Cadernetas de campo da comissão construtora da nova capital: preservação digital e horizontes de estudo

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Resumo

Este artigo apresenta resultados preliminares de uma investigação acerca da História das Obras Públicas em Belo Horizonte, que visa explorar sua dimensão material, especialmente os aspectos técnico-construtivo e de transformação da paisagem natural. No final do século XIX, ganha força uma vontade política em prol da transferência da sede do Governo de Minas Gerais de Ouro Preto para sítio mais adequado à implantação de uma cidade capital alinhada aos ideais republicanos. Essa medida visa, sobretudo, a superação da ordem colonial, decadente desde a segunda metade do século XVIII, em decorrência do progressivo esgotamento do ouro. Em 1894, é nomeada a “Comissão Construtora da Nova Capital” - CCNC, que se encarrega dos trabalhos de levantamento geodésico e topográfico, do plano urbano e dos projetos de infraestrutura e edifícios públicos, bem como de sua construção. Belo Horizonte é inaugurada em 1897. Recentemente, documentos do acervo da CCNC foram selecionados pelo “Programa Memória do Mundo”, da UNESCO, passando a ser considerados Patrimônio da Humanidade na categoria arquivística. Entre tais documentos estão as cadernetas de campo dos levantamentos realizados pela “Divisão de Estudos e Preparo do Solo” da CCNC. Produzidas entre 1894 e 1898, as cadernetas trazem dados sobre topografa, cursos d’água, cadastro de imóveis e demografa. Esses são os registros de dados mais próximos dos aspectos físicos do sítio natural sobre o qual se implantaria o plano urbano da cidade. A reconstituição e a visualização desses dados em ambiente computacional é hoje viabilizada pelos SIG e por softwares gráficos, dando margem a novas possibilidades de análise, em função das diversas possibilidades de visualização de aspectos físicos da paisagem em sequência temporal. Na primeira etapa do trabalho, desenvolvemos um método para a preservação digital das cadernetas, em duas fases: a primeira consiste no registro fotográfico das 671 cadernetas, totalizando cerca de 27.000 fotografas; a segunda, ainda em andamento, dedica-se à produção de fac-similes. O trabalho desdobra-se na modelagem dos dados do levantamento topográfico em ambiente computacional. Um primeiro momento será dedicado à interpretação dos métodos e instrumentos aplicados, bem como da notação técnica de seus numéricos. Num segundo momento, será procedida a transposição desses dados para softwares de modelagem, a partir dos quais serão realizadas simulações do relevo do sítio de implantação da cidade, tendo em vista a investigação das alterações na paisagem urbana a partir das obras públicas.

Abstract

Assunto

Arquitetura, Planejamento urbano, Obras públicas

Palavras-chave

Cadernetas de Campo, Preservação digital

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http://www.mom.arq.ufmg.br/mom/01_biblioteca/arquivos/santos_16_cadernetas_de_campo.pdf

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