GUSTAVO HENRIQUE DE OLIVEIRA FATORES DE RISCO INTRÍNSECOS BIOMECÂNICOS PARA A SÍNDROME DA TENSÃO TIBIAL MEDIAL EM CORREDORES: uma revisão da literatura Belo Horizonte 2011 GUSTAVO HENRIQUE DE OLIVEIRA FATORES DE RISCO INTRÍNSECOS BIOMECÂNICOS PARA A SÍNDROME DA TENSÃO TIBIAL MEDIAL EM CORREDORES: uma revisão da literatura Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação do Departamento de Fisioterapia da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para a obtenção do grau de Especialista em Esportes. Área de Concentração: Desempenho Funcional Humano Orientadora: Profª. Ms.Giovanna Mendes Amaral Belo Horizonte 2011 RESUMO Este trabalho teve como objetivo realizar uma revisão da literatura para investigar os fatores de risco intrínsecos biomecânicos para o desenvolvimento da síndrome da tensão tibial medial (STTM) em corredores. Para isso, foi realizada uma revisão de estudos dos tipos coorte e caso controle que investigaram tais fatores relacionados com a STTM. Foi realizada uma busca na literatura recente por meio dos bancos dos dados eletrônicos Medline, Lilacs e Scielo usando o descritor Síndrome da tensão tibial medial e suas variações. A partir da análise dos resumos e leitura integral dos artigos pré-selecionados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão, quatro artigos foram incluídos nos resultados, sendo um do tipo coorte e três do tipo caso controle. Os resultados sugerem que fatores de risco intrínsecos biomecânicos proximais, ou locais, podem estar relacionados com o desenvolvimento da STTM em corredores. Mecanismos são propostos, na literatura, para justificar essas relações envolvendo alterações na postura e na dinâmica do pé e alterações na resistência muscular. Apesar do número reduzido de estudos encontrados, observou-se também a presença possível de fatores de risco distais envolvidos no desenvolvimento da STTM em corredores. Muito além de identificar todos os fatores de risco intrínsecos biomecânicos, o fisioterapeuta deve ser capaz de analisar e compreender as possíveis relações biomecânicas que podem atuar no complexo sistema musculoesquelético exposto à demanda específica da corrida. Palavra chaves: Síndrome da tensão tibial medial. Corrida. Transtornos traumáticos cumulativos. Tíbia. Traumatismos em atletas. ABSTRACT This work aims to perform a literature review to investigate the intrinsic biomechanical risk factors for the development of medial tibial stress syndrome (MTSS) for runners. For this, we conducted a review of the types of studies and case control cohort that investigated factors related to such MTSS. We performed a literature search through the latest electronic data banks: Medline, Lilacs and Scielo databases using the descriptor medial tibial stress syndrome and its variations. From the analysis of abstracts and full reading of the articles pre-selected according to inclusion and exclusion criteria, four articles were included in the results, one cohort and three case-control. The results suggest that risk factors intrinsic biomechanical proximal or places may be related to the development of MTSS corridors. Mechanisms are proposed in the literature to justify such relationships involving changes in posture and dynamics of the foot and alterations in muscular endurance. Despite the small number of studies, we also observed the presence of possible risk factors involved in the development of distal MTSS corridors. Beyond identifying all risk factors intrinsic biomechanical, physical therapists should be able to analyze and understand the possible biomechanical relationships that can act in complex musculoskeletal system exposed to specific demands of the race. Key Words: Medial tibial stress syndrome. Race. Cumulative trauma disorders. Tibia. Athletic injuries LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ADM: amplitude de movimento IMC: índice de massa corporal Kg/m2: quilograma dividido por metro ao quadrado Nº.: número OR: odds ratio p: p valor RR: risco relativo STTM: síndrome da tensão tibial medial SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 7 1.2 Objetivo 9 2 MÉTODOS 10 3 RESULTADOS 11 4 DISCUSSÃO 13 5 CONCLUSÃO 18 REFERÊNCIAS 19 APÊNDICE A – TABELA 1 – Estudos selecionados dos tipos coorte e caso controle para fatores de risco intrínsecos biomecânicos para STTM 23 71 INTRODUÇÃO Shin splint ou “dor na perna induzida por exercício” refere-se a uma síndrome dolorosa regional descrita como dor entre o joelho e o tornozelo que ocorre com o exercício1,2. Este termo meramente descritivo e inespecífico tem gerado confusão na literatura com relação às várias entidades patológicas associadas à dor na perna induzida por exercício2,3. Dentre estas entidades, destacam-se a síndrome da tensão tibial medial (STTM), a fratura tibial por estresse e a síndrome do compartimento anterior pela elevada incidência entre todas as lesões em membros inferiores em corredores3,4. Particularmente, a STTM é a mais prevalente e corresponde a 6,3% de todas as lesões em membros inferiores em corredores 4, acometendo também militares, ginastas aeróbios, dançarinos e atletas de esportes que exigem saltos, como o basquete4,5. Na literatura, encontram-se valores de incidência variando entre 7,9% a 35%6,7,8, com maior incidência no sexo feminino4,7,8. A STTM foi recentemente definida como dor ao longo da borda pósteromedial da tíbia que ocorre devido ao exercício, excluindo-se dor de origem isquêmica ou sinais de fratura por estresse8. O diagnóstico baseia-se nos critérios de história da dor, da localização da dor e da palpação local8,9. Assim, a dor deve ser induzida pelo exercício, podendo durar poucas horas ou dias após a prática da atividade com a piora do quadro álgico8. Além disso, a dor não deve ser acompanhada de parestesia ou outros sintomas indicativos de outras causas de dor na perna induzida por exercício8. O local da dor deve ter pelo menos cinco centímetros de extensão, visto que áreas focais de apenas dois a três centímetros são típicas de fratura tibial por estresse8,10. Tipicamente, localiza-se na interseção dos terços distal e médio1. Ao exame palpatório, a borda pósteromedial da tíbia deve produzir desconforto difuso, podendo sua superfície óssea apresentar irregularidades8. O diagnóstico clínico da STTM tem sido usado como padrão ouro para os estudos de exame por imagem que investigaram as alterações ósseas na tíbia de indivíduos com STTM9. O fato de a história clínica e o exame físico serem usados com padrão ouro confirma que o diagnóstico é feito clinicamente e o papel limitado de exames complementares como os de imagem9. A STTM é considerada uma síndrome causada por overuse (“uso excessivo”). Apesar de isso estar bem estabelecido, a base etiológica da STTM permanece controversa na 8literatura9. Relações anatômicas e alterações mecânicas foram propostas como hipóteses etiológicas da STTM1,9. Alguns estudos de dissecação de cadáveres que tinham como objetivo investigar a relação entre o local da dor e as estruturas anatômicas adjacentes consideravam os músculo tibial posterior, sóleo e flexor longo do hálux como a fonte anatômica da dor medial na perna associada com à STTM1,11,12. A explicação etiológica preconizada tradicionalmente baseava-se na tração repetitiva do periósteo por esses músculos causando as queixas locais1,9. Contudo, nem sempre os sintomas são sentidos no local da inserção distal do tibial posterior, sóleo ou flexor longo do hálux13. Outra explicação seria a da sobrecarga óssea por forças que causariam arqueamento na tíbia9. Tem sido mostrado que a imposição repetitiva de forças de arqueamento causa adaptação tecidual óssea na tíbia, predominantemente nos locais onde essas forças são maiores14. O local de maior arqueamento tibial é onde a sua diáfise é mais estreita – justamente próximo à interseção dos seus terços médio e distal15. Estudos recentes sustentam esta possível explicação para o desenvolvimento da STTM, evidenciando a ausência de periostite16,17 e a presença de anormalidades corticais na interseção dos terços médio e distal da tíbia em indivíduos com a STTM18,19,20. Vários fatores de risco associados à ocorrência da STTM têm sido relatados8,21. De uma maneira em geral, os fatores de risco de qualquer lesão musculoesquelética podem ser categorizados em extrínsecos ou intrínsecos. Os extrínsecos ou ambientais estão relacionados ao tipo de calçado, de terreno da prática do exercício, e de atividade3. Os intrínsecos ou pessoais estão relacionados à idade, ao sexo, ao peso corporal e a fatores biomecânicos3,9. Tem sido demonstrado que índice de massa corporal (IMC) elevado e o sexo feminino são fatores de risco intrínsecos para STTM7,8,22. A literatura tem considerado a STTM como uma lesão por overuse comumente encontrada em indivíduos fisicamente ativos e atletas, principalmente em corredores7,23. Dentre as diversas manifestações da prática de exercício físico, a corrida apresenta-se com uma das modalidades com grande número de adeptos, tanto pela facilidade em sua prática, como pelos benefícios para a saúde e o baixo custo. Por outro lado, os indivíduos que a praticam, seja no âmbito competitivo ou recreativo, estão expostos aos eventuais riscos associados6,24. Particularmente os fatores de risco intrínsecos biomecânicos para STTM em corredores são foco de atenção do fisioterapeuta, um profissional da saúde apto a atuar tanto na reabilitação quanto na prevenção desta síndrome. Justifica-se este foco pela importância 9desses fatores no desenvolvimento do raciocínio clínico do fisioterapeuta durante a avaliação e a intervenção. Assim, a identificação e o entendimento desses fatores de risco intrínsecos biomecânicos são essenciais para a prevenção de lesão e a minimização de agravo para lesões por overuse, como a STTM em corredores. Apesar de existirem relatos acerca dos fatores de risco intrínsecos biomecânicos relacionados à STTM em corredores, militares, ginastas aeróbios, dançarinos e jogadores de basquete, ainda não está claro quais desses fatores restringem-se aos que praticam a corrida. Portanto, torna-se necessário investigar na literatura recente os fatores de risco intrínsecos biomecânicos para a STTM em corredores. 1.2 Objetivo O objetivo do presente trabalho foi identificar e analisar os fatores de risco intrínsecos biomecânicos para o desenvolvimento da Síndrome da tensão tibial medial em corredores. Para esta finalidade, foi realizada uma revisão de estudos dos tipos coorte e caso controle que investigaram esses fatores associados a tal síndrome em corredores. 10 2 MÉTODOS A fim de alcançar o objetivo deste trabalho realizou-se uma revisão na literatura de estudos epidemiológicos dos tipos coorte e caso controle que investigaram fatores de risco intrínsecos biomecânicos para o desenvolvimento da STTM. Os bancos de dados eletrônicos utilizados nessa revisão foram Medline (Pubmed), Scielo e Lilacs. As palavras chaves utilizadas para realização desta revisão foram: Síndrome da tensão tibial medial, Síndrome da tensão tibial e Síndrome tibial medial. Esses descritores refletem variações da mesma entidade patológica. A mesma estratégia de busca foi utilizada em todos os bancos de dados eletrônicos pesquisados. Os termos foram pesquisados nos idiomas inglês, espanhol e português; houve restrição dos 10 últimos anos referentes à data de publicação dos artigos; não houve restrição quanto à idade, ao sexo ou outras características dos participantes dos estudos. Os critérios de inclusão para os estudos foram: estudos dos tipos coorte e caso controle. Os seguintes critérios de exclusão foram: estudos que não tinham a modalidade de corrida como principal modalidade de atividade física realizada pelos participantes; estudos que exploraram fatores de risco extrínsecos ou intrínsecos não biomecânicos; estudos que investigaram a relação de fatores intrínsecos biomecânicos com entidade patológica distinta da STTM que cause dor na perna induzida por exercício; estudos que não relataram de forma clara o diagnóstico da STTM. Os resumos dos estudos pré-selecionados pela busca foram lidos e analisados pelo autor do trabalho. Aqueles estudos cujos resumos indicavam concordância com os critérios de inclusão foram lidos na íntegra. A partir da leitura integral, estudos foram excluídos por ainda não atenderem a algum critério de inclusão ou por apresentarem algum critério de exclusão. Após seleção, leitura integral e análise dos artigos, elaborou-se uma tabela (Apêndice – Tabela 1) referente aos estudos dos tipos coorte e caso controle com as principais características e resultados desses estudos, para discussão posterior das evidências fornecidas referentes aos fatores de risco intrínsecos biomecânicos para o desenvolvimento da STTM. 11 3 RESULTADOS A partir da busca realizada nos bancos de dados eletrônicos propostos com o descritor Síndrome da tensão tibial medial e suas variações, foram encontrados 73 artigos. A partir da leitura dos resumos desses artigos e da triagem pelos critérios de inclusão e exclusão definidos, foram selecionados 10 artigos para leitura integral. Após a leitura integral dos 10 artigos pré-selecionados, seis artigos não foram selecionados por não atenderem ao seguinte critério de inclusão: serem classificados como estudos epidemiológicos dos tipos coorte ou caso controle; e por não atenderem aos critérios de exclusão: estudos do tipo coorte ou caso controle que não investigaram fatores de risco intrínsecos biomecânicos; estudos que não investigaram fatores de risco na modalidade de corrida. Assim, um total de quatro artigos foi selecionado para inclusão nos resultados do presente trabalho, sendo um artigo do tipo coorte e três do tipo caso controle. Todos os artigos incluídos nos resultados estavam na língua inglesa. Plisky e colaboradores (2007) tiveram como um dos objetivos do estudo investigar os fatores de risco para a STTM com foco principal na relação entre os valores da queda navicular em apoio unipodal estático e a STTM em corredores cross-country (Apêndice – Tabela 1)7. Os pesquisadores não encontraram associações significativas entre a STTM e a queda do navicular. Além disso, encontraram que o sexo feminino e o IMC estavam significativamente associados com a ocorrência da STTM, mas que apenas um IMC elevado estava associado com o risco para STTM (OR = 5,3; p < 0,05)7. Madeley e colaboradores (2007) tiveram como objetivo determinar se havia diferenças na resistência muscular dos flexores plantares do tornozelo em atletas com STTM comparados com atletas sem STTM (Apêndice – Tabela 1)25. A amostra era composta por 30 participantes com o diagnóstico de STTM, e 30 participantes sem STTM equiparados em idade, sexo, IMC. Os autores observaram que o número de repetições de elevação do calcanhar (resistência muscular) realizado pelos participantes com STTM foi significativamente menor que o controle (p < 0,001)25. Tweed e colaboradores (2008) tiveram com objetivos investigar a relação entre a postura e a dinâmica do pé na marcha e a STTM em corredores (Apêndice – Tabela 1)24. A amostra era composta por 28 participantes com STTM e 12 participantes como controle. Os pesquisadores identificaram que alterações posturais do calcâneo, deficiência na amplitude de 12 movimento (ADM) da articulação talocrural com o joelho estendido e alterações dinâmicas envolvendo a retirada precoce do calcanhar e abdução mediotársica na marcha são preditoras para o desenvolvimento da STTM24. Bandholm e colaboradores (2008) investigaram se indivíduos com STTM apresentam maior queda do navicular e maior deformação do arco longitudinal medial durante o ortostatismo e a marcha comparada com indivíduos saudáveis (Apêndice – Tabela 1)26. A amostra era composta por 15 participantes com STTM e 15 participantes como controle. Os autores observaram que os indivíduos com STTM demonstraram maior queda do navicular e maior deformação do arco longitudinal medial durante ortostatismo quando comparados com os controles (p < 0,05). Além disso, demonstraram ainda maior deformação do arco durante a marcha (p = 0,015)26. 13 4 DISCUSSÃO A STTM é uma disfunção musculoesquelética que apresenta vários fatores de risco para o seu desenvolvimento, incluindo os extrínsecos, como treinamento em superfícies rígidas ou terrenos irregulares, técnicas inapropriadas de treinamento, aumento súbito do volume de treinamento e o uso de calçados inadequados; e os intrínsecos, como sexo, IMC e fatores biomecânicos1,3,9. O fisioterapeuta é um profissional da saúde apto a avaliar e intervir em disfunções musculoesqueléticas, como a STTM, lidando com o raciocínio clínico direcionado para as relações biomecânicas do indivíduo inserido em um contexto, particularmente neste trabalho as dos corredores. Por isso, é importante a identificação e análise dos fatores de risco intrínsecos biomecânicos para o desenvolvimento da STTM em corredores. Os estudos abordados no presente trabalho apresentaram indivíduos com STTM sob o enfoque de tais fatores. Os resultados encontrados apresentaram desfechos diversos, com alguns estudos que investigaram relações posturais e dinâmicas do pé7,24,26 e um estudo que investigou relações de propriedades teciduais como a resistência muscular de flexores plantares do tornozelo25. Dois dos três estudos que investigaram o mesmo desfecho de queda do navicular apresentaram resultados contrastantes, ora indicando tal desfecho como fator de risco24, ora não7. Apesar da diversidade de desfechos e do número reduzido de estudos, estes sugerem que fatores de risco intrínsecos biomecânicos distais, ou locais, podem estar relacionados com o desenvolvimento da STTM. A partir dos resultados obtidos no estudo do tipo coorte selecionado no presente trabalho (Apêndice – Tabela 1), observou-se que apenas o desfecho IMC maior que 20,2 kg/m2 foi considerado como um fator de risco para o desenvolvimento da STTM7. Este achado está em concordância com o de outros estudos8,22. Além de fator de risco, um IMC elevado tem sido considerado um indicador prognóstico para um maior tempo de recuperação da STTM21. Moen e colaboradores (2010) sugeriram que possivelmente essa associação entre IMC e o tempo para recuperação seja causada pelo maior arqueamento da tíbia, visto que mais carga (peso) é aplicada sobre a perna21. A literatura tem apontado que esse maior arqueamento pode levar a microtraumas ósseos corticais14 e que o local de maior arqueamento tibial é próximo à interseção dos seus terços médio e distal, onde os sintomas da STTM são comumente relatados15. O estudo caso controle de Tweed e colaboradores (2008) selecionado no presente trabalho (Apêndice – Tabela 1) relatou associação de alterações na postura e na dinâmica do 14 pé e a STTM, com o grupo com a síndrome apresentando alterações dinâmicas na corrida como elevação precoce do calcanhar, abdução da articulação médio társica e déficit de ressupinação com comprometimento da impulsão24 Os pesquisadores sugeriram que anormalidade na pronação pode ser considerada como um importante fator de risco intrínseco para o desenvolvimento da STTM em corredores24. Outros pesquisadores corroboram esta consideração8,27. Pronação anormal pode ser identificada como pronação espacial ou pronação temporal quando o pé deveria ressupinar e pode se manifestar na marcha pela rotação interna excessiva do membro inferior, eversão do calcâneo, abdução da articulação médio társica e déficit na ressupinação28. A pronação tem sido operacionalizada distintamente na literatura pertinente à STTM9. Assim como Tweed e colaboradores (2008)24, Yates e colaboradores (2004) operacionalizaram-na por meio do Índice da Postura do Pé, um teste observacional baseado em oito parâmetros que distinguem o pé pronado, neutro ou supinado nos planos frontal, sagital e transversal, apresentando boa confiabilidade intra e inter-examinador8. Estes parâmetros são: proeminência na região da articulação talonavicular; posição do calcâneo no plano frontal; sinal de Helbing, indicado pelo arqueamento do tendão do calcâneo; curvatura supra e inframaleolar lateral; congruência da borda lateral do pé; palpação da cabeça do tálus; congruência do arco longitudinal do pé; abdução e adução do ante pé em relação ao retro pé8. Yates e colaboradores (2004) mensuraram por este índice a pronação estática do pé em recrutas navais que praticavam corrida e desenvolveram STTM, e encontraram pés mais pronados nesses indivíduos (p = 0,002)8. Além disso, estabeleceram que os recrutas com pé mais pronado tinham um risco relativo de 1,70 para o desenvolvimento da STTM8. Outros pesquisadores operacionalizaram pronação por meio do teste de queda do navicular7,21,26,29. Este teste mede a distância entre a borda inferior do navicular e o solo medidas ora com a articulação subtalar alinhada em neutro, ora com o pé relaxado em ortostatismo, tendo como resultado a diferenças entre as duas medidas em milímetros7,26. Este teste é considerado um possível indicativo de pronação do médio pé7,26. Tem sido demonstrado uma maior queda navicular em corredores com STTM comparados aos indivíduos assintomáticos (p = 0,003)22. Uma correlação significante também foi relatada entre o deslocamento da tuberosidade navicular e a incidência de STTM em corredores (p < 0,01)30. Contrastando com esses achados, o estudo de Plisky e colaboradores (2007) selecionado no presente trabalho (Apêndice – Tabela 1) mostrou que não foram encontradas quaisquer associações que indicassem a queda do navicular como fator de risco para a STTM7. Os pesquisadores 15 creditam essa discrepância nos achados a possíveis diferenças na técnica específica de mensuração do teste, o que também possivelmente resultou em valores médios maiores de queda do navicular tanto em corredores sem STTM quanto em corredores que desenvolveram a STTM, quando comparados com valores previamente relatados na literatura7. Apesar das distintas operacionalizações na literatura, um mecanismo tem sido proposto em sua associação com o desenvolvimento da STTM9,24. Quando o pé prona, as estruturas mediais da perna são estressadas, aumentando a probabilidade de elas se tornarem lesadas sob uma demanda excessiva28,31. A pronação da articulação subtalar é um componente de absorção das forças de reação do solo durante a marcha e a corrida28,31. Magnitudes excessivas na velocidade ou temporais da pronação requerem forças anti-pronatórias advindas de todos os segmentos do membro inferior e da pelve, que, caso não atuem adequadamente, podem levar ao aumento das forças que atuam mais proximal na perna, mais especificamente no periósteo e na tíbia28. Desta maneira, visto que os músculos tibial posterior e o flexor longo do hálux atuam excentricamente como pronadores na marcha, principalmente sob a demanda da corrida, e estão envolvidos em uma das possíveis explicações etiológicas por tração do periósteo adjacente à inserção muscular na tíbia, uma análise biomecânica musculoesquelética de um indivíduo que prona excessivamente pode sugerir um mecanismo para o desenvolvimento da STTM28,31,32. Corroborando com este mecanismo relacionado à pronação excessiva, Viitasalo e colaboradores (1983) observaram maior ângulo entre o calcâneo e a parte inferior da perna no contato inicial entre os corredores sintomáticos (p < 0,01)27. Com o objetivo de determinar se o alinhamento anormal do pé se correlacionava positivamente com um diagnóstico prévio de STTM, o estudo caso controle de Sommer e Vallentyne (1995) mostrou que um ângulo do pé em ortostatismo, calculado pelo o ângulo entre o maléolo medial, a proeminência navicular e a cabeça do primeiro metatarso, menor que 140º (p = 0,0001) e um alinhamento em varo do retro pé ou do ante pé (p = 0,047) foram preditivos de STTM33. Interessantemente, no estudo de Moen e colaboradores (2010), o teste de queda do navicular, mas não o teste do ângulo do pé em ortostatismo, foi associado com a STTM (p = 0,027)21. O estudo de Bandholm e colaboradores (2010) selecionado no presente trabalho (Apêndice – Tabela 1) mostrou maior deformação do arco longitudinal medial (p = 0,037) e maior queda do navicular em ortostatismo (p = 0,046), e maior deformação do arco longitudinal medial durante análise tridimensional da marcha (p = 0,015) em atletas com 16 STTM quando comparados com os controles saudáveis (p = 0,015)26. Marcadores passivos sobre a tuberosidade navicular, o aspecto medial da cabeça do primeiro metatarso e o lado medial do calcâneo foram usados como referências para a operacionalização do arco longitudinal medial26. A congruência do arco longitudinal medial é um dos oito parâmetros do Índice da Postura do Pé, constituindo-se um possível indicativo também de pronação8. Contudo, limitação nesse sentido foi indicada pelos pesquisadores, visto que não encontraram nenhuma relação entre a medida ortostática de deformação do arco longitudinal medial e a medida dinâmica na marcha26. A resistência muscular dos flexores plantares do tornozelo também foi um dos fatores de risco intrínsecos biomecânicos para a STTM abordada por um dos estudos selecionados para o presente trabalho25 (Apêndice – Tabela 1). Madeley e colaboradores encontraram um menor número de repetições no teste de elevação do calcanhar em ortostatismo nos participantes com STTM quando comparados com o grupo controle (p < 0,001), indicando menor resistência muscular dos flexores plantares25. Esses resultados sustentam a proposição etiológica de que a resistência e a fadiga muscular dos músculos da perna poderiam estar envolvidos na etiologia da STTM34. Segundo essa proposição, a fraqueza dos flexores plantares poderia predispor os indivíduos à STTM ao deixar a tíbia exposta à transferência de forças excessivas34. Fyhrie e colaboradores (1998) levantaram a hipótese de que força e resistência dos músculos da perna seriam necessárias para absorver forças de reação do solo e proteger a tíbia da imposição excessiva de cargas mecânicas durante atividades atléticas como a corrida35. Burne e colaboradores (2004), investigando esse mesmo grupo muscular, observaram que a circunferência da panturrilha operacionalizada pelo perímetro máximo da panturrilha corrigido pela espessura da pele foi significativamente menor nos cadetes militares do sexo masculino que desenvolveram STTM (p < 0,04)36. Burne e colaboradores (2004) investigaram ainda a possibilidade de fatores intrínsecos proximais serem considerados no desenvolvimento da STTM, como a ADM do quadril36. Em coorte de 122 cadetes do sexo masculino e 36 cadetes do sexo feminino da Academia de Força Defensiva da Austrália por 12 meses, a ADM do quadril foi medida com o quadril e o joelho flexionados a 90º com o indivíduo em supino, com cada quadril sendo rodado interna e externamente até a sensação final firme do movimento; as amplitudes, relativas à posição inicial, foram medidas em graus. Os pesquisadores mostraram que os cadetes do sexo masculino apresentaram maior ADM interna e externa do quadril (p variando de 0,01 a 0,04 e diferenças de amplitude variando de 8 a 12º para os quadris direito e esquerdo)36. Apesar de 17 essas amplitudes de movimento de quadril não terem sido previamente associadas com a STTM na revisão da literatura deste presente trabalho, uma menor ADM de rotação interna do quadril foi associada com a STTM21. Além disso, a ADM de rotação externa do quadril maior que 65º foi indicada como um preditor de fratura por estresse tibial em militares, uma entidade patológica também caracterizada por dor na perna induzida por exercício e que pode ter fatores etiológicos semelhantes à STTM37. Burne e colaboradores (2004) especularam que alterações na amplitude de rotação interna do quadril poderia alterar a interação do contato do pé com o solo, o que poderia levar a um aumento de imposição de carga sobre a tíbia pósteromedial36. Corroborando com essa especulação, têm sido mostrados, recentemente, acoplamentos temporais entre o complexo do retro pé, tíbia e a articulação do quadril durante a dinâmica dos membros inferiores na marcha, e a interdependência entre alterações de alinhamento de pelve e pé em indivíduos saudáveis38,39. Estudos futuros poderiam investigar o mecanismo pelo qual fatores proximais também poderiam favorecer o desenvolvimento da STTM em corredores. No presente trabalho, uma revisão da literatura recente incluindo apenas estudos dos tipos coorte e caso controle. É importante ressaltar que os estudos inferenciais como o do tipo coorte, ao apresentarem associações estatisticamente significativas, revelam relações existentes, na amostra estudada de corredores, entre a presença de fatores de risco intrínsecos biomecânicos e a STTM. Assim, fornecem evidências de maior força sobre as relações investigadas. Foram encontrados apenas um estudo do tipo coorte e três estudos do tipo caso controle. Estudos do tipo caso controle não permitem fazer inferências sobre fatores de risco do mesmo modo que os estudos do tipo coorte; entretanto, revelam se a presença da STTM está relacionada com a presença de outros fatores. Assim, possibilitam que hipóteses sobre o envolvimento desses fatores, como possíveis fatores de risco, estejam presentes no desenvolvimento da STTM. Estudos futuros poderão investigar hipóteses de fatores de risco intrínsecos biomecânicos proximais também relacionados à STTM, como alterações mecânicas de quadril e pelve. Sendo assim, torna-se também importante ressaltar que o fisioterapeuta deve ser capaz não apenas de identificar os fatores de risco intrínsecos biomecânicos para o desenvolvimento da STTM em corredores, mas de analisar e compreender as possíveis relações biomecânicas por detrás deles em um sistema tão complexo como o musculoesquelético exposto a uma demanda tão específica como a da corrida. 18 5 CONCLUSÃO Uma das estratégias de atuação em prevenção em lesões esportivas é a identificação e o entendimento dos seus fatores de risco. Este trabalho apresentou uma revisão da literatura recente sobre os fatores de risco intrínsecos biomecânicos para o desenvolvimento da STTM em corredores. Os resultados apresentaram estudos que identificaram e analisaram fatores de risco intrínsecos distais, ou seja, que estão relacionados localmente à síndrome, como alterações na postura e na dinâmica do pé e resistência muscular dos flexores plantares do tornozelo. Por outro lado, a literatura tem sugerido que fatores de risco intrínsecos biomecânicos proximais, como a ADM do quadril, também poderiam estar relacionados com o desenvolvimento da STTM. Assim, salienta-se que o fisioterapeuta, profissional da saúde apto a atuar tanto na prevenção quanto na reabilitação de disfunções causadas por overuse como a STTM, deve levar em consideração no seu raciocínio clínico para avaliação e intervenção a identificação dos fatores de risco intrínsecos biomecânicos distais e proximais e as possíveis relações biomecânicas que podem atuar no complexo sistema musculoesquelético exposto à demanda específica da corrida. 19 REFERÊNCIAS 1. REINKING, M. F. 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(2008)24 Caso controle 28 com STTM 12 controles 18 a 56 anos; STTM 43% F Controle 42% F Postura e dinâmica do pé na marcha Retirada precoce do calcanhar (p = 0,003; OR 27); abdução mediotársica na marcha (p = 0,003; OR 123); déficit da ressupinação, comprometendo a impulsão na marcha (p < 0,001; OR 827) Bandholm et al. (2008)26 Caso controle 15 com STTM 15 controles 20 a 32 anos; STTM 60% F Controle 60% F Queda do navicular; deformação do arco longitudinal medial em ortostatismo e durante a marcha Maior queda navicular durante apoio da marcha (p = 0,046); maior deformação do arco longitudinal medial em ortostatismo (p = 0,037); maior deformação do arco longitudinal medial durante a marcha (p = 0,015) Nº. = número; IMC = índice de massa corporal; STTM = síndrome da tensão tibial medial; RR = risco relativo; OR = odds ratio; p = p valor