Trabalho, sociabilidade e revolução: a oposição entre cidade e campo em A ideologia alemã de Marx e Engels

Descrição

Tipo

Dissertação de mestrado

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Primeiro orientador

Membros da banca

Ester Vaisman Chasin
Leonardo Gomes de Deus

Resumo

Entre 1845 e 1847, Karl Marx e Friedrich Engels elaboram os manuscritos que o século XX iria chamar de A ideologia alemã. Como parte do projeto comum que levavam a cabo – a saber, o de acerto de contas com a filosofia neo-hegeliana -, elaboram um conjunto de manuscritos com uma intenção dupla: ao mesmo tempo em que refutam a possibilidade de que as mudanças no mundo pudessem ocorrer por meio de atos ideológicos – ou atos de consciência -, mobilizam diferentes categorias tomadas criticamente da economia-política à explicação da produção real da vida humana. Uma vez abandonados, nas palavras de Marx, à “crítica roedora dos ratos”, estes textos só foram conhecidos e interpretados pelos estudiosos mundo à fora mais de 80 anos depois da sua elaboração, consagrando uma leitura que via neles o desenvolvimento sistemático de um “materialismo histórico-dialético”. As considerações dos autores acerca da oposição entre cidade e campo, assim, longe de uma apreciação nos termos de uma tentativa de descortinar as condições reais de produção da vida humana material, foi entendida como parte de um sistema principiológico de análise da história humana. Na contramão da sistematização dos textos de Marx e Engels, o presente trabalho pretende abrir novos caminhos interpretativos acerca das considerações presentes em A ideologia alemã, tentando deixar claro nelas os nexos entre a oposição cidade-campo e as condições de produção da vida humana material. Por um lado, é uma primeira tentativa de leitura dos escritos de 1845-1847 que tem em consideração seu estatuto próprio e seu estado inacabado, por outro, é uma nova apreciação dos comentários interpretativos que deles se fez no século passado – em especial, dos de Henri Lefebvre a respeito da oposição campo-cidade.

Abstract

Between 1845 and 1847, Karl Marx and Friedrich Engels drafted the manuscripts that the 20th century would come to call The German Ideology. As part of their shared project – namely, to settle accounts with neo-Hegelian philosophy – they produced a set of manuscripts with a double intention: while refuting the possibility that changes in the world could occur through ideological acts – or acts of consciousness -, they also mobilize different categories taken critically from economic-politics to explain the real production of human life. Once abandoned, in Marx’s words, to the “gnawing criticism of the mice”, these texts were only known and interpreted by scholars worldwide more than 80 years after their creation, consecrating a reading that saw in them the systematic development of a “historical-dialectical materialism”. The author’s considerations regarding the opposition between city and countryside, thus, far from an assessment in terms of an attempt to uncover the real conditions of production of material human life, were understood by the scholars as part of an principiologic system of analysis of human history. Contrary to the systematization of Marx and Engels’s texts, this work aims to open new interpretative paths regarding the considerations present in The German Ideology, aiming to clarify the connections between the city-country opposition and the conditions of production of material human life. On one hand, it is a first attempt to read the writings of 1845-1847 while taking into account their specific status and their unfinished state; on the other, it is a new appreciation of the interpretative commentary made on them in the last century – in particular, the ones by Henri Lefebvre regarding the country-city opposition.

Assunto

Direito - Filosofia, Marx, Karl, 1818-1883, Engels, Friedrich, 1820-1895

Palavras-chave

Marx, Engels, Oposição cidade-campo

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