Estudo preclínico de uma vacina experimental contra dengue composta por vetores Adenovirais e Poxvirais recombinantes
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Alexandre de Magalhães Vieira Machado
Jordana Grazziela Alves Coelho dos Reis
Pedro Augusto Alves
Rodrigo Araújo Lima Rodrigues
Jordana Grazziela Alves Coelho dos Reis
Pedro Augusto Alves
Rodrigo Araújo Lima Rodrigues
Resumo
A dengue é uma arbovirose que se destaca como um grave problema de saúde pública no Brasil.
O Dengue virus (DENV) pertence à família Flaviviridae, gênero Flavivirus e seu genoma é
composto por uma fita simples de RNA, com polaridade positiva. Atualmente, são
caracterizados quatro sorotipos do DENV, os quais são geneticamente e antigenicamente
distintos. A dengue é endêmica em mais de 100 países e aproximadamente 2,5 bilhões de
pessoas, o que corresponde a aproximadamente 40% da população mundial, vivem em áreas de
risco para dengue. Vacinas baseadas em vetores virais têm sido amplamente estudadas tendo
em vista a habilidade dos vírus recombinantes em carrearem genes que codificam proteínas
exógenas para dentro das células de organismos hospedeiros de forma segura e eficaz. Assim,
vetores virais são caracterizados por serem excelentes imunógenos, ótimos veículos de entrega
de antígenos vacinais e adicionalmente, são capazes de favorecer uma resposta imune celular,
baseada em células T, as quais são benéficas em um contexto de infecção viral. Apesar do
recente licenciamento de uma vacina para dengue, esta vacina vem sendo alvo de intensas
discussões acerca de sua eficácia e segurança, colocando em dúvida sua aplicabilidade em
programas de vacinação contra a dengue. Assim, o desenvolvimento de vacinas alternativas
ainda se mantém como uma prioridade em relação à doença. Neste trabalho, sete combinações
vacinais tetravalentes para dengue foram construídas a partir de dois vetores virais (Adenovírus
e MVA) e administradas em camundongos através da estratégia de dose-reforço heterólogo.
Tanto os ensaios para avaliação destas vacinas quanto a habilidade das mesmas em conferir
proteção após o desafio intracranial com DENV em modelo murino mostraram que as vacinas
NS1, as quais foram geradas contendo sequências conservadas da proteína NS1 dos DENV,
não foram capazes de conferir proteção. Por outro lado as vacinas NSALL (2NSALL, 3NSALL
e 4 NSALL), as quais contém sequências concatenadas de epítopos oriundos das proteínas não
estruturais do DENV, conferiram proteção parcial ou total em ensaios de desafio intracranial
com os DENV. Para o desafio com a amostra de DENV-1 Mochizuki as porcentagens de
sobrevivência foram 42,86% (2NSALL), 28,57% (3NSALL) e 42,86% (4NSALL). As taxas de
sobrevivência resultantes no desafio com DENV-2 New Guinea C foram de 100% (2NSALL),
71,43% (3NSALL) e 71,43% (4NSALL/DENV-2). Por fim, quando os animais foram
desafiados com DENV-3 amostra MG20 as taxas de sobrevivência foram de 100% (2NSALL),
100% (3NSALL) e 85,71% (4NSALL). A vacina 1NSALL não apresentou proteção na maioria
dos desafios realizados. Entretanto, as vacinas 2NSALL, 3NSALL e 4NSALL apresentaram
resultados extremamente motivantes e os ensaios demostram a capacidade multivalente destes
candidatos vacinais em gerar resposta imune protetora para mais de um sorotipo do DENV. A
imunogenicidade das vacinas foi testada em camundongos BALB/c e C57BL/6 e em ambos os
modelos as vacinas foram capazes de ativar células T com atividade polifuncional. Além disso,
identificamos em nosso estudo 12 epítopos de células T que são localizados nas proteínas NS3
e NS4B do DENV os quais já foram previamente descritos na literatura como epítopos
promissores no desenho de imunógenos para dengue, demonstrando que as construções
vacinais NSALL apresentam um grande potencial para serem utilizadas como uma vacina para
dengue.
Abstract
Assunto
Microbiologia, Vacinas contra dengue, Proteínas não estruturais virais, Adenovírus
Palavras-chave
Dengue, Adenovírus, Proteínas não estruturais, MVA, Vacina