“É difícil, mas é bom”: ser jovem no contexto do ensino médio integrado
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Juarez Tarcísio Dayrell
Miriam Fábia Alves
Francisco André Silva Martins
Licínia Maria Correa
Miriam Fábia Alves
Francisco André Silva Martins
Licínia Maria Correa
Resumo
Esta pesquisa teve como objetivo compreender como os/as jovens estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) – Campus Santa Luzia vivenciam sua condição juvenil e dão sentidos às suas experiências no Ensino Médio Integrado. Sob o ponto de vista dos/as jovens e baseada nos estudos da Sociologia da Juventude e da Experiência – em especial nos trabalhos de Dayrell (2007), Sposito (2002), Pais (2001), Abrantes (2003) e Dubet (1994) –, esta investigação buscou discutir questões próprias aos/às jovens durante seus itinerários formativos em uma escola de tempo integral cujo currículo integra a formação propedêutica à habilitação profissional. Para tanto, desenvolvi uma investigação de caráter qualitativo, cujos instrumentos e técnicas de coleta de dados abarcaram fontes primárias, como entrevistas semiestruturadas, observação (dentro e fora da sala de aula), aplicação de questionários e acompanhamento de postagens em uma rede social, e fontes secundárias, como o Projeto Pedagógico do Curso, horários de aulas, atividades extracurriculares, entre outros documentos. O estudo contou com a participação de estudantes de duas turmas de Ensino Médio Integrado, somando 65 jovens com idades entre 15 e 17 anos, e houve um aprofundamento da investigação com dez deles/as. Os resultados da pesquisa indicam que os/as estudantes experimentam uma extensa carga horária de aulas (de 36 a 40 aulas semanais), são incentivados/as a participar de atividades de monitoria e projetos de pesquisa e extensão e, em paralelo à intensa rotina acadêmica, dividem seu tempo com amigos/as, namorados/as, práticas de esportes e “manutenção da vida online” nas redes sociais. Uma vez que permanecem cerca de dez horas por dia na escola, os/as estudantes desenvolvem estratégias de gestão do tempo para lidar de modo relativamente equilibrado com as atividades acadêmicas e sociais, embora reste pouco tempo-espaço para vivências além dos limites da escola. Verificou-se, por meio do cotejo dos sentidos atribuídos à experiência escolar e juvenil, que a principal estratégia acionada por eles/as para lidar com esse impasse é reinventar o espaço escolar, alargando as possibilidades de sociabilidade, contornando regras e ressignificando os tempos. O estudo ainda sugeriu que as experiências dos/as jovens são plurais, marcadas por aproximações e distanciamentos entre desejos e projetos, bem como realizações e frustrações no contexto escolar e em outras dimensões de suas vidas. Observou-se finalmente que os/as jovens e suas famílias direcionam um alto investimento socioeconômico e simbólico para a experiência escolar no Ensino Médio Integrado em uma instituição da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, o que permite inferir que o público investigado aposta na escola como importante espaço de socialização e formação, a despeito das tensões, paradoxos e contradições lá operantes.
Abstract
Assunto
Educação, Escolas de tempo integral, Ensino integrado, Estudantes - Aspectos sociais, Jovens - Condições sociais, Ambiente escolar, Integração social
Palavras-chave
Jovens, Experiência escolar, Ensino médio integrado