Avaliação do potencial probiótico de Escherichia coli Nissle na colite amebiana experimental

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Entamoeba histolytica é um protozoário entérico patogênico e constitui uma das principais causas de morbimortalidade em países subdesenvolvidos, configurando um grave problema de saúde pública. Esse parasito é o agente etiológico da amebíase intestinal, cuja manifestação clínica mais frequente é a colite, podendo evoluir para formas extraintestinais, como o abscesso hepático amebiano. O tratamento convencional baseia-se no uso do metronidazol (MTZ); entretanto, relatos clínicos têm apontado falhas terapêuticas e persistência da infecção mesmo após a intervenção farmacológica, o que evidencia a necessidade urgente de novas abordagens terapêuticas. Neste estudo, investigamos o potencial da bactéria Escherichia coli Nissle como probiótico e alternativa terapêutica no combate à amebíase intestinal. Inicialmente, realizamos ensaios in vitro, os quais demonstraram que E. coli Nissle é capaz de induzir alterações morfológicas nos trofozoítos e inibir seu crescimento. Esse efeito inibitório tornou-se mais pronunciado após 18 horas de incubação com a concentração de 10⁹ UFC/mL, sendo mediado principalmente pela produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), em especial o peróxido de hidrogênio (H₂O₂). Na etapa seguinte, conduzimos experimentos in vivo utilizando gerbils como modelo experimental de infecção por E. histolytica. A análise histopatológica revelou que a infecção provocou intenso infiltrado inflamatório na mucosa cecal. No entanto, no grupo infectado e tratado com E. coli Nissle, observou-se uma redução significativa do infiltrado inflamatório, bem como regeneração parcial da arquitetura tecidual. Por sua vez, os animais que receberam apenas o probiótico apresentaram mucosa cecal com características morfológicas semelhantes às do grupo controle não infectado, sem evidências de alterações significativas. A análise morfométrica da produção de muco indicou que a infecção por E. histolytica induziu um aumento na secreção de muco. Em contrapartida, o grupo tratado com E. coli Nissle exibiu redução na produção de muco, sugerindo que a presença da bactéria interfere na resposta mucosa associada à infecção. O grupo que recebeu apenas o probiótico não apresentou diferença significativa na produção de muco em relação ao controle. Coletivamente, os resultados obtidos nos estudos in vitro e in vivo demonstram que E. coli Nissle possui potencial terapêutico promissor como agente probiótico adjuvante no tratamento da amebíase causada por E. histolytica.

Abstract

Entamoeba histolytica is a pathogenic enteric protozoan and represents one of the leading causes of morbidity and mortality in developing countries, constituting a serious public health concern. This parasite is the etiological agent of amebiasis, whose most common clinical manifestation is colitis, which may progress to extraintestinal forms such as amebic liver abscess. Conventional treatment relies on the use of metronidazole (MTZ); however, clinical reports have documented therapeutic failures and persistence of infection even after pharmacological intervention, highlighting the urgent need for novel therapeutic approaches. In this study, we investigated the potential of the bacterium Escherichia coli Nissle as a probiotic and therapeutic alternative for combating intestinal amebiasis. Initially, we performed in vitro assays, which demonstrated that E. coli Nissle is capable of inducing morphological alterations in trophozoites and inhibiting their growth. This inhibitory effect became more pronounced after 18 hours of incubation with a concentration of 10⁹ CFU/mL, being primarily mediated by the production of reactive oxygen species (ROS), particularly hydrogen peroxide (H₂O₂). Subsequently, we conducted in vivo experiments using gerbils as an experimental model of E. histolytica infection. Histopathological analysis revealed that infection triggered a marked inflammatory infiltrate in the cecal mucosa. However, in the group infected and treated with E. coli Nissle, a significant reduction in inflammatory infiltration was observed, along with partial regeneration of tissue architecture. Conversely, animals that received only the probiotic displayed cecal mucosa with morphological features comparable to the uninfected control group, without evidence of significant alterations. Morphometric analysis of mucus production indicated that E. histolytica infection induced an increase in mucus secretion. In contrast, the group treated with E. coli Nissle exhibited a reduction in mucus production, suggesting that the presence of the bacterium modulates the mucosal response associated with infection. Meanwhile, the group that received only the probiotic showed no significant difference in mucus production compared with the control. Collectively, the results obtained from both in vitro and in vivo studies demonstrate that E. coli Nissle holds promising therapeutic potential as an adjuvant probiotic agent in the treatment of amebiasis caused by E. histolytica.

Assunto

Parasitologia, Entamoeba histolytica, Escherichia coli, Probióticos, Amebíase

Palavras-chave

Entamoeba histolytica, Escherichia coli Nissle, Probiotico, Amebiase.

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