O acontecimento George Floyd transformado em palavras, narrativa e discurso pelo jornal Em Pauta da Globo News

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Fernanda Ariane Silva Carrera
Márcia Maria Cruz
Phellipy Pereira Jácome
Luciana Sousa Furtado Brito

Resumo

Este trabalho se propos a observar três edições do jornal Em Pauta que foram ao ar nos dias 29 de maio, 2 e 3 de junho de 2020. Na ocasião, o programa noticiou o assassinato de George Floyd, homem negro norte-americano que teve o pescoço prensado contra o asfalto por um policial branco, e Minneapolis. Na primeira cobertura do assassinato, o jornal Em Pauta, transmitido pela Globo News, reservou pouco menos de 30 minutos para tentar analisar o que estava acontecendo nos Estados Unidos naquele momento. Já na  edição seguinte, foi feita uma cobertura especial e completa sobre o caso. No entanto, após o programa ir ao ar, uma mensagem no X, antigo Twitter, perturbou o que vamos chamar neste trabalho de situação inicial da narrativa do Em Pauta. A provocação da mensagem chamava a atenção do programa pelo fato da bancada de comentaristas serem apenas homens e mulheres brancos discutindo sobre racismo. Eram os apresentadores Jorge Pontual, Demétrio Magnoli, Andreia Sadi, Gerson Camarotti, Mônica Waldvogel e Sandra Coutinho. Como resposta, o programa seguinte torna a fazer a cobertura do caso mais uma vez, mas analisado apenas por pessoas negras: Heraldo Pereira, Maria Júlia Coutinho, Zileide Silva, Aline Midlej, Flávia Oliveira e Lilian Ribeiro. Posto esse panorama, o trabalho apresentado a seguir não observou exatamente o assassinato de George Floyd, tampouco a mensagem compartilhada no X. Mas se debruçou para as transformações que a narrativa produziu a partir daquilo que desestabilizou os seus jogos de falas discursivos. Partimos das seguintes indagações: como a experiência de George Floyd foi colocada em narrativa no fio jornalístico e, uma vez narrativizada a experiência da vítima, como se configuraram os processos de significação da então experiência transformada em um acontecimento objeto, e quais sentidos poderiam ser percebidos naqueles atos de empalavrar o que aconteceu. Para responder à pergunta que deu norte a esse trabalho, observamos para além do que estava posto no plano da superfície da narrativa do Em Pauta. A partir da construção de um eixo teórico e um eixo analítico de interpretação que guiasse a nossa análise e o nosso processo de transcrever e interpretar os atos de fala das edições, pudemos perceber algumas filiações ideológicas demarcadas à medida que o programa empalavrava o acontecimento. Orientados por esse desenho teórico-metodológico, observamos que a narrativa do Em Pauta não só se transformou a partir daquilo que provocou a sua situação inicial, mas que deu a ver também certos traços ideológicos em seu discurso que apontam para uma maneira de reconfiguração e reestabilização de um processo maior que nomeamos neste trabalho de racializante. Por fim, podemos compreender que o Em Pauta, o longo da sua narrativização do assassinato, preenche discursivamente o caso George Floyd com outros sentidos, ao passo que também dá a ver uma maneira de racializar as pessoas negras convidadas para analisarem aquilo que estava sendo narrativizado. 

Abstract

Thiswork aimed to observe three editions of Em Pauta that aired on May 29, June 2, and June 3, 2020. At that time, the program reported on the murder of George Floyd, a Black American man who had his neck pressed against the asphalt by a white police officer in Mineapolis. In the first coverage of the murder, the Em Pauta, broadcast by Globo News, allocated just under 30 minutes to analyze what was happening in the United States at that moment. In the following edition, there was a special and comprehensive coverage of the case. However, after the program aired, a message on X, formerly Twitter, disrupted what we will call in this work the initial situation of the Em Pauta narrative. The provocation of the message drew attention to the program for the fact that the panel of commentators consisted solely of white men and women discussing racism. The presenters were Jorge Pontual, Demétrio Magnoli, Andreia Sadi, Gerson Camarotti, Mônica Waldvogel, and Sandra Coutinho. In response, the next program covered the case once again, but analyzed only by Black individuals: Heraldo Pereira, Maria Júlia Coutinho, Zileide Silva, Aline Midlej, Flávia Oliveira, and Lilian Ribeiro. Given this overview, the work presented below did not specifically observe the murder of George Floyd, nor the message shared on X. Instead, it focused on the transformations that the narrative produced from what destabilized its discursive speech games. We started with the following inquiries: how was George Floyd's experience narrativized in the journalistic thread, and once the victim's experience was narrativized, how did the processes of signification configure the then-transformed experience into an object event, and what meanings could be perceived in those acts of articulating what happened? To answer the question that guided this work, we looked beyond what was presented on the surface of the Em Pauta narrative. From the construction of a theoretical axis and an analytical interpretation axis that guided our analysis and our process of transcribing and interpreting the speech acts of the editions, we were able to perceive certain ideological affiliations demarcated as the program articulated the event. Guided by this theoretical-methodological framework, we observed that the Em Pauta narrative not only transformed from what provoked its initial situation, but also revealed certain ideological traits in its discourse that point to a way of reconfiguration and re-stabilization of a larger process that we named in this work as racializing. Finally, we can understand that Em Pauta, throughout its narrativization of the murder, discursively fills the George Floyd case with other meanings, while also revealing a way of racializing the Black individuals invited to analyze what was being narrativized.

Assunto

Comunicação - Teses, Comunicação de massa - Teses, Raças - Teses, Floyd, George, 1973-2020

Palavras-chave

Narrativa, Discurso, Raça, George Floyd

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