Prevalência de dor crônica em participantes que vivem com HIV: estudo transversal em participantes ambulatoriais de centro universitário de referência no tratamento do HIV em Belo Horizonte

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Mirna Bastos Marques
Ênio Roberto Pietra Pedroso
Sebastião Nataniel Silva Gusmão

Resumo

RESUMO Objetivo: avaliar a prevalência de dor, depressão e qualidade de vida em pessoas vivendo com o vírus da imunodeficiência humana/ síndrome da imunodeficiência humana (PVHIV/AIDS), suas interligações e o nível de abordagem de dor crônica em PVHIV pela equipe médica de serviço especializado no tratamento de HIV. Métodos: foram entrevistados 209 participantes do Centro de Treinamento e Referência em Doenças Infecciosas e Parasitárias (CTR-DIP) da Prefeitura de Belo Horizonte - Hospital das Clínicas-Universidade Federal de Minas Gerais, CTR-DIP Orestes Diniz. Foi aplicado questionário semiestruturado com instrumentos de avaliação de dor, depressão e qualidade de vida. Foi também avaliado o percentual de participantes com dor crônica que discutiram suas dores com o infectologista e as intervenções feitas. Dados demográficos, comportamentos como tabagismo e etilismo, comorbidades, antirretrovirais utilizados, contagem de LTCD4+ e carga viral foram levantados e realizadas análises descritiva e comparativa, a fim de avaliar associações entre essas variáveis com o desfecho de interesse, dor. Resultados: dos 209 participantes avaliados neste estudo, 80 (38,3%) apresentavam dor crônica, sendo moderada a intensa em 66,2%. Dor neuropática relacionada ao HIV/terapia antirretroviral (TARV) foi diagnosticada em apenas um paciente (0,5%). Não foi encontrada associação entre dor crônica e sexo, idade, peso, escolaridade, renda familiar, comorbidades, tempo de diagnóstico da infecção pelo HIV, tabagismo e etilismo. Tiveram diagnóstico de depressão 56 participantes (26,8%). Entre aqueles com dor crônica notou-se comorbidade expressivamente maior de depressão, 41,3% (p<0,001). A associação de dor e depressão em PVHIV piora significativamente a qualidade de vida desses participantes (p 0,05). Dos 78 participantes com dor crônica que responderam e/ou havia registros no prontuário, 47 (60%) não haviam espontaneamente relatado ou sido questionado quanto à dor ao infectologista. Avaliando o percentual de melhoras pelo inventário breve da dor (IBD) nas últimas 24 horas com intervenção medicamentosa feita nesse estreito período, 58% dos participantes obtiveram melhora importante (50 a 100%) e os outros 42% referiram alívio de 0 a 40%. Dos 11 participanntes com diagnóstico de dor neuropática de diferentes etiologias, apenas um estava sendo medicado para tal com amitriptilina e outro estava se automedicando com oxcarbazepina. Conclusão: dor e depressão tiveram maior prevalência nesse grupo de PVHIV em relação às estatísticas de estudos brasileiros na população geral e a associação de depressão e dor crônica nesses participantes piorou significativamente sua qualidade de vida. A prevalência de dor neuropática encontrada, entretanto, foi menor que a referenciada na literatura, marcada por estudos recentes escassos quanto a esse dado epidemiológico, podendo refletir o resultado de TARV menos neurotóxica e de uso precoce. A dor crônica continua subdiagnosticada e subtratada em serviço de atenção a HIV/AIDS. Palavras-chave: HIV; Neuropatia periférica; Dor crônica; Qualidade de vida; Depressão.

Abstract

ABSTRACT Objective: To assess the prevalence of pain, depression and quality of life in persons living with human immunodeficiency virus/ acquired imunodeficience syndrome (PHIV/AIDS), their interconnections and the level of approach to chronic pain in PLHIV by the medical team specialized in HIV treatment. Methods: 209 patients from the Training and Reference Center for Infectious and Parasitic Diseases (CTR-DIP) of the Belo Horizonte City Hall - Hospital das ClínicasUniversidade Federal de Minas Gerais, CTR-DIP Orestes Diniz, were interviewed. A semi-structured questionnaire with instruments to assess pain, depression, and quality of life was administered. It was also assessed the percentage of patients with chronic pain who discussed their pain with an infectious disease specialist and the interventions performed by the specialist. Demographic data, behaviors such as smoking and alcohol consumption, comorbidities, antiretroviral therapy use, LTCD4+count, and viral load were collected, and descriptive and comparative analyses were performed to assess associations between these variables and the outcome of interest: pain. Results: Of the 209 patients evaluated in this study, 80 (38.3%) had chronic pain, moderate to severe in 66.2%. HIV/ antiretroviral therapy - ART - related neuropathic pain was diagnosed in only 1 patient (0.5%). No association was found between chronic pain and sex, age, weight, education, family income, comorbidities, time since HIV diagnosis, smoking, or alcohol consumption. Fifty-six patients (26.8%) were diagnosed with depression. Among patients with chronic pain, there was a significantly higher comorbidity of depression, 41.3% (p < 0.001). The association of pain and depression in PLHIV significantly worsens the quality of life of these patients (p < 0.05). Of the 78 participants with chronic pain who responded and/or had records in the medical records, 47 patients (60%) had not spontaneously reported or been questioned about pain to the infectious disease specialist. When evaluating the percentage of improvements according to the Brief Pain Inventory (BPI) (last 24 hours) with the medication intervention performed in this short period, 58% of patients reported significant improvement (50 to 100%), and the remaining 42% reported relief of 0 to 40%. Of the 11 patients diagnosed with neuropathic pain of various etiologies, only one patient was being medicated with amitriptyline, and another was self-medicating with oxcarbazepine. Conclusion: The prevalence of chronic pain and depression was higher in PLHIV, and the combination of depression and chronic pain in these patients significantly worsened their quality of life. The prevalence of neuropathic pain, however, was lower than that reported in the literature, marked by a lack of recent studies with this epidemiological data. This may reflect the results of less neurotoxic and early-onset (ART). Chronic pain remains underdiagnosed and undertreated in HIV/AIDS care settings. Keywords: HIV; Peripheral neuropathy; Chronic pain; Quality of life; Depression.

Assunto

Dor Crônica, Sobreviventes de Longo Prazo ao HIV, Medição da dor, Depressão, Qualidade de Vida, Infecções por HIV, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, Prevalência, Estudos Transversais, Dissertação Acadêmica

Palavras-chave

HIV, Neuropatia periférica, Dor Crônica, Qualidade de vida, Depressão

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