Qualidade de vida e sintomas de depressão e ansiedade de pacientes em terapia renal substitutiva em Belo Horizonte: uma coorte histórica
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
Introdução: depressão e ansiedade são os transtornos mentais mais prevalentes em pacientes com falência renal crônica. Eles interferem negativamente na qualidade de vida e sobrevida, sendo o tempo e o tipo de terapia renal substitutiva importantes fatores de risco. Objetivo: avaliar a qualidade de vida, os sintomas de depressão e ansiedade e a sobrevida em uma coorte de pacientes com falência renal crônica em diálise. Desenho do estudo: estudo longitudinal com análises de dados transversais. População: pacientes de 18 anos ou mais que iniciaram diálise entre 1º de janeiro de 2006 e 1º de janeiro de 2008 em dez serviços de diálise conveniados com o SUS em Belo Horizonte, Minas Gerais. Foram elegíveis para o estudo os pacientes com no mínimo três meses de tratamento, sem histórico de realização de transplante e que concordaram em participar da pesquisa. Métodos: a coleta de dados ocorreu em dois momentos: linha de base (tempo 1) e após dez anos de seguimento (tempo 2). Todos os pacientes incluídos no tempo 1 foram novamente convidados a participar das entrevistas no tempo 2. Aqueles que recusaram, recuperaram a função renal ou que foram transferidos para acompanhamento em outra cidade foram excluídos do seguimento. Em ambos os tempos, foram coletadas informações sociodemográficas, clínicas, nutricionais, de hábitos e qualidade de vida. Dados sobre depressão e ansiedade foram coletados apenas no tempo 2. Os instrumentos utilizados foram: 36 Item Short Form Health Survey (SF 36), Inventários Beck de Depressão e Ansiedade, Avaliação Global Subjetiva e Índice de Comorbidade de Charlson. Para a análise estatística foram utilizados modelos de regressão logística multivariada e regressão linear múltipla para avaliar os
fatores de risco associados aos sintomas de depressão e ansiedade e à mudança da qualidade de vida entre os tempos 1 e 2, respectivamente. Também foram utilizados modelos de riscos proporcionais univariados e multivariados de Cox para avaliar aqueles associados à mortalidade. Resultados: 712 pacientes iniciaram o estudo e apenas 205 foram novamente entrevistados no tempo 2. A amostra total apresentou idade média de 53,9±15,2, tendo sido 301 (42,3%) pertencentes ao sexo feminino e 418 (59,1%) com nível fundamental de escolaridade. No tempo 2, foram detectados sintomas de depressão e ansiedade, respectivamente, em 77 (41,7%) e 41 (32,3%) dos pacientes em diálise, e em 10 (13,3%) e 15 (20,3%) dos pacientes transplantados. Menores escores no componente mental do SF--36 foram associados à depressão nos pacientes transplantados (p=0,03) e nos em diálise (p=0,001). Menores escores no componente físico foram associados à depressão apenas nos pacientes em diálise (p=0,001). As variáveis associadas à ansiedade em pacientes em diálise foram perda do acesso vascular (p=0,04), comorbidades (p=0,01) e piores escores nos componentes mental (p=0,001) e físico (p=0,02). A qualidade de vida dos 205 pacientes sobreviventes foi comparada segundo três grupos de acordo com as mudanças dos pacientes no seguimento: 113 (diálise--diálise), 75 (diálise--transplante) e 17 (diálise--transplante--diálise). No tempo 1, apenas a idade foi significativamente diferente entre os grupos. No tempo 2, os pacientes transplantados mantiveram maior participação social, retenção de emprego e melhora nos escores do SF--36. Os fatores associados à mudança na qualidade de vida foram maior tempo em diálise, que interferiu negativamente na capacidade funcional (p=0,002), limitações por aspectos físicos (p=0,002), estado geral de saúde (p=0,007), aspectos sociais (p=0,02), aspectos emocionais
(p=0,003) e componente físico (p=0,002); a não participação em grupos sociais nos tempos 1 e 2, que reduziu os escores vitalidade (p=0,02); ter trabalho no tempo 2, que aumentou os escores de vitalidade (p=0,02) e saúde mental (p=0,02). Ao final dos 9 anos de seguimento, 444 (62,3%) pacientes morreram durante o estudo. Não ser casado ou não ter companheiro estável (p=0,04), baixa frequência em atividades de lazer (p=0,04) e não ser transplantado (p<0,001) permaneceram independentemente associados à mortalidade após cinco anos de seguimento. E não ser casado ou não ter companheiro estável (p=0.03), não ser transplantado (p<0,001) e pior estado nutricional (p=0,04) permaneceram independentemente associados ao aumento da mortalidade ao final de 9 anos de seguimento, enquanto alto nível de escolaridade (p=0,03) e melhores escores no domínio funcionamento físico do SF--36 (p=0,007) foram fatores protetivos associados à sobrevida. Conclusão: os sintomas de depressão e ansiedade foram mais frequentes em pacientes submetidos à diálise. A qualidade de vida mostrou--se dinâmica ao longo dos anos de terapia renal substitutiva, e, dentre os tratamentos, o transplante apresentou mais benefícios ao paciente. E a sobrevida do paciente com falência renal crônica foi associada a um amplo conjunto de fatores que não se limitam apenas ao espectro clínico, estando os hábitos, a qualidade de vida e as características sociais como fatores protetivos à saúde
Abstract
Assunto
Insuficiência Renal Crônica, Falência Renal Crônica, Terapia de Substituição Renal, Depressão, Ansiedade, Mortalidade, Sobrevida, Qualidade de Vida
Palavras-chave
Doença Renal Crônica, Falência Renal Crônica, Terapia Renal Substitutiva, Qualidade de Vida, Depressão, Ansiedade, Mortalidade, Sobrevida
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