Correndo contra o tempo: a jornada dos maratonistas cinquentões
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
A dissertação investiga por que e como corredores amadores com 50 anos ou mais se engajam em maratonas e de que modo essa prática se articula ao lazer, ao envelhecimento ativo e à saúde. Adotou-se uma triangulação metodológica que combinou revisão bibliográfica, observação participante em quatro maratonas brasileiras (Vitória, Niterói, Pomerode e Pedra Azul) e 13 entrevistas semiestruturadas com maratonistas experientes, cujos depoimentos foram analisados no ATLAS.ti mediante análise de conteúdo temática. As categorias foram guiadas pelas seis dimensões motivacionais de Balbinotti (Saúde, Controle de Estresse, Sociabilidade, Competitividade, Estética e Prazer) e refinadas a partir do diálogo com autores do lazer e do envelhecimento ativo. Os resultados revelam que o “desafio” é o núcleo simbólico da experiência: a maratona é vivida como rito de superação que redefine a relação corpo-mente e oferece forte sensação de autoconhecimento. As principais razões de engajamento incluem: (a) busca de bem-estar físico e mental, especialmente no controle de doenças crônicas; (b) sociabilidade e pertença a redes de corredores, que extrapolam o treino para viagens, turismo e apoio mútuo; (c) desejo de servir de exemplo de vitalidade, rompendo estereótipos etaristas; e (d) prazer estético-lúdico de “viver a vida ao máximo”. Entre as dificuldades, destacam-se: o custo financeiro (inscrição, deslocamento, hospedagem), a conciliação do tempo de treino com trabalho e família, as lesões recorrentes e a carência de infraestrutura pública que democratize o acesso aos eventos. Conclui-se que a maratona, para esse grupo, constitui prática de lazer complexa e multifacetada que fortalece identidades, amplia capitais sociais, impulsiona cuidados de saúde e evidencia tensões de classe e gênero. O estudo contribui para os debates sobre envelhecimento ativo ao demonstrar que correr 42 km, mais que prolongar a longevidade, possibilita “viver melhor agora”, sugerindo políticas de incentivo que considerem barreiras econômicas e logísticas e valorizem a pluralidade de motivações dos maratonistas cinquentões.
Abstract
This dissertation investigates why and how amateur runners aged 50 and over engage in marathons and how this practice intersects with leisure, active ageing, and health. A methodological triangulation was adopted, combining a literature review, participant observation at four Brazilian marathons (Vitória, Niterói, Pomerode, and Pedra Azul), and thirteen semi-structured interviews with experienced marathoners. Interview transcripts were thematically coded in ATLAS.ti, guided by Balbinotti’s six motivational dimensions (Health, Stress Control, Sociability, Competitiveness, Aesthetics, and Pleasure) and refined through dialogue with scholars of leisure and active ageing. Findings show that “challenge” constitutes the symbolic core of the experience: the marathon is lived as a rite of self-overcoming that reshapes body-mind relations and affords profound self-knowledge. Key motives for engagement include: (a) the pursuit of physical and mental well-being, especially in managing chronic conditions; (b) sociability and belonging to runner networks that extend from training to travel, tourism, and mutual support; (c) a desire to model vitality and break ageist stereotypes; and (d) the aesthetic-playful pleasure of “living life to the fullest.” Main constraints involve: financial costs (entry fees, travel, accommodation), balancing training time with work and family, recurrent injuries, and the scarcity of public infrastructure that would democratize access to events. The study concludes that, for this group, the marathon is a multifaceted leisure practice that strengthens identity, expands social capital, fosters health care, and highlights class- and gender-based tensions. It contributes to debates on active ageing by demonstrating that running 42 km, rather than merely prolonging life, enables people to “live better now,” and it recommends policies that address economic and logistical barriers while valuing the diverse motivations of 50-plus marathoners.
Assunto
Lazer, Corredores (Esportes), Maratona, Envelhecimento, Qualidade de vida
Palavras-chave
Maratona; corredores 50+; Envelhecimento Ativo; Lazer; Motivações.