Resposta imune humoral e celular de crianças e adolescentes com baixa carga parasitária na infecção por Schistosoma mansoni
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Humoral and cellular immune responses of children and adolescents with low parasite load in Schistosoma mansoni infection
Primeiro orientador
Membros da banca
Andrea Teixeira
Soraya Torres Gaze
Thiago Almeida Pereira
Élida Mara Leite Rabelo
Soraya Torres Gaze
Thiago Almeida Pereira
Élida Mara Leite Rabelo
Resumo
O novo panorama epidemiológico da esquistossomose no Brasil é caracterizado por um
aumento de áreas de baixa a média endemicidade e geralmente populações com baixas
cargas parasitárias, e como consequência, de difícil diagnóstico por métodos
parasitológicos convencionais. Portanto, o objetivo do presente trabalho foi caracterizar
a resposta imune celular e humoral em indivíduos infectados com Schistosoma mansoni
em busca de possíveis marcadores imunológicos que possam diferenciar indivíduos de
baixa carga parasitária, daqueles ovo-negativos de área endêmica. Foi realizado a coleta
de fezes e urina, para os exames de Kato-Katz e o teste rápido para antígeno catódico
circulante, POC-CCA. Coletamos sangue periférico para confecção de hemogramas e
obtenção de plasma para ensaios imunológicos (ELISA), tais como detecção de citocinas
(Th1, Th2, Th17 e regulatória) e anticorpos anti-SWAP (IgG1, IgG4 e IgE específicos).
Além disso, a resposta imune celular foi avaliada, in vitro, em células mononucleares do
sangue periférico (PBMCs), usando citometria de fluxo e com foco em linfócitos TCD4+.
Utilizamos um protocolo para avaliar estas células em relação à ativação celular
(marcadores CD69 e HLA-DR), exaustão (PD-1 e TIM-3), painel Th2/TCD4+ produtoras
de IL-9 (IL-4, IL-9 e IL-10) e participação de células Th17 (CCR6, RORγT, IL-17).O uso
dos PBMCs em sobrenadantes de cultura para a detecção de citocinas nos grupos NE
(negativo endêmico), CB (baixa carga parasitária), CMA (média/alta carga parasitária)
sem estímulo (SE) e com estímulo antígeno solúvel do verme adulto (SWAP) antes do
tratamento (T0) e após o tratamento (T30d). A aplicação do questionário socioeconômico
e comportamental indicou alguns fatores de risco para a infecção. O hemograma no T0,
observamos um aumento de monócitos do grupo CB em comparação ao NE e maiores
concentrações de eritrócitos em comparação ao CMA. Já que as plaquetas foram maiores
nos grupos infectados (CB, CMA) em comparação ao ovo-negativo (NE). No T30d,
apresentou uma diminuição nas concentrações de plaquetas e eritrócitos apenas no grupo
CMA. Na resposta imune humoral demonstrou que os níveis de IgG1, IgG4 específicos
foram maiores no grupo CB e CMA. Entretanto a IgE foi maior no grupo CMA, do que,
nos grupos CB e NE no T0. Portanto, no T30d o grupo CB aumentou os níveis IgG1 e
IgE, enquanto, o grupo CMA aumentou os níveis de IgG1 e diminuiu os de IgG4. A
avaliação da resposta imune celular demonstrou que no T0, os PBMCs do grupo NE
demonstraram uma maior ativação de linfócitos TCD4+, enquanto o grupo CB não
induziu marcadores de ativação recente CD69 e tardio HLA-DR. No painel de exaustão,
após tratamento, apresentou o aumento na expressão de PD-1 nos indivíduos infectados
(grupos CB e CMA). Já o painel Th2/TCD4 produtoras de IL-9, o grupo CB, induziu uma
resposta do tipo 2, mas não, a expressão de IL-9. Esse tipo de perfil continuou após o
tratamento, entretanto, houve um aumento na expressão de IL-9. Para o painel Th17,
observamos um aumento dos marcadores de linfócitos Th17 nos grupos NE e CMA, mas
não, no grupo CB. Mesmo após tratamento, não houve um aumento de marcadores nos
grupos CMA e CB. Na dosagem de citocinas e quimiocinas dos sobrenadantes de PBMCs,
do grupo CB após tratamento, resultou em uma diminuição de citocinas inflamatórias e o
aumento da citocina IL-10. Enquanto o grupo CMA, apresentou um aumento na secreção
de TNF- α, IL-13, CCL17 (TARC) e IL-10. No modelo multivariado, um dos resultados
mais relevantes do presente estudo demonstrou que, indivíduos com baixa carga
parasitária, exibiram uma resposta imune celular distinta através de células T CD4+, em
comparação aos indivíduos ovo negativos, e essa diferença se manteve 30 dias após
tratamento. Contudo, nesses indivíduos infectados por S. mansoni, não observamos
características da esquistossomose grave. Desta forma, sugerimos que esses indivíduos
poderiam ser definidos como crianças e adolescentes assintomáticos, com a forma mais
x
leve da infecção. Ademais, os marcadores imunológicos indicaram uma resposta imune
celular do tipo 2, mas com a participação de IL-10 e sem uma produção acentuada de
citocinas inflamatórias
Abstract
Assunto
Parasitologia, Schistosoma mansoni, Carga parasitária, Linfócitos T CD4-positivos, Interleucina - 9
Palavras-chave
Schistosoma mansoni, Baixa carga parasitária