Pensamento circular : contracolonialidade e pertencimento
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Circular thinking : countercoloniality and belonging
Primeiro orientador
Membros da banca
Cássia Cristina da Silva
Ana Paula Vasconcelos Gonçalves
Natalino Neves da Silva
Mariana Machado Rochar
Marta Quintiliano
Ana Paula Vasconcelos Gonçalves
Natalino Neves da Silva
Mariana Machado Rochar
Marta Quintiliano
Resumo
Esta tese propõe evidenciar e afirmar os traços epistemológicos presentes nas cosmologias afropindorâmicas, tomando como referência o pensamento circular e orgânico reeditado por Nego Bispo. Historicamente, a razão moderna ocidental negou a legitimidade epistêmica a esses saberes e seus sujeitos. Nego Bispo nos sugere que são as perguntas que nos ensinam. Assim, nosso aprendizado se orienta a partir da seguinte questão: qual a relevância do pensamento orgânico, conforme reeditado por Nego Bispo, para a contemporaneidade, dado que reedita a contracolonialidade não como metodologia ou teoria, mas como uma manifestação, como modo de vida, seja no âmbito das ciências seja das relações intersubjetivas e institucionais, uma vez que é orientado pela circularidade do pensamento ancestral? A hipótese que orienta esta investigação é a de que o pensamento de Nego Bispo reconfigura possibilidades para a constituição de uma sociologia circular, orgânica e afropindorâmica, ao enfatizar o fundo epistemológico dessas cosmologias e tensionar os limites da epistemologia ocidental. Metodologicamente, a pesquisa percorreu um "roçado epistêmico" afrodiaspórico, utilizando ferramentas de revisão bibliográfica, viodeográfica e oralográfica, confluindo com produções de pessoas negras e indígenas afropindorâmicas, e transfluindo com produções de pessoas negras afrodiaspóricas e indígenas de outros territórios. Analisando a trajetória de Nego Bispo, defendo a categoria “pertencimento” como a morada dos contornos epistemológicos de seu
pensamento, que passa a ser trabalhada como uma fonte de onde jorra o fundamento epistêmico de pessoas, grupos e povos diversos, bem como é fonte restituidora das bases cosmológicas e
dos modos de vida precarizados pelo colonialismo. O pertencimento, portanto, é o catalizador da diversidade e fonte da pluridiversidade epistêmica no espaço acadêmico-científico. Esse roçado pluridiverso será traçado como o voo de um carcará, ou seja, uma escrita circular, que pretende romper com a formalidade, a linearidade e o ritmo da escrita acadêmica ocidental, performando, assim, a contracolonialidade como manifestação e defensivo orgânico que contrapõe e enfraquece o sintético, ao mesmo tempo em que restitui a organicidade das pessoas e dos saberes. Trata-se, portanto, de uma proposta epistemológica nova, diversa e contracolonial, encenando rupturas e incentivando outros modos de fazer e sentir as ciências. Seguindo o fluxo da sabedoria ancestral, ao evidenciar os frutos epistemológicos do pensamento circular, a pesquisa volta-se, assim, ao seu início, aos pertencimentos diversais necessários para uma relação cósmica e biointerativa constitutiva e mantenedora da vida de
tudo que é vivo, e tudo tem vida e espírito.
Abstract
This thesis proposes to highlight and affirm the epistemological traits present in Afro-pindoramic cosmologies, taking as a reference the circular and organic thinking reissued by Nego Bispo. Historically, modern Western reason has denied epistemic legitimacy to this knowledge and its subjects. Nego Bispo suggests that these are the questions that teach us. Thus, our learning is guided by the following question: what is the relevance of organic thinking as reissued by Nego Bispo for contemporary times, given that it reissues countercoloniality not as a methodology or theory, but as a manifestation, as a way of life, whether in the sciences or in intersubjective and institutional relations, since it is guided by the circularity of ancestral thinking? The hypothesis guiding this research is that Nego Bispo's thinking reconfigures possibilities for the constitution of a circular, organic and Afro-pindoramic sociology, by emphasizing the epistemological background of these cosmologies and straining the limits of Western epistemology. Methodologically, the research followed an Afro-diasporic “epistemic path”, using bibliographic, viodeographic and oralographic review tools, converging with productions by Afro-pindoramic black and indigenous people, and transfluencing with productions by Afro-diasporic black and indigenous people from other territories. Analyzing the trajectory of Nego Bispo, I defend the category of “belonging” as the home of the epistemological contours of his thought, and it becomes a source from which the epistemic foundation of diverse individuals, groups and peoples flows, as well as a source that restores the cosmological bases and ways of life that were made precarious by colonialism. Therefore, belonging is the catalyst for diversity and the source of epistemic pluri-diversity in the academic-scientific space. This pluri-diverse path will be traced like the flight of a carcará, in other words, circular writing, which aims to break formality, linearity and the rhythm of Western academic writing, thus performing countercoloniality as a manifestation and organic defense that opposes and weakens the synthetic, while at the same time restoring the organicity of people and knowledge. It is therefore a new, diverse and counter-colonial epistemological proposal, staging ruptures and encouraging other ways of doing and feeling the sciences. Following the flow of ancestral wisdom, by highlighting the epistemological fruits of circular thinking, the research returns to its beginnings, to the diverse belongings necessary for a cosmic and biointeractive relationship that is constitutive and maintains the life of everything that is alive, and everything has life and spirit.
Assunto
Sociologia - Teses, Decolonialidade - Teses, Grupos étnicos - Teses, Relações raciais - Teses
Palavras-chave
Pensamento circular, Pertencimento, Contracolonialidade, Bionteração, Sociologia afropindorâmica