O intérprete de histórias inventadas: Minas Gerais setecentista na balança da musicologia
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
The interpreter of invented stories: 18th century Minas Gerais at musicology's scale
Primeiro orientador
Membros da banca
David John Cranmer
Rogério Budasz
Loque Arcanjo Júnior
José Newton Coelho Meneses
Rogério Budasz
Loque Arcanjo Júnior
José Newton Coelho Meneses
Resumo
Esta tese tem por objetivo compreender e avaliar as estratégias adotadas pela musicologia brasileira, ao longo do século XX e XXI, na elaboração de imaginários narrados acerca de uma Minas Gerais setecentista. Partindo de uma organização taxonômica não antagônica de fontes em grupos musicográficos e não-musicográficos, nesta tese são exploradas metodologias de tratamento informacional fundamentadas: por um lado, na recomposição editorial de manuscritos musicais e, por outro, na exploração contextual-significativa a partir de documentação cartorial, contábil-financeira, administrativa, jurídica e censitária relativa às práticas musicais em Minas Gerais ao século XVIII e primeiras décadas do XIX. Este percurso de compreensão foi estabelecido como meio de análise e abstração das características e direcionamentos das estruturas metodológico-procedimentais recorrentemente acionadas pela musicologia brasileira sobre o objeto aqui em tela. Dessa maneira, a tese se estrutura em quatro capítulos que seguem o itinerário conceitual escolher, editar, inventar e libertar, defendendo-se a reavaliação crítica da prática historiográfico-musicológica por meio da proposta de direcionamento a certo paradigma da liberdade inventiva, sendo o conceito de inventividade definido como integrante do processo narrativo, distante de premissas de ficcionalidade e assentado na elaboração de interlocus entre analista e objeto pela atividade de observar, traduzir e compreender. Especificamente, por reconhecer-se como parte integrante da atividade de reflexão dirigida, o vínculo estabelecido entre musicólogo/analista, fontes e suas relações com o processo de elaboração narrativa e prática historiográfico-musicológica. Desse modo, defende-se a tomada de consciência acerca da subjetividade como motor da elaboração da memória, como fio de coser imaginários, presente em campos procedimentais e metodológicos diversos. Por isso, adota-se a analogia de Eros e Midas como estratégia de compreensão da elaboração deste percurso em musicologia, sobre o recorte aqui assumido, entendido como administrado por um narciso taumaturgo. Por fim, indica-se que a possível alternativa a esta vinculação encontra-se no movimento de abertura a uma prática historiográfico-musicológica pluriverbal, que reconheça as suas bases subjetivas de constituição de imaginários e compreenda a liberdade inventiva como agenda musicológica.
Abstract
This doctoral dissertation aims to comprehend and evaluate the strategies used by Brazilian musicologists in constructing narratives about 18th-century Minas Gerais, during the 20th and 21st centuries. The thesis explores a set of methodologies that includes a non antagonistic taxonomic organization of sources, into musicographic and non-musicographic groups. The approach is based on two pillars: (1) editorial recomposition of musical manuscripts, and (2) contextual/significative exploration of notarial, accounting-financial, administrative, census, and legal documentation. Therefore, the thesis is structured into four chapters following the itinerary of conceptual nuclei named as choosing, editing, inventing, and liberating. It argues for the critical reassessment of historiographical musicological practice by proposing a direction toward a paradigm of inventive freedom. The concept of inventiveness is defined as an integral part of the narrative process, grounded in the construction of an interlocus between the analyst and object(s) through the activities of observation, translation, and comprehension. Moreover, the thesis recognizes the link between the musicologist/analyst, sources, their relationships with the narrative development, and historiographical-musicological practice as an integral part of critical analysis. It argues for the awareness of subjectivity as the engine of memory elaboration, as the thread sewing together imaginaries across various procedural and methodological fields. In this scenario, the analogy of Eros and Midas is used as a strategy to understand the development of this historiographical path in musicology, conceived as articulated by a thaumaturge Narcissus. In conclusion, the thesis suggests that a potential alternative to this musicological-narrative context lies in a movement towards a pluriverbal historiographical-musicological practice that acknowledges the analyst's self-subjective foundations in the constitution of imaginaries and, therefore, recognizes inventive freedom as an agenda for musicology.
Assunto
Musicologia, Música e história - Minas Gerais
Palavras-chave
Invenção, Minas Gerais setecentista, Musicologia, Editoração em música, Musicográfico, Não-Musicográfico