Padrões de mobilidade e efeitos distributivos sobre o rendimento do trabalho: uma análise a partir de perfis ocupacionais

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Mariangela Furlan Antigo
Philipe Scherrer Mendes
Maria Micheliana da Costa Silva

Resumo

As transformações recentes do mercado de trabalho brasileiro, impulsionadas por mudanças tecnológicas e pela elevação do nível educacional da força de trabalho, suscitam novas questões sobre a estrutura das ocupações e os padrões de mobilidade. Nesse contexto, esta dissertação investiga de que maneira as transições ocupacionais se relacionam à estrutura de desigualdades e aos retornos salariais, à luz das competências e qualificações demandadas pelas ocupações. Parte-se da hipótese de que ocorreram mudanças na distribuição ocupacional ao longo da década, de que esses efeitos não foram homogêneos entre os grupos sociais, especialmente quando considerados os recortes de gênero e raça, e, por fim, que os padrões de mobilidade e seus retornos variam conforme a natureza das ocupações. A análise combina uma abordagem descritiva e aplicada, com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de Minas Gerais. Foram considerados pares de anos consecutivos – 2010/2011, 2018/2019 e 2021/2022 – identificando-se os trabalhadores empregados no primeiro ano e localizados em todo o território nacional no ano seguinte. As ocupações foram classificadas em seis grupos a partir de uma tipologia inédita construída com base no Quadro Brasileiro de Qualificações (QBQ), que sintetiza diferentes níveis de qualificação a partir da combinação de conhecimentos, habilidades e atitudes requeridos pelas ocupações. Essa proposta metodológica constitui uma contribuição original do estudo, ao permitir analisar a mobilidade ocupacional a partir da natureza das competências desempenhadas no trabalho. Os resultados indicam que, embora a estrutura ocupacional se mantenha relativamente estável ao longo do período, observa-se uma reconfiguração das trajetórias de mobilidade, sobretudo nos segmentos de maior qualificação. O mercado de trabalho preserva traços de estratificação e segmentação social por gênero, raça e qualificação, o que se reflete em padrões distintos de transição e de retorno salarial entre os grupos. As regressões estimadas confirmam que as variações de rendimento acompanham a hierarquia de qualificação: movimentos descendentes implicam perdas salariais, enquanto transições para grupos mais qualificados geram ganhos expressivos, e as magnitudes, contudo, variam conforme o gênero e a raça dos trabalhadores. Em conjunto, os resultados sugerem que o mercado de trabalho brasileiro passa por um processo de reconfiguração parcial das distâncias sociais, mas ainda limitado pela persistência de barreiras estruturais que condicionam o acesso e os retornos da mobilidade ocupacional. Essa dinâmica aponta para uma agenda de pesquisa voltada à compreensão das novas formas de desigualdade e dos desafios para a consolidação de trajetórias profissionais mais equitativas em um contexto de mudança tecnológica acelerada.

Abstract

Recent transformations in the Brazilian labor market, driven by technological changes and rising educational level of the workforce, raise new questions about the occupational structure and mobility patterns. In this context, this thesis investigates how occupational transitions relate to the structure of inequalities and wage returns, considering the skills and qualifications demanded by occupations. The analysis starts from the hypothesis that changes occurred in occupational distribution over the decade, that these effects were not homogeneous among social groups—especially when considering gender and race—and, finally, that mobility patterns and their returns vary according to the nature of occupations. The study combines a descriptive and applied approach using data from the Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) for the state of Minas Gerais. It considers pairs of consecutive years —2010/2011, 2018/2019, and 2021/2022 – identifying workers employed in the first year and located anywhere in the national territory in the following year. Occupations were classified into six groups based on an original typology constructed from the Quadro Brasileiro de Qualificações (QBQ), which synthesizes different qualification levels through the combination of knowledge, skills, and attitudes required by occupations. This methodological proposal constitutes an original contribution of the study, as it allows for the analysis of occupational mobility through the lens of the nature of competences performed at work. The results indicate that, although the occupational structure remains relatively stable over the period, a reconfiguration of mobility trajectories is observed, especially among higher-qualified segments. The labor market retains traces of social stratification and segmentation by gender, race, and qualification, which are reflected in distinct patterns of transition and wage return among groups. The estimated regressions confirm that income variations follow the qualification hierarchy: downward movements imply wage losses, while transitions to more qualified groups generate substantial gains; however, the magnitudes vary by workers’ gender and race. Taken together, the results suggest that the Brazilian labour market is undergoing a partial reconfiguration of social distances yet remains constrained by the persistence of structural barriers that condition both access to and returns from occupational mobility. This dynamic points to a research agenda focused on understanding new forms of inequality and the challenges to fostering more equitable professional trajectories in a context of accelerated technological change.

Assunto

Mercado de trabalho, Mobilidade ocupacional

Palavras-chave

Mobilidade ocupacional, Tarefas e habilidades, Desigualdades do mercado de trabalho, Retornos salariais, Gênero e raça

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