Psicologia(s) em movimento de (trans)formação com povos indígenas : histórico de aproximações e experiências educativas

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

David Pavón-Cuéllar
Edilaise Santos Vieira
Catia Paranhos Martins
Jaileila de Araújo Menezes
Lisandra Espíndula Moreira

Resumo

Esta pesquisa surge a partir de inquietações quanto à formação em psicologia acerca dos distanciamentos deste campo em relação aos conhecimentos, necessidades e reivindicações dos povos indígenas do Brasil. A gênese moderna/colonial da disciplina, ajuda na compreensão deste distanciamento enquanto reprodução e manutenção das colonialidades, contudo, é urgente o diálogo com outros saberes, principalmente dos povos indígenas, como forma de conter e reparar as violações político-epistêmicas. Objetivamos investigar a relação histórica de (não) aproximação da(s) psicologia(s) junto aos povos indígenas, interpelando as lacunas e potencialidades deste processo, assim como a realização de experiências educativas para a (trans)formação em psicologia, com intuito de promoção de reciprocidades dialógicas nos planos interepistêmicos e das práxis. Para análise histórica, tivemos como campo de interlocução o estado da arte das pesquisas em Psicologia com povos indígenas, as iniciativas do Sistema Conselhos e as mobilizações das/os indígenas psicólogas/os vinculadas à Articulação Brasileira dos(as) Indígenas Psicólogos(as) (ABIPSI). Já as experiências educativas consistiram na oferta de disciplinas com a temática de “Psicologia e Povos Indígenas” em Cursos de graduação em Psicologia em três universidades: UFMG, UFPE e UFGD. O estudo foi elaborado a partir da combinação metodológica da pesquisa bibliográfica através da investigação da literatura da área, da autoetnografia com a utilização de caderno de campo e registros fotográficos, e da pesquisa-ação e pesquisa-intervenção, a partir do engajamento com as comunidades indígenas de diferentes territórios e as comunidades pedagógicas compostas por equipes docentes e estudantes. Com esse método e fundamentação orientada pela Psicologia Social, estudos críticos ao processo colonial (decoloniais, anticoloniais e contracoloniais), sistematizamos um panorama histórico da relação entre a Psicologia e Povos Indígenas no Brasil, abordando acontecimentos e orientações marcantes desse processo. A partir desse procedimento, identificamos o início das pesquisas da psicologia com povos indígenas na década de 1980, tendo crescimento contínuo das produções, com significativo aumento desta nos anos 2000. Datam desse período as primeiras iniciativas do Sistema Conselhos, materializadas pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP/SP), construindo materiais relevantes para orientação da atuação com os povos indígenas. Nessa linha histórica, a Articulação Brasileira dos(as) Indígenas Psicólogos(as) (ABIPSI) emerge como movimento de enunciação das vozes e perspectivas de indígenas psicólogas/os, sendo um acontecimento importante da atualidade. As experiências formativas produzidas durante o estudo através das disciplinas, foram espaços valiosos para promoção da aproximação e sensibilização das/os estudantes com as realidades dos povos indígenas, contribuindo com a politização da formação e apontando para a potência dessa interlocução na graduação em Psicologia. Nesse sentido, organizamos e elaboramos referências para o reconhecimento das contribuições dos conhecimentos dos povos originários para (trans)formação em psicologia, entendendo como pressuposto necessário para atuação psi junto aos povos indígenas, e mesmo para o fortalecimento das práxis psicossociais politicamente comprometidas com a transformação social.

Abstract

Assunto

Psicologia - Teses, Indigenas - Teses, Psicologia social - Teses

Palavras-chave

Povos indígenas, Psicologia social, Formação em psicologia, Colonialidades, Epistemologias

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