Fatores sociodemográficos, gestacionais, padrões alimentares e puerperais e a retenção de peso 12 meses pós-parto: um estudo de coorte

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Introdução: O cuidado e atenção à saúde da mulher são fundamentais em todos os ciclos da vida, especialmente durante a gravidez e o pós-parto, reconhecidos como período de risco para o desenvolvimento da obesidade. Uma das causas do excesso de peso em mulheres em idade reprodutiva é a retenção de peso pós-parto (RPPP) - diferença absoluta entre o peso pré gestacional e o peso pós-parto. Hábitos alimentares, fatores sociodemográficos e o ganho de peso gestacional parecem ser importantes determinantes para essa condição e precisam ser monitorados, tendo em vista os possíveis prejuízos da RPPP em longo prazo. Objetivo: Investigar a associação entre fatores sociodemográficos, gestacionais e puerperais e a retenção de peso 12 meses pós-parto. Métodos: Trata-se de uma coorte prospectiva que acompanhou puérperas em um hospital universitário de Belo Horizonte. As mulheres foram convidadas no puerpério imediato a participar de um atendimento nutricional durante o primeiro ano pós-parto (n=260 na linha de base). Foram coletadas informações sociodemográficas, dados relativos ao período gestacional (incluindo um questionário de frequência alimentar), dados antropométricos da mulher e peso ao nascer do bebê. O padrão alimentar materno foi determinado pela Análise de Componentes Principais. A retenção de peso pós-parto (peso 12 meses pós-parto - peso pré-gestacional autorrelatado) foi classificada como risco para obesidade se ≥7,5kg. Resultados: Participaram da análise de seguimento 75 mulheres, com média de 28,4 (IC95%: 27,0 – 29,7) anos de idade, 25,3% com RPPP excessiva, sendo em média 3,6kg (IC95%: 1.7 - 5,4kg). Foram identificados três padrões alimentares distintos, referentes ao período gestacional, respondendo por 33,14% da variância total. O Padrão 1, composto por pães, tubérculos e cereais, carnes e ovos, embutidos, industrializados e fast food, apresentou associação com a RPPP. O maior ganho de peso gestacional (β= 0,36; IC95%: 0,09 – 0,62), peso ao nascer do bebê (β= 0,01; IC95%: 0,01 – 0.01) e renda per capita (β= 0,01; IC95%: 0,01 -0,02) foram preditores da retenção de peso 12 meses pós-parto (p≥ 0,001) mesmo após ajustes para padrão alimentar 1, idade materna, paridade, aleitamento materno aos 12 meses pós-parto, tipo de parto, número de consultas pré-natal, atividade física puerperal. Conclusão: Houve elevada prevalência de RPPP aos 12 meses pós-parto entre as participantes do estudo, tendo como preditores, o maior ganho de peso gestacional, o peso ao nascer do bebê e a renda per capita. Os resultados denotam a importância do monitoramento do estado nutricional da mulher desde o pré-natal até o pós-parto, com oferta de orientações nutricionais e de prática de atividade física, apropriadas à renda e demais características sociodemográficas, a fim de possibilitar o ganho de peso gestacional adequado, acompanhar o peso do bebê e oportunizar o retorno ao peso pós-parto.

Abstract

Assunto

Saúde Materna, Período Pós-Parto, Fatores de Risco, Ganho de Peso na Gestação

Palavras-chave

Saúde materna, período pós-parto, fatores de risco, ganho de peso na gestação, retenção de peso pós-parto

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