Limites e dissonâncias da razão comunicativa: uma crítica a partir do Problema da estética
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Eduardo Soares Neves Silva
Giorgia Cecchinato
Ricardo José Corrêa Barbosa
Amós Nascimento
Giorgia Cecchinato
Ricardo José Corrêa Barbosa
Amós Nascimento
Resumo
A crítica da razão é tão antiga quanto ela mesma, pois a razão não passa disso: a capacidade de pôr as coisas em suspenso, subtrair-lhes a obviedade, exigir-lhes fundamento, como se exige de um proprietário o seu título de propriedade. Em torno da metade do século XX, esta crítica parece ter esgotado as possibilidades de serenovar, o que estimulou pensadores como Jürgen Habermas à formulação de um conceito ampliado ou enriquecido de razão, que teria essencialmente duas vantagens sobre o modelo ultrapassado. A primeira diz respeito à aptidão desta figura renovada da razão para incluir o outro excluído da razão centrada na subjetividade, a saber, a experiência estética. A segunda incide sobre o modo como esta inclusão é realizada a partir de uma incorporação da razão à linguagem, conseqüentemente através de uma lingüistificação da experiência estética. A presente tese propõe-se a investigar como esta estratégia conceitual, embora justificada, esbarra em limites que, a rigor, não deveriam ser imputados à própria racionalidade. Arazão comunicativa, portanto, não deveria ser passível de uma crítica autofágica, algo assim como uma dialética negativa. Porém, na medida em que ela precisa levar em consideração o potencial cognitivo destes limites impostos pela linguagem que abre o mundo, ela interioriza pressupostos normativos dissonantes consigo mesma. Uma vez que a experiência coma arte oferece o exemplo mais claro deste potencial, sem deixar de levantar uma pretensão racional específica, ela tem a prerrogativa metodológica de permitir uma crítica à razão comunicativa que não se torna auto-referente, mas que se coloca a partir de um problema: o problema da estética.
Abstract
The critique of reason is as old as herself, because reason is just that: the ability to put things on hold, to snatch away from them the obviousness, and to require them to plea, as required of an owner your title. Around the middle of the twentieth century, this criticism seems to have exhausted the possbilities of renewal, what stimulated thinkers such as Jürgen Habermas to formulate a broadened or enriched concept of reason, which would essentially have two advantages over the outdated model. The first one concerns the aptitude of this renewed figure of reason to include the other of the subject-centered reason, namely the aesthetic experience. The second one focuses on how this inclusion is accomplished by an incorporation of reason into language, therefore through a linguistification of aesthetic experience. The present thesis proposes to investigate how this conceptual strategy, although justified, comes up against limits, which, striclty speaking, should notbe imputed to rationality itself. Communicative reason should therefore not be susceptible to an autophagic critique, something like a negative dialectics. However, insofar asit must take into account the cognitive potential of these limits imposed by a world-disclosing language, it internalizes dissonant normative assumptions. Since the experience with art offersthe clearest example of this potencial, while raising a specific rational claim, it has the methodological prerogative to allow a critique of communicative reason which does not become self-referential, but which has been put from a problem: the problem of aesthetics.
Assunto
Habermas, Jurgen, 1929-, Filosofia, Heidegger, Martin, 1889-1976, Estética
Palavras-chave
Heidegger, Abertura de mundo, Habermas, Razão comunicativa, Estética