Associação entre rigidez arterial e função renal em adultos do ELSA-Brasil
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
INTRODUÇÃO: A Doença Renal Crônica (DRC) é considerada um problema de saúde pública mundial devido ao crescimento de sua incidência nas últimas duas décadas e seu impacto na morbimortalidade da população acometida. A rigidez arterial, um importante marcador subclínico de risco cardiovascular e hipertensão arterial (HAS), está aumentada em pacientes com DRC e é um forte preditor de mortalidade nestes indivíduos. Entretanto, a relação fisiopatológica entre rigidez arterial e disfunção renal não está inteiramente estabelecida especialmente entre indivíduos saudáveis sem diagnóstico de HAS e diabetes (DM). OBJETIVOS: Investigar a associação entre a velocidade de onda de pulso (VOP) e a função renal em adultos livres de doenças cardiovasculares na coorte do ELSA-Brasil (2008-2010) e verificar se esta associação se mantém significante entre participantes livres de HAS e DM. MÉTODOS: Foram elegíveis para análise todos os servidores com idade entre 35 a 74 anos que participaram da linha de base do ELSA-Brasil, realizada entre 2008 e 2010 livres doença cardiovascular estabelecida. O ELSA é um estudo prospectivo multicêntrico desenvolvido em instituições de ensino superior e pesquisa em seis estados brasileiros. As variáveis resposta foram taxa de filtração glomerular (TFG), razão albumina/creatinina (RAC) e DRC. A variável explicativa foi a rigidez arterial, mensurada pela VOP. As variáveis para ajuste foram sexo, idade, cor da pele, renda per capita, tabagismo, razão colesterol total/hdl, hemoglobina glicada, índice da massa corporal, DM, pressão arterial sistólica, frequência cardíaca e uso de medicamento anti-hipertensivo. A associação do VOP com a função renal foi investigada na população total e em subgrupo livre de HAS e DM. Odds ratios (OR) e intervalo de 95% de confiança foram obtidos por regressão logística para avaliar a associação entre VOP e os três desfechos de interesse: TFG baixa (<60 ml/min/1,73m²; sim/não), RAC alta (>30mg/g; sim/não) e presença de DRC (sim/não). RESULTADOS: O aumento de 1m/s da VOP foi associado ao aumento de 10% na chance de apresentar baixa TFG, 10% na chance de ter RAC alta e 12% na chance de apresentar DRC, mesmo após considerar o ajuste por fatores sociodemográficos, comportamentais e clínicos. No subgrupo de participantes sem HAS e DM, a magnitude da associação entre VOP e baixa TFG, RAC aumentada e DRC foi discretamente maior: o incremento de 1 m/s na média da VOP, aumentou as chances de apresentar TFG baixa, RAC alta e DRC em 19%, 20% e 21%, respectivamente. CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que o aumento da rigidez arterial está associado à baixa TFG, RAC e DRC e mostrou que esta associação persiste em indivíduos livres de doença cardiovascular, DM e HAS. Essa associação permaneceu mesmo após ajustes por um amplo conjunto de fatores de risco clínicos e comportamentais, sugerindo haver uma relação entre a rigidez arterial e a disfunção renal que não é mediada pela presença de HAS e DM. Isso reforça a importância de conhecer o papel da rigidez arterial como fator de risco subclínico precoce para DRC e pode contribuir para melhorar a prevenção da doença.
Abstract
Assunto
Insuficiência renal crônica, Rigidez vscular, Taxa de filtração glomerular, Albuminas, Creatinina, Estudos longitudinais, Dissertação acadêmica
Palavras-chave
Rigidez arterial, Taxa de filtração glomerular, Razão albumina/creatinina, Doença renal crônica, ELSA-Brasil, Estudo transversal