Inteligência artificial como ferramenta para inclusão de pacientes oncológicos em cuidados paliativos: uma revisão de escopo
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Artificial intelligence as a tool for the inclusion of oncology patients in palliative care: a scoping review
Primeiro orientador
Membros da banca
Fabiana Bolela de Souza
Flávia Firmino
Zilma Silveira Nogueira Reis
Isabel Yovana Quispe Mendoza
Flávia Firmino
Zilma Silveira Nogueira Reis
Isabel Yovana Quispe Mendoza
Resumo
Introdução: Os cuidados paliativos (CP) são fundamentais para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com doenças que ameaçam a vida, como o câncer, e de seus familiares. A abordagem, que preconiza o manejo de sintomas e o suporte psicossocial e espiritual, ganhou reforço no Brasil com a instituição da Política Nacional de Cuidados Paliativos (2024), consolidando sua relevância no Sistema Único de Saúde (SUS). No contexto oncológico, os CP são essenciais para alinhar as decisões terapêuticas aos valores dos pacientes. Em paralelo, a Inteligência Artificial (IA) emerge como uma ferramenta promissora na saúde, com potencial para otimizar diagnósticos, análises preditivas e personalizar o cuidado. Contudo, observa-se uma lacuna na literatura científica sobre como a IA tem sido utilizada especificamente para a inclusão de pacientes oncológicos em CP e quais os seus reais benefícios e desfechos. Objetivo: Mapear a literatura existente sobre as tecnologias de IA aplicadas à inclusão de pacientes com câncer em CP e analisar os desfechos clínicos, operacionais e econômicos subsequentes. Metodologia: Foi conduzida uma revisão de escopo, seguindo as diretrizes do Instituto Joanna Briggs (JBI) e do PRISMA-ScR, com protocolo registrado na Open Science Framework. A busca sistemática foi realizada em bases de dados proeminentes como PubMed, Scopus, Web of Science, IEEE Xplore, e na literatura cinzenta, sem restrições de data ou idioma, para garantir uma cobertura abrangente do tema. Resultados: A análise resultou na inclusão de cinco estudos, publicados entre 2021 e 2025, majoritariamente conduzidos em países de alta renda, como Estados Unidos e Canadá, e baseados em delineamentos de coorte retrospectivos. As tecnologias de IA identificadas foram principalmente modelos de machine learning, inteligência aumentada e processamento de linguagem natural, aplicados para predizer a mortalidade no último ano de vida e, assim, identificar precocemente a elegibilidade para CP. Esses modelos utilizaram uma vasta gama de dados, incluindo informações clínicas, demográficas, socioeconômicas e textuais de registros eletrônicos de saúde, com foco em populações de adultos com câncer avançado. Os desfechos avaliados abrangeram desde o tempo para encaminhamento e mortalidade até o controle de sintomas e impactos econômicos. Entre as barreiras para implementação, destacaram-se a dificuldade de acesso a dados não estruturados e a baixa confiança dos profissionais nos algoritmos. Conclusão: A IA demonstra um potencial significativo para apoiar a inclusão oportuna de pacientes oncológicos em CP, favorecendo a tomada de decisão clínica, especialmente para pacientes no último ano de vida. Entretanto, a concentração dos estudos em contextos hospitalares de alta renda, a escassez de pesquisas em sistemas públicos de saúde e uma ênfase maior nos aspectos técnicos em detrimento da implementação prática revelam lacunas críticas. O avanço seguro e equitativo da IA nesta área demanda abordagens interdisciplinares, regulamentação clara e estratégias que priorizem a dignidade e a equidade no fim da vida. Este estudo posiciona-se como a primeira revisão de escopo sobre o tema, oferecendo subsídios essenciais para futuras pesquisas e para o desenvolvimento de políticas públicas informadas.
Abstract
Palliative Care (PC) is fundamental to improving the quality of life for patients with life-threatening illnesses, such as cancer, and their families. This approach, which advocates for symptom management and psychosocial and spiritual support, has been reinforced in Brazil with the establishment of the National Policy on Palliative Care (2024), consolidating its relevance within the Brazilian Unified Health System (SUS). In the oncological context, PC is essential for aligning therapeutic decisions with patient values. Concurrently, Artificial Intelligence (AI) is emerging as a promising tool in healthcare, with the potential to optimize diagnostics, predictive analyses, and personalized care. However, a gap is noted in the scientific literature regarding how AI is specifically being used for the inclusion of oncology patients in PC, as well as its actual benefits and outcomes. Objective: To map the existing literature on AI technologies applied to the inclusion of cancer patients in PC and to analyze the subsequent clinical, operational, and economic outcomes. Methodology: A scoping review was conducted following the Joanna Briggs Institute (JBI) and PRISMA-ScR guidelines, with a protocol registered on the Open Science Framework. A systematic search was performed across prominent databases such as PubMed, Scopus, Web of Science, and IEEE Xplore, as well as in the grey literature, without date or language restrictions, to ensure comprehensive coverage of the topic. Results: The analysis resulted in the inclusion of five studies, published between 2021 and 2025, predominantly conducted in high-income countries, such as the United States and Canada, and based on retrospective cohort designs. The identified AI technologies were primarily machine learning models, augmented intelligence, and natural language processing, applied to predict mortality in the last year of life and thereby identify early eligibility for PC. These models utilized extensive datasets, including clinical, demographic, socioeconomic, and textual data from electronic health records, with a focus on adult populations with advanced cancer. The outcomes assessed ranged from time to referral and mortality to symptom control and economic impacts. Barriers to implementation included difficulty in accessing unstructured data and low physician confidence in the algorithms. Conclusion: AI demonstrates significant potential to support the timely inclusion of oncology patients in PC, aiding clinical decision-making, especially for patients in their last year of life. However, the concentration of studies in high-income, hospital-based settings, a scarcity of research in public health systems, and a greater emphasis on technical aspects over practical implementation reveal critical gaps. The safe and equitable advancement of AI in this field requires interdisciplinary approaches, clear regulation, and strategies that prioritize dignity and equity at the end of life. This study stands as the first scoping review on the topic, offering essential insights for future research and the development of informed public policies.
Assunto
Neoplasias, Cuidados Paliativos, Qualidade de Vida, Atenção à Saúde, Tomada de Decisões, Registros Eletrônicos de Saúde, Alta do Paciente, Inteligência Artificial, Política de Saúde
Palavras-chave
inteligência artificial, cuidados paliativos, oncologia, revisão de escopo, saúde pública