Análise dos atendimentos e do fluxo de identificação de pacientes não identificados em um hospital público de ensino
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
Título alternativo
Analysis of the care and identification flow of unidentified patients in a public teaching hospital
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Resumo
Pacientes não identificados são os que chegam ao pronto-socorro (PS) sem documentos de
identificação, impossibilitando a confirmação de sua identidade antes do atendimento inicial, o
que, na maioria das vezes, demanda ações precoces. Tal fato desafia o cuidado devido à
ausência de histórico de saúde, elevando o risco de eventos adversos e afetando a qualidade, a
segurança e a eficiência da assistência. Estudos internacionais sobre essa população não
investigam detalhadamente a sequência de procedimentos para identificá-la no contexto dos
serviços de saúde e, no Brasil, não foram encontrados estudos sobre essa temática. Nesse
sentido, este estudo objetivou analisar as características dos atendimentos e do fluxo de
identificação de pacientes não identificados em um hospital público de ensino. Trata-se de
estudo quantitativo, descritivo e retrospectivo que analisou 332 prontuários de pacientes não
identificados admitidos no período de 2019 a 2022 em um PS público de ensino em Belo
Horizonte, Minas Gerais. Foram coletados dados sociodemográficos, do atendimento inicial,
condutas assistenciais na admissão, desfechos e o fluxo de identificação dos pacientes.
Procedeu-se a análise estatística descritiva dos dados, sendo calculados valores absolutos e
proporções para variáveis categóricas e medidas de tendência central (mediana) e variabilidade
(mínimo, máximo) para as contínuas. Foi adotado intervalo de confiança de 95% e valor de
p<0,05. Verificou-se uma predominância de pacientes do sexo masculino (81,63%),
pertencentes à raça parda (75%), com uma mediana de idade de 32 anos. A maioria residia em
Belo Horizonte (72,22%) e possuía residência fixa (61,66%). As admissões eram mais
frequentes nos finais de semana (38,25%) e à noite (29,52%), e mais da metade (50,60%) foi
atendida pelo SAMU 192. A maioria dos pacientes foi classificada com prioridade clínica
laranja/muito urgente (69,94%), principalmente devido à agressão física (39,76%) e a quedas
(20,48%). O local de atendimento principal foram as salas de emergência clínica/cirúrgica
(89,76%), e a avaliação inicial foi realizada por um cirurgião geral (84,04%). Em relação ao
XABCDE, 6,56% apresentavam hemorragia exsanguinante, 45,26% utilizavam colar cervical,93,71% tinham via aérea pérvia e 76,11% respiravam em ar ambiente. A maioria dos pacientes
apresentava pulsos periféricos palpáveis (80,78%) e 6,76% foram admitidos em parada
cardiorrespiratória. A mediana do escore do nível de consciência pela escala de coma de
Glasgow foi 14. Todos necessitaram de condutas assistenciais, como sutura (51,34%),
tomografia computadorizada (59,94%) e acesso venoso periférico (78,92%). A mediana do
tempo de permanência no PS foi de um dia, com a maioria recebendo alta domiciliar (55,54%)
e 8,02% evoluindo para óbito no PS. Dos internados (161), 28,57% tiveram alta direto do PS,
26,70% foram admitidos no bloco cirúrgico, 19,87% na unidade de terapia intensiva e 19,87%
na unidade de internação. Dos 86 pacientes internados no hospital, a mediana do tempo de
internação foi de oito dias, com 74,69% recebendo alta hospitalar e 24,1% evoluindo para óbito.
Quanto ao fluxo de identificação, a maioria (70,8%) recebeu alta hospitalar como ‘não
identificado’. Já os pacientes que foram identificados, 66,63% foram identificados por
familiares e 27,55% realizaram autodeclaração. Os métodos mais frequentes de identificação
foram apresentação de documento de identificação (64,76%) e autoidentificação (27,55%). Os
principais motivos para a não identificação foram autodeclaração sem documento de
comprovação (55,48%) e óbito (23,45%). Pacientes não identificados frequentemente
apresentam trauma com potencial de gravidade clínica na admissão e necessidade de
intervenções precoces e cuidados críticos, sendo crucial investir no processo de identificação
para garantir assistência segura. A baixa taxa de identificação destaca a necessidade de
aprimorar esse processo durante o atendimento.
Abstract
Unidentified patients are those who arrive at the emergency department (ED) without
identification documents, making it impossible to confirm their identity before initial care,
which often requires prompt action. This situation challenges healthcare provision due to the
lack of health history, increasing the risk of adverse events and affecting the quality, safety, and
efficiency of care. International studies on this population do not investigate in detail the
sequence of procedures for identifying them within healthcare services, and no studies on this
topic have been found in Brazil. Therefore, this study aimed to analyze the characteristics of
care and the identification flow of unidentified patients in a public teaching hospital. This is a
quantitative, descriptive, and retrospective study that analyzed 332 medical records of
unidentified patients admitted between 2019 and 2022 in a public teaching ED in Belo
Horizonte, Minas Gerais. Sociodemographic data, initial care, admission procedures, outcomes,
and patient identification flow were collected. Descriptive statistical analysis of the data was
performed, with absolute values and proportions calculated for categorical variables and
measures of central tendency (median) and variability (minimum, maximum) for continuous
variables. A 95% confidence interval and a p-value < 0.05 were adopted. The study found a
predominance of male patients (81.63%), belonging to the mixed race category (75%), with a
median age of 32 years. The majority resided in Belo Horizonte (72.22%) and had a fixed
residence (61.66%). Admissions were more frequent on weekends (38.25%) and at night
(29.52%), and more than half (50.60%) were attended by SAMU 192. Most patients were
classified with an orange/very urgent clinical priority (69.94%), mainly due to physical
aggression (39.76%) and falls (20.48%). The main treatment areas were the clinical/surgical
emergency rooms (89.76%), and the initial evaluation was conducted by a general surgeon(84.04%). Regarding the XABCDE protocol, 6.56% had exsanguinating hemorrhage, 45.26%
used a cervical collar, 93.71% had a patent airway, and 76.11% were breathing ambient air.
Most patients had palpable peripheral pulses (80.78%) and 6.76% were admitted in cardiac
arrest. The median Glasgow Coma Scale score was 14. All required medical interventions such
as sutures (51.34%), computed tomography (59.94%), and peripheral venous access (78.92%).
The median length of stay in the ED was one day, with the majority being discharged home
(55.54%) and 8.02% dying in the ED. Among the admitted patients (161), 28.57% were
discharged directly from the ED, 26.70% were admitted to the surgical unit, 19.87% to the
intensive care unit, and 19.87% to the inpatient unit. Of the 86 patients hospitalized, the median
length of stay was eight days, with 74.69% being discharged and 24.1% dying. Regarding the
identification flow, most (70.8%) were discharged as 'unidentified'. Among those identified,
66.63% were identified by family members and 27.55% through self-declaration. The most
frequent identification methods were presenting an identification document (64.76%) and selfidentification (27.55%). The main reasons for non-identification were self-declaration without
a proof document (55.48%) and death (23.45%). Unidentified patients often present with
trauma that has the potential for clinical severity upon admission, necessitating early
interventions and critical care, making it crucial to invest in the identification process to ensure
safe care. The low identification rate highlights the need to improve this process during care
provision.
Assunto
Emergências, Sistemas de Identificação de Pacientes, Segurança do Paciente, Enfermagem, Serviços Médicos de Emergência
Palavras-chave
paciente não identificado, emergência, serviços médicos de emergência, sistemas de identificação de paciente, segurança do paciente, enfermagem