Adversidades familiares na infância, depressão e tabagismo na vida adulta: resultados do ELSA-Brasil
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Resumo
Introdução: As Experiências Adversas na Infância (EAIs), incluindo as adversidades no ambiente familiar, são muito frequentes em todo o mundo e têm impacto profundo e duradouro na saúde e no bem-estar ao longo da vida. Compreender a relação entre EAIs e desfechos deletérios na vida adulta em diferentes populações é crucial, especialmente considerando o potencial efeito cumulativo dessas experiências. Objetivos: Esta tese teve como objetivo investigar as associações entre exposição a adversidades familiares específicas na infância e a existência de um gradiente dose-resposta entre o número dessas exposições com a depressão em 3 visitas de seguimento e comportamentos relacionados ao uso do tabaco em uma coorte de adultos brasileiros. Métodos: Os resultados foram apresentados no formato de dois artigos científicos. Artigo 1) Foram elegíveis 12.636 participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) presentes na terceira visita de entrevistas e exames (2017-2019). Cinco adversidades familiares na infância selecionadas aferidas pelo Adverse Childhood Experiences International Questionnaire (ACE-IQ) e o escore de adversidades familiares (0, 1 e 2 ou mais) foram as variáveis explicativas. O desfecho depressão em três visitas foi aferido com o Clinical Interview Schedule-Revised (CIS-R) e modelos de regressão multinomial estimaram Odds Ratios (OR) com intervalos com 95% de confiança (IC 95%) brutos e ajustados entre cada adversidade familiar e o escore de adversidades familiares na infância e as varáveis. Artigo 2) Foram elegíveis 12.630 participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) presentes na terceira visita de entrevistas e exames (2017-2019). Quatro adversidades familiares na infância aferidas pelo Adverse Childhood Experiences International Questionnaire - ACE-IQ, e um escore de frequência de adversidades (0, 1, 2, 3 ou mais) foram as variáveis explicativas. Os comportamentos relacionados ao uso do tabaco foram: status atual do tabagismo, tabagismo na vida, idade de início do tabagismo, número de cigarros fumados por dia, tempo de tabagismo em anos e carga tabágica em anos-maço. Modelos de regressão multinomial (status do tabagismo, idade de início do tabagismo e número de cigarros por dia) e binária (variável resposta tabagismo na vida) estimaram Odds Ratios (OR) com intervalos com 95% de confiança (IC 95%) brutos e ajustados entre cada adversidade familiar e o escore de adversidades familiares na infância e as varáveis. Modelos lineares generalizados com distribuição gama estimaram a magnitude da associação, expressa pela razão das médias aritméticas (RMA) e intervalos com 95% de confiança (IC 95%) entre as exposições e as variáveis resposta tempo de tabagismo e a carga tabágica. Resultados: Artigo 1: Média etária foi 59,6 anos (DP=8,8), 7,4% apresentaram depressão em 1 e 2,2% e em 2 ou 3 visitas. Após ajustes, comparado à ausência de adversidade familiar, a presença de transtorno mental (OR:3,91; IC95%: 2,94;5,21), abuso de substâncias (OR:2,14; IC95%: 1,65; 2,77) e separação parental (OR:1,55; IC95%: 1,12; 2,15) elevaram as chances de depressão em 2 ou 3 visitas. Exposições a 2 ou mais adversidades familiares aumentaram as chances de depressão em 1 e em 2 ou 3 visitas, com gradiente dose-resposta. Morte parental não foi associada aos desfechos. Artigo 2: 9% fumavam, 30,3% eram ex-fumantes, 39,3% já havia fumado alguma vez na vida, 10,9% iniciaram o tabagismo até os 14 anos de idade, 14,7% fumavam mais de 20 cigarros por dia. Abuso de substâncias no ambiente familiar, transtorno mental, encarceramento/condenação e separação parental foram associados a maiores chances de tabagismo na vida, status do tabagismo, iniciação do tabagismo até os 14 anos de idade e número de cigarros/dia. Identificou-se gradiente dose-resposta na associação do escore de adversidade familiar e esses comportamentos. Encarceramento/condenação e separação dos pais não foram associados a carga tabágica e ao tempo de tabagismo. Conclusão: Nossos resultados confirmam a associação das adversidades no ambiente familiar na infância tanto com a ocorrência e a recorrência de depressão na vida adulta, quanto com comportamentos relacionados ao tabagismo na vida adulta. Os achados confirmam que o acúmulo de adversidades familiares na infância apresenta uma associação dose-resposta com a depressão e comportamentos relacionados ao uso do tabaco.
Abstract
Introduction: Adverse Childhood Experiences (ACEs), including adversities in a
dysfunctional family environment, are highly prevalent worldwide and have a profound
and lasting impact on health and well-being throughout life. Understanding the
relationship between ACEs and deleterious outcomes in adulthood across different
populations is crucial, especially considering the potential cumulative effect of these
experiences.
Objectives: This thesis aimed to investigate the associations between exposure to specific
childhood adversities related to dysfunctional family environments and the existence of a
dose-response gradient between the number of these exposures and depression in three
follow-up visits, as well as tobacco-related behaviors in a cohort of Brazilian adults.
Methods: The findings were presented in the form of two scientific articles.
Article 1: A total of 12,636 participants from the Brazilian Longitudinal Study of Adult
Health (ELSA-Brasil) who attended the third wave of interviews and examinations
(2017–2019) were eligible. Five childhood adversities related to dysfunctional family
environments, assessed using the Adverse Childhood Experiences International
Questionnaire (ACE-IQ), and a family adversity score (0, 1, and 2 or more) were the
explanatory variables. The outcome of this study was depression across three visits,
assessed using the Clinical Interview Schedule-Revised (CIS-R). Multinomial regression
models estimated crude and adjusted Odds Ratios (OR) with 95% confidence intervals
(95% CI) for each childhood family adversity and the family adversity score.
Article 2: A total of 12,630 participants from ELSA-Brasil who attended the third wave
of interviews and examinations (2017–2019) were eligible. Four childhood family
adversities assessed using the Adverse Childhood Experiences International
Questionnaire (ACE-IQ), and an adversity frequency score (0, 1, 2, 3, or more) were the
explanatory variables. Tobacco-related behaviors included smoking status, lifetime
smoking, age at smoking initiation, number of cigarettes smoked per day, duration of
smoking in years, and smoking pack-years. Multinomial regression models (for smoking
status, age at smoking initiation, and number of cigarettes per day) and binary regression
models (for lifetime smoking) estimated crude and adjusted ORs with 95% CI for each
childhood family adversity and the family adversity score. Generalized linear models with
a gamma distribution estimated the magnitude of the associations, expressed as the ratio
of arithmetic means (RAM) and 95% CI, for smoking duration and smoking pack-years.
Results: Article 1: The mean age was 59.6 years (SD = 8.8); 7.4% had depression in one
visit, and 2.2% in two or three visits. After adjustments, compared to the absence of
childhood family adversity, the presence of parental mental illness (OR: 3.91; 95% CI:
2.94–5.21), substance abuse (OR: 2.14; 95% CI: 1.65–2.77), and parental separation (OR:
1.55; 95% CI: 1.12–2.15) increased the likelihood of depression in two or three visits.
Exposure to two or more family adversities increased the likelihood of depression in one
visit and in two or three visits, showing a dose-response gradient. Parental death was not
associated with the outcomes. Article 2: A total of 9% were current smokers, 30.3% were
former smokers, and 39.3% had smoked at least once in their lifetime. Among
participants, 10.9% initiated smoking by age 14, and 14.7% smoked more than 20
cigarettes per day. Substance abuse in the family environment, parental mental illness,
incarceration/conviction, and parental separation were associated with higher odds of
lifetime smoking, smoking status, early smoking initiation (by age 14), and number of
cigarettes per day. A dose-response gradient was identified in the association between the
family adversity score and these behaviors. Incarceration/conviction and parental
separation were not associated with smoking pack-years or smoking duration.
Conclusion: Our findings confirm the association between childhood adversities in the
family environment and both the occurrence and recurrence of depression in adulthood,
as well as tobacco-related behaviors in adult life. The results support that the
accumulation of childhood family adversities exhibits a dose-response association with
depression and tobacco-related behaviors.
Assunto
Experiências Adversas da Infância., Família, Depressão, Tabagismo, Saúde Pública, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Experiências adversas na infância, Adversidades familiares na infância, Depressão, Tabagismo, ELSA-Brasil