Cinemática das marchas batida e picada durante julgamento de equinos montados da 39ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Mayara Gonçalves Fonseca
Tiago de Resende Garcia
Carlos Augusto Sacchi
Tiago de Resende Garcia
Carlos Augusto Sacchi
Resumo
A raça Mangalarga Marchador é responsável pelo mais representativo rebanho equino
do Brasil e possui a marcha como andamento natural. Desde a criação do primeiro
padrão desta raça, a marcha batida (MB) e a marcha picada (MP) foram englobadas
dentro de uma única definição. Desse modo, avaliações mais criteriosas são necessárias
para diferenciar e melhor compreender as variáveis de locomoção em ambas as
modalidades. O objetivo do presente trabalho foi descrever e comparar, através da
análise de vídeo, as variáveis cinemáticas da MB e MP, visando caracterizar e
identificar as diferenças nos andamentos apresentados por esses animais. A etapa
experimental foi desenvolvida durante a 39ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga
Marchador, ocorrida entre os dias 18 e 30 de julho de 2022, no Parque de Exposições
Bolívar de Andrade, em Belo Horizonte/MG. Foram avaliados 147 animais em idade de
montaria, classificados como “Campeão”, “Reservado Campeão” e “Primeiro Prêmio”
(primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente) em cada categoria de marcha,
sendo 27 categorias de MB (39 garanhões e 42 éguas) e 22 categorias de MP (27
garanhões e 39 éguas). O plano de filmagem foi demarcado na pista durante a
competição. Para análise cinemática, foram filmados os sete animais finalistas dos
julgamentos oficiais de marcha de cada categoria, com uma única câmera de vídeo
posicionada para a aquisição dos dados bidimensionais a 240 quadros por segundo (Hz).
Determinou-se: a distribuição do tempo em cada tipo de apoio (quadrupedal, tríplice,
bipedal, monopedal) e suspensão; comprimento, frequência, duração e velocidade média
das passadas; dissociação de apoio dos bípedes diagonais; e análise das pegadas (ultra,
retro e sobrepegada) . Foi realizada análise multivariada pela metodologia de
componentes principais (PCA) para estudo da relação entre as variáveis sexo, idade,
tipo de marcha e distribuição dos apoios e ANOVA para 2 fatores (tipo de marcha e
sexo), seguida de Tukey (α = 5%). As variáveis que não apresentaram normalidade e/ou
homocedasticidade, foram submetidas à análise de Kruskal-Wallis, seguida de Tukey (α
= 5%). Os animais de MB foram conduzidos em menor velocidade (p<0,05) que a MP.
Também diferiram na maioria das variáveis cinemáticas analisadas (p<0,05), exceto nos
apoios tripedais pélvicos e na duração das passadas. A MP, em velocidade média de
11,38 km/h, apresentou predomínio de apoios laterais seguidos por diagonais, tríplice
torácico, tríplice pélvico e monopedal pélvico. A MB teve predomínio de apoios bipedal
diagonal, seguida de tríplice torácico, tríplice pélvico, quadrupedal e bipedal lateral.
Não houve momentos de suspensão em nenhum dos tipos de marcha. Apoios que não
estão descritos no Padrão da Raça foram encontrados nos animais, como os apoios
monopedal torácico e pélvico na MP e os apoios quadrupedal, bipedal pélvico e
monopedal torácico e pélvico na MB, embora representaram curto tempo em relação ao
total da passada. Todos os animais de MP apresentaram dissociação negativa e foram
mais dissociados que a MB. A maioria dos equinos de MB apresentaram a retropegada,
com média de 11,20 centímetros de distância média entre os talões do membro torácico
e pinça do membro pélvico, discordando do atual Padrão da Raça MM que prevê a
ocorrência de sobre ou ultrapegada como característica ideal. Na MP, a maioria dos
animais apresentaram ultrapegada, sendo que os machos tiveram maior distância média
entre as pegadas dos membros torácico e pélvico. MP apresentou maior comprimento
das passadas, sendo que houve diferença entre sexo. Pela análise de componentes
principais, foi observado variação considerável na distribuição dos tempos de apoio da
MB, ocasionando grande dispersão dos valores deste grupo, o que demonstra a
necessidade de melhor padronização dessa modalidade de andamento. Conclui-se que
os andamentos MB e MP de equinos premiados da raça MM diferiram na maioria das
variáveis analisadas, sendo necessários novos estudos que avaliem ambas as
modalidades de marcha em velocidades equivalentes e com melhor padronização na
forma de condução dos animais.
Abstract
Assunto
Zootecnia
Palavras-chave
Mangalarga, Equino, Cavalo