparently greater sensitivity of the human testis to prolonged azoospermia after CY treatment [14,37]. 510 Acknowledgements The present study was funded by the NIH, the Florence M. Thomas Professorship in Cancer Research, and by the program CAPES-UT, established between the University of Texas and the Brazilian agency CAPES. We thank Shan Shao, Nalini Patel and Kuriakose Abraham, from the MDACC, and Maria Luiza Silva, from UFMG, for their technical assistance with histological preparations and immunostaining. We thank Dr G. Enders for kindly supplying anti GCNA1 antibody and Dr R. Behringer for opening his laboratory for making glass pipettes. References [1] Dym M, Clermont Y. Role of spermatogonia in the repair of the seminiferous epithelium following x-irradiation of the rat testis. Am J Anat 1970;128:265-82. [2] Lu CC, Meistrich ML. 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Table 2 - Testis weight and sperm head count per testis 28 days the start of treatment. Treatment was given as a single dose (Expt. 1) or with 6 doses given at 5-day intervals (Expt. 2) or 7 doses at 4-day intervals (Expt. 3) (N=3). Different letters indicate statistically significant differences among all groups (p<0.05). Testis Weight Sperm Head Count Control 83.8 ± 2.6 a 16.7 ± 1.9 x10 6 a Expt. 1 150 p.o. 67.8 ± 3.3 b 1.9 ± 0.2 x10 6 b,c 150 i.p. 59.9 ± 3.6 c 1.2 ±0.05 x10 6 c 200 p.o. 63.0 ± 0.8 b,c 1.0 ±0.02 x10 6 c 200 i.p. 57.8 ± 0.5 c 1.1 ± 0.2 x10 6 c Expt. 2 150 p.o. / 5 days 31.3 ± 2.8 d 2.2 ± 0.3 x10 6 b 150 i.p. / 5 days 30.3 ± 3.3 d 2.9 ± 0.1 x10 6 b Expt. 3 150 p.o. / 4 days 30.5 ± 1.1 d 2.9 ± 0.3 x10 6 b Table 3 - Testis weight of donor animals, and number of cells obtained in tubule cell suspensions per testis. (N=5 for young, adult and CY; N=10 for cryptorchid, after exclusion of testes >30 mg). Donor Testis Weight (mg) Cells / Testis (x10 6 ) Young 11.5 3.4 Adult 104.0 21.2 Adult/Cryptorchid 27.1 1.2 Adult/Cyclophosphamide 29.9 1.3 Table 4 - Numbers of cells injected and recovery of spermatogenesis in the recipient testes. The percentages of tubules are given for recovery of endogenous spermatogenesis (GFP-negative), donor colonies (GFP+), and donor colonies normalized to the average number of cells injected are shown. Values expressed as Mean ± SEM (N=10 testes for young, CY and cryptorchid; N=7 testes for adult). Different letters indicate statistically significant differences among all groups (p<0.05). Source of donor cells Numbers of viable cells injected Tubules showing endogenous recovery (%) Tubules showing donor (GFP+) recovery (%) Donor recovery normalized to average number of cells injected Young 0.19 ± 0.01 x10 6 3.4 ± 0.8 13.8 ± 3.5 a 15.0 ± 3.6 a Adult 0.16 ± 0.02 x10 6 4.6 ± 0.8 0.5 ± 0.2 b 0.5 ± 0.3 b Cryptorchid 0.15± 0.01 x10 6 2.9 ± 0.6 6.7 ± 1.8 a 7.5 ± 2.0 a Cyclophosphamide 0.19 ± 0.01 x10 6 4.7 ± 1.1 2.4 ± 0.8 b 2.4 ± 0.8 b Legends Figure 1 – Schematic time lines of treatments used in three experiments, with end points indicated. Days of administration of cyclophosphamide (CY) are indicated by downward arrows. Days at which subgroups of mice were euthanized are indicated by upward arrows and the endpoints assessed after tissue harvest are indicated above the line. Legend: SHC, sperm head count. Figure 2 – Percentage of tubules with TUNEL-positive cells for each stage of seminiferous epithelium, at 1, 2 and 3 days after injection in mice that received one dose of cyclophosphamide (150 mg/Kg p.o.). Values expressed as Mean ± SEM (N=3 for each endpoint, and control group). Asterisks indicate statistically significant differences from control (p<0.05). The differentiating spermatogonial cell types or preleptotene spermatocytes (Pl) present at each stage are indicated below the stage. Figure 3 – Seminiferous tubule cross-sections of testes of mice that received saline injection (A), and those that received one injection of cyclophosphamide, p.o. at 150 mg/Kg, 11 days previously (B), or 28 days previously (C, D). Arrowheads: areas where spermatocytes (B) or elongated spermatids (C, D) are missing; Arrows: areas where there are remaining elongating and condensed spermatids; Stages of seminiferous epithelium are indicated in the lumen of the tubules. (A,C,D) paraffin embedded; (B) methacrylate embedded. Bars indicate 70 micrometers. Figure 4 – Germ cells organized in the twelve stages of seminiferous epithelium cycle. Stages/germ cells that are affected by the cyclophosphamide are shaded. (A) Cells observed in testes 11 days after p.o. CY injection at 150 mg/Kg. (B) Calculated cells affected at time of injection. Arrows indicate mitotic divisions and spermatogonial differentiation. A1, A2, A3, A4, In and B, differentiating spermatogonia; preL, preleptotene; L, leptotene; Z, zygotene; P, pachytene; D, diplotene; M, meiotic divisions. Appreciably reduced; Nearly completely absent; Absent. Figure 5 – Seminiferous tubule cross-sections of mice that received saline injections (A,B) showing Sertoli cells (S) and type B differentiating spermatogonia . (C,D), Seminiferous tubules of mice that received multiples doses of cyclophosphamide (Expt. 2 -150 mg/Kg p.o., 6 doses, at 5-day intervals), 28 days after first injection showing severe damage to the germinal epithelium at the end of the treatment. The tubules contain predominantly Sertoli cells (S). Some remaining spermatocytes (arrowheads) and spermatids are observed as well as some type B (“B”) and type A spermatogonia. (E,F) Undifferentiated type A spermatogonia in the control and the treated animals, respectively. (G) Seminiferous tubules of the treated animals, 81 days after first injection, showing recovery in most of the tubules (**), but some tubules are still damaged (*). Tissues in A, C, and G were Bouin’s fixed, paraffin embedded and stained with PAS-hematoxylin. Those in B, D, E, and F were prepared for HRLM by glutaraldehyde fixation, araldite embedding, and toluidine blue staining. Black bars represent 70 micrometers, and white bars represent 20 micrometers (B,D) or 10 micrometers (E,F). Figure 6 – Relative numbers of different types of germ cells per 100 Sertoli cells in tubules of animals treated with 150 mg/Kg dose of cyclophosphamide p.o. and i.p., every 5 days, and 150 mg/Kg p.o., every 4 days. Legend: In-Pl, differentiating In and type B spermatogonia plus preleptotene spermatocytes. Aund, undifferentiated spermatogonia type A; A1-A4, differentiating type A spermatogonia. Values expressed as Mean ± SEM (N=3). Different letters indicate statistically significant differences among all groups (p<0.05). Figure 7 – A) Testis weight and B) sperm head count per testis for mice treated with multiple doses of cyclophosphamide (150 mg/Kg p.o. or i.p.), starting 28 days after initiation of treatment, showing the recovery of spermatogenesis. Note only 28-day and 80-day points were obtained for Expt. 3 (p.o doses at 4 day intervals) A sham-treated control group is shown for comparison. Times are given on the X-axis from the time of the first injection. Values expressed as Mean ± SEM (N=3). Different letters indicate statistically significant differences among all groups (p<0.05). Figure 8 – Relative numbers of different types of germ cells per 100 Sertoli cells in tubules of young mice, and adults with no treatment, cryptorchidization, or treatment with cyclophosphamide (CY), and percentage of germ cells that are A undifferentiated spermatogonia. Legend: In-Pl, differentiating In and type B spermatogonia plus preleptotene spermatocytes. Aund, undifferentiated type A spermatogonia; A1-A4, differentiating type A spermatogonia. Values expressed as Mean ± SEM (N=3). Different letters indicate statistically significant differences among all groups (p<0.05). Figure 9 – Histological and immunohistochemical analysis of seminiferous tubules of the recipient animals transplanted with cells from prepubertal donors (A,B), adult donors (C,D), adult cryptorchid donors (E,F) and adults treated with cyclophosphamide (CY) (G,H), at 8 weeks after transplantation. Slides were immunostained with antibodies to GFP and visualized with the diaminobenzidine chromophore (brown). An endogenous colony is indicated by "*" and donor colonies are stained brown. At higher magnification (B,D,F,G) the production of elongated spermatids (arrows) at this time point is observed in donor colonies. White bars indicate 70 micrometers. NOTE: This figure is intended for color reproduction on the web and in print. Figure 1 Experiment 1 0 1 2 3 11 28 days Experiment 2 0 5 10 15 20 25 28 59 62 65 70 81 days Experiment 3 0 4 8 12 16 20 24 28 80 days Euthanize mice Euthanize mice CY Treatment Euthanize mice CY Treatment CY Treatment Histology / SHC for recovery Histology Spermatogonial Count TUNEL SHC Histology / SHC for recovery Histology Spermatogonia Count SHC TUNEL Histology SHC Histology for Cell Depletion Figure 2 Figure 3 Figure 4 (A) Germ cells observed 11 days after a single injection (B) Spermatogonia eliminated at the time of injection Figure 5 Figure 6 Figure 7 B A Figure 8 Figure 9