Educação para o cuidado em saúde nos estágios dos cursos de farmácia: um olhar sobre o contexto comunitário.

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tipo

Tese de doutorado

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Primeiro orientador

Membros da banca

Djenane Ramalho de Oliveira
Denise Bueno
Isabel Lopes Nunes da Cunha
Fabiane Ribeiro Ferreira

Resumo

Nas últimas três décadas, o ensino de Farmácia tem caminhado para formação de profissionais com competências para atuar no atendimento direto aos pacientes. Nesse contexto, o ensino baseado em competência tem sido foco de discussões em todo o mundo, especialmente, o componente experiencial tem obtido grande valorização no itinerário formativo, com recomendações da sua expansão e inserção dos estudantes de maneira mais ativa nos cenários de prática em serviço desde o início da graduação. O Brasil, após a publicação das DCN/2002, atualizadas em 2017, tem avançado na discussão de currículos de Farmácia mais voltados para o cuidado em saúde e com um reconhecimento dos estágios como estratégicos no processo educacional. O objetivo deste estudo foi compreender o processo de ensino-aprendizagem em cenários de prática do cuidado em saúde, no âmbito comunitário, dos cursos de Farmácia no Brasil. O estudo foi estruturado em três etapas: 1) estudo exploratório observacional descritivo transversal para traçar um panorama dos cursos de Farmácia no Brasil e a inserção dos estágios, para o qual realizou-se uma análise documental dos Projetos Políticos dos Cursos, matrizes curriculares e ementas. 2) estudo exploratório observacional descritivo transversal para descrever os estágios em farmácias comunitárias dos cursos na modalidade presencial, para os quais foi enviado um questionário autoaplicável aos coordenadores para coleta de dados dos aspectos organizacionais e pedagógicos dos estágios. 3) E, por fim, foi realizado um estudo de perspectiva etnográfica na educação para compreender os fatores e eventos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem do cuidado em saúde no âmbito comunitário, em dois locais de estágio do curso de Farmácia da UFSC: a farmácia universitária e um centro de saúde municipal. Dos 1004 cursos de Farmácia existentes no Brasil, 573 (57,1%) foram considerados elegíveis para a primeira etapa. Foi constatada uma mediana de seis estágios, iniciando no 6º período e com carga horária mediana de 826 horas. Os estágios eram realizados em farmácia comunitária e ambulatorial (92,4%; N=291), análises clínicas (86,4%; N=273) e tecnologia farmacêutica (83,5%; N=222), com maior carga horária em análises clínicas (200 horas). Na segunda etapa, 288 cursos foram considerados elegíveis e 98 responderam ao questionário. Os estágios em farmácia comunitária dos cursos avaliados possuíam uma carga horária mediana de 263,5 horas. Deste total, 76,5% era realizada em farmácias comunitárias privadas, seguido por 53,1% com gestão pública e 46,9% universitárias, sendo estas últimas as que ofertavam a maior proporção de serviços de cuidado farmacêutico. Apenas 39% dos cursos possuíam tanto disciplinas das “ciências sociais/comportamentais/administrativas de farmácia”, quanto das “ciências clínicas” como pré-requisito para o estágio em farmácias comunitárias. A avaliação era realizada por “relatório feito pelo estudante” (80,6%), “feedback feito pelo supervisor” (64,3%) e “autoavaliação” (34,7%). A terceira etapa revelou algumas questões quanto ao processo de ensino-aprendizagem: liberdade do estudante sobre o seu processo educacional, sem uma clareza dos objetivos educacionais do estágio; ausência de estruturação de um processo de ensino experiencial; dificuldade do estímulo à reflexão e do feedback da educadora para a educanda devido à sobrecarga do serviço; autonomia em serviço de saúde sem o desenvolvimento de competências prévias para o cuidado; carência de um processo de avaliação capaz de mensurar o desenvolvimento do educando e/ou motivá lo para um movimento de reflexão e tomada de consciência sobre suas necessidades de aprendizado. Em suma, esta tese aponta importantes fragilidades do ensino em serviço dos cursos de Farmácia do Brasil, as quais devem ser ponderadas no processo de reforma curricular. A criação de programas de ensino experiencial deve ser considerada de modo a qualificar o ensino de Farmácia e entregar à sociedade farmacêuticos qualificados para prática profissional.

Abstract

Assunto

Palavras-chave

Educação superior, Educação baseada em competências, Ensino experiencial, Educação farmacêutica, Cuidado farmacêutico, Farmácia comunitária, Currículo, Brasil

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