Análise de mutações nos genes NPM1 e IDH1 e sua associação com características clínicas e biológicas em pacientes com leucemia mielóide aguda
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Karina Braga Gomes Borges
Daniel Gonçalves Chaves
Daniel Gonçalves Chaves
Resumo
Nos pacientes adultos com LMA e cariótipo normal, a estratificação de risco, que orienta a seleção do tratamento mais apropriado para a doença, é um desafio. Neste grupo, mutações nos genes NPM1 e IDH1 têm sido analisadas como fatores preditivos de prognóstico. O objetivo do presente estudo foi investigar a frequência destas mutações em pacientes com LMA e relacioná-las com as suas características demográficas, clínicas e biológicas. Neste trabalho, foram analisados retrospectivamente 149 pacientes adultos com LMA primária e secundária diagnosticados no Serviço de Hematologia do Hospital das Clínicas da UFMG entre abril de 2004 e março de 2013. Os pacientes apresentaram mediana de idade de 49 anos (18 a 84 anos) e 50,3% (n = 75) eram mulheres. Em 113 casos (75,8%), a LMA foi classificada como primária e em 36 (24,2%) como secundária. A mediana do número de leucócitos foi de 21,5 (0,5 a 380,2) x109/L e de blastos foi de 11,0 (0 a 319,4) x109/L. A enzima LDH encontrava-se aumentada em 104/127 (81,9%) pacientes, sendo mais de duas vezes maior que o limite superior do intervalo de referência (>1.236 UI/L) em 61/127 (48,0%). O marcador CD34 foi positivo em 52/95 (54,7%) pacientes. Onze de 119 pacientes (9,2%) apresentaram cariótipo favorável, 79/119 (66,4%) apresentaram cariótipo intermediário, 29/119 (24,4%) cariótipo desfavorável e em 30/149 (20,1%) não foi possível fazer essa análise. A DIT-FLT3 foi detectada em 20/144 (13,9%) pacientes. As mutações em NPM1 e a mutação IDH1(R132) foram detectadas em 31/144 (21,5%) e 7/114 (6,1%) pacientes, respectivamente. No grupo com cariótipo normal, essas mutações foram observadas em 9/56 (16,1%), 18/55 (32,7%) e 5/46 (10,9%) pacientes, respectivamente. Houve associação entre as mutações em NPM1 e classificação de risco intermediária (p = 0.02), presença de cariótipo normal (p < 0,01), ausência de marcador CD34 (p < 0,01), número aumentado de leucócitos (p < 0,01) e blastos no sangue periférico (p < 0,01), enzima LDH sérica > 618 UI/L (p = 0,01) e DIT-FLT3 (p = 0,04). Essas associações não foram observadas para a mutação IDH1(R132). Em conclusão, as mutações em NPM1 foram identificadas com menor frequência em nossa população enquanto a mutação IDH1(R132) apresentou frequência semelhante ao descrito para a população caucasiana. As mutações em NPM1 estiveram associadas a fatores prognósticos em pacientes adultos com LMA, tais como maior número de leucócitos e de blastos ao diagnóstico, risco citogenético intermediário, cariótipo normal e DIT-FLT3.
Abstract
In adults patients with AML and normal karyotype, risk stratification is a challenge. In this group, mutations in the genes NPM1 and IDH1 have been analyzed for their prognostic value. This work aimed to evaluate the presence of NPM1 and IDH1 mutations in patients with AML and their association with clinical and biological features in this population. We retrospectively analyzed 149 newly diagnosed adult AML patients admitted in a single center between April 2004 and March 2013. Patients had a median age of 49 years (18 to 84 years) and 75 (50.3%) were female. In 113 (75.8%) cases AML was classified as primary and in 36 (24.2%) as secondary. The median value of WBC was 21.5 (0.5 to 380.2) x109/L and blasts was 11.0 (0.0 to 319.4) x109/L. The LDH was increased in 104/127 (81.9%) patients, and reached more than twice the upper limit of the reference range (>1,236 IU/L) in 61/127 (48.0%). The CD34 marker was positive in 52/95 (54,7%) patients. Eleven out of 119 (9.2%) patients had a favorable karyotype, 79/119 (66.4%) had a intermediate karyotype, 29/119 (24.4%) had an unfavorable karyotype and in 30/149 (20.1) karyotype was not performed. ITD-FLT3 was detected in 20/144 (13.9%) patients. Mutations in NPM1 and IDH1 were detected in 31/144 (21.5%) and 7/114 (6.1%) patients, respectively. In the normal karyotype group these mutations were observed in 9/56 (16.1), 18/55 (32.7%) and 5/46 (10.9%) patients, respectively. There was an association between mutations in NPM1 and intermediate risk group (p = 0.02), presence of normal karyotype (p < 0.01), absence of CD34 marker (p < 0.01) elevated leukocyte counts (p < 0.01) and blasts in peripheral blood (p < 0.01), serum enzyme LDH > 618 IU /L (p = 0.01) and ITD-FLT3 (p = 0.04). These associations were not observed for the IDH1 (R132) mutation. In conclusion, mutations in NPM1 were identified in a lower frequency in our population while the IDH1(R132) mutation showed a similar frequency to that described for the Caucasian population. Mutations in NPM1 were associated with prognostic factors in adult patients with AML as increased number of leukocytes and peripheral blood blasts at diagnosis, cytogenetic intermediate risk group, presence of normal karyotype and ITD-FLT3.
Assunto
Leucemia mielóide aguda/genética, Proteínas nucleares, Mutação, Neoplasias hematológicas, Genes neoplásicos, Risco, Leucemia
Palavras-chave
NPM1, IDH1, Estratificação de risco, Leucemia mielóide aguda