Repercussões da pandemia de COVID-19 no aleitamento materno na primeira hora após o nascimento e análise dos fatores individuais e contextuais
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
Introdução: O aleitamento materno na primeira hora de vida provê benefícios no curto e no longo prazos, citando-se a regulação da temperatura corporal e a colonização com bactérias benéficas aos recém-nascidos. Mesmo diante desses benefícios, desde o surgimento do novo coronavírus, denominado “SARS-CoV-2”, e da caracterização de uma pandemia, em março de 2020, passaram a ocorrer divergências em relação às recomendações para boas práticas nos cuidados neonatais e maternos de filhos de mães infectadas ou suspeitas com SARS-CoV-2. Isso tornou tal prática desafiadora para a saúde coletiva, com potencial para influenciar o aleitamento materno após o nascimento e, consequentemente, a sua manutenção. O objetivo deste estudo foi analisar os fatores individuais e contextuais associados ao aleitamento materno na primeira hora após o nascimento durante a pandemia da Covid-19. Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico com delineamento misto, realizado com base nos dados do inquérito “Parto e aleitamento materno em filhos de mães infectadas pelo SARS-CoV-2”, iniciado em 2020, em três maternidades públicas de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Os resultados foram comparados com os do estudo “Nascer em Belo Horizonte: inquérito sobre parto e nascimento”, realizado em 2011-2012, ou seja, pré-pandemia. Inicialmente, procedeu-se à comparação dos dois inquéritos quanto à amamentação na primeira hora de nascimento, por meio do teste qui-quadrado ou do teste exato de Fisher, para amostras independentes e nível de confiança de 95%, considerando apenas as mulheres que amamentaram após o parto. Posteriormente, a comparação contemplou mulheres lactantes não infectadas e mulheres infectadas/suspeitas por SARS-CoV-2, por meio do teste Qui-quadrado de Person ou do teste exato de Fisher. Também, realizou-se a análise multivariada, para avaliar fatores independentes associados à amamentação após o nascimento em ambos os períodos (pré-pandemia e durante a pandemia). Para atender ao objetivo desta tese, também se procedeu à regressão hierárquica e à revisão sistemática da literatura com meta-análise. As buscas foram realizadas no MEDLINE (via PubMed) e EMBASE. O critério de inclusão consistiu em relatar a prevalência da amamentação após o nascimento durante a pandemia de Covid-19. As análises foram realizadas no Stata, versão 17.0, sendo a meta-análise realizada no programa Rstudio. Resultados: Os achados desta tese evidenciaram maior proporção de mulheres que amamentaram na primeira hora após o parto dentre aquelas que não tiveram indicação de cesárea no período pré-pandemia e de mulheres sem intercorrências obstétricas no período pré-pandemia em comparação com o período pandêmico. Quanto à comparação entre mulheres infectadas/suspeitas e mulheres não infectadas, observaram-se maiores proporções daquelas que pariram por parto vaginal e amamentaram após o parto do que em mulheres não infectadas, bem como de mulheres não infectadas, sem indicação de cesariana em o momento da admissão e que amamentaram na primeira hora após o parto em comparação com as infectadas/suspeitas. Quanto à análise multivariada do período pré-pandemia, observou-se que as mulheres que realizaram menos de sete consultas de pré-natal reduziram, em média, 0,36 vez a chance de amamentar após o parto (p = 0,007). Em relação ao período pandêmico, verificou-se que as mulheres que realizaram cesárea reduziram, em média, 0,61 vez a chance de amamentar após o parto (p = 0,027), que as mulheres que tiveram um recém-nascido com peso inferior a 2.500g reduziram, em média, 0,29 vez a chance de amamentar após o parto (p = 0,031) e que mulheres que tiveram recém-nascido com complicações após o parto reduziram, em média, 0,05 vez a chance de amamentar após o parto (p < 0,001). Os resultados também demonstraram que a inclusão das variáveis relacionadas ao contexto obstétrico ─ paridade, peso do recém-nascido ao nascer, via de nascimento e índice de proteção social básica ─ associou-se estatisticamente significativamente ao aleitamento após o nascimento. Conclusão: Os achados desta tese evidenciaram que a pandemia de Covid-19 influenciou as práticas de amamentação na primeira hora após o nascimento, destacando-se as diferenças em relação ao período pré-pandemia e pandemia. Adicionalmente, fatores individuais e contextuais mostraram-se associados ao aleitamento materno no contexto da Covid-19. Diante disso, é fundamental que os profissionais de saúde incentivem a amamentação imediatamente após o nascimento, assegurando a sua realização precoce, pois tal iniciativa pode influenciar a manutenção posterior do aleitamento, e que realizem o aconselhamento do processo de amamentação e de seus benefícios no curto, no médio e no longos prazos.
Abstract
Introduction: Breastfeeding in the first hour of life provides short- and long-term benefits,
including regulating body temperature and colonizing newborns with beneficial bacteria.
Despite these benefits, since the emergence of the new coronavirus, called “SARS-CoV-2”, and
the characterization of a pandemic in March 2020, there have been divergences regarding
recommendations for good practices in neonatal and maternal care for children of mothers
infected or suspected of having SARS-CoV-2. This has become a challenging practice for
public health, with the potential to influence breastfeeding after birth and, consequently, its
maintenance. The objective of this study is to analyze the individual and contextual factors
associated with breastfeeding in the first hour after birth during the Covid-19 pandemic.
Methods: This is an epidemiological study with a cross-sectional design, nested in a cohort,
and carried out with data from the survey “Childbirth and breastfeeding in children of mothers
infected with SARS-CoV-2”, started in 2020, in three public maternity hospitals in Belo
Horizonte, Minas Gerais, Brazil. The results were compared with those of the study “Birth in
Belo Horizonte: survey on labor and birth”, carried out in 2011-2012, that is, pre-pandemic.
Initially, a comparison was made on breastfeeding in the first hour of birth between the two
surveys using the Chi-square test or Fisher's exact test for independent samples and a 95%
confidence level, considering only women who breastfed after delivery. Subsequently, the
comparison was made using Pearson's Chi-square test or Fisher's exact test between uninfected
and infected/suspected lactating women with SARS-CoV-2. In addition, multivariate analysis
was performed to assess independent factors associated with breastfeeding after birth in both
periods (pre- and during the pandemic). To meet the objective of this thesis, hierarchical
regression and a systematic literature review with meta-analysis were also performed. The
searches were performed in MEDLINE (via PubMed) and EMBASE. The inclusion criterion
was to report the prevalence of breastfeeding after birth during the COVID-19 pandemic. The
analyses were performed in Stata, version 17.0, and the meta-analysis was performed in the
Rstudio program. Results: The findings of this thesis showed a higher proportion of women
who breastfed in the first hour after birth among those who did not have an indication for
cesarean section in the pre-pandemic period and women without obstetric complications in the
pre-pandemic period when compared to the pandemic period. Regarding the comparison
between infected/suspected and uninfected women, higher proportions of women who gave
birth vaginally and breastfed after delivery were observed in uninfected women and higher
proportions of uninfected women, without indication for cesarean section at the time of
admission and who breastfed in the first hour after delivery - when compared to
infected/suspected women. Regarding the multivariate analysis of the pre-pandemic period, it
was observed that women who had less than 7 prenatal consultations reduced, on average, 0.36
times the chance of breastfeeding after delivery (p=0.007). Regarding the pandemic period, it
was found that women who underwent a cesarean section reduced, on average, 0.61 times the
chance of breastfeeding after childbirth (p=0.027), women who had a newborn weighing less
than 2,500 grams reduced, on average, 0.29 times the chance of breastfeeding after childbirth
(p=0.031) and women who had a newborn with complications after childbirth reduced, on
average, 0.05 times the chance of breastfeeding after childbirth (p<0.001). Finally, the results
demonstrated that, after including the variables related to the obstetric context, parity, newborn
weight at birth, route of birth and basic social protection index were statistically significantly
associated with breastfeeding after birth. Conclusion: The findings of this thesis showed that
the COVID-19 pandemic influenced breastfeeding practices in the first hour after birth,
highlighting differences in relation to the pre-pandemic period and during the pandemic. In
addition, individual and contextual factors were associated with breastfeeding in the context of
COVID-19. Therefore, it is essential that health professionals encourage breastfeeding
immediately after birth, ensuring its early implementation, as it can influence the subsequent
maintenance of breastfeeding, and provide counseling on the breastfeeding process and its
benefits in the short, medium and long term.
Keywords: Social determinants of health; breastfeeding; pregnant women, postpartum women,
Epidemiology
Assunto
Aleitamento Materno, Gestante, Período Pós-Parto, Epidemiologia, COVID-19, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Aleitamento materno, Gestantes, Puérperas, Epidemiologia, COVID-19