Reinfecção experimental de camundongos BALB/c imunossuprimidos com ciclofosfamida utilizando cepas de Toxoplasma gondii pertencentes a diferentes tipos genéticos
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Adriana de Melo Ferreira
Deborah Aparecida Negrao Correa
Deborah Aparecida Negrao Correa
Resumo
A ocorrência de reinfecção pelo Toxoplasma gondii foi confirmada em modelos experimentais utilizando camundongos, contudo, ainda não está estabelecido se esse processo é genótipo-dependente e ainda não existem estudos que avaliem a reinfecção em camundongos imunossuprimidos. Para verificar interferência das diferenças genotípicas entre as cepas de T. gondii no processo de reinfecção e avaliar o efeito imunossupressor da ciclofosfamida (Cy) na suscetibilidade ao desafio, grupos de camundongos BALB/c foram primo infectados com a cepa D8 (recombinante I/III) ou ME49 (tipo II), ambas não virulentas, e após 45 dias foram desafiados com as cepas CH3 ou EGS (recombinantes I/III e virulentas). Outros camundongos foram inoculados seguindo o mesmo protocolo, porém foram imunossuprimidos semanalmente pela Cy, iniciando 5 dias antes do desafio. Trinta dias após o desafio, cistos cerebrais de cada camundongo sobrevivente foram inoculados em camundongos BALB/c para realizar o bioensaio. O restante foi inoculado em camundongos Swiss para obtenção de taquizoítos que foram recuperados e submetidos à análise por PCR-RFLP (marcadores L363 e cS10-A6) para confirmar a reinfecção. A cinética da produção de anticorpos IgG total, IgG1, IgG2a, IgM e IgA anti- T. gondii foi avaliada pelo método de ELISA. Além disso, foi avaliada a ação da Cy sobre os leucócitos circulantes de camundongos primo infectados. De forma geral, a infecção primária com a cepa D8 conferiu maior proteção ao desafio com as cepas CH3 e EGS do que a infecção primária com a cepa ME49. A PCR-RFLP foi mais sensível que o bioensaio para confirmar a reinfecção, e mostrou que camundongos primo infectados com a cepa ME49 se reinfectam com as cepas CH3 e EGS, enquanto camundongos primo infectados com a cepa D8 se reinfectam apenas com a cepa EGS, mais virulenta que a cepa CH3. A imunossupressão aumentou as taxas de reinfecção e de mortalidade dos animais. A reinfecção nos camundongos imunocompetentes foi relacionada ao aumento nos níveis de anticorpos IgM e IgA após o desafio. Por outro lado, 30 dias após o desafio, os camundongos imunossuprimidos e desafiados apresentavam níveis de IgM e IgA significativamente menores que os não imunossuprimidos desafiados, sugerindo que essas imunoglobulinas participam da proteção contra a reinfecção. A Cy causou leucopenia significativa em camundongos primo infectados, com redução no número de linfócitos e neutrófilos, o que provavelmente favoreceu a reinfecção. Conclui-se que a suscetibilidade de camundongos BALB/c à reinfecção pelo T. gondii está relacionada às diferenças genotípicas entre as cepas da infecção primária e do desafio, à virulência da cepa usada no desafio e à alteração da integridade imune do hospedeiro, o que provavelmente compromete a proteção previamente estabelecida pela infecção primária.
Abstract
Assunto
Parasitologia, Toxoplasma gondii, Reinfecção
Palavras-chave
cepas recombinantes, Toxoplasma gondii, ciclofosfamida, reinfecção experimental