i PATRÍCIA DE SÁ MACHADO PROJETO PILOTO DE SISTEMA GEOGRÁFICO DE INFORMAÇÃO DA VILA SÃO FRANCISCO DAS CHAGAS Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Geoprocessamento da Universidade Federal de Minas Gerais para a obtenção do título de Especialista em Geoprocessamento. Orientadora: Ana Clara Mourão Moura 2.000 MACHADO, Patrícia de Sá Projeto Piloto de Sistema Geográfico de Informação da Vila São Francisco das Chagas, Belo Horizonte, 2.000. 41p. Monografia (Especialização) – Universidade Federal de Minas Gerais. Departamento de Cartografia. 1.SGI 2. Análise espacial 3. Planejamento Urbano Universidade Federal de Minas Gerais. Instituto de Geociências. Departamento de Cartografia AGRADECIMENTOS Agradeço de maneira muito especial, a vocês, que deram as condições para a realização deste trabalho, Aos meus pais, pela torcida; Ao Ricardo pelo companheirismo e pelas revisões; A prof. Ana Clara Moura, pela orientação e dedicação, exemplo de orientadora; Aos amigos do NUPL pelo apoio, de modo especial, à Ivana Saraiva; Ao Marco Antônio da RF pela boa vontade; Às minhas irmãs, em especial a Janaína e Luciana, pelas contribuições; À Sueli, pela companhia. ii RESUMO A proposta do presente trabalho consiste na elaboração de um projeto piloto de SGI (Sistema Geográfico de Informação) para a URBEL – Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte, para fins de Planejamento Urbano. Para isso, é utilizada como exemplo a Vila São Francisco das Chagas, popularmente conhecida como Vila Peru, localizada na regional noroeste do município. A escolha da vila é justificada pela disponibilidade de dados julgados essenciais para a elaboração do sistema, tais como levantamento topográfico, banco de dados e Plano Global Específico. Para a realização do projeto piloto, utilizou-se o software MicroStation Geographics J e o banco de dados Microsoft Acess 2.0, por serem os sistemas adotados pela empresa. São analisados os passos de desenvolvimento do SGI, procurando avaliar as fontes utilizadas, bem como as vantagens trazidas pelo sistema. Finalmente, a modelagem dos dados promovida é verificada, explorando as suas potencialidades na elaboração de análises espaciais e topológicas. Palavras Chave: SGI, análise espacial, planejamento urbano. iii ABSTRACT This paper aims to propose a GIS project for URBEL (Urbanization Company of Belo Horizonte) to be applied in town planning. For this cause, it is used as an example the São Francisco das Chagas Slum, widely known as Peru Slum, located at the northwest region of Belo Horizonte city. The selection of this particular slum is related to the existence of essential data for the system development, such as: topographical data, database and a global planning. The software MicroStation Geographics J and Microsoft Access 2.0 were chosen because they are the products used at the company. The steps on GIS development are analyzed, discussing the data sources and the advantages brought by the system. The data modeling is also verified, by the promotion of topological and space analyzis iv ÍNDICE Lista de Figuras . v Lista de Tabelas . v Lista de Mapas . v 1 1. INTRODUÇÃO · 1 2 2. OBJETIVOS E METODOLOGIA · 2 2.1 Base de dados · 3 2.2 Softwares · 3 3 3. PREPARAÇÃO DA BASE CARTOGRÁFICA · 3 3.1 Problemas na Preparação da Base Cartográfica e Procedimentos Adotados · 4 3.2. Erros Mais Comuns e Critérios Básicos para Criação de Bases Cartográficas · 8 3.2.1 Cuidados na entrada dos dados: · 9 3.2.2 Cuidados na saída dos dados: · 11 3.2.3 Metadados Geográficos: · 11 4 4. DEFINIÇÕES DO PROJETO NO SOFTWARE MICROSTATION GEOGRAPHICS · 15 4.1 A Transposição dos Objetos do Mundo Real· 15 4.1.1 Categoria Poligonal: · 17 4.1.2 Categoria Risco: · 18 4.1.3 Categoria Superposição: · 19 4.1.4 Categoria Topografia: · 19 4.1.5 Categoria Traçado Urbano: · 20 4.1.6 Categoria HMR: · 21 4.2. A associação dos objetos aos seus dados · 26 5 5. CRIAÇÃO DE MAPAS TEMÁTICOS POR ANÁLISE TOPOLÓGICA E CONSULTAS AO BANCO DE DADOS · 28 6 6. PARA DEIXAR DE SER PILOTO · 36 7 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS · 38 v Lista de Figuras Figura 1: Exemplo de layer deslocado na presente base_________________________________________ 5 Figura 2: Exemplo de limites não coincidentes entre lotes e edificações ____________________________ 6 Figura 3: Exemplo de limites não coincidentes entre lotes e edificações ____________________________ 6 Figura 4: Estrutura de criação de mapas, ___________________________________________________ 16 Figura 5: Mapas incorporados ao Projeto. __________________________________________________ 17 Figura 6: Categoria Poligonal e suas feições ________________________________________________ 18 Figura 7: Categoria Risco e suas feições____________________________________________________ 18 Figura 8: Categoria Superposição e suas feições _____________________________________________ 19 Figura 9: Categoria Topografia e suas feições_______________________________________________ 20 Figura 10: Categoria Traçado Urbano e suas feições. _________________________________________ 20 Figura 11: Categoria HMR e seus mapas.___________________________________________________ 21 Figura 12: Exemplo de primitiva gráfica associada a mais de uma feição. _________________________ 24 Figura 13: Centróides do tipo texto associados ao banco de dados, via coluna MSLINK ______________ 25 Figura 14: Associação de atributos de banco de dados aos elementos do tipo shape. _________________ 25 Figura 15: Lotes sem registro em banco de dados ____________________________________________ 27 Lista de Tabelas Tabela1: Padrão de Metadados da CPRM – Elementos compostos e simples________________________ 12 Tabela 2:Estrutura geral do projeto________________________________________________________ 22 Tabela 3: Definições do Projeto___________________________________________________________ 23 Lista de Mapas Mapa 1: Potencial de Risco ______________________________________________________________ 30 Mapa 2: Declividades___________________________________________________________________ 31 Mapa 3:Altíssimo Risco _________________________________________________________________ 32 Mapa 4: Situação de Risco_______________________________________________________________ 33 Mapa 5: Situação de Titulação ___________________________________________________________ 34 Mapa 6: Loteamentos Aprovados em Situação de Risco ________________________________________ 35 ANEXOS: Tabelas do Banco de Dados · 40 1 1 INTRODUÇÃO Não é especificidade de nenhuma ciência a vontade de se envolver em muitas variáveis ou elementos de diversas naturezas, para que as investigações alcancem resultados satisfatórios. Uma das características do olhar geográfico, consiste na tentativa de interrelacionar as diversas variáveis (naturais e/ou antrópicas) envolvidas na realidade investigada. Nesse contexto, os SGIs - Sistemas Geográficos de Informação - representam a possibilidade do entendimento sistemático do objeto de investigação. Na literatura, encontramos discussões a respeito do melhor termo para esses sistemas: são Sistemas Geográficos de Informação ou Sistemas de Informações Geográficas? Segundo XAVIER DA SILVA (1999b), o confronto entre os dois termos se dá no sentido conceitual. Priorizando o termo “Informações”, não se adquire o real entendimento sobre o potencial, pois ficam subtendidos como sistemas estáticos de reposição de informações não trabalhadas. Por outro lado, priorizando o termo “Geográfico”, esse adjetivo se refere ao sistema e não à informação. Isto posto, entende-se que é a estruturação do sistema geográfico que possibilitará o ganho de conhecimento sobre a unidade territorial investigada. Por esse motivo optamos aqui, pelo termo SGIs. Diversos ramos do conhecimento, principalmente aqueles que tratam de fenômenos espacialmente representáveis, vêm recorrendo aos recursos de Geoprocessamento para obterem uma melhor compreensão dos fenômenos analisados. Atualmente, acompanhamos um desenvolvimento tecnológico acelerado, que proporciona um volume quase infinito de informações, sobre os mais variados aspectos da vida do homem. Em segundos, conseguimos obter as mais variadas opiniões sobre um mesmo assunto; caso necessitemos de uma pesquisa, enorme será a gama de fontes a serem pesquisadas; se nos referimos a um lugar ou a uma cultura, podemos obter informações das mais diversas origens. Entretanto, o extenso volume de informações sobre uma variável não é a única preocupação daqueles que se propõe ao entendimento da realidade. Assim, consideramos que muito mais que a quantidade de dados relacionados a um objeto, o mais importante é a qualidade e a veracidade desses dados. Isto posto, entende-se os SGIs como importante instrumento de manipulação das informações referentes às entidades geograficamente referenciadas. Para tanto, algumas preocupações metodológicas devem ser observadas no que se refere a fonte dos dados utilizados pelo sistema. Se os dados incorporados ao 2 sistema forem de qualidade duvidosa, os resultados obtidos podem representar enormes distorções na realidade. É necessário esclarecer o significado de alguns termos aqui utilizados. Por sistemas, pode ser intendido um conjunto estruturado de objetos e atributos com limites definidos, capazes de expressar a própria dinâmica e as relações de inserção com o restante da realidade. Por entidades, entende-se elementos ou objetos tomados como unidades básicas para coleta de dados. Os dados consistem nos atributos que dão significado e unidade às entidades. Por informação entende-se obtenção ou ganho de conhecimento, por procedimentos logicamente aceitáveis. Por geoprocessamento entende-se o conjunto de tecnologias que dão apoio à construção de SGIs. A proposta fundamental desse trabalho consiste na elaboração de um projeto piloto de SGIs para a URBEL – Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte, utilizando como exemplo a vila São Francisco das Chagas, popularmente conhecida como “Vila Peru”, localizada na regional noroeste do município. Para a realização do projeto piloto, a área exemplificada deveria apresentar levantamento topográfico atualizado, registros em banco de dados de ocorrências de entidades geográficas, e Plano Global Específico. A escolha da Vila Peru é justificada por preencher todos essas condições julgadas essenciais. Serão analisados os passos de desenvolvimento do SGI, procurando discutir sobre as fontes utilizadas, bem como as vantagens trazidas pelos sistemas. Além disso, a modelagem dos dados realizada será explorada, verificando as suas potencialidades na elaboração de análises espaciais e topológicas. 2 OBJETIVOS E METODOLOGIA Objetiva-se elaborar um projeto piloto de SGI – Sistemas Geográfico de Informação - para fins de Planejamento Urbano, em uma área definida como ZEIS (Zona de Especial Interesse Social), a Vila São Francisco das Chagas (Vila Peru). Como metodologia, o primeiro passo foi identificar, dentro dos recursos de Cartografia Digital e de SGIs, aqueles mais relevantes para a URBEL - Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte, e exemplificá-los no projeto piloto da Vila São Francisco 3 das Chagas. Outra etapa do processo foi a seleção, no banco de dados elaborado pela URBEL, das informações relevantes para o SGI. 2.1 Base de dados A base de dados é composta das seguintes informações: - Planta da vila gerada por levantamento topográfico, pela equipe de Regularização Fundiária da URBEL, no ano de 2.000; - Curvas de nível com eqüidistância de 1 metro, provenientes de restituição aerofotogramétrica de 1989, da PRODABEL – Processamento de Dados de Belo Horizonte; - Banco de dados com informações cadastrais da vila, levantadas pela equipe de Regularização Fundiária da URBEL em pesquisa censitária; - Áreas de risco geradas como base no Plano Global Específico (PPGE) da Vila (URBEL, 2000). 2.2 Softwares Foram utilizados os seguintes softwares, por serem os adotados atualmente pela URBEL, e estarem atendendo até o momento, às demandas da empresa: - Microsoft Access 2.0: banco de dados; - MicroStation Geographics J: software para SGI com arquitetura vetorial; - MicroStation Descartes: georeferenciamento de imagens raster; - GeopakSite: MDT – Modelo Digital de Terreno 3 PREPARAÇÃO DA BASE CARTOGRÁFICA Um Sistema Geográfico de Informação, bem planejado, permite o acesso fácil e rápido a informações geográficas, assim como análises de fenômenos envolvidos, a fim de se obter uma base de conhecimento sobre a realidade investigada. Devido às facilidades proporcionadas pelos SGIs, os procedimentos e problemas presentes em sua elaboração são por vezes desconhecidos pela maioria dos usuários finais. A elaboração de um SGI, exige procedimentos que são fundamentais para o seu sucesso. 4 3.1 Problemas na Preparação da Base Cartográfica e Procedimentos Adotados Quando se fala em cartografia digital, pressupõe-se um trabalho preciso e confiável em termos de cartografia. Porém, não é sempre o que encontramos. Um mapa digital pode ser gerado por qualquer profissional que manipule um software de CAD, sem conhecer critérios mínimos de cartografia e noções de Sistemas Geográficos de Informação. Diante dessa realidade, torna-se imperativo verificar toda a base digital disponível, antes de se iniciar um projeto, principalmente as de origem desconhecida. Essa realidade é um dos principais problemas na elaboração de SGIs, haja vista o tempo necessário para a verificação e correção das bases. A planta da Vila em formato digital utilizada ilustra essa realidade, pois percebemos, na verificação do desenho, uma falta de procedimentos necessários à boa Cartografia Digital. A planta cadastral da Vila Peru utilizada para a elaboração do SGI foi gerada por levantamento topográfico automatizado no ano de 2000, realizado pela equipe de Regularização Fundiária da URBEL. No levantamento topográfico, foi utilizada a tecnologia de Total Station, sendo os pontos que compõem os elementos do cadastro, transferidos para o computador para geração da planta no software Topograph. Posteriormente, a planta foi revista e alguns lotes que não condiziam com os parâmetros estabelecidos pela equipe de regularização fundiária foram redefinidos. Para utilização no SGI, foram disponibilizados três arquivos contendo a planta da Vila. Esses arquivos ainda estavam em revisão no setor de Regularização Fundiária, não podendo portanto, serem considerados completos e definitivos. Os arquivos originais estavam em formato dwg, provenientes do software Autocad 14 e foram exportados para o formato dxf (formato de exportação) e convertidos para o formato dgn, compatível com o software MicroStation. Nos arquivos foram encontrados layers deslocados (sem georeferenciamento) e escalados (fora do padrão de escala 1:1), sendo necessário encontrar o fator de escala para corrigir o desenho (Figura01). Os níveis deslocados foram posicionados de acordo com o sistema de projeção UTM 1. 1 A Projeção Universal Transversa de Mercator (UTM) é a mais indicada para trabalhos em grandes escalas, pois a superfície é apresentada menos distorcida e é baseada no plano cartesiano, o que possibilita medições mais rápidas. Na projeção UTM o elipsóide terrestre é dividido em 60 fusos com 6º cada. Em cada fuso ou zona, a origem do sistema é o Meridiano Central do (eixo Y) e o Equador (eixo X). O valor convencionado para a origem na abscissa é 500.000m aumentando no sentido Leste, e na ordenada é 10.000.000m diminuindo no sentido Sul, evitando-se valores negativos. Percebe-se com isso, que os mesmos valores XY são encontrados em diferentes fusos, tornando necessário a indicação do hemisfério e da zona UTM. A 5 Figura 1: Exemplo de layer deslocado presente na base. Uma das grandes vantagens trazidas pela Cartografia Digital, consiste na possibilidade de se ter mapas em tamanho real2 (o elemento no software, apresenta as mesmas dimensões da realidade), e posicionados de acordo com algum sistema de projeção cartográfico. Respeitado isso, a incorporação de novos elementos ao mapa, será mais precisa e fácil de ser realizada. Percebe-se assim que o georreferenciamento dos mapas digitais consiste uma premissa que não pode ser ignorada. O desenho da Vila não estava completo em todos os arquivos, o que tornou necessário a criação de um novo arquivo, para reunir as entidades gráficas que perfizesse a exemplo, os mapas do projeto da Vila Peru, estão localizados na zona UTM 23, sendo a origem o meridiano Central de 45º, e está localizada no hemisfério Sul. A extensão máxima permitida para o uso da projeção UTM, é a equivalente ao fuso de 6º, a partir daí as distorções são inviáveis. 2 Um mapa digital é um mapa em tamanho real (escala 1:1), porém algumas observações devem ser feitas. A quantidade de informação e o nível de generalização de um mapa, estão em função da escala desse. Em grandes escalas, maior detalhamento e menor generalização são permitidos, oferecendo maior aproximação com a realidade. Em escalas menores, ocorre o contrário. Percebe-se com isso, que a confiabilidade das medidas geradas por mapas digitais estão em função da escala dos mapas de origem. Projetos que incorporam mapas originais com diferentes escalas, apresentam mapas finais com precisão cartográfica indefinida . 6 totalidade da área. Algumas entidade gráficas não estavam separadas em camadas correspondentes aos três arquivos, o que dificultou a seleção dos elementos. O novo arquivo foi composto por entidades comuns e não comuns aos três arquivos. No arquivo já completo, pode ser iniciada a seleção de elementos relevantes ao SGI e o processo de limpeza topológica. Verificou-se que limites entre algumas entidades não estavam perfeitamente sobrepostas, como, por exemplo, em algumas edificações com lotes. (Figuras 02 e 03). Figura 2: Exemplo de limites não coincidentes entre lotes e edificações Figura 3: Exemplo de limites não coincidentes entre lotes e edificações Como em CAD não há atributos de dados associados ao desenho, o que evita a redundância de elementos gráficos, a duplicidade de elementos é, muitas vezes, necessária; mas a sobreposição deve ser perfeita. Embora as diferenças de sobreposição encontradas nos arquivos da Vila Peru não tenham sido muito significativas, deve-se considerar que 7 bases gráficas funcionam também como apoio à regularização fundiária, e estando erradas, corroboram injustiças na regularização de propriedade, como no caso de tomada de decisão na identificação de limites de lotes. Para complementar as informações do SGI, foi utilizado um mapa de setores de risco, elaborado pelo Plano Global Específico3 da vila, gerado no software Corel Draw. Esse mapa demonstra, ainda mais, o desconhecimento no tratamento da informação cartográfica em meio digital. Embora o software utilizado em sua elaboração apresente formato vetorial, não podem ser estabelecidas escala real e posição geográfica. Além disso, um mapa temático elaborado em Corel Draw adquire maior redundância de elementos gráficos no caso de desenho de polígonos e preenchimentos, condição imposta pelo software. Os mapas são muitas vezes elaborados apenas para compor relatórios, não apresentando a confiabilidade necessária para servirem de bases cartográficas para várias aplicações. O mapa de risco foi exportado para o software MicroStation sendo necessário escalá-lo para o tamanho real e posicioná-lo de acordo com o sistema de projeção UTM. Deve ser ressaltado que a planta utilizada da Vila apresenta precisão cartográfica confiável, pois foi gerada por levantamento topográfico4, ao contrário do mapa de risco, que utilizou como fonte uma restituição aerofotogramétrica. Os dois mapas não estavam dotados de relações topológicas, e o mapa de risco possui maior erro gráfico por ter sido elaborado em software não específico para mapeamento. Contudo, no mapa de risco a precisão topográfica não é fundamental, pois a sua utilização é na elaboração de cartas temáticas para apoio à tomadas de decisão, ao contrário da planta da Vila, que apoia a regularização fundiária. Mapas não dotados de relações topológicas, não podem ser utilizados em Sistemas de Geográficos de Informação. Um mapa elaborado com preocupação apenas estética, pensando somente no resultado impresso, terá maiores restrições de uso em SGI. Para uso em SGI, um mapa deve estar topologicamente limpo, permitindo relações espaciais relativas ao posicionamento das entidades gráficas, tais como relações de conexão (ligado a), adjacência (ao lado de) e continência (contém/contido). Assim, quando associados a 3 Plano Global Específico (PPGE): Metodologia de estudo para vilas e favelas, criada pela URBEL e executada por empresas licitadas. Um PPGE é composto por três etapas: Levantamento de dados, Diagnóstico e Proposta de intervenções. O Plano da Vila São Francisco das Chagas foi realizado no ano de 1999. 4No levantamento topográfico o erro de precisão é quase nulo, pois a fonte é a própria realidade, ao contrário de uma base gerada por restituição aerofotogramétrica, cuja precisão está em função da escala da fotografia aérea restituída. 8 banco de dados, questões como onde, perto de, em qual sentido e direção, podem ser solucionadas. De acordo com DAVIS e FONSECA (1999a:59): O computador não consegue encontrar seu caminho em um mapa não topológico. Um mapa feito em CAD pode parecer bom para quem apenas olha, mas é a princípio um emaranhado de linhas sem sentido para o computador. Para determinar um caminho ótimo, ou qualquer caminho, o computador deve ter todas os trechos e conexões armazenados no seu banco de dados. O processo de limpeza topológica, devido aos problemas encontrados na base, exigiu muita cautela, não sendo utilizado muitas vezes, os recursos automáticos oferecidos pelo software MicroStation Geographics, para evitar que mudanças não previstas fossem realizadas no desenho. A partir da realidade encontrada, verifica-se a necessidade de se elaborar uma rotina capaz de abarcar todas as etapas de elaboração de um SGI, para garantir maior integridade dos dados e agilidade na execução de projetos de geoprocessamento. O procedimento justifica-se pelo grande tempo despendido na verificação e correção das bases gráficas, assim como pela qualidade duvidosa das mesmas. 3.2. Erros Mais Comuns e Critérios Básicos para Criação de Bases As vantagens oferecidas por Sistemas Geográficos de Informação são facilmente percebidas, tanto em estudos acadêmicos como os institucionalizados. Contudo, o fascínio gerado por esses sistemas não deve ofuscar a necessidade quanto a uma série de questionamentos sobre a qualidade do trabalho. A confiabilidade da saída das informações, está diretamente relacionada a entrada dos dados, por isso, esses devem ser criteriosamente selecionados para garantir a qualidade do SGI. Um usuário de SGI deve conhecer as possíveis fontes de erros incorporadas ao projeto, e estabelecer o erro máximo admissível, uma vez que cada projeto requer seu próprio grau de precisão. ROSA e BRITO (1996) consideram a divisão de erros em três grupos: erros comuns, erros resultantes de variações naturais ou de medidas originais e erros de processamento. Os autores assim discutem os erros: - Os erros comuns são os mais fáceis de serem solucionados e estão relacionados ao controle do usuário. Consistem basicamente na idade da fonte dos dados (informações desatualizadas), na disformidade de informações sobre a área investigada (quando não há quantidade e qualidade de informações para toda a área), e escalas não apropriadas. 9 - Os erros resultantes de variações naturais ou de medidas originais correspondem à acurácia das informações, em termos posicionais, de conteúdo e de variação de dados. Em termo posicional, refere-se à exatidão no posicionamento dos elementos mapeados submetidos a acréscimos de erro na digitalização de originais, e também na exatidão de formas e áreas de determinados fenômenos geográficos. A acurácia de conteúdo refere-se aos atributos de dados associados às bases digitais, que podem conter erros qualitativos (na especificação de unidades) e quantitativos (na especificação de valores). A variação de erros nos dados, pode ocorrer desde a coleta de dados em campo, na entrada dos dados, na manipulação, até a qualidade dos equipamentos e procedimentos de análise. - Os erros de processamento consistem nos mais difíceis de serem detectados, por estarem associados às falhas do software na manipulação da informação espacial. A identificação desse tipo de erro, requer do usuário, maior entendimento da estrutura do software, assim como das técnicas de manipulação das informações espaciais. Para a formação de bases cartográficas confiáveis, devem ser definidos critérios cartográficos mínimos e procedimentos metodológicos, para possibilitar a (re)produção das atividades, a verificação das bases e a identificação de erros. Deve ser definida uma normalização para reduzir os erros gerados pela crescente variedade de produtos provenientes de diversas fontes e possibilitar trocas de informações mais eficientes, além de garantir a qualidade dos produtos. Alguns critérios básicos, para entrada e saída dos dados, podem ser assim listados: 3.2.1 Cuidados na entrada dos dados - Na definição da unidade de trabalho, no software, deve-se considerar a área de abrangência da realidade enfocada. Em grandes áreas, trabalha-se em quilômetros e em áreas menores, trabalha-se em metros ou centímetros; - A definição da resolução do mapa deve seguir os critérios cartográficos. De acordo com o PEC (Padrão de Exatidão Cartográfica), um mapa pode apresentar até 0.2mm de erro gráfico (de posicionamento), valor convencionado como o limite da acuidade visual humana. Assim, em um mapa original com escala 1:10.000, o erro máximo admissível será de 2 metros. No processo de transformação dos mapas analógicos em digitais, seja por digitalização (tipo heads-down) ou por vetorização (tipo heads-up), erros são agregados aos de origem. Um mapa digital terá, no máximo, a precisão do mapa que lhe deu origem; 10 ainda assim, somente se o operador for experiente e os equipamentos forem de qualidade. Percebe-se, com isto, que na definição da resolução de trabalho no software, deve ser considerado a escala do mapa original, pois de nada adianta definir uma resolução maior do que a oferecida pelo mapa original. Se originalmente já apresenta erro em metros, não se deve definir precisão de centímetros; - Os mapas devem ser transformados em escala real, um para um, sendo qualquer medida obtida no software, a mesma da realidade. Vale lembrar que o detalhamento de um mapa digital está em função da escala do mapa de origem; - Os mapas devem ser posicionados de acordo com algum sistema de projeção cartográfica. Assim, a posição de qualquer ponto sobre a superfície da terra pode ser estabelecida por um par de coordenadas. Nos trabalhos em escalas maiores (maior aproximação), a Projeção Universal Transversa de Mercator (UTM) é a mais utilizada, por apresentar menores distorções da superfície. Em cartografia digital essa projeção traz grandes vantagens, uma vez que se baseia no plano cartesiano, igualmente à área de trabalho dos softwares de CAD. Assim, são facilmente realizadas medições precisas de distâncias e áreas; - Os mapas utilizados em um projeto de Geoprocessamento devem estar referenciados por um mesmo Datum5, para não ocorrer incompatibilidades no posicionamento; - As entidades geográficas devem ser separadas por níveis. Caso o software utilizado não ofereça número suficiente de níveis, devem-se manter juntas entidades de mesma categoria (como por exemplo, as de hidrografia - córregos, rios, lagoas, etc.), e diferenciá- las por simbologia, como cor, estilo e espessura de linhas; - Elementos lineares devem ser mantidos contínuos somente até sua interseção com outros elementos, pois em SGIs, as informações associadas a banco de dados são armazenadas em cada segmento. É dessa forma que o mapa pode ser considerado dotado de relações topológicas, e as relações espaciais tornam-se possíveis de serem realizadas. 5 De acordo com ELMIRO (2000) “Define-se Datum Horizontal como um sistema de referência padrão adotado por uma região, país ou por todo o planeta ao qual devem ser referenciadas as posições geográficas (latitude e longitude ou coordenadas cartesianas). Um datum é constituído pela adoção de um ELIPSÓIDE DE REFERÊNCIA que contempla o modelo matemático da Terra para redução de medidas lineares, angulares e calculo de coordenadas, um PONTO GEODÉSICO de ORIGEM para início das medições de coordenadas (latitude, longitude) e a determinação de um AZIMUTE de ORIGEM para determinação do Norte Geográfico. Por este princípio, um mesmo ponto do terreno terá valores diferentes para suas coordenadas quando referidas a diferentes Datum.”. 11 3.2.2 Cuidados na saída dos dados - A indicação do hemisfério e do fuso UTM são necessários para se estabelecer a localização correta dos pontos UTM na superfície da terra; - As indicações E (Leste) nas coordenadas X, e N (Norte) nas coordenadas Y, posicionadas nas extremidades da área mapeada, são necessárias para evitar dúvidas em interpretações realizadas por leigos; - Citar as fontes dos mapas incorporados ao projeto e as respectivas escalas, para permitir que o usuário avalie a confiabilidade das informações, assim como os resultados gerados por análises espaciais; - Definir o tamanho de textos considerando o tamanho mínimo estabelecido pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), convencionado como 1,5 mm. O tamanho do texto só deve ser definido na saída do mapa, pois está em função da escala de impressão; - Elaborar os mapas temáticos considerando que devem, sobretudo, mostrar a distribuição e correlação entre as variáveis envolvidas no fenômeno, e não somente indicar a localização dos fenômenos mapeados. Um mapa temático deve ser capaz de mostrar relações de ordenação e classificação dos elementos. Somente assim consistirá em instrumento de análise para tomada de decisões. Contudo, é muito comum mapas sendo confeccionados em software não específico de mapeamento, sem o propósito de servirem como instrumentos para intervenções na realidade. 3.2.3 Metadados Geográficos Para se avaliar a qualidade dos produtos utilizados assim como os gerados em SGI, é necessário a existência de uma documentação a respeito dos mesmos. Essa avaliação não é passível de realização, se não existir descrições a respeito dos dados. Essas descrições consistem nos Metadados Cartográficos. Segundo ALMEIDA (1999), entende-se por metadados geográficos a documentação que descreve de forma estruturada e detalhada, informações a respeito de informações geográficas digitais, ou seja, consistem nos dados sobre os dados. A necessidade de se criar metadados é justificada pela grande quantidade de dados provenientes de diversas fontes e elaborados de diversas maneiras, diante da necessidade de se coletar dados georreferenciados. A escolha dos dados torna-se morosa e a avaliação da qualidade não pode ser realizada, se não existir uma descrição detalhada dos mesmos. A diversidade de 12 características de dados, se dá muito além de informações básicas como autor, data, título, palavras-chave, etc. Acrescenta-se a essas, informações sobre conteúdo, qualidade, limites geográficos, formato dos dados, data de levantamento, etc. Quanto mais informações existirem em um banco de metadados, maior será o poder de decisão sobre os dados disponíveis. Assim, os metadados são usados principalmente para: - Compensar o investimento interno das instituições e organizações com dados geoespaciais, através da disseminação da existência desses mesmos dados; - Fornecer informações acerca dos dados produzidos pelas instituições e organizações visando a formação de catálogos de dados espaciais; - Fornecer a informação necessária para processar e interpretar os dados recebidos através de transferência de uma fonte externa. Para criação de metadados deve-se seguir alguma referência existente, pois a proposição de um padrão próprio pode impossibilitar o claro entendimento das informações disponíveis, o que consistiria exatamente no inverso do objetivo do recurso. O esforço para criação desses padrões já existe em países desenvolvidos há mais de dez anos. No Brasil, pode ser citado como pioneiro o padrão da CPRM – Serviços Geológicos do Brasil - que, de acordo com ALMEIDA (1999) “foi desenvolvido baseado no padrão do FGDC, visando a documentação dos dados cartográficos digitais da CPRM”. Esse padrão é formado por 7 elementos compostos (contém outros elementos) que discriminam, ao todo, 133 elementos simples. Os sete elementos compostos são: Identificação, Referência, Distribuição, Qualidade dos Dados, Organização, Referência Espacial, e Entidades e Atributos. Na Tabela 01 são apresentados, de forma simplificada, os elementos do padrão de metadados da CPRM. I IDENTIFICAÇÃO 1 Citação 5.2.3 Limite Norte 1.1 Autor 5.2.4 Limite Sul 1.2 Data de Publicação 6 Palavras-Chaves 1.3 Título 6.1 Tema 1.4 Informação da Publicação 6.1.1 Thesaurus de Tema 1.4.1 Local de Edição 6.1.2 Palavra-Chave de Tema 1.4.2 Publicação 6.2 Lugar 1.4.3 Impressão 6.2.1 Thesaurus de Lugar 1.4.4 Forma de Apresentação dos Dados Geoespaciais 6.2.2 Palavra-Chave de Lugar 1.4.5 Escala do Mapa 6.3 Perído de Tempo 1.4.6 Código Carta Internacional ao Milionésimo 6.3.1 Palavra-Chave do Perído de Tempo 2 Descrição 7 Confidencialidade dos Dados 2.1 Objetivo 7.1 Restrição ao Acesso 13 2.2 Resumo 7.2 Restrição aos Uso 3 Período que os Dados Representam 8 Contatos 3.1 Data Inicial 8.1 Organização 3.2 Data Final 8.2 Pessoa de Contato 3.3 Validade 8.3 Endereço de Contato 4 Estágio de Desenvolvimento do Produto 8.3.1 Local 4.1 Progresso 8.3.2 Cidade 4 Manutenção e Freqüência de Atualização 8.3.3 Estado 5 Cobertura Geográfica 8.3.4 Código Postal 5.1 Descrição da Área Coberta 8.4 Telefone 5.2 Coordenadas do Retângulo Envolvente 8.5 Fax 5.2.1 Limite Oeste 8.6 E-mail 5.2.2 Limite Leste 8.7 Site II REFERÊNCIA DE METADOS III DISTRIBUIÇÃO 1 Data de Geração dos Metadados 1 Distribuidor 2 Responsável pela Geração de Metadados 1.1 Organização 2.1 Organização 1.2 Pessoa de Contato 2.2 Pessoa de Contato 1.3 Endereço de Contato 2.3 Enderço de Contato 1.3.1 Local 2.3.1 Local 1.3.2 Cidade 2.3.2 Cidade 1.3.3 Estado 2.3.3 Estado 1.3.4 Código Postal 2.3.4 Código Postal 1.4 Telefone 2.4 Telefone 1.5 Fax 2.5 Fax 1.6 E-mail 2.6 E-mail 1.7 Endereço da Home Page na Internet 2.7 Site 2 Ordem de Compra do Material 3 Nome do Padrão dos Metadados 2.1 Nome do Produto 4 Data da Revisão dos Metadados 2.2 Nome do Formato 2.3 Tipos de Arquivos de Transferência 2.4 Técnica de Compactação 2.5 Tamanho do Arquivo de Transferência 2.6 Opção de Transferância Digital 2.7 Tipo de Mídia 2.8 Pré-requisitos 2.9 Custo IV QUALIDADE DOS DADOS V ORGANIZAÇÃO ESPACIAL DOS DADOS 1 Relatório sobre a Qualidade dos Atributos 1 Modelo de Dados Espaciais Utilizado 2 Relatório sobre a Consistência Lógica 2 Informação sobre os Objetos 3 Relatório de Execução 2.1 Tipo do Objeto Vetorial 4 Exatidão Posicional 3 Informação sobre os Objetos Raster 4.1 Relatório sobre o Posicionamento Horizontal 3.1 Tipo de Objeto Raster 4.2 Relatório sobre o Posicionamento Vertical 3.2 Contagem de Linhas 5 Descrição da Origem 3.3 Contagem de Colunas 6 Denominador da Escal do Material Original 7 Tipo de Material Original 8 Descrição do Processo de Obteenção e/ou Digitalização 9 Data do Processo de Digitalização 14 VI REFERÊNCIA ESPACIAL VII ENTIDADES E ATRIBUTOS 1 Definição do Sistema de Coordenadas Planares 1 Entidades e Atributos 1.1 Universal Transversa de Mercator 1.1 Panorama das Entidades e Atributos 1.1.1 Número da Zona UTM 1.2 Conjunto de Entidades 1.1.2 Longitude do Meridiano Central 1.2.1 Nome do Conjunto de Entidades 1.1.3 Falso Leste 1.2.2 Descrição/Fonte do Conjunto de Entidades 1.1.4 Falso Norte 1.2.3 Atributo/Código do Conjunto de Entidades 1.2 Cônica Conforme de Lambert 1.2.1 Origem X 1.2.2 Origem Y 1.2.3 Primeiro Paralelo Padrão 1.4.2 Segundo Paralelo Padrão 1.3 Policônica 1.3.1 Meridiano Central 1.3.2 Raio Menor 1.3.3 Raio Maior 1.4 Local 2 Modelo Geodésico 2.1 Nome do Datum Horizontal 2.2 Nome do Elipsóide 2.3 Semi-eixo maior 2.4 Denominador da Rasão de Achatamento Tabela 1: Padrão de metadados da CPRM - elementos compostos e simples. Os metadados tornam-se importantes para os usuários quando da avaliação dos dados, e para quem os produz, para a garantir a preservação da integridade dos dados. Eles possibilitam referenciar fontes de dados geográficos e o intercâmbio de informações. Para a criação de um banco de metadados, é essencial o balizamento em algum padrão existente. Se cada instituição utilizar um padrão próprio, surgirá uma diversidade semântica de conceitos e fontes de dados, tornando impossível o entendimento entre instituições. Contudo, adaptações de modelos podem ser realizadas para compatibilização à realidade de cada instituição. Os metadados ainda não estão regulamentados por lei, mas esforços para isso estão sendo realizados diante da necessidade de padronizar informações sobre as bases de dados. 15 4 DEFINIÇÕES DO PROJETO NO SOFTWARE MICROSTATION GEOGRAPHICS Na inserção de dados em um projeto de Geoprocessamento deve-se, inicialmente, definir quais são os objetivos e o que se espera obter do SGI. A partir disso, são escolhidos os elementos componentes do sistema, assim como suas apresentações e interrelações. Os dados devem ser selecionados e generalizados a fim de ser tornarem simples o suficiente para serem inteligíveis, pois trata-se de um modelo da realidade. Os modelos são simplificações da realidade, que apreendem somente as características consideradas importantes aos objetivos do estudo. Analisar um fenômeno consiste em examinar cada parte de um todo, decompor, e modelos consistem em partes do todo, criteriosamente escolhidas para serem estudados. Uma mesma informação geográfica pode ser representada de maneiras diferentes, como, por exemplo, uma cidade pode ser representada como um ponto ou como uma área, dependendo de sua aplicação. Em SGI, as pré-definições podem ser consideradas como Modelo de Dados que, de um modo geral, são abstrações das entidades reais e a sistematização para implementação em sistemas gerenciadores de dados. O processo de abstração na simplificação é subjetivo, uma vez que é inerente à visão que o usuário tem da realidade. 4.1 A transposição dos objetos do mundo real O processo de transposição das entidades do mundo real e suas inter-relações para os SGIs deve ser criterioso, pois os resultados obtidos estão em função da entrada dos dados. Na modelagem, devem-se incorporar conceitos de localização, topologia, geometria e características espaciais, para definir a melhor representação de cada entidade geográfica. Para o projeto piloto da Vila Peru foi utilizado o software de SGI MicroStation Geographics J. Esse software, quanto à arquitetura de SGI, pode ser considerado Relacional, tendo os dados gráficos e os alfanuméricos armazenados em tabelas. As tabelas de atributos são ligadas de maneira lógica, sendo os relacionamentos realizados desde que haja campos comuns entre elas. Como exemplo, na tabela de quadras existe o campo 16 código_quadras e para se relacionar com a tabela lote, nessa deve existir também o campo código_quadras. Além de relações topológicas entre as entidades geográficas (relações de conexão, pertinência e adjacência), o software Geographics trabalha com indexação espacial. Indexação espacial permite operações complexas que estabelecem quais objetos estão contidos em uma dada região do espaço. A indexação espacial no Geographics é realizada pelo campo MSLINK, obrigatório para todas as tabelas que apresentam atributos associados a desenhos. Quanto a consultas, o software utiliza a linguagem SQL (Standart Query Language), utilizando uma ferramenta auxiliar para construção de consultas (Tool SQL Query Builder) O software Geographics organiza as entidades geográficas em forma de mapas, categorias e feições. Feições podem ser entendidas como entidades geográficas (edificação, lote, quadra, setor de risco, etc.) e categorias, podem ser entendidas como maneira lógica de se organizar feições. Dentro de um projeto, inicialmente são definidas categorias e dentro dessas são definidos mapas e feições. Mapas e feições pertencem à categorias, e são definidos quantos necessários (Figura04). Figura 4: Estrutura de criação de mapas,categorias e feições No projeto da Vila Peru foram definidos seis mapas vetoriais (Traçado Urbano, Risco, Poligonais, Superposição, Declividade, Hipsométrico, Curvas de Nível) e dois mapas matriciais (p-5151-1_1997, p-5151-1_1999). 17 Figura 5: Mapas incorporados ao Projeto. Foram também definidas seis categorias e 55 feições: 4.1.1 Categoria Poligonal: Na categoria Poligonal encontram-se os limites que definem a Vila (Figura 06). A poligonal SE4 (Setor Especial 4) consiste no primeiro limite regulamentado definidor de favelas, incorporado ao zoneamento da cidade em 1985, de acordo com a Lei do Profavela, que apresenta a Legislação do Programa Municipal de Regularização de Favelas. Antes do Profavela não existia, no município, legislação específica para as favelas, que eram destituídas dos direitos urbanos da cidade formal. A feição ZEIS consiste na Zona de Especial Interesse Social, definida na Lei de Uso e Ocupação do Solo Urbano de 1996. Uma nova poligonal ZEIS foi definida pelo decreto nº10.385 de 1º novembro de 2000 para a Vila Peru, mas essa linha não foi incorporada ao projeto piloto, pois a base de dados gráfica e alfanumérica utilizada teve como referência a antiga poligonal. 18 Figura 6: Categoria Poligonal e suas feições 4.1.2 Categoria Risco: As feições pertencentes à categoria Risco foram obtidas do mapa de risco geológico, elaborado pelo PPGE (Plano Global Específico) da Vila. A área compreendida pelo mapa consiste a poligonal ZEIS de 1996. Figura 7: Categoria Risco e suas feições 19 4.1.3 Categoria Superposição: O desenho que compõe a categoria superposição é proveniente de levantamento topográfico, realizado pela equipe de Regularização Fundiária da URBEL, e consiste no entorno imediato da vila. Figura 8: Categoria Superposição e suas feições 4.1.4 Categoria Topografia: As feições pertencentes à categoria Topografia (classes de declividade, hipsometria e curvas de nível) foram gerados por MDT (Modelo Digital de Terreno), a partir de curvas topográficas com eqüidistância de um metro, restituídas em 1989, provenientes da PRODABEL. Os intervalos de declividade foram definidos considerando a viabilidade de ocupação urbana segundo a Lei Federal 6766/1979. Essa lei e define como não edificantes as áreas com declividade superior a 47%, e condiciona a laudos técnicos o parcelamento de áreas com declividade entre 30 e 47%. A Construção do MDT gera mapas tridimensionais. Contudo, os recursos de análise espacial do Geographics, só se aplicam a desenhos em 2D, de modo que foi necessário transformá-los em bidimensionais para incorporá-los ao projeto, utilizando-se apenas os resultados planimétricos. O Modelo Digital de Terreno foi gerado no software Geopak Site. 20 Figura 9: Categoria Topografia e suas feições 4.1.5 Categoria Traçado Urbano: As feições pertencentes à categoria traçado urbano foram provenientes de levantamento topográfico, realizado pela equipe de Regularização Fundiária da URBEL (Figura10). Figura 10: Categoria Traçado Urbano e suas feições. 21 4.1.6 Categoria HMR6: Os mapas matriciais referem-se as fotografias aéreas dos anos de 1997 e 1999, realizadas pela empresa Vista Aérea. Essas fotos são corrigidas geometricamente, mas não apresentam o padrão de uma ortofotocarta. A fotografia de 1997 apresenta resolução de 0.8m por pixel, e a de 1999 de 0.4m por pixel. As fotografias relativas aos anos de 1953, 1967, e 1989 não foram incorporadas ao projeto porque apresentam resolução de 1.8m por pixel, não permitindo boa identificação das entidades geográficas. As fotografias foram posicionadas em coordenadas UTM, utilizando o software MicroStation Descartes. Para georreferenciar a fotografia de 1997 foi necessário aplicar pontos de controle para posicionar e corrigir geometricamente a imagem, usando como base o desenho planimétrico da Vila. Na fotografia de 1999 não foi necessário aplicar pontos de controle, pois foi fornecida pela PRODABEL já corrigida. O procedimento limitou-se à elevação da origem da fotografia para a coordenada Y UTM correta, deslocando-a sete milhões no sentido norte, pois os arquivos da PRODABEL são deslocados sete milhões no sentido sul. Figura 11: Categoria HMR e seus mapas. A maior parte das feições do projeto foram provenientes do levantamento topográfico disponibilizado pela equipe de Regularização Fundiária da URBEL. Como se trata de levantamento topográfico, a precisão definida no software MicrosStation poderia ser de milímetros. Optou-se, porém, por padronizar a precisão em centímetros, por já ser a utilizada nos mapas digitais da empresa, e pelo projeto incorporar mapas provindos de 6 Foi escolhido o nome hmr, pois consiste no formato de imagens, suportado pelo software MicroStation J. 22 restituição aerofotogramétrica. Sendo assim, não poderíamos esperar a precisão de milímetros de todos os mapas do projeto, mas de centímetros sim. A Tabela 02 mostra um esquema geral do Projeto. Tabela 2: Estrutura geral do projeto Na Tabela 03 estão as definições do projeto no software Microstation Geographics para a Vila São Francisco de Chagas (Vila Peru). 23 C a te g o r ia E x te n s ã o N ív e l d a M a p a s C ó d id o N o m e d a F e iç ã o D e s c r iç ã o d a F e iç ã o P r io r id a d e O rd e m d e T ip o d a c a te g o r ia c a te g o r ia d a fe iç ã o V is u a l iz a ç ã o h m r h m r 1 0 P -5 1 5 1 -1 _ 1 9 9 7 1 0 .0 1 h m r.5 1 5 1 -1 _ 1 9 9 7 F o to A é re a d o V is ta A é re a d e 1 9 9 7 P -5 1 5 1 -1 _ 1 9 9 9 1 0 .0 2 h m r.5 1 5 1 -1 _ 1 9 9 9 F o to A é re a d o V is ta A é re a d e 1 9 9 9 T ra ç a d o U rb a n o T ra 2 0 Tra ç a d o U rb a n o 2 0 .0 1 tra .e d i f ic a ç õ e s E d i f ic a ç ã o 2 0 .0 2 tra .e d i f ic a ç õ e s _ c ó d ig o s C ó d ig o d e E d if ic a ç ã o 2 0 .0 3 tra .e d i f ic a ç õ e s _ c o b e rta s C o b e rta s 2 0 .0 4 tra .e d i f ic a ç õ e s _ s h a p e s E d i f ic a ç õ e s c o m o e le m e n to fe c h a d o 2 0 .0 5 tra .e d i f ic a ç õ e s _ b a la n ç o B a la n ç o 2 0 .0 6 tra . lo te s L in h a s d e lo te s 2 0 .0 7 tra . lo te s _ c ó d ig o s C ó d ig o d e lo te s 2 0 .0 8 tra . lo te s _ s h a p e s L o te s c o m o e le m e n to s fe c h a d o 2 0 .0 9 tra . lo te s _ te s ta d a T e s ta d a d e L o te 2 0 .1 0 tra .q u a d ra s L in h a s d e q u a d ra s 2 0 .1 1 tra .q u a d ra s _ c ó d ig o s C ó d ig o d e q u a d ra s 2 0 .1 2 tra .q u a d ra s _ s h a p e s Q u a d ra s c o m o e le m e n to s fe c h a d o s 2 0 .1 3 tra .a rr im o M u ro d e a rr im o 2 0 .1 4 tra .e s c a d a s E s c a d a 2 0 .1 5 tra .e s c a d a s _ d is s ip a ç ã o E s c a d a d e d is s ip a ç ã o 2 0 .1 6 tra .c e n te r l in e C e n te rl in e 2 0 .1 7 tra .c e n te r l in e _ n o m e s L o g ra d o u ro s 2 0 .1 8 tra .á re a _ e m d e s o c u p a ç ã o Á re a d e r is c o d e s o c u p a d a o u e m d e s o c u p a ç ã o 2 0 .1 9 tra .á re a e m d e s o c u p a ç ã o _ s h a p e A re a e m d e s o c u p a ç ã o c o m o e le m e n to fe c h a d o 2 0 .2 0 tra .á re a d e s o c u p a d a Á re a d e s o c u p a d a 2 0 .2 1 tra .á re a d e s o c u p a d a _ s h a p e Á re a d e s o c u p a d a c o m o e le m e n to fe c h a d o 2 0 .2 2 tra .á re a s .c ó d ig o s Á re a _ c ó d ig o s 2 0 .2 3 tra .s e p a ra ç ã o 1 p a v2 p a v L im i te q u e s e p a ra 1 p a vim e n to d e 2 p a vim e n to s R is c o R is 3 0 R is c o 3 0 .0 1 r is .r is c o _ s e to re s S e to re s d e r is c o 3 0 .0 2 r is .r is c o _ c ó d ig o s C ó d ig o s d e s e to re s d e r is c o P o lig o n a l P o l 4 0 P o l ig o n a is 4 0 .0 1 p o l .s e 4 P o l ig o n a l S E 4 4 0 .0 2 p o l .s e 4 _ c ó d ig o s C ó d ig o S E 4 4 0 .0 3 p o l .ze is P o l ig o n a l Z e is 4 0 .0 4 p o l .ze is _ c o d ig o s C ó d ig o Z e is S u p e rp o s iç ã o S u p 4 5 S u p e rp o s iç ã o 4 5 .0 1 s u p .s u p e rp o s iç ã o E n to rn o im e d ia to T o p o g ra f ia to p 5 0 D e c l iv id a d e 5 0 .0 1 to p .0 a 1 0 % 0 a 1 0 % H ip s o m é tr ic o 5 0 .0 2 to p .0 a 1 0 % _ c ó d ig o c ó d ig o d e 0 a 1 0 % C u rva s d e N íve l 5 0 .0 3 to p .1 0 a 2 0 % 1 0 a 2 0 % 5 0 .0 4 to p .1 0 a 2 0 % _ c ó d ig o c ó d ig o d e 1 0 a 2 0 % 5 0 .0 5 to p .2 0 a 3 0 % 2 0 a 3 0 % 5 0 .0 6 to p .2 0 a 3 0 % _ c ó d ig o c ó d ig o d e 2 0 a 3 0 % 5 0 .0 7 to p .3 0 a 4 7 % 3 0 a 4 7 % 5 0 .0 8 to p .3 0 a 4 7 % _ c ó d ig o c ó d ig o d e 3 0 a 4 7 % 5 0 .0 9 to p .4 7 + % > 4 7 % 5 0 .1 0 to p .4 7 + % _ c ó d ig o c ó d ig o d e > 4 7 % 5 0 .1 1 to p .8 4 4 a 8 6 0 m 8 4 4 a 8 6 0 m e tro s 5 0 .1 2 to p .8 4 4 a 8 6 0 m _ c ó d ig o c ó d ig o d e 8 4 4 8 6 0 m 5 0 .1 3 to p .8 6 0 a 8 7 5 m 8 6 0 a 8 7 5 m e tro s 5 0 .1 4 to p .8 6 0 a 8 7 5 m _ c ó d ig o c ó d ig o d e 8 6 0 a 8 7 5 m 5 0 .1 5 to p .8 7 5 a 8 9 0 m 8 7 5 a 8 9 0 m e tro s 5 0 .1 6 to p .8 7 5 a 8 9 0 m _ c ó d ig o c ó d ig o d e 8 7 5 a 8 9 0 m 5 0 .1 7 to p .8 9 0 a 9 0 5 m 8 9 0 a 9 0 5 m e tro s 5 0 .1 8 to p .8 9 0 a 9 0 5 m _ c ó d ig o c ó d ig o d e 8 9 0 a 9 0 5 m 5 0 .1 9 to p .9 0 5 a 9 2 0 m 9 0 5 a 9 2 0 m e tro s 5 0 .2 0 to p .9 0 5 a 9 2 0 m _ c ó d ig o c ó d ig o d e 9 0 5 a 9 2 0 m 5 0 .2 1 to p .m e s tra c u rva s m e s tra 5 0 .2 2 to p .m e s tra _ tx t te xto c u rva s m e s t ra 5 0 .2 3 to p .s e c u n d a r ia s c u rva s s e c u n d á r ia s Tabela 3: Definições do Projeto. 24 A maior parte das entidades foram apresentadas como elementos abertos tipo boundary (limite), pois muitas primitivas gráficas representam mais de uma entidade, como, por exemplo, em limites de lotes que coincidem com limites de quadras: trata-se de uma primitiva gráfica com duas feições associadas (lotes e quadras). (Figura 12) Figura 12: Exemplo de primitiva gráfica associada a mais de uma feição. O objetivo é evitar a redundância de elementos no mapa. Essas entidades geográficas foram individualizados por centróides na forma de texto. Centróide é o centro geométrico do desenho e consiste no elemento gráfico que guarda os atributos do banco de dados da entidade que o envolve. A indexação é feita através da coluna MSLINK, obrigatória a todas as tabelas associadas ao desenho. (Figura 13) 25 Figura 13: Centróides do tipo texto associados ao banco de dados, via coluna MSLINK As entidades geográficas utilizadas na elaboração de cartas temáticas foram transformadas em elementos fechados tipo shape (superfície), condição necessária à resimbolização temática. São exemplos dessa representação os lotes, as quadras, as edificações e as áreas de risco. Para isso foram incorporadas as feições quadras_shapes, lotes_shapes e edificações_shapes Aos elementos de tipo shape foram associados os atributos dos centróides. (Figura 14). Figura 14: Associação de atributos de banco de dados aos elementos do tipo shape. 26 A partir da compreensão da realidade alvo é que se promove a organização lógica do projeto, a definição de mapas, categorias e feições. Somente assim, criam-se condições para selecionar, priorizar e organizar as entidades geográficas relevantes. Um projeto de SGI não é estático, com suas definições congeladas, mas sim constantemente revisto, através da atualização, criação e/ou eliminação de categorias e feições. É com a manipulação do projeto que as falhas são identificadas, possibilitando as correções e complementações. 4.2. A associação dos objetos aos seus dados Na associação dos elementos gráficos aos alfanuméricos, enfrentamos o problema de definir quais seriam as Unidades Territoriais de Integração (UTI). Nas entidades geográficas que possuem extensão territorial bem definidas - como lotes, quadras e edificações – o reconhecimento é imediato; o que não ocorre com os domicílios. De acordo com Manual de Cadastro Geral da URBEL (URBEL,1999) , o domicílio é definido como “o local de moradia, com entrada independente, constituído por um ou mais cômodos”. Assim, a representação do domicílio em planta é tarefa de difícil execução, uma vez que nos levantamentos topográficos cadastrais as edificações são as menores unidades representáveis. Tentativas de se subdividir arbitrariamente as edificações em domicílios poderia resultar em distribuição espacial irreal. No presente trabalho utilizamos o lote como UTI, pois hoje o lote é a unidade com os dados mais acessíveis. Para associar o lote ao banco de dados, foi necessário inserir o campo identificador MSLINK sendo composição pela justaposição do número da quadra provisório, seguido do número do lote provisório. Foram utilizados os registros provisórios pois o banco de dados ainda não contava com todos os números definitivos. Os centróides dos lotes, elementos de tipo texto, consistem nos códigos criados para essa entidade geográfica. No momento de se estabelecer a ligação entre as entidades gráficas e o banco de dados, foram identificados alguns lotes sem registro (Figura 15). Esse fato representa erro na base de dados, pois se o cadastro é gerado por pesquisa censitária, todos os lotes deveriam ser contemplados. Deve-se verificar se o erro foi na coleta do dado em campo, ou na incorporação ao banco de dados. 27 Figura 15: Lotes sem registro em banco de dados Embora não seja possível representá-los graficamente, os domicílios constituem uma unidade de integração territorial fundamental para a elaboração de diagnósticos sociais, pois os dados cadastrais levantados referem-se a essa unidade. Para recuperação das informações de domicílios, uma solução é o agrupamento das ocorrências por edificação. No banco de dados da URBEL não há dados sobre edificações, tais como tipologia, condições físicas, situação de saneamento, eletricidade, etc.; pois o objetivo é somente o registro de informações cadastrais, que ocorrem por lote ou por domicílio. Assim, se por um lado a edificação é uma unidade territorial graficamente identificável, por outro lado ela constituirá somente uma agregação de dados dos domicílios. Para usar como unidade a edificação, é necessário criar um código para cada uma, pois somente os domicílios apresentam selo cadastral definido. Sugerimos que o código da edificação, associado ao centróide, seja constituído pelo número da quadra, seguido do número do lote, seguido do número do endereço. Para associar a tabela edificação à tabela 28 domicílio, é necessário criar nessa última um campo com o código da edificação, pois o MicroStation Geographics trabalha como um modelo relacional. Outra possibilidade de recuperação dos registros de domicílio é a criação de um símbolo gráfico para a entidade, que deve ser posicionado dentro da edificação. Contudo, a exatidão de posicionamento não será garantida, embora o erro espacial seja menor que na arbitragem de subdivisões da edificação. No projeto piloto da Vila Peru procurou-se, inicialmente, não alterar o padrão do banco de dados da empresa, o que nem sempre foi possível O banco de dados da URBEL para cada vila é composto, basicamente, por seis tabelas: domicílio, lote, morador, proprietário da benfeitoria, proprietário de imóveis e proprietário de lotes. Foi necessário criar as tabelas risco (elaborada com base no mapa de risco do PPGE), edificação e a tabela quadras. Em todas as tabelas que seriam associadas ao desenho foram criados os campos MSLINK (chave de ligação) e MAPID (código do mapa que contém a entidade geográfica, associada ao banco de dados). 5 CRIAÇÃO DE MAPAS TEMÁTICOS POR ANÁLISE TOPOLÓGICA E CONSULTAS AO BANCO DE DADOS Os SGIs consistem em importantes instrumentos de análise e síntese, pois possibilitam o manipulação de diversas informações, ambientais e sócio-organizacionais, de uma dada realidade. São dinâmicos, pois promovem o processamento seletivo e o cruzamento de informações espacializadas, efetuando diversos tipos de análise sobre os dados. Para planejamento urbano, oferecem mecanismos para planejar e gerenciar o uso e a ocupação do espaço, obtendo resultados para tomada de decisões como, por exemplo, o estudo das correlações das atividades econômicas, infra-estrutura e população. Os SGIs significam muito mais que a automação e o armazenamento de mapas em formato digital: são sistemas que visam fundamentalmente o projeto e o planejamento, buscando respostas para os problemas espaciais. Os SGIs permitem a visão sistêmica, pois representam a realidade por algumas de suas partes componentes e pelas correlações entre elas. As entidades geográficas são representadas conforme seus atributos geométricos (localização, forma e extensão), lógicos 29 (qualificação taxonômica) e topológicos (relações com outras entidades representadas). É pela associação dessas representações que uma determinada ocorrência e as correlações de variáveis são obtidas; o que, em última instância, consiste nas análises espaciais . De acordo com DAVIS (2000:47): “A análise espacial compreende um conjunto de técnicas dedicadas a organização de entidades geográficas relacionadas a um determinado fenômeno ou variável que ocorre no espaço, descrevendo também os relacionamentos espaciais entre fenômenos e variáveis distintos. Os objetos incorporados aos SGIs consistem em partes da realidade que foram abstraídas para obtenção de uma base de dados georreferenciada e dotada de relações topológicas. Análises espaciais permitem consultas com operadores complexos, além de análises topológicas . Um exemplo de análise espacial gerado para o projeto da Vila Peru, foi a correlação entre potencial de risco (Mapa 01) e intervalos de declividades (Mapa 02). O mapa de risco proveniente do PPGE já consistia em uma classificação de áreas de risco, baseado em condicionantes instabilizadores (declividades altas, susceptibilidade de deslizamentos, material geológico, etc.). Foi gerado um mapa que representa as áreas de altíssimo potencial de risco e onde o solo não pode ser parcelado segundo a Lei Federal 6.766 de 1979, salvo se atendidas as exigências especificadas por autoridades competentes (Mapa 03). Nessa análise topológica foram criadas as seguintes camadas de informação: - áreas que apresentam potencial de alto risco e alto-iminente de acordo com o mapa de risco; - áreas que apresentam mais de 47% de declividades ; - lotes em situação de risco segundo o cadastro; - loteamentos aprovados. Outra correlação promovida foi a associação entre o Mapa 03 (áreas de risco), o Mapa 04 (lotes em situação de risco segundo o Cadastro) e o Mapa 05 (loteamentos com titulação aprovada). Dessa análise foi gerado Mapa 06, que representa loteamentos aprovados em áreas onde as condições ambientais não são favoráveis e não são previstas por lei. Diversas análises poderiam ter sido geradas, associando as informações do cadastro às condições ambientais. Mostramos aqui apenas alguns exemplos desse recurso do SGI. 30 31 32 33 34 35 36 6 PARA DEIXAR DE SER PILOTO Podemos considerar os SGIs como modelos da realidade, pois nele incorporamos somente as variáveis que julgamos essenciais e descartamos as que consideramos menos importantes à investigação. Tratando-se de modelos objetivam, em última instância, a visão holística da realidade. Contudo, as simplificações necessárias e as generalizações realizadas devem ser criteriosamente definidas, para que não sejam ignorados aspectos relevantes da realidade, invalidando as correlações promovidas. A compreensão e a obtenção de uma visão sistêmica de uma realidade requer a identificação dos prováveis objetos e atributos que nela interferem. Essa é uma tarefa de difícil resolução, e é nesse contexto que as ferramentas dos SGIs nos fornecem resultados de diversas correlações entre as variáveis que interferem na realidade. Compreendendo a realidade, nos tornamos aptos a tomar corretas decisões e planejar intervenções. Com o projeto piloto da Vila Peru percorremos todas as fases de elaboração de um SGI: entrada; armazenamento; gerenciamento; análise e manipulação; saída e apresentação de dados. Porém, para a completa implantação de um SGI, são necessários grandes investimentos em termos de hardware, software e treinamento de pessoal. Ao se planejar a implantação de um SGI, devem ser considerados os custos de treinamento de pessoal, tarefa executada de médio a longo prazo, pois são sistemas dotados de conceitos complexos e de lento aprendizado. De acordo com ROSA e BRITO (1996) a seqüência para implantação de um SGI deve ser a seguinte: - Identificação das necessidades do usuário: identificação das aplicações que atendam ao universo de atuação da instituição; - Levantamento detalhado da instituição: nível de informatização e qualificação de pessoal; - Detalhamento dos produtos necessários: precisão e qualidade dos dados, verificação da necessidade de ligação com banco de dados; - Escolha do sistema de geoprocessamento: que comporte formatos vetorial e matricial, tenha bom desempenho, permita a integração de dados de diversas fontes e 37 ligação com sistema de gerenciamento de banco de dados, viabilidade de custos e possibilidade de suporte técnico pelo fornecedor do sistema; - Execução de um projeto piloto: experimento para comprovar a funcionalidade do sistema; - Implantação do sistema propriamente dito: operacionalização do sistema, executando os serviços da primeira fase, baseando no projeto piloto. Com a elaboração do projeto piloto para a Vila Peru, pode-se considerar que finalizamos na URBEL a penúltima fase para implantação do SGI. Contudo, para sua real implementação, etapas anteriores terão de ser revistas. Por exemplo, será necessário rever o banco de dados da empresa e incorporar outros dados que compõem as variáveis fundamentais para a visão sistêmica da realidade (como os dados ambientais e de infra-estrutura). Além disso, a concentração de esforços no sentido de se criar uma equipe treinada é essencial para a efetiva implantação e manutenção do Sistema Geográfico de Informação na empresa. 38 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, L.F.B A metodologia de Disseminação da Informação Geográfica e Metadados. Tese de Doutorado, Departamento de Geografia - UFRJ, 1999. DAVIS, C. A. Múltiplas Representações em Sistemas de Informação Geográficos. Tese de Doutorado em Ciências da Computação - UFMG, 2000. DAVIS, C.A.; FONSECA, F. Endereços: A base de um projeto de geoprocessamento urbano. Geopro Informática, 1995. DAVIS, C.A.; Fonseca, F. Endereços: Conceitos e aplicações em Gis, 184p, 1999. ELMIRO, M.T. Curso de Especialização em Geoprocessamento: Notas de Aula, Departamento de Cartografia, IGC-UFMG, 2000. MACHADO, P.S. A cartografia Digital como instrumento de análise fisico-geográfica. Monografia de Graduação – IGC/UFMG, 1999.. MOURA, A.C.M. Globalização e metodologias no uso do Geoprocessamento: estudo de caso de diferentes abordagens espaciais. Rio de Janeiro, Anais do Congresso Brasileiro de Cartografia, 1997. MOURA, A.C.M. Tendências recentes nos estudos urbanos e o papel da cartografia temática. Belo Horizonte, Cadernos de Arquitetura e Urbanismo (1):23-25, 1993. MOURA, A.C.M.; Muzzarelli, A; SARAIVA, I; SARAIVA, J.N. Belo Horizonte, Cadernos de Arquitetura e Urbanismo (1):41-72, 1993. ROCHA, C. H. B. Geoprocessamento: tecnologia transdisciplinar, Juiz de Fora, Edição do Autor, 2.000. ROSA, R., BRITO, J.L.S. Introdução ao Geoprocessamento: Sistemas de Informações Geográfica. Uberlândia, Edição do Autor ,1996. SARAIVA, I.A. Conceituação sobre as áreas de favelas e seu contexto urbano. Belo Horizonte. Belo Horizonte, Cadernos de Arquitetura e Urbanismo (1):19-21, 1993. URBEL – Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte. Plano Global Específico Vila São Francisco das Chagas - 2ª Etapa, 2000. 39 URBEL – Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte. Manual de Cadastro Geral da URBEL, 1999. p.6. XAVIER-DA-SILVA, J. SGIs: Uma proposta metodológica. Rio de Janeiro, LAGEOP – UFRJ, 1999. XAVIER-DA-SILVA, J. Geoprocessamento para análise ambiental. Rio de Janeiro, LAGEOP - UFRJ, 1999. 40 ANEXOS: Tabelas do Banco de Dados _________________________________________________________________________ 41 TABELAS EXISTENTES NA EMPRESA PARA CADA VILA Tab_nucleo TabAnexo TabAtvAutonomo TabBenefício TabCarcaAmSoc tabComprovante TAbCondBenf tabcor tabdomicilio Tabestado_civil Tabfazdoença TabGerouOcup TabGrau_instrucao TabHabilidades TabIntRenda TabLocalizacao Tablocorigem TAbLocSerSaude Tabloctrab Tablote Tablotrab tabMoalidade tabmorador TabOcupacional TabOutRenda tabProfissão TabPrograma TabPropBenfeitoria TabPropImóveis TabProprietarioLote TabRegime tabRgimeOcupacao Tabrua Taservicosaude TabSitProf TabSituacao_familia TabSocial TabStatus tabTipoDocumento TabTipoOcupacao TabTitulacao tabUsoLote TabVinculo_empregaticio tblempreendimento tblRegional tblRegOcupacoDadOcup tblTipoLocalidade Universo 42 TABELAS COM RELACIONAMENTOS TabPropBenfeitoria Nome do Campo Cod_vila Setor Num_referencia Num_propbenf Proprietario_benf Endereço_propbenf Moravila_benf Moralocal_benf TabPropImóveis Nome do Campo Cod_vila Setor Num_referencia Num_imov Numresp_imov Tipo_imov Local_imov Reg_ocup_imov Endereço TabPropLote Nome do campo Cod_vila Setor Quadra_prov Lote_provi Num_proplote Moravila_lote Moralocal_lote Proprietario_lote Endereço_proplote TabLote Nome do Campo Descrição Cod_vila Código da vila Setor Setor Quadra_provi Quadra provisória Lote_provi Lote provisório Fracao_ideal Fração ideal Desmembramento Regularização-1.desmembramento 2.remembramento 0.não se aplica Quadra_defi Quadra definitiva Lote_defi Lote definitivo Num_doc_lote Número de domicílios no lote Num_edific_lote Número de edificações no lote Uso_lote Uso do lote Uso_espec Especificação do uso do lote Regime_ocupacao Regime de ocupação do lote Regime_espec Especificação do regime de ocupação do lote Dt_aquisicao Ano de aquisição do lote Area_lote Área do lote Situacao_risco O lote se encontra em situação de risco- 1-sim 2-não Tipo_risco Tipo de risco-1;ïnundação”;2;”deslizamento”; 3; “solapamento” Cod_titcad Situação de titulação do lote no cadastro Desmembcad Cadastro-se o lote vai ser desmembrado ou remembrado Descrememb A qual lote o lote será remembrado ou desmembrado Cod_titulacao Situação de titulação do lote na regularização Titulacao_espec Especificação da situação de titulação na regularização Valor Valor da escritura Escritura_impressa Escritura impressa-n-não s-sim p-pronta Cp Número do cp Motivo1 Pendência – condicionada a acordos Motivo2 Pendência- proprietario não reside no local Motivo3 Pendência-Informações insuficientes Motivo4 Pendência –Orientação juridica Motivo5 Pendência-morador ausente Motivo6 Pendência- falta de documentos pessoais Motivo7 Pendência-ocupação inferior 43 Motivo8 Pendência- possui outro imóvel Motivo9 Pendência-recusa Motivo10 Pendência-outros Motivo11 Pendênicia-menor de 21 anos Descpend Descrição de pendência-cadastro Titul_regul_espec Descrição de pendência-regularização fundiária Matricula Numdecreto vila TabDomicilio Nome do campo Descrição Cod_vila Código da vila Setor Setor Num_referencia Número do selo cadastral Cod_nucleo Código do núcleo ou associação Numero_domicilio Número de domicilio Num_pavimentos Número de pavimentos Num_edificac_Dom Número de edificações Quadra Quadra Lote Lote Uso Uso do domicilio Usoespec Especificação do uso misto Num_pessoas Número de pessoas no domicilio Residente_domicilio Ano desde o qual os indivíduos residem no domicilio Comprovante Código do comprovante de residência9ver tabcomprovante) Comproespec Comprovante especificar Testemunha1 Nome da 1o testemunha Testemunha2 Nome da 2o testemunha Testemunha3 Nome da 3o testemunha Endtest1 Endereço da primeira testemunha Endtest2 Endereço da segunda testemunha Endtest3 Endereço da terceira testemunha Acesso Forma Forma de acesso ao domicílio (1.Individual 2.Coletivo) Outros_imoveis Verificação se possui imóveis ( 1.sim 2.não) Quantos-imoveis Quantos imóveis a mais o indivíduo possui Observações Observações Entrevistado Nome do entrevistado Cod-situação Código da situação do indivíduo na família (ver tabsituação_familia) Sit_espec Descrição da situação do indivíduo da família Area Área do domicílio Endereço_def Endereço definitivo Bairro_def Bairro definitivo Tipodef Códificação do logradouro no endereço definitivo (ver tabrua0 Num_def Número definitivo Cep-def CEP definitivo Cod_end Códificação do logradouro no endereço completo ( ver tabrua) Endereço_com Endereço completo Num-end Número do domicílio Complemento Complemento Bairro Bairro Cep CEP 44 Ref-loc Referência de localização Cidade Cidade Cod_regimeocupação Código do regime de ocupação (ver tabregime_ocupação) Desp-aluguel Valor das despesas com aluguel Regime-espec Especificação do regime de ocupação Documento-aquisição Possui documento de aquisição (1.sim 2.não) Desp-pensão Valor das despesas com pensão Desp_alimhig Desp-agua Desp-eletrica Desp-transporte Desp-saude Desp-telefone Desp-compras Desp-outros Desp-gas Num-comodos observação Salario_ref Controle Controle_espec Controle_dia Controle-hora Pesquisador Data Revisor Data_revisor Digitador Data_digitação Cod_condbenf Rendatotal Gastosesp Novo_selo Classificação Num-asso Impressi_credito Situação_creditoassoc Situação_espec Excluido Ocup_tempoBH Ocup_endantes Ocup_numantes Ocup_bairroantes Ocup_cidadeantes Ocup_moravaantesacamp Ocup_localmorava Ocup_localmoravaoutro Ocup_tempobelmonte Ocup_tempobelmontedias Ocup_jacadastrado Ocup_numprimcadastro Ocup_motivonaocadastro Ocup_motivonaocadastroano Ocup_mudoubarraca 45 Ocup_numbarracaantes TabMorador Nome do Campo Cod_vila Setor Num-referencia Num_morador Nome Sexo Cor Titulado Data_nasc Sif Sitindesp Ci Orgao-emissor Data-emissão Te Cpf Idade Filiacao_pai Filiacao-mae Naturalidade Naturalidade_uf Nacionalidade Cod-estado Estespec Regime-comunhão Cod_conjugal Ano_uniao Ocupacao Profobs Ramo_atividade Cod_ocupacional Ocupespec Loctrab Loctrabesp Cod_vinculo Vincespec Possui-fgts Valor_fgts Empresa Renda-comprovada Otrenda Renda-informal Outras_rendas Outras_rendas_especificar Participa-financiamento Cod_grau Assina Tempo_res Cod_comprovante Comp_espec Saude Saude_espec Remedio Remedio_espec Fone_comercial Fone_residencial Fone_favor Fone_comunitario Serie Grau Periodo Escola Endereço Ragional escola 46 TABELAS PARA DESCRIÇÃO DE CÓDIGOS DE CAMPOS Tab.Ati.Autonomo Código da Atividade Autônoma Descrição da Atividade Autônoma cod_ativAut desc_ativAut 1 Na própria casa 2 Em outro local na Vila 3 Atendimento a domicílio 4 Na rua/ fora da Vila 5 Outro Local (especificar) 6 Não se aplica 9 NS/NR Tab.Comprovante Código do comprovante Descrição do compravante cod_comprovante desc_comprovante 1 Contas de água e/ou luz 2 Nota Fiscal com endereço 3 Recibo de Compra e venda 4 Envelope de carta 5 Outros Tab.CondBenf Código da condição da Benfeirtoria Descrição da Condição da Benfeitoria cod_condbenf desc_condbenf 1 Concluída/Reforma s/ acréscimo 2 Em construção 3 Em expansão Tab.cor Código da Cor Descrição da Cor cod_cor desc_cor 1 Branca 2 Preta 3 Parda 4 Amarelo 5 Indígena 6 Outra Tab.estado_civil Código do Estadocivil Descrição do estado civil cod_estado desc_estado 1 solteiro(a) 2 casado(a) 3 viúvo(a) 4 divorciado(a) 5 outros 47 Tab.faz.doença Código do que se costuma fazer em caso de doença Descrição do que se costuma fazer em caso de doença cod_fazdoenca desc_fazdoenca 1 Procura o serviço público 2 Procura o serviço particular 3 Procura entidades assistenciais/religiosas/ONGs 4 Auto medicação 5 Procura farmácia 6 Medicina caseira (chás/benzeção) Tab.Gerou.Ocup. Código de como gerou ocupação Descrição de como gerou ocupação cod_gerocup desc_gerocup 1 Sim como autônomo 2 Sim como empregado 3 Não lançou-se no mercado 4 Lançou-se mas não conseguiu emprego 5 Outros Tab.Grau_instrução Código grau Descrição de grau cod_grau desc_grau 1 Analfabeto 2 1º ao 4º - 1º grau 3 5º ao 8º - 1º grau 4 1º ao 3º - 2º grau 5 Superior - 3º grau Tab.Habilidades Código das Habilidades possíveis de se tornar fonte de renda Descrição das Habilidades possíveis de se tornar fonte de renda cod_habilidade desc_habilidade 01 Artesanato (especificar) 02 Vendas 03 Costura/Bordado 04 Pintura/Desenho 05 Culinária 06 Horticultura 07 Pequena industria 08 Prestação de serviços 09 NS/NA 10 Outros Tab.IntRenda Código do intervalo de renda Descrição do intervalo de renda cod_intrenda descintrenda 1 até 1 salário mínimo 2 de 1/2 a 1 3 de 2 a 3 4 de 3 a 5 5 acima de 5 6 não tem renda 7 NS/NR 48 Tab.Localização Código de localização de outros imóveis Descrição de localização de outros imóveis cod_localizacao desc_localizacao 1 Mesmo Lote 2 Mesma Vila 3 Outra Vila em BH 4 Outra cidade em MG 5 Outro Estado Tab.Corigem Código de local de origem da pessoa Descrição de local de origem da pessoa cod_locorigem desc_locorigem 1 Município de BH 2 Região Metrop.BH 3 Estado MG 4 Sudeste 5 Sul 6 Centro-Oeste 7 Norte 8 Nordeste 9 Estrangeiro Tab.LocSerSaúde Código do local de serviço de saúde Descrição do local de serviço de saúde cod_locserv desc_locserv 1 Na própria vila 2 No entorno (bairros vizinhos) da vila 3 Distante da Vila 4 Não se aplica Tabl.Octrab Código de local de trabalho Descrição de local de trabalho cod_loctrab desc_loctrab 1 Na própria vila 2 No entorno 3 Em outra cidade 4 Centro de BH 5 Outro bairro de BH 6 NS/NR Tablotrab cod_loctrab desc_loctrab 1 Mesma vila 2 Mesmo bairro 3 Bairros vizinhos 4 Município de BH 5 RMBH 6 Outros mun. MG 7 Outro Estado 49 TabModalidade cod_modalidade desc_modalidade 1 Vilas/Favelas 2 Conjuntos Habitacionais 3 Acampamentos 4 Outros TabOcupacional cod_Ocupacional desc_ocupacional 1 Empregado 2 Desempregado 3 Aposentado 4 Empregador 5 Autônomo 6 Estudante 7 Outros TabOutRenda cod_outrenda desc_outrenda 1 Pensão 2 Aluguel 3 Comércio 4 Outros TabProfissão cod_profissao Nome_profissao 001 Acougueiro(a) 002 Adestrador(a) 003 Adm. De empresas 004 Advogado(a) 005 Agente administrativo 006 Agente aero-portuario 007 Agente de passagens 008 Agregado(a) 009 Agricultor(a) 010 Agrimensor(a) 011 Ajudante de carpintaria 012 Ajudante de costureira(o) 013 Ajudante de laboratorio 014 Ajudante de mecanico 015 Ajudante de pintor 016 Ajudante de serralheiro 017 Ajudante de servente pedreiro 018 Ajustador(a) 019 Alfaiate 020 Almoxarife 021 Analista 022 Apontador(a) 023 Armador(a) 024 Armazenista 025 Arquivista 50 026 Arrematadeira(or) 027 Arrumadeira 028 Artesao(a) 029 Artista 030 Ascensorista 031 Atendente hospitalar 032 Atendente odontologico 033 Auxiliar administrativo 034 Aux. Almoxarifado 035 Aux. De biblioteca 036 Auxiliar de brochurista 037 Auxiliar de cargas 038 Aux. De contabilidade 039 Auxiliar de cozinha 040 Auxiliar de eletricista 041 Auxiliar de enfermagem 042 Auxiliar de escritorio 043 Auxiliar de fundicao 044 Auxiliar impressor 045 Auxiliar de producao 046 Auxiliar de professor 047 Auxiliar de servicos gerais 048 Aux.de serv.em telecomunicacao 049 Auxiliar de vendas 050 Avicultor(a) 051 Baba 052 Balanceiro(a) 053 Balconista 054 Bancario(a) 055 Barbeiro 056 Barqueiro(a) 057 Barraqueiro(a) 058 Biscateiro(a) 059 Biscoiteiro(a) 060 Boiadeiro(a) 061 Bombeiro 062 Bordadeira 063 Borracheiro(a) 064 Cabeleireira(o) 065 Caixa 066 Calafate 067 Calceteiro(a) 068 Caldeireiro(a) 069 Camareira(o) 070 Cambista 071 Camelo 072 Camioneiro(a) 073 Capoteiro(a) 074 Carpinteiro(a) 075 Carregador(a) 51 076 Carreteiro(a) 077 Carroceiro(a) 078 Carteiro(a) 079 Carvoeiro(a) 080 Caseiro(a) 081 Catador(a) de ferro velho 082 Catador(a) de papel 083 Ceramista 084 Chapa de caminhao 085 Chapeleiro(a) 086 Chapista 087 Charreteiro(a) 088 Chefe de expedicao 089 Cobrador(a) 090 Comerciante 091 Comerciario(a) 092 Comprador(a) 093 Confeiteiro(a) 094 Conferente 095 Construtor(a) 096 Contador(a) 097 Continuo(a) 098 Contramestre 099 Copeiro(a) 100 Corretor(a) 101 Costureira(o) 102 Cozinheiro(a) 103 Cravador(a) 104 Crediarista 105 Curandeiro(a) 106 Dama de companhia 107 Datilografo(a) 108 Demonstrador(a) de produtos 109 Desenhista 110 Despachante 111 Detetive 112 Detetizador(a) 113 Digitador(a) 114 Disciplinario(a) 115 Doceiro(a) 116 Do lar 117 Domador(a) 118 Eletricista 119 Embalador(a) 120 Empacotador(a) 121 Empregada(o) domestica(o) 122 Empreiteiro(a) 123 Empresario(a) 124 Encadernador(a) 125 Encanador(a) 52 126 Encarregado de armaçao 127 Encarregado de carpintaria 128 Encarregado comercial 129 Encarregado de obras 130 Encarregado de posto gasolina 131 Enfermeiro(a) 132 Engenheiro(a) 133 Engraxate 134 Entregador(a) 135 Escriturario(a) 136 Esmaltador(a) 137 Esmerilador(a) 138 Estampador(a) 139 Estilista 140 Estofador(a) 141 Estoqueiro(a) 142 Estudante 143 Fabric. Prod. Alimenticios 144 Faturista 145 Faxineiro(a) 146 Feirante 147 Feitor(a) 148 Ferrador(a) 149 Ferramenteiro(a) 150 Fiscal 151 Florista 152 Forjador(a) 153 Forneiro(a) 154 Fotografo(a) 155 Frentista 156 Frezador(a) 157 Funcionario(a) publico(a) 158 Fundador(a) 159 Fundidor(a) 160 Funileiro(a) 161 Garagista 162 Garcon(ete) 163 Gari 164 Garimpeiro(a) 165 Gerente 166 Grafico(a) 167 Greidista 168 Guarda 169 Guarda-costa 170 Guardador(a) de veiculos 171 Horticultor(a) 172 Impermeabilizador(a) 173 Industrial 174 Industriario(a) 175 Inspetor(a) 53 176 Inspetor(a) de qualidade 177 Inspetor(a) de seguranca 178 Instrutor(a) 179 Jardineiro(a) 180 Jatista 181 Joalheiro(a) 182 Jogador(a) de futebol 183 Jornaleiro(a) 184 Juiz(a) de futebol 185 Kardexista 186 Laminista 187 Lanterneiro(a) 188 Lapidador(a) 189 Lavadeira 190 Lavador(a) de veiculos 191 Lavrador(a) 192 Leao de chacara 193 Letrista 194 Lingoteiro(a) 195 Lixeiro(a) 196 Loneiro(a) 197 Lubrificador(a) 198 Lustrador(a) 199 Macariqueiro(a) 200 Mandrilhador(a) 201 Manicure 202 Manobreiro(a) 203 Maquinista 204 Marceneiro(a) 205 Marmorista 206 Marteleiro(a) 207 Massagista 208 Mecanico(a) 209 Mecanico(a) de brinquedos 210 Mecanografo(a) 211 Mensageiro(a) 212 Metalurgico(a) 213 Modelista 214 Moldador(a) 215 Montador(a) 216 Mordomo 217 Motorista 218 Musico(a) 219 Nivelador(a) 220 Nutricionista 221 Office boy 222 Oleiro(a) 223 Operador(a) de computador 224 Operador(a) de forno 225 Operador(a) de lavanderia 54 226 Operador(a) de maquina 227 Operador(a) de producao 228 Operador(a) de raio x 229 Operario(a) 230 Ourives 231 Padeiro(a) 232 Pai(mae) de santo 233 Passadeira 234 Pasteleiro(a) 235 Pastor(a) 236 Patroleiro(a) 237 Pedreiro(a) 238 Pespontadeira(or) 239 Pintor(a) 240 Pipoqueiro(a) 241 Policial 242 Polidor(a) 243 Porteiro(a) 244 Prensista 245 Professor(a) 246 Protetico(a) 247 Psicologo(a) 248 Quimico(a) 249 Quiromante 250 Quitandeiro(a) 251 Radio-tecnico(a) 252 Rebitador(a) 253 Reboquista 254 Recepcionista 255 Relojoeiro(a) 256 Reparador(a) eletro-domesticos 257 Repositor(a) 258 Representante comercial 259 Restaurador(a) 260 Revisor(a) 261 Rondante 262 Salgadeira(o) 263 Salsicheiro(a) 264 Sapateiro(a) 265 Secretaria(o) 266 Seguranca 267 Separador(a) de cartas 268 Serrador(a) 269 Serralheiro(a) 270 Servente escolar 271 Servente de limpeza 272 Servente de obras 273 Servical 274 Silkador(a) 275 Soldado militar 55 276 Soldador(a) 277 Sorveteiro(a) 278 Sub-gerente 279 Suinocultor(a) 280 Supervisor(a) 281 Tapeceiro(a) 282 Tecelao(a) 283 Tecnico(a) em balancas 284 Tecnico(a) em contabilidade 285 Tecnico(a) desenhista 286 Tecnico(a) em edificacoes 287 Tecnico(a) em eletronica 288 Tecnico(a) em filmagem 289 Tecnico(a) em revestimento 290 Telefonista 291 Tesoureiro(a) 292 Tijoleiro(a) 293 Tintureiro(a) 294 Tipografo(a) 295 Topografo(a) 296 Torneiro mecanico 297 Trabalhador(a) rural 298 Tratorista 299 Trefilador(a) 300 Tricotista 301 Trocador(a) 302 Tropeiro(a) 303 Vaqueiro(a) 304 Vendedor(a) 305 Verdureiro(a) 306 Vidraceiro(a) 307 Vigia de carros 308 Vigilante 309 Zelador(a) 310 Taxista 311 Ferreiro 312 Relacoes publicas 313 Peixeiro(a) 314 Auxiliar de grafica 315 Pedagoga(o) 316 Vigia 317 Bibliotecario(a) 318 Auxiliar de limpeza 319 Antenista 320 Mestre de obras 321 Tecnico(a) em refrigeracao 322 Auxiliar de capoteiro 323 Bailarina(o) 324 Auxiliar de fisioterapia 325 Brochurista 56 326 Folhador 327 Motociclista 328 Motoqueiro 329 Colchoeiro(a) 330 Ajudante de borracheiro 331 Ilustrador(a) 332 Ajudante de marcenaria 333 Auxiliar de fotografia 334 Diretor(a) artistico(a) 335 Operador de frota 336 Auxiliar reparador 337 Aprendiz de lanternagem 338 Ajudante de artesao(a) 339 Encarregado de deposito 340 Chefe de manuntencao 341 Tecnico em ass. Educacionais 342 Encarregado de seguranca 343 Aferidor de hidrometro 344 Tecnico edificações 345 Serviços gerais 346 Pizzaiolo 347 Auxiliar de expedição 348 Repa. E instalador de telefone 349 Recreação 350 Doméstica 351 Diarista 352 Estrusor de paineis eletronico 353 Tecnico em manutenção de micro 354 Overloquista TabPrograma cod_programa desc_programa especificacao 000 001 OP 94 - Orçamento Particativo 002 OPH - Orçamento Participativo da Habitação 003 PEAR - Programa Estrutural em Área de Risco 004 Autogestão 005 Planos Globais 006 OP 95 - Orçamento Particativo 007 OP 96 - Orçamento Particativo 008 OP 97 - Orçamento Particativo 009 OP 98 - Orçamento Particativo 010 OP 99/2000 - Orçamento Particativo 011 OPH 99/2000 TabRegime cod_regime desc_regime 1 Separação de Bens 2 Comunhão Parcial de bens 3 Comunhão Universal de bens 4 Outro 57 TabRegimeOcupação cod_regimeocupacao desc_regimeocupacao 1 Próprio c/ escritura 2 Próprio s/ escritura 3 Alugado 4 Cedido 5 Outros Tab.Rua cod_rua desc_rua 1 Rua 2 Avenida 3 Praça 4 Beco 5 Passagem Tab.sercosaude cod_servicosaude desc_servicosaude 1 Qualquer tipo de doença 2 Somente em casos de doenças graves 3 Para vacinação 4 Informação sobre prevenção 5 Controle nos programas 6 Atividades de enfermagem 7 Exames 8 Urgência 9 Buscar Remédio 10 Outros 11 NS/NR TabSitprof Código da Situação profissional Descrição da situação profissional cod_sitprof desc_sitprof 01 Assalariado registrado (OLT) 02 Assalariado sem registro 03 Funcionário público 04 Autônomo regular (paga ISS) 05 Autônomo sem registro 06 Profissional Liberal 07 Empresário (empregador) 08 Free-lance/Bico 09 Ns/Nr 10 Estagiário aprendiz remunerado 11 Desempregado (proc. Emprego) 12 Só dona de casa 13 Só aposentado 14 Só estudante 15 Só vive de renda 16 Outro 17 N.S.ª 18 Inválido 19 Desempregado (não proc. Emprego) 58 TabSituação_familia Código de situação do indivíduo na família Descrição de situação do indivíduo na família cod_situacao desc_situacao 1 Chefe família 2 Esposo(a) / Companheiro (a) 3 Filho (a) 4 Genro/Nora 5 Neto (a) 6 Parente 7 Mora sozinho (a) 8 Agregado (a) 9 Outros TabStatus Código do status da pessoa Descrição do status da pessoa cod_status desc_status BD Beneficiado BR Beneficiário DM Demandante TabTipodocumento Código do tipo do documento Descrição do tipo de documento cod_documento desc_documento 1 Carteira de Identidade 2 C.P.F. 3 Título de Eleitor 4 Carteira Profissional 5 Identidade Militar TabTipoOcupação Código do tipo de ocupação Descrição do tipo de ocupação cod_tipoOcupacao desc_tipoOcupacao 1 Terreno 2 Barracão 3 Loja Comercial 4 Casa 5 Apartamento 6 Outros (especificar) TabTitulação Código da situação da titulação Descrição da situação da titulação cod_titulacao desc_titulacao 0 Não Avaliado 1 Liberado 2 Suspenso 3 Excluido TabUsodolote Código do uso do lote Descrição do tipo de lote cod_usolote desc_usolote 1 Residencial Unifamiliar 2 Residencial Multifamiliar 3 Comercial 59 4 Serviços 5 Serviço Uso Coletivo 6 Industrial 7 Misto 8 Lote Vago 9 Outros Tabvinculoempregaticio Código do Vínculo empregatíco Descrição do vínculo empregatício cod_vinculo desc_vinculo 1 Proprietário 2 Carteira de Trabalho 3 Contrato de Trabalho 4 Carteira e Contrato 5 Outros (Especificar) Tabempreendimento Código do empreendimento Descrição do empreendimento cod_empreendimento desc_empreendimento LU Lotes Urbanizados UN Unidade Habitacionais Tab.Regional Código da regional Descrição da regional Sigla da regional cod_regional desc_regional sigla_regional 01 Barreiro ARB 02 Centro Sul ARCS 03 Leste ARL 04 Nordeste ARNE 05 Noroeste ARNO 06 Norte ARN 07 Oeste ARO 08 Pampulha ARP 09 Venda Nova ARVN TabReg.Ocupação cod_regocupacao desc_regocupacao 01 Próprio c/ escritura 02 Próprio s/ escritura 03 Alugado 04 Cedido pelos pais 05 Cedido pelos sogros 06 Cedido pelos irmãos 07 Cedido pelos amigos 08 De favor 09 Invadido 80 Não sabe 90 Não respondeu 60 TabTipodelocalidade tipo_localidade desc_localidade A Aglomerado B Bairro C Conjunto Habitacional O Ocupação R Residencial V Vila / Favela TabRisco_Suscept (Tabela não existente no banco de dados original) Cod_susceptibilidade Desc_susceptibilidade 1 Alto_Iminente 2 Alto 3 Médio Alto 4 Médio 5 Não detalhado