Mulheres na educação tecnológica brasileira: relações de gênero na atuação de profissionais técnicas de nível médio
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
A participação feminina nos cursos tem aumentado significativamente no Brasil, tendo o número de
matrículas de mulheres superado a de homens na década de 2000 , porém o relatório Gender and
education for all the leap to equality: EFA global monitoring report 2003/41 divulgado pela Unesco
evidencia a tendência mundial à igualdade de acesso ao ensino pós‐secundário, porém aponta os padrões
de escolha realizados pelas mulheres como uma questão fundamental a ser discutida para que se possa
alcançar a igualdade de gênero. Na realidade brasileira persiste a tendência das alunas se concentrarem
em determinadas áreas do conhecimento em detrimento de outras. As áreas gerais de formação com
maior concentração feminina são, segundo o IBGE (2014, p.107), as com ocupações de menor
remuneração média no mercado de trabalho e que mais se afastam da visão do senso comum de Ciência e
Tecnologia. Para contribuir com o desvelamento das escolhas das alunas por essas áreas de atuação em
detrimento de outras mais “tecnologizadas” é necessário conhecer a forma como essas mulheres se
percebem e se relacionam com suas construções sobre a formação profissional, inserção e atuação no
mundo do trabalho. Conforme esclarece Hirata (2002, p. 23) as pesquisas sobre o mundo do trabalho, em
sua grande maioria são realizadas sob uma perspectiva que não leva em conta as relações de gênero e o
sexismo presente nessas relações sociais, tratam‐se de pesquisas gender‐blinded. A autora afirma ainda
que essa tendência das pesquisas, em realizar generalizações partindo de um ponto de vista masculino,
pode induzir ao erro, uma vez que ações de formação profissional não têm “a mesma amplitude nem o
mesmo alcance, e tampouco a mesma significação para as mulheres e para os homens” (HIRATA, 2002, p.
224) deixando de explorar a possibilidade de o espaço de formação contribuir para a visão da “pseudo
incompetência técnica” feminina. É perceptível o avanço feminino na educação, porém ele não ocorre de
forma homogênea. Em se tratando da Educação Profissional e Tecnológica, que tem uma interface direta
com o mundo do trabalho, é possível perceber como o sexismo interfere e lança seus padrões sobre a
formação profissional. Especificamente na educação técnica é possível perceber uma clara divisão entre as
áreas de atuação tradicionalmente impostas às mulheres e a desvalorização desses grupamentos. Para que
se possam criar estratégias para a mudança dessa realidade é necessário que sejam feitas análises mais
detalhadas e atualizadas, levando em conta a dualidade entre trabalho e educação, traçando a trajetórias
das mulheres que se encontra em cada área, tanto as que permanecem no local a elas historicamente
destinado, quanto as que quebram esse ciclo, ponderando sobre como esse fenômeno contribui para a
mudança de ideias e ruptura com os modelos tradicionais.
Abstract
Assunto
Educação, Divisão sexual do trabalho, Educação Tecnológica, Relações de Gênero
Palavras-chave
Citação
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Curso
Endereço externo
http://https://media.wix.com/ugd/8c63f4_129cc0408ffe47eca9bc6e89ea11eb5e.pdf