Mieloma múltiplo: avaliação dos benefícios clínicos de medicamentos registrados no Brasil e no exterior de 2003 a 2024, e monitoramento de horizonte tecnológico.
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Multiple myeloma: evaluation of the clinical benefits of drugs approved in Brazil and internationally (2003–2024) and technological horizon scanning.
Primeiro orientador
Membros da banca
Marina Guimarães Lima
Paula Lana de Miranda Drummond
Paula Lana de Miranda Drummond
Resumo
O mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia hematológica rara, cuja sobrevida dos pacientes tem sido progressivamente ampliada em função dos avanços terapêuticos recentes. Por se tratar de uma doença incurável e uma necessidade clínica não atendida, as decisões regulatórias assertivas e o desenvolvimento contínuo de novas estratégias terapêuticas fazem-se de suma importância para a disponibilização de terapias cada vez mais seguras e eficazes. Diante disso, o presente estudo teve por objetivos avaliar o benefício clínico dos novos medicamentos aprovados para o tratamento do MM entre 2003 e 2024, e realizar o monitoramento do horizonte
tecnológico da neoplasia. Para a análise de benefício clínico utilizou-se a Escala de Magnitude de Benefício Clínico da European Society for Medical Oncology para Neoplasias Hematológicas (ESMO-MCBS: H v1.1), considerando-se os estudos pivotais submetidos às agências do Brasil (Anvisa), dos Estados Unidos (Food and Drug Administration) e da Europa (European Medicines Agency) no momento da aprovação das novas terapias. Para o monitoramento de horizonte tecnológico analisou-se os ensaios clínicos registrados nas bases ClinicalTrials.gov (CTGR) e Cortellis Drug Discovery Intelligence (CDDI), entre 2014 e 2024.
Foram identificados 17 novos medicamentos aprovados tanto pela EMA quanto pela FDA, sendo a maioria submetidos às agências com base em estudos de braço único (64,7% e 70,6%, respectivamente). Além disso, observou-se o uso recorrente de vias de aprovação aceleradas (23,5% na EMA e 64,7% na FDA). A Anvisa aprovou apenas 12 novos medicamentos, no mesmo período, dos quais 7 foram registrados de forma prioritária. Agentes biológicos predominaram entre as terapias aprovadas (52,9%). No entanto, a avaliação do benefício clínico com base na ESMO-MCBS: H v1.1 revelou que apenas 4 medicamentos (23,5%) apresentaram
benefício relevante. Além disso, as aprovações pela Anvisa ocorreram com mediana de atraso de 11 e 19 meses em relação à EMA e FDA, respectivamente, sendo os tempos mais curtos associados a agentes biológicos (p = 0,008), anticorpos monoclonais (p = 0,035) e à designação de Terapia Inovadora (p = 0,031). A análise do horizonte tecnológico evidenciou uma transformação no perfil das pesquisas clínicas em MM. Foram triados 5.984 ensaios na base CDDI e 1.936 na CTGR, resultando em 234 e 355 estudos ativos elegíveis, respectivamente. A maioria pertencia a fase I (48,7% na CDDI; 50,4% na CTGR) e investigava agentes biológicos
(77,4% na CDDI; 71,8% na CTGR). Destacaram-se as terapias celulares, em especial os produtos de células CAR-T (n = 89 na CDDI; n = 110 na CTGR). Observou-se um crescimento expressivo nos registros de estudos na CTGR (APC = 1,81/ano; p = 0,0189) e no número de ensaios ativos na última década (APC = 18,56/ano; p < 0,0001). Conclui-se que o cenário regulatório analisado esteve marcado pelo uso de vias aceleradas, muitas vezes com evidências clínicas limitadas no momento da aprovação. A Anvisa apresentou maior tempo para análise e aprovação em comparação às agências FDA e EMA. No entanto, os medicamentos aprovados no Brasil tiveram maior média de pontuação na escala ESMO-MCBS: H v1.1. Em relação ao acesso a novos medicamentos para MM no sistema público de saúde brasileiro (SUS), apenas 4 terapias foram avaliadas pela Conitec, das quais 2 foram incorporadas ao SUS, evidenciando barreiras significativas de acesso a essas inovações terapêuticas. Em paralelo, observou-se uma priorização crescente de terapias biológicas inovadoras, apontando para um futuro promissor, ainda que desafiador, no tratamento do MM.
Abstract
Multiple myeloma (MM) is a rare hematologic malignancy, and patient survival has progressively improved in recent years due to therapeutic advances. As an incurable disease and an unmet clinical need, effective regulatory decision-making and the continuous
development of new therapeutic strategies are crucial to ensuring the availability of increasingly safe and effective treatments. In this context, the present study aimed to assess the clinical benefit of newly approved drugs for MM between 2003 and 2024 and to conduct a horizon scanning analysis of emerging therapies for this disease. The clinical benefit was evaluated using the European Society for Medical Oncology–Magnitude of Clinical Benefit Scale for Hematological Malignancies (ESMO-MCBS:H v1.1), considering the pivotal trials submitted to the Brazilian Health Regulatory Agency (Anvisa), the U.S. Food and Drug Administration (FDA), and the European Medicines Agency (EMA) at the time of approval. Horizon scanning was performed based on clinical trials registered in the ClinicalTrials.gov (CTGR) and Cortellis Drug Discovery Intelligence (CDDI) databases between 2014 and 2024. A total of 17 new drugs
were identified as approved by both the EMA and FDA, most of which were based on singlearm studies (64.7% and 70.6%, respectively). Accelerated approval pathways were commonly used, with 23.5% of EMA approvals and 64.7% of FDA approvals falling under expedited programs. Anvisa approved only 12 new drugs during the same period, 7 of which were granted priority review status. Biological agents accounted for the majority of approved therapies (52.9%). However, clinical benefit analysis using the ESMO-MCBS:H v1.1 scale indicated that only 4 drugs (23.5%) demonstrated a meaningful clinical benefit. Furthermore, Anivsa approvals occurred with a median delay of 11 months compared to the EMA and 19 months compared to the FDA. Shorter review times were associated with biological agents (p = 0.008), monoclonal antibodies (p = 0.035), and therapies granted Breakthrough Therapy designation (p = 0.031). The horizon scanning analysis revealed a transformation in the clinical research landscape for MM. A total of 5984 trials were screened in the CDDI database and 1936 in CTGR, resulting in 234 and 355 eligible active studies, respectively. Most trials were phase I studies (48.7% in CDDI; 50.4% in CTGR) investigating biological agents (77.4% in CDDI; 71.8% in CTGR). Cellular therapies stood out, particularly CAR-T cell products (n = 89 in CDDI; n = 110 in CTGR). A significant increase was observed in trial registrations in CTGR (APC = 1.81/year; p = 0.0189) and in the number of active trials over the last decade (APC = 18.56/year; p < 0.0001). In conclusion, the regulatory landscape was characterized by the frequent use of accelerated pathways, often based on limited clinical evidence at the time of approval. Anvisa had longer review times compared to the FDA and EMA. Nonetheless, the
drugs approved in Brazil had a higher average score on the ESMO-MCBS:H v1.1 scale. Regarding access to newly approved MM therapies in the Brazilian public health system (SUS), only four therapies were evaluated by Conitec, and just two were incorporated into SUS, highlighting significant barriers to access for patients reliant on public healthcare. Meanwhile, there has been a growing prioritization of innovative biological therapies, pointing to a promising, though still challenging, future for the treatment of MM.
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Palavras-chave
Mieloma múltiplo, Terapias emergentes, Benefício clínico, Ensaios clínicos, Regulamentação de medicamentos
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