UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS
CENTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISAS EM ADMINISTRAÇÃO
Kenyth Alves de Freitas
MOBILIDADE URBANA E HÁBITOS DE COMPRA
Efeitos na distribuição e na logística para o varejo
Belo Horizonte
2015
Ficha Catalográfica
F866m
2015
Freitas, Kenyth Alves de.
Mobilidade urbana e hábitos de compra [manuscrito] : efeitos na
distribuição e na logística para o varejo / Kenyth Alves de Freitas. –
2015.
136 f. : il., gráfs, tabs.
Orientador: Ricardo Silveira Martins.
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Minas Gerais,
Centro de Pós Graduação e Pesquisas em Administração.
Inclui bibliografia (f. 100-106) e apêndices.
1. Comportamento do consumidor – Brasil – Teses. 2. Logística –
Teses. 3. Centros comerciais – Teses. 4. Comércio varejista – Teses.
5. Compras – Aspectos sociais – Teses. I. Martins, Ricardo Silveira.
II. Universidade Federal de Minas Gerais. Centro de Pós Graduação e
Pesquisas em Administração. III Título.
CDD: 658.314
Elaborada pela Biblioteca da FACE/UFMG – NMM036/2015
Kenyth Alves de Freitas
MOBILIDADE URBANA E HÁBITOS DE COMPRA
Efeitos na distribuição e na logística para o varejo
Dissertação apresentada ao Centro de Pós-
Graduação e Pesquisas em Administração da
Universidade Federal de Minas Gerais, como
requisito parcial à obtenção do título de Mestre
em Administração.
Orientador: Prof. Dr. Ricardo Silveira Martins
Belo Horizonte
2015
AGRADECIMENTOS
Os “Agradecimentos” são uma parte complicada da dissertação. Primeiro, porque é a última
coisa que fazemos; logo, já pesa a fadiga de todo o trabalho da pesquisa. Segundo, porque
sempre surge o medo de ter se esquecido de alguém que, de alguma forma, contribuiu para
esta jornada. Portanto, já me desculpo por eventuais injustiças. Por fim, porque neste
momento surge a clara consciência de que o fim deste trabalho também representa o fim de
uma importante fase da vida. Por isso, agradecer às pessoas que partilharam este caminho se
torna tão essencial.
À minha família, pelo apoio durante esse período. Sem vocês eu não estaria aqui. A cada
momento que pensei que não seria capaz, vocês estavam lá por mim. Este trabalho é dedicado
a vocês!
Ao professor doutor Ricardo Silveira Martins, sem o qual este trabalho não existiria.
Obrigado por identificar possibilidades de pesquisa que se encaixassem em minha formação e
limitações. Agradeço imensamente as lições que aprendi nesses dois anos. Seu exemplo e sua
dedicação como professor ficarão para sempre em minha memória.
Aos professores do CEPEAD, pela dedicação árdua à tarefa de ensinar, em especial, aos
professores Dr. Carlos Alberto Gonçalves, Dra. Ana Paula Paes de Paula, Dr. Ricardo
Teixeira Veiga, Dr. Marcelo Bronzo Ladeira e Dr. Noel Torres Junior, pelo exemplo da
docência.
Aos colegas do núcleo de pesquisa NIPELOG, pelo convívio, pelas ricas conversas, pela
ajuda mútua e pelas boas risadas. Muito obrigado a Roberta, Osmar, Armando, Bruno,
Yahilina, Camila, Juliana, Henrique e Fabiana!
Aos amigos do mestrado, do doutorado e do pós-doutorado, em especial ao Bruno, Daniella,
Camila, Isabella, João Victor, Joyce, Lívia, Luciana, Rui, Tatielle, Thaís e Wesley, agradeço
pela amizade. Obrigado pelos almoços na Engenharia, pelos brindes, pelos copos quebrados,
pelos churrascos, pelas comemorações pós-defesa, pelos incontáveis cafés, pelo camarão na
moranga, pelos salgadinhos SUL mato-grossenses, pelo Ponchic, pelo escondidinho, pela pera
cozida com queijo, pela viagem de trem, pelo melhor camarão da minha vida, pelo jantar
mexicano (ops! Este não...), pelo casamento TOP, pelas conversas que sempre acabam
terminando num assunto muito esquisito e pelas reuniões de fim de ano, de início de ano, de
aniversários, da Proclamação da República, do Dia do Índio... Enfim, obrigado por fazerem
parte da minha vida!
Por fim, mas não menos importante, aos funcionários da FACE, pelo trabalho de apoio que
facilita tanto nossas vidas e que, por vezes, não é reconhecido. Deixo um abraço a Erika,
Luciana e Vera, pela presteza e gentileza demonstradas comigo.
Obrigado a todos que, direta ou indiretamente, me ajudaram a chegar aqui. Esta conquista é
de vocês também!!! :)
“E a ilha desconhecida, perguntou o homem do leme. A ilha desconhecida não passa duma
ideia da tua cabeça, os geógrafos do rei foram ver nos mapas e declararam que ilhas por
conhecer é coisa que se acabou desde há muito tempo...”
Trecho retirado do livro O Conto da Ilha Desconhecida,
de José Saramago
RESUMO
A intensificação do processo de urbanização nos países em desenvolvimento produz grandes
cidades com graves deficiências de planejamento. Consequentemente, essas deficiências
geram dificuldades na mobilidade de pessoas e produtos, que, por sua vez, originam pressões
sobre os mais diversos hábitos da população, resultando em distorções na configuração do
setor varejista. Este trabalho propõe-se a analisar o fenômeno de transferência de locais de
compras de alguns produtos da cesta de consumo familiar, interpretando-o como um problema
de mobilidade urbana. Para isso foi utilizada a base de dados da Pesquisa dos Orçamentos
Familiares (POF), do IBGE, identificando a diferença entre as escolhas de locais de compra
entre moradores das principais metrópoles brasileiras e dos moradores do interior dos
respectivos estados, considerando sua alteração ao longo do tempo. Foram identificados
indícios que comprovam que a escolha por formatos varejistas de alimentos se alterou ao
longo do período, bem como os locais de compra escolhidos para a aquisição de produtos de
higiene pessoal. Os itens de vestuário não indicaram alterações significativas, sugerindo que
localização e conveniência não são atributos determinantes neste setor. A compra de
aparelhos eletrônicos concentrou-se ainda mais ao longo do período, indicando que escala e
concorrência por preço são fatores importantes nesse setor.
Palavras-chave: Mobilidade urbana. Complexidade logística. Varejo. Locais de compra.
Logística urbana. Distribuição.
ABSTRACT
The intensification of the urbanization process in developing countries produces large cities
with serious planning deficiencies. Consequently, these deficiencies lead to difficulties in
mobility of people and products, in turn, give rise to pressures on the most diverse population
habits, resulting in distortions of the retail sector configuration. This study set out to analyze
the shopping places transfer phenomenon of some products of household consumption basket,
interpreting it as an urban mobility problem. For this, we used the database of the Household
Budget Survey (POF) of the IBGE, identifying the difference between the choices of buying
local residents among the main Brazilian cities and the interior of the respective states,
considering their change over time. Indications were identified showing that the choice of
food retailers formats changed over the period, as well as shopping sites chosen for the
purchase of toiletries. The clothing items did not show significant changes, suggesting that
location and convenience are not decisive attributes that market. The purchase of electronic
devices even more concentrated over the period, indicating that scale and competition price
are important factors in this sector.
Keywords: Urban mobility. Logistical complexity. Retail. Stores. Urban logistics.
Distribution.
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Evolução da urbanização no Brasil, 1940-2010 ................................................. 17
Gráfico 2 - Principais crescimentos da população urbana, por país – 2000-2005 ................... 23
Gráfico 3 – Série histórica de publicações em logística urbana ............................................. 25
Gráfico 4 – Principais métodos de pesquisa utilizados nos periódicos IJOPM e JOM no
período de 2004 a 2009 ........................................................................................................ 25
Gráfico 5 – Evolução da participação dos países em desenvolvimento nas 21 maiores
metrópoles ........................................................................................................................... 36
Gráfico 6 – Crescimento urbano das principais regiões mundiais no período entre 2000 e 2005
............................................................................................................................................ 37
Gráfico 7 – Crescimento das cinco maiores cidades brasileiras de 2000 a 2005 .................... 38
Gráfico 8 – Mercado varejista virtual e baseado em lojas físicas em 2014 (em bilhões) ........ 47
Gráfico 9 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com produtos alimentícios
nas regiões metropolitanas (%)............................................................................................. 73
Gráfico 10 – Participação de consumidores, por países, que pagariam mais pela conveniência
............................................................................................................................................ 76
Gráfico 11 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas Cereais e Leguminosas
(%)....................................................................................................................................... 78
Gráfico 12 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Frutas (%)........... 79
Gráfico 13 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Farinhas e Massas
(%)....................................................................................................................................... 80
Gráfico 14 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Açucarados e
Confeitos (%) ....................................................................................................................... 81
Gráfico 15 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Carnes (%) ......... 82
Gráfico 16 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Carnes (%) ......... 84
Gráfico 17 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Artigos de
Vestuário (%) ....................................................................................................................... 85
Gráfico 18 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Produtos
Eletrônicos (%) .................................................................................................................... 87
Gráfico 19 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Produtos
Alimentícios na edição de 2008/2009 (%) ............................................................................ 90
Gráfico 20 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Artigos de Higiene
Pessoal na edição de 2008/2009 (%) .................................................................................... 92
Gráfico 21 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Artigos de
Vestuário na edição de 2008/2009 (%) ................................................................................. 93
Gráfico 22 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Artigos de
Vestuário na edição de 2008/2009 (%) ................................................................................. 94
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Evolução da logística .......................................................................................... 29
Figura 2 – Problemas causados pela carga urbana ................................................................ 33
Figura 4 – Forças atuantes na urbanização ............................................................................ 57
Figura 5 – Histórico das pesquisas dos orçamentos familiares realizadas pelo IBGE ............ 60
Figura 6 – Unidades da federação selecionadas para análise ................................................. 66
Figura 7 – Variáveis selecionadas para a pesquisa ................................................................ 70
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Impactos, motivos e problemas gerados pela carga urbana na mobilidade das
cidades ................................................................................................................................. 42
Quadro 2 – Evolução do varejo no Brasil ............................................................................. 45
Quadro 3 – Restrições ao grande varejo nos centros urbanos ................................................ 49
Quadro 4 – Critérios de avaliação do consumidor na escolha de uma loja ............................. 51
Quadro 5 – Descrição dos principais formatos varejistas identificados na pesquisa .............. 68
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com produtos
alimentícios nas regiões metropolitanas.............................................................................. 126
Tabela 2 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com cereais e
leguminosas nas regiões metropolitanas ............................................................................. 126
Tabela 3 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com frutas nas regiões
metropolitanas ................................................................................................................... 127
Tabela 4 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com farinhas e massas
nas regiões metropolitanas ................................................................................................. 127
Tabela 5 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com açúcares e
confeitos nas regiões metropolitanas .................................................................................. 128
Tabela 6 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com carnes nas regiões
metropolitanas ................................................................................................................... 128
Tabela 7 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com produtos de higiene
nas regiões metropolitanas ................................................................................................. 129
Tabela 8 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com artigos de vestuário
nas regiões metropolitanas ................................................................................................. 129
Tabela 9 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com produtos
eletrônicos nas regiões metropolitanas ............................................................................... 130
Tabela 10 – Comparação dos principais locais de compra nas despesas com produtos
alimentícios nas regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2002/2003 ................ 130
Tabela 11 – Comparação dos principais locais de compra nas despesas com produtos
alimentícios nas regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2008/2009 ................ 131
Tabela 12 – Comparação dos principais locais de compra de frutas nas regiões metropolitanas
e cidades do interior, edição 2002/2003 .............................................................................. 131
Tabela 13 – Comparação dos principais locais de compra de frutas nas regiões metropolitanas
e cidades do interior, edição 2008/2009 .............................................................................. 132
Tabela 14 – Comparação dos principais locais de compra de carnes nas regiões metropolitanas
e cidades do interior, edição 2002/2003 .............................................................................. 132
Tabela 15 – Comparação dos principais locais de compra de carnes nas regiões metropolitanas
e cidades do interior, edição 2008/2009 .............................................................................. 133
Tabela 16 – Comparação dos principais locais de compra de artigos de higiene pessoal nas
regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2002/2003 .......................................... 133
Tabela 17 – Comparação dos principais locais de compra de artigos de higiene pessoal nas
regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2008/2009 .......................................... 134
Tabela 18 – Comparação dos principais locais de compra de artigos de vestuário nas regiões
metropolitanas e cidades do interior, edição 2002/2003 ...................................................... 134
Tabela 19 – Comparação dos principais locais de compra de artigos de vestuário nas regiões
metropolitanas e cidades do interior, edição 2008/2009 ...................................................... 135
Tabela 20 – Comparação dos principais locais de compra de artigos eletrônicos nas regiões
metropolitanas e cidades do interior, edição 2002/2003 ...................................................... 135
Tabela 21 – Comparação dos principais locais de compra de artigos eletrônicos nas regiões
metropolitanas e cidades do interior, edição 2008/2009 ...................................................... 136
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
ABIHPEC – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.
BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
ENDEF – Estudo Nacional de Despesas Familiar.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
IJOPM – International Journal of Operations and Production Management.
IPC – Índice de Preços ao Consumidor.
IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
JOM – Journal of Operations Management.
ONU – Organização das Nações Unidas.
PBLAct – Plan and Building Act.
POF – Pesquisa do Orçamento Familiar.
RM – Regiões Metropolitanas.
UF – Unidades da Federação.
WBCSD – World Business Council for Sustainable Development.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 17
1.1 Problema de pesquisa ................................................................................................... 19
1.2 Justificativa .................................................................................................................. 21
1.3 Objetivos ....................................................................................................................... 26
1.3.1 Objetivo geral.............................................................................................................. 26
1.3.2 Objetivos específicos ................................................................................................... 26
2 MARCO TEÓRICO-CONCEITUAL ............................................................................ 27
2.1 Logística ........................................................................................................................ 27
2.1.1 Logística urbana e distribuição urbana de cargas ......................................................... 30
2.2 Mobilidade urbana ....................................................................................................... 35
2.3 Varejo ........................................................................................................................... 44
2.3.1 Escolha do local de compra ......................................................................................... 51
2.4 Nova geografia econômica ........................................................................................... 53
2.5 Informações gerais da Pesquisa de Orçamentos Familiares ....................................... 58
2.5.1 Definição da amostra e método de coleta ................................................................. 61
3 MÉTODO DE PESQUISA ............................................................................................. 63
3.1 Caracterização da pesquisa ......................................................................................... 63
3.2 Escolha das variáveis ................................................................................................... 63
3.2 Descrição dos métodos de pesquisa ............................................................................. 69
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS .................................................................................... 71
4.1 Evolução do varejo nas regiões metropolitanas .......................................................... 71
4.1.1 Produtos alimentícios .................................................................................................. 72
4.1.2 Produtos de higiene pessoal ......................................................................................... 82
4.1.3 Itens de vestuário......................................................................................................... 84
4.1.4 Artigos eletrônicos ...................................................................................................... 86
4.2 Comparação entre o varejo das regiões metropolitanas e das cidades do interior .... 88
4.2.1 Produtos alimentícios .................................................................................................. 88
4.2.2 Produtos de higiene pessoal ......................................................................................... 91
4.2.3 Artigos de vestuário .................................................................................................... 92
4.2.4 Artigos eletrônicos ...................................................................................................... 93
4.3 Influências das alterações nas forças do varejo na logística ....................................... 95
5 CONCLUSÕES ............................................................................................................... 97
REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 100
APÊNDICE A .................................................................................................................. 107
APÊNDICE B ................................................................................................................... 112
APÊNDICE C .................................................................................................................. 126
17
1 INTRODUÇÃO
O Brasil passou por intenso processo de urbanização no último século. Estimativas realizadas
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a taxa de urbanização
saltou de 31% em 1940 para aproximadamente 84% em 2010. Além do mais, a dispersão
populacional das cidades se deu de maneira desigual: apenas as regiões metropolitanas
abrigavam 40% da população (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA – IBGE,
2010).
Gráfico 1 – Evolução da urbanização no Brasil, 1940-2010
0,00%
10,00%
20,00%
30,00%
40,00%
50,00%
60,00%
70,00%
80,00%
90,00%
100,00%
1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2007 2010
Fonte: IBGE (2010).
Essa concentração populacional nas grandes cidades criou uma série de problemas, por
exemplo, comprometimento da mobilidade urbana de pessoas, diminuição da qualidade de
vida geral da população, dificuldade no transporte urbano de cargas e problemas no
suprimento dos estabelecimentos comerciais (LIMA JÚNIOR, 2011).
A própria manutenção da rede de suprimentos de produtos no varejo se tornou ainda mais
complexa. Os modelos de negócio adotados pelas empresas evoluíram nas últimas décadas,
absorvendo novos elementos, pressões e riscos. O processo de concorrência induziu as
empresas a adotarem uma série de medidas que levaram a redução de custos com estoque e
transporte (ZINN, 2012).
18
Com níveis de estoques mais baixos, as empresas aumentaram consideravelmente os riscos de
ruptura dos fluxos de suprimentos, insumos e de distribuição de produtos (ZINN, 2012).
Adicione-se a esse cenário os crescentes problemas de mobilidade urbana nos grandes
centros. A movimentação urbana de cargas é fundamental para a economia, em caráter não
apenas local como também global. A distribuição de cargas nas cidades pode ser encarada
como o último elo de uma longa cadeia de distribuição que liga o fabricante ao consumidor
final (LAMBERT; STOCK; VANTINE, 1998).
Para garantir a própria viabilidade no mercado, as empresas foram compelidas a desenvolver
suas capacidades logísticas internamente e, em especial, no relacionamento com os demais
integrantes da rede de suprimentos (ZINN, 2012). O resultado foi a evolução dos processos
logísticos e o aumento da importância estratégica da logística nas organizações. Em muitos
casos, a necessidade das empresas em atuar em escala global e de estabelecer coordenação
externa entre parceiros, fornecedores e clientes em sua rede de suprimentos tornou a logística
ainda mais estratégica para as organizações (LIMA, 2003; LAMBERT; STOCK; VANTINE,
1998).
Zinn (2012) explica que os novos modelos de negócio geram redes de suprimentos cada vez
mais complexas, o que cria diversos desafios logísticos para as organizações. Os desafios
fazem parte das estratégias, citando entre elas: a multiplicidade de produtos, a multiplicidade
dos pontos de venda e a terceirização de atividades. A multiplicidade de produtos, é uma
estratégia que visa criar maior diversidade de produtos destinados a segmentos específicos. O
lançamento dessa maior variedade de bens no mercado requer maior nível de precisão na
previsão de demanda e de estoques no varejo. A multiplicidade de pontos de venda se
enquadra na noção de “comercialização embaralhada”, em que os produtos estão disponíveis
ao consumidor em formas de varejo não-tradicionais. A terceirização das atividades ocorreu
em função do aumento da concorrência, exigindo que as empresas se tornassem competentes
em todos os aspectos da logística (ZINN, 2012).
Além do novo patamar de complexidade gerado pelas forças de mercado, a logística passou a
enfrentar novos e, ou, agravados desafios. Embora a mídia brasileira tenha dado mais
importância ao problema de mobilidade de pessoas, a movimentação urbana de cargas
emergiu como uma importante questão para as empresas, o Poder Público e os consumidores.
A relação entre esses agentes econômicos e o transporte urbano de cargas nas cidades
brasileiras é, no mínimo, paradoxal (LIMA, 2003).
19
As empresas se encontram atualmente em uma situação difícil, pois têm que alcançar
eficiência operacional para crescerem no mercado competitivo, mas os congestionamentos e
as dificuldades de acesso restringiram o cumprimento de prazos e a manutenção da
produtividade. O Poder Público, por sua vez, tem a função de regulamentar e minimizar os
impactos do transporte urbano de carga na rotina da população. Todavia, sua atuação pode
resultar em novos problemas. O consumidor deseja ser atendido com uma variedade cada vez
maior de produtos disponíveis em diversas formas de acesso, mas tem sua qualidade de vida
prejudicada em função da desordem e da poluição atribuídas à frota de cargas (ZINN, 2012;
LIMA, 2003).
Lima Júnior (2011) sustenta que os reflexos negativos do transporte urbano induzem a
alterações no comportamento dos consumidores, que buscam alternativas mais viáveis para
manter o próprio consumo. De acordo com Corrêa (1989), as ações dos agentes urbanos
levam ao processo de reorganização espacial da cidade, incorporando novas áreas e ou
alterando o caráter de outras. Nesse contexto é que se insere o crescimento do comércio de
bairro.
1.1 Problema de pesquisa
A logística é responsável por criar condições para a realização da compra nos termos
acordados entre empresa e cliente. Os bens e serviços têm pouco ou nenhum valor para o
cliente se não estiverem disponíveis no lugar e no tempo necessários. Logo, o tempo e o lugar
são fatores-chave da qualidade do fluxo de produtos que unem empresas e consumidores,
também designados de “nível de serviço” (BALLOU, 1997).
A mobilidade de pessoas e bens nos grandes centros urbanos tende a ser cada vez mais difícil,
em virtude de o número de deslocamentos e a distância serem maiores do que nas pequenas
cidades. Este fato ocorre devido à dispersão da cidade por uma área geograficamente maior e
ao aumento da população residente em áreas periféricas, transformando congestionamentos e
dificuldades de acesso em eventos mais rotineiros e graves (LIMA JÚNIOR, 2011;
DABLANC, 2007).
A distribuição urbana de cargas convive com esses problemas, que limitam o cumprimento de
prazos e geram queda na eficiência do serviço logístico. As áreas urbanas constituem um
espaço complexo, caro e restrito, características que as tornam pouco convenientes para a
20
execução das atividades logísticas (LIMA JÚNIOR, 2011). O resultado gera restrições ao
cumprimento de prazos, redução na eficiência do serviço e impactos negativos na qualidade
de vida da população (ZINN, 2012).
De acordo com Kotler e Keller (2006), a busca por conveniência é determinante na decisão
dos consumidores pelos locais em que irão realizar suas compras. A escolha do
estabelecimento de compra leva em conta as decisões sobre onde e quando comprar. A
primeira reflete a opção pela localização do estabelecimento de compra e a segunda, a
frequência de visitas ao estabelecimento e o tempo de deslocamento necessário para realizar a
compra.
Kahn e Schmittlein (1989) argumentam que os consumidores tendem a comprar em um
estabelecimento mais próximo produtos de consumo imediato e ou inesperado, buscando lojas
mais distantes para compras regulares e previsíveis. A localização do estabelecimento é um
fator-chave para o sucesso da empresa. Dessa forma, torna-se importante entender como os
problemas de mobilidade urbana afetam as escolhas por locais de compra do consumidor,
visto que tempo e lugar são fatores-chave no processo de decisão.
Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Euromonitor (2015) aponta que uma das
principais tendências globais de consumo para este ano é a busca do consumidor por
conveniência no momento da compra. Essa tendência indica a preferência do consumidor em
realizar suas compras gastando o menor tempo possível nesta atividade, indicando a volta dos
consumidores ao pequeno comércio do bairro.
O questão central que este estudo se propõe a responder é: Identificar quais setores varejistas
foram influenciados pelo consumo de conveniência orientados por fatores de mobilidade e
discutir os efeitos na logística e na distribuição.
O estudo foi desenvolvido em regiões metropolitanas brasileiras, por meio da investigação
dos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Levantamentos regulares realizados
pelo IBGE, a POF têm por o objetivo mensurar as estruturas de consumo, despesas e
rendimentos das famílias brasileiras no intervalo de um ano, possibilitando analisar as
condições de vida da população, com base no orçamento doméstico. Os dados obtidos
possuem múltiplas aplicações, como: apoio ao desenvolvimento de estudos sobre a
composição de gastos familiares; identificação de disparidades regionais; bem como no
subsídio para a criação de políticas públicas na área social (IBGE, 2014).
21
A base de dados da POF contempla uma série de informações dos produtos adquiridos pelos
moradores do domicílio, incluindo os locais de compra utilizados na aquisição. Entre os mais
de 600 locais de compra observados na pesquisa, estão: supermercados, vendedores
ambulantes, padarias, lanchonetes, açougues, peixarias, feiras livre, drogarias, entre outros.
Com base nas alterações nos locais de compra de determinados produtos ao longo das últimas
três edições da POF, no período compreendido entre 1995 e 2008, este trabalho pretende
identificar fatores como multiplicidade de pontos de venda, transferência de locais de compra
e crescimento de consumo em locais de compra comumente próximos ao domicílio das
famílias, tratando essas alterações como uma resposta logística aos desafios da mobilidade
urbana nos grandes centros.
A base de dados consultada permitiu analisar as descrições tomadas pelos moradores dos
domicílios dos municípios das regiões metropolitanas e dos municípios do interior. A partir
dessa comparação, foram identificados os locais de compra comumente usados na aquisição
de determinados tipos de produtos. Para isso, foram analisados os dados das edições de
1995/1996, 2002/2003 e 2008/2009 da POF, disponibilizados pelo IBGE.
1.2 Justificativa
O setor varejista, além de sua clara importância econômica e social, é alvo de interesse
acadêmico, devido às alterações sofridas nas últimas décadas, as quais fornecem importantes
informações sobre a definição das estratégias do setor e a formação de futuras políticas
públicas de desenvolvimento:
Ao longo das últimas décadas, as instituições varejistas vêm atravessando um
intenso ritmo de transformação. Se viajasse de volta, pelo túnel do tempo, e
desembarcasse em uma metrópole brasileira da década de 60, se ficaria surpreso ao
verificar que a maioria dos atuais formatos de loja não existia naquela época. Não se
encontrariam shopping centers, ou hipermercados, ou lojas de conveniência, ou
clubes de compra ou autosserviços de material de construção, ou lanchonetes fast-
food, ou restaurantes por quilo, ou redes de franquias ou locadoras de vídeo ou pet
shops, nem lojas de informática, nem empresas globalizadas como o Carrefour,
C&A, Wal-Mart. Ao longo desses 40 anos, muitos modelos de lojas foram cedendo
lugar aos novos formatos, mais eficientes e mais adequados às novas necessidades
do mercado consumidor (PARENTE, 2000, p. 15).
A identificação e a compreensão das alterações na escolha do local de compra pelos
consumidores são importantes contribuições para o entendimento da evolução do varejo. No
final da década de 1990, o pesquisador Morrison (1998) identificou a tendência de que os
22
novos consumidores ficariam cada vez mais exigentes com relação aos padrões de serviços,
preço e possiblidades de aquisição de produtos em diversos pontos de venda. Essas tendências
se tornaram realidade e passaram a influenciar as decisões de compra no varejo.
Grandini (2009) defende que o aumento da importância dada pelo consumidor ao tempo e à
conveniência já é uma realidade no Brasil. Segundo o autor, esses dois elementos são mais
importantes que a marca e, em alguns casos, que o preço do produto. As frases abaixo, citadas
nos meios de comunicação, refletem as mudanças nos hábitos de compra do consumidor
brasileiro:
O consumidor brasileiro está menos fiel aos supermercados e procura cada vez mais
alternar locais de compra de acordo com a sua conveniência (O ESTADO DE SÃO
PAULO, 2005).
Supermercados: a vez dos pequenos. Os brasileiros preferem as lojas da vizinhança
por causa da comodidade de estarem perto de casa e o atendimento mais
personalizado (O ESTADO DE SÃO PAULO, 2004).
Classe C: expansão impulsiona comércio em bairros populares (A TARDE, 2013).
Comércio avança para os bairros e revitaliza a economia local (JORNAL DO
SISTEMA COMÉRCIO, 2013).
Comércio nos bairros se diversifica e é opção mais fácil para compras no Natal
(JORNAL CRUZEIRO DO SUL, 2014).
Para crescer, redes de supermercado apostam em “mercadinhos”. Mudança no
hábito de consumo e de mobilidade têm levado as empresas a apostarem em novos
formatos (ÉPOCA NEGÓCIOS, 2015).
O consumidor tem buscado identificar alternativas de produtos, marcas e locais de compra
que satisfaçam sua necessidade de consumo. A localização, portanto, torna-se um fator chave
para o sucesso de algumas empresas varejistas. Fatores comportamentais, como necessidade
de redução de tempo e busca por conveniência, resultam em maior atratividade dos
estabelecimentos mais próximos ao local de trabalho ou ao domicílio (LIMA JÚNIOR, 2011).
De acordo com Parente (2000), o varejo deve ter como prioridade compreender o
comportamento do consumidor. Portanto, entender quais são os motivos que levam seus
clientes a escolherem determinado formato de varejo se torna uma importante informação na
corrida competitiva. Para o autor, a escolha do local de compra se baseia nas características
sociodemográficas do consumidor e em suas necessidades.
Levy e Weitz (2000) explicam que o mercado varejista é um ambiente de negócios com
muitos desafios, em virtude da crescente mudança nas necessidades dos consumidores. Com
23
estratégia para manter e atrair consumidores, torna-se necessária a adoção de novos formatos
de varejo ou adaptar os formatos já existentes às necessidades dos clientes. Um dos principais
desafios das empresas, não apenas do setor varejista, é lidar com os problemas de mobilidade
urbana (LIMA JÚNIOR, 2011).
A população brasileira tem a característica de ser altamente concentrada em poucas cidades,
tanto que aproximadamente 84% dos habitantes residem em áreas urbanas e apenas 455
municípios concentram mais de 55% do total de habitantes. De acordo com estudo realizado
pelo Ministério das Cidades (2006), as nove principais regiões metropolitanas1 concentram
30% da população urbana. O processo de urbanização no Brasil, apesar de consolidado,
apresenta um dos maiores crescimentos mundiais, de acordo com o Gráfico 2
(EUROMONITOR, 2005).
Gráfico 2 - Principais crescimentos da população urbana, por país – 2000 a 2005
Fonte: Euromonitor (2005).
1 De acordo com o Ministério das Cidades (2006), as principais regiões metropolitanas brasileiras são Belo
Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.
24
De acordo com Gatti Júnior (2011), o panorama das cidades brasileiras das últimas décadas
aliou crescimento populacional e desorganização no planejamento urbano, resultando na
deterioração da mobilidade urbana como um todo. Os problemas de transporte nas cidades
resultam em perdas econômicas, ambientais e sociais para a população residente das grandes
metrópoles. De acordo com Allen et al. (2002), o transporte urbano de cargas é responsável
por sustentar o estilo de vida dos moradores das cidades.
Apesar da clara importância da logística de cargas nos centros urbanos, até recentemente o
assunto não era alvo de interesse acadêmico ou governamental. Segundo Allen et al. (2003),
ocorreram poucas pesquisas ou discussões políticas envolvendo este assunto, entre 1980 e
2000. Apenas em 2001 é que publicado na Europa um documento oficial que visava à
formulação de uma política pública de transporte baseada na logística urbana de cargas.
Todavia, o documento não apresentava soluções técnicas para a resolução dos problemas
vigentes.
De acordo com a revisão bibliográfica realizada por Oliveira (2013), o número de trabalhos
publicados no Brasil envolvendo logística urbana ainda é restrito. No período de 2001 a 2012,
foram realizadas 15 dissertações e 4 teses, e apenas 42 artigos foram publicados em
congressos brasileiros referentes a essa temática. Analisando a série histórica das publicações
brasileiras (Gráfico 3) pode-se identificar um número ainda restrito de trabalhos, embora se
reconheça lenta tendência de crescimento. O histórico de publicações reflete, além de uma
área ainda pouco explorada pela academia, poucos trabalhos empíricos.
Das publicações analisadas na pesquisa, aproximadamente 56% têm caráter conceitual, 25%
apresentam a aplicação dos conceitos de logística urbana, 11% são baseadas em modelagem,
6% são estudos de caso e 2% são diagnósticos (OLIVEIRA, 2013). Segundo Gatti Júnior
(2011), existe uma carência de estudos sobre logística urbana de cargas no Brasil, em especial
de trabalhos que tratem da relação entre logística e mobilidade urbana.
25
Gráfico 3 – Série histórica de publicações em logística urbana
Fonte: Oliveira (2013).
Gráfico 4 – Principais métodos de pesquisa utilizados nos periódicos IJOPM e JOM no
período de 2004 a 2009
Fonte: Taylor e Taylor (2010).
Outra contribuição deste trabalho consiste no o uso de dados secundários para a análise do
problema da pesquisa. De acordo com Taylor e Taylor (2010), o uso de dados secundários
envolvendo pesquisas em operações ainda é restrito. Análise realizada nas publicações de dois
importantes periódicos internacionais, International Journal of Operations & Production
26
Management (IJOPM) e Journal of Operations Management (JOM), indica que o uso de
dados secundários responde apenas por, respectivamente, 9,03% e 14,49% dos métodos de
pesquisa utilizados nos artigos de operações publicados por esses periódicos, no período entre
2004 e 2009 (Gráfico 4).
1.3 Objetivos
1.3.1 Objetivo geral
Analisar a ocorrência de alterações nos locais de compra de alguns produtos da cesta de
consumo das famílias brasileiras entre os anos de 1995 e 2009, avaliando o papel das
deficiências em mobilidade urbana no aumento da complexidade logística no Brasil. Para a
consecução desse objetivo foram utilizados os dados coletados na Pesquisa dos Orçamentos
Familiares (POF), realizada pelo IBGE, nas edições 1995/1996, 2002/2003 e 2008/2009.
1.3.2 Objetivos específicos
Identificar a tendência da transferência de locais de compra nos anos de 1995 a 2009 em
oito das regiões metropolitanas brasileiras2, com base nos dados da POF (edições
1995/1996, 2002/2003 e 2008/2009);
Comparar as escolhas dos locais de compra pelos consumidores residentes nas regiões
metropolitanas e no interior dos respectivos estados nas edições 2002/2003 e 2008/2009 da
POF;
Discutir os resultados encontrados sob a ótica da logística e da mobilidade urbana.
2 As regiões metropolitanas definidas para a análise foram: Belém (região Norte), Fortaleza, Recife e Salvador
(região Nordeste), Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo (região Sudeste) e Curitiba e Porto Alegre
(região Sul).
27
2 MARCO TEÓRICO-CONCEITUAL
2.1 Logística
“O valor na logística é expresso em termos de tempo e lugar” (BALLOU, 1997).
O desenvolvimento das atividades logísticas ao longo da história teve um claro caráter militar.
Durante as campanhas militares, verificou-se a necessidade de suprir as tropas com diversos
recursos como medicamentos, alimentos, armamentos e equipamentos, e, ao mesmo tempo,
retirar do campo de batalha soldados feridos, mortos e prisioneiros. O resultado foi a
formação de um complexo sistema logístico, que oferecia apoio às estratégias militares
(TIXIER et al., 1983).
O reconhecimento da importância da logística no apoio às estratégias ocorre desde o início do
século passado, embora tenha atingido maior notoriedade após as ações militares da Guerra
do Golfo, em 1991. Naquela circunstância, pôde-se perceber a importância do uso estratégico
da logística, com base na eficiência e na rapidez oferecidas às atividades bélicas e em seu
papel decisivo no sucesso dessa campanha militar (NOVAES, 2007).
Embora as organizações militares já compreendessem o valor do planejamento logístico, o
uso da logística nas empresas ainda era feito de forma tímida, restringindo-se às atividades de
transporte e estoque. A partir da segunda metade do século XX, foi identificada uma série de
tendências que implicavam a necessidade de aprofundar o desenvolvimento das atividades
logísticas. Entre essas tendências, pode-se listar: intensificação do processo de globalização
das organizações, melhoria das tecnologias de informação e surgimento de novas demandas
do consumidor (ZINN, 2012; BALLOU, 1993).
Após a Segunda Guerra Mundial, as empresas americanas voltaram sua atenção para a
necessidade de atender a um mercado consumidor ávido por produtos industriais. Com o
crescimento da renda e das exigências dos próprios consumidores, houve avanço significativo
na diversidade, na qualidade e na rapidez da oferta de bens. Essa nova realidade lançou as
empresas em um ambiente mais competitivo, além de pressionar os custos, os preços e a
margem de lucro. Nesta fase, as empresas se viram obrigadas a elevar a estocagem de
produtos e insumos. Os níveis de estoque eram considerados elementos-chave no
28
balanceamento da cadeia de suprimentos, evitando eventuais interrupções no recebimento de
insumos e no fornecimento de produtos (NOVAES, 2007).
A busca por diversificação de mercados levou as empresas a atuarem internacionalmente,
expandindo suas fronteiras entre os países. As empresas começaram a estabelecer
relacionamentos com parceiros, fornecedores e clientes internacionais. A intensificação do
processo de globalização elevou a complexidade do ambiente, visto que o operacional das
empresas precisou ser expandido para uma escala global. Isso significou criar uma estrutura
capaz de produzir, armazenar, transportar e manter o nível de serviço de forma eficiente em
diferentes partes do mundo. Para isso, fez-se necessário que as empresas impulsionassem o
desenvolvimento de suas capacidades logísticas (ZINN, 2012; BALLOU, 1993).
As principais respostas consistiram na busca por eficiência nos processos produtivos e na
redução dos custos com estoques, além da resposta às exigências do mercado por prazos e
qualidade dos serviços logísticos. Apesar desses esforços, os desafios se ampliaram pela
concentração populacional nos grandes centros urbanos. A grande densidade populacional,
aliada ao pouco ou inexistente planejamento dessas cidades, resultou em maior complexidade
e em aumento do custo da distribuição urbana de cargas (ZINN, 2012; LIMA, 2003).
Nesse contexto, a logística surge para oferecer apoio às novas estratégias e demandas por
eficiência. Baseada fortemente no avanço das tecnologias da informação, a logística ascendeu
de apenas uma atividade de apoio, restrita às funções de armazenagem e transporte, para ser
considerada uma atividade estratégica, elemento integrador da cadeia de suprimentos (Figura
1).
Novaes (2007) divide a evolução conceitual da logística em quatro estágios distintos:
Estágio 1: Logística Subdesenvolvida. Observada até a década de 1970, as atividades
logísticas focavam na eficiência da distribuição física, compreendendo as atividades de
transporte, armazenagem, controle de inventário, processamento de pedidos e expedição.
Estágio 2: Logística Incipiente. Observada na década de 1980, o foco estava na
integração entre as funções logísticas, objetivando a maximização da eficiência. Ênfase
clara nas funções de transporte e armazenagem.
Estágio 3: Logística Interna Integrada. Observada na década de 1990, caracterizava-se
pela busca por competitividade, por meio do controle de qualidade, da oferta de serviços
29
aos clientes, da formulação de equipes internas interfuncionais e do estabelecimento de
parcerias com os elos diretos da cadeia de suprimentos.
Estágio 4: Logística Externa Integrada. Observada no final da década de 1990 e início
da década de 2000, possuía clara preocupação com o estabelecimento de relacionamentos
entre os agentes ao longo da cadeia, por meio de planejamento colaborativo e do
compartilhamento de informações.
Figura 1 – Evolução da logística
Fonte: Adaptado de Novaes (2007).
O Council of Logistics Management define a logística como
[...] o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e
economicamente eficaz de matérias-primas, estoque em processo, produtos acabados
e informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o
propósito de atender às exigências dos clientes.
De acordo com Ballou (2006, p. 27), a logística pode ser definida como “o processo de
planejamento, implantação e controle do fluxo eficiente e eficaz de mercadorias, serviços e
das informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo com o propósito
de atender às exigências dos clientes”. Segundo o autor, o principal objetivo das atividades
logísticas é conciliar, de forma simultânea, o máximo nível de serviço com o menor custo
total possível. Ou seja, as empresas precisam proporcionar um nível desejado de serviço ao
cliente e, ao mesmo tempo, oferecer o custo mais baixo que seus concorrentes.
As competências logísticas têm a função de criar as condições para que a compra se
concretize nos termos estabelecidos entre empresas e clientes. Bens e serviços têm pouco ou
30
nenhum valor de mercado se não estiverem disponíveis para consumo no lugar e no tempo
necessários, atendendo às demais particularidades desejadas pelo cliente. Como argumenta
Ballou (1997), tempo e lugar são fatores-chave para o estabelecimento de um fluxo de bens e
serviço com qualidade, também conhecido por “nível de serviço”.
A logística agrega ao negócio não apenas os valores de tempo, lugar e qualidade, mas também
o valor de informação. A intensificação do uso de sistemas que permitem o compartilhamento
de informação oferece à logística uma série de competências, por exemplo: a formação de
parcerias entre fornecedores e clientes; acesso mútuo às informações; identificação de
desperdícios; e aplicação de esforços na agregação de valor ao cliente final (ZINN, 2012).
O reconhecimento da logística como fonte geradora de vantagens competitivas nas
organizações se dá por meio da capacidade de estabelecer vínculos entre os elos da cadeia
suprimentos em um ambiente competitivo cada vez mais complexo. Nesse contexto, inserem-
se os desafios relacionados à mobilidade de cargas e pessoas nos grandes centros urbanos.
Problemas de mobilidade urbana impactam as operações de distribuição de mercadorias e as
estratégias de multiplicidade de locais de compra e, por fim, influenciam o comportamento do
consumidor (ZINN, 2012; LIMA, 2003).
2.1.1 Logística urbana e distribuição urbana de cargas
O transporte de produtos no meio urbano constitui um fator fundamental para a maioria das
atividades econômicas e sociais. Para os moradores da cidade, a movimentação urbana de
cargas é responsável por abastecer os locais de compra com produtos que atendam a suas
necessidades. Para as empresas, representa a manutenção do fluxo de insumos e produtos que
abastece a si próprias, clientes e consumidores finais. Para o Poder Público, representa uma
atividade vital para a economia e, consequentemente, para a manutenção dos níveis de
tributação (BENJELLOUN; CRAINIC, 2009).
A concentração demográfica nos grandes centros urbanos confere a eles o papel de núcleos de
consumo, visto que parte considerável da produção é destinada ao abastecimento dessas
regiões (BENJELLOUN; CRAINIC, 2009). As áreas urbanas constituem um espaço
complexo, caro e restrito, características que as tornam pouco convidativas para a execução
das atividades logísticas. Apenas a movimentação de cargas representa, em média, 25% do
tráfego de automóveis das cidades, sendo que o número de veículos destinados a esta função
31
tende a aumentar em razão do crescimento da produção, das práticas de controle de estoques e
de pedidos fracionados (DABLANC, 2007; BALLOU, 1997).
Devido à clara importância econômica e social das atividades logísticas nas cidades e das
implicações resultantes destas atividades na rotina dos agentes urbanos, foi constituído um
campo de estudos específico para tratar dessa temática. A logística urbana pode ser definida
como o processo de eficiência na execução das atividades logísticas realizadas por empresas
privadas em áreas urbanas, a partir da análise do ambiente de tráfego, dos congestionamentos
e do consumo de energia (TANIGUCHI et al., 1999).
França e Rubin (2005) argumentam que os aspectos tratados pela logística urbana, tais como
melhoria do transporte, soluções de armazenamento e de transbordo, são insuficientes para
tratar os impactos que as atividades logísticas impõem aos agentes urbanos. Apesar dos
avanços que a logística urbana trouxe na discussão sobre a realidade das empresas que atuam
no ambiente urbano, os problemas do transporte urbano de cargas não envolvem apenas
empresas, como também o Poder Público e os moradores das cidades.
A partir dessa realidade, surge o conceito de city logistics, uma estratégia de cooperação com
o objetivo de tornar o processo de distribuição mais eficiente. Esse conceito abrange desde a
logística urbana, como também elementos relativos ao planejamento urbano, infraestrutura,
meio ambiente, segurança viária, otimização dos custos com transportes e desempenho
econômico nos níveis local, regional e nacional (HESSE, 1995).
Os problemas de logística urbana, analisados pela visão do city logistics, buscam reduzir os
impactos provocados pela movimentação de cargas no ambiente urbano. Seus principais
objetivos são: reduzir os custos sociais e ambientais; apoiar o desenvolvimento sustentável; e
promover a participação dos envolvidos na busca pela solução dos problemas gerados pelo
transporte urbano. Seu princípio básico consiste em analisar a movimentação de cargas como
um componente de um sistema logístico integrado, a despeito da busca individual das
empresas por otimização de custos. A proposta desta estratégia é unir a iniciativa privada, o
Poder Público e a sociedade em torno da construção de um sistema logístico integrado. Dessa
forma, o city logistics seria uma importante forma de analisar os problemas gerados pela
movimentação urbana de cargas (BENJELLOUN; CRAINIC, 2009).
A movimentação urbana de cargas é um importante componente no desenvolvimento da
economia, por proporcionar a continuidade dos fluxos de mercadoria no ambiente urbano.
32
Apesar disso, a ela gera enormes impactos ambientais, sociais e econômicos, como poluição,
congestionamentos, barulho, acidentes, entre outros. De acordo com o World Business
Council for Sustainable Development (2001), aproximadamente 30% das emissões de
carbono geradas nas cidades são originadas da frota de transporte de cargas, número que varia
dependendo de fatores como idade da frota, tipo de combustível, carga, velocidade, topografia
e condições meteorológicas.
Ogden (1992) explica que o transporte urbano de cargas pode ser definido como toda
movimentação de mercadoria destinada aos centros urbanos para as mais diversas finalidades.
A movimentação de mercadoria é composta por uma série de atividades, tais como: transporte
de bens acabados, transporte de matéria-prima, distribuição de mercadoria nos centros
urbanos, serviços de entrega, transporte de materiais destinados a construções e tráfego de
remoção.
Segundo Portal (2003), a movimentação urbana de cargas é o elo final de uma longa cadeia de
distribuição que une fornecedores, produtores e clientes. Para o autor, a cadeia de transporte
pode ser definida como uma sequência de eventos logísticos que resulta na movimentação de
mercadoria ao longo da cadeia de suprimentos. A distribuição de carga não é uma atividade
isolada, mas um elo de um processo econômico global, nacional e regional (CZERNIAK et
al., 2000).
A importância econômica da distribuição de cargas urbanas extrapola os benefícios gerados
na própria cidade e pode significar um importante elemento motor para a economia da região.
As atividades da indústria e do comércio requerem o apoio das competências logísticas. O
consumo da população só é possível com a manutenção dos fluxos de mercadoria. A
economia de uma região está fortemente ligada à capacidade de gerar ou induzir
movimentações eficientes de mercadorias. O movimento eficiente de mercadorias gera
competitividade, empregos, renda e tributação. No entanto, o crescimento das cidades, sua
dispersão espacial, as diretrizes de redução de custos operacionais e a complexidade da
mobilidade urbana têm gerado aumento dos custos de distribuição em áreas urbanas
(CZERNIAK et al., 2000; OGDEN, 1992).
A concentração do espaço urbano é responsável por criar desafios para a população e para as
autoridades públicas, que são levadas a confrontar questões como: regulamentação do uso do
solo, manutenção e ampliação da rede viária, controle e fiscalização da circulação de veículos,
33
degradação ambiental resultante da circulação de veículos, aumento do tráfego de automóveis
e crescentes e frequentes congestionamentos (QUISPEL, 2002).
Segundo Ogden (1992), a distribuição urbana de cargas convive com as dificuldades
decorrentes da falta de estrutura das cidades. Os principais problemas enfrentados pela
distribuição de cargas nas cidades são: congestionamento, agravado pelo tamanho e pela baixa
velocidade da frota de caminhões; malha viária, decorrentes da manutenção deficiente; falta
de regulamentação de estacionamentos; e falta de planejamento urbano para a movimentação
de caminhões (Figura 2).
Figura 2 – Problemas causados pela carga urbana
Fonte: Quispel (2002).
Essas dificuldades, bem como as alterações no contexto socioeconômico, geraram diversas
transformações nas últimas duas décadas. Entre elas, podem-se destacar:
alteração nos sistemas logísticos e de distribuição, com concentração de atividades sob
maior governança da cadeia de suprimentos;
mudança nos padrões de manutenção de estoques, diminuição dos lotes e aumento do
número de viagens;
aumento do serviço de distribuição e maior terceirização dessas atividades, resultando em
crescimento das entregas urbanas e, consequentemente, da movimentação de veículos;
34
maior reivindicação do consumidor com a redução dos efeitos negativos que a distribuição
gera no ambiente urbano, o que afeta a qualidade de vida geral (ZINN, 2012; ALLEN et
al., 2000).
A questão da movimentação de cargas, tendo em vista os interesses da população da cidade
denota uma intrincada relação entre os agentes. Ao mesmo tempo em que o consumidor
deseja ser atendido em múltiplos locais de compra, ter a disponibilidade de diversos produtos
e receber a mercadoria em casa, o mesmo consumidor sofre com as externalidades negativas
produzidas pelos serviços logísticos, como poluição e congestionamento. Por isso, se faz
necessária a melhoria do sistema de distribuição, promovendo a redução dos seus impactos na
vida da população (ZINN, 2012). De acordo com Ogden (1992), o principal objetivo do
planejamento na distribuição urbana de cargas é minimizar os custos sociais totais.
Apesar dos transtornos causados à população, as medidas propostas para solucionar os
problemas provocados pela distribuição de cargas afetam a acessibilidade e reduzem a
eficiência logística das empresas. O resultado, então, pode ser o oposto do esperado. Medidas
restritivas aumentam o tempo de viagem e, portanto, o veículo permanece um período maior
no trânsito, passando a ocorrer a ampliação do número de veículos inicial, já que os mesmos
não conseguem atender o volume inicial, em função da queda na eficiência do serviço
(OGDEN, 1992).
Hesse (1995) afirma que uma série de melhorias logísticas vêm sendo criada para amenizar os
impactos provocados pela movimentação de cargas urbanas na mobilidade urbana. No
entanto, elas esbarram em um problema: a aplicação eficiente dessas medidas não depende
apenas do operador logístico. Por exemplo, muitos operadores transferem o serviço de
entrega e de coleta para o período noturno, mas os demais membros da cadeia de distribuição
também precisam estar preparados para atuar nesse período, o que, em geral, inviabiliza essa
ação (LIMA JUNIOR, 2003).
Além dos problemas de coordenação entre os membros da cadeia, as empresas são
pressionadas pela forte competição gerada pela globalização e pelo aumento do poder de
barganha dos clientes. A busca pela redução dos custos e pela melhoria do serviço induz as
empresas a optarem pela centralização dos estoques, o que, por sua vez, causa o aumento das
distâncias e a maior frequência de viagens. O resultado é o aumento do impacto das atividades
logísticas na mobilidade das cidades (OGDEN, 1992).
35
A criação de um sistema de transporte urbano de cargas eficiente e produtivo, que impacte
menos a eficiência da mobilidade urbana, depende da iniciativa conjunta dos setores público e
privado. De acordo com Lima Junior (2003), o primeiro é responsável por criar e manter a
infraestrutura urbana necessária ao transporte de cargas, além de regulamentar as atividades
logísticas, visando menor impacto, e o segundo por executar o serviço utilizando as melhores
soluções logísticas e buscando alcançar um nível mais alto de eficiência da movimentação
com um todo. Quando essa ação conjunta não acontece da forma apropriada e seus resultados
não são eficientes, a própria mobilidade urbana é prejudicada, afetando o estilo de vida de
todos os agentes urbanos.
2.2 Mobilidade urbana
“O próprio veículo, cuja grande promessa era a mobilidade, está, na realidade,
imobilizando populações. Assim, quanto pior o congestionamento, maior o estilo
sedentário de vida da população” (BROWN, 2003).
No último século, o mundo passou por um intenso processo de urbanização. Em 1950,
aproximadamente 30% da população mundial residiam nas cidades. De acordo com projeção
da Organização das Nações Unidas (ONU), até 2050 mais de dois terços da humanidade
estará residindo em áreas urbanas. Nos países desenvolvidos, o processo de urbanização está
mais adiantado. No ano de 1975, aproximadamente 70% da população desses países moravam
nas cidades. Esse número passou para 75% em 2000, as previsões indicam que essa
participação será de 85% em 2030 (BROWN, 2003).
Outro dado preocupante é o crescimento, em tamanho e em quantidade, das metrópoles nos
países em desenvolvimento. De acordo com Taubenböck et al. (2012), as maiores
aglomerações urbanas se destacam das demais cidades em função do seu crescimento
populacional, da economia atraente, da influência sociocultural, ambiental e política e
complexidade geográfica. Logo, são centros urbanos dinâmicos e de complexa organização,
exigindo melhor planejamento.
De acordo com Dablanc (2007), o crescimento de maneira desordenada das metrópoles nos
países em desenvolvimento vem criando dificuldades no tráfego de veículos e de pessoas. O
autor avalia que esses problemas são resultado direto da falta de planejamento adequado de
vias públicas, de áreas para estacionamento e entregas de mercadorias.
36
Segundo a ONU, das 21 maiores metrópoles do mundo, 14 se encontravam nesses países em
2000, ou seja, uma participação de aproximadamente 67%. Para 2025, a previsão é de que
esse percentual alcance o patamar de 89% (Gráfico 5). Para esse mesmo ano a ONU estima
que haverá 527 metrópoles no mundo. Apenas os países em desenvolvimento abrigarão dois
terços dessas cidades (GOHN, 2003).
A realidade da rede urbana brasileira não é diferente. Sua população está concentrada em uma
pequena parte do território nacional (70% dos brasileiros residem em uma área
correspondente a 10% do total), em sua maioria urbana (aproximadamente 84%) e
concentrada em poucos municípios (menos de 10% dos 5.561 municípios brasileiros
concentram mais de 55% do total de habitantes do País). Apenas os nove maiores centros
urbanos abrigam aproximadamente 30% da população brasileira, indicando uma malha urbana
extremamente concentrada (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2006).
Gráfico 5 – Evolução da participação dos países em desenvolvimento nas 21 maiores
metrópoles
Fonte: Adaptado de Gohn (2003).
De acordo com Euromonitor (2005), a urbanização brasileira caracteriza-se pelo rápido
processo de transferência da população rural para as cidades, pela notável desigualdade de
acesso a bens públicos básicos, pelas altas taxas de criminalidade e pela alta mobilidade de
37
profissionais em busca de oportunidades. Ao se comparar a taxa de urbanização nacional,
84%, com de outros países selecionados no estudo, tem-se que ela está próxima dos índices de
urbanização dos países desenvolvidos3 e muito superior à dos países economicamente mais
próximos como China (35,4%) e Índia (30,5%).
O Brasil não é um caso isolado na América Latina. Sua taxa de urbanização é próxima à
média dos países da região. Existem inclusive alguns países que superam a taxa brasileira,
como a Argentina (91%). Uma breve análise dos indicadores de urbanização das principais
regiões do mundo revela claramente países de urbanização consolidada e com baixo
crescimento e países onde o processo de urbanização está a pleno vapor. Os países asiáticos
são os principais responsáveis pelo aumento da urbanização mundial, como mostra o Gráfico
6 (EUROMONITOR, 2005).
Gráfico 6 – Crescimento urbano das principais regiões mundiais no período entre 2000 e
2005
Fonte: Euromonitor (2005).
3 Os índices de urbanização dos Estados Unidos são de 78,4%; do Reino Unido, 83,8%; da Alemanha, 88,5%; da
Itália, 67,9%; e da França, 76,7% (EUROMONITOR, 2005).
38
De acordo com o IBGE (2010), o Brasil possui atualmente 33 metrópoles. Além do número
elevado de grandes cidades, o que impressiona é seu rápido surgimento. Segundo o próprio
IBGE, apenas São Paulo e Rio de Janeiro possuíam mais de um milhão de habitantes até a
década de 1950. Aproximadamente vinte anos depois, na década de 1970, nove áreas urbanas
são decretadas regiões metropolitanas: Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto
Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Atualmente, o IBGE considera a
existência de 33 regiões metropolitanas no País, abrigando 39% da população brasileira
(Gráfico 7).
Gráfico 7 – Crescimento das cinco maiores cidades brasileiras de 2000 a 2005
Fonte: Euromonitor (2005).
De acordo com Term (2000), o crescimento dos centros urbanos ocorreu na mesma proporção
que o das atividades e o do dinamismo econômico, apoiados pelo crescimento e pela melhoria
dos transportes. O processo de globalização e a liberação dos mercados aumentaram as
distâncias entre os produtores de matérias-primas, a indústria e o cliente final, resultando em
maior volume de mercadorias e aumento das distâncias de deslocamento. Esse rápido
processo de urbanização conduziu a uma verdadeira crise de mobilidade urbana (BERGMAN;
RABI, 2005).
39
De acordo com o Ministério das Cidades, a mobilidade urbana deve ser compreendida como a
interação dos instrumentos de gestão urbanística subordinados aos princípios da
sustentabilidade ambiental e ao da inclusão social. Para essa instituição, a mobilidade urbana
pode ser compreendida como
[...] um atributo associado às pessoas e bens; correspondendo às diferentes respostas
dadas por indivíduos e agentes econômicos às suas necessidades de deslocamento,
consideradas as dimensões do espaço urbano e a complexidade das atividades nele
desenvolvidas (BRASIL, 2004).
A melhoria da mobilidade urbana não pode ocorrer a partir do aumento da poluição
ambiental, nem da exclusão de determinado grupo do sistema de transporte.
Para Vasconcellos (2001), o conceito de mobilidade urbana deve ser relacionado ao conceito
amplo de acessibilidade, entendido como
[...] a mobilidade para satisfazer as necessidades de deslocamento, ou seja, a
mobilidade que permite à pessoa chegar a destinos desejados. A palavra
“mobilidade” deve considerar a oferta do sistema de circulação (vias e veículos) e a
estrutura urbana enquanto elementos interdependentes.
Para o autor, o principal objetivo dos meios de transporte é aumentar a mobilidade. No
entanto, essa visão não pode ser confundida com o simples aumento do número de
deslocamentos. Uma vez que um grande número de deslocamentos não representa
necessariamente melhores condições de vida da população, o termo mobilidade, no sentido
tradicional, não deve ser tradado separadamente do conceito de acessibilidade
(VASCONCELLOS, 2001).
Vasconcellos (2001) afirma que o conceito de mobilidade é um termo mais qualitativo do que
simplesmente quantitativo, uma vez que a mobilidade está relacionada à capacidade de
movimentação de pessoas, grupos e bens. Essa capacidade é definida pela oferta de modos de
transporte, pela própria localização das atividades, pelos aspectos físicos e financeiros
individuais da população, pela velocidade de crescimento da cidade e pela expansão e alcance
dos sistemas de comunicação.
A mobilidade exerce importante papel na dinâmica urbana. O próprio povoamento humano
foi moldado por dois fenômenos poderosos, a urbanização e a descentralização das cidades.
Este último, também designado “dispersão da cidade”, ocorre basicamente por dois motivos: a
razão financeira e a busca por padrões mais adequados de estilo de vida. O primeiro motivo, a
razão financeira, se refere à valorização dos imóveis nas áreas centrais, em função da maior
busca por esses empreendimentos. O resultado é a migração dos menos favorecidos para as
40
áreas periféricas, onde os imóveis possuem custos mais baixos. Já o segundo motivo, a busca
por padrões mais adequados, se refere à procura por áreas que ofereçam maior qualidade de
vida para a população, ou seja, menor poluição, ruído e densidade populacional (BROWN,
2003).
Segundo Forrester (1975), a formação das cidades é feita a partir de forças dinâmicas. Os
centros urbanos exercem diversas forças atrativas sobre a população e os empreendimentos e,
caso uma delas diminua, outras podem aumentar e ou novas podem ser criadas. Para o autor, a
solução dos problemas das cidades está vinculada ao planejamento urbano, responsável pela
definição do número de habitantes, da quantidade de residências e da atividade econômica,
entre outras características. O resultado é a escolha do tipo urbano ideal da cidade (comercial,
industrial, turística, entre outros), apoiada nas vantagens e desvantagens locais da área urbana.
O centro da aglomeração urbana enfatiza a vitalidade de uma cidade, medida pela pujança
econômica, social e cultural. De acordo com Lea et al. (2003), o centro da cidade pode ser
definido como o local economicamente viável para abrigar regiões comerciais, fornecendo
grande variedade de empregos, negócios e acesso a bens e serviços. No entanto, o crescimento
das cidades e o consequente aumento populacional nas áreas periféricas estão criando a mais
grave crise de mobilidade urbana da história.
Os grandes centros urbanos induzem a realização de um número maior de viagens, com
deslocamentos também maiores do que os pequenos centros. Essa realidade decorre da
própria dispersão geográfica da população nessas cidades por uma área maior. Isso ocorre por
dois motivos basicamente: massificação do uso do automóvel e aumento populacional nas
áreas periféricas. Nas cidades dos países em desenvolvimento, esse fenômeno é ainda mais
intenso. Esses centros urbanos cresceram depois da criação do automóvel, e por isso não se
preocuparam em desenvolver alternativas de transporte. Os veículos privados são os
principais meios de deslocamento pessoal na maioria dos países (WBCSD, 2001).
Essa situação exige medidas de planejamento urbano que garantam os seguintes benefícios
aos agentes urbanos:
redução dos impactos da mobilidade urbana na qualidade de vida da população da cidade;
melhoria da eficiência do serviço prestado pelos operadores logísticos, por meio da
redução dos congestionamentos e das dificuldades de acesso;
41
continuidade do fluxo de bens e serviços entre empresas e consumidores, garantido a
estabilidade e o crescimento das atividades econômicas (BERGMAN; RABI, 2005).
Nesse contexto de surgimento de pressões sobre a mobilidade, é imprescindível rever as
políticas públicas para as cidades. O modelo de massificação do transporte rodoviário precisa
ser substituído por um modelo integrado de transporte que tenha por objetivos restringir o
crescimento do tráfego, reduzir os impactos sociais e aplicar de tecnologias mais sustentáveis
do ponto de vista ambiental (TERM, 2000).
Brown (2003) defende que as cidades mais dependentes do uso do automóvel possuem
maiores problemas de congestionamento e dificuldades na mobilidade do que as cidades que
oferecem outras opções de deslocamento. Os congestionamentos ocorrem por haver uma
capacidade insuficiente para a demanda vigente, resultado de equívocos associados ao
planejamento urbano ou falta dele.
Para Hesse (1995), o planejamento do movimento de cargas urbanas esbarra em dificuldades,
o que resulta em mais impacto desse serviço na rotina da cidade. Em função disso, a
tolerância do cidadão em relação ao veículo de carga é quase nula. Lima Junior (2003)
argumenta que a movimentação de caminhões afeta o ambiente físico e social das cidades,
gerando a poluição sonora, emissão de poluentes e vibrações. Entre as dificuldades para
melhoria desse serviço, podemos citar:
a complexidade logística, que aumentou exponencialmente, como resultado da
fragmentação dos sistemas logísticos urbanos, do envolvimento de número maior de
empresas, das necessidades logísticas específicas para cada canal de distribuição, e do
aumento da frequência de entregas em função dos lotes menores ou unitários;
a existência de uma distância física entre a localização das empresas e das externalidades
causadas pelo transporte de cargas;
a falta de conhecimento da malha viária e planejamento do transporte local pelas empresas,
resultando na elevação do número de veículos destinados a determinadas áreas urbanas e,
por sua vez, causando aumento progressivo dos congestionamentos.
A criação da infraestrutura necessária para a mobilidade urbana resulta em impactos sociais,
econômicos e ambientais (SCHNEIDER et al., 2002). De acordo com França e Rubin (2005),
esses impactos, seus motivos e problemas gerados podem ser resumidos, conforme demonstra
o Quadro 1.
42
Quadro 1 – Impactos, motivos e problemas gerados pela carga urbana na mobilidade
das cidades
Impactos Motivos Problemas gerados
Econômico
- Tamanho de caminhões inadequados.
- Falta de lugar apropriado para
carregamento e descarregamento.
- Falhas de projeto (espaços
inadequados, interseções com layouts
inadequados, vias estreitas).
- Congestionamento.
- Custo de acidentes, entre outros.
- Transtorno provocado pela obstrução
da via.
- Nível de tráfego (que interfere no
progresso do fluxo causando atrasos).
- Estacionamento do veículo longe do
local de destino diminuindo assim sua
produtividade.
- Tempo perdido e desperdício de
energia.
Ambiental
- Falta de manutenção dos veículos.
- Domínio do uso de combustível
fóssil.
- Desperdício de dinheiro.
- Alta emissão de gases poluentes.
Social
- Falta de regulamentação e
fiscalização quanto a vias de acesso e
nível de ruído em zonas específicas.
- Espaço inadequado para
equipamentos e árvores.
- Elevada ocupação territorial.
- Obstrução da via.
- Stress.
- Ruído.
- Segurança e obstáculo aos pedestres.
- Acidentes.
Econômico,
ambiental e
social
- Regulamentação inadequada.
- Comunicação falha entre as
autoridades do tráfego e as empresas
transportadoras.
- Falta de vias especiais para veículos
provenientes de outras localidades e
que apenas atravessam as cidades, mas
não se destinam a elas.
- Falta de uma visão clara sobre a
totalidade do sistema.
- Multas justificadas ou não.
- Conflitos entre os encarregados das
entregas e os moradores locais e atritos
com outros motoristas.
- Gastos públicos com o tratamento da
população com problemas respiratórios.
- Danos e intrusões nos núcleos
urbanos.
- Aumento de tráfego, acidentes,
criando impedâncias e problemas
ambientais, entre outros.
Fonte: França e Rubin (2005).
Para Lima Júnior (2011), a falta de planejamento das cidades brasileiras é a causa essencial
dos problemas de mobilidade e logística urbanas. As cidades não foram planejadas para
abrigar uma sociedade da informação nem para comportar o crescimento da população ou a
demanda por serviços urbanos decorrente desse aumento populacional. Tal problema não
atinge apenas as cidades brasileiras. De acordo com Dablanc (2007), cidades europeias têm
43
graves problemas para ajustar a estrutura urbana interna ao movimento de mercadorias e
pessoas. Para as regiões de economia emergente essa relação é ainda mais incompatível.
O crescimento urbano, juntamente com a falta de planejamento das cidades, resulta na
deterioração da mobilidade urbana. De acordo com Gatti Júnior (2011), esse cenário tem
levado as grandes cidades brasileiras a adotar medidas restritivas do tráfego de veículos.
Embora essas medidas sejam imprescindíveis, elas geram novos impactos no tráfego urbano.
De acordo com o autor, a restrição de veículos pesados na cidade de São Paulo elevou a
utilização de automóveis de menor porte em aproximadamente 20%. Essa alteração na frota
circulante resultou ainda em aumento dos custos, redução da produtividade e piora dos níveis
de eficiência.
Os resultados da restrição da frota de cargas na capital paulista ilustra a complexidade do
transporte urbano. Medidas que restrinjam de maneira substancial a frota de veículos de
grande porte resultam no aumento dos custos dos produtos, limitam a oferta de bens,
aumentam os riscos de falta de estoques e geram mais poluição (QUAK; DE KOSTER,
2008). De acordo com Sinay et al. (2004), os desafios envolvendo a movimentação urbana de
cargas devem ser superados com a participação de todos os agentes urbanos envolvidos:
empresas, Poder Público e moradores.
Os desafios de mobilidade urbana impactam a movimentação de cargas nas cidades,
resultando em dificuldades para a manutenção dos serviços logísticos e para a viabilidade
operacional. Além disso, os problemas de mobilidade urbana interferem na qualidade de vida
e no comportamento do consumidor, que buscam alternativas mais viáveis para manter o
próprio consumo (LIMA JÚNIOR, 2011).
Corrêa (1989) afirma que a ação dos agentes urbanos leva a constante e complexo processo de
reorganização espacial da cidade, por meio da incorporação de novas áreas ao espaço urbano,
do aumento do uso do solo em determinadas regiões da cidade, da deterioração de alguns
espaços e da revitalização de outros, da criação da infraestrutura que beneficia certas áreas e
da mudança de agentes econômicos e sociais de determinadas áreas da cidade.
Os comércios na área urbana oferecem identidade ao espaço urbano, como pondera Salgueiro
(1996, p. 32):
O comércio é ainda um importante instrumento urbanístico pelo seu contributo para
a paisagem urbana. Pela diferenciação que introduzem no tecido construído, as lojas
44
são pontos de referência marcantes na orientação e uso do território. A concentração
de estabelecimentos de um determinado tipo identifica uma área, fica na memória
como imagem associada àquele território, como paisagem de identificação.
A expansão urbana cria as condições para o surgimento de novos formatos de varejo, que
propiciam o surgimento de novas centralidades na mesma aglomeração urbana. A expansão
da renda e do consumo, além da valorização da conveniência pelo consumidor, torna as áreas
periféricas viáveis para a instalação de alguns empreendimentos comerciais. Os centros
originais das cidades mudam seu caráter e passam a abrigar o administrativo de instituições
públicas e privadas, centros sofisticados de varejo e empreendimentos voltados para o lazer
(SILVA; CLEPS, 2011).
Os bairros periféricos, inicialmente destinados apenas a abrigar os domicílios das famílias,
começaram a acolher filiais das lojas centrais e pequenos comércios, com o objetivo de suprir
as necessidades cotidianas da população do entorno. Com o crescimento populacional e o
aumento da renda, este tipo de varejo se tornou mais dinâmico originando os centros de
comércio de bairro, os chamados “subcentros comerciais” (PINTAUDI, 1981).
2.3 Varejo
De acordo com Parente (2000), o varejo brasileiro apresenta alto grau de desenvolvimento. O
surgimento do setor no País ocorreu, aproximadamente, na segunda metade do século XIX.
Sua implantação seguiu, inicialmente, as características do varejo dos países mais
desenvolvidos e, posteriormente, sofreu adaptações para se moldar à realidade brasileira
(MATTAR, 2011). Este segmento é dinâmico. Compõe-se de empresas com diferentes
tamanhos e formatos, abrangendo desde o pequeno comércio de bairro até grandes empresas
multinacionais.
A evolução do varejo no Brasil ocorreu no início do século XX, quando surgiram os primeiros
estabelecimentos com caráter comercial próximo aos moldes do varejo tradicional. Durante o
período de industrialização da década de 1940, o varejo ganhou impulso devido à maior oferta
de alguns bens de consumo não duráveis produzidos pela indústria nacional. No entanto,
apenas na segunda metade desse século é que o varejo ganhou dinamismo, com a vinda de
empresas estrangeiras e o surgimento de formatos mais complexos e das redes de varejo
(Quadro 2) (MATTAR, 2011).
45
Quadro 2 – Evolução do varejo no Brasil
Período Histórico
Início do
século XX
Surgem os primeiros estabelecimentos comerciais em molde de varejo.
Década de
1940
Grande impulso do varejo no Brasil com a industrialização, que começou no
final da Segunda Guerra Mundial.
Década de
1950
Início de um movimento de inovações no varejo: vinda da Sears para o
Brasil, uma loja em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.
Década de
1960
Surgimento dos primeiros shoppings centers no Brasil.
Década de
1970
O grande crescimento do mercado provocou a expansão de diversos setores
do varejo: lojas de eletroeletrônicos (Casas Bahia e Ponto Frio),
supermercados (Pão de Açúcar e Bom Preço), variedades (Lojas
Americanas e Lojas Brasileiras) e departamentos (Mesbla e C&A).
Década de
1980
Surgimento de hipermercados e da expansão de franquias.
Década de
1990
Plano Real e Código de Defesa do Consumidor, o varejo inicia nova fase de
adaptação no mercado e direciona sua atenção ao cliente.
Início do
século XXI
Crescente poder de mercado. Fenômenos como fusões, aquisições e
incorporações aparecem no mercado. A presença de empresas mundiais e
novas tecnologias de comunicação e informação mudam regras do varejo no
Brasil e no mundo.
Fonte: Adaptado de Mattar (2011).
O conceito de varejo pode ser definido como as atividades envolvidas na venda de bens e
serviços para o cliente final, visando o seu consumo pessoal (COUGLAN et al., 2002). Ou
seja, o varejista pode ser qualquer instituição que tenha por finalidade vender de bens ou
serviços para o consumidor final. É importante entender o peso econômico que o setor
varejista possui no cenário nacional. Na última década, o setor cresceu apoiado no aumento da
renda da classe média. O aumento do volume de negócios do setor varejista saltou de 18,2%
do PIB em 2003 para 24,6% em 2012. Esse expressivo crescimento refletiu em geração de
vagas que, nesse mesmo período subiu de 4,3 milhões de empregos formais diretos para 7,7
milhões (IBGE, 2013).
As mudanças no varejo nas últimas décadas não ficaram restritas apenas ao aumento da
receita. O setor ganhou mais dinamismo e as instituições varejistas diversificaram muito seu
formato. Inicialmente, as vendas ocorriam apenas com o varejo tradicional, a loja física. Em
46
um segundo momento, por meio do telefone, do correio e da internet, sempre criando novos
formatos para melhor atender às novas necessidades dos consumidores (LEVY; WEITZ,
2000; PARENTE, 2000).
O setor varejista possui a característica de ter o volume de negócios concentrado em poucas
grandes empresas. Embora o setor brasileiro seja majoritariamente formado por pequenas
empresas, a receita é altamente concentrada em poucas e grandes organizações. De acordo
com Van Woensel et al. (2007), nos Estados Unidos e nos países da Europa esse fenômeno é
ainda mais acentuado que no caso brasileiro. Outra característica do varejo nacional é a
diversidade, sendo composto por empresas com diferentes formatos e tamanhos, desde o
pequeno varejista até redes de lojas complexas (MARQUI, 2011).
As organizações que atuam no Brasil acompanham as tendências mundiais, refletindo a
grande variedade de modelos e formatos de lojas que atendem às diversas necessidades dos
consumidores. A estabilidade econômica alcançada nas últimas duas décadas, com a
estabilização da moeda, a abertura comercial e financeira e o crescimento da renda da classe
média, induziu mudança nas atitudes do consumidor em relação à nova concorrência que se
instaurou. Os clientes passaram a exigir o cumprimento de seus direitos como consumidor, a
redução de preços e a melhoria da qualidade de produtos e serviços (FURUTA;
BARIZZELLI, 2002).
Segundo Campos (2002), os principais desafios e tendências para o setor varejista podem ser
resumidos da seguinte forma:
oferecer ao cliente diferentes formatos de loja, para melhor atendê-lo;
oferecer ao cliente conveniência, por meio de comércio eletrônico;
repensar o relacionamento com o cliente, com o fornecedor e, até mesmo, com o
concorrente;
operar em diversos países e continentes, com marcas e formatos distintos;
considerar que o valor oferecido ao cliente como forma de diferencial, uma vez que as
emoções e sensações despertadas passam a ter um peso importante nas compras;
envolver emocionalmente os clientes, criando relações marcantes.
O varejo tem como características importantes o dinamismo e a rapidez em se adaptar às
necessidades do consumidor. A disponibilidade do produto é uma questão chave para o
varejista, visto que tempo e lugar são decisivos para a concretização da compra (BALLOU,
47
1997). Portanto, deixar disponível o produto no momento e no lugar desejado pelo
consumidor é um desafio constante para as empresas que atuam nesse setor e que desejam
oferecer um alto nível de serviço ao cliente (AASTRUP; KOTZAB, 2009; AASTRUP;
KOTZAB, 2010).
A busca por conveniência e as restrições de tempo dos clientes se tornaram importantes
tendências no mercado varejista. A criação de lojas mais acessíveis, a oferta de atendimento
mais rápido, a disponibilização de departamentos mais bem sinalizados, o funcionamento 24
horas, a entrega em domicílio e a opção de vendas pela internet são algumas das ações
empreendidas pelos varejistas para se manterem vigentes no mercado (PARENTE, 2000).
Estudo realizado pelo Euromonitor (2015), intitulado Global Consumer Trends For 2015,
identificou a tendência da valorização da conveniência por parte do consumidor. O qual
resulta no crescimento das compras pela internet e na volta dos consumidores ao pequeno
comércio de bairro. Embora o comércio eletrônico esteja se tornando mais importante a cada
ano, as vendas realizadas por lojas físicas ainda são dominantes, em especial na América
Latina (Gráfico 8).
Gráfico 8 – Mercado varejista virtual e baseado em lojas físicas em 2014 (em bilhões)
Fonte: Euromonitor (2014).
48
Pesquisa realizada pela firma CBRE em 2014, apoiada em entrevistas com 21 mil
consumidores em vinte países da Europa e da África do Sul, identificou que metade deles
prefere realizar suas compras em pequenos estabelecimentos com fácil acesso. Os
consumidores brasileiros também estão alterando seus hábitos de compra de alimentos e
preferindo o varejo que oferece mais conveniência e rapidez nas compras:
In the largest cities of Brazil, the trend of buying food in convenience stores and
small grocery retailers, such as traditional neighbourhood markets, remains strong,
as consumers increasingly seek convenience and practicality. Thus, they frequent
smaller stores close to home or work, which offer a mix of fresh and packaged food
to meet the consumption needs of one day or week at most (EUROMONITOR,
2014).
A competição do varejo brasileiro ficou mais agressivo entre os vários formatos disponíveis
no mercado. Isso é explicado pelo desenvolvimento da estratégia de canal múltiplo, em que
produtos estão disponíveis ao consumidor em diferentes canais de venda, entre eles os varejos
tradicionais, as lojas virtuais e a venda direta. O consumidor brasileiro pode optar pelo
formato que lhe seja mais prático e conveniente (NOVAES, 2007).
Parente (2000) identifica outras tendências, como o dilema competitivo entre massificação
versus especialização, o aumento da concorrência de formatos substitutos, os formatos
virtuais, as composições e o surgimento de novos formatos. A escolha entre massificação e
especialização é induzida pelo fato de os grandes varejistas possuírem escala para competir
por preço, fazendo com que os pequenos optem pela especialização em determinado segmento
para se manterem vigentes no mercado.
De acordo com Silva e Cleps (2011), existe forte tendência no setor, em especial no varejo de
alimentos, de se decompor em dois tipos de formatos de loja: a grande loja, para compras
mensais e ou planejadas, e as lojas de bairro, para compras frequentes e ou emergenciais. As
lojas de bairro são caracterizadas pela reduzida área de vendas, proximidade com a residência
do consumidor e oferta restrita de itens e marcas. O principal critério para a escolha deste tipo
de estabelecimento pelo consumidor é a conveniência, mesmo que esse atributo signifique um
valor um pouco maior na compra do mesmo produto.
A competição já não está restrita apenas ao concorrente do mesmo formato, mas ampliada
entre os diferentes formatos varejistas. Por exemplo, a tendência das padarias de competirem
com os supermercados em produtos tradicionalmente comercializados apenas por um desses
varejos, como pães, produtos de limpeza e higiene. Outra tendência é a combinação de dois
49
ou mais tipos de varejo em um mesmo local, por exemplo, cafés dentro de livrarias,
restaurantes dentro de supermercado e lojas de conveniência em postos de gasolina. Dessa
forma, as fronteiras que definem qual produto cada varejo comercializa se tornaram mais
flexíveis (PARENTE, 2000).
Outro fator importante para explicar a alteração nos hábitos de compra da população é a
urbanização, que causa profundas mudanças no varejo. Nos mercados da Europa Ocidental e
da América do Norte, uma importante tendência identificada é o rápido desenvolvimento de
grandes empreendimentos fora da cidade, como shopping centers, outlets e hipermercados,
bem como o crescimento do pequeno comércio urbano em áreas de fácil acesso ao cliente
(EUROMONITOR, 2005).
Alguns países restringem o crescimento de grandes empreendimentos varejistas nas áreas
urbanas por meio de leis ou de incentivos oferecidos aos pequenos varejistas. Na Índia, o
investimento estrangeiro no mercado varejista foi oficialmente proibido em 1997,
significando uma clara proteção ao vasto número de pequenos varejos independentes do país,
para os quais a competição com as grandes redes multinacionais era vista como uma ameaça
catastrófica. Outros países, como Japão, Bélgica e França, também criaram leis para proteger
o pequeno comércio (EUROMONITOR, 2005).
Medidas restritivas foram tomadas por vários países para impedir a instalação de grandes
empreendimentos varejistas nas áreas urbanas centrais (Quadro 3).
Quadro 3 – Restrições ao grande varejo nos centros urbanos
País Restrição
China
A Comissão Municipal para Negócios de Xangai impediu a construção de
novos shoppings centers na área central da cidade. No entanto, o 10º Plano de
Cinco Anos (2001-2005) estabelece que os residentes de Xangai devem ter
acesso a uma loja de conveniência a apenas 10 minutos de caminhada de casa,
uma aglomeração comercial (strip mall) a 20 minutos de caminhada e um
distrito comercial a 40 minutos.
Japão
Pequenos negócios tradicionais são protegidos pela Lei do Varejo de Larga-
escala, que impede a instalação de grandes varejos com área acima de 1.000
metros quadrados. Em 2001, a lei recebeu um adendo que limita a quantidade
de grandes lojas que podem ser abertas no período de 12 meses.
Argentina Em 1998, uma lei introduziu o controle da criação de grandes empreendimentos
50
País Restrição
varejistas em Buenos Aires, exigindo permissão do governo para
estabelecimento com área superior a 2.500 metros quadrados. Em 2003, o
limite foi reduzido para 1.800 metros quadrados. A partir de 2003, uma nova lei
foi redigida com o objetivo de proteger os varejos independentes da
concorrência de supermercados e hipermercados na província de Buenos Aires.
Noruega
Em 1999, uma moratória de cinco anos foi estabelecida visando impedir a
construção de centros varejistas com área superior a 3.000 metros quadrados.
Essa regulação foi estabelecida visando a não proliferação dos grandes varejos
nas áreas centrais e o aumento do uso de veículos.
Finlândia
Novas regulações foram criadas para proteger o pequeno comércio urbano em
1999. As autoridades devem aprovar previamente a construção de áreas
varejistas fora da cidade acima de 3.000 metros quadrados.
França
Lei Raffarin (1996) restringiu a implantação de lojas com área superior a 300
metros, para proteger pequenos varejistas. A Lei Royer (1976) já limitava a
construção de varejos de larga escala, requerendo autorização prévia para
abertura de novas lojas.
Suécia
A localização de novos estabelecimentos varejistas é regulado pela PBL Act
(Plan and Building Act), que concede às cidades poder para definir onde os
empreendimentos varejistas serão implantados. Essas regulações são criticadas
pelo setor produtivo, que acusa essa limitação de reduzir a competitividade das
empresas suecas.
Itália
Complexa burocracia do sistema de permissões restringe a implantação do
varejo de larga escala. No entanto, flexibilizações nas leis tornaram o processo
mais simples a partir de 1998.
Bélgica
Complexas restrições à implantação de empreendimentos varejistas foram
criadas para proteger o pequeno varejo. Novas implantações são analisadas
para determinar o impacto no varejo vigente, criando dificuldades para
empresas estrangeiras.
Reino
Unido
Desde 1997, é necessária permissão para construção de novas lojas varejistas
dentro dos centros urbanos, limitando o número pelos governos e pelas
autoridades locais.
Fonte: EUROMONITOR (2005).
Os problemas de mobilidade urbana são poderosos indutores de mudança dos hábitos dos
consumidores. No entanto, os consumidores, assumem atualmente um papel ativo no processo
de adequação do varejo ao mercado atual. Assim, o consumidor garante que suas preferências
serão respeitadas além de determinar as ações e decisões que os varejistas devem tomar.
51
2.3.1 Escolha do local de compra
De acordo com Kotler e Keller (2006), a principal finalidade do marketing é criar as
condições para que as necessidades e os desejos dos consumidores sejam satisfeitos. Para isso
é necessário entender o comportamento do consumidor a forma como ele decide realizar ou
não a compra. O comportamento é compõe-se de uma série de fatores que interferem no
processo de decisão da aquisição de um produto, que atuam de forma distinta, em diferentes
graus e simultaneamente (WELLS; REYNOLDS, 1978). Segundo Parente (2000), o primeiro
passo para uma empresa conquistar mercado é entender as necessidades, o processo decisório
e o comportamento de compra de seus clientes.
O processo de compra se inicia com o objetivo de satisfazer uma necessidade ou um desejo do
consumidor. Segundo Kotler e Keller (2006), o processo realizado pelo cliente adquirir de um
produto pode ser sintetizado em cinco etapas, sendo elas: reconhecimento do problema, busca
de informação, avaliação de alternativas, decisão de compra e comportamento pós-compra.
Embora os autores considerem que o consumidor pode dispensar algumas etapas de acordo
com sua intimidade com determinado produto, as cinco etapas proporcionam uma referência
para novos produtos.
Na terceira etapa do processo de compra, a avaliação de alternativas, o consumidor irá
identificar aquelas capazes de satisfazer sua necessidade. Assim, são definidas as alternativas
de produtos, marcas e locais de compra com base em experiências anteriores ou pesquisa
realizada pelo consumidor. Para os autores Révillion e Rossi (2002), a escolha do local de
compra se dá a partir da comparação entre as várias alternativas disponíveis ao cliente. Essa
comparação é realizada com base em alguns critérios de escolha do consumidor, que podem
ser resumidos conforme Quadro 4.
Quadro 4 – Critérios de avaliação do consumidor na escolha de uma loja
Critérios Componentes
Mercadorias Qualidade, sortimento e preço
Clientela Consumidores
Aspectos Físicos Limpeza, layout, ambientação e atratividade da loja
Conveniência Localização e estacionamento
Promoção Divulgação e propaganda
52
Critérios Componentes
Atmosfera da loja Conforto, modernidade, simpatia e diversão
Institucional Reputação da marca
Pós-venda Satisfação do consumidor
Fonte: Révillion e Rossi (2002).
A localização é um fator chave para o sucesso das empresas, em especial as varejistas. A
partir de fatores comportamentais como a necessidade de redução de tempo e a busca por
conveniência, estabelecimentos mais próximos ao local de trabalho ou ao domicílio podem se
tornar atrativos. Além disso, deslocamento para locais mais distantes implica no acesso ao
transporte privado ou público e os custos referentes a eles (KOTLER; KELLER, 2006).
De acordo com Kahn e Schmittlein (1989), a escolha do local de compra pode ser reduzida às
decisões de onde e quando comprar. A primeira decisão se refere diretamente à localização do
estabelecimento, já a segunda questão, ao número de vezes que se deve ir ao estabelecimento
e à duração do tempo de deslocamento. Para o autor, seria possível afirmar que os
consumidores tendem a buscar uma loja menor e mais próxima para compras de caráter
imediato e locais de compra maiores e mais distantes para compras regulares.
Existem diferenças básicas na maneira como os consumidores selecionam os locais de compra
a partir do tipo de produto desejado. De acordo com Novaes (2007), os produtos podem ser
divididos em produtos especiais, produto de comparação e produto de uso frequente. O
primeiro tipo, os produtos especiais, é caracterizado pelo alto valor agregado, baseado em
uma marca forte, no status social proveniente da aquisição e posse do bem, ou da qualidade
superior que o bem entrega ao consumidor. Pelo fato do bem ser de acesso restrito, apenas um
representante da marca é definido para comercializar o bem em uma região geográfica
determinada.
Os produtos de comparação abrangem aqueles cuja compra é seja tão frequente. Em geral,
envolvem uma pesquisa prévia por parte do consumidor. Como esses produtos são mais caros,
o comprador busca auxílio em sites especializados, na experiência dos próprios vendedores e
em recomendações de conhecidos. Como a compra desses bens não é frequente e a compra
por impulso é bem menor, não é econômico disponibilizar esses produtos em qualquer loja.
53
Logo, a compra desses bens ocorrerá em poucos estabelecimentos comerciais (NOVAES,
2007).
Os produtos de uso frequente abrangem aqueles que são produtos consumidos no dia a dia,
sendo sua compra um evento rotineiro. Apesar da importância da marca, o preço e a
disponibilidade são atributos mais relevantes. Além disso, o volume comercializado está
diretamente ligado à disponibilidade do produto ao cliente. Outra característica destes
produtos é sua alta substituibilidade. Ou seja, são produtos em que o consumidor troca,
substitui com facilidade uma marca por outra da concorrência. Assim, exigem ampla
distribuição e devem estar presentes em vários locais de compra (NOVAES, 2007).
A disponibilidade no lugar e no tempo desejados pelo cliente são fatores-chave para a
concretização da compra (BALLOU, 1997). A falta de produtos nas prateleiras do varejo
disponível ao consumidor é chamada de stock out. De acordo com Liu e Zinn (2010), o
consumidor reage à não disponibilidade do produto das seguintes formas:
substitui o produto por outro similar;
busca o mesmo produto em outro varejista, ou seja, substitui o varejista;
aguarda a reposição do produto pelo mesmo varejista;
desiste da compra.
A definição do comportamento que o consumidor adotará depende do tipo de necessidade que
será saciada. Produtos de uso frequente podem ser encontrados com diversas marcas numa
série de formatos varejistas. Produtos especiais e de comparação possuem pouca
substituibilidade. Ou seja, mudar de marca ou de local de compra pode ser mais difícil ou
inviável. Logo, no primeiro tipo de produto o consumidor tem poucos incentivos a se manter
fiel à marca ou ao local de compra, podendo realizar a aquisição substituindo um dos dois.
Nos demais produtos, a substituição da marca ou do local de compra é mais restrita, em
função da valorização do primeiro atributo ou da indisponibilidade do segundo (NOVAES,
2007).
2.4 Nova geografia econômica
“The more complex life becomes, the more indispensable are the elements of
transportation systems” (COYLE et al., 1999).
54
A compreensão de como as forças econômicas e sociais resulta em diferentes tipos de
desenvolvimento econômico sempre foi uma obsessão para economistas. A disposição dos
agentes econômicos no espaço geográfico, o modo como o ocupam e como interagem, é um
dos temas mais recorrentes na pesquisa econômica. De acordo com Krugman (1996), a
localização das atividades econômicas no espaço geográfico é resultado de uma série de
interações entre diversos fatores econômicos e sociais.
Segundo Koopmans (1957, p. 154), qualquer análise da urbanização sem considerar o
resultado da interação dos agentes urbanos, entre si e com o próprio espaço geográfico,
conduzirá a conclusões equivocadas:
Without recognizing indivisibilities - in human person, in residences, plants,
equipment, and in transportation - urban location problems, down to those of the
smallest village, cannot be understood.
No contexto dessa temática, o modelo de distribuição das atividades econômicas
desenvolvido por Krugman (1994) propõe que a localização de um empreendimento no
espaço geográfico seja determinada pelo anseio das empresas em se instalar em apenas um
único local, objetivando maior vigor das economias de escala e redução nos custos de
transporte.
Segundo Fujita (1999), os recursos não estão espalhados de forma homogênea no espaço
geográfico. Portanto, algumas regiões podem concentrar recursos que as tornem mais atrativas
que outras para a instalação de novos empreendimentos, como água, terra fértil, minérios,
entre outros fatores. No entanto, a decisão de onde se instalar é ainda mais complexa, já que
clientes e fornecedores estão espalhados pelo espaço geográfico.
A dispersão das atividades no espaço tem, portanto, o caráter de concorrência monopolística,
no qual as empresas que estão localizadas mais próximas dos recursos possuem vantagens
competitivas. Com o objetivo de minimizar os custos de transporte, a firma decide se instalar
próximo ao maior mercado. A escolha da primeira empresa é seguida pelas demais, tornando
a indústria como um todo concentrada próxima ao maior mercado (KRUGMAN, 1994).
De acordo com o modelo de Krugman (1994), existem duas forças impulsionando a
concentração das atividades: o desejo das empresas em se instalar próximo ao maior mercado,
onde consumidores e trabalhadores estão concentrados; e o desejo dos trabalhadores em ter
acesso a diversos bens e serviços produzidos por outros trabalhadores. Assim, empresas e
trabalhadores buscam se concentrar no maior mercado, contribuindo para sua expansão.
55
O modelo considera também a existência de outras forças atuando em sentido contrário, ou
seja, agindo para desconcentrar as atividades econômicas. Uma dessas forças é o incentivo
das firmas em atender ao mercado periférico, instalando-se nas zonas periféricas, visando
minimizar os custos com transporte. Outra força é a renda da terra, que valoriza os imóveis
em locais mais bem localizados, ou seja, mais próximos à região central da aglomeração. O
resultado disso é a “expulsão” de atividades menos rentáveis ou que necessitem de extensas
áreas para regiões periféricas (KRUGMAN, 1994).
Outro fator importante na determinação da disposição das atividades econômicas no espaço
são investimentos em sistemas de transportes. Investimentos maciços em transportes reduzem
os custos com as viagens, tornando a movimentação de pessoas e cargas economicamente
viável. Ademais, isso torna áreas distantes mais acessíveis, induzindo que as empresas
estabeleçam relacionamentos com clientes e fornecedores de regiões ou países mais distantes
(KRUGMAN, 1994).
De acordo com Vickerman (1996), o transporte exerce um efeito controverso para a
localização das empresas. Nas situações em que a melhoria dos sistemas de transporte
possibilita a redução dos custos de transporte, a indústria que possui economia de escala tende
a se concentrar. No entanto, ocorre o efeito contrário para a indústria que não possui essa
característica, ou seja, tende a se dispersar no espaço geográfico. Logo, a busca por maiores
economias de escala induz que empresas que possuem esse atributo se concentrem no espaço
quando ocorre melhoria dos sistemas de transporte.
Para as indústrias que convivem com alto custo de transporte, o posicionamento das
atividades econômicas depende da dispersão das potencialidades no espaço. Em mercados que
possuem concentração de fornecedores e ou consumidores, as atividades tendem a se
concentrar próximo aos mesmos. No entanto, em mercados com potencial homogêneo, as
atividades tendem a se desconcentrar no espaço (VICKERMAN, 1996).
A urbanização também é um processo moldado pela tensão entre forças que impulsionam a
concentração e, simultaneamente, a desconcentração da população e das atividades
econômicas. Entre as forças que induzem a concentração dos agentes podem ser destacadas:
vantagens naturais, como acesso à água e aos portos, ou devido à sua localização central;
vantagens de mercados, como tamanho, facilidades de acesso a bens e serviços,
profissionais capacitados e empregabilidade;
56
vantagens vindas das externalidades puras, como o transbordamento de tecnologia e
conhecimento (KRUGMAN, 1996).
Entre as principais forças que atuam de forma contrária (Figura 4), ou seja, que impulsionam
a desconcentração, destacam-se:
a renda da terra, que torna impossível a instalação, ou permanência, de certos
empreendimentos ou estratos sociais nas regiões centrais;
o custo de transporte, que favorece a instalação de certas atividades nas áreas periféricas
para atender o mercado local;
a busca por recursos dispersos geograficamente, como terras férteis, minérios, mercados
periféricos, entre outros;
as forças fora do mercado, como tráfego urbano e níveis altos de poluição (KRUGMAN,
1996).
As firmas preferem se localizar próximas aos domicílios, e vice-versa. A região central da
distribuição dos domicílios é também o ponto ótimo para a localização das firmas, como o
centro da distribuição das firmas também é o ponto ótimo para se localizar os domicílios.
Quando o número de domicílios excede o número de firmas, estas formam um bolsão na área
central cercado de domicílios nas áreas periféricas. Este modelo fornece uma explicação para
o surgimento dos centros comerciais, nos quais uma gama de empreendimentos varejistas se
aglomera (FUJITA, 1988).
O primeiro componente - a renda da terra - consiste na qualidade, quantidade e distribuição
espacial das atividades pelo território geográfico, entre elas, empregos, comércio, centros de
saúde e locais de lazer. O segundo componente – o custo do transporte - descreve o sistema de
transporte vigente no espaço e reflete a capacidade do indivíduo de se locomover com o
mínimo de tempo, esforço e risco, e máxima confiabilidade e conforto. Este componente é
diretamente dependente da oferta de infraestrutura adequada e reflete a capacidade de fluidez
no transporte de pessoas e bens no espaço urbano (GEURS et al., 2004).
O componente temporal reflete a disponibilidade de bens e serviços em diferentes momentos
do dia, e o tempo gasto pelos indivíduos para participar de certas atividades, como trabalho,
recreação e compras. A ideia de valor, atrelada ao tempo dispendido numa atividade foi
identificada pela primeira vez por Becker (1965), em sua teoria de alocação de tempo,
segundo essa teoria, a satisfação do consumidor não vem apenas do consumo direto do bem,
57
mas de um agregado final que incluía além do bem em si, o tempo dispendido no processo de
consumo. Segundo Krugman (1996), o tempo deve ser tratado com um recurso escasso, logo,
precisa ser valorizado.
Figura 3 – Forças atuantes na urbanização
Fonte: Krugman (1996).
Por último, o componente individual reflete as características individuais, como gênero, idade,
renda, deficiências físicas, entre outros fatores. Essas características influenciam o acesso dos
indivíduos aos modais de transporte públicos e privados, além de determinar a demanda final
por transporte, o que influencia o resultado agregado da acessibilidade (GEURS et al., 2004).
Segundo Geurs et al. (2004), os componentes não afetam apenas a acessibilidade, eles
provocam impactos entre si. A distribuição das atividades no espaço é um fator determinante
na demanda por viagens, já que a proximidade dos moradores com trabalho, comércio e lazer,
por exemplo, reduz o número de viagens e a sua duração. A proximidade implica em maior
facilidade de acesso a bem e serviços, o que impacta positivamente nas restrições de tempo e
no bem-estar social.
A infraestrutura de transporte e a eficiência do sistema implicam diretamente o tempo de
viagem, o custo e o esforço com que os moradores das cidades tem de lidar diariamente. Cada
58
ganho neste componente afeta diretamente o acesso das pessoas a bens, serviços e trabalho e,
indiretamente, no nível de qualidade de vida. As características individuais dos moradores
influenciam diretamente no componente temporal, ou seja, na disponibilidade de tempo que
cada indivíduo destinará para cumprir atividades como compras, lazer e trabalho.
Essas restrições criam oportunidades para que empreendimentos próximos, com o atributo de
conveniência, se multipliquem em localidades que facilitem o acesso do consumidor e alterem
o uso da terra destinado a certa localidade. Essas novas centralidades passam a acolher filiais
das lojas centrais e pequenos comércios com o objetivo de suprir as necessidades cotidianas
da população do entorno, afetadas pelos problemas de acessibilidade (PINTAUDI, 1981;
FUJITA, 1988).
A questão da localização dos empreendimentos comerciais é definida por meio da análise das
vantagens e desvantagens das diferentes localidades. Para as empresas, o recurso terra nos
bairros periféricos é mais barato e abundante. Outro fator positivo são as menores restrições
dessas áreas, em especial no que diz respeito à circulação da frota de cargas (HESSE, 2002).
De acordo com Euromonitor (2005), diversas redes supermercadistas buscam instalar novas
lojas nos bairros periféricos em função da crescente demanda surgida com o aumento da
renda e dos altos preços dos imóveis nas áreas centrais.
Para os consumidores, a preferência por lojas mais próximas do domicílio atende ao atributo
temporal e a busca por conveniência. Segundo pesquisa realizada pelo Euromonitor (2015), a
conveniência é apontada como uma das principais tendências para varejo, em especial em
cidades em grandes cidades, em que o fator tempo é mais valorizado. O surgimento de novas
centralidades ao longo da cidade e crescimento do comércio de bairro em número e
diversidade são resultados diretos dessa nova realidade.
2.5 Informações gerais da Pesquisa de Orçamentos Familiares
As pesquisas de orçamentos familiares são realizadas há mais de quarenta anos no Brasil. Elas
sofreram profundas mudanças, para se adequarem às demandas sociais, econômicas e
políticas ao longo desse período. Foram realizadas até 2015 cinco pesquisas nacionais sobre a
estrutura de despesa das famílias brasileiras. A primeira delas foi o Estudo Nacional de
Despesa Familiar (ENDEF), em 1974/1975. De âmbito territorial nacional, teve como
exceções apenas a área rural da região Norte e de parte do Centro-Oeste.
59
As edições seguintes, nomeadas de “Pesquisas de Orçamentos Familiares” (POF), ocorreram
em 1987/1988 e em 1995/1996, concebidas para permitir, prioritariamente, a atualização das
estruturas de consumo que compõem os índices de preços ao consumidor produzidos pelo
IBGE. Essas edições claramente tinham por objetivo captar as informações referentes à
escalada da inflação que no período era um das principais questões do governo brasileiro.
A partir das informações recolhidas pela POF, é que são definidos os pesos dos itens que
compõem as cestas de consumo das famílias, utilizados nos índices oficiais que formam as
medidas de inflação, em especial o Índice de Preço ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A abrangência dessas edições ficou restrita apenas
às regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de
Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além do município de Goiânia e do Distrito
Federal. Apenas na edição de 2002/2003, bem como na de 2008/2009, a POF voltou
novamente a possuir abrangência nacional.
A redução do intervalo entre as edições da pesquisa para apenas seis anos (1995/1996,
2002/2003 e 2008/2009) justifica-se pela necessidade de revisão periódica na composição das
despesas familiares. O surgimento de novos produtos e serviços resulta no aumento do seu
consumo. Além disso, alguns importantes itens do consumo familiar são substituídos por
produtos com melhor qualidade tecnológica e, portanto, deixam de ser adquiridos em um
intervalo de tempo relativamente pequeno, como discos, disquetes, máquinas de escrever,
entre outros.
A POF fornece informações detalhadas sobre hábitos de consumo e condição de vida das
famílias, não estando restrita apenas à identificação da estrutura orçamentária. A composição
dos gastos por classe de renda fornece condições para analisar “as disparidades regionais,
diferenças entre áreas urbanas e rurais, endividamento familiar, difusão e volume de
transferências entre as diferentes classes de renda e dimensão do mercado consumidor para
grupos de produtos e serviços” (IBGE, 2010).
Existem algumas diferenças entre as últimas três edições da POF (1995/1996, 2002/2003 e
2008/2009). A edição de 1995/1996 segue o modelo definido para a edição anterior
(1987/1988), em que a pesquisa é conduzida apenas nas regiões metropolitanas, no município
de Goiânia e no Distrito. As duas edições seguintes (2002/2003 e 2008/2009) foram
realizadas com abrangência nacional e passaram a compreender, além das áreas
60
metropolitanas, as regiões urbanas do interior e as áreas rurais, conforme destacado na Figura
5 (IBGE, 2010).
Figura 4 – Histórico das pesquisas dos orçamentos familiares realizadas pelo IBGE
Fonte: Elaborado pelo autor.
A amostra utilizada pelo IBGE foi estruturada de maneira a permitir a análise dos resultados
para diferentes cortes: o Brasil como um todo, por região (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e
Centro-Oeste) e também por área urbana e rural.
De acordo com o IBGE (2010), o objeto de análise é o domicílio.
[...] a POF é uma pesquisa realizada por amostragem, na qual são investigados os
domicílios particulares permanentes. No domicílio, por sua vez, é identificada a
unidade básica da pesquisa, dita Unidade de Consumo (UC) que compreende um
único morador ou conjunto de moradores que compartilham da mesma fonte de
alimentação ou compartilham despesas de moradia.
A coleta de dados é realizada ao longo de doze meses, do mês de outubro do primeiro ano até
o mês de setembro do ano seguinte. Dessa forma, garante que as observações estejam livres
das alterações provenientes das flutuações de despesas e rendimentos que ocorrem ao longo
de um ano, os fatores sazonais. O período de coleta das informações das despesas difere
segundo o tipo de item estudado.
Despesas mais frequentes com itens de menor valor, que são adquiridos diariamente, precisam
ser identificadas e coletadas em um período de referência menor. Despesas com itens mais
caros são realizadas com menor frequência; portanto, a memória das informações
relacionadas a uma aquisição de valor mais elevado é preservada por um período de tempo
mais longo. Visando incorporar a diversidade de aquisições, foram definidos quatro períodos
61
de referência: 7 dias, 30 dias, 90 dias e 12 meses, segundo os critérios de frequência de
aquisição e do nível do valor da despesa.
2.5.1 Definição da amostra e método de coleta
A POF é uma proposta de estudo de caráter nacional e representativo da população brasileira.
A edição de 1995/1996 reuniu dados de 16.060 domicílios das regiões metropolitanas de
Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e
Porto Alegre, além da capital Brasília e do município de Goiânia. Já o desenho amostral
estipulado para as edições de 2002/2003 e 2008/2009 foi criado com a intenção de tornar a
pesquisa abrangente em todo o território nacional. De acordo com o IBGE (2010), “adotou-se
um plano amostral denominado como conglomerado em dois estágios, com estratificações
geográficas e estatísticas das unidades primárias de amostragem [...]”. O tamanho efetivo da
amostra foi de 48.470 domicílios em 2002/2003 e de 55.970 em 2008/2009.
Apesar de a pesquisa também fornecer dados domiciliares e pessoais, a unidade de
investigação aqui utilizada é a família, que é tida como de grande relevância para a
estruturação de políticas sociais.
Para efeito de divulgação da POF, o termo família
é considerado equivalente à unidade de consumo. A unidade de consumo
compreende um único morador ou conjunto de moradores que compartilham da
mesma fonte de alimentação, isto é, utilizam um mesmo estoque de alimentos e, ou,
realizam um conjunto de despesas alimentares comuns. Nos casos onde não existia
estoque de alimentos nem despesas alimentares comuns, a identificação ocorreu
através das despesas com moradia (IBGE, 2010).
As informações divulgadas por essa pesquisa foram obtidas diretamente dos domicílios
selecionados, por meio de entrevistas realizadas pelo agente do IBGE junto aos moradores. O
método de coleta dos dados dos orçamentos familiares foi realizado por meio da aplicação de
questionários específicos, sob a forma de entrevista presencial, registrados em computadores
portáteis pelos agentes do IBGE. As aquisições com ocorrências frequentes, de uso coletivo e
individuais, como alimentação e transporte, são registradas diariamente.
Nas cadernetas de despesas coletivas os registros foram feitos pelos informantes
(autopreenchimento) ou pelos agentes de pesquisa. Quanto às demais aquisições e
rendimentos, utilizou-se o método de aplicação de questionários, por entrevista
assistida, com recorrência à memória do informante (IBGE, 2010).
62
Os questionários aplicados para a coleta foram realizados de forma semiaberta, na qual se
apresentou uma lista de opções previamente codificadas, com espaço para alternativas
individuais, não previstas pelo IBGE, e relatadas pelos entrevistados. A existência de um
vocabulário regional utilizado pela população, com distintas conotações de acordo com o
local de coleta, gerou uma extensa lista de itens de despesa e locais de compra nas tabulações
finais (IBGE, 2010). Para mais informações sobre a amostra, o tratamento utilizado, a crítica e
a imputação de variáveis da POF, sugere-se a leitura das publicações da pesquisa encontradas
de forma livre e gratuita no site do IBGE.4
4 As publicações encontram-se no site: www.ibge.gov.br (acesso livre e gratuito).
63
3 MÉTODO DE PESQUISA
3.1 Caracterização da pesquisa
Esta pesquisa pode ser classificada como empirista indutiva, com base na classificação de
Demo (1981). Segundo o Empirismo Indutivo, a generalização é produto da observação
repetida, nunca anterior a esta.
Para se estabelecer uma regularidade cientifica é necessário, antes de tudo, contar
empiricamente a repetição suficiente de casos concretos confirmadores da suposta
regularidade (DEMO, 1981, p.106).
A base desse pensamento é a observação verificável. A teoria, nessa abordagem, é construída
aos poucos através dos vários estudos que vêm a comprová-la. Diversamente da hipotético-
dedutiva, essa abordagem busca a comprovação da teoria e não sua refutação.
As pesquisa indutivas possuem a preocupação com o esclarecimento dos fatos dos fenômenos
da realidade, através da observação e de experimentos dos fatos em busca da comprovação da
teoria ou hipótese. Essa abordagem parte do especifico ao geral, ou seja, da prática à teoria.
3.2 Escolha das variáveis
A Pesquisa dos Orçamentos Familiares tem um caráter amplo, na medida em que coleta uma
série de variáveis referentes a: condições de moradia e de vida, despesas e rendimentos das
famílias investigadas.5 Os dados obtidos podem ser utilizados como apoio no
desenvolvimento de estudos sobre hábitos alimentares, composição de gastos e rendimentos
familiares, identificação de disparidades regionais e subsídio para elaboração de políticas
públicas na área social e econômica (IBGE, 2014).
Este estudo contempla informações referentes à aquisição de bens e serviços pelas famílias
brasileiras. A questão central deste trabalho é identificar quais setores varejistas foram
influenciados pelo consumo de conveniência orientados por fatores de mobilidade e discutir
os efeitos na logística e na distribuição. As grandes cidades brasileiras possuem problemas
clássicos de mobilidade urbana em função da falta de planejamento urbano e do crescimento
5 Para mais informações ver Apêndice 1 - Variáveis Observadas pela Pesquisa dos Orçamentos Familiares.
64
rápido que passaram nas últimas décadas. Em função disso, espera-se que a alteração nos
hábitos dos consumidores dessas cidades seja mais notória do que no dos moradores das
pequenas e médias cidades do interior.
Neste trabalho, foram utilizadas as últimas três edições da POF (1995/1996, 2002/2003 e
2008/2009). A escolha dessas edições apoiou-se no acesso aos dados da pesquisa. Os dados
das edições 2002/2003 e 2008/2009 estão disponibilizados de forma gratuita no site do IBGE.
Os dados referentes à edição 1995/1996 podem ser adquiridos em formato de CD-ROM,
também pelo site da instituição. No entanto, as bases de microdados do IBGE são
disponibilizadas em um formato codificado, sendo necessária a extração dos mesmos via
programas estatísticos. O software STATA6 foi escolhido devido à ferramenta criada pelo
programa de pós-graduação da PUC-Rio, uma iniciativa chamada DATA ZOOM7, que auxilia
pesquisadores na extração de microdados das principais bases do instituto.
Para responder à pergunta central deste trabalho, foram selecionadas algumas das variáveis
observadas na POF:
CÓDIGO DA UF DA DESPESA - identifica a Unidade da Federação onde foi efetuada a
aquisição do produto ou serviço.
ESTRATO GEOGRÁFICO - identifica os estratos do plano amostral da pesquisa:
estratificações geográficas e estatísticas. No nível geográfico, a estratificação compreende:
área urbana para o município da capital, resto da região metropolitana, resto da UF e área
rural. A estratificação estatística foi realizada a partir das informações da renda total dos
responsáveis pelos domicílios e a taxa de ocupação.
NÚMERO DO QUADRO - identifica os agrupamentos de produtos específicos do
questionário de despesas. Na última edição da pesquisa (2008/2009), foram levantados
13.771 itens de consumo das famílias, um aumento de 32% na variedade de itens de
consumo em comparação com a edição anterior. Dessa forma, facilita a análise realizar um
agrupamento de itens próximos. Entre os grupos, estão: Despesas com Habitação,
Despesas com Aquisição de Aparelhos e Máquinas, Despesas com Aquisição de Móveis,
Despesas com Artigos de Decoração e Forração, Despesas com Transportes, Despesas com
6 Programa de análise estatística americano criado pela companhia Statacorp. Para mais informações, verificar o
site da empresa: http://www.stata.com
7 Para mais informações sobre o DATA ZOOM, verificar o site da iniciativa: www.econ.puc-rio.br/datazoom.
65
Leitura, Despesas com Produtos Farmacêuticos, Despesas com Artigos de Higiene e
Beleza, Despesas com Viagens, entre outros.
FORMA DE AQUISIÇÃO - identifica se a forma de aquisição do item foi por meios
monetários (compra e aluguel) ou por meios não monetários (doações e produção própria).
LOCAL DE COMPRA - identifica o tipo de local onde o produto ou serviço foi adquirido.
Dentre os mais de 600 locais de compra observados na última edição da pesquisa, estão
supermercado, vendedor ambulante, padaria, lanchonete, açougue, peixaria, feira livre,
drogaria, entre outros (IBGE, 2014).8
A variável Código da UF da Despesa identifica os estados em que as despesas foram
efetuadas. Como a edição de 1995/1996 da pesquisa restringiu sua coleta apenas às regiões
metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São
Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além do município de Goiânia e do Distrito Federal, visando
manter o critério de comparação, a análise das demais edições também ficou restrita às
respectivas unidades da federação (UFs) dessas cidades. Portanto, em um primeiro momento,
a pesquisa se restringiu às UFs do Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerias, Rio de
Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal.
A questão desta pesquisa demanda a comparação entre os hábitos de compra dos moradores
das regiões metropolitanas com os dos moradores das cidades do interior. Logo, foi necessário
reavaliar a escolha das UFs que participariam da análise. A pesquisa do IBGE não considera
que o município de Goiânia faça parte de uma região metropolitana, sendo, portanto,
considerado fora do escopo da pesquisa.
Outra UF que não atende a esse critério é o Distrito Federal, visto que é composto de apenas
um município, a capital federal Brasília. Portanto, também foi desconsiderado para a análise
desta pesquisa. Por fim, os estados analisados foram: Pará (região Norte), Ceará, Pernambuco
e Bahia (região Nordeste), Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (região Sudeste) e
Paraná e Rio Grande do Sul (região Sul), conforme Figura 6.
A variável Estrato Geográfico segmenta os domicílios no espaço geográfico, da seguinte
forma: município da capital, demais municípios da região metropolitana, outros municípios da
UF e áreas rurais. Essa variável consegue, portanto, identificar a diferença nas despesas das
8 Para a lista completa ver Apêndice 2 - Locais de Aquisição Identificados na Pesquisa dos Orçamentos
Familiares.
66
famílias residentes nas regiões metropolitanas (município da capital mais os demais
municípios da região metropolitana) e nas cidades do interior (demais municípios da UF).
Figura 5 – Unidades da federação selecionadas para análise
Fonte: Elaborado pelo autor.
Como a POF observa o consumo de mais de 10 mil itens, foi considerada mais apropriada a
análise por grupos de produtos. A variável Número do Quadro agrupa os itens de consumo do
mesmo tipo, para facilitar a análise dos dados. Dentre os agrupamento da POF, cinco grupos
de despesas foram selecionados para análise, envolvendo produtos perecíveis, bens de
consumo não duráveis e bens duráveis.
Bens de consumo não duráveis
Produtos perecíveis
67
Alimentação: inclui todos os produtos alimentícios identificados pela POF, mais os dos
subgrupos abaixo e outros (Quadro 63 a 69)9;
cereais e leguminosas: inclui produtos como arroz, amêndoas, milho, trigo, feijão,
legumes em geral, entre outros (grupo 63);
farinhas e massas: inclui produtos como farinhas de trigo, mandioca e milho e massas
prontas e semiprontas (grupo 65);
frutas: inclui todas as frutas adquiridas durante o período de coleta (grupo 68);
açúcares e confeitos: inclui desde pacotes de açúcar a doces em geral (grupo 69);
carnes: inclui todas as carnes vermelhas consumidas durante o período (grupo 71);
Artigos de higiene pessoal: inclui artigos de higiene pessoal (escovas de dente e aparelho
de barbear), cosméticos (cremes e loções) e artigos de perfumaria (colônias e perfumes)
(quadro 30);
Artigos de vestuário: inclui artigos de vestuário masculinas, femininas e infantis (quadros
34, 35 e 36).
Bens de consumo duráveis
Artigos eletrônicos: inclui aparelhos elétricos, como eletrodomésticos, eletroeletrônicos e
equipamentos para o uso no lar (quadro 15).
Existem algumas diferenças conceituais entre esses diferentes tipos de bens. Os bens não
duráveis são aqueles que acabam com seu uso, como alimentos, produtos de higiene e
limpeza. Uma categoria desses produtos (os produtos perecíveis) possui a característica de ter
validade bem reduzida, sendo necessário seu consumo em período curto de tempo. Já os
produtos duráveis mantêm a funcionalidade intacta por um período de tempo maior, não
sendo necessária sua substituição.
A POF identifica todos os bens adquiridos pela família no período de um ano, por meios
monetários e não monetários. Como o objetivo deste trabalho é avaliar os hábitos de consumo
do varejo, na análise da aquisição de bens doados ou advindos da produção própria não foi
considerada informação relevante para a pesquisa. Portanto, a análise considerou apenas os
produtos adquiridos por meios monetários.
9 Mesmo com o corte proposto pelo trabalho, foram tratados mais de 9.000 itens, tornando inviável qualquer
maior detalhamento por meio das tabelas dos Apêndices. Para mais informações, verificar planilha Cadastro de
Produtos POF 2008/2009 disponível para download no site do IBGE: www.ibge.br.
68
Com relação aos locais de compra observados pela POF, eles são autodeclarados pelos
respondentes. Segue abaixo a descrição dos principais formatos varejistas observados na
pesquisa:
Quadro 5 – Descrição dos principais formatos varejistas identificados na pesquisa
FORMATOS DESCRIÇÃO
Açougue O açougue é uma formato de especialidade, com pequeno sortimento,
aproximadamente de 250 itens. As lojas físicas possuem área de venda
média de 20 à 50 metros quadrados. Sua área de atuação geralmente
fica restrita a vizinhança local.
Feira livre Esses formatos de varejo são especializados em comercializar
principalmente frutas, verduras e hortaliças. A feira-livre é um formato
de varejo tradicional, porém não possui loja física. As feiras ocorrem
normalmente em vias públicas, que são interditadas para estas
ocorrerem, e em determinados dias.
Hipermercado A evolução direta do supermercado, esse formato possui em média
45000 itens com uma área média de vendas entre 7000 e 16000 metros
quadrados. Possui seções de mercearia, hortifrúti, carnes, aves, frios,
laticínios, peixaria, padaria, bazar, têxtil e eletrônicos.
Loja de
departamento
Formato varejista que comercializa uma série de produtos duráveis e
não-duráveis. Possui seções de eletrônicos, têxteis, livros, CDs, DVDs,
artigos para o lar, entre outros.
Mercearia As mercearias são lojas pequenas que oferecem produtos básicos e que
estão localizadas principalmente em regiões de baixo potencial de
mercado, onde não se justificaria a instalação de supermercados
compactos. Possuem em média 500 itens disponíveis aos
consumidores.
Mercado Os mercados são um expressivo tipo de varejo, principalmente nos
bairros de classe baixa, e apresentam a linha de produtos de uma
mercearia, porém, já adotam o sistema de autosserviço, com apenas
um check-out. Possuem em média 1000 itens disponíveis aos
consumidores.
69
Padaria A padaria é um formato de varejo peculiar, normalmente classificada
como uma loja de especialidade por comercializar produtos de
panificação e laticínios. O tamanho médio das padarias é de 288,88
m2, porém, existe uma tendência de redução para cerca de 150-200
m2.
Quitanda/Sacolão As quitandas e os sacolões são formatos de varejo recentes que
comercializam basicamente hortifrútis, mas que também podem
comercializar alguns produtos enlatados e itens de mercearia, no caso
dos varejões.
Supermercado Os supermercados são formatos varejistas caracterizados pela
diversidade de tamanhos de lojas e de quantidade de produtos
disponíveis para venda. Os supermercados compactos são
caracterizados pelo autosserviço, poucos caixas e disposição de
produtos acessível. Os supermercados convencionais são de porte
médio e apresentam uma boa variedade de produtos, mas que mantém
o caráter essencialmente de loja de alimentos. Já as superlojas são
grandes supermercados que apresentam completa linha de produtos
perecíveis e também oferecem uma razoável gama de produtos não
alimentícios, com destaque para as seções de eletrônico e de têxteis.
Venda direta Essas vendas são caracterizadas pela venda direta ao cliente, não
existindo lojas físicas. A compra por catálogo é o principal forma de
contato com o cliente.
Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em Brito (1998), Parente (2000) e Ghisi (2005).
3.2 Descrição dos métodos de pesquisa
Esta pesquisa apoiou-se em duas frentes paralelas, uma extensa revisão bibliográfica e a
análise dos dados observados na POF. A revisão bibliográfica teve como principal finalidade
esclarecer se a transferência de locais de compra era um fenômeno já identificado no Brasil
pela academia, além de explicar sua relação com a questão logística e da mobilidade urbana.
A revisão de literatura concentrou-se principalmente em livros, periódicos e revistas
especializadas, de publicação nacional e internacional.
Os dados foram analisados com o objetivo de identificar a transferência dos locais de compra
do varejo nas aquisições de bens das famílias brasileiras, considerando que a partir disso será
70
possível estabelecer um paralelo entre a escolha do local de compra e os problemas de
mobilidade que afligem as metrópoles brasileiras. A análise descritiva foi considerada
adequada para responder à questão central da pesquisa.
Mattar (2001) afirma que a análise descritiva tem por objetivo proporcionar informações
sumarizadas dos dados contidos no total de elementos da amostra. Este tipo de estatística
serve para caracterizar os indivíduos de um grupo, além de medir como os eles estão
distribuídos dentro do mesmo e o relacionamento existente entre duas ou mais variáveis.
A análise descritiva utilizada nesta pesquisa foi a distribuição de frequência da variável
Locais de Compra, utilizando as variáveis Número do Quadro e Estrato Geográfico para
delimitar os grupos de análise. A distribuição de frequência visa obter uma contagem do
número de respostas associadas a diferentes categorias de uma variável em forma de
percentagem e a tabulação cruzada é uma técnica que descreve duas ou mais variáveis de
modo simultâneo, originando tabelas e gráficos que refletem a distribuição conjunta dessas
variáveis com um número limitado de categorias (MALHOTRA, 2001), conforme Figura 7.
Figura 6 – Variáveis selecionadas para a pesquisa
Fonte: Elaborada pelo autor.
71
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Esta seção apresenta os resultados da análise dos dados da Pesquisa dos Orçamentos
Familiares. Divide-se em duas etapas. A primeira se concentra em avaliar os dados das
regiões metropolitanas selecionadas das últimas três edições da POF (1995/1996, 2002/2003 e
2008/2009). Para isso, foi observada a ocorrência de alterações nas escolhas dos locais de
compra pelos consumidores ao longo do período compreendido pela pesquisa do IBGE e
interpretadas de acordo com a literatura.
A segunda focaliza a comparação entre os resultados encontrados nas metrópoles brasileiras e
os das cidades do interior dos estados nas últimas duas edições (2002/2003 e 2008/2009).
Essa comparação se torna importante, visto que algumas mudanças nas forças do varejo
podem ser atribuídas aos problemas e às deficiência da mobilidade urbana das grandes
metrópoles brasileiras.
Os locais de compra foram analisados em cada grupo de despesa escolhido, que concentra
itens similares da cesta de consumo das famílias. Os agrupamentos selecionados contêm
produtos de consumo frequente e outros de consumo não rotineiro. Segundo Novaes (2007),
os consumidores se mostram mais ou menos dispostos a substituir locais de compra em
função do tipo de produto que desejam adquirir.
4.1 Evolução do varejo nas regiões metropolitanas
A localização do estabelecimento é um fator de sucesso para a empresa varejista. No entanto,
problemas de mobilidade urbana afetam a qualidade de vida do consumidor, resultando na
alteração de seus hábitos de consumo. A escolha por locais de compra do consumidor é
afetada, visto que tempo e lugar são fatores-chave na concretização da compra (KAHN;
SCHMITTLEIN, 1989).
A escolha do consumidor pelo estabelecimento de compra leva em consideração uma série de
fatores, dentre eles o tipo de bem que se deseja adquirir. Dessa forma, pretende-se encontrar
respostas por meio da investigação dos principais locais de compra escolhidos pelos
consumidores das seguintes despesas: Produtos Alimentícios, Artigos de Higiene Pessoal,
Artigos de Vestuário e Artigos Eletrônicos.
72
4.1.1 Produtos alimentícios
O varejo é um setor altamente adaptável às necessidades dos consumidores e o comércio de
produtos alimentícios não é diferente, tendo sofrido profundas mudanças nos últimos anos,
em especial com o surgimento de novos formatos, ajustados a atender às novas necessidades
dos consumidores. A criação desses empreendimentos, no entanto, não significa a extinção
dos formatos anteriores (SWINYARD, 1997).
A partir dos dados do grupo de Despesa com Produtos Alimentícios, é possível saber qual
formato varejista foi escolhido no momento da compra pelas famílias pesquisadas. O Gráfico
910 apresenta os dez locais de compra mais frequentes na aquisição de alimentos e sua
participação relativa ao longo de um período de quase quinze anos. Os demais locais de
compra foram agregados em uma mesma categoria, denominada “Outros”, como nas análises
dos demais produtos.
É possível identificar que o varejo de alimentos no Brasil está concentrado nos três formatos
de maior participação - o supermercado, a padaria e a mercearia - com participação conjunta
de 66,07% em 1995/1996 e de 62,71% em 2008/2009. A queda desse período se deve
exclusivamente à redução da participação das padarias, caindo de 17,37% na primeira
pesquisa para 13,09% na última.
O ganho de importância relativa de formatos como mercado, mercearia e hipermercado, pode
ser identificado da mesma forma que a perda da importância de ambulante, açougue e feira
livre. Outro dado importante é o aumento da participação dos demais locais de compra
identificados na categoria Outros, que possuíam uma participação de apenas 5,43% no início
do período e subiram para 14,10% na última pesquisa. O supermercado foi o formato mais
utilizado na aquisição de alimentos, com participação relativamente estável durante o período
de aproximadamente 35% das compras.
Ao se comparar algumas regiões metropolitanas individualmente, foi possível identificar
algumas disparidades regionais. A participação dos supermercados nas regiões metropolitanas
10 Todas as informações dos gráficos dessa seção se encontram disponíveis também no formato de tabelas no
Apêndice C.
73
de São Paulo foi de 30,78%, na edição de 1995/1996, passou para 56,64%, na edição de
2008/2009. Em Curitiba a participação subiu de 51,72% para 63,17% no mesmo período.
Também foi identificado crescimento nas regiões metropolitanas de Fortaleza, 19,14% para
28,63%, e de Belém, 29,97% para 30,39%. Foi possível identificar que o uso do
supermercado na realização de compras de alimentos, que já era maior em São Paulo e
Curitiba, cresceu ainda mais, superando a média nacional. Enquanto, no mesmo período,
Belém e Fortaleza apenas se aproximaram da média das regiões metropolitanas analisadas, de
aproximadamente, 35%.
Pesquisas anteriores, como o relatório “Impactos Verticais da Concentração do Setor
Varejista Brasileiro”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (2003), já identificavam que o
varejo de alimentos está concentrado em poucos formatos, como também em poucas e
grandes empresas. De acordo com o relatório, apenas as empresas de supermercados e
hipermercados concentravam 74,60% do faturamento total do varejo alimentício em 2002. O
surgimento dos hipermercados na lista dos dez principais varejos alimentícios a partir da
edição da POF de 2002/2003 indica o crescimento da sua importância, embora isso não se
traduza em maior participação, restrito a apenas 2,11% (Gráfico 9).
Gráfico 9 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com produtos
alimentícios nas regiões metropolitanas (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
74
Apesar de vários formatos tradicionais concentrarem grande participação na compra de
diversos produtos, como as compras de pães e laticínios nas padarias, os supermercados se
tornaram mais competitivos nas últimas décadas em função de pesados investimentos nas
seções de carne, hortaliças, frutas e panificados (PARENTE, 2000). Isso pode explicar a
queda de participação da padaria, quitanda, feira livre e açougue no comércio de alimentos
nas regiões metropolitanas brasileiras.
Pesquisa realizada pelo BNDES (2001) mostra que os principais motivadores de compra de
bens nas padarias são a proximidade da residência (100%), a proximidade do local de trabalho
(52,7%), as condições de higiene e limpeza (30,7%), a cortesia no atendimento (28,8%) e a
qualidade dos produtos (25,7%). Claramente a localização é fator dominante na determinação
do volume de vendas das padarias.
No caso das padarias, sua participação no comércio de alimentos cresceu na regiões
metropolitanas de Fortaleza, de 7,42% para 12,17%, e de Fortaleza, de 12,8% para 14,15%.
Mas ocorreu queda da participação em São Paulo, de 24,74% para 13,56% e em Curitiba, de
14,24% para 8,09%. Portanto, a explicação para sua queda pode estar associada ao aumento
da concorrência de outros formatos na sua principal localidade, o comércio de bairros.
Uma tendência identificada na última década é o crescimento dos supermercados de bairros,
aumentando a concorrência com os formatos tradicionais do comércio local, o que pode
explicar a queda da participação das padarias (EUROMONITOR, 2015). Uma pesquisa
encomendada pela Associação Paulista de Supermercados (2005) mostrou que o desempenho
dos hipermercados e dos supermercados de maior porte foi inferior ao apresentado pelos
supermercados de menor porte. Enquanto os primeiros sofreram uma queda nas vendas em
aproximadamente 5% no período de 1999 a 2003, os pequenos supermercados aumentaram o
volume de vendas no mesmo período. A conclusão dessa pesquisa é que empreendimentos
menores têm sido mais bem sucedidos em atender às queixas dos consumidores, por meio de
um atendimento mais pessoal.
De acordo com o Euromonitor (2015), ocorre um aumento da presença de pequenas lojas das
grandes redes varejistas atuando no comércio de vizinhança. O faturamento, em dólar, dessas
pequenas lojas subiu 15% em 2014, enquanto o faturamento dos hipermercados e dos
75
supermercados tradicionais cresceu apenas 0,5% e 2,3%, respectivamente. O instituto de
pesquisa concluiu que os principais fatores que explicam o aumentos do volume de negócios
no comércio de alimentos em bairros são as mudanças de hábitos da população, como maior
busca por conveniência, e a tentativa de minimizar os impactos da mobilidade urbana na
rotina dos consumidores.
O crescimento do varejo de bairro no Brasil pode ser identificado nas estratégias de diferentes
redes varejistas. Por exemplo, a rede Carrefour já está inserida no comércio da vizinhança
desde 2010, com a bandeira Carrefour Bairro. Em 2014, deu-se início a uma nova investida,
agora sob a bandeira Carrefour Express, formato de lojas com 200 m² e cerca de 2,7 mil itens
básicos e de consumo rápido. Outros grupos, como o Pão de Açúcar e a espanhola Dia%, já se
inseriram nesse mercado e planejam crescimento (EUROMONITOR, 2015).
Essas alterações ocorridas no varejo são uma clara resposta à busca dos consumidores por
conveniência nas compras de alimentos, tão afetada pelos problemas de mobilidade. De
acordo com uma pesquisa realizada pelo Euromonitor (2011), mais da metade dos
entrevistados no Brasil afirmou que concordaria em pagar mais pelo mesmo produto em lojas
que oferecessem conveniência no momento da compra (Gráfico 10).
A busca por conveniência pode ser a explicação do crescimento da importância relativa de
formatos tipicamente de bairro, como a mercearia e o mercado. Os problemas de mobilidade
urbana têm afetado os mais diversos hábitos da população. A tentativa de poupar tempo na
compra de certos produtos, em especial produtos de pouco valor agregado, desloca os
consumidores para o comércio dos bairros (LIMA JÚNIOR, 2011). Segundo informações da
POF, esses tipos de varejo representavam juntos 16,21% das compras de alimentos, em
1995/1996, subindo para 20,01%, em 2008/2009. Mesmo no período do surgimento de novos
varejos, como hipermercados, e da expansão das redes supermercadistas, esses varejos
aumentaram sua participação relativa.
76
Gráfico 10 – Participação de consumidores, por países, que pagariam mais pela
conveniência
Fonte: Euromonitor (2011).
Apenas os mercados mais que dobraram sua participação relativa durante esse período,
passaram de 2,7% para 6,4% das vendas de alimentos. O formato mercearia, apesar de ter se
mantido estável durante o período em aproximadamente 13%, assumiu a segunda posição dos
locais de compra mais frequentes, ultrapassando as padarias, que tiveram queda no mesmo
período. Esse fato indica que os consumidores estão voltando sua atenção ao comércio do
bairro, ocasionado maior competição entre os formatos atuantes nessa localidade.
Outra informação importante observada é o ganho de participação de formatos menos
tradicionais no comércio de alimentos, agrupados na categoria Outros. Na primeira edição, a
participação era de 5,43%, subindo para 14,10% na última edição. Embora a contribuição
individual de cada um desses locais de compra esteja abaixo de 1%, eles em conjunto somam
mais que o segundo local mais procurado pelas famílias para aquisição de alimentos, a
mercearia. Podem ser destacados entre os principais formatos desse agrupamento,
restaurantes, bares, farmácias e drogarias, vendedores ambulantes, lanchonetes, atacadistas,
entre outros.
77
O fator disponibilidade é um atributo relevante para a concretização da compra, em especial
daquelas por impulso. Alguns produtos necessitam ter uma ampla distribuição, visto que a
compra só se realiza quando o consumidor tem acesso visual a ele. Doces e demais
guloseimas nos caixas de bares, restaurantes e drogarias são um exemplo desse fato. Dessa
forma, a necessidade de estar presente em vários locais de compra é que define o volume a ser
comercializado. Portando, se faz necessário uma avaliação mais detalhada.
Do grupo de Despesa com Produtos Alimentícios foram selecionados alguns subgrupos que
compõem importantes parcelas da cesta de alimentos das famílias brasileiras, entre eles:
cereais e leguminosas, farinhas e massas, frutas, açúcares e confeitos e carnes.
4.1.1.1 Despesas com Cereais e Leguminosas
Na aquisição de cereais e leguminosas, o supermercado concentra um valor quase fixo de
37% ao longo de todo período. O formato mercearia assume a segunda posição nas últimas
duas edições na preferência dos consumidores, variando de 14,08% no início do período para
18,36% no final. Uma informação importante é o fato de os varejos padaria e açougue, na
edição de 1995/1996, concentrarem pouco mais de 20% da frequência de vendas, deixando de
figurar nos principais formatos desse mercado, e de os varejistas mais especializados, como
quitandas e sacolões, se tornarem mais relevantes: respectivamente, terceiro e quinto lugares
(Gráfico 11).
De acordo com Parente (2000), os varejistas enfrentam um dilema competitivo entre
especialização e massificação. O primeiro consegue oferecer ao consumidor atributos
voltados à qualidade, enquanto o segundo compete por preços. Produtos como frutas,
verduras e legumes são altamente perecíveis, perdendo qualidade em questão de dias.
Portanto, varejos mais especializados no comércio desses bens, como quitandas e sacolões,
tendem a manter um nível de qualidade dos produtos mais alto (MOURA, 2000).
Alterações nos hábitos de compra dos consumidores e o crescimento da renda das famílias
afetam o varejo desses produtos. A valorização do tempo destinado às atividades de aquisição
de bens de consumo regular, agravadas dificuldades impostas pela mobilidade urbana,
resultou na volta do consumidor ao comércio de bairro. O crescimento da renda das família
mais pobres aumentou o nível de atividade desse varejo, em especial, em periferias mais
empobrecidas. Esses dois fatores tornaram economicamente viáveis a instalação de novos
78
empreendimentos nos bairros, resultando em um comércio mais dinâmico (EUROMONITOR,
2014).
Gráfico 11 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas Cereais e
Leguminosas (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
O crescimento relativo das vendas, em conjunto, nos sacolões e nas quitandas e a queda na
participação das padarias no comércio de cereais e leguminosas podem ser encarados como
parte desse fenômeno. A chegada de novos formatos ao comércio dos bairros que ofertam,
além da conveniência, maior qualidade nos produtos, interferem na dinâmica do varejo dessas
regiões, resultando em um comércio mais especializado.
4.1.1.2 Despesas com Frutas
No comércio de frutas, as alterações foram muito parecidas com o cenário encontrado no
varejo de cereais e legumes (Gráfico 12). A diferença mais notória é a queda na participação
dos supermercados nesse mercado ao longo do período, passando de 39,32% para 31,02%. A
padaria, que em 1995/1996 era o segundo formato mais procurado na compra de frutas, com
15,41% do total, deixou de figurar entre os sete principais varejistas e passou a contribuir com
79
menos de 2,5%. Varejos especializados, como o sacolão e a feira livre, aumentaram sua
participação relativa, apoiados na busca dos consumidores por produtos mais frescos
(MOURA, 2000).
Como no comércio de cereais e leguminosas, as alterações nas escolhas por locais de compra
de frutas pode ser encarado com a especialização do varejo dos bairros, que oferecem, além
da conveniência, maior qualidade nos produtos. A queda na participação dos supermercados
indica que esse fenômeno está mais intenso nesse setor do que no comércio de cereais e
leguminosas.
Gráfico 12 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Frutas (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
4.1.1.3 Despesas com Farinhas e Massas
Como nos subgrupos anteriores, o supermercado concentra boa parte das vendas de farinhas e
massa. Durante o período, aumentou ainda sua mais participação, passando de 33,49% em
80
1995/1996 para 40,48% em 2008/2009. Apenas os três primeiros formatos, supermercado,
mercearia e mercado, concentraram no final do período 76,06% das vendas desses produtos.
Durante o período, o consumidor passou a utilizar mais a mercearia, passando de 14,71% para
20,29%. O mercado, que não figurava entre os principais formatos, assumiu a terceira posição
com 13,92%. Novamente, a padaria perdeu participação durante o período em função do
crescimento dos formatos mercearia e mercado. Outra informação importante é a melhora da
posição do hipermercado no final do período, que, apesar de contribuir com apenas 2% das
vendas, figura em sexto lugar na preferência dos consumidores para a compra de farinhas e
massas (Gráfico 13).
Gráfico 13 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Farinhas e
Massas (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
4.1.1.4 Despesas com Açucarados e Confeitos
O varejo de produtos açucarados e confeitos tornou-se mais concentrado ao longo do período
analisado. Como nas despesas com Farinhas e Massas, a procura pelo supermercado
aumentou de 38,39% para 45,48% na compra de doces. O segundo colocado, a mercearia
81
passou de 11,53% para 16,60%, enquanto o mercado passou de 3,29% para 15,32%,
assumindo a terceira posição. A feira que representava 8,12%, deixou de figurar entre as
principais preferências dos consumidores para aquisição desses bens (Gráfico 14).
Gráfico 14 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Açucarados e
Confeitos (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
5.1.1.5 Despesas com Carnes
O varejo de carnes foi um dos que mais sofreu alterações ao longo do período. Os açougues,
que eram responsáveis por apenas 3,1% das vendas, passaram a rivalizar com o primeiro
colocado, com participação de 33,29 (Gráfico 15). A criação de um sistema de entrega em
domicílio, a confiança e a localização próxima oferecida pelos açougues podem estar
associadas ao crescimento da preferência por esse varejista (BÁNKUTI, 2002). Além disso, o
surgimento de um tipo especial de açougue, as chamadas boutiques de carnes, oferecem ao
consumidor, além dos atributos já citados, um ambiente confortável, cortes especiais e
atendimento especializado (BATALHA; SILVA, 2000).
82
Os supermercados subiram sua participação de 30,75% no início para 34,61% no final do
período, apoiados nos maiores investimentos nesse setor nas lojas (PARENTE, 2000). Além
desses dois formatos, apenas o mercado e o frigorífico aumentaram de participação entre os
principais varejistas escolhidos para compra desse produto. Inclusive a categoria Outros, que
compreende todos os demais varejos, reduziu sua participação ao longo do período.
Gráfico 15 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Carnes (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
4.1.2 Produtos de higiene pessoal
O setor de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria ganhou dinamismo nas últimas décadas
apoiado no crescimento da renda das famílias brasileiras e na maior gasto destinado a esses
produtos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria
e Cosméticos (ABIHPEC), o setor cresceu acima da média da indústria nacional no período
entre 1994 e 2008, com acumulado de 270% contra 47% nesse período.
De acordo com a ABIHPEC (2009), o comércio desses produtos é realizado, comumente, por
três canais de distribuição:
83
lojas tradicionais
venda direta
lojas especializadas
O primeiro canal é composto por atacado e varejo, com formatos como supermercado,
mercado, farmácias e drogarias, entre outros. O segundo canal, as vendas diretas, por um
verdadeiro exército de consultoras, que atuam como o setor de vendas do comércio porta a
porta de grandes empresas do setor. O último canal, as lojas especializadas, é composto por
franquias e empreendimentos personalizados.
As informações obtidas a partir da análise dos dados da POF confirmam as informações da
ABIHPEC. A venda direta é o canal mais utilizado na aquisição de produtos de higiene, tendo
sua participação crescido de 24,25% em 1995/1996 para 27,55% em 2008/2009 (Gráfico 16).
Empresas como Avon e Natura criaram uma importante rede de distribuição baseada no setor
de vendas compostas por trabalhadores autônomos.
O forte crescimento do setor de venda direta na última década (taxa média anual de 14,87%
ao ano entre 2001 e 2010) foi sustentado por três fatores: relacionamento, produtos de
qualidade e conveniência (TERZIAN, 2010). O último fator está ligado fortemente ao
desafios de mobilidade urbana. A aquisição de produtos em grandes cidades mal planejadas,
como as brasileiras, exigem dos consumidores recursos financeiros e tempo para concretizar a
compra, tornando pouco conveniente o processo de compra. A venda direta, por sua vez, atrai
consumidores com a promessa de facilidade na retirada dos produtos comprados, não havendo
deslocamento ou limitando-o.
Varejos tradicionais especializados em produtos de higiene e cosméticos, como lojas de
cosméticos/perfumarias e farmácia/drogarias, cresceram sua participação durante o período
analisado, passando de 25,83% na primeira edição para 31,43% na última. Considerando os
varejistas especializados como um todo, os tradicionais e venda direta, a participação cresceu
de 50,18% para 58,98%. Apenas as farmácias e drogarias passaram de 11,92% para 15,11%.
Ao mesmo tempo, os supermercados caíram de 12,25% para 9,31%. Em Curitiba, esse
formato teve uma queda de 12,99% para 5%, e em Belém, a queda foi de 19,92% para
14,13%.
84
Gráfico 16 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Produtos de
Higiene (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
De acordo com a SuperVarejo (2008), o avanço das farmácias e drogarias no mercado de
produtos não farmacêuticos, como certos alimentos, produtos de higiene e perfumaria, já era
considerada uma ameaça ao supermercados. A mais fácil instalação de farmácias e drogarias
em localizações privilegiadas, em função do menor espaço necessário para a loja, e o horário
diferenciado de atendimento, permanecendo abertas por um período maior, influenciam a
escolha do varejista pelos consumidores. O deslocamento desses comércios para os bairros,
bem como a melhoria nas sessões de produtos não farmacêuticos, podem explicar a maior
preferência do consumidor por comprar esses bens nas farmácias e drogarias.
4.1.3 Itens de vestuário
A indústria de moda no Brasil é muito influente, produzindo eventos que lançam tendências
internacionais, tornando o País, na última década, um grande importador de marcas
85
internacionais. O grande volume de comércio torna esse varejo importante para a economia
do país.
As lojas de roupas foram o formato de varejo mais escolhido pelas famílias brasileiras para a
compra de produtos de vestuário (Gráfico 17). A participação elevada no início do período, de
61,54%, subiu um pouco mais no final do período, passando para 65,81%. A elevada opção
por este formato pode ser atribuída ao fato de ser o que melhor consegue atender aos atributos
de qualidade e marca. Além disso, esse formato de pequeno comércio consegue mais
facilmente se instalar em localizações mais próximas ao consumidor.
Gráfico 17 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Artigos de
Vestuário (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
A queda da participação das lojas de departamento, de 15,04% para 7,01%, pode ser
explicada pela concorrência dos pequenos comércios de bairro, que possuem melhor
localização e marcas mais valorizadas. As lojas de departamento necessitam se instalar em
médios e grandes estabelecimentos, o que dificulta sua manutenção nas regiões centrais.
86
Consequentemente, precisam de grande volume de vendas para se manterem vigentes no
mercado, o que inibe que se instalem em bairros.
O vendedor ambulante assume a segunda posição entre as preferências do consumidor,
aliando preço e ou conveniência, além de absorver compras feitas por impulso ou não
planejadas. Por último, a participação conjunta dos super e hipermercados não excedeu mais
que 3%, indicando que investimentos nas sessões de roupas não se traduziram, durante o
período da pesquisa, em melhoria das suas posições.
A escolha dos consumidores por roupas está muito pautada em fatores como marca e
qualidade, como indica a pesquisa Consumer Lifestyles in Brazil, realizada pelo Euromonitor
(2014). Logo, tipos de varejo especializados na venda desses bens têm maior possibilidade de
atender esses atributos. Portanto, pode considerar que conveniência não é o fator mais
relevante na determinação da escolha da loja, em especial das compras planejadas.
4.1.4 Artigos eletrônicos
No varejo de equipamentos para o lar, entre eles eletroeletrônicos e eletrodomésticos, atuam
grandes empresas nacionais e multinacionais. Além de grupos tradicionais do setor, como
Casas Bahia, Ponto Frio, Magazine Luiza e Insinuante, empresas do setor supermercadista,
como o Carrefour, o Wal-Mart e o Grupo Pão de Açúcar, trouxeram mais competitividade e
dinamismo ao setor (CARVALHO, 2004).
De acordo com as informações da POF, as lojas de eletrodoméstico eram responsáveis por
mais da metade das vendas de equipamentos elétricos no início do período caindo para
43,66%, embora o formato ainda se mantenha como o principal varejo deste setor. Uma queda
parecida ocorreu com a procura por lojas de departamento, de 18,86% para 10,17% (Gráfico
18).
No mesmo período, as compras em super e hipermercados aumentaram, passando de 4,95%
para 11,27%, tornando-se, juntos, a terceira opção mais procurada na compra desses bens. O
aumento da busca por redes supermercadistas para a aquisição deste tipo de bens se deve, em
primeiro lugar, aos investimentos feitos nessas seções (PARENTE, 2000). Além disso, a
87
ampliação da variedade desses itens nas gôndolas, aliado a praticidade de realizar essa
aquisição junto com as compras do mês, tornam as redes supermercadistas mais atrativas.
Foi possível identificar um crescimento maior desses formatos nas regiões metropolitanas de
São Paulo de 5,16% para 15,14%, e Curitiba com aumento de 4,91% para 17,96%. Nas
regiões metropolitanas de Fortaleza e Belém também ocorreram crescimento. No entanto, em
nenhum dos casos a participação desses formatos não ultrapassou 4% no final do período.
Portanto, nas duas primeiras regiões metropolitanas esses formatos são mais bem-sucedidos
em ofertar produtos eletrônicos para os consumidores que nas demais regiões. Outra
informação importante é que a queda da participação de lojas de departamento foi mais maior
nas duas primeiras regiões metropolitanas que nas duas últimas, indicando que os super e
hipermercados estão substituindo as lojas de departamento na preferência do consumidor para
a compra desse tipo de produto.
Gráfico 18 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Produtos
Eletrônicos (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
88
Na última edição, 2008/2009, foi possível identificar o aumento da importância atribuída à
loja de informática e ao comércio (loja) virtual. O primeiro, apoiado nos atributos de loja
especializada, ou seja, maior variedade de produtos e atendimento diferenciado; o segundo, na
conveniência e no preço.
4.2 Comparação entre o varejo das regiões metropolitanas e das cidades do interior
Lima Júnior (2011) afirma que a falta de planejamento das cidades brasileiras é a causa
essencial dos problemas de mobilidade e logística urbanas. O crescimento urbano das cidades
mal planejadas resulta em maior deterioração da mobilidade urbana (GATTI JÚNIOR, 2011).
Problemas de mobilidade urbana interferem na qualidade de vida da população e em seus
hábitos de consumo, resultando na busca dos consumidores por alternativas mais viáveis para
manutenção do próprio consumo (LIMA JÚNIOR, 2011).
A expansão urbana cria condições para a reorganização espacial das forças econômicas, entre
elas as atividades do varejo. A valorização da conveniência pelo consumidor torna as áreas
periféricas viáveis para a instalação de alguns empreendimentos comerciais (SILVA; CLEPS,
2011). Portanto, os problemas de mobilidade urbana afetam, por fim, a localização dos
estabelecimentos comercias e das forças no varejo.
Para entender como as questões de mobilidade urbana afetam o varejo, basta comparar as
escolhas dos locais de compra pelos consumidores residentes nas regiões metropolitanas e nas
cidades do interior nas edições 2002/2003 e 2008/2009 da POF. Essas diferenças podem
esclarecer como a mobilidade urbana afeta as forças do varejo nas grandes cidades. A análise
se concentrará em Produtos Alimentícios, Artigos de Higiene, Artigos de Vestuário e Artigos
Eletrônicos.
4.2.1 Produtos alimentícios
Os resultados agregados para o comércio de alimentos apresentaram pequenas diferenças
quanto à preferência de locais de compra. Com relação à lista de principais varejistas
procurados para a obtenção de alimentos, o hipermercado é o nono varejo mais procurado
pelas famílias residentes nas regiões metropolitanas. No entanto, não consta na lista dos
principais varejos buscados pelos moradores do interior. O formato hipermercado exige escala
89
para se tornar viável, ou seja, o volume de vendas deve ser maior, o que impede uma
participação mais ativa em cidades menores. Da mesma forma, o vendedor ambulante, que
aparece em oitavo lugar na preferência dos consumidores do interior, não tem o mesmo
destaque para moradores metropolitanos, fato que pode ser explicado pelo maior dinamismo
do varejo das grandes cidades.
Com relação ao principal varejo utilizado na compra de alimentos, o supermercado participa
com 35,95% nas regiões metropolitanas e 38,12% nas cidades do interior. O comércio
tipicamente de bairro, como açougue, padarias, mercearias, mercado, armazém, quitanda e
sacolão, representam 45,38% das escolhas dos consumidores nas regiões metropolitanas,
enquanto no interior detêm a participação de 37,84%, na edição de 2008/2009 (Gráfico 19).
Essa diferença pode ser associada ao maior dinamismo do comércio dos bairros, resultante da
mudança de hábitos dos consumidores visando minimizar os problemas envolvendo a
mobilidade dos grandes centros urbanos (EUROMONITOR, 2014).
A comparação dos subgrupos de alimentos revela diferenças mais significativas no comércio
de frutas e carnes. Os principais locais de compra escolhidos para a compra de frutas variam
com a região analisada. Tanto nas regiões metropolitanas quanto nas cidades do interior, o
principal formato varejista na venda de frutas é o supermercado. No entanto, a participação
nas regiões metropolitanas é mais importante que no interior, com participação de 31,02% e
26,29%, respectivamente, na edição de 2008/2009.
Nas cidades do interior, a feira livre rivaliza com o supermercado como o principal local de
compra de frutas, com participação de 23,72%, enquanto nas regiões metropolitanas esse
formato é apenas o terceiro mais utilizado, representando apenas 11,92% das compras. A feira
livre é o tipo de varejo que se caracteriza por não possuir loja física, ocorrendo normalmente
em vias públicas e dias específicos (MAINVILLE, 2002).
Embora apenas na cidade de São Paulo ocorram aproximadamente 900 feiras semanais, este
varejo vem perdendo espaço para as lojas físicas no gosto dos consumidores das grandes
cidades, em especial para o supermercado e para outros formatos hortifrúti. Apesar de ofertar
grande variedade de produtos frescos, atendimento pessoal e ser um formato tradicional, as
feiras, em geral, só funcionam uma vez na semana e em período limitado de tempo, afetando
o atributo de conveniência (MAINVILLE, 2002; BELIK, 2000).
90
Gráfico 19 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Produtos
Alimentícios na edição de 2008/2009 (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
O varejo especializado em frutas, como o sacolão e a quitanda, representa 16,62% das vendas
nas regiões metropolitanas, enquanto esses formatos representam apenas 9,88% no interior. O
crescimento da procura por varejos especializados pode estar atrelado ao dinamismo do
comércio de bairro, resultante das alterações nos hábitos de compra dos consumidores dos
grandes centros (EUROMONITOR, 2014).
O varejo de carnes possui características bem distintas ao se comparar as duas regiões
analisadas. Formatos varejistas onde se podem encontrar diferentes tipos de produtos, como
supermercados, mercados, mercearias, feiras, armazém e quitandas, representam a quase a
totalidade dos locais de compra escolhidos por moradores do interior para a obtenção de
carnes. Enquanto, os habitantes das regiões metropolitanas optam por estabelecimentos
especializados, açougues e frigoríficos, em 37,62% das compras. Da mesma forma como
acontece com o varejo de frutas, a participação dos formatos especializados é maior nas
regiões metropolitanas que no interior, indicando maior dinamismo do comércio de bairro.
91
Nas regiões metropolitanas, o açougue e o supermercado disputam o primeiro lugar na
preferência do consumidor, alternando de posições entre as duas edições da POF analisadas.
Nas cidades do interior, o supermercado é responsável por mais da metade das vendas de
carne, 54,27% em 2008/2009. Na segunda posição, mas com participação em um nível bem
mais baixo, aparece o mercado com 14,40%. Uma informação importante é o fato de o
açougue não aparecer entre os principais formatos de venda de carne no interior, indicando
que o consumidor prefere realizar as compras desses produtos em formatos massificados.
4.2.2 Produtos de higiene pessoal
O varejo de artigos de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria possui algumas distinções
entre as duas regiões. Embora a venda direta tenha sido o canal mais utilizado na aquisição
desses bens nas regiões metropolitanas desde a edição de 2002/2003, este formato só se
consolidou como a principal escolha do consumidor do interior na edição seguinte
(2008/2009). Embora possua maior importância para os consumidores das regiões
metropolitanas, 27,55%, do que para os consumidores do interior, 23,58%. Como dito
anteriormente, a venda direta oferece conveniência ao consumidor, evitando, ou restringindo,
deslocamentos na aquisição dos produtos.
As farmácias e drogarias foram as principais opções na compra de artigos de higiene no
interior em 2002/2003, com participação de 21,84%, passando a ocupar o quarto lugar na
preferência do consumidor na edição de 2008/2009, com participação de 11,22%, atrás da
venda direta, do supermercado e das lojas de cosméticos e perfumaria. Nas regiões
metropolitanas, esses formatos cresceram no período, passando de 12,84% para 13,28%, se
tornando o terceiro varejo mais preferido pelo consumidor para a aquisição desses bens.
Nas cidades do interior, o supermercado tem papel de destaque nesse mercado. Na edição
2002/2003, este formato foi responsável por 15,52% das vendas de produtos de higiene
pessoal, enquanto nas regiões metropolitanas sua participação não excedia 9,3%. Na edição
seguinte, o supermercado ganhou ainda mais espaço nas escolhas dos clientes do interior,
17,44%, enquanto nas zonas metropolitanas manteve a mesma participação.
Lojas especializadas em cosméticos e perfumaria são o segundo destino de compras deste
setor nas regiões metropolitanas nas duas edições, com participação média de 17%. Enquanto
92
nas cidades do interior, este formato apenas ganhou importância na última edição, crescendo
de 4,34% para 15,21% (Gráfico 20).
Gráfico 20 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Artigos de
Higiene Pessoal na edição de 2008/2009 (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
4.2.3 Artigos de vestuário
Como observado na análise da série histórica das regiões metropolitanas, as lojas de roupas
foram o formato varejista mais utilizado pelas famílias residentes nas cidades do interior.
Com elevada participação, a preferência por este formato cresceu de 56,55% na edição de
2002/2003 para 68,29% em 2008/2009 (Gráfico 21).
Os vendedores ambulantes assumiram a segunda colocação em ambas as regiões e as lojas de
departamento mostraram-se mais importantes nas regiões metropolitanas que nas cidades do
interior, 7,01% contra 3,28%. Esse fato pode estar associado ao maior volume de vendas
necessário para manter vigentes esses empreendimentos, restringindo a instalação desses
formatos em cidades menores.
93
De acordo com o Euromonitor (2014), a escolha dos consumidores por roupas está muito
pautada nos atributos de marca e qualidade. Logo, a localização e a conveniência ficam em
segundo plano na decisão de compra desses bens. A elevada opção por lojas de roupas pode
ser atribuída, então, à melhor capacidade deste formato em atender tais atributos, e não a
busca por conveniência.
Gráfico 21 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Artigos de
Vestuário na edição de 2008/2009 (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
4.2.4 Artigos eletrônicos
De acordo com as informações da POF, a grande maioria dos eletrodomésticos,
eletroeletrônicos e aparelhos elétricos é comercializados nas lojas de eletrodomésticos,
responsáveis pela venda de 43,66% das aquisições desses bens nas regiões metropolitanas e
46,19% nas cidades do interior. Durante o período analisado, 2002 a 2009, em ambas as
regiões as vendas desses bens se concentraram no principal varejo (Gráfico 22).
94
As compras em lojas especializadas, como de eletrodomésticos, de informática e de materiais
elétricos, representam 44,85% das vendas nas regiões metropolitanas e 47,68% no interior.
Enquanto varejos massificados, como lojas de departamento, supermercados e hipermercados,
representaram uma parcela menor, 21,44% nas metrópoles e 12,55% nas cidades do interior.
Gráfico 22 – Evolução dos principais locais de compra nas despesas com Artigos de
Vestuário na edição de 2008/2009 (%)
Fonte: Elaborado pelo autor.
Os artigos eletrônicos podem ser considerados bens de comparação, caracterizados pela
compra pouco frequente e pelo valor mais alto. A compra desse bem envolve uma pesquisa
prévia por parte do consumidor. Isso torna a compra por impulso bem menor. Devido à baixa
frequência de vendas, não é econômico disponibilizar esses produtos em qualquer loja,
restringindo os locais de compra (NOVAES, 2007).
A baixa presença do pequeno varejo nesse mercado é consequência direta da distribuição
utilizada. Segundo Novaes (2007), a ampla distribuição de alguns produtos não é eficiente em
função dos altos custos que envolvem a comercialização e a própria distribuição. Dessa
forma, pequenos comércios ficam em posição de desvantagem neste mercado, visto que
95
incorrem em custos maiores. Portanto, o mercado fica concentrado nas mãos de médias e
grandes empresas.
O fato da compra de artigos eletrônicos exigir um montante financeiro maior e, em geral, uma
pesquisa prévia do consumidor, torna a compra como um todo previsível. Para Kahn e
Schmittlein (1989), os consumidores estão dispostos a se deslocar mais por compras
regulares, previsíveis e, ou, mais caras. Logo, os resultados indicam que as questões de
mobilidade urbana parecem não afetar de forma decisiva esse setor do varejo.
No entanto, o aumento da busca por redes supermercadistas para a aquisição de artigos
eletrônicos é um fenômeno que ocorre com mais frequência nas regiões metropolitanas
(11,27%) que nas cidades do interior (6,25%), embora ambas as regiões apresentem
crescimento durante o período. De acordo com Parente (2000), os investimentos nas seções de
eletrodomésticos e eletroeletrônicos realizados nas grandes lojas são responsáveis por esse
fenômeno.
O comércio de certos itens eletrônicos, como eletrodomésticos da linha branca e
equipamentos de informática, por exemplo, exige maiores investimentos e empreendimentos
de maior área física, ficando a comercialização desses itens restrita aos grandes
supermercados e aos hipermercados. Grandes lojas supermercadistas exigem um volume de
negócios maior, impedindo que sua expansão para cidades menores.
4.3 Influências das alterações nas forças do varejo na logística
De acordo com Zinn (2012), a busca por eficiência na distribuição e redução dos custos com
estoques, além da melhoria no cumprimento de prazos e na qualidade do serviço, são as
principais contribuições da logística ao negócio. Apesar desses esforços, os desafios de
mobilidade urbana, resultante do pouco ou inexistente planejamento das grandes cidades
brasileiras, conduz à maior complexidade e custo da distribuição urbana de cargas (LIMA,
2003).
A migração do varejo para o comércio de bairro resulta em alguns impactos para as empresas.
Em primeiro lugar, ocorre uma dispersão dos pontos de venda ao longo da área urbana,
resultando em maior deslocamento da frota de cargas. Além da dispersão, ocorre ao mesmo
tempo um aumento do número de pontos de venda, visto que o comércio dos bairros se
96
tornam mais dinâmicos, abrigando maior número de estabelecimentos em um comércio mais
especializado. Por último, os centros comerciais dos bairros são compostos por
empreendimentos menores, que visam atender uma área geograficamente menos dispersa.
Portanto, as empresas precisam atender lotes menores, incorrendo em maiores custos.
Um outro resultado encontrado na análise dos dados da POF foi o aumento da participação
dos formatos de varejo menos importantes, agregados na categoria Outros, em quase todos os
grupos de despesas, em especial, com alimentos. Esse aumento na importância de varejos não
tradicionais indica que o setor de alimentos adotou a estratégia de multiplicidade de pontos de
venda. De acordo com Zinn (2012), essa estratégia afeta a distribuição logística das empresas,
visto que o aumento do número de pontos de venda e a redução dos lotes tornam o serviço
mais complexo e caro.
Para atender esse novo cenário, com pedidos com lotes menores e dispersos pela cidade, as
empresas precisam criar uma nova estrutura de distribuição. Para isso, é necessária a
implantação de novos centros de distribuição e a criação de uma frota com veículos de menor
porte prontos a atender a reposição de estoques das pequenas lojas de forma ágil, evitando a
ocorrência de rupturas. O resultado é um aumento dos estoques dos fabricantes e atacadistas,
além de um número maior de veículos de cargas nas ruas.
Apesar dos transtornos causados a população, o poder público não tem conseguido solucionar
os problemas provocados pela distribuição de cargas. Medidas restritivas na circulação da
frota de cargas resultam no oposto do esperado. Apenas aumentam o tempo de viagem,
fazendo com que o veículo permaneça um período maior no trânsito, e o número de veículos
inicial, já que os mesmos não conseguem atender o volume inicial graças à queda na
eficiência do serviço (OGDEN, 1992). O resultado é o aumento do tráfego de automóveis, da
poluição e dos congestionamentos (QUISPEL, 2002).
97
5 CONCLUSÕES
A pesquisa desenvolvida nesta dissertação foi conduzida com o objetivo de identificar a
ocorrência de alterações nos locais de compra de alguns produtos da cesta de consumo das
famílias, associando essas mudanças a busca por conveniência influenciada pelos desafios de
mobilidade urbana enfrentados nos grandes centros brasileiros.
A análise sugere que a escolha dos locais de compra dos produtos alimentícios e dos produtos
de higiene pessoal foi alterada ao longo do período, migrando para formatos que oferecem
maior conveniência e menor tempo na aquisição desses bens. A migração desses setores
varejistas para formatos tipicamente de bairro, indica que o varejo localizado nas vizinhanças
cresce apoiado nesses fatores.
Essa alteração nos hábitos de compra dos consumidores provocou uma restruturação dos
formatos varejistas no comércio de alimentos de produtos de higiene. Para o primeiro,
implicou que o comércio se deslocou para formatos como supermercados de bairro, mercados,
mercearias, sacolões e açougues. Para o segundo, provocou um crescimento na participação
de farmácias e drogarias, da venda direta e de lojas especializadas.
Ocorreu, portanto, uma dispersão dos pontos de venda ao longo da cidade, em função do
maior dinamismo do comércio de bairro. As distâncias aumentam junto com o processo de
dispersão do comércio, bem como com o aumento dos pontos de venda. Concomitante, ocorre
uma redução dos pedidos por estabelecimento, em função da menor escala que atuam esses
formatos.
O resultado é que a distribuição logística é afetada por essa nova configuração do varejo,
tornando-a mais cara e complexa. Por fim, até mesmo a mobilidade urbana é prejudicada em
função do aumento da frota de veículos destinada à reposição de estoques e do maior período
que a mesma permanece no transito.
A frequência de compras também foi identificada como um fator decisivo para a dispersão do
comércio. Produtos adquiridos com maior frequência, como alimentos e produtos de higiene,
implicam que o consumidor constantemente tenha que se deslocar, implicando que o mesmo
busque por alternativas que minimizem essa tarefa. Ao contrário, compras menos frequentes,
98
em especial de produtos mais especializados e que impliquem maiores ganhos em escala,
continuam centralizadas, como os produtos eletrônicos.
Portanto, o comércio de bairro cresce em função da necessidade do consumidor em reduzir o
tempo e o esforço gasto na obtenção de produtos pouco especializados e de consumo
frequente. As deficiências em mobilidade urbana afetam a decisão do consumidor, visto que
torna inviável o acesso aos estabelecimentos comerciais mais distantes, dirigindo o
consumidor para o comércio mais próximo.
Limitações da pesquisa
Como é comum em todo trabalho científico, os resultados desta pesquisa possuem limitações
que podem ser investigadas em trabalhos futuros. A utilização de dados secundários
provenientes de uma base de dados socioeconômica nesta pesquisa, apesar de ser uma de suas
principais contribuições, implica também limitações. A principal delas é o fato de não haver
preocupações por parte do IBGE em observar a localização dos locais de compra, tornando
impossível saber, por exemplo, se o mercado em que se adquiriu um bem está próximo ao
domicílio ou localizado do outro lado da cidade. Utilizando argumentos teóricos, é possível
preencher tal lacuna identificando indícios das alterações das forças no varejo capturados por
outros trabalhos.
O varejo é um setor altamente adaptável. Logo, se os dados fossem mais recentes, de um ou
dois anos atrás, seria possível se observar fenômenos mais atuais, como o comércio virtual na
aquisição de vestuário e aparelhos elétricos.
Esse trabalho, apesar das limitações, consegue suprir uma lacuna importante. A deficiência de
mobilidade urbana gera profundas mudanças nos hábitos de compra da população e, portanto,
na configuração do varejo. Apesar da importância do varejo, estudos brasileiros ainda são
raros sobre dessa temática. Logo, existe a expectativa que esse trabalho seja um motivador
para novas pesquisas.
Sugestões para trabalhos futuros
99
Por fim, recomendam-se estudos que avaliem as alterações do comportamento do consumidor
resultantes das deficiências de mobilidade urbana. Existem poucas pesquisas no Brasil sobre
essa temática e muitas delas são realizadas por associações de classe ou por empresas de
pesquisa de mercado, fazendo-se necessário a maior presença de trabalhos de cunho
científico.
Há espaço para trabalhos analisando fenômenos do varejo de bairro, entre os diversos temas
potenciais, destacando a entrada das grandes redes supermercadistas nesse mercado e seu
impacto na configuração do comércio local, e a especialização do pequeno varejo, como
também o surgimento de varejos ofertando produtos de alta qualidade.
100
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107
APÊNDICE A
VARIÁVEIS OBSERVADAS PELA PESQUISA DOS ORÇAMENTOS FAMILIARES
REGISTRO: DOMICÍLIO - POF1/QUADRO 2 (tipo_reg = 01)
PERÍODO REAL DA COLETA
QUANTIDADE DE MORADORES
QUANTIDADE DE UC
QUANTIDADE DE FAMÍLIAS
TIPO DE DOMICILIO
MATERIAL QUE PREDOMINA NAS PAREDES EXTERNAS
MATERIAL QUE PREDOMINA NA COBERTURA
MATERIAL QUE PREDOMINA NO PISO
QUANTIDADE DE CÔMODOS
CÔMODOS SERVINDO DE DORMITÓRIO
EXISTÊNCIA DE ÁGUA CANALIZADA
PROVENIÊNCIA DA ÁGUA
QUANTIDADE DE BANHEIROS
ESCOADOURO SANITÁRIO
CONDIÇÃO DE OCUPAÇÃO
TEMPO DE ALUGUEL
TIPO DE CONTRATO DE ALUGUEL
EXISTÊNCIA DE PAVIMENTAÇÃO NA RUA
IMPUTAÇÃO - QUANTIDADE DE CÔMODOS
IMPUTAÇÃO - QUANTIDADE DE BANHEIROS
IMPUTAÇÃO - ESCOADOURO SANITÁRIO
REGISTRO: PESSOAS - POF1/QUADROS 3 E 4 (tipo_reg = 02)
CONDIÇÃO NA UNIDADE DE CONSUMO
NÚMERO DA FAMÍLIA
CONDIÇÃO NA FAMÍLIA
CONDIÇÃO DE PRESENÇA
DIA DE NASCIMENTO
MÊS DE NASCIMENTO
ANO DE NASCIMENTO
IDADE CALCULADA EM ANOS
IDADE CALCULADA EM MESES
IDADE CALCULADA EM DIAS
SEXO
SABE LER E ESCREVER
FREQUÊNCIA A ESCOLA OU CRECHE
CURSO QUE FREQUENTA
QUAL A DURAÇÃO DO CURSO DE PRIMEIRO GRAU
SÉRIE QUE FREQUENTA
CURSO MAIS ELEVADO QUE FREQUENTOU
QUAL ERA A DURAÇÃO DO CURSO DE PRIMEIRO GRAU
ÚLTIMA SERIE CONCLUÍDA
CONCLUSÃO DO CURSO MAIS ELEVADO
108
ANOS DE ESTUDO
COR OU RAÇA
ORÇAMENTO TRABALHO E/OU RENDIMENTO
ORÇAMENTO DESPESA
TEM CARTÃO DE CRÉDITO
TITULAR DO CARTÃO DE CRÉDITO
TEM CHEQUE ESPECIAL
ESTÁ GRAVIDA
COMPRIMENTO ORIGINAL
ALTURA ORIGINAL
PESO ORIGINAL
PESO ORIGINAL DAS CRIANÇAS
COMPRIMENTO IMPUTADO
ALTURA IMPUTADA
PESO IMPUTADO
RENDA PER CAPITA DA UC
REGISTRO: PESSOAS - IMPUTAÇÃO – POF1/QUADRO 4 (tipo_reg = 03)
IMPUTAÇÃO - SABE LER E ESCREVER
IMPUTAÇÃO - FREQUÊNCIA A ESCOLA OU CRECHE
IMPUTAÇÃO - CURSO QUE FREQUENTA
IMPUTAÇÃO - QUAL A DURAÇÃO DO CURSO DE PRIMEIRO GRAU
IMPUTAÇÃO - SERIE QUE FREQUENTA
IMPUTAÇÃO - CURSO MAIS ELEVADO QUE FREQUENTOU
IMPUTAÇÃO - QUAL ERA A DURAÇÃO DO CURSO DE PRIMEIRO GRAU
IMPUTAÇÃO - ÚLTIMA SERIE CONCLUÍDA
IMPUTAÇÃO - CONCLUSÃO DO CURSO MAIS ELEVADO
IMPUTAÇÃO - TEM CARTÃO DE CRÉDITO
IMPUTAÇÃO - TITULAR DO CARTÃO DE CRÉDITO
IMPUTAÇÃO - TEM CHEQUE ESPECIAL
IMPUTAÇÃO - TITULAR DA CONTA CORRENTE
REGISTRO: CONDIÇÕES DE VIDA - POF6 (tipo_reg = 04)
CÓDIGO DA RENDA FAMILIAR
QUANTIDADE DE ALIMENTO
TIPO DE ALIMENTO
REGISTRO: INVENTÁRIO DE BENS DURÁVEIS - POF2/QUADRO 14 (tipo_reg =
05)
NÚMERO DO QUADRO
CÓDIGO DO ITEM
QUANTIDADE DO ITEM
ANO DA ÚLTIMA AQUISIÇÃO
ESTADO DA ÚLTIMA AQUISIÇÃO
FORMA DA ÚLTIMA AQUISIÇÃO
109
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO
REGISTROS DE DESPESAS
REGISTRO: DESPESA DE 90 DIAS - POF2/QUADROS 6 A 9 (tipo_reg = 06)
NÚMERO DO QUADRO
CÓDIGO DO ITEM
FORMA DE AQUISIÇÃO
VALOR DA DESPESA/AQUISIÇÃO
FATOR DE ANUALIZAÇÃO
DEFLATOR FATOR
VALOR DA DESPESA DEFLACIONADO
VALOR DA DESPESA ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO
REGISTRO: DESPESA DE 12 MESES - POF2/QUADROS 10 A 13 (tipo_reg = 07)
NÚMERO DO QUADRO
CÓDIGO DO ITEM
FORMA DE AQUISIÇÃO
VALOR DA DESPESA/AQUISIÇÃO
MÊS DA ÚLTIMA DESPESA
NÚMERO DE MESES
FATOR DE ANUALIZAÇÃO
DEFLATOR FATOR
VALOR DA DESPESA DEFLACIONADO
VALOR DA DESPESA ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO
REGISTRO: OUTRAS DESPESAS - POF2/QUADROS 15 A 18 (tipo_reg = 08)
NÚMERO DO QUADRO
CÓDIGO DO ITEM
FORMA DE AQUISIÇÃO
VALOR DA DESPESA/AQUISIÇÃO
ESTADO DE AQUISIÇÃO
FATOR DE ANUALIZAÇÃO
DEFLATOR FATOR
VALOR DA DESPESA DEFLACIONADO
VALOR DA DESPESA ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO
REGISTRO: DESPESA COM SERVIÇOS DOMÉSTICOS - POF2/QUADRO 19
(tipo_reg = 09)
NÚMERO DO QUADRO
CÓDIGO DO ITEM
FORMA DE AQUISIÇÃO
VALOR DA DESPESA/AQUISIÇÃO
110
CÓDIGO DO INSS
VALOR DO INSS
CÓDIGO DA ESPÉCIE
MÊS DA ÚLTIMA DESPESA
NÚMERO DE MESES
FATOR DE ANUALIZAÇÃO
DEFLATOR FATOR
VALOR DA DESPESA DEFLACIONADO
VALOR DO INSS DEFLACIONADO
VALOR DA DESPESA ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
VALOR DO INSS ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO DA DESPESA
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO DO INSS
REGISTRO: ALUGUEL ESTIMADO - POF1/QUADRO 2 (tipo_reg = 10)
NÚMERO DO QUADRO
CÓDIGO DO ITEM
FORMA DE AQUISIÇÃO
VALOR DA DESPESA/AQUISIÇÃO
MÊS DA ÚLTIMA DESPESA
NÚMERO DE MESES
FATOR DE ANUALIZAÇÃO
DEFLATOR FATOR
VALOR DA DESPESA DEFLACIONADO
VALOR DA DESPESA ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO
REGISTRO: CADERNETA DE DESPESA - POF3 (tipo_reg = 11)
NÚMERO DO QUADRO
NÚMERO DO GRUPO DE DESPESA
CÓDIGO DO ITEM
FORMA DE AQUISIÇÃO
VALOR DA DESPESA/AQUISIÇÃO
FATOR DE ANUALIZAÇÃO
DEFLATOR FATOR
VALOR DA DESPESA DEFLACIONADO
VALOR DA DESPESA ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO
MÉTODO DA QUANTIDADE ADQUIRIDA
QUANTIDADE ADQUIRIDA
REGISTRO: DESPESA INDIVIDUAL - POF4/QUADROS 22 A 50 (tipo_reg = 12)
NÚMERO DO QUADRO
CÓDIGO DO ITEM
FORMA DE AQUISIÇÃO
VALOR DA DESPESA/AQUISIÇÃO
FATOR DE ANUALIZAÇÃO
111
DEFLATOR FATOR
VALOR DA DESPESA DEFLACIONADO
VALOR DA DESPESA ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO
REGISTRO: DESPESA COM VEÍCULOS - POF4/QUADRO 51 (tipo_reg = 13)
NÚMERO DO QUADRO
CÓDIGO DO ITEM
FORMA DE AQUISIÇÃO
VALOR DA DESPESA/AQUISIÇÃO
ESTADO DE AQUISIÇÃO
FATOR DE ANUALIZAÇÃO
DEFLATOR FATOR
VALOR DA DESPESA DEFLACIONADO
VALOR DA DESPESA ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO
REGISTROS DE RENDIMENTOS
REGISTRO: RENDIMENTOS E DEDUÇÕES - POF5/QUADRO 53 (tipo_reg 1)
NÚMERO DO QUADRO
TIPO DE TRABALHO
POSIÇÃO NA OCUPAÇÃO
FORMA DO ÚLTIMO RENDIMENTO
CÓDIGO DO ITEM
VALOR DO ÚLTIMO RENDIMENTO
MÊS DO ÚLTIMO RENDIMENTO
NÚMERO DE MESES RECEBIDOS
EXISTÊNCIA DE DEDUÇÃO
CÓDIGO DE PREVIDÊNCIA PÚBLICA
VALOR DA PREVIDÊNCIA PÚBLICA
CÓDIGO DE IMPOSTO DE RENDA
VALOR DO IMPOSTO RENDA
CÓDIGO DE OUTRAS DEDUÇÕES
VALOR DE OUTRAS DEDUÇÕES
FATOR DE ANUALIZAÇÃO
DEFLATOR FATOR
VALOR DO ÚLTIMO RENDIMENTO DEFLACIONADO
VALOR DA PREVIDÊNCIA PÚBLICA DEFLACIONADO
VALOR DO IMPOSTO RENDA DEFLACIONADO
VALOR DE OUTRAS DEDUÇÕES DEFLACIONADO
VALOR DO ÚLTIMO RENDIMENTO ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
VALOR DA PREVIDÊNCIA PÚBLICA ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
VALOR DO IMPOSTO RENDA ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
VALOR DE OUTRAS DEDUÇÕES ANUALIZADO E EXPANDIDO (FATOR2)
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO
112
APÊNDICE B
CADASTRO DE LOCAIS DE AQUISIÇÃO DA POF
CÓDIGO DE IMPUTAÇÃO
CÓDIGO DESCRIÇÃO
00101 SUPERMERCADO
00102 MINI-BOX
00201 HIPERMERCADO
00301 PADARIA
00302 DEPÓSITO DE PÃES
00303 POSTO DE PÃO
00304 PANIFICIO
00305 PANIFICADORA
00401 CONFEITARIA, DOCERIA
00402 DOCERIA
00403 BOMBONIERE
00404 DELICATESSE
00405 LOJA DE BALAS, DOCES E BOMBONS
00406 BISCOITERIA
00407 LOJA DE BALAS
00408 LOJA DO CONFEITO
00409 CONFEITARIA
00410 FÁBRICA DE BOMBOM ARTESANAL
00411 CASA DE BOLO
00412 CASA DE DOCES
00413 LOJA DE BOLO
00414 LOJA DE BISCOITOS
00501 ARMAZÉM
00502 BODEGA (ARMAZÉM)
00503 CEREALISTA
00504 VENDA
00505 EMPÓRIO
00506 MERCADO (ARMAZÉM)
00507 MINIMERCADO (ARMAZÉM)
00508 MERCADINHO
00509 MERCADO
00510 SECOS E MOLHADOS (ARMAZÉM)
00511 CASA DE FARINHA
00512 CASA DA FARINHA
00513 CASA DO NORTE
00514 ARMAZÉM VAREJISTA
00515 MECANTIL
00516 MERCANTIL
00601 MERCEARIA
00602 BAIUCA
00603 TABERNA
00604 BODEGA (MERCEARIA)
00605 BARRACÃO
00701 QUITANDA
00702 MERCADINHO (QUITANDA)
00703 TENDINHA (QUITANDA)
00704 VERDUREIRA
00705 FEIRA DE VERDURAS
113
00706 BANCA DE VERDURAS
00707 CASA DE VERDURAS
00708 MERCADO DE VERDURAS
00709 VERDURARIA
00710 BANCA DE LEGUMES
00711 VERDUREIRO
00712 FEIRA ORGÂNICA
00801 FEIRA
00802 FEIRA LIVRE
00803 FEIRA LIVRE DE ALIMENTOS
00804 FEIRA LIVRE
00901 AÇOUGUE
00902 BUTIQUE DE CARNES
00903 CASA DE CARNES
00904 FRIGOS
00905 FRIGORÍFICO DE CARNES
00906 CARNECERIA
00907 ABATEDOURO
00908 MERCADO DE CARNES
01001 VENDEDOR AMBULANTE
01002 AMBULANTE
01003 CAMELÔ
01004 CARROCINHA
01005 SACOLEIRO
01006 GUARDADOR DE CARROS
01007 GALEGO (VENDEDOR AMBULANTE)
01008 VENDEDOR DE FRANGO ASSADO
01009 TREILLER OU QUIOSQUE
01010 BARRACA (VENDEDOR AMBULANTE)
01011 FITEIRO
01012 CAMINHÃO (GÁS, FRUTA, PLANTA, MAT. CONSTRUÇÃO ETC.)
01013 VEÍCULO (GÁS, FRUTA, PLANTA, MAT. CONSTRUÇÃO ETC.)
01014 PRESTAÇÃO (VENDEDOR AMBULANTE)
01015 REGATÃO (VENDEDOR AMBULANTE EMBARCADO)
01016 TAPIOQUEIRA
01017 BARRACA DE PRAIA
01018 CARRINHO DE ALIMENTOS
01019 CARROCINHA DE ALIMENTOS
01020 VENDEDOR DE AÇAÍ (AÇAIZEIRO)
01021 LEITEIRO AMBULANTE
01022 PADEIRO AMBULANTE
01023 PEIXEIRO AMBULANTE
01024 AMASSADEIRA DE AÇAÍ
01025 CARRO PIPA
01026 CARRINHO DE PIPOCA
01027 QUIOSQUE OU TREILLER
01028 PRESTAMISTA
01029 FLUTUANTE COMERCIAL
01101 BAR, LANCHONETE
01102 LANCHONETE
01103 PASTELARIA
01104 BIROSCA
01105 BOTECO
01106 BOTEQUIM (BAR)
01107 CAFÉ E BAR
01108 CANTINA
01109 LANCHERIA
114
01110 TENDINHA (BAR)
01111 CAFETERIA
01112 LOJA DE SALGADINHOS (LANCHE)
01113 SCOTH BAR
01114 BAR
01115 BARZINHO
01116 CHOPERIA
01117 PAMONHARIA
01118 CREPERIA
01119 BREQUE
01120 WISQUERIA
01121 PUB
01122 VITAMINOSA (AÇAÍ)
01123 CASA DE AÇAÍ
01124 CACHAÇARIA
01125 COPO SUJO
01126 BOLICHO
01127 BAILÃO
01128 BAILES
01129 CASA DE ESFIRA
01130 ESFIRRARIA
01201 SACOLÃO
01202 VAREJÃO
01203 HORTIFRUTI
01204 KILÃO
01205 QUILÃO
01206 VERDURÃO
01301 FARMÁCIA, DROGARIA
01302 DROGARIA
01303 FARMÁCIA DE MANIPULAÇÃO
01304 FARMÁCIA HOMEOPÁTICA
01305 LOJA DE PRODUTOS TERAPÊUTICOS
01306 FARMÁCIA
01401 LOJA DE DEPARTAMENTO
01501 DOMICÍLIO PARTICULAR
01502 SÍTIO, QUINTAL
01503 FAZENDA
01504 HORTA
01505 CHÁCARA
01601 ESTABELECIMENTO FILANTRÓPICO
01602 ASILO
01603 ORFANATO
01604 IGREJA
01605 QUARTEL
01606 RETIRO ESPIRITUAL
01607 RECANTO
01608 CENTRO ESPÍRITA, DE UMBANDA ETC.
01609 MOSTEIRO
01610 QUERMESSE
01611 SANTA CASA
01612 ASSOCIAÇÃO DE CARIDADE
01613 PASTORAL
01614 PASTORAL DA CRIANÇA
01615 PASTORAL DO IDOSO
01701 BAZAR
01801 LOJA DE ARTIGOS DE FESTA, RELIGIOSOS ETC.
01802 LOJA DE ARTIGOS RELIGIOSOS
115
01803 LOJA DE ARTIGOS ESOTÉRICOS
01804 LOJA DE ARTIGOS MÍSTICOS
01805 FLORA ARTIGOS RELIGIOSOS
01901 LOJA DE ARTIGOS AGROPECUÁRIOS E ANIMAIS
01902 LOJA DE ARTIGOS AGROPECUÁRIOS
01903 LOJA DE PRODUTOS VETERINÁRIOS
01904 CASA DE PRODUTOS VETERINÁRIOS
01905 COOPERATIVA DE PRODUTORES RURAIS
01906 CASA DE RAÇÃO
01907 AGROPECUÁRIA
01908 SELARIA
01909 PET SHOP
01910 VETERINÁRIA (LOJA)
01911 LOJA DE ANIMAIS
01912 AVICULTURA
01913 CLÍNICA VETERINÁRIA
01914 SALÃO DE TOSA E BANHO DE ANIMAIS
01915 CLÍNICA DE TOSA E BANHO DE ANIMAIS
01916 CANIL
01917 LOJA DE MATERIAL DE CAÇA E PESCA
01918 PETSHOP
01919 PIT DOG
01920 FARMÁCIA VETERINÁRIA
01921 CASA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
01922 LOJA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
02001 DEPÓSITO EM GERAL
02002 DEPÓSITO DE DOCES E BALAS
02003 DEPÓSITO DE BEBIDAS
02004 FRIGORÍFICO EM GERAL
02005 ADEGA
02006 DEPÓSITO DE GÁS
02007 DISTRIBUIDORA DE GÁS
02008 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS
02009 DEPÓSITO DE REDES
02010 DEPÓSITO DE ÁGUA
02011 DISTRIBUIDORA DE ÁGUA
02012 DISTRIBUIDORA
02013 DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS
02014 DEPÓSITO DE BISCOITO
02101 LOJA DE MATERIAL DE CONSTRUÇÃO
02102 LOJA DE MATERIAL ELÉTRICO
02103 LOJA DE FERRAGENS
02104 VIDRAÇARIA
02105 LOJA DE CHAVES
02106 CASA DE TINTAS
02107 LOJA DE TINTAS
02108 LOJA DE CADEADOS
02109 CHAVEIRO
02110 LOJA DE MATERIAL HIDRÁULICO
02111 LOJA DE FERRAMENTAS (CONSTRUÇÃO)
02112 LOJA DE PISOS (PEDRA, CERÂMICA ETC.)
02113 CASA DE FERRAGENS
02114 CASA DOS PARAFUSOS
02115 LOJA DE ESQUADRIA DE ALUMÍNIO
02116 CASA DE ARTIGOS PARA JARDINAGEM
02201 LOJA DE ALIMENTOS CONGELADOS
02202 LOJA DE PÃO DE QUEIJO CONGELADO
116
02203 LOJA DE COMIDAS CONGELADAS
02301 PEIXARIA
02302 BALANÇA DO PEIXE
02303 MERCADO DE PEIXES
02304 FEIRA DO PEIXE
02401 ASSOCIAÇÃO DE CLASSE
02402 ASSOCIAÇÃO DE MORADORES
02403 ASSOCIAÇÃO TÉCNICA
02404 ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA
02405 COOPERATIVA DE CLASSE (EXCETO DE PRODUTORES RURAIS)
02406 HORTA COMUNITÁRIA (ASSOCIAÇÃO DE MORADORES)
02407 AGREMIAÇÃO CARNAVALESCA
02408 ASSOCIAÇÃO GREMISTA CARNAVALESCA
02409 SINDICATO DE CLASSE
02410 SOCIEDADE DE CLASSE
02501 LOJA DE FRUTAS, FRUTARIA ETC.
02502 FRUTARIA
02503 BARRACA DE FRUTAS EM SHOPPING CENTER
02504 BARRACA DE FRUTAS E CEREAIS EM SHOPPING CENTER
02505 LOJA DE FRUTAS
02506 FRUTEIRA (FRUTARIA)
02507 BANCA DE FRUTAS
02508 FEIRA DE FRUTAS
02601 CENTRAL DE ABASTECIMENTO
02602 MERCADO ESTADUAL
02603 MERCADO MUNICIPAL
02604 MERCADO COBAL
02605 COBAL
02606 CEASA
02607 MERCADO POPULAR PÚBLICO
02608 MERCADO PÚBLICO POPULAR
02701 SORVETERIA
02801 LOJA DE PRODUTOS NATURAIS E MACROBIÓTICOS
02802 CASA DO APICULTOR
02803 LOJA DE PRODUTOS MACROBIÓTICOS
02901 PAPELARIA E COPIADORA
02902 PAPELARIA
02903 REVENDEDORA DE GIZ
02904 COPIADORA (XEROX)
02905 LOJA DE XEROX
02906 XEROX (LOJA)
02907 XEROCARIA
03001 LIVRARIA E COMÉRCIO GRÁFICO
03002 LIVRARIA
03003 EDITORA (LIVRARIA)
03004 GRÁFICA
03005 TIPOGRAFIA
03006 LOJA DE LIVROS USADOS, SEBO ETC.
03007 EDITORA DE JORNAL
03101 ARMARINHO
03102 LOJINHA
03103 LOJA DE AVIAMENTOS
03104 LOJA DE MIUDEZAS (ARMARINHO)
03201 BANCA DE JORNAIS
03202 QUIOSQUE (BANCA DE JORNAL)
03203 REVISTARIA
03301 COSTUREIRA, ALFAIATE
117
03302 COSTUREIRA DE ROUPA
03303 COSTUREIRA DE CORTINA
03304 CORTINA SOB MEDIDA (COSTUREIRA)
03305 CORTINEIRA (COSTUREIRA DE CORTINA)
03306 ALFAIATE
03307 ALFAIATARIA
03401 FEIRA DE EXPOSIÇÃO, FESTA JUNINA, LEILÃO ETC.
03402 FESTA JUNINA
03403 FEIRA GASTRONÔMICA
03404 FEIRA DE GASTRONOMIA
03405 LEILÃO
03406 PARQUE DE EXPOSIÇÃO
03407 FEIRA DE INFORMÁTICA
03408 FEIRA DE ARTESANATO
03409 FEIRA DA SULANCA
03410 FEIRA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
03411 FEIRA DOS IMPORTADOS
03412 FEIRA DE MÁQUINAS AGROPECUÁRIAS
03413 REMATE DE GADO
03414 FEIRA LIVRE DE PEQUENOS ANIMAIS
03415 FEIRA LIVRE DE ARTEFATOS DE MONTARIA, SELARIA
03416 FEIRA DO AGRICULTOR
03417 FEIRA DE PRODUTOS COLONIAIS
03418 FEIRA DO LIVRO (BIENAL)
03419 FEIRINHA
03420 FEIRA DE ELETRÔNICOS
03501 JOALHERIA
03502 LOJA DE PEDRAS PRECIOSAS OU SEMIPRECIOSAS
03503 LOJA DE LAPIDAÇÃO DE JÓIAS OU SEMI-JÓIAS
03504 LOJA DE BIJUTERIAS
03601 LOJA DE ARTIGOS DE DECORAÇÃO
03602 LOJA DE CRISTAIS E PORCELANAS
03603 LOJA DE LUSTRES E LUMINÁRIAS
03604 LOJA DE CORTINAS
03605 LOJA DE LOUÇAS
03606 BUTIQUE DE LOUÇAS
03607 ANTIQUÁRIO
03608 LOJA DE ANTIGUIDADES
03609 LOJA DE CAPA DE SOFÁ
03610 LOJA DE TOLDOS
03701 IMOBILIÁRIA
03801 LOJA DE BRINQUEDOS E DIVERSÕES
03802 FLIPERAMA
03803 CASA DE JOGOS
03901 SUS (DOAÇÃO EM POSTO DE SAÚDE, HOSPITAL)
03902 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (DOAÇÃO EM POSTO DE SAÚDE, HOSPITAL)
03903 POSTO DE SAÚDE PÚBLICO
03904 INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA PÚBLICA
03905 HOSPITAL PÚBLICO
04001 LOJA DE ELETRODOMÉSTICOS E UTILIDADES
04002 LOJA DE UTILIDADES (CINE FOTO SOM)
04003 CINE FOTO SOM (LOJA DE UTILIDADES)
04004 LOJA DE ELETRODOMÉSTICOS E MÓVEIS (BRICK)
04005 BRICK (LOJA DE ELETRODOMÉSTICOS E MÓVEIS)
04006 LOJA DE ELETRODOMÉSTICOS E MÓVEIS USADOS
04007 BREXÓ (LOJA DE ELETRODOMÉSTICOS E MÓVEIS)
04008 TOPA TUDO
118
04009 MERCADO DAS PULGAS
04010 LOJA DE ELETRODOMÉSTICOS E MÓVEIS
04011 LOJA DE UTILIDADES
04012 LOJA DE VARIEDADES
04013 LOJA DE ELETRODOMÉSTICOS
04101 LOJA DE PEÇAS, ACESSÓRIOS, EQUIPAMENTOS DE VEÍCULOS
04102 LOJA DE EQUIPAMENTOS DE VEÍCULOS
04103 CASA DE AUTOPEÇAS
04104 LOJA DE AUTOPEÇAS
04105 LOJA DE CAPOTARIA DE VEÍCULOS
04106 LOJA DE PNEUS
04107 BORRACHARIA (LOJA E CONSERTO DE PNEUS)
04108 LOJA DE PNEUS E CÂMARAS
04109 LOJA DE ACESSÓRIOS DE VEÍCULOS
04110 LOJA DE SOM (ACESSÓRIOS DE VEÍCULOS)
04111 AUTOPEÇAS
04112 CASA DE BORRACHAS PARA AUTOS
04113 FERRO-VELHO
04114 VULCANIZADORA
04115 AUTOELÉTRICA
04116 LOJA DE ÓLEO LUBRIFICANTE
04201 HOSPITAL PARTICULAR
04301 FUNERÁRIA
04401 LOJA DE MÓVEIS
04402 LOJA DE MÓVEIS PARA BEBÊS
04403 MOBILIADORA
04404 LOJA DE MÓVEIS PLANEJADOS
04501 LOJA DE ROUPAS
04502 LOJA DE MEIAS
04503 LOJA DE CAMISAS
04504 LOJA DE CALÇAS
04505 LOJA DE LANGERIE
04506 LOJA DE MALHAS
04507 BUTIQUE DE ROUPAS
04508 LOJA DE ROUPAS DE ENXOVAL
04509 LOJA DE ALUGUEL DE ROUPAS
04510 BREXÓ (LOJA DE ROUPAS USADAS)
04511 CAMISARIA
04512 LOJA DE UNIFORMES ESCOLAR E PROFISSIONAL
04513 MALHARIA
04514 LOJA DE ARTIGOS DE PRAIA
04515 LOJA DE CONFECÇÃO (FÁBRICA)
04516 LOJA DE ROUPA ÍNTIMA
04601 FARMÁCIA POPULAR (ESTABELECIMENTO PRÓPRIO)
04701 FARMÁCIA (CONVÊNIO FARMÁCIA POPULAR)
04702 DROGARIA (CONVÊNIO FARMÁCIA POPULAR)
04801 SHOPPING CENTER
04901 RESTAURANTE
04902 CHURRASCARIA
04903 PIZZARIA
04904 PENSÃO
04905 CASA DE MASSAS
04906 BAR E RESTAURANTE
04907 RESTAURENTE E BAR
04908 MARMITARIA (SERVE REFEIÇÕES)
04909 CASA DE COMIDAS TÍPICAS
04910 RESTAURANTE DE COMIDAS TÍPICAS
119
04911 ROTISSERIA
04912 MARMITEX
04913 BUFFET
04914 PEIXARIA (RESTAURANTE)
04915 SELF SERVICE
04916 CASA DE ASSADOS
04917 DELIVERY DE COMIDA CHINESA
05001 NEGÓCIO PRÓPRIO
05101 COMPANHIA DE HABITAÇÃO
05102 COMPANHIA TELEFÔNICA
05103 COMPANHIA ENERGÉTICA
05104 COMPANHIA DE ÁGUA E ESGOTO
05105 POSTO TELEFÔNICO
05201 CARTÓRIO
05301 EMPRESA DE TRANSPORTE
05302 TRANSPORTADORA
05401 ASSISTÊNCIA AUTORIZADA
05402 ASSISTÊNCIA TÉCNICA
05501 LOJA DE 1,99 (IMPORTADO)
05601 POSTO DE COMBUSTÓVEL (LOJA DE CONVENIÊNCIA)
05602 LOJA DE CONVENIÊNCIA
05603 POSTO DE COMBUSTÍVEL
05604 POSTO DE GASOLINA
05701 LOJA DE FOTOGRAFIA
05702 ESTUDIO DE GRAVAÇÃO DE FITA DE VÍDEO
05703 FOTÓGRAFO (LOJA DE REVELAÇÃO)
05704 LOJA DE EQUIPAMENTOS FOTOGRÁFICOS
05705 ESTÚDIO FOTOGRÁFICO
05801 CONDOMÍNIO (SÍNDICO)
05901 FABRICANTE
05902 FÁBRICA
05903 LOJA DE FÁBRICA
05904 MARCENARIA
05905 SERRALHERIA
05906 CERÂMICA
05907 SERRARIA
05908 MADEIREIRA
05909 MOINHO
05910 INDÚSTRIA DE BENEFICIAMENTO
05911 METALÚRGICA
05912 OLARIA
05913 POSTO DE FÁBRICA
05914 MARMORARIA
05915 MOVELARIA
05916 PICARREIRA
05917 CARPINTARIA
05918 FÁBRICA DE GELO
05919 USINA DE BENEFICIAMENTO
05920 VINÍCULA
05921 PEDREIRA
06001 LOJA DE ARTIGOS DE COURO E BORRACHA (EXC. CALÇADO)
06002 LOJA DE MALAS, BOLSAS, CINTOS
06003 LOJA DE BOLSAS
06004 LOJA DE CINTOS
06005 LOJA DE ARTIGOS DE BORRACHA
06006 LOJA DE CARTEIRAS (DE BOLSO, DE MÃO)
06007 CHAPELARIA
120
06008 LOJA DE CHAPÉUS
06101 OFICINA DE VEÍCULOS
06102 CASA DE CONSERTO DE VEÍCULOS
06103 OFICINA DE BICICLETA
06104 OFICINA ELÉTRICA DE VEÍCULOS
06105 OFICINA DE LANTERNAGEM
06106 FUNILARIA
06107 FUNILEIRO
06108 OFICINA MECÂNICA
06109 OFICINA DE BALANCEAMENTO
06110 LANTERNEIRO
06111 CHAPEADOR, PINTOR (LANTERNEIRO)
06112 ESTOFADOR (VEÍCULO)
06113 CAPOTEIRO (CONSERTO DE VEÍCULO)
06114 ESTOFARIA (CONSERTO DE VEÍCULO)
06115 MARTELINHO DE OURO (REPARO DE VEÍCULO)
06116 LATOARIA
06117 BICICLETARIA
06118 FERRARIA
06119 RETIFICADORA
06201 ESTABELECIMENTO DE ENSINO
06202 ESCOLA
06203 COLÉGIO
06204 ESTABELECIMENTO ESCOLAR
06205 ESCOLA DE IDIOMAS
06206 UNIVERSIDADE
06207 FACULDADE
06208 CURSINHO
06209 CURSINHO DE MATÉRIAS ISOLADAS
06210 CONSERVATÓRIO DE MÚSICA
06211 INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR
06212 GRUPO ESCOLAR
06213 ESCOLA ISOLADA
06214 AUTO-ESCOLA
06215 CRECHE
06216 ESCOLA DE INFORMÁTICA
06217 ESCOLA DE DANÇA
06218 ESCOLA DE ARTES MARCIAIS
06219 ESCOLA MATERNAL
06220 CURSO PRÉ-VESTIBULAR
06221 CURSO SUPLETIVO
06222 CURSO PROFISSIONALIZANTE
06223 SENAC, SENAI E OUTROS
06224 CURSO PROFISSIONALIZANTE (TIPO SEBRAE)
06225 ESCOLA AGROTÉCNICA
06226 ESCOLA DE MÚSICA
06227 ESCOLA DE ESPORTES
06228 CURSOS PREPARATÓRIOS
06229 ESCOLA DE ARTES
06230 ESCOLA DE ARTESANATO
06301 AGÊNCIA DE CORREIO E TELÉGRAFO
06401 CLÍNICA ESPECIALIZADA DE ESTÉTICA
06402 CLÍNICA DE ESTÉTICA
06403 CLÍNICA DE BELEZA
06404 SALÃO DE BELEZA (CLÍNICA)
06405 ESTETICISTA
06501 CLÍNICA ESPECIALIZADA MÉDICA E LABORATORIAL
121
06502 CONSULTÓRIO DENTÁRIO
06503 CONSULTÓRIO MÉDICO
06504 CLÍNICA DE REABILITAÇÃO
06505 CLÍNICA DE FISIOTERAPIA
06506 CLÍNICA DE PSICOLOGIA
06507 CLÍNICA MÉDICA
06508 CLÍNICA DE FRATURAS
06509 CLÍNICA DE ODONTOLOGIA (ODONTOLÓGICA)
06510 PROTÉTICO
06511 LABORATÓRIO DE ANÁLISE, RADIOLOGIA, ULTRASOM ETC.
06512 CLÍNICA DE HEMODIÁLISE
06601 LOJA DE PEÇAS E REFORMA DE ELETRODOMÉSTICOS
06602 LOJA DE CONSERTO DE ELETRODOMÉSTICOS
06603 LOJA DE CONSERTO DE GELADEIRA E FREEZER
06604 LOJA DE REFORMA DE GELADEIRA E FREEZER
06605 OFICINA DE APARELHOS ELETRÔNICOS
06606 OFICINA DE ELETRODOMÉSTICOS
06701 ATACADISTA
06702 SUPERMERCADO ATACADISTA
06703 HIPERMERCADO ATACADISTA
06704 ARMAZÉM ATACADISTA
06705 CEREALISTA ATACADISTA
06706 LOJA ATACADISTA
06801 CATÁLOGO (HERMES, AVON, NATURA ETC.)
06802 AVON (CATÁLOGO)
06803 HERMES (CATÁLOGO)
06804 NATURA (CATÁLOGO)
06805 ATENDIMENTO PARTICULAR (CATÁLOGO HERMES, AVON, NATURA ETC.)
06806 CATÁLOGO
06901 AVIÁRIO
06902 AVÍCOLA
06903 PONTO DE FRANGO (AVÍCOLA)
06904 FRANGARIA
06905 LOJA DA GRANJA
06906 CASA DE FRANGOS (ABATE)
07001 IMPORTADORA E FREE SHOP
07002 LOJA DE IMPORTADOS
07003 FREE SHOP (LOJA DE IMPORTADOS)
07101 LOJA DE INFORMÁTICA E EQUIPAMENTOS
07102 LOJA DE INFORMÁTICA
07103 LOJA DE COMPUTADORES E EQUIPAMENTOS
07104 LOJA DE CARTUCHO PARA IMPRESSORA (RECARGA)
07105 LOJA DE RECARGA DE CARTUCHO PARA IMPRESSORA
07201 LAVA A JATO
07202 LAVADOR DE VEÍCULO
07301 AGÊNCIA LOTÉRICA E APOSTAS
07302 AGÊNCIA LOTÉRICA
07303 LOTERIA ESPORTIVA (AGÊNCIA)
07304 CASA LOTÉRICA
07305 LOJA LOTÉRICA
07306 BINGO
07307 BANCA (JOGO DE BICHO)
07401 LOJA DE SOUVENIRS
07501 PARTICULAR (TERCEIRO)
07502 TERCEIRO (PARTICULAR)
07503 GRAVADOR DE CD (PARTICULAR)
07504 FILMADOR DE EVENTOS (PARTICULAR)
122
07505 VENDEDOR DE CABELOS (PARTICULAR)
07506 TÉCNICO EM COMPUTAÇÃO (PARTICULAR)
07507 LAVADOR DE SOFÁ (PARTICULAR)
07508 PROPRIETÁRIO DE IMÓVEL (LOCADOR)
07509 REVENDEDOR
07510 PARTICULAR
07511 PROFISSIONAL LIBERAL
07601 PRODUTOR AGROPECUÁRIO
07602 APIÁRIO
07603 GRANJA
07604 PRODUÇÃO PRÓPRIA
07605 PRODUTOR RURAL
07606 SITIANTE
07607 PESCADOR
07608 CRIAÇÃO PRÓPRIA
07609 HORTA PRÓPRIA
07610 PLANTAÇÃO PRÓPRIA
07611 PRODUTO RURAL
07612 QUINTAL
07613 ROÇA PRÓPRIA
07614 ROÇADO PRÓPRIO
07615 SÍTIO PRÓPRIO
07701 NATURAL
07702 NATUREZA
07703 FLORESTA
07704 IGARAPÉ
07705 LAGOA
07706 MAR
07707 MATA
07708 RIO
07709 AÇUDE
07710 LAGO
07711 PRAIA
07801 LIXÃO
07802 DEPÓSITO DE LIXO
07901 ACADEMIA DE ARTES E ESPORTES
07902 ACADEMIA DE ARTES
07903 ACADEMIA DE ARTES MARCIAIS
07904 ACADEMIA DE BALÉ
07905 ACADEMIA DE BOXE
07906 ACADEMIA DE CAPOEIRA
07907 ACADEMIA DE DANÇA
07908 ACADEMIA DE ESPORTES
07909 ACADEMIA DE GINÁSTICA
07910 ACADEMIA DE JUDÔ
07911 ACADEMIA DE KARATÊ
07912 ACADEMIA DE MUSCULAÇÃO
07913 ACADEMIA DE NATAÇÃO
07914 ACADEMIA DE TÊNIS
08001 ESCRITÓRIOS E ADMINISTRADORAS EM GERAL
08002 ADMINISTRADORA DE CEMITÉRIO
08003 ADMINISTRADORA DE PLANO DE SAÚDE
08004 ADMINISTRADORA DE EVENTOS E FESTAS
08005 ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO
08006 ADMINISTRADORA DE PLANO ODONTOLÓGICO
08007 ADMINISTRADORA DE PLANO FUNERAL
08008 ADMINISTRADORA DE SEGUROS
123
08009 ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIO
08010 ESCRITÓRIO
08011 BIRÔ JURÍDICO
08012 ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS
08101 REFEITÓRIO EM GERAL
08201 BANCO
08202 AGÊNCIA BANCÁRIA
08301 ÓRGÃOS PÚBLICOS
08302 PREFEITURA MUNICIPAL
08303 GOVERNO DO ESTADO
08304 GOVERNO FEDERAL
08305 GOVERNO (NÃO ESPECIFICADO)
08306 SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA OU DELEGACIA
08307 SECRETARIA DE AÇÃO SOCIAL
08308 EMATER
08401 LABORATÓRIOS OFICIAIS
08402 FUNASA
08403 FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ
08501 CARVOARIA
08601 CAMINHÃO REBOQUE (GUINCHO)
08701 REPRESENTANTE DE VENDAS
08801 EMPRESA DE TERRAPLANAGEM E EXTRAÇÃO MINERAL
08802 AREAL
08803 LOCAL DE EXTRAÇÃO DE AREIA
08804 GARIMPO
08805 AREEIRA
08806 EMPRESA DE TERRAPLANAGEM
08901 CONSTRUTORA
09001 DROGARIA COM CONVÊNIO
09002 FARMACIA COM CONVÊNIO
09101 AGENTES DE COMUNICAÇÃO
09102 ANÚNCIO DE TV (MALA DIRETA)
09103 COMPUTADOR (VIA)
09104 TELEMARKETING
09105 INTERNET
09106 ANÚNCIO DE JORNAL
09107 JORNAL (ANÚNCIO)
09108 TELEMENSAGEM
09109 CARRO DE MENSAGEM
09110 ANÚNCIO DE RÁDIO
09111 LINHA DIRETA (VENDA POR TELEFONE)
09112 LAN HOUSE (LOJA INTERNET)
09113 ENTREGA EM DOMICÍLIO (VENDA POR TELEFONE)
09201 RESTAURANTE POPULAR
09301 LANCHONETE POPULAR
09401 LOJA DE FRIOS
09402 FIAMBRERIA
09403 LOJA DE LATICÍNIOS
09404 LATICÍNIO
09405 QUEIJARIA
09406 VACARIA (LATICÍNIOS)
09407 CASA DE FRIOS
09408 DISTRIBUIDORA DE LEITE
09409 LEITERIA
09410 CASA DE QUEIJO
09501 ESTABELECIMENTO CULTURAL
09502 TEATRO
124
09503 BIBLIOTECA
09504 CINEMA
09505 MUSEU
09601 LOJA DE PRODUTOS HOSPITALARES
09602 LOJA DE OXIGÊNIO
09701 ESTABELECIMENTO DE EVENTOS E DIVERSÃO
09702 DANCETERIA
09703 CASA DO FORRO
09704 BOATE
09705 CLUBE ESPORTIVO
09706 CASA DE SHOWS E ESPETÁCULOS
09707 ASSOCIAÇÃO (RECREAÇÃO, FUTEBOL, CLUBE ETC.)
09801 LOJA DE CELULAR
09802 OFICINA DE CELULAR
09803 LOJA DE CONSERTO DE CELULAR
09804 BANCA (QUIOSQUE) DE ARTIGOS PARA CELULAR
09901 LOJA DE VEÍCULOS
09902 CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS
09903 AGÊNCIA DE VEÍCULOS
10001 LOJA DE FLORES
10002 FLORICULTURA
10003 FLORISTA
10101 SAPATEIRO
10102 HOSPITAL DO TÊNIS
10201 LOJA DE ARTESANATOS
10202 LOJA DE PRODUTOS ARTESANAIS
10301 LOJA DE TECIDOS E TAPEÇARIA
10302 LOJA DE TECIDOS
10303 TAPEÇARIA
10401 LOJA DE COSMÉTICOS E PERFUMARIA
10402 LOJA DE COSMÉTICOS
10403 PERFUMARIA
10501 LOCADORA DE CD, VÍDEO GAME, DVD E VIDEOKÊ
10502 LOCADORA DE FILMES (VÍDEO)
10601 LOJA DE COLCHÕES
10701 LOJA DE MÁQUINA DE COSTURA
10801 LOJA DE ARTIGOS PARA PISCINA
10901 MOTEL
11001 LOJA DE APARELHOS TELEFÔNICOS
11101 LOJA DE QUADROS E MOLDURAS
11201 ESPECIALISTA EM LENTES DE CONTACTO
11301 LOJA DE DISCOS, CD E FITAS
11401 LOJA DE INSTRUMENTOS MUSICAIS
11501 LOJA DE MATERIAL ESPORTIVO
11601 LOJA DE ROUPA DE CAMA, MESA E BANHO
11701 ÓTICA
11801 RELOJOARIA E RELOJOEIRO
11901 EMPRESA DE SERVIÇO DE SEGURANÇA
12001 SAPATARIA (LOJA DE CALÇADOS)
12101 TABACARIA
12102 CASA DE FUMO
12201 LOJA DE ARTIGOS DE HIGIENE PESSOAL
12301 LOJA DE EMBALAGENS
12401 LOJA DE CONSERTO DE MÓVEIS
12501 LOJA DE CESTAS DE CAFÉ DA MANHÃ
12601 LOJA DE ARTIGOS PARA FESTA
12701 LOCADORA DE VEÍCULOS
125
12801 SEX SHOP
12901 HOTEL
13001 LOJA DE REFORMA DE SOFÁS
13101 LOJA DE BICICLETA
13201 LOJA DE ARTIGO INFANTIL E BEBÊ
13301 LOJA DE ARTIGOS DE PLÁSTICO
13401 LOJA DE PRESENTES
13501 ESTALEIRO
13601 LOJA DE REDE
13701 LOJA DE ANTENAS PARABÓLICAS
13801 LOJA DE AQUÁRIOS
13901 LOJA DE BOMBA DE ÁGUA
14001 LOJA DE FOGOS DE ARTIFÍCIO
14101 LOCADORA DE ARTIGOS PARA FESTA
14201 EMPRESA PÚBLICA
14301 EMPRESA PRIVADA
14401 LOJA DE ELETRÔNICOS
14501 DEPÓSITO DE LENHA
14601 PESQUE E PAGUE
14701 GALETERIA
14702 FRANGUERIA (GALETERIA)
14801 LOJA DE PRODUTOS ORGÂNICOS
14901 LOJA DE 1 REAL (ALIMENTOS E BEBIDAS)
15001 CASA DE ARTIGOS DE CABELEIREIRO
15002 SALÃO DE BELEZA
15003 CABELEIREIRO
15101 LOJA DE MATERIAL DE LIMPEZA
15102 LOJA DE PRODUTOS DE LIMPEZA
15103 LOJA DE PRODUTOS QUÍMICOS PARA LIMPEZA
15201 LOJA DE CESTA BÁSICA
15301 LOJA DE ERVA MATE
15401 LOJA DE PRODUTOS DIETÉTICOS
15501 EMPRESA ESPECIALIZADA
15601 HOME CENTER
15701 LOJA DE GESSO
15801 LOJA DE ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS DE CONSTRUÇÃO
15901 LOJA DE PRODUTOS ORTOPÉDICOS
16001 COMISSÃO DE FORMATURA
16101 LOJA OPERADORA DE CELULAR
16201 CAIXA ELETRÔNICO
99901 NÃO SABE
99902 IGNORADO
126
APÊNDICE C
Tabela 1 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com produtos
alimentícios nas regiões metropolitanas
1995/1996 2002/2003 2008/2009
Local % Local % Local %
Supermercado 35,17 Supermercado 35,76 Supermercado 35,99
Padaria 17,37 Mercearia 13,69 Mercearia 13,61
Mercearia 13,51 Padaria 13,14 Padaria 13,09
Quitanda 7,04 Mercado 8,57 Mercado 6,40
Feira livre 6,05 Quitanda 4,85 Quitanda 4,81
Armazém 3,77 Feira livre 3,01 Sacolão 2,90
Sacolão 3,24 Sacolão 2,76 Armazém 2,62
Açougue 3,24 Açougue 2,11 Feira livre 2,34
Mercado 2,70 Hipermercado 2,00 Hipermercado 2,11
Ambulante 1,98 Armazém 1,48 Açougue 1,95
OUTROS 5,43 OUTROS 14,24 OUTROS 14,10
TOTAL 100,00 TOTAL 100,00 TOTAL 100,00
Fonte: Elaborada pelo autor.
Tabela 2 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com cereais e
leguminosas nas regiões metropolitanas
1995/1996 2002/2003 2008/2009
Local % Local % Local %
Supermercado 37,08 Supermercado 37,57 Supermercado 37,62
Padaria 16,87 Mercearia 18,72 Mercearia 18,36
Mercearia 14,08 Sacolão 6,74 Sacolão 7,15
Quitanda 7,93 Mercado 10,03 Mercado 10,70
Armazém 4,06 Quitanda 6,12 Quitanda 6,12
Feira livre 3,87 Feira livre 6,46 Feira livre 5,76
Açougue 3,19 Hipermercado 1,61 Hipermercado 1,72
OUTROS 13,92 OUTROS 12,75 OUTROS 12,56
Fonte: Elaborada pelo autor.
127
Tabela 3 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com frutas nas
regiões metropolitanas
1995/1996 2002/2003 2008/2009
Local % Local % Local %
Supermercado 39,32 Supermercado 30,58 Supermercado 31,02
Padaria 15,41 Sacolão 11,92 Sacolão 12,50
Mercearia 13,01 Feira livre 11,8 Feira livre 10,36
Quitanda 6,67 Mercado 7,97 Mercado 8,36
Feira livre 5,44 Mercearia 8,47 Mercearia 8,48
Armazém 3,60 Vendedor ambulante 2,6 Vendedor ambulante 2,53
OUTROS 16,55 OUTROS 26,66 OUTROS 26,75
Fonte: Elaborada pelo autor.
Tabela 4 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com farinhas e
massas nas regiões metropolitanas
1995/1996 2002/2003 2008/2009
Local % Local % Local %
Supermercado 33,49 Supermercado 38,41 Supermercado 40,85
Padaria 18,67 Mercearia 21,21 Mercearia 21,29
Mercearia 14,71 Mercado 13,35 Mercado 13,92
Quitanda 7,16 Quitanda 7,34 Quitanda 7,37
Armazém 4,17 Feira livre 4,41 Feira livre 2,67
Feira livre 4,12 Padaria 1,96 Hipermercado 2,13
Sacolão 3,12 Hipermercado 1,91 Padaria 2,01
OUTROS 14,56 OUTROS 12,7 OUTROS 11,07
Fonte: Elaborada pelo autor.
128
Tabela 5 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com açúcares e
confeitos nas regiões metropolitanas
1995/1996 2002/2003 2008/2009
Local % Local % Local %
Supermercado 38,39 Supermercado 45,48 Supermercado 45,48
Padaria 12,57 Mercearia 16,72 Mercearia 16,60
Mercearia 11,53 Mercado 14,57 Mercado 15,32
Quitanda 8,26 Quitanda 6,00 Quitanda 5,88
Feira livre 8,12 Padaria 3,66 Padaria 3,62
Sacolão 4,36 Hipermercado 2,91 Hipermercado 3,06
Mercado 3,29 Vendedor ambulante 1,90 Vendedor ambulante 1,48
OUTROS 13,48 OUTROS 8,75 OUTROS 8,08
Fonte: Elaborado pelo autor.
Tabela 6 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com carnes nas
regiões metropolitanas
1995/1996 2002/2003 2008/2009
Local % Local % Local %
Supermercado 30,75 Açougue 35,83 Supermercado 34,61
Padaria 21,53 Supermercado 33,70 Açougue 33,29
Mercearia 16,16 Mercado 11,14 Mercado 12,12
Quitanda 8,13 Frigorifico 3,95 Frigorifico 4,33
Armazém 3,87 Mercearia 4,17 Mercearia 4,56
Feira livre 3,40 Quitanda 2,92 Quitanda 3,08
Açougue 3,10 Feira livre 2,09 Feira livre 1,41
OUTROS 13,07 OUTROS 6,19 OUTROS 6,60
Fonte: Elaborada pelo autor.
129
Tabela 7 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com produtos de
higiene nas regiões metropolitanas
1995/1996 2002/2003 2008/2009
Local % Local % Local %
Venda direta 24,25 Venda direta 18,71 Venda direta 27,55
Loja de cosméticos e
perfumaria
13,91
Loja de cosméticos e
perfumaria
17,11
Loja de cosméticos e
perfumaria
16,32
Supermercado 12,25 Vendedor ambulante 14,75 Farmácia/drogaria 15,11
Loja de
departamento
11,99
Farmácia/drogaria 12,84
Supermercado 9,31
Farmácia/drogaria 11,92 Supermercado 9,30 Vendedor ambulante 6,06
Armarinho 4,28
Mercearia 4,76
Loja de produtos
agropecuários
4,98
Mercearia 2,29 Loja de departamento 2,88 Quitanda 1,93
OUTROS 19,11 OUTROS 21,89 OUTROS 18,74
Fonte: Elaborada pelo autor.
Tabela 8 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com artigos de
vestuário nas regiões metropolitanas
1995/1996 2002/2003 2008/2009
Local % Local % Local %
Loja de roupas 61,54 Loja de roupas 58,24 Loja de roupas 65,81
Loja de
departamento
15,4
Vendedor ambulante 16,27
Vendedor ambulante 15,83
Vendedor
ambulante
12,36
Loja de
departamento
8,77
Loja de
departamento
7,01
Feira livre 2,11 Feira livre 2,27 Feira livre 1,81
Armarinho 1,77 Supermercado 1,31 Supermercado 0,68
Hipermercado 0,86 Armarinho 1,84 Armarinho 0,62
Supermercado 0,75
Loja de artigos
infantis
0,89
Importador 0,47
OUTROS 5,21 OUTROS 10,41 OUTROS 7,77
Fonte: Elaborada pelo autor.
130
Tabela 9 – Participação dos principais locais de compra nas despesas com produtos
eletrônicos nas regiões metropolitanas
1995/1996 2002/2003 2008/2009
Local % Local % Local %
Loja de
eletrodomésticos
51,65
Loja de
Eletrodomésticos
39,45
Loja de
eletrodomésticos
43,66
Loja de
departamento
18,86
Vendedor ambulante 22,95
Vendedor ambulante 18,37
Vendedor
ambulante
14,98
Loja de departamento 10,24
Loja de departamento 10,17
Loja de materiais de
construção
3,82
Supermercado 5,76
Supermercado 5,98
Hipermercado 2,37 Hipermercado 4,13 Hipermercado 5,29
Supermercado 1,58
Loja de materiais de
construção
1,81
Loja de materiais de
construção
3,17
Lojas de móveis 1,19 Lojas de móveis 1,41 Loja de informática 1,19
Loja especializada 0,98 Loja especializada 1,18 Loja virtual 1,04
OUTROS 4,57 OUTROS 13,07 OUTROS 11,13
Fonte: Elaborada pelo autor.
Tabela 10 – Comparação dos principais locais de compra nas despesas com produtos
alimentícios nas regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2002/2003
RM INTERIOR
Local % Local %
Supermercado 35,76 Supermercado 38,31
Padaria 13,14 Padaria 10,66
Mercearia 13,69 Mercearia 10,16
Mercado 8,57 Mercado 7,75
Quitanda 4,85 Feira livre 5,79
Feira livre 3,01 Quitanda 3,23
Sacolão 2,76 Açougue 2,44
Açougue 2,11 Vendedor ambulante 3,61
Hipermercado 2,00 Armazém 2,05
Armazém 1,41 Sacolão 1,48
OUTROS 12,07 OUTROS 14,46
Fonte: Elaborada pelo autor.
131
Tabela 11 – Comparação dos principais locais de compra nas despesas com produtos
alimentícios nas regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2008/2009
RM INTERIOR
Local % Local %
Supermercado 35,95 Supermercado 38,12
Padaria 13,09 Padaria 10,58
Mercearia 13,61 Mercearia 10,02
Mercado 6,40 Mercado 7,96
Quitanda 4,81 Quitanda 3,22
Sacolão 2,90 Feira livre 5,64
Armazém 2,62 Açougue 2,41
Feira livre 2,34 Vendedor ambulante 2,25
Hipermercado 2,11 Armazém 2,13
Açougue 1,95 Sacolão 1,52
OUTROS 14,10 OUTROS 12,15
Fonte: Elaborado pelo autor.
Tabela 12 – Comparação dos principais locais de compra de frutas nas regiões
metropolitanas e cidades do interior, edição 2002/2003
RM INTERIOR
Local % Local %
Supermercado 30,58 Supermercado 26,71
Sacolão 11,92 Feira livre 24,08
Feira livre 11,80 Mercearia 14,53
Mercado 7,97 Sacolão 6,95
Mercearia 8,47 Mercado 6,35
Quitanda 4,14 Quitanda 2,85
Vendedor ambulante 2,60 Vendedor ambulante 2,33
OUTROS 22,14 OUTROS 16,22
Fonte: Elaborada pelo autor.
132
Tabela 13 – Comparação dos principais locais de compra de frutas nas regiões
metropolitanas e cidades do interior, edição 2008/2009
RM INTERIOR
Local % Local %
Supermercado 31,02 Supermercado 26,29
Sacolão 12,50 Feira livre 23,72
Feira livre 10,36 Mercearia 12,21
Mercado 8,36 Sacolão 7,08
Mercearia 8,48 Mercado 6,49
Quitanda 4,12 Quitanda 2,80
Vendedor ambulante 2,53 Vendedor ambulante 2,44
OUTROS 17,15 OUTROS 16,40
Fonte: Elaborada pelo autor.
Tabela 14 – Comparação dos principais locais de compra de carnes nas regiões
metropolitanas e cidades do interior, edição 2002/2003
RM INTERIOR
Local % Local %
Açougue 35,83 Supermercado 54,54
Supermercado 33,70 Mercado 13,99
Mercado 11,14 Mercearia 9,99
Frigorifico 3,95 Feira livre 6,58
Mercearia 4,17 Quitanda 3,87
Quitanda 2,92 Armazém 1,57
OUTROS 8,28 OUTROS 5,87
Fonte: Elaborada pelo autor.
133
Tabela 15 – Comparação dos principais locais de compra de carnes nas regiões
metropolitanas e cidades do interior, edição 2008/2009
RM INTERIOR
Local % Local %
Supermercado 34,61 Supermercado 54,27
Açougue 33,29 Mercado 14,40
Mercado 12,12 Mercearia 9,94
Frigorifico 4,33 Feira livre 6,41
Mercearia 4,56 Quitanda 3,83
Quitanda 3,08 Armazém 1,45
OUTROS 6,60 OUTROS 6,08
Fonte: Elaborada pelo autor.
Tabela 16 – Comparação dos principais locais de compra de artigos de higiene pessoal
nas regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2002/2003
RM INTERIOR
Local % Local %
Venda direta 18,71 Farmácia/Drogaria 21,84
Loja de cosméticos e perfumaria 17,11 Venda direta 15,78
Vendedor ambulante 14,75 Supermercado 15,52
Farmácia/Drogaria 12,84 Vendedor ambulante 11,58
Supermercado 9,30 Mercearia 4,58
Mercearia 4,76 Loja de cosméticos e perfumaria 4,34
Loja de Departamento 2,88 Mercado 3,12
OUTROS 19,65 OUTROS 23,24
Fonte: Elaborada pelo autor.
134
Tabela 17 – Comparação dos principais locais de compra de artigos de higiene pessoal
nas regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2008/2009
RM INTERIOR
Local % Local %
Venda direta 27,55 Venda direta 23,58
Loja de cosméticos e perfumaria 16,32 Supermercado 17,44
Farmácia/drogaria 13,28 Loja de cosméticos e perfumaria 15,21
Supermercado 9,31 Farmácia/drogaria 11,22
Vendedor ambulante 6,06 Vendedor ambulante 7,08
Loja de produtos agropecuários 4,98 Loja de produtos agropecuários 3,02
OUTROS 22,47 OUTROS 22,55
Fonte: Elaborada pelo autor.
Tabela 18 – Comparação dos principais locais de compra de artigos de vestuário nas
regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2002/2003
RM INTERIOR
Local % Local %
Loja de roupas 58,24 Loja de roupas 56,55
Vendedor ambulante 16,27 Vendedor ambulante 20,32
Loja de departamento 8,77 Feira de artesanato 6,28
Supermercado 1,31 Loja de departamento 2,47
Feira de artesanato 2,27 Supermercado 0,97
Armarinho 1,84 Importador 0,94
OUTROS 11,30 OUTROS 12,47
Fonte: Elaborada pelo autor.
135
Tabela 19 – Comparação dos principais locais de compra de artigos de vestuário nas
regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2008/2009
RM INTERIOR
Local % Local %
Loja de roupas 65,81 Loja de roupas 68,29
Vendedor ambulante 15,83 Vendedor ambulante 17,37
Loja de departamento 7,01 Feira de artesanato 3,28
Feira de artesanato 1,81 Loja de departamento 2,10
Supermercado 0,68 Importador 0,83
Armarinho 0,62 Supermercado 0,39
OUTROS 8,24 OUTROS 7,74
Fonte: Elaborada pelo autor.
Tabela 20 – Comparação dos principais locais de compra de artigos eletrônicos nas
regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2002/2003
RM INTERIOR
Local % Local %
Loja de eletrodomésticos 39,50 Loja de eletrodomésticos 41,20
Vendedor ambulante 23,00 Vendedor ambulante 27,20
Loja de departamento 10,20 Loja de departamento 7,30
Supermercado 5,76 Lojas de móveis 4,69
Hipermercado 4,13 Supermercado 3,26
Loja de materiais de construção 1,81 Loja de materiais de construção 2,06
Lojas de móveis 1,41 Hipermercado 1,31
OUTROS 14,25 OUTROS 12,93
Fonte: Elaborada pelo autor.
136
Tabela 21 – Comparação dos principais locais de compra de artigos eletrônicos nas
regiões metropolitanas e cidades do interior, edição 2008/2009
RM INTERIOR
Local % Local %
Loja de eletrodomésticos 43,66 Loja de eletrodomésticos 46,19
Vendedor ambulante 18,37 Vendedor ambulante 21,30
Loja de departamento 10,17 Loja de departamento 6,30
Supermercado 5,98 Supermercado 5,01
Hipermercado 5,29 Loja de materiais de construção 4,16
Loja de materiais de construção 3,17 Lojas de móveis 2,72
Loja de informática 1,19 Loja de materiais elétricos 1,49
OUTROS 12,17 OUTROS 12,83
Fonte: Elaborada pelo autor.