“E eu não sou humano?”: necroinfância e a disputas de sentido sobre a constituição de humanidade no caso Thiago Menezes

Descrição

Tipo

Dissertação de mestrado

Título alternativo

Membros da banca

Ângela Cristina Salgueiro Marques
Maria Aparecida Moura
Pâmela Guimarães da Silva

Resumo

A dissertação pretende analisar os sentidos presentes nos diálogos midiatizados sobre o assassinato de Thiago Menezes, a fim de compreender como eles expressam a constituição da alteridade (Butler, 2011) e da humanidade (Carneiro, 2023). Nesse sentido, a pesquisa se propõe a identificar as imagens de controle (Collins, 2019) e os enquadramentos presentes nas narrativas midiatizadas a fim de refletir sobre como os elementos constitutivos do discurso dão a ver a violência de Estado e o racismo. Tal perspectiva tem por base a noção do dispositivo de racialidade (Carneiro, 2023) como um objeto comunicacional (Braga, 2020 & Da Silva, 2021). Para tanto, trabalharemos com a análise de comentários na publicação do G1 sobre o caso e com os depoimentos dos familiares de Thiago Menezes para a rede globo. A partir da bricolagem, como uso criativo e adaptativo de ferramentas teóricas e metodológicas, identificamos as materialidades dos discursos dos familiares e seus desdobramentos em significações sobre a infância, formação integral, religiosidade e coletividade. Nos comentários, analisamos de que forma esses elementos são mobilizados e quais enquadramentos e/ou imagens são atribuídos a Thiago. Para interpretar as dinâmicas presentes nos comentários e sua articulação com o dispositivo da racialidade, recorremos às especificidades do racismo online descritas por Silva (2022). Já para compreender a mobilização das inferências feitas pelas familiares, tomamos a comoção como forma de reconhecimento da perda, conforme propõe Butler (2015). Os resultados mostraram que a naturalização da violência e a criminalização de Thiago operaram como estratégias necropolíticas de deslegitimação de sua vida, recorrendo ao escárnio, à disseminação de informações falsas sobre a criança, à deslegitimação de sua família e da cobertura midiática, além de sua adultização ou enquadramento como "menor" ou "moleque". Já nos discursos de comoção e luto, destacou-se a significação de Thiago como criança, ancorada na valorização da infância como um estado a ser protegido e o reconhecimento da perda pelo luto da família, na valorização dos vínculos familiares. E, sobretudo, no compartilhamento de experiências e dores, reforçando o lugar da coletividade enquanto quilombismo (Nascimento, 1980).

Abstract

This dissertation aims to analyze the meanings present in mediatized dialogues about the murder of Thiago Menezes, in order to understand how they express the constitution of otherness (Butler, 2011) and the recognition of humanity (Carneiro, 2023). The research seeks to identify the controlling images and framings within these narratives and reflect on how the constitutive elements of discourse reveal state violence and racism. This perspective is grounded in the notion of the raciality apparatus (Carneiro, 2023), understood here as a communicational object (Braga, 2020; Da Silva, 2021). To this end, we analyze comments on G1’s publication about the case, as well as testimonies from Thiago Menezes’ family members given to Rede Globo. Through bricolage—as a creative and adaptive use of theoretical and methodological tools—we identify the materialities present in the family's discourse and their unfolding into meanings related to childhood, holistic development, religiosity, and collectivity. In this process, we observe how these elements reframe Thiago as a lost life. Regarding the online comments, we examine how they are mobilized and what framings and/or images are attributed to Thiago. To interpret the dynamics of the comments and their alignment with the raciality apparatus, we draw on the specificities of online racism described by Silva (2022). To understand the inferences mobilized by family members, we consider mourning as the recognition of loss (Butler, 2015). The results indicate that the naturalization of violence and the criminalization of Thiago operated as necropolitical strategies to delegitimize his life. These strategies included scorn, the dissemination of false information about the child, the delegitimization of his family and media coverage, and his adultification or framing as a “minor” or moleque. In contrast, within the discourses of mourning and grief, Thiago was primarily signified as a child—anchored in the recognition of childhood as a protected condition, the acknowledgment of loss by his grieving family, and the affirmation of familial bonds. Above all, mourning was expressed through the sharing of experiences and pain, reinforcing the role of collectivity as quilombismo (Nascimento, 1980).

Assunto

Comunicação - Teses, Crianças negras - Teses, Racismo - Teses

Palavras-chave

Imagens de Controle, Enquadramento, Racismo, Alteridade, Necroinfância

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