Conflito neuro-imunológico na alergia alimentar: entre a aversão e a recompensa?
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
A alergia alimentar é resposta imune anormal frente a antígenos presentes pela dieta. A alergia alimentar ao leite de vaca é bastante frequente principalmente em crianças. Dentre os alérgenos presentes no leite, a β-lactoglobulina (BLG) é o mais imunogênico. Indivíduos alérgicos tendem a ser mais ansiosos, hipervigilantes e já foi descrito que eles apresentam aversão ao consumo do alérgeno. Em camundongos, a alergia alimentar à proteína da clara do ovo ovalbumina também acompanha do fenômeno da aversão. Para estudar a aversão e seus correlatos neuroimunológicos em modelo experimental alergia alimentar à BLG, camundongos BALB/c foram sensibilizados por via intraperitoneal com BLG e desafiados por via oral com solução contendo BLG. Observamos que os camundongos sensibilizados e desafiados por via oral exibiram níveis elevados de IgE específica para BLG, porém, os camundongos alérgicos desenvolveram aversão apenas parcial à solução contendo BLG. Mediante a possibilidade de escolha entre consumir a solução contendo o alérgeno ou apenas água, os camundongos, ainda que sensibilizados e com níveis elevados de IgE no soro, optaram por ingerir a solução alergênica. Para elucidar os processos comportamentais envolvidos na aversão ou preferência ao consumo da BLG, utilizamos um teste em labirinto do tipo Zero maze e observamos que os camundongos não sensibilizados que apenas ingeriram a solução contendo BLG por 7 dias gastaram mais tempo nos braços abertos do labirinto quando comparados aos demais grupos sugerindo um comportamento exploratório compatível com baixo grau de ansiedade. Na análise da ativação de áreas cerebrais relacionadas à ansiedade pela expressão de c-Fos por neurônios do núcleo paraventricular do hipotálamo (PVN), camundongos que beberam solução contendo BLG, sensibilizados ou não à BLG, tiveram níveis mais baixos de c-Fos quando comparados a seus controles que não beberam BLG e, portanto, menor ativação dessa região. Provavelmente, a solução contendo BLG tem algum efeito ansiolítico que estabelece um conflito com o efeito aversivo produzido pela sensibilização alérgica ao alérgeno. A preferência por soluções contendo BLG é clara em camundongos não sensibilizados que, frente a opção de ingerir outras soluções, optaram por aquelas que continham BLG. O efeito direto da BLG na aversão foi testado em um modelo clássico de alergia alimentar à ovalbumina (OVA) no qual fornecemos, aos camundongos sensibilizados com OVA, uma solução misturada com OVA e BLG. Surpreendentemente, a introdução da BLG à mistura diminuiu a aversão ao consumo de OVA. Nossa hipótese de trabalho é que a ingestão de BLG ativa áreas cerebrais do sistema de recompensa e que, frente ao conflito entre a aversão e a recompensa, esta última prevalece.
Abstract
Food allergy is an abnormal immune response to antigens present in the diet. Food allergy to
cow's milk is quite frequent, especially in children. Among the allergens present in milk, β-
lactoglobulin (BLG) is the most immunogenic. Allergic individuals tend to be more anxious,
hypervigilant and it has been described that they have aversion to the consumption of the
allergen. In mice, food allergy to the egg white protein ovalbumin is also accompanied by the
phenomenon of aversion. To study aversion and its neuroimmune correlates in an experimental
food allergy model to BLG, BALB/c mice were sensitized intraperitoneally with BLG and
challenged orally with BLG containing solution. We observed that mice sensitized and
challenged orally had high levels of BLG specific IgE, however, allergic mice developed only
partial aversion to the BLG-containing solution. When mice were given the option of
consuming the solution containing the allergen or only water, although they were sensitized
and with high levels of serum IgE, they chose to ingest the allergen-containing solution. To
elucidate the behavioral processes involved in BLG consumption or aversion, we used a Zero
maze test and we observed that the non-sensitized mice that only ingested the BLG-containing
solution for 7 days spent more time in the open arms of the labyrinth when compared to the
other groups suggesting an exploratory behavior compatible with low levels of anxiety.
Analysis of activation of the anxiety-related brain areas by c-Fos expression by neurons of the
hypothalamus paraventricular nucleus (PVN) showed that mice drinking BLG-containing
solution, sensitized or not to BLG, had lower levels of c-Fos when compared to its controls that
did not drink BLG and, therefore, less activation of this region. It is likely that the BLG-
containing solution has some anxiolytic effect that conflicts with the aversive effect produced
by allergic sensitization to the allergen. The preference for solutions containing BLG is clear in
non-sensitized mice that, in contrast to the option to ingest other solutions, chose those
containing BLG. The direct effect of BLG on aversion was tested in a classical model of food
allergy model to ovalbumin (OVA) in which OVA-sensitized mice were given a solution mixed
with OVA and BLG. Surprisingly, addition of BLG into the blend decreased the OVA aversion.
Our working hypothesis is that BLG intake activates brain areas of the reward system and, in
face of the conflict between aversion and reward, the reward prevails.
Assunto
Bioquímica e imunologia, Hipersensibilidade Alimentar, Lactoglobulinas, Recompensa, Modalidades Alimentares
Palavras-chave
Alergia alimentar, beta-lactoglobulina, aversão, recompensa
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