Ignorando o custo-benefício: o forrageio de aranhas Trichonephila clavipes sob risco de predação independe da condição nutricional e da disponibilidade de presas

Descrição

Tipo

Dissertação de mestrado

Título alternativo

Membros da banca

Luiz Ernesto Costa Schmidt
Renato Chaves de Macedo Rego

Resumo

Geralmente, o forrageio de predadores é influenciado pela disponibilidade de alimento em seu ambiente. O forrageio de presas, por outro lado, depende da disponibilidade de alimento e do risco de predação. Entretanto, dentro da cadeira trófica, predadores podem ser classificados como de topo ou intermediários. Uma vez que os predadores intermediários podem ser predados por predadores de topo, o seu forrageio também deveria ser influenciado tanto pela disponibilidade de alimento quanto pelo risco de predação. Em predadores intermediários do tipo senta-e-espera, a pressão exercida por predadores de topo pode levar ao abandono da sua atividade de forrageio. No entanto, não somente a abundância de predadores de topo podem modular as decisões de forrageio de predadores intermediários, mas também outros fatores ambientais como a abundância de presas. Além disso, características individuais, como a condição nutricional do predador, também podem influenciar nas suas decisões de forrageio. Predadores intermediários em pior condição nutricional podem retomar mais rapidamente o forrageio, especialmente quando percebem a presença de presas em seu entorno, devido à maior necessidade energética. Assim, o tempo sem forragear pode variar conforme a condição nutricional e a disponibilidade de presas. Neste estudo, utilizamos fêmeas da aranha Trichonephila clavipes (Linnaeus 1767) (Araneae: Araneidae) para testar a hipótese de que indivíduos em pior condição nutricional retomam mais rapidamente o forrageio após um ataque predatório, sobretudo quando há presas disponíveis na teia. Para isso, simulamos ataques predatórios em dois grupos de aranhas, com (n = 32) e sem adição de presa (n = 36). A fuga foi medida pela probabilidade de deslocamento das aranhas para a periferia da teia ou vegetação, e o retorno, pela probabilidade de retornar ao centro da teia em até 120 s. Estimamos a gordura corporal como indicador da condição nutricional. Nossos resultados indicam que ambos os comportamentos foram independentes da condição nutricional e da presença de presas. Embora as aranhas tenham priorizado a redução do risco imediato de predação, a ausência de influência do alimento e da condição corporal sugere que outros fatores, como personalidade ou experiências prévias, podem ser mais relevantes para as decisões comportamentais de T. clavipes. Isso ressalta a importância de se considerar múltiplas fontes de variação individual e ambiental para compreender o comportamento de forrageio de predadores intermediários.

Abstract

Generally, predator foraging is influenced by the availability of food in their environment. Prey foraging, on the other hand, depends on both food availability and predation risk. However, within the trophic chain, predators can be classified as either top or intermediate. Since intermediate predators may be preyed upon by top predators, their foraging should also be influenced by both food availability and predation risk. In sit-and-wait intermediate predators, the pressure exerted by top predators may lead to the abandonment of their foraging activity. However, not only the abundance of top predators can modulate the foraging decisions of intermediate predators, but also other environmental factors such as prey abundance. Furthermore, individual characteristics, such as the predator’s nutritional condition, may also influence its foraging decisions. Sit-and-wait intermediate predators in poorer nutritional condition may return to foraging more quickly, especially when they detect the presence of prey nearby, due to their greater energetic demands. Thus, the time spent without foraging may vary according to nutritional condition and prey availability. In this study, we used females of the spider Trichonephila clavipes (Linnaeus, 1767) (Araneae: Araneidae) to test the hypothesis that individuals in poorer nutritional condition return to foraging more quickly after a predatory attack, especially when prey are available in the web. To this end, we simulated predatory attacks in two groups of spiders, with (n = 32) and without prey addition (n = 36). Escape was measured as the probability of spiders moving to the periphery of the web or surrounding vegetation, and return was measured as the probability of returning to the center of the web within 120 s. We estimated body fat as an indicator of nutritional condition. Our results indicate that both behaviors were independent of nutritional condition and prey presence. Although the spiders prioritized reducing immediate predation risk, the lack of influence from food availability and body condition suggests that other factors, such as personality or previous experiences, may be more relevant to the behavioral decisions of T. clavipes. This highlights the importance of considering multiple sources of individual and environmental variation to understand the foraging behavior of intermediate predators.

Assunto

Ecologia, Aranhas, Comportamento Alimentar, Predação

Palavras-chave

Comportamento de forrageio, Necessidade enérgetica, Plasticidade comportamental, Predação não letal, Predador intermediário

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