Prevalência de depressão maior e fatores associados à morbidade depressiva em idosos com 75+ anos residentes na comunidade: estudo Pietà
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Leonardo Cruz de Souza
Fábio Lopes Rocha
Cleusa Pinheiro Ferri
Jerson Laks
Fábio Lopes Rocha
Cleusa Pinheiro Ferri
Jerson Laks
Resumo
Introdução: Dentre as condições psiquiátricas que podem acometer idosos, a
depressão maior é a mais prevalente. Contudo, dados referentes à morbidade
depressiva na população idosa brasileira ainda são escassos, em especial em
indivíduos com 75+ anos.
Objetivos: Avaliar a prevalência de sintomatologia depressiva na população
com 75+ anos da cidade de Caeté-MG e estudar associações entre depressão
e fatores sociodemográficos, clínicos e neuropsiquiátricos.
Métodos: Estudo transversal de base populacional realizado em 2007 e 2008.
Os participantes foram submetidos a ampla avaliação clínica, neurológica,
cognitiva e psiquiátrica. O diagnóstico de depressão maior (DM) baseou-se na
entrevista semiestruturada MINI e o de sintomas depressivos clinicamente
relevantes (SDCR) na escala de depressão geriátrica (GDS-15). A avaliação
cognitiva consistiu do Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), Bateria Cognitiva
Breve (BCB) e questionário de atividades funcionais de Pfeffer (FAQ).
Resultados: Foram entrevistados 639 indivíduos, sendo 409 mulheres e 230
homens, com idade média de 81,4 ± 5,2 anos e escolaridade de 2,7 ± 2,6 anos.
Dentre os 632 indivíduos com avaliação psiquiátrica completa, 70 foram
diagnosticados com DM (11,1%), e 146 (25,6%) apresentavam SCDR.
Indivíduos deprimidos, tanto com DM quanto com SCDR apresentavam piores
índices de qualidade de vida. DM se relacionou de maneira independente ao
histórico de quedas/fraturas, ao diagnóstico de declínio cognitivo/nãodemência,
ao número de medicamentos de uso regular, à ausência de hábito
de leitura e, inversamente, à pressão arterial sistólica.
A gravidade do quadro depressivo não sofreu influência de variáveis sóciodemográficas.
Ideação de morte/suicídio se mostrou mais frequente entre
homens (p=0,04), enquanto alteração psicomotora foi mais frequente entre
mulheres (p=0,04) e naqueles indivíduos com ≥ 4 anos de escolaridade
(p=0,039).
Comparados ao grupo sem transtorno do humor, indivíduos deprimidos
apresentaram resultados piores nos seguintes domínios do MEEM: orientação
temporal (p<0,001), orientação espacial (p=0,021), atenção/cálculo (p=0,019),
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linguagem (p=0,004) e escore total (p<0,001). Apresentaram ainda pior
desempenho nos itens memória incidental (p=0,011), memória imediata
(p=0,046) e aprendizado (p=0,039) do teste de figuras. Fluência verbal
semântica (p=0,006), desenho do relógio (p=0,011) e FAQ (p<0,001) também
mostraram diferenças entre os grupos.
Excluídos os indivíduos com síndrome demencial, 52 de 457 (11,4%)
indivíduos foram diagnosticados com episódio depressivo maior. Utilizando-se
o ponto de corte 5/6, 84 (18,4%) indivíduos foram considerados deprimidos
pela GDS-15 (Kappa = 53,8%, p<0,001) e a área sob a curva ROC encontrada
foi de 0,908 (p<0,001). O ponto de corte 4/5 atingiu a melhor combinação entre
sensibilidade (86,5%) e especificidade (82,7%) (Índice de Youden = 0,692),
com VPN de 0,9802 e VPP igual a 0,3819.
Conclusões: Os dados deste estudo corroboram que a depressão maior é
condição prevalente na população com 75+ anos, se associa a determinadas
características sócio-demográficas e clínicas, e cursa com prejuízos cognitivos.
Variáveis sócio-demográficas não se relacionaram à gravidade dos quadros
depressivos, mas gênero e nível educacional se associaram a perfis distintos
de sintomas. A GDS-15 mostrou-se um instrumento adequado para o rastreio
de depressão nesta população e o ponto de corte 4/5 mostrou-se mais
adequado à amostra estudada.
Abstract
Introduction: Among the psychiatric conditions that can affect older adults,
major depression is the most prevalent. However, data on depressive morbidity
among Brazilian elderly are still scarce, especially among the 75+ years-old.
Objectives: To evaluate the prevalence of depressive symptomatology and its
associations with sociodemographic, clinical and neuropsychiatric factors
among the 75+ years-old population of Caeté (MG).
Methods: Cross-sectional population-based study carried on between 2007 and
2008. Participants went through clinical, neuropsychiatric and cognitive
evaluations. Major depression (MD) was diagnosed through the MINI and
clinically significant depressive symptoms (CSDS) diagnosis was based on the
GDS-15. Cognitive evaluation comprised the Mini-mental state examination
(MMSE), the Brief cognitive battery (BCB) and Pfeffer´s functional activities
questionnaire (FAQ).
Results: We evaluated 639 individuals (409 women), with 81.4 ± 5.2 years of
age and 2.7 ± 2.6 years of schooling. Among the 632 individuals with a
complete psychiatric evaluation, 70 (11.1%) were diagnosed with MD and 146
(25.6%) with CSDS. Groups with both MD and CSDS showed lower quality of
life levels. MD was independently related to a history of falls/fracture, to a
diagnosis of cognitive impairment-no dementia, to the number of regularly used
drugs, to the absence of a reading habit and, inversely, to systolic blood
pressure.
Depression severity was not influenced by sociodemographic variables.
Death/suicide ideation showed to be more common among men (p=0.04), while
psychomotor disturbance appeared more frequently among women (p=0.04)
and among those with ≥ 4 years of education (p=0.039).
Compared to non-depressed individuals, those with MD scored lower on total
MMSE (p<0.001) and in some of its sub tests: temporal (p<0.01) and spatial
orientation (p=0.021), attention/calculation (p=0.019) and language (p=0.04).
They also showed poorer results on incidental (p=0.011), immediate (p=0.046)
and learning (p=0.039) memory tasks of the figure memory test as well as in
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category fluency test (p=0.006), the clock-drawing test (p=0.011) and the FAQ
(p<0.001).
Excluding individuals diagnosed with dementia, 52 of the remainder 457
(11.4%) were diagnosed with MD. Using the 5/6 cut-off score on the GDS-15,
84 (18.4%) subjects were considered depressed (Kappa = 53.8%, p<0.001),
which resulted in an area under the ROC curve of 0.908 (p,0.001). The 4/5 cutoff
point achieved the best combination of sensitivity (86.5%) and specificity
(82.7%) (Youden´s index = 0.692) with a NPV of 0.9802 and a PPV of 0,3819.
Conclusions: Our data support the notion that MD is a highly prevalent condition
among the 75+ years-old population, is associated to specific
sociodemographic and clinical characteristics and is accompanied by cognitive
deficits. Although sociodemographic variables had no influence of depression
severity, gender and educational level were related to distinct symptomatic
profiles. GDS-15 showed good accuracy as a screening tool for depression and
the 4/5 cut-off point achieved the best performance in this community-based
sample of low-educated 75+ years-old individuals.
Assunto
Depressão/epidemiologia, Envelhecimento, Idoso, Morbidade, Escolaridade, Cognição
Palavras-chave
Depressão maior, Depressão geriátrica, Idosos muito-idosos, Envelhecimento, Epidemiologia, Escolaridade, Gênero, Cognição, Fenomenologia