A agricultura ecológica sob o ângulo da qualidade de vida dos agricultores : abordagem comparativa entre duas regiões na França e no Brasil
Carregando...
Arquivos
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Michel Streith
Osmar Tomaz de Souza
Christophe Bénavent
José Antônio Souza de Deus
Osmar Tomaz de Souza
Christophe Bénavent
José Antônio Souza de Deus
Resumo
Após a Revolução Verde, iniciada na década de 1960, a agricultura tomou novos rumos
graças à introdução de tecnologias e práticas agrícolas modernas (modificação genética de
sementes, uso intensivo de insumos industriais, mecanização e redução de custo de manejo)
que permitiram intensificar a produção e a produtividade agrícola. Esse modelo de produção
conformou-se na agricultura convencional. No entanto, a menos de meio século de seu
desenvolvimento, este tipo de agricultura tem causado preocupações sobre o seu impacto no
meio ambiente e na saúde da população. Como uma proposta alternativa à agricultura
convencional, a agricultura ecológica, sob diversos nomes (Orgânica, Agroecológica,
Biologique, dentre outras) tem-se destacado no âmbito dos sistemas agroalimentares locais e
globais, tanto em termos de produção quanto em área e comercialização. Seu
desenvolvimento tem se sustentado por um mercado de investimentos econômicos,
representado por grandes empresas agroalimentares e por pequenos agricultores, que
converteram suas áreas para uma maneira ecológica de produção. Diante desse contexto, a
inclusão ou adesão dos pequenos agricultores a esse tipo de agricultura motiva uma
investigação na esfera social. Assim, a proposta dessa tese é trazer uma reflexão acerca da
sustentabilidade social dos agricultores, cuja questão: “A agricultura ecológica é uma solução
sustentável para todos?” surge com uma perspectiva social sobre as condições de vida e de
trabalho do agricultor familiar brasileiro, e do paysan francês, investidos na prática da
horticultura ecológica, especificamente dos horticultores das regiões metropolitanas de Belo
Horizonte (Brasil) e da Île-de-France (França). Este questionamento recai sobre a ideia de
“sustentabilidade”, compreendida não somente sob o aspecto da preservação do meio
ambiente e dos ecossistemas, mas também relacionada ao tecido social e à Qualidade de Vida
(QV) dos indivíduos, nesse caso, os agricultores. Assim, a questão da QV dos agricultores –
onde a auto estima e a satisfação profissional estão intrissicamente ligadas às relações sociais
e à organização do espaço em que eles se inserem – é analisada. Os resultados mostram,
dentre outros, que a permanencia das unidades de produção depende das condições dadas aos
seus proprietarios, tendo em conta as possibilidades deles desenvolverem um trabalho salubre
(sem risco para a saude), prospero (com um retorno financeiro satisfatório) e prazeiroso
(enquanto fonte de satisfação e de reconhecimento social). Nesta perspectiva, esta pesquisa
reafirma que a agricultura ecólogica é de fato sustentavel para todos quando as variaveis de
QV dos agricultores são potencializadas e incorporadas aos projetos de desenvolvimento
agricola local. Constatou-se que a relação entre os valores de QV e os contextos regionais
refletem nas capacidades dos agricultores em executar seus trabalhos, bem como, nos seus
sentimentos de prazer e de auto confiança, ou seja, sob seus Bem-estar pessoal e profissional.
As especificidades em torno das questões de Segurança Alimentar no contexto brasileiro
motivam futuras pesquisas em torno de politicas publicas a partir do modelo de gestão
utilizado na IDF, passiveis de serem adaptados à realidade da Região Metropolitana de Belo
Horizonte.
Abstract
After the Green revolution, which began in the years 1960, agriculture took new directions
thanks to the introduction of technologies and modern practices (genetic modification of
seeds, intensive use of manures, and mechanization of the farms) which made it possible to
intensify the production and raise the agricultural productivity. This model of production was
formed within the conventional agriculture. However, after less than one century of
development, this model of agriculture generated a number of concerns as well for its
environmental impact and as well on public health. As an alternative to the conventional
agriculture, the ecological agriculture - with its various denominations (Organic, Agro-
ecological, Biological, inter alia) - has created its own marks in terms of production and
marketing in local and global agro- alimentary systems. Its development was maintained
thanks to growing demand and investment of large agro- alimentary companies and family
farmers who converted their surfaces to an ecological mode of production. In this context, the
inclusion and the adhesion of the small farmers to this type of agriculture is the main
framework of this research. The thesis proposes therefore to carry out a reflection around the
social sustainability of the farmers with this main question: “Is ecological agriculture a
sustainable solution for all?” - which emerges within a social perspective through the analysis
of quality of life of Brazilian family farmers and the French peasants, actives within market-
gardening inside metropolitan regions of Belo Horizonte (Brazil) and the Metropolitan region
of the Ile-de-France (France). This questioning cross the idea of “sustainability”, understood
not only like safeguarding of the environment and the ecosystems, but also as taking into
account the "social factory" and the living conditions of the individuals, in this case, of the
farmers. Thus, the question of the quality of life (QOL) of the farmers – where self-esteem
and the job satisfaction are intrinsically related to the social relations and the organization of
the space of which they form part – is analysed.
The results show inter alia, that the permanence of the production units depends on the
conditions given to its owner, taking account of possibilities of developing a salubrious work
(without health risk), prosper (with a sufficient financial return) and pleasant (as a source of
satisfaction and social recognition). Our work reaffirms thus that ecological agriculture is in
fact sustainable for all when the variables of the QOL of the farmers are potentiated and
incorporated in the local agricultural development. In addition it's observed that the relation
between the values of the QOL and the regional contexts reflects as well in the capacities of
the farmers to carry their work as in their feelings of pleasure and self-confidence, i.e. of
personal and professional well being.
The specificities around the questions of food security in the Brazilian context direct the
future research towards arrangements of management strategies used in France and liable to
be adapted to the reality of the Belo Horizonte metropolitan region.
Assunto
Agricultura familiar, Qualidade de vida, Desenvolvimento sustentável, Ilha de França (França), Belo Horizonte, Região Metropolitana de
Palavras-chave
Agricultor familiar, Paysan, Qualidade de vida, Agricultura orgânica/biologique, Sistema agroalimentar, Sustentabilidade social
Citação
Departamento
Endereço externo
Avaliação
Revisão
Suplementado Por
Referenciado Por
Licença Creative Commons
Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como Acesso Aberto
