Aspectos epidemiológicos e fatores associados à esquistossomose no município de Baldim, Minas Gerais: identificação de áreas prioritárias para vigilância com abordagem One Health

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Editor

Universidade Federal de Minas Gerais

Descrição

Título de Doutor em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Parasitologia, com área de concentração em Epidemiologia das Doenças Infecciosas e Parasitárias.

Tipo

Tese de doutorado

Título alternativo

Epidemiological Aspects and Factors Associated with Schistosomiasis in the Municipality of Baldim, Minas Gerais: Identification of priority areas for surveillance with a One Health approach

Primeiro orientador

Membros da banca

Guilherme Silva Miranda
Elainne Christine de Souza Gomes
Ricardo José de Paula Souza e Guimarães
Fernando Abad Franch

Resumo

A esquistossomose é uma doença parasitária negligenciada, prevalente em países tropicais e que afeta, principalmente, populações de baixa renda e com condições precárias de saneamento básico. O município de Baldim, em Minas Gerais, é historicamente endêmico para a esquistossomose mansoni. Apesar de diferentes intervenções implementadas entre as décadas de 1950 e 1970, o município ainda apresenta notificações de casos no Sistema de Informação do Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose (SISPCE). Considerando a complexidade da transmissão e com base em achados de pesquisas anteriores, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda medidas integradas, como a abordagem WASH (água, saneamento e higiene) e o conceito de Saúde Única (One Health). A partir dessas recomendações esta tese visa descrever a situação atual da esquistossomose mansoni no município de Baldim sob uma perspectiva epidemiológica integrada. Na pesquisa humana, foram realizados exames em escolares do ensino fundamental e médio, por meio da análise de amostras fecais (seis lâminas por aluno, utilizando o método de Kato-Katz), além da análise de dados de pacientes diagnosticados pelo PCE entre 2008 e 2017. Os estudantes também responderam a questionários socioambientais (condições sanitárias e padrões de contato com a água) e participaram de uma avaliação pré e pós-exposição ao material educativo produzido neste estudo. Na pesquisa animal, foram realizadas seis campanhas de levantamento malacológico e avaliação da infecção em moluscos por trematódeos, com identificação taxonômica morfológica e biologia molecular. Também foram capturados e coletados pequenos mamíferos silvestres para exames coproparasitológicos e necropsias, com foco principal na detecção de S. mansoni. Na pesquisa ambiental, analisaram-se amostras de água dos locais com presença de moluscos, visando detectar Escherichia coli (indicador de contaminação fecal) e eDNA de S. mansoni por qPCR. A caracterização dos habitats foi realizada por meio de protocolo de avaliação rápida padronizado. As análises de saúde animal e ambiental foram realizadas em 10 pontos previamente selecionados, com base na utilização atual pelas comunidades locais e no histórico de intervenções de controle da esquistossomose realizadas entre as décadas de 1950 e 1970. A prevalência de esquistossomose entre escolares em 2023 foi de 2,78% (6/216), com baixa carga parasitária (OPG <100) e a taxa de positividade registrada entre 2008 a 2017 pela vigilância do município foi de 5,4%. Os questionários revelaram exposição frequente a corpos d’água, como lavar veículos (27,7%) e nadar (24,0%). Foram identificadas cinco espécies de Biomphalaria, sendo a espécie B. glabrata a mais comum. Dos 34 pequenos mamíferos capturados (18 Nectomys squamipes e 16 Didelphis albiventris) a maioria estava parasitada por nematoides, mas sem detecção de S. mansoni. O parasito também não foi detectado em caramujos, embora seu DNA tenha sido identificado em amostras ambientais por meio do eDNA. Todos os locais de coleta apresentaram impactos antropogênicos evidentes e contaminação por esgoto e/ou fezes de mamíferos. A intervenção educativa demonstrou impacto positivo: o conhecimento sobre a transmissão da doença aumentou de 58,2% para 95,7%; a identificação do caramujo como hospedeiro intermediário passou de 54,2% para 98,0%; e a percepção sobre os ambientes favoráveis à presença do caramujo subiu de 78,1% para 94,4%. Nas análises espaciais, a análise de Kernel permitiu identificar o padrão de distribuição das residências dos pacientes diagnosticados pelo PCE (n=665) ao longo de dez anos. A análise de Krigagem revelou as possíveis áreas de transmissão, integrando variáveis de saúde humana, saúde animal e saúde ambiental. Ambas as análises destacaram as áreas mais urbanizadas, como Centro, São Vicente, Vila Amanda e Vargem Grande, como prioritárias. Os achados indicaram que o município de Baldim ainda apresenta transmissão ativa de S. mansoni, com um perfil de baixa endemicidade e carga parasitária reduzida. A pesquisa reforça a necessidade de estratégias intersetoriais que considerem as interações entre saúde humana, animal e ambiental, a fim de subsidiar políticas públicas mais eficazes no monitoramento, controle e eliminação da esquistossomose.

Abstract

Schistosomiasis is a neglected parasitic disease prevalent in tropical countries, primarily affecting low-income populations with poor sanitation. The municipality of Baldim, in Minas Gerais, has historically been endemic for schistosomiasis mansoni. Despite various interventions implemented between the 1950s and 1970s, the municipality still reports cases in the Schistosomiasis Surveillance and Control Program Information System (SISPCE). Considering the complexity of transmission and based on previous research findings, the World Health Organization (WHO) recommends integrated measures, such as the WASH (water, sanitation, and hygiene) approach and the One Health concept. Based on these recommendations, this thesis aims to describe the current situation of schistosomiasis mansoni in the municipality of Baldim from an integrated epidemiological perspective. In the human research, examinations were performed on elementary and high school students through the analysis of fecal samples (six slides per student, using the Kato-Katz method), in addition to the analysis of data from patients diagnosed by the PCE between 2008 and 2017. The students also completed socio-environmental questionnaires (sanitary conditions and water contact patterns) and participated in a pre- and post-exposure assessment of the educational material produced in this study. In the animal research, six malacological survey campaigns and evaluation of trematode infection in molluscs were conducted, with morphological taxonomic identification and molecular biology. Small wild mammals were also captured and collected for coproparasitological examinations and necropsies, with a primary focus on detecting S. mansoni. In the environmental research, water samples from sites where molluscs were present were analyzed to detect Escherichia coli (an indicator of fecal contamination) and S. mansoni eDNA by qPCR. Habitat characterization was performed using a standardized rapid assessment protocol. Animal and environmental health analyses were performed at 10 previously selected sites, based on current use by local communities and the history of schistosomiasis control interventions carried out between the 1950s and 1970s. The prevalence of schistosomiasis among schoolchildren in 2023 was 2.78% (6/216), with a low parasite load (EPG <100). The positivity rate recorded between 2008 and 2017 by the municipal surveillance system was 5.4%. Questionnaires revealed frequent exposure to bodies of water, such as washing vehicles (27.7%) and swimming (24.0%). Five species of Biomphalaria were identified, with B. glabrata being the most common. Of the 34 small mammals captured (18 Nectomys squamipes and 16 Didelphis albiventris), most were parasitized by nematodes, but S. mansoni was not detected. The parasite was also not detected in snails, although its DNA was identified in environmental samples through eDNA. All collection sites showed evident anthropogenic impacts and contamination by sewage and/or mammal feces. The educational intervention demonstrated a positive impact: knowledge about disease transmission increased from 58.2% to 95.7%; the identification of the snail as an intermediate host increased from 54.2% to 98.0%; and the perception of environments favorable to the presence of the snail increased from 78.1% to 94.4%. In spatial analyses, Kernel analysis allowed us to identify the distribution pattern of the residences of patients diagnosed by PCE (n=665) over a ten-year period. Kriging analysis revealed potential transmission areas, integrating human, animal, and environmental health variables. Both analyses highlighted the most urbanized areas, such as Centro, São Vicente, Vila Amanda, and Vargem Grande, as priorities. The findings indicated that the municipality of Baldim still has active transmission of S. mansoni, with a low endemicity profile and reduced parasite load. The research reinforces the need for intersectoral strategies that consider the interactions between human, animal, and environmental health to support more effective public policies for monitoring, controlling, and eliminating schistosomiasis.

Assunto

Parasitologia, Saúde Única, Ecoepidemiologia, Schistosoma, Biomphalaria, Medicina Veterinária, Saúde Ambiental

Palavras-chave

Saúde única, Ecoepidemiologia, Schistosoma, Biomphalaria, Saúde animal, Saúde ambiental

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