Representação a contrapelo: o desenho de arquitetura como ferramenta da produção do espaço
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Ana Paula Baltazar dos Santos
Silke Kapp
João Marcos de Almeida Lopes
Silke Kapp
João Marcos de Almeida Lopes
Resumo
A presente dissertação tem como objetivo discutir a condição ambivalente das representações de arquitetura enquanto instrumentos auxiliares da produção do espaço. De um lado, elas podem ser utilizadas como ferramentas de controle da produção a serviço do capital, reunindo o trabalho fragmentado dos operários da manufatura da construção de modo a garantir a extração de mais-valor. Para isso, configuram-se como um código restrito ao campo dos arquitetos. De outro, elas têm potencial para serem aplicadas em práticas operativas que promovam a interação entre canteiro e desenho, para auxiliarem na difusão de informações técnicas para além dos limites restritos que hoje desempenham no campo da arquitetura, ou para serem apropriadas de forma crítica por indivíduos e grupos sócio-espaciais marginalizados. Partindo desses pressupostos, reconheço que as representações não são ferramentas neutras, e por isso podem ser utilizadas para diversos propósitos com distintos modos de mobilização. No presente texto analiso essa ambivalência a partir de estudos de caso de diversas práticas arquitetônicas, investigando desde as mais convencionais até aquelas que, de alguma forma, se desviam do arranjo hegemônico (tais como as assessorias técnicas para os processos participativos de conjuntos autogestionários, para as demandas populares ou para a autoconstrução). Desse modo, na pesquisa apresentada neste texto, faço uma crítica ao uso prescritivo e codificado das representações e investigo em que medida elas são passíveis de serem usadas em instrumentos de diálogo: ferramentas que estejam orientadas para a interação crítica e para exercícios de emancipação dos agentes que as mobilizam ou para os quais elas são direcionadas.
Abstract
This dissertation aims to discuss the ambivalent condition of architectural representations as auxiliary instruments of the production of space. On one hand, they can be used as tools to control the production at the service of capital, bringing together the fragmented work of construction manufacturing workers, in order to guarantee the extraction of surplus value. For this, they are configured as a code, that is restrict to the field of architects. On the other hand, they have the potential to be applied in operational practices that promote the interaction between construction site and design, to assist in the dissemination of technical information beyond the restricted limits that they currently perform in the field of architecture, or to be critically appropriated by marginalized individuals and socio-spatial groups. Based on these assumptions, I recognize that representations are not neutral tools, and therefore they can be used for different purposes with different modes of mobilization. This research analyzes this ambivalence based on case studies of different architectural practices, investigating from the most conventional to those that, in some way, deviate from the hegemonic arrangement (such as technical advisory for participative processes of self-management housing groups, for the popular demands or for the self-construction). Thus, in the research presented in this text, I criticize the prescriptive and codified use of representations and I investigate the extent to which they are able to be used in instruments of dialogue: tools that are oriented towards critical interaction and exercises of emancipation of the agents that mobilize them or towards whom they are directed.
Assunto
Desenho arquitetônico, Representação arquitetônica, Arquitetura, Projeto arquitetônico
Palavras-chave
Representação de arquitetura, Assessoria técnica, Instrumentos de diálogo, Interfaces