A improvisação em dança como espaço de formação do artista pelo cultivo da autonomia-alteridade
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Lenira Peral Rengel
Luciana Mourão Arslan
Evanize Kelli Siviero Romarco
Gabriela Córdova Christófaro
Luciana Mourão Arslan
Evanize Kelli Siviero Romarco
Gabriela Córdova Christófaro
Resumo
A presente pesquisa investiga a improvisação em dança como um espaço de formação e cultivo da autonomia-alteridade do sujeito que dança. Com a abordagem cognitiva da enação e da teoria
embodied mind, de Thompson, Rosch e Varela (1993), que assume a cognição como um processo que se dá por meio do aparato sensório-motor, e a partir do corpo imerso na experiência, pergunto: Como a ação improvisacional dançada se torna espaço de elaboração de si? Qual o papel do outro no processo do ensino-aprendizagem da improvisação em espaços não formais de ensino de dança? De quais maneiras a improvisação se configura como espaço formativo e de cultivo da autonomia-alteridade do sujeito que dança? O objeto de investigação deste estudo é a continuidade autonomia-alteridade argumentada como elemento inerente à improvisação e essencial ao seu processo de ensino-aprendizagem. O corpo é situado como cerne dos processos de formação, destacando-se a improvisação em dança como um espaço de produção de saberes. Buscou-se argumentar sobre os modos como a autonomia-alteridade é mobilizada pelo fazer artístico-formativo da improvisação em dança e, mais especificamente, nos trabalhos de Dudude, Morena Nascimento e Eduardo Fukushima exercitados no METRI – Mergulho Treino Intenso nos anos de 2023 e 2024. O percurso metodológico foi formado por pesquisa bibliográfica, a partir dos conceitos operadores da improvisação em dança; experiência, ensino-aprendizagem, autonomia e alteridade; entrevistas semiestruturadas com os 3 artistas-formadores supracitados; pesquisa documental em arquivos de entrevistas, vídeos, sites e escritas dos participantes da pesquisa; e pesquisa participante realizada na vivência imersiva METRI. Definiu-se por artista-formador o/a artista que elabora seu trabalho a partir da pesquisa improvisacional e propõe, em espaços não formais de ensino, vivências em improvisação em dança. São participantes deste estudo os/as artistas-formadores Dudude, Morena Nascimento e Eduardo Fukushima, para investigar se e de quais modos a autonomia-alteridade é articulada no fazer artístico-formativo da improvisação em dança orientada pelos participantes. A vivência METRI foi selecionada pela natureza de sua proposta, que se baseia em uma vivência artístico-formativa imersiva de improvisação em dança proposta anualmente pela artista Dudude em Casa Branca, Brumadinho – MG, com a intenção provocar um espaço coletivo de mergulho na pesquisa corporal por meio da improvisação em dança ao longo de 6 dias consecutivos em um espaço afastado do fluxo cotidiano urbano. A escrita se estrutura em quatro capítulos, abordando o alinhamento conceitual, o estudo da autonomia e da alteridade e o espaço de ensino não formal da improvisação em dança como importante espaço de percepção e trabalho sobre si do artista que dança. Afirma-se pela pesquisa que a improvisação em dança constitui um espaço formativo de cultivo da autonomia-alteridade orientado pela percepção e trabalho sobre si de modo relacional na ação dançada permeada pela escuta sensível e ética, afirmando o fazer improvisacional em dança como um fazer político, potencializando espaços que exercitam modos de existência, responsabilidade, produção das diferenças e modos singulares de ser e de vir a ser junto ao coletivo. É proposto que a improvisação possa vir a ser considerada como terreno de transformação sociocultural que resiste às normatizações sociais e afirma a dança como exercício sociocultural-político, democrático e de fortalecimento subjetivo e coletivo.
Abstract
This research investigates dance improvisation as a space for the formation and cultivation of the autonomy-alterity of the dancing subject. Based on the cognitive approach of enaction and
the theory of the embodied mind by Thompson, Rosch, and Varela (1993)—which conceives cognition as a process that arises through the sensorimotor apparatus and the body immersed in
experience—this study asks: How does improvisational dance become a space for self-elaboration? What is the role of the other in the teaching-learning process of improvisation in
non-formal dance education settings? In what ways does improvisation configure itself as a formative space and as a field for cultivating the autonomy-alterity of the dancing subject? The
object of this investigation is the continuity between autonomy and alterity, argued here as an inherent element of improvisation and as essential to its teaching-learning process. The body is
positioned as the core of formative processes, highlighting dance improvisation as a space for knowledge production. The research reflects on how autonomy-alterity is mobilized through
the artistic-formative practice of dance improvisation, focusing in particular on the works of Dudude, Morena Nascimento, and Eduardo Fukushima, as explored in the program METRI –
Mergulho Treino Intenso, in 2023 and 2024. The methodological path encompassed a literature review addressing the operative concepts of dance improvisation; experience, teaching-
learning, autonomy, and alterity; semi-structured interviews with the three artist-educators; documentary research in archives of interviews, videos, websites, and written materials by the
participants; and participant observation conducted during the immersive METRI experience. For the purposes of this study, an artist-educator is defined as one who develops their work
through improvisational research and proposes dance improvisation experiences in non-formal education contexts. The participants in this study are the artist-educators Dudude, Morena
Nascimento, and Eduardo Fukushima, with the aim of investigating whether and in what ways autonomy-alterity is articulated in their artistic-formative practices of dance improvisation. The
METRI program was chosen for its distinctive immersive proposal, annually organized by the artist Dudude in Casa Branca, Brumadinho – MG, Brazil. The six-day retreat in a setting
removed from urban daily life fosters a collective space of deep engagement with corporeal research through dance improvisation. The dissertation is structured into four chapters,
addressing conceptual alignment, the study of autonomy and alterity, and the role of non-formal spaces of dance improvisation as crucial contexts for self-perception and self-work of the
dancing artist. The findings affirm that dance improvisation constitutes a formative space for cultivating autonomy-alterity, oriented by relational self-perception and self-work within
danced action, permeated by sensitive and ethical listening. Improvisational dance is affirmed as a political practice that fosters spaces for exercising modes of existence, responsibility,
difference-making, and singular ways of being and becoming within the collective. Finally, this research proposes that improvisation be considered a terrain of sociocultural transformation that
resists social normativities and affirms dance as a sociocultural-political practice, democratic and strengthening for both individual and collective subjectivities.
Assunto
Improvisação (Dança), Dança - Estudo e ensino, Dança
Palavras-chave
Autonomia-alteridade, Dança, Ensino-aprendizagem, Experiência, Improvisação