Research, Society and Development, v. 11, n. 1, e6411124322, 2022 (CC BY 4.0) | ISSN 2525-3409 | DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i1.24322 Avaliação de custos para implantação de equipe de saúde bucal na Estratégia Saúde da Família no estado de Minas Gerais Cost assessment for implementing an oral health team in the Family Health Strategy in the state of Minas Gerais Evaluación de costos para la implementación de un equipo de salud bucal en la Estrategia de Salud Familiar en el estado de Minas Gerais  Recebido: 03/12/2021 | Revisado: 13/12/2021 | Aceito: 17/12/2021 | Publicado: 02/01/2022 Daniela Maria de Souza Vieira ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7067-5674 Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil E-mail: dadivieira@gmail.com Gustavo Campos Santos ORCID: https:// orcid.org/0000-0001-9533-3120 Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil E-mail: gustavocamposai@gmail.com Alexander Itria ORCID: https:// orcid.org/0000-0001-7500-0230 Universidade Federal de São Carlos, Brasil E-mail: alexitria@gmail.com Flávio de Freitas Mattos ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6052-2762 Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil E-mail: f.f.mattos@uol.com.br Carlos José de Paula Silva ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5188-4625 Universidade Federal de Minas Gerais E-mail: case.odo@gmail.com Rafaela da Silveira Pinto ORCID: https://orcid.org/000-0002-6169-7708 Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil E-mail:rafaelasilveirapinto@gmail.com Resumo Os custos da saúde, incluindo a bucal, são relevantes e tendem a ser crescentes, enquanto as fontes de financiamento são limitadas. No Brasil, as avaliações econômicas em saúde, em especial na área da saúde bucal, ainda são incipientes e pouco incorporadas às práticas de gestão. O objetivo deste estudo foi calcular o investimento necessário para implantação de uma Equipe de Saúde Bucal (ESB) no estado de Minas Gerais. A metodologia consistiu numa avaliação econômica parcial do tipo análise de custos. O cálculo dos investimentos foi obtido pela soma dos custos com recursos humanos, equipamentos, móveis, instrumentais e manutenção dos equipamentos odontológicos, sendo estes os custos diretos. Os custos recorrentes foram aqueles dispendidos com energia elétrica, água e telefone. O custo total para implantação de uma ESB no estado de Minas Gerais foi estimado em R$ 67.329,02 para a MOD I, composta por CD e ASB e R$ 67.467,26 para MOD I composta por CD e TSB. Na MOD II o custo de implantação foi de R$ 85.842,46 para a equipe composta por CD, TSB e ASB e de R$ 85.980,70 para a equipe composta por CD e dois TSB. O estudo mostrou que os municípios são os responsáveis pela maior parte do custeio das ações e serviços de saúde bucal na atenção primária. Faz-se necessário que as esferas federal e estadual, particularmente em Minas Gerais, participem de forma mais efetiva na implantação das ESB. Palavras-chave: Serviços de saúde bucal; Sistema Único de Saúde; Investimentos em saúde; Economia da saúde. Abstract Health care costs, including oral health care, are relevant and tend to increase, while funding sources are limited. In Brazil, economic assessments in health, especially in the area of oral health, are still incipient and little incorporated into management practices. The aim of this study was to calculate the investment needed to implement an Oral Health Teams (OHT) in the state of Minas Gerais. The methodology consisted of an economic evaluation of an OHT implementation cost analysis type. The calculation of investments was obtained by adding the costs of human resources, equipment, furniture, instruments and maintenance of dental equipment, which are the direct costs. Recurring costs were those spent on electricity, water and telephone. The total investment cost for implementing an http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i1.24322 Research, Society and Development, v. 11, n. 1, e6411124322, 2022 (CC BY 4.0) | ISSN 2525-3409 | DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i1.24322 2 OHT in the state of Minas Gerais was estimated at BRL 67.329.02 for MOD I, consisting of DS and OHA, and BRL 67.467.26 for MOD I, consisting of DS and OCT. In MOD II, the implementation cost was R$85.842.46 for the team consisting of DS, OCH and OHA and R$85.980.70 for the team consisting of DS and two OCH. The study showed that municipalities are primarily responsible for funding oral health actions and services in primary care. It is necessary that the federal and state spheres, particularly in Minas Gerais, participate more effectively in the implementation of the OHT. Keywords: Oral health services; Unified Health System; Investments in health; Health economics. Resumen Los costos de la atención médica, incluida la atención de la salud bucal, son relevantes y tienden a aumentar, mientras que las fuentes de financiación son limitadas. En Brasil, las evaluaciones económicas en salud, especialmente en el área de salud bucal, son aún incipientes y poco incorporadas a las prácticas de manejo. El objetivo de este estudio fue calcular la inversión necesaria para implementar un ESB en el estado de Minas Gerais. La metodología consistió en una evaluación económica de un tipo de análisis de costos de implementación del ESB. El cálculo de las inversiones se obtuvo sumando los costos de recursos humanos, equipo, mobiliario, instrumental y mantenimiento del equipo odontológico, que son los costos directos. Los costos recurrentes fueron los gastados en electricidad, agua y teléfono. El costo total de inversión para la implementación de un ESB en el estado de Minas Gerais se estimó en BRL 67.329.02 para el MOD I, compuesto por CD y ASB, y BRL 67.467.26 para el MOD I, compuesto por CD y TSB. En el MOD II, el costo de implementación fue de R $ 85.842,46 para el equipo formado por CD, TSB y ASB y de R $ 85.980,70 para el equipo formado por CD y dos TSB. El estudio mostró que los municipios son los principales responsables de financiar las acciones y los servicios de salud bucodental en la atención primaria. Es necesario que los ámbitos federal y estatal, particularmente en Minas Gerais, participen de manera más efectiva en la implementación de la ESB.  Palabras clave: Servicios de salud bucal; Sistema Único de Salud; Inversiones en salud; Economía de la salud. 1. Introdução Nos serviços de saúde é recorrente o desconforto entre o que o serviço público pode ofertar e o que a população almeja. Dado este hiato e devido aos recursos limitados, é impossível atender a todas as ações e necessidades. Quando se opta pela oferta de determinada política pública é restringido o uso deste recurso em outra ação. Torna-se necessário, portanto, compreender os benefícios e os custos de atividades e programas para que opções razoáveis beneficiem toda a sociedade (Ferreira & Loureiro, 2008). Parte considerável das escolhas nos sistemas de saúde não são respaldadas em análises e avaliações econômicas, mas fundamentadas, primordialmente, na distribuição de recursos segundo critérios políticos, áreas geográficas e grupos estratificados de pacientes e comorbidades. No Brasil, as análises em saúde apresentam- se em um contexto em que os métodos ainda são embrionários, pouco incorporados às práticas de gestão e possuem um caráter mais normativo e burocrático, do que subordinado ao planejamento, programação e gerenciamento. Além disso, os instrumentos existentes ainda não se fundamentam como meios de suporte para as tomadas de decisão (Freitas & Leite, 2007). Discernir as prerrogativas e os custos de propostas a serem implementadas é essencial para que as escolhas sejam responsáveis (Silva et al., 2016).  O financiamento público federal específico para a saúde bucal amplificou-se a partir da inserção das equipes de saúde bucal no Programa Saúde da Família em 2000, posteriormente denominado Estratégia de Saúde da Família, representando um avanço significativo das políticas públicas de saúde (Ferreira & Loureiro, 2006). Apesar disto, é possível verificar que com o passar dos anos maior aporte de investimento por parte do poder municipal foi necessário para tornar possível a execução das atividades de saúde bucal (Sobrinho & Espirito Santo, 2013). O padrão brasileiro de pacto federativo, de gestão tripartite, apresenta diferenças colossais entre as capacidades financeiras e as incumbências das três esferas de governo, onde os estados e principalmente os municípios requerem maior participação nas receitas públicas para a saúde, com excessiva interferência da União sobre a autonomia dos mesmos (Sobrinho & Espirito Santo, 2013). Políticas de austeridade constituem-se em processos contemporâneos, neoliberais que exigem imenso sacrifício social, principalmente das populações menos favorecidas. O Brasil empreendeu expressivas reformas fiscais em 2016 e aprovou a http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i1.24322 Research, Society and Development, v. 11, n. 1, e6411124322, 2022 (CC BY 4.0) | ISSN 2525-3409 | DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i1.24322 3 Emenda Constitucional (EC) número 95, estabelecendo o chamado