Ácidos graxos ômega-3 e lúpus eritematoso sistêmico: influência no perfil inflamatório, na atividade da doença e nos exames bioquímicos

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

Gilda Aparecida Ferreira
Jacqueline Isaura Alvarez Leite
Evandro Mendes Klumb
Renata Nascimento de Freitas

Resumo

Introdução: O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é doença inflamatória auto-imune, que resulta em aumento dos níveis circulantes de mediadores inflamatórios. Alguns estudos têm demonstrado a habilidade dos ácidos graxos ômega-3 em reduzir as concentrações de proteína C-reativa (PCR), eicosanoides pró-inflamatórios, citocinas, quimiocinas e de outros biomarcadores da inflamação. Por essas propriedades, a suplementação com essa classe de lipídeos pode representar terapia adicional ao tratamento de doenças inflamatórias crônicas sistêmicas, como LES. Objetivos: 1- apresentar revisão da literatura científica sobre os efeitos dos ácidos graxos ômega-3 em pacientes com LES; 2- analisar o efeito da suplementação com esse nutriente na atividade da doença, nos exames laboratoriais e nos níveis plasmáticos de citocinas (IL-4, IL-6, IL-10, IL-17A, TNF-α, leptina e adiponectina). Métodos: No ensaio clínico, foram avaliadas 49 mulheres com LES, sendo 22 do grupo de estudo e 27 do grupo controle. As pacientes do grupo de estudo receberam 2g de ômega-3 por dia (1040mg de EPA + 200mg de DHA) durante 12 semanas. A atividade da doença foi avaliada pelo SLEDAI-2K, as citocinas IL-4, IL-6, IL-10, IL-17A e TNF-α por citometria de fluxo ultrassensível e, leptina e adiponectina pelo método ELISA de captura. Avaliação nutricional pelo índice de massa corporal e pela bioimpedância, assim como marcadores bioquímicos foram avaliados ao início do estudo (T0) e ao final (T1). Resultados: A suplementação do ômega-3 não resultou em alterações da atividade da doença e dos níveis séricos das citocinas. Houve aumento significativo dos níveis séricos de colesterol total (T0=180,0 (456,0-193,5) mg/dL e T1=188,0 (162,0-214,5) mg/dL, p=0,012), LDL-c (T0=100,0 (88,0-120,5) mg/dL e T1=115,5 (90,0-129,2) mg/dL, p=0,003) e da glicemia (T0=77,5 (75,0-84,5) mg/dL e T1=83,0 (75,0-87,0) mg/dL, p=0,043) no grupo que recebeu suplementação. Os níveis de PCR aumentaram significativamente no grupo controle (T0=5,0 (4,9-9,6) mg/dL e T1=5,0 (4,9-11,6) mg/dL, p=0,009) enquanto não se modificaram no grupo de estudo. Nessa amostra, 69,4% (34) das pacientes apresentavam excesso de peso (IMC≥25,0kg/m2) e em 73,5% (36) o percentual de gordura corporal estava acima do recomendado. Conclusões: Estudos longitudinais placebo controlados são necessários de modo a avaliar a relação entre a suplementação com ômega-3, os níveis de colesterol e o processo inflamatório no LES, além da avaliação da dose eficaz e do tempo de tratamento.

Abstract

Introduction: Systemic lupus erythematosus (SLE) is an autoimmune disease, which results in systemic inflammation and tissue damage. A few studies have demonstrated that omega-3 fatty acids reduces the concentrations of eicosanoids, cytokines, chemokines, C-reactive protein (CRP) and other biomarkers of inflammation. Supplementation with this class of lipids may bring benefits to treatment of inflammatory diseases such as SLE. Objectives: 1-carry out are view of the scientific literature on the effects of omega-3 fatty acids in patients with SLE; 2- analyze the effect of omega-3 fatty acids supplementation on disease activity, biochemistry tests and plasma levels of cytokines (IL- 4, IL -6, IL-10, IL-17A , TNF-α , leptin and adiponectin). Methods: This clinical trial encompassed 49 women with SLE, 22 in the study group and 27 in the control group. The study group patients received 2g of omega-3 daily (1040mg EPA + 200mg DHA) for 12 weeks. Disease activity was assessed by SLEDAI-2K, cytokines (IL-4, IL-6, IL-10, IL-17A and TNF-α) by ultrasensitive flow cytometryand leptin and adiponectin by ELISA, at the beginning of the study (T0) and at the end (T1). Nutritional status was assessment by body mass indexand bioimpedance. Resultos: Omega-3 did not impact on disease activity and serum levels of cytokines. A significant increase in serum total cholesterol (T0=180.0 (456.0-193.5) mg/dL and T1=188.0 (162.0-214.5) mg/dL, p=0.012), LDL-c (T0=100.0 (88.0-120.5) mg/dL and T1=115.5 (90.0-129.2) mg/dL, p=0.003) and glucose (T0=77.5 (75.0-84.5) mg/dL and T1=83.0 (75.0-87.0) mg/dL, p=0.043) in the group that received supplementation was seen. CRP levels increased significantly in the control group (T0=5.0 (4.9-9.6) mg/dL and T1=5.0 (4.9-11.6) mg/dL, p=0.009) while they remained unchanged in the study group. In this sample, 69.4% (34) of the patients were overweight (BMI≥25.0 kg/m2) and in 73.5% (36) the percentage of body fat was higher than recommended. Conclusions: Future trials are required to better assess the relationship between omega-3 supplementation, levels of cholesterol and inflammation in SLE. Furthermore, these trials should also assess what the effective dosage and duration of treatment.

Assunto

Lúpus Eritematoso Sistêmico, Ácidos Graxos Ômega-3, Inflamação, Citocinas, Adipocinas

Palavras-chave

lúpus eritematoso sistêmico, ácidos graxos ômega-3, inflamação, citocinas, adipocinas

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