A estética do vestígio em contranarrativas: trauma e memória coletiva em Amada, de Toni Morrison e Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

dc.creatorMarina Pereira de Almeida e Souza
dc.date.accessioned2025-02-04T11:10:38Z
dc.date.accessioned2025-09-08T23:13:15Z
dc.date.available2025-02-04T11:10:38Z
dc.date.issued2024-12-13
dc.description.abstractThis dissertation examines Toni Morrison9s Beloved and Ana Maria Gonçalves9s Um defeito de cor from the perspective of trauma studies. I argue that the experience of slavery acts upon the characters in a way that leaves them mentally deranged and physically vulnerable even when they have not faced bondage directly. Besides individual trauma there is also collective trauma that affects the protagonists9 lives and relations, perpetuating the unspeakable pains of severe emotional and mental distress through generations. This dissertation takes a close look at what happens psychologically to an individual when one is traumatized and how the protagonists achieve atonement through the community of women. This approach mainly draws on Gabriele Schwab9s discussion about how violent legacies are difficult to recount or even to remember because usually one represses or buries these contents in an unreachable psychic crypt. A person who refuses to mourn a loss by disavowing it, keeps it inside by burying it in a psychic tomb. Although appearing to be dead, this loss is physically alive and returns as a ghost to haunt the victim. Flashbacks, nightmares and compulsive repetitions are some of the consequences of this seemly alien force that makes these intrusive memories somehow unbearable and, therefore, unspeakable. In this sense, this research discloses how discourse is affected by the traumatic experience. I also regard the way the characters find atonement by finally breaking the crypt having access to their history and putting it into words by telling their story. Furthermore, this study examines how the historical figures of Margaret Garner and Luísa Mahin served as a starting point for Morrison and Gonçalves to create their protagonists. Through traces of scarce documents, both writers drew on the fictionalization of these women to delve into forgotten memories that have never been found in official historiography. Moreover, this work analyzes how the texts highlight the political and cultural dimensions of forms of resistance to modernity, reconfiguring it. These writings subvert the official narratives of colonizers and oppressors, opposing the official history by addressing the unresolved tension between memory and forgetfulness, referencing the thousands of enslaved faces that have been forgotten, disappeared, dead, tortured, and unburied, whose stories remain untold. I conclude that this dissertation moves beyond in the study of trauma literature, for it shows that mourning over individual and collective trauma allows healing to take place in both works through the community of women, enabling the characters to reconsider the wounds of a shameful past in manners that can exorcize the ghosts of trauma.
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/79622
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectMorrison, Toni. – Amada – Crítica e interpretação
dc.subjectGonçalves, Ana Maria, 1970- – Defeito de cor – Crítica e interpretação
dc.subjectFicção americana – História e crítica
dc.subjectFicção brasileira – História e crítica
dc.subjectLiteratura comparada – Americana e brasileira
dc.subjectLiteratura comparada – Brasileira e americana
dc.subjectMulheres na literatura
dc.subjectEscravidão na literatura
dc.subjectNegros na literatura
dc.subjectViolência na literatura
dc.subjectMemória na literatura
dc.subject.otherhistória de trauma
dc.subject.otherluto
dc.subject.otheralívio
dc.subject.othercomunidade feminina
dc.subject.othercriptonímia
dc.subject.othercontranarrativas
dc.subject.otherestética do vestígio
dc.subject.otherrememoração
dc.subject.othermemória coletiva
dc.titleA estética do vestígio em contranarrativas: trauma e memória coletiva em Amada, de Toni Morrison e Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
dc.title.alternativeThe aesthetics of the trace in counter-narratives: trauma and collective memory in Toni Morrison's Beloved and Ana Maria Gonçalves's Um defeito de cor.
dc.typeTese de doutorado
local.contributor.advisor1José de Paiva dos Santos
local.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/8788381150981867
local.contributor.referee1Maria Aparecida Ferreira de Andrade Salgueiro
local.contributor.referee1Wellington Marçal de Carvalho
local.contributor.referee1Sandra Regina Goulart Almeida
local.contributor.referee1Adélcio de Souza Cruz
local.creator.Latteshttp://lattes.cnpq.br/6696862643886303
local.description.resumoEsta tese examina Amada, de Toni Morrison e Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, através da perspectiva dos estudos do trauma. Propõe-se que a experiência da escravidão age sobre as personagens, deixando-as mentalmente perturbadas e fisicamente vulneráveis, mesmo quando elas não enfrentaram a escravatura diretamente. Além do trauma individual, há o trauma coletivo que afeta as relações e vidas das protagonistas, perpetuando o aspecto indizível de uma severa angústia emocional e mental através de gerações. Esta tese examina o que acontece psicologicamente ao indivíduo quando traumatizado e como as protagonistas alcançam alívio por meio da comunidade feminina. Esta abordagem segue principalmente a discussão apontada por Gabriele Schwab sobre como legados violentos são difíceis de contar e até mesmo lembrar, pois usualmente as pessoas os reprimem ou os enterram em criptas psíquicas inacessíveis. Uma pessoa que se recusa a prantear e enlutar uma perda ao negá-la, a mantém dentro de si, enterrando-a em uma tumba psíquica. Apesar de parecer morta, a perda está psiquicamente viva e retorna como um fantasma para assombrar a vítima. Flashbacks, pesadelos e repetições compulsivas são algumas das consequências desta aparente força forasteira que faz com que essas memórias intrusas sejam intoleráveis e, portanto, indizíveis. Nesse sentido, esta pesquisa revela como o discurso dos protagonistas é afetado pelo trauma. Também aponto como as personagens rompem as paredes da cripta, acessando suas histórias e as colocando em palavras ao contá-las. Nenhuma das personagens encontra a paz através do silêncio. Quando isso acontece, as histórias traumáticas não contadas servem como perpetuação da sua própria tirania, já que os sobreviventes que emudecem se tornam vítimas de uma memória distorcida. Além disso, o estudo examina como traços históricos de Margaret Garner e Luísa Mahin serviram como ponto de partida para Morisson e Gonçalves criarem suas protagonistas. Através de rastros de documentos escassos, ambas as escritoras se valeram da ficcionalização destas mulheres para adentrar memórias esquecidas jamais encontradas na historiografia oficial. Outrossim, este trabalho analisa como as obras destacam a dimensão política e cultural das formas de resistência à modernidade, de forma a reconfigurá-la. Estes escritos subvertem as narrativas oficiais dos colonizadores e opressores, se opondo à história oficial, abordando a tensão não resolvida entre memória e esquecimento, remetendo aos milhares de rostos escravizados que foram esquecidos, desaparecidos, mortos, torturados e insepultos, cujas histórias permanecem por contar. Concluo que esta tese executa um movimento para além do estudo do trauma na literatura, pois mostra que enlutar os traumas individual e coletivo permite que o manejo da sobrevivência pós trauma aconteça em ambos os romances através da comunidade feminina, fazendo com que as personagens reconsiderem as feridas de um passado indigno, de maneira a exorcizar os fantasmas do trauma.
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentFALE - FACULDADE DE LETRAS
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Estudos Literários

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