Relações de parentesco em sociedades sem Estado: as críticas de Marx a Morgan e a Maine

dc.creatorAna Carolina Marra de Andrade
dc.date.accessioned2025-07-22T09:48:57Z
dc.date.accessioned2025-09-08T23:56:11Z
dc.date.available2025-07-22T09:48:57Z
dc.date.issued2025-06-06
dc.description.abstractIn 1972, Lawrence Krader published a compilation of some of Marx's notes from the last years of his life, under the title “Ethnological Notebooks”, including, among others, Marx's studies of Lewis H. Morgan's Ancient Society (1877) and Henry S. Maine's Lectures on the Early History of Institutions (1875). In this Thesis, we bring to light the Marxian notes on these authors, still largely neglected by the Marxist tradition, through the lens of a theme common to both: kinship relations in stateless societies. Starting from an immanent analysis of the texts, the aim is to show how Marx has an authentic position on the subject, opposing his own view of history to that of Morgan and Maine, although in different ways. It presents a Marx interested in studying the role of kinship as a form of organization in stateless societies, understanding the historicity of politics, consanguinity, the family, and gender relations themselves. To do this, an earlier text by Marx, Forms that precede capitalist production (1857-8), is revisited in order to investigate what continues and what changes in his thinking about kinship as the foundation of stateless societies. In addition, his understanding of the transition from kinship to politics in Iroquois, Greek, and Roman societies, based on Morgan, and the forms of organization through kinship in Celtic and Hindu societies, based on Maine, are examined. It is thus shown that, for the author of Capital, both Morgan and Maine start from “stories à la Robinson” to analyse stateless societies, that is, in general terms, they transfer elements of civil-bourgeois society to them, naturalizing modern relations; the former in a more elaborate way, and the latter as an apologist for the English colonial bourgeoisie. The conclusion is that, for the “last” Marx, the (non-political) forms of social organization based on kinship relations, called “gentile societies”, play a role that he did not yet recognize in the 1850s, differing from mere family relations, even though these are also historical and changeable. This demonstrates that, for Marx, although it is possible to trace relationships between the history of different peoples, each society must be analyzed from its own perspective, highlighting the link between the productive whole, i.e., all the elements of the production and reproduction of human life, and the social relationships connected to them. By reconstructing the so-called “Ethnological Notebooks”, Marx is therefore presented as a critical thinker who not only keeps up to date with the new discoveries of his time, but is also capable of overcoming them.
dc.description.sponsorshipCAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/83712
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectDireito
dc.subjectEstado
dc.subjectParentesco
dc.subjectMarx, Karl, 1818-1883
dc.subject.otherParentesco
dc.subject.otherEstado
dc.subject.otherGênero
dc.subject.otherKarl Marx
dc.subject.otherHistória
dc.titleRelações de parentesco em sociedades sem Estado: as críticas de Marx a Morgan e a Maine
dc.title.alternativeKinship in stateless societies: Marx's criticisms of Morgan and Maine
dc.typeDissertação de mestrado
local.contributor.advisor-co1Vitor Bartoletti Sartori
local.contributor.advisor1Vera Aguiar Cotrim
local.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/7259302151802070
local.contributor.referee1Ester Vaisman Chasin
local.contributor.referee1Leonardo Gomes de Deus
local.contributor.referee1Lucas Parreira Álvares
local.creator.Latteshttp://lattes.cnpq.br/5563010309423461
local.description.resumoEm 1972, Lawrence Krader publica um compilado de algumas das anotações de Marx em seus últimos anos de vida, denominando-o Cadernos Etnológicos, o qual inclui, dentre outros, os estudos de Marx sobre A Sociedade Antiga (1877), de Lewis H. Morgan, e Preleções sobre o início da história das instituições (1875), de Henry S. Maine. Na presente Dissertação, trazemos à tona as notas marxianas sobre esses autores, ainda muito negligenciadas pela tradição marxista, sob a lente de um recorte temático comum a ambas: as relações de parentesco em sociedades sem Estado. Partindo de uma análise imanente dos textos, pretende-se demonstrar como Marx possui um posicionamento autêntico sobre o tema, opondo sua própria visão da história à de Morgan e à de Maine, ainda que de modos distintos. Apresenta-se um Marx interessado em estudar o papel do parentesco como forma de organização de sociedades sem Estado, compreendendo a historicidade da política, das relações de consanguinidade, da família e das próprias relações de gênero. Para isso, resgata-se um texto anterior de Marx, Formas que precederam a produção capitalista (1857-8), no intuito de investigar o que continua e o que se altera em seu pensamento sobre o parentesco como fundamento das sociedades sem Estado. Além disso, analisa-se sua compreensão da transição do parentesco até a política nas sociedades iroquesa, grega e romana, com base em Morgan, e sobre as formas de organização através do parentesco nas sociedades celta e hindu, com base em Maine. Assim, demonstra-se que, para o autor de O capital, tanto Morgan quanto Maine partem de “robinsonadas” para analisar sociedades sem Estado, isto é, em linhas gerais, transpõem até elas elementos da sociedade civil-burguesa, naturalizando relações modernas; o primeiro de modo mais elaborado, e o segundo como um apologista da burguesia colonial inglesa. Conclui-se que, para o “último” Marx, as formas (não políticas) de organização social baseadas em relações de parentesco, chamadas de “sociedades gentílicas”, possuem um papel que ele não reconhecia ainda na década de 1850, diferindo-se das meras relações familiares, ainda que estas também sejam históricas e mutáveis. A partir disso, demonstra-se que, para Marx, ainda que seja possível traçar relações entre a história dos diferentes povos, cada sociedade deve ser analisada a partir de suas próprias determinações, ressaltando a relação entre o todo produtivo, isto é, todos os elementos da produção e reprodução da vida humana, com as relações sociais a eles atreladas. Ao reconstituir os chamados “Cadernos Etnológicos”, apresenta-se, portanto, o Marx enquanto um pensador crítico que não só se mantém atualizado acerca das novas descobertas de sua época, como também é capaz de superá-las.
local.identifier.orcidhttps://orcid.org/0000-0002-8477-8578
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentDIREITO - FACULDADE DE DIREITO
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Direito

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