Índice inflamatório da dieta em pacientes submetidos ao transplante hepático: caracterização, fatores associados e impacto em desfechos 10 anos depois da avaliação inicial.
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Helen Hermana Miranda Hermsdorff
Luciana Costa Faria
Luciana Costa Faria
Resumo
O transplante hepático (TxH) tem sido alternativa para aumentar a sobrevida e
melhorar a qualidade de vida de muitos pacientes com doença hepática avançada
descompensada, porém, complicações metabólicas e cardiovasculares podem
contribuir para elevar a taxa de morbimortalidade nesses pacientes em longo prazo.
Nesse sentido, tem-se destacado a associação entre o desenvolvimento de doenças
como as cardiovasculares e câncer, com a inflamação crônica de baixo grau.
Marcadores inflamatórios podem sofrer influência da dieta, a qual pode atuar de forma
a atenuar ou aumentar a inflamação. O objetivo do presente estudo foi avaliar o índice
inflamatório da dieta (IID), sua caracterização, fatores associados e a relação com
desfechos clínicos após 10 anos de seguimento em pacientes submetidos ao TxH.
Identificar fatores independentemente associados aos desfechos pesquisados
(esteatose, eventos cardiovasculares, neoplasias e óbito) também foi objetivo deste
trabalho. Trata-se de estudo retrospectivo, com 108 pacientes maiores de 18 anos,
submetidos ao TxH acompanhados no ambulatório de transplante do HC-UFMG. Os
pacientes foram inicialmente avaliados em 2011/2012 e a ocorrência de desfechos foi
acompanhada em até 10 anos depois, 2021. Características sociodemográficas, de
estilo de vida, clínicas, bioquímicas, dietéticas e antropométricas foram analisadas na
avaliação inicial, e os desfechos clínicos (eventos cardiovasculares, neoplasia e
óbito), avaliados por meio do acesso ao prontuário clínico eletrônico em 2021. A
prevalência de esteatose foi estimada pelo índice de esteatose hepática (HSI).
Pontuações do IID foram geradas usando-se dados do recordatório de 24h, por meio
do método proposto por Shivappa et al. (2014) com a utilização de 21 parâmetros
alimentares. Distribuições de normalidade das variáveis numéricas do estudo, foram
avaliadas de acordo com o teste Shapiro Wilk, variáveis com distribuição normal foram
descritas em média±desvio padrão e não normais, mediana (intervalo interquartil -
IIQ). O IID também foi avaliado categorizando-se os valores encontrados em valores
negativos e positivos e em relação ao último quartil de ingestão (quanto mais alto o
IID, mais pró-inflamatória é a dieta). Fatores associados ao IID foram pesquisados
teste t-Student ou Mann-Whitney. Fatores associados à ocorrência dos desfechos
pesquisados, foram obtidos por meio de regressão logística uni (variáveis com p<0,1)
e multivariada (Hosmer Lemeshow >0,05). Dos 108 participantes avaliados, 59,3%
eram do sexo masculino, tinham média de idade de 54,4±12,8 anos e possuíam
mediana de 7 anos de acompanhamento pós-TxH (IIQ: 5–9). A mediana do IID dos
pacientes foi de 0,80 (IIQ: -0,12-1,59). Pacientes com valores mais altos de IID (último
quartil) tiveram significativamente maiores níveis séricos de colesterol total
(182,16±41,02 mg/dL; p=0,048) e LDL (mediana: 108 mg/dL; IIQ: 87,50-132,50;
p=0,016) em relação aos pacientes com IID menor (colesterol total: 164,60±33,09;
LDL: mediana: 85,00, IIQ: 64,50-109,00). As prevalências dos desfechos clínicos em
até 10 anos de avaliação foram de 41,0% para esteatose, 12,4% para os eventos
cardiovasculares, 16,2% para neoplasia e 12,0% para óbito. Os valores de IID não se
diferiram significativamente quanto à ocorrência de esteatose, eventos
cardiovasculares, neoplasia e óbito em até 10 anos da sua avaliação inicial. A idade
mostrou-se preditora da incidência de neoplasia (OR:1,055; IC95%:1,004-1,109;
p=0,033) em longo prazo nos pacientes submetidos ao TxH avaliados. Para esteatose
hepática, a variável independentemente associada foi o IMC da primeira avaliação
(OR:1,513; IC95%:1,290-1,775; p<0,001). A ocorrência de eventos cardiovasculares
foi independentemente associada ao ex-tabagismo (OR:7,714; IC95%:1,534-38,799;
p=0,013). Como conclusão, dieta mais pró-inflamatória foi associada à maiores níveis
séricos de colesterol total e LDL. A idade foi preditora para incidência de neoplasia. O
maior IMC na primeira avaliação foi preditor para o desenvolvimento de esteatose, e
ex-tabagismo, para a ocorrência de eventos cardiovasculares ao longo de 10 anos de
seguimento.
Abstract
The liver transplant (LTx) has been the alternative to increase the survival and quality
of life of patients with decompensated advanced liver disease. However, metabolic and
cardiovascular complications can contribute to increasing these patients’ morbidity and
mortality rates in the long term. In this context, the association between the
development of diseases, such as cardiovascular diseases and cancer and the
presence of low-grade chronic inflammation has been discussed. The inflammatory
markers can be affected by the diet, which can reduce or increase inflammation. This
study aimed to assess the dietary inflammatory index (DII), its characterization,
associated factors, and the association with clinical outcomes up to 10 years of followup in patients who underwent LTx, as well as identify the factors independently
associated with the occurrence of steatosis, cardiovascular events, neoplasm, and
death in these patients. This is a prospective study including 108 patients aged≥18
years, followed at the LTx outpatient clinic (HC/UFMG). The patients were initially
assessed in 2011/2012, and the outcomes were registered up to 10 years after the
initial assessment (2021). Sociodemographic, clinical, biochemical, dietetic, and
anthropometric data were registered at the initial assessment, and the clinical
outcomes were obtained from the electronic medical records in 2021. The prevalence
of steatosis was estimated by the hepatic steatosis index (HSI). The scores from the
DII were calculated using the data on 21 food parameters from the 24h dietary recall,
according to the method developed by Shivappa et al. (2014). The normality of the
numerical variables was assessed by the Shapiro-Wilk test, and variables were
described as mean and standard deviation (SD) or as median (interquartile range –
IQR). The DII was categorized as negative or positive, as well as higher or lower than
the highest quartile (higher DII indicates a pro-inflammatory diet). The T-Student and
Mann-Whitney tests were used to assess the variables associated with the DII, and
the factors associated with the outcomes were assessed by univariate and multivariate
logistic regression (Hosmer Lemeshow>0.05). 108 patients were assessed, with a
mean age of 54.4±12.8, 59.3% male, and with an average follow-up post-LTx of seven
years (IQR: 5-9). The median DII score was 0.80 (IQR: -0.12-1.59). Patients with the
DII above the highest quartile were significantly had higher total serum cholesterol
(182.16±41.02 mg/dL; p=0.048) and LDL (median: 108 mg/dL; IQR: 87.50-132.50;
p=0.016) levels, in comparison with the remaining patients (total serum cholesterol:
164.60±33.09; LDL: median: 85.00, IQR: 64.50-109.00). The prevalence of the studied
clinical outcomes was 41.0% for steatosis, 12.4% for cardiovascular events, 16.2% for
cancer and 12.0% for death. The DII values were not significantly different regarding
the occurrence of steatosis, cardiovascular events, and death up to 10 years after the
initial assessment. Age proved to be a predictor of the incidence of neoplasia (OR:
1.055; CI95%: 1.004-1.109; p=0.033) in the long term in patients undergoing LTx
evaluated. A higher BMI at the first assessment (OR: 1.513; CI95%: 1.290-1.775;
p<0.001) were independently associated with the hepatic steatosis. The
cardiovascular events occurrence was independently associated with previous
smoking (OR: 7.714; CI95% 1.534-38.799; p=0.013). In conclusion, the proinflammatory diet was associated with higher total cholesterol and LDL. Age was a
predictor of cancer incidence. A higher BMI at the first assessment were predictor for
the development of steatosis, and previous smoking for cardiovascular events
occurrence during the 10 years of follow-up
Assunto
Palavras-chave
Transplante hepático, Inflamação crônica, Índice inflamatório da dieta, Desfechos pós transplante hepático, Preditores de desfecho clínico