Nicas, nonadas, tutameíces: o percurso da letra na obra de Guimarães Rosa

dc.creatorEdson Santos de Oliveira
dc.date.accessioned2019-08-12T05:27:11Z
dc.date.accessioned2025-09-09T01:18:24Z
dc.date.available2019-08-12T05:27:11Z
dc.date.issued2008-03-07
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/ECAP-7CLF4Q
dc.languagePortuguês
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectPsicanálise e literatura
dc.subjectOpacidade
dc.subjectTranstextualidade
dc.subjectRosa, Joao Guimarães, 1908-1967 Linguagem
dc.subjectRosa, João Guimarães, 1908-1967 Critica textual
dc.subjectRosa, João Guimarães, 1908-1967 Crítica e interpretação
dc.subjectRosa, João Guimarães, 1908-1967 Personagens
dc.subjectLiteratura
dc.subjectPersonagens literários
dc.subject.otherconsciência da letra
dc.subject.otherJacques Lacan
dc.subject.otherBarthes e Blanchot
dc.subject.otherGuimarães Rosa
dc.titleNicas, nonadas, tutameíces: o percurso da letra na obra de Guimarães Rosa
dc.typeTese de doutorado
local.contributor.advisor1Ana Maria Clark Peres
local.contributor.referee1Rachel Esteves Lima
local.contributor.referee1Silvana Maria Pessoa de Oliveira
local.contributor.referee1Ram Avraham Mandil
local.contributor.referee1Heloisa Fernandes Caldas Ribeiro
local.description.resumoDialogando com a noção de letra de Jacques Lacan e com proposições sobre a escrita de Barthes e Blanchot, procuramos demonstrar que há em Guimarães Rosa uma "consciência da letra", ou , em outros termos, um programa estético de investimento na letra. O projeto rosiano se confirma nas correspondências do escritor mineiro com seus tradutores, trabalho em que Rosa aposta nos aspectos sonoros e visuais não só da palavra e da frase, mas até mesmo nos fonemas e no espaço em branco, apontando já para uma escrita sintonizada com a visualidade e a materialidade sonora. Percebemos que desde Sagarana, passando por Corpo de baile, Primeiras estórias, Estas estórias e Tutaméia, Guimarães Rosa vai construindo uma escrita que, se por um lado se aproxima da noção lacaniana de letra, tem também suas peculiaridades. Em Sagarana e Corpo de baile, o escritor mineiro já cria narrativas direcionadas para a letra, mas ainda prioriza o significado, embora faça ligeiros esboços de uma escrita que já tende para os limites da representação. A partir de Primeiras estórias, Rosa começa a condensar seu texto, principalmente em algumas metanarrativas (Partida do aldaz navegante, O espelho) e contos de memória (Nenhum, nenhuma). Esse processo vai sendo apurado em Grande sertão: veredas e em Estas estórias. Nessa última obra já há contos com uma significativa fragmentação, como se pode constatar em Páramo, Meu tio,o Iauaretê e A estória do homem do Pinguelo. No entanto, é em Tutaméia que Guimarães Rosa vai construir narrativas mais embaçadas, como Mechéu, Lá nas campinas, Zingaresca além de outras, realçando elementos que escapam ao escrito como o gesto, o toque, a voz, o som e a imagem. Para isso, ele constrói textos extremamente concentrados e seu processo de construção é explicitado nos quatro prefácios das Terceiras estórias, paratextos que, juntamente com algumas epígrafes, sinalizam para uma escrita próxima do silêncio, associando o oral ao escrito, a voz à imagem. Nesse processo, a linguagem deixa de ser uma mera reprodução do som, mas é enfocada na sua plenitude, não se atendo ao significado, mas entrando na categoria do verbivocovisual. À medida que avança, a escrita rosiana vai sofrendo um significativo processo de redução não só da linguagem, mas também da imagem. Esse processo está sintonizado com as últimas pesquisas de Lacan, quando tentou estabelecer relações entre o vazio do Taoísmo, a plasticidade e a flexibilidade do ideograma com o caráter inominável do Real. Optando pela ilegibilidade, mostrando que a linguagem não foi feita apenas para a comunicação, Rosa cria assim um texto opaco e ilegível, convidando o leitor a entrar nesse gozo da linguagem. Mais do que um escritor, ele é também um artista gráfico.
local.publisher.initialsUFMG

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