Matriciamento em saúde mental: a concepção dos profissionais das Unidades Básicas de Saúde de Belo Horizonte sobre o processo de integração entre saúde mental e atenção primária
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
Introdução: A compreensão de que o cuidado em saúde mental deve estar
incorporado às estratégias de promoção e proteção da saúde na atenção primária
ainda é um processo em construção. O matriciamento surge como uma nova lógica
de atenção em saúde que busca aproximar as equipes de saúde da família e as
equipes de saúde mental com o intuito de oferecer cuidado integral ao usuário.
Objetivo: Avaliar a percepção dos profissionais de saúde da atenção primária do
município de Belo Horizonte sobre o apoio matricial em saúde mental, em três
níveis: compreensão do conceito, mudanças na prática clínica e principais entraves
à sua efetivação. Metodologia: Estudo transversal quantitativo realizado através de
entrevistas semiestruturadas com profissionais da atenção primária em 45 Centros
de Saúde dos nove distritos sanitários do município. Foi obtida amostra
probabilística por conglomerado em único estágio, totalizando 1.042 profissionais.
As entrevistas foram realizadas através de questionário autoaplicável, dividido em
dezesseis eixos temáticos, incluindo matriciamento em saúde mental. Foram obtidas
variáveis demográficas, variáveis relacionadas ao trabalho e ao matriciamento em
saúde mental, e submetidas a análises univariada, bivariada, regressão logística e
análise de correspondência. Os dados obtidos foram armazenados e analisados
utilizando o programa Statistical Package for Social Sciences - SPSS, versão 17.0.
Resultados: Entre os profissionais que participaram da pesquisa, 649 responderam
à questão “Descreva o que você entende por Matriciamento em Saúde Mental”, o
que corresponde a 62,3% da amostra. Destes, 25,9% das respostas foram
consideradas satisfatórias, 44,4% foram consideradas respostas parciais e 29,7%,
foram avaliadas como respostas ruins, totalizando 74,1% de respostas que não
contemplam a compreensão adequada do conceito. Apesar disso, 78,9% dos
profissionais afirmaram que as reuniões de matriciamento contribuíram para
mudanças em sua prática. O modelo de regressão logística mostrou que, quando o
profissional não compreende o conceito de matriciamento em saúde mental, tem
45% menos chances de mudar a prática e que, quando está insatisfeito em seu
trabalho, as chances de mudança na prática diminuem em 69,2%. Por meio da
análise de correspondência, os profissionais que apresentaram uma compreensão
satisfatória do conceito relacionaram as dificuldades de efetivação do matriciamento
às limitações dos profissionais da ESF. Já aqueles que possuem compreensão
parcial/ruim do conceito atribuíram as dificuldades às limitações dos profissionais da
saúde mental, à estrutura do serviço, ao método utilizado nas reuniões de apoio
matricial e ao usuário. Considerações finais: A organização matricial em saúde
mental ainda não está incorporada de maneira efetiva ao funcionamento das UBS de
Belo Horizonte, e ainda persiste entre os profissionais a lógica de transferência do
cuidado ao especialista. A lógica matricial tem potencial para produzir a inclusão
social e atenção integral ao paciente em sofrimento mental, mas depende da
compreensão do conceito de matriciamento e da satisfação do profissional, o que
será possível por meio da educação permanente e da valorização dos
trabalhadores
Abstract
Assunto
Saúde Mental, Atenção Primária à Saúde, Centros de Saúde, Pessoal de Saúde, Satisfação no Emprego, Educação Continuada, Estudos Transversais
Palavras-chave
Saúde mental, Apoio matricial, Matriciamento, Atenção primária
Citação
Departamento
Endereço externo
Avaliação
Revisão
Suplementado Por
Referenciado Por
Licença Creative Commons
Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como Acesso Aberto
